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quarta-feira, fevereiro 19, 2020

UMBERTO ECO, LISA CARDUCCI, PEREIRA DA COSTA & LUANNA GONDIM


LEVAR TUDO NOS PEITOS: JUÍZO QUE É BOM, JÁ ERA – UMA: DAS IDEIAS, SACADAS & ERRADAS - Sempre tenho muitas ideias e desconfio da validade de todas elas. São estalos assim do nada, só com o tempo é que posso avaliar. Quando intuição, maior valia; se contaminada pelo intelecto, efêmera. Levo em conta que não tenho lá sanidade mental que se diga confiável, enlouqueço quase sempre. É aí que, na cagada, acerto. Assim no bambo. O que me espanta é quando ouço alguém consternado reclamando por falta de reconhecimento ou de sorte. Ora, se eu levasse em consideração a indiferença e meu apequenado talento, já teria desistido há muito tempo. Isso porque acho que estou me lapidando, aprendendo, dando minhas tacadas, acertando vez em quando e olhe lá. Vou sempre naquela do Copérnico: Não estou tão apaixonado por minhas próprias opiniões para ignorar o que os outros podem pensar sobre elas. E olhe que aos 68 anos de idade, ele mesmo achava que ainda não estava pronto. Imagine eu ainda longe disso! E quando publicou sua De Revolutionibus Orbium Coelestium, ela foi rechaçada por todo lado, causando alvoroço: foi recebida com ceticismo pelos colegas, foi condenada pelos protestantes e banida por três séculos pelos católicos. Ninguém é perfeito, quanto mais eu. DUAS: DA CARA LISA, É ISSO AÍ – Outra que me dá uma corda boa daquela de roscofe com cara de paisagem é aquela do Breton: Não é o medo da loucura que nos forçará a largar a bandeira da imaginação. Afinal, tenho intimidade com as doidices, fato que me faz acertar o alvo quando menos espero. Taí. E ele me dá mais fundamento, avalie: Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa e cuja inocência só encontra um igual em mim. Salve, Breton, fui salvo pelo gongo, ora se. TRÊS: É ISSO AÍ & VAMOS NESSA – Gratificante mesmo é aquela do Umberto Eco: Apenas os pequenos homens parecem normais. Eita! Ora, não sou lá um pigmeu, mas tenho vontades maiores que o meu próprio tamanho. Pelo menos. Por isso, estou livre disso, já que nunca fui lá bom da bola – juízo frouxo mesmo, ou como diziam meus parentes: sempre tive um parafuso a menos no quengo -, ou achegado a ser todo arrumadinho nos trinques, nem empatotado na defesa de sectários. Nada demais dar uma de xexéu com mais uma sacada do Eco: Fundamentalistas dão um toque de arrogante intolerância e rígida indiferença para com aqueles que não compartilham suas visões de mundo. Eu, hem? Nunca tive vocação para ser oracular dono da verdade, sempre aprendendo, ralando mesmo. Como dizia minha tia Conça: Aprenda, viu, seu coisinha! E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. No momento que a internet permite que todos falem, permite que um grande número de imbecis falem. Eu comecei a acreditar que o mundo inteiro é um enigma, um enigma inofensivo que se torna terrível pela nossa própria tentativa furiosa em interpretá-lo como se ele tivesse uma verdade secreta. Nem todas as verdades são para todos os ouvidos. Nem todas as mentiras podem ser suportadas. Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes somente as línguas... Talvez a missão daqueles que amam a Humanidade seja fazer com que as pessoas se riam da verdade, porque a única verdade consiste em aprender a libertar-nos da paixão insana pela verdade. A arte só oferece alternativas a quem não está prisioneiro dos meios de comunicação de massa. Pensamento do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016). Veja mais aqui.

QUATRO POEMAS – I - durante o teu sonho / eu brinco com as nuvens / e tu não sabes de nada. II - minhas mãos te olham / estranha fotografia / onde meus olhos te tocam. III - tu conheces pelo coração / a gramática do meu corpo / e seu dicionário. IV - tuas mãos na minha pele / entre os raios de luar / fazem cinema. Poemas da escritora canadense Lisa Carducci.

AVÔ TORTO, AVÓ-TORTA
Bastante fundamento tinha minha avó-torta, para dizer-me depois de uma grande maçada: meu netinho não há mal que sempre dure, nem bem que nunca finde.
AVÔ OU AVÓ-TORTA – O marido ou esposa de um dos avós legítimos, que enviuvando passam a segundas núpcias, como avô-torto, ou avó-torta. Extraído da obra Vocabulário pernambucano (Coleção Pernambucana/SEC-PE, Volume II, 1976), do historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa (1851-1923). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Comecei a dançar no Recife, aos 7 anos. Inicialmente, entrei numa escola e passei para uma academia quando a coisa estava mais séria. Mas desde o princípio eu já sabia o que eu queria ser.
LUANNA GONDIM - A arte da bailarina clássica Luanna Gondim, que atua no Tetro de Ópera e Ballet de Perm, da Rússia. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A música de Quinteto Violado aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Jaci Bezerra aqui & aqui.
A literatura de Pelópidas Soares (1922-2007) aqui & aqui.
Tempo de Pernambuco – ensaios críticos, do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983) aqui.
A arte de Mozart Guerra aqui.
O cinema de Simião Martiniano aqui.
A arte de Irene Duarte aqui.
As aventuras de Xemenexem aqui & aqui.
O município de Toritama aqui & aqui.
&
O Museu de Una aqui.
&
OFICINAS ABI
Oficina de Cineclube – 22/02
Oficina de Neuroeducação & Livroterapia – 07/03
Oficina de Pesquisa & Metodologia Científica – 14/03
Oficina de Iniciação Teatral – 21/03
Oficina de Práticas Pedagógicas em EJA – 04/04
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sábado, novembro 04, 2017

DUFRENNE, RACHEL DE QUEIROZ, DELEUZE, ANA CRUZ, VIRGÍNIA PALOMEQUE, BOLSHOI BALLET, IARAVI & ÁGUAS BELAS

IARAVI ENTRE ANHANGÁ & PERÓS - Imagem: arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque - Tupã alumia meus caminhos e me protege enquanto subo o Una, alcanço as margens do Pirangi, sigo até a Serra da Prata para alcançar toda extensão da minha gente caeté, empunhando seus arcos e tacapes. Aceno e me despeço de todos. Sinto-me seguro, prossigo até a densa floresta com o silvo de cobras, piados de coruja rasgando mortalhas, cricrilar dos insetos, ameaças da Cobra Grande, ventos e presságios. Vou com a flecha em punho para rasgar o espaço escuro e o meu tacape pronto para golpear qualquer fera que interdite minha caminhada. Vou firme. Sei que lá longe Anhangá reina tirânico além das matas, aterroriza escravizando a todos que lhe cruzem as vistas. Por conta de uma sua desalmada intervenção, a amada caingang perdeu-se no caminho, nunca mais pude vê-la, temo não mais encontrá-la. Esse imprevisto me atormenta a alma e persigo os seus passos, sinto a baforada de sua ira a cada surpresa, tenho de enfrentar o seu horrível bafejo, pois desconfio que Iaravi tenha sido capturada por suas garras. Ouvi dizer que não, apenas se perdera estrada afora. Anhangá continua inquieto, reafirmam, se a tivesse capturado estaria quieto, entretido com sua escrava. Pode ser. Talvez ela tenha sido levada pelos perós aos montes desembarcando das suas caravelas e se amontoando na praia, sinal de desgraça no ar. Não confio neles, cara pálida pérfido parece desalmado e achegado às hostilidades. As fogueiras ardem e eles buscam aprisionar as cunhantãs formosas, isso eu sei. Temo por Iaravi. Também disseram que ela não está entre as suas prisioneiras, está perdida. Sei que ela tem poderes que nem sabe, aprenderá a usá-los para sobreviver às emboscadas e malsinações das matas densas sme fim. Foi por causa disso que exilei do meu povo para reencontrá-la, desconsolado, desgostoso de tudo, muitas luas no camino e penso nela, sua boca requerente à espera do meu beijo, sua graça à porta da maloca ansiando minha chegada, seu corpo o reino da minha satisfação. Por ela enfrento toda e qualquer maledicência, que venham monstros e algozes com seus ferros ultrajantes, estou pronto pro vento que encrespa nas ondas do Una e um raio fuzila no espaço com estrondoso trovão, chegou a hora da contenda! O vendaval é forte e demorado e quando a procela passa a manhã sorri no firmamento, com a autora o Sol doura as copas das frondosas árvores. Lá longe avisto: eis ela nas águas pro seu banho ritual, inocente vítima das circunstâncias. O meu coração se apressa querendo sair pela boca, meus passos se misturam às carreiras para encontrá-la quase a me descontrolar na descida da ribanceira e ela presa fácil, preciso alcançá-la para protegê-la tanto das investidas de Anhangá como das insolentes invasões dos perós. Finalmente alcanço-a e seu olhar é só sorriso ao ver-me. Abraço-a e sua carne é como a água que nos lava à cintura, tudo nela é como a vida para que eu possa viver o amor que nos une a alma. PS: Narrativa inspirada na lenda de Ajuricaba, recolhida da obra Folclore amazônico (São José, 1951), de José Coutinho de Oliveira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado: O Guarani & outros sucessos; a violinista e maestro britânica Rachel Podger: Sonatas de Bach &  La Stravaganza Vivaldi; o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno: Festival Choro Jazz, Beatles, Palhaço de Egberto Gismonti & Construção/Cotidiano/Deus lhe pague de Chico Buarque; e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk: Pianos Songs & Book of Days. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Certas conversações duram tanto tempo, que já não sabemos mais se faz parte da guerraou já da paz. È verdade que a filosofia é inseparável de uma cólera contra a época, mas também de uma serenidade que ela nos assegura [...] Como as potências não se contentam em ser exteriores, mas também passam por cada um de nós que, graças a filosofia, encontra-se incessantemente e em guerrilha consigo mesmo [...]. Trechos extraídos da obra Conversações (34, 1992), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), que nos legou em sua última obra Crítica e clínica (34, 1997), o texto A literatura e a vida, do qual destaco o trecho: [...] Escrever é um caso de devir, sempre inacabado, sempre em via de fazer-se, e que extravasa qualquer materia vivível ou vivida. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AS TRIBOS DE ÁGUAS BELAS - A vila de Águas Belas foi criada na antiga povoação de Ipanema, pela Lei provincial 997, de 13 de dezembro de 1871 – data de criação -, tendo sido desmembrada do município de Buíque. Sua instalação ocorreu em 25 de junho de 1872. Foi elevada à categoria de cidade pela Lei Estadual 665, de 24 de maio de 1904. Segundo a tradição, a região onde fica hoje siatuada a cidade de Águas Belas, era habitado pela tribo denominada de Tupiniquins. A tribo dos Carajós, depois de uma luta com aquela, conseguiu expulsá-la do aldeamento então conehcido pelo nome de Lagoa, devido a uma lagoa que ali existia. [...]. A denominação de Águas Belas se opriginou do fato de o ouvidor, Jacobina, durante a viagem, ao chegar a este lughar, encontrou a mais potável e fina água [...] Em Águas Belas ainda existe uma aldei de índios, já mais civilizados, restantes da tribo que povoou a região em épocas distantes. Eles já vivem em contato com os habitantes da cidade, embora conservando ainda seus antigos ritos tribais. Administrativamente, o município é formado apenas pelo distrito-sede e pelos povoados de Campo Grande, Curral Novo, Garcia e Tanquinho. Anualmente, no dia 24 de maio, Águas Belas comemora a sua emancipação política. [...]. Extraído  da Enciclopedia dos municipios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

A ESTÉTICA DE DUFRENNE - [...] A essência tem de ser descoberta, mas por um desenvolvimento e não por um salto do conhecido ao desconhecido. A fenomenologia se aplica em primeiro lugar ao humano, porque a consciência é consciência de si: é aqui que está o modelo do fenômeno, o aparecer como aparecer do sentico a ele mesmo [...] Nós não podemos dizer aqui qual é esta norma do objeto estético, pois ele é inventado por cada objeto, que não tem outra lei senão a que dá a si mesmo; mas pode-se dizer ao menos que, sejam quais forem os meios de uma obra, o fim a que ela se propõe para ser obra-prima é por sua vez a plenitude de ser senível e a plenitude de significação imanente ao sensível [...] Não se define o que é o belo, constatamos que ele é objeto [...] Assim é possível uma estética que não refuta de modo algum a valorização estética, mas que não lhe é subserviente, que reconhece a beleza sem fazer uma teoria da beleza, porque no fundo não há teoria a ser feita; ela tem a dizer o que são os objetos estéticos, e eles são belos desde que são verdadeiros [...]. Trechos extraídos da obra Fenomenologia da Experiência Estética  (PUF, 1953), do filósofo e esteticista francês Mikel Dufrenne, autor da obra Estética e filosofia (Perspectiva, 1998), em que aborda sob a perspectiva estrutural e fenomenológica por meio da experiência os valores estéticos das obras de arte e da natureza, os referenciais constituintes no objeto da percepção válida, o belo como artístico e natural, a linguagem da arte, a crítica literária, o objeto estético e técnico.

VIVER NA CIDADE - [...] A cidade, assim de repente, vista de uma vez e surpreendida de brusco, deu-me um choque no coração, comoveu-me tanto que as mãos me começaram a tremer e meus olhos se encheram de água. Estava ali o mundo, o povo, a vida de fora, tudo o que era interdito à minha vida de reclusa. Sentia medo e alegria juntos numa emoção violenta, como quem rouba e se apossa de qualquer coisa sonhada e proibida [...]. Trecho extraído da obra As três Marias (Abril, 1982), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui e aqui.

CORAÇÃO TIÇÃO - Quero me lambuzar nos mares negros / para não me perder, / conseguir chegar no meu destino. / Não quero ser parda, mulata / Sou afro-brasileira-mineira. / Bisneta / de uma princesa de Benguela. / Não serei refém de valores / que não me pertencem. / Quero sentir sempre meu coração / como um tição. / Não vou deixar que o mito / do fogo entre as pernas iluda e desvie / homens e mulheres / daqui por diante. Poema extraído da obra E... feito de luz (Ykenga, 1995), da poeta Ana Cruz. Veja mais aqui.

A ARTE DE VIRGINIA PALOMEQUE
A arte da artista plástica argentina Virgínia Palomeque.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Espetáculo The Cage do Bolshoi Ballet and Opera Treatre, com música de Igor Stravinsky, coreografia de Jerome Robbins.
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sábado, julho 22, 2017

O MEDO DE BAUMAN, QUINTETO VIOLADO, DUOFEL, MEREDITH MONK, RACHEL PODGER, SOPHIA NARRETT & RALPH LEWIS.

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ? - A primeira resposta foi o medo de barata, pois a catsaridafobia é a mais comum entre todas as fobias. A ofidiofobia aparece logo em seguida na mesa das revelações: rastejado de cobra deixa o cabelo em pé de muita gente. Os musófobos também logo se entregam: qualquer remexido de catitas ou guabirus, logo sobem em cima da cadeira. O aracnófobo fica todo arrepiado a qualquer menção de teias, seja das mais pirrototinhas às caranguejeiras, extensivo aos lacraus e similares. Os melissófobos não podem ouvir falar de mel, zangão ou abelha-raínha, que se borram todo. Isso afora tantos outros medos estranhos e incomuns que aparecem. Nem ignoro, pois desde bem criancinha com o boi da cara preta ao não faça isso que o bicho vai lhe pegar, que metem medo na gente, seja no seio familiar, na escola, nos templos, nas relações sociais, tudo sobrecarregado de interditos e punições. No meu tempo mesmo tinha o Velho do Saco, aquele que levaria qualquer criança que causase contrariedade aos pais ou adultos, ou que fosse desobediente ou tranquinas. Eu mesmo cheguei ao ponto de ter medo pavoroso até o do coração de Jesus aceso no alto da sala, de tanto medo que pais e parentes imprimiram na infânca, de passar noites e mais noites sem dormir por causa de um bicho horroroso que havia embaixo da cama. Por conta disso, não largava o cós da saia da minha mãe. Temendo tudo, mortos-vivos, vampiros, espíritos erráticos, a La Ursa, os ETs, os astronautas que foram pra Lua, cavernas, terrenos baldios, casas abandonadas, alagadiços e charcos, ora, fui crescendo e perdendo alguns desses temores, contudo ganhando outros tantos e novos na adolescência. Tanto é que há os medrosos que distribuem seus medos generosamente para todos, como aqueles que temem até qualquer surpresa, a ponto de passar mal ou cair duro com qualquer insinuação de agouros ou acidentes, bem como aqueles geradores das brabas e perogosas circunstâncias malévolas, as quais a gente nem saber mesmo como apareceram, ou de estranhos pânicos que nem sabíamos que tínhamos antes, como os acrófobos ou os abissófobos: as alturas e o abismo são verdadeiros terrores porque levam às quedas intermináveis; os nictóofobos que podem ter ablepsifobia ou acluofobia: o medo de escuro e da cegueira; os isolófobos não podem ficar só, os pirófobos diante de qualquer centelha ou riscado de fósforos, ou os mirmecóbofos que correm diante de qualquer formiga e por aí vai. Os tripanófobos como eu não podem ver seringa ou injeção, lona na hora. Os brontófobos, ceraunófobos ou tonitrófobos não se sentem bem em dias de tempestades com trovoadas e relâmpagos. Os tatófobos possuem o terrível medo de serem entrerrados vivos, ou aqueles que por causa dos filmes viraram selachófobos e, por tabela, talassófobos: nem vão mais à praia temendo serem devorados por cações ou mesmo tubarões. Os que se tornaram tanatófobos que pensam que vão ficar pra semente, ou os que chegaram aos extremos, como os fobófobos ou pantófobos: tudo mete medo, até mesmo as fobias. Quando não ficam paralisados, congelam arrepiados dos pés à cabeça, choram, gritam, mesmo diante de uma lagartixa ou morcegos, sentem tonturas ou mesmo uma fraqueza nos joelhos diante de um caçotinho ou dum cururu no canto do terraço, ou de gafanhotos, libélulas, lesmas, vagalumes, da mesma forma que diante de despachos ou de catimbós. Encontrei quem me dissesse que morre de medo de ladrões, quem não? Fazem questão de dizer que basta qualquer mal-encarado já vai logo se escondendo. Ué? Há quem se renda à rupofobia ou misofobia: basta ver qualquer poeirazinha lá no mais escondido de qualquer móvel que logo perde o controle aos tremeliques. Ou agoráfobos aos montes, bibliófobos incorrigíveis: se eu soubesse quem inventou estudo eu mataria. E fronemófobos nem se fala: ah, dá medo pensar muito e descobrir que não tem mais jeito pra nada, só a morte. Curioso mesmo foi me deparar com eisoptrófobos, sobretudo nesse tempo umbigocentrista de metrossexuais e glamourosas, não é pra menos diante da espetacularização, banalização e naturalização da violência pelos veículos de comunicação de massa, tanto nos telejornais como em programas alarmistas montados sob os mais duvidosos alardes ideológicos. Parece mais que imprimir o medo é a arma pro consumo, desconfio, principalmente pras prescrições de medicamentos com teores de panacéia e do lazer que vende felicidade gratuita. Não me surpreende saber que há medo pra tudo e pra todo mundo, distribuídos no varejo ou no atacado, basta só escolher o mais apreciável pras manias de cada um e meter-se patologicamente no meio dessa redoma. Eu, hem!?! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O MEDO LÍQUIDO DE BAUMAN
Bizarro, embora muito comum e familiar a todos nós, é o alívio que sentimos, assim como o súbito influxo de energia e coragem, quando, após um longo período de desconforto, ansiedade, premonições sombrias, dias cheios de apreensão e noites sem sono, finalmente confrontamos o perigo real: uma ameaça que pode mos ver e tocar. Ou talvez essa experiência não seja tão bizarra quanto parece se, afinal, viermos a saber o que estava por trás daquele sentimento vago, mas obstinado, de algo terrível e fadado a acontecer que ficou envenenando os dias que deveríamos estar aproveitando, mas que de alguma forma não podíamos -  e que tornou nossas noites insones... Agora que sabemos de onde vem o golpe, também sabemos o que possamos fazer, se há algo a fazer, para afastá-lo – ou pelo menos aprendemos como é limitada nossa capacidade de emergir incólumes e que tipo de perda, dano ou dor seremos obrigados a aceitar. [...] Podemos profetizar que, a menos que seja controlada e domada, nossa globalização negativa, alternando-se entre privar os livres de sua segurança e oferecer segurança na forma de não-liberdade, torna a catástrofe inescapável. Sem que essa profecia seja feita e tratada seriamente, a humanidade pode ter pouca esperança de torná-la evitável. O único início promissor de uma terapia contra o medo crescente e, em última instância, incapacitante é compreendê-lo, até o seu âmago – pois a única forma promissora de continuar com ela exige que se encare a tarefa de cortar essas raízes. O século vindouro pode muito bem ser a época da derradeira catástrofe. Ou pode ser o tempo em que um novo pacto entre os intelectuais e o povo - agora significando a humanidade em seu conjunto – seja negociado e trazido à luz. Esperemos que a escolha entre esses dois futuros ainda nos pertença.
Trechos da obra Medo líquido (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), tratado sobre a origem, a dinâmica e os usos do medo, o pavor da morte, o medo e o mal, o horror do inadministrável, o terror global e o pensamento contra o medo, fazendo um inventário dos medos presentes e apresentando um diagnóstico mapeado das origens comuns das ansiedades contemporâneas, analisando os obstáculos para o pleno conhecimento da situação e eimaninando os mecanismos que possam deter a influencia do medo sobre as vidas humanas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Quando ela dança tangará no céu azul do amor, A condição pós-moderna de François Lyotard, Estética da desaparição de Paul Virilio, a música de Anna-Sophia Mutter, a pintura de Alex Alemany & Eloir Junior, a arte de David Peterson & Luciah Lopez, a poesia de Isabel Furini & Carlos Zemek aqui.

E mais:
Elucubrações das horas corridas, O pensamento comunicacional de Bernard Miège, O outro por si mesmo de Jean Baudrillard, a arte de David Lynch & Edilson Viriato, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Vicente Romero Redondo & Sandra Hiromoto, a música de Sarah Brasil, Efigênia Rolim & Érica Christieh aqui.
Por onde é que anda o doro, hem?, A revolução de Fernando Morais, O Uruguai de Basílio da Gama, Teatro & ciência de Bertolt Brecht, a pintura de Cristoforo Munari, a música infantil de Adriana Calcanhoto, Olga Benário Prestes, o cinema de Patrice Chéreau & Isabelle Adjani, arte de Rollandry Silvério & Brincarte do Nitolino aqui.
Reino dos sonhos, A palavra na democracia & na psicanálise de Osman Lins, a poesia de Denise Levertov, Mal educação de música de Renato Borghetti, a pintura de Laszlo Moholy-Nagy & Mike Todd aqui.
Mentes & máquinas de João de Fernandes Teixeira, Gerontodrama & Neurociência, a poesia de Basilio da Gama, a pintura de Edward Hopper & Odete Maria Figueiredo, a música de Silviane Bellato, Zacarias Martins & Programa Tataritaritatá aqui.
A poética do espaço de Gaston Bachelard, Neurociência cognitiva de Steven Pinker, Visão hoslística em psicologia e educação, a música de Renato Borghetti, a pintura de Antonio Rocco, Mácia Malucelli, Menalton Braff & Diego Lucas aqui.
Literatura de cordel: Melancia & Coco Mole aqui.
Retrato do artista quando jovem de James Joyce aqui.
Barrigudos, afagando o ego aqui.
Literatura de cordel: História da princesa da Pedra Fina, de João Martins de Athayde aqui.
A arte de Jozi Lucka aqui.
Ah, se em todo lugar houvesse amor, Origem do indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Exército da arte de Vladimir Maiakovski, Teatro pobre de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, a pintura de Edgar Degas, Os Saltimbancos de Chico Buarque, Brincarte & Literatura Infantil & O lobisomem zonzo aqui.
Entre topadas e sonhos, Linguagem poética de Jean Cohen, a poesia de Ledo Ivo, Esferas de Peter Sloterdijk, a coreografia de Pina Bausch, a música de Miguel Álvarez-Fernández & a pintura de María Blanchard aqui.
Juramento, a poesia de Federico Garcia Lorca, Entre o passado e o futuro de Hannah Arendt, Memorável viagem ao Brasil de Johan Nieuhof, a música de Gabriel Pareyon, a fotografia de Lionel Wendt, a pintura de Vera Rockline & Leonid Afremov, a arte de Rufino Tamayo & Sergio Ramirez aqui.
Os feitiços da paixão, Ação cultural para a liberdade de Paulo Freire, Aforismos de Oscar Wilde, Poesia viva do Recife de Juareiz Correya, a música de Yanto Laitano, a coreografia do Corpo, a pintura de Ernst Ludwig Kirchner, a arte de Ericka Herazo & Larry Carlson aqui.
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MEDOS & SUPERSTIÇÕES DE RALPH LEWIS
Deve-se compreender que a superstição jamais existe onde as causas reais de uma coisa ou condição são conhecidas, ou onde o fato pode suplantar a suposição. [...] Quase todo homem acredita que nada realmente acontece por acaso e que existe uma causa para todas as coisas, conhecidas ou desconhecidas do homem. Se o homem compreende a causa, ele tente utilizá-la ao máximo ou procura evitar seus resultados, se os considera perigosos ou prejudiciais. Quando, contudo, não consegue perceber ou compreender a causa, ainda, assim, não declara que a ocorrência foi um acidente. Em vez disso, a atribui, com mais frequencia, a uma causa desconhecida. Porém, a menos que seja bastante inteligente, na maioria das vezes, atribui as causas desconhecidas a poderes sobrenaturais; isto é, se não pode perceber uma causa ou compreendê-la, em sua opinião, ela deve pertencer a outro mundo ou esfera de influencia. Nisso vemos, também, o ego do homem. Este tema e respeita as coisas que não pode compreender ou dominar. [...] Para evitar sermos supersticiosos, o que temos de fazer, é, primeiramente, tentar compreender as causas das coisas; se não conseguirmos, não devemos presumir que conhecemos a causa. Tal presunção, sem base em fatos, é perigosa. Segundo, lembrar-nos de que não existe o chamado sobrenatural; há apenas leis Cósmicas e naturais que existem por todo universo. O sobrenatural é um termo inventado pelo homem, para explicar-se a si mesmo, ou tentar explicar o que não compreende. [...]
Trechos extraídos da obra O santuário do eu (Renes, 1976), do escritor e místico Ralph M. Lewis (1904-1987), que adotou o pseudônomo de Sir Validivar. (Imagem: Sanctuary by Sarah Treanor). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado, a violinista e maestro britânica Rachel Podger, o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte de Sophia Narrett.
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terça-feira, setembro 13, 2016

PAULO FREIRE, TESSA BRIDAL, QUINTETO VIOLADO, MARCELA TIBONI, VICTORIA SELBACH, VITOR MANUEL & PEDRO FIGUEIREDO

NUNCA FUI E QUANDO INVENTEI DE IR NÃO ERA PRA TER IDO – A gente passa pelas turbulências, mas é tudo tão mesmo! Aqui a coisa anda, desanda, avança, recua, fica plantado remoendo, não sai do canto nem com um tição futucando pra seguir o movimento do planeta, porém, quando vai pro conferido, dá na gente a sensação do ué só foi voltas!?! Quando vai pra acertar, só opta pelo erro – tantas opções, alternativas, contudo, só dá na repetição. Ô enganchado danado. Tudo com fórmulas repetidas e copiadas da mesmice que eu, xéxeu de fotocopias autenticadas, nem tenho como sonhar nada de novo sob o Sol. Vixe! O que esperam de mim? Xis repertório com as minhas várias personas, experimentando os meus muitos eus, alter ego aos borbotões: tudo é extensão de mim e da minha vida. O que dizer dos desencontros? O velho desejo de chegar no lugar certo, na hora certa, e pegar a cornucópia entre as titânides. Nada, só vexame. Sempre passo batido e me rio que só disso. Ademais, não sou artista de cinema hollywoodiano para ser pego na maior das cruzetas, levar mais de quinhentos tiros e sair à forra incólume, como manda o figurino. Gente, pra quem nasceu Macunaíma nunca dá certo. Ah, desesperar? Jamais. Se der, faço da vida de todos como uma final de campeonato de futebol: maior festaço! – se bem que a dança de uma bailarina seja coisa muito mais bonita de se ver que qualquer jogo. No dia seguinte, a vida prossegue pra que eu cante peito inchado Canalha do Walter Franco e arremede, ao final, como o Pernalonga: sem bons modos somos só animais. Afinal, a gente é o resultado das nossas escolhas. Vamos adiante, um dia a gente aprende. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA

Curtindo o álbum Quinteto Violado canta Dominguinhos (2015), do grupo instrumental-vocal Quinteto Violado, caracterizado pela interpretação de músicas nordestinas e pesquisas sobre o folclore brasileiro.

PESQUISA: O NARRATÁRIO – Em muitos textos narrativos, existe um destinatário intratextual do discurso narrativo e, portanto, da história narrada. É a esta instancia à qual o narrador conta a história, ou parte da história. O narratário, como deflui da dilucidação conceptual e terminológica ao examinarmos a problemática do destinatário, do leitor e do receptor, não deve ser identificado, ou confundido, com o leitor implícito, com o leitor visado e com o leitor ideal – e muito menos com o leitor empírico -, embora a sua função no texto narrativo tenha sempre correlações importantes com o leitor implícito e com o leitor empírico -, o narratário representa uma das articulações mediadoras da transmissão da narrativa – e possa apresentar também correlações diversas com o leitor visado e com o leitor ideal. [...] O narratário apresenta-se como uma personagem, com caracterização psicológica, social, etc., variável em minudência e em profundidade, que pode desempenhar apenas a função específica de narratário ou acumular esta função com a de interveniente mais ou menos importante na intriga do romance. [...] Como acontece com o narrador, a existência e a função do narratário articulam-se com os diversos níveis da narração que podem ocorrer no texto. Trechos extraídos da obra Teoria da literatura (Almedina, 1968), do professor e escritor português Vitor Manuel de Aguiar e Silva.

UM LIVRO: 
[...] O rio da Prata era melancólico, rude, manso e selvagem, e, para mim, sempre lindo. O rio rejeitava as oferendas indesejadas e absorvia vidas asiladas. Marco, nossa amiga Emilia e eu sempre trazíamos nossos sofrimentos e medos para arejar ao longo de suas praias arenosas. Havia algo na mudança das cores do rio e na música do seu movimento contra a areia e as pedras que acalmava e reconfortava. [...]
Trecho extraído do romance A árvore das estrelas vermelhas (Record, 2001), da escritora uruguaia Tessa Bridal, contando a história de uma jovem da elite que renuncia aos prazeres e as regras sociais para aderir à guerrilha dos Tupamaros.

PENSAMENTO DO DIA: SONHAR UM SONHO POSSÍVEL DE INCLUSÃO - [...] O grande problema do educador não é discutir se a educação pode ou não pode, mas é discutir onde pode, como pode, com quem pode,quando pode; é reconhecer os limites que sua prática impõe. É perceber que o seu trabalho não é individual, é social e se dá na prática de que ele faz parte. [...] é por isto que este desrespeito à criança e à sua identidade, este desrespeito ao mundo e ao mundo em que a criança está se fazendo pelo fato mesmo de estar tocando neste mundo, revela indiscutivelmente uma ideologia elitista e autoritária da escola. Quer dizer, a escola é elitista entre outras coisas porque só aceita como válido o saber já montado, o saber pseudamente terminado. Aí há um erro cientifico, também um erro epistemológico. É que não há saber nenhum que esteja pronto e completo. O saber tem historicidade pelo fato de se construir durante a história e não antes da história nem fora dela. [...]. Trechos do livro A pedagogia dos sonhos possíveis (Unesp, 2001), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

UMA IMAGEM

A arte do escultor português Pedro Figueiredo.

Veja mais sobre Brincar para aprender, Ignácio Martin-Baró, Clara Schumann, Antônio Torres, Natália Correia, Heloisa Perissé, Humberto Mauro. Temple Grandin, Domitila Stabile de Oliveira & Literatura Infantil aqui.

E mais:
Fecamepa, Tom Zé, Tácito, Camilo Castelo Branco, Artur Azevedo, Roberto Mauro, Ernest Joseph Laurent, Isnelda Weise, Pena de Talião & A Lei do Amor aqui.
Fecamepa, João Antonio, John Coltrane, Milton Nascimento, Massaud Moisés, Sarah Bernhardt, Ana Carolina, Madonna, Miklos Mihalovits & Vilmar Antônio Carvalho aqui.
Abundâncias Fabísticas, Teresa Berganza, Bram Stocker, Tomás Antonio Gonzaga, Ellen Terry, Agnieszka Holland, Jennifer Jason Leigh, Antoine-Jean Gros & Cibercultura aqui.

DESTAQUE: 
 Imagem: Estudo para desenho de corpo feminino (2006), da artista plástica Marcela Tiboni para a exposição Silêncio(s) do Feminino, utilizando a fotografia como registro de um momento, um tempo e uma experiência do próprio corpo como principal personagem e suporte com a arte e a literatura, abordando questões complexas da natureza feminina, relacionadas a gênero, identidade, abuso social, entre outras, proporcionando uma visão da manifestação sensível de suas narrativas poéticas e visuais contemporâneas.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
The presence, da pintora estadunidense Victoria Selbach.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...