sexta-feira, maio 22, 2020

OLGA SAVARY, TINA FEY, JAC LEIRNER, MIKA ANDRADE, IANAH MAIA & FILITE

 Luto pela vida entre os mais de 20 mil mortos & a indiferença do meu país. E daí?

DIÁRIO DE QUARENTENA – NENHUM PRÓLOGO PRO PRIMEIRO ATO - Os dias e o jogo de tabuleiro: calendário, ímpar ou par. Tem quem jogue tudo, não sei; qual pião em ziguezague, sou péssimo: dia de sorte ou aziago; a horagá se passei batido, a bola da vez se errei no taco, nada, nada, alvo móvel para nunca acertar. De saber: só pedras, pulhas e conversa fora. Aliás, às vezes um xadrez interminável; se arte ou ciência, ausência completa de concatenar, qual estratégia. Quando não varrido de rainha, torres, bispos e cavalos, a vida pelos tontos peões, xeque-mate. Doutros, nem jeito. Impaciência para lógica, horríveis golpes de vista, piores projeções. Sou pelo injogável, nenhuma regra. Sou o que ouvi da Mary Cassatt: Se você sacode uma árvore, fique por perto para colher as frutas. Ficava, era melhor que ter expectativas ilusórias, milagres não caem do céu. Colhi dela outra lição: Nós estamos travando uma luta desesperada e precisamos de todas as nossas forças. Para mim os inimigos sempre foram invisíveis, não será mais um a nocautear de novo, e eu demore em ficar de pé, como sempre. Dou meu jeito, capenga e destroçado, amanhã esqueço. SEGUNDO ATO – Quanto pelejei: a vida é uma ladeira íngreme. Para quem sobe haja persistência; para quem desce, o desenfreável. Nunca vi a pedra, tinha só a sina de Sísifo. Dois passos e escorregava: o que fazia de melhor não prestava. Refazia, acho nunca aprendi direito. Era menos que um parágrafo de Philip Roth: As pessoas estão cada vez mais idiotas, mas cheias de opinião. Errâncias e sobradas. Dele só ouvia: A vida é apenas um curto período de tempo em que estamos vivos. Sem fôlego, mas persistente, prosseguia. Filas, burocracia, procrastinações. Um dia, dará. Ensinavam um desvio, me perdia. Fiz por mim e por todos, nada certo. Vai ser burro assim na casa de nada, ora! TERCEIRO ATO – Refeito, quase desmemoriado de antes, para onde fosse, queixumes gerais: revolta pairando no ar. Desigualdades, injustiças. E eu lá: pra onde? Só a sisudez de Victor Hugo: Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles. Quem sorria como eu, não sabia de nada, nunca soube mesmo. Nem o que ele dizia: O futuro tem muitos nomes. Para os fracos é o inalcançável. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade. Olhos no vazio, a noite longa, o dia incerto, a clausura, ranhuras e a lâmina, granitos e grafites, uma manhã outra no mundo e eu só quero viver, mais nada. Enquanto isso: vamos aprumar a conversa, gente! Até segunda! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Eu me preocupo muito com as interações sociais na internet. Porque é deplorável: as pessoas estão dispostas a dizerem coisas terríveis umas às outras sem que seja preciso estarem no mesmo local. Está se tornando uma metástase, graças ao nosso glorioso presidente eleito que não consegue manter a dignidade de um garoto da sétima série. É fácil para as pessoas abandonarem a civilidade e abusar uma das outras. Porque quando você está revoltado, você está revoltado com o que você vê na sua frente e não importa se é com alguém na fila da igreja. ‘Como você equilibra tudo?’, as pessoas me perguntam constantemente, com um olhar acusatório. ‘Você está metendo os pés pelas mãos, né?’, seus olhos dizem. Minha resposta-padrão é que tenho as mesmas dificuldades que qualquer mãe que trabalha, mas com a sorte de estar trabalhando no emprego dos meus sonhos. Ou às vezes apenas dou a eles uma suculenta maçã vermelha que envenenei no meu caldeirão de mulher-bruxa que trabalha e voo para longe. Pensamento da premiada atriz, roteirista e comediante estadunidense Tina Fey, que começou a trabalhar com humor num grupo de improvisação, juntando-se ao grupo do Saturday Night Lives (SNL) como argumentista e, posteriormente como coapresentadora. Ela tem apoiado iniciativas da organização Autism Speaks e defensora da Mercy Corps, atuando em prol das crianças autistas e pelo fim da fome no mundo, afora o Love Our Children, no combate à violência contra as crianças, além de ser porta-voz do Light the Night Walk, da Sociedade de Leucemia & Linfoma.

A POESIA DE OLGA SAVARY
I – Quando eu estiver mais triste / mas triste de não ter jeito, / quando atormentados morcegos / — um no cérebro outro no peito — / me apunhalarem de asas / e me cobrirem de cinza, / vem ensaiando de leve / leve linguagem de flores. / Traze-me a cor arroxeada / daquela montanha — lembra? / que cantaste num poema. / Traze-me um pouco de mar / ensaiando-se em acalanto / na líquida ternura / que tanto já me embalou. / Meu velho poeta, canta / um canto que me adormeça / nem que seja de mentira.
PITÚNA-ÁRA - Exilada das manhãs, / de noite é que me visto. / Caminho só pela casa / e o viajar na casa escura / faz soar meus passos mudos / como em floresta dormida. / Me vêem, eu que não me vejo, / as coisas — de corpo inteiro. / O real está me sonhando, / o real por todo lado. / Não sou eu que vivo o medo; / em seu tapete de sombras, / por ele é que sou vivida. / Aonde me levam estes passos / que não soam e que não vão: / às armadilhas do voo / como a paisagem no espelho / espatifado no chão? / O escuro é tanque de limo / para minha sombra escolhida / pela memória do dia. / Deixo o mel e ordenho o cacto: / cresço a favor da manhã.
ACOMODAÇÃO DO DESEJO - Deito-me com quem é livre à beira dos abismos / e estou perto do meu desejo. / Depois do silêncio úmido dos lugares de pedra, / dos lugares de água, dos regatos perdidos, / lá onde morremos de um vago êxtase, / de uma requintada barbárie estávamos morrendo, / lá onde meus pés estavam na água / e meu coração sob meus pés, / se seguisses minhas pegadas e ao êxtase me seguisses / até morrermos, uma tal morte seria digna de ser morrida. / Então morramos dessa breve morte lenta, / cadenciada, rude, dessa morte lúdica.
OLGA SAVARY - A poesia da escritora, jornalista, crítica, ensaísta e tradutora Olga Savary (1933-2020), que tive a honra de conhecê-la pessoalmente por ocasião do lançamento do seu livro de Hai Kais (Roswita Kempf, 1986), quando me presenteou e autografou o volume. Pude com ela dividir momentos inesquecíveis, entre eles, quando lançou Repertório Selvagem – Obra Poética Reunida: 12 livros de Poesia (BN/Multimais/Universidade de Mogi,1998) e pudemos bater longos papos posteriormente. Dela guardo as obras Espelho provisório (1970), Sumidouro (1977), Altaonda (1979), Magma (1982), Natureza Viva (1982), Linha d’água (1987), Berço esplendido (1987), Retratos (1989), Rudá (1994), Éden Hades (1994), Morte de Moema (1996), Anima Animalis (1996) e O olhar dourado do abismo (1997). Ela faleceu no último dia 15, vítima da covid-19, aqui minha homenagem e saudades. Veja mais aquiaqui e aqui.
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TRÊS POEMAS DE MIKA ANDRADE
I - vez em quando / preciso me recolher em uma trincheira / para impedir que alguns acontecimentos / não me sangrem por inteira / faço-me de fuzileira / esboço uma estratégia / e hábito nesse abrigo / que só serve aos combatentes.
NÃO CABE - não cabem nesse poema / as mortes / os estupros / a violência / a fome / nesse poema não cabe / o desejo insaciável do presidente por um pãozinho com leite condeNsado / nesse poema não cabe os animais que foram engolidos pela lama da Vale / nesse poema não cabe a polícia que mata jovens negros e periféricos
SOBRE POEMAS – 1. poeta, coloca o poema pra descansar mas não deixa ele morrer 2. acordar com o poema saltando das pálpebras me faz perder o sono e escrevê-lo é devorar o tempo por causa dos sonhos / todo dia usar o poema como remédio para sobreviver ao cotidiano 3. como soltar um poema que está preso no peito? / como revelar um poema que é a imagem de uma lembrança amarrada na memória? / como escrever um poema depois do agora? 4. eu queria escrever um poema que te atingisse em cheio e te fizesse sentir uma fisgada no peito / eu queria escrever um poema que falasse através do silêncio e ainda assim fizesse um estardalhaço / eu queria escrever um poema que pulasse do abismo 5. peguei uma pedra e esfreguei contra a minha bochecha. esfoliei a pele e fiz um poema na face 6. algum poema poderia salvar o mundo algum poema te faria feliz algum poema descreveria a grandiosidade da vida algum poema seria importante algum poema passaria despercebido algum poema poderia tirar seu fôlego 7. eu escrevo poemas extraindo palavras das minhas entranhas rasgo algumas folhas corto minha pele / meu sangue é a tinta fresca com a qual foi escritos estes versos 8. meu corpo tropeçou em um poema tinha um poema no meio do caminho tinha um poema no meio do caminho tinha um poema tinha um poema tinha um poema no meio do meu corpo no meio do meu corpo tinha um poema Drummond trocou o poema pela pedra e eu caí de cara no chão talvez ele dissesse: - levanta e vai ser pedra ou poeta! 9. quem sabe um dia eu entenda a utopia cantada pelos pássaros da rua e assim também meu canto se transforma em poesia 10. eu escrevo poemas como quem cavalga a galopes sacolejando os ossos os sentidos e as palavras em pleno descompasso.
MIKA ANDRADE - Poemas da poeta Mika Andrade, que é autora do livro Poemas obsessivos e zineira de poemas eróticos "alguns versos pervertidos e outros indecorosos", organizou a Antologia poemas eróticos – escritoras cearenses (EC, 2018) e participou das antologias de Contos Literatura BR (Moinhos, 2016) e Contos do Sesc (Sesc, 2017). Veja seus poemas no Medium e Poemas obsessivos. Veja mais aqui.

A ARTE DE JAC LEIRNER
Eu lido com corpos, com coisas. E o virtual se distancia absolutamente da ideia de presença. Ele é ausência, é a ideia da imagem. Então nunca me pegou. Estou mais para o platônico do que para o virtual. Costumo dizer que o material me escolhe. Já falei isso tantas vezes, mas é verdade.
JAC LEIRNER - A arte da professora e artista visual Jac Leirner, cuja obra possui procedimentos desestetizante e dialoga com as principais tendências da arte conceitual. Foi professora na Universidade de Oxford e artista residente no Museu de Arte Moderna.
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O GRAFITE DE FILITE
A arte do artista e grafiteiro Filite. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A ARTE DE IANAH MAIA
A arte da muralista, ilustradora e artista visual, Ianah Maia, que estuda agroecologia e cria murais que celebram a natureza usando apenas geotintas, com suas obras pelas cidades do Recife, Olinda, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Buenos Aires, Barcelona, Madrid, Paris e Marselha. O trabalho dela pode ser vista no Ianah e Ianah.
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A obra da escritora, professora, feminista e pesquisadora Luzilá Gonçalves Ferreira aqui.
A música da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr aqui.
A poesia da escritora Graça Graúna aqui.
A arte da escritora, pintora e ilustradora Tatiana Móes aqui.
A arte de Buca aqui.
Partes do meu todo de Zezinha Lins aqui.
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Festa, goles e cachimbadas aqui.


quinta-feira, maio 21, 2020

MANUEL PÉREZ Y CURIS, KATARINA MATIASEK, MARTINS PENA & JESSICA VANESSA



DIÁRIO DE QUARENTENA – ERA UMA VEZ... BANQUETE NA ESQUINA - Sim, esse meu ofício inútil de contar história, não faço outra coisa: era uma vez... não sei quando, se ontem, anteontem ou nunca, sei lá, sei que foi um banquete na esquina desses bem aloprado. O Coiso Rei poderoso com uma oposição esfacelada e o povo sequelado, desgovernava quando soube duma peste devastando o mundo lá fora. Reuniu os comparsas e ouviu de Ali Babão um relatório acurado: morria gente pelo ladrão, lá longe. Então, o rei teve um desmaio com a notícia e, ao voltar a si, gritou: Creolina! Foi o bastante, todos os cheleleus caíram na fabricação do dito que passou a ser usado como antidepressivo e complexo alimentar de grande apelo popular e saíram pelo mundo afora levando a boa nova da cura milagrosa. Não levados a sério, voltaram com o rabinho entre as pernas para o reinado e amargaram o insucesso: o negócio gorou! Um a um deles foram picados pela moléstia estrangeira, baixaram hospital e, na maior rebordosa, espalharam entre todos os súditos de forma devastadora. Chegou para valer e logo, com mais de milhares mortos, o rei ficou encurralado e respondeu: E daí? Houve colapso no sistema de saúde, mas o soberano ciente de seu autoendeusamento brincava de largar piadas: Tomem creolina e se salvarão, garanto! Só que a morte e vida Severina não foi avisada e só era avessa à água sanitária e sabão; ninguém sabia e, sem nada na terrina, até um curumim morreu aumentando as estatísticas astronômicas. Era uma situação mofina, deveras. O rei para provar de sua autoridade virava a terebintina de manhã, de tarde e de noite. Findou entupido e cagando raio ninguém sabe por onde, pois se empirulitou meio aluado ou está escondido no reinado, dizem. O povo? Entre néscios e ajuizados, um ou outro prefere a teibei cantando a Cajuína de Caetano: Existirmos, a que será que se destina... E há entre outros aquele que distribui conselhos pela vida, ou morte, não sei. DOIS: FANFARRA DA MILITARIZAÇÃO & O PERDÃO DA MAJESTADE – E num é que o rei piscou o olho e reapareceu com a cara meia troncha e falando das mãos prum bocado de fardados que ele convocou: As mãos... as minhas mãos... as nossas mãos... tornaram-se perigosas, capazes de nos matar com a peste. Por isso, as minhas mãos se tornaram misericordiosas com decreto que isenta a responsabilização de agentes públicos por ação e omissão em atos relacionados com a praga; compassivas para exculpar as dívidas milionárias das evangélicas que me ensinaram a rezar e me salvaram; bondosas para anistiar as sonegações dos ruralistas que são os amigos e o futuro do reinado; generosas para eximir as multas dos partidos políticos que aparecerem acaso por bem; caridosas para criar um núcleo filantropo para dispensar dívidas geradas por crimes ambientais, enfim, para que o povo viva e seja feliz! Foi uma saraivada de quepes e aplausos, claque da boa! Com esse discurso em cadeia nacional todo mundo ficou atordoado do juízo, porque no boca a boca todos sabiam de uma tuia de planos para derrubá-lo por um molho de coisas meio cabeludas, enquanto ele se virava nos trinta para salvar o trono em conluios com inimigos figadais agora amigos de cama e mesa, abafando investigações, CPIs e o escambau. Generais que davam cordas e voltas! Afora almirantes no bilu-teteia e brigadeiros no bolo. Estava armada a defesa nacional! Sabiam: O cara não é lá tão incompetente, é foda mesmo! Juntando as pedras: é que a creolina gerou milhares de conflitos agrários e fuga de mais de outros tantos de milhares de famílias ameaçadas que botaram a boca no trombone e a imprensa oficial nem deu bola. Todo mundo só virando o copo. Mas pegou, sim. Como dizia Bukowski: É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa. Eita Creolina danada essa, hem? E o que está acontecendo, na vera, nem sinal de se saber de mesmo, ao certo. TRÊS: LUTO! - Os pesares eram tantos, mas o rei já tomava um porre de estricnina de nunca mais entrar no ar. Abilolou, foi? Vixe! Ué, ele num morre não? Nada, ele é indestrutível, invulnerável! Será o SuperCoiso? Oxe, mas teco! E o povo num verdadeiro anojamento, morria. E diziam e arrostavam, nada; e contenderam e litigaram e renhiram e pugnaram e porfiaram mais pelejaram e nada. Fizeram mesmo o quê? Concordavam: Quando deus não quer, não adianta! Será deus o rei? E Maiakovski entre os mortos insepultos: Ressuscita-me! Hem? Quem é esse doido? E Niki de Saint Phalle: A vida... nunca é o caminho que se imagina. Ela te surpreende, te assombra, e faz você rir ou chorar quando menos espera. Vôte! Essa é biruta mesmo! Xá pra lá, doida! A vida passa. Ah, impermanência. Vou ali tomar uma para bolar outras histórias assim sem pé nem cabeça, visse? Enquanto isso: vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Eu não sou um perdedor / nem o louro do triunfo cinge os meus templos. / Broches de aço mantêm meu espírito: / A calúnia nunca pode me machucar... / Eu não sou um perdedor, porque eu consegui fugir com uma testa limpa / do caminho fácil que os vilãos seguem / e voltei ao sábio em acelerar as costas virís / que não foram feitas para dobrar; / quando com bajulação os sábios queriam me levar ao cume / virei as costas para eles e entrei em um caminho vestido de cardos, / caminho da dor e do desespero / para os rebeldes, / para humanos, / para os humildes que nunca escondem a alma e a ideia, / para aqueles que dizem a verdade e esperam com o pescoço na vertical / alguém para responder, - magnata ou poeta, malabarista ou advogado, - / de ricos escritórios de advocacia cobertos / de fólios e folhetos; / dos terraços dos miradouros; / do estrado das academias / ou das torres de marfim fechadas / a todas as reclamações da multidão, / à voz sofredora de peregrinos e mendigos, / à sátira ardente dos Juvenales / e ao discurso sóbrio dos sonhadores imunes ao vício. / Há no meu cachecol / janelas abertas a todos os ventos / e para todas as luzes, / em cujas coisas ociosas / eu nunca coloquei mãos febris. / As flores me mandam seu perfume, / o sol brilha, sua frescura brisa / perfumado, e o eco me traz / de marginalizado transita e deserdou a justa queixa. / Entre no meu cachecol / todo sotaque humano, / e nele eles se harmonizam com a voz de cristal dos meus filhos / arpejos puros do meu parceiro. / Eu sonho na noite / enquanto o sussurro do vento nas folhas responde altamente / com seus latidos persistentes o cachorro que cuida da minha estadia / e fica ao meu lado como um amigo fiel, / sempre olhando para mim, como se quisesse ler nos meus olhos; / como se ele quisesse entender minha angústia / e olhar profundamente em minha alma. / Minhas roseiras geralmente se espalham por toda parte / seu perfume intenso / que ao mesmo tempo invade os quartos reais e as camas tristes. / Quando aquele perfume flutua ao meu redor / Eu penso nos míseros que escondem seu ouro, / nos sábios mesquinhos que eles carregam / para o túmulo sua sabedoria / e nos pedagogos e nas barreiras venais / que eles têm como culto a traição e o medro / e eles mostram amor pelo país, / com seus brinquedos fofinhos para a terra azul / pelo qual eles não fizeram sacrifício. / Todos eu, todos os escravos, me fazem chorar; mas eu tenho um escravo: / o ritmo, o glorioso / gladiador nu masterização arte / e ao esforço viril do meu músculo numen se rende e dobra. / Eu toco com o ritmo / que com uma chapa de aço flexível / ou a melhor vara de cana; / e é por isso que o ritmo está de acordo com minhas músicas / de amor, para a seiva dos meus anátemas / e ao hálito mórbido das minhas elegias / e à evanescência voluptuosa e calorosa dos meus madrigais. / A rima é uma transcrição desses arabescos / que brilham por um momento em nossa retina / e eles desaparecem, como uma bola de fogo, sem deixar sua marca. / Símbolo de bolhas e vangloriando-se, / feliz sombreamento de trastes e randas, / rima é charme para os sentidos... / Contudo, / sem ele, as cotovias e os rouxinóis nos fazem vibrar / que não se decoram quando melodizam, / e com isso eles costumam encobrir sua mídia / estros estéreis, bebidas espirituosas diminuídas / e consciências sombrias e sombrias. / Cairel de caireles, / é a rima a decoração do verso / que com a fragrância do ritmo é nutrido. / Meu numen reflete / todas as nuances das minhas emoções / e pela minha aparência; / e, como um rio que nunca extingue suas forças latentes, / ele não impede que minha alma generosa flua / que rezam são apaziguados docemente, docemente, como num remanso, / Agora eles estão em tumulto, como se anunciando vórtices ou quedas. / Rabien os cantores que impõem reivindicam norma ao sentimento! / Dê às auras o significado de suas blasfêmias / e derramar bile Aristarco e Zoilo! / enquanto isso meu numen traduz / Da mesma forma, o tremolo daquele sensível que carrego na minha alma / e o protesto acre do meu personagem de bronze retilíneo! Poema Prelúdio ético-estético, extraído da obra Ritmos sin rima y otros (Nabu, 2011), do poeta uruguaio Manuel Pérez y Curis (1884-1920).

O TEATRO DE MARTINS PENA
[...] JUCA: Sei que temos só por fortuna um coração amante e sincero, e quanto baste para viverem duas pessoas honestamente, mas sem luxo, adeus, minhas encomendas. Leva tudo o diabo. Batem com as janelas na cara, voltam as costas, não respondem [...]
MARTINS PENA - Trecho da peça teatral A família e a festa na roça: comédia em 1 ato, do dramaturgo, diplomata e introdutor da comédia de costumes no país Martins Pena (1815-1848), que conta a história da família de Domingos João, um fazendeiro com problemas econômicos que vê a oportunidade de aumentar suas posses casando a filha Quitéria com Antônio do Pau D’Alho, já que este moço tem “um sítio com seis escravos e é muito trabalhador”. Mas Quitéria ama Juca, um estudante de Medicina, que também a ama e quer se casar com ela. Extraído da obra Comédias de Martins Pena (Ediouro, s.d.), organizada por Darcy Damasceno. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE KATARINA MATIASEK
Reconheço os Guardiões Tradicionais das terras em que nossas entrevistas foram filmadas e presto meus respeitos ao passado dos Élderes, presente e emergente, pois eles são a chave para o futuro do nosso planeta.
KATARINA MATIASEK - A arte da fotógrafa e artista visual austríaca Katarina Matiasek, que questiona com suas obras a relação entre a imagem e realidade, investigando conexões estruturais entre mídia e imagens baseadas na percepção e operações cognitivas que levam à construção do mundo. Realizou uma pesquisa para o doutoramento em antropologia e fotografia, realizando uma coleção que levou a vários projetos de repatriação, como o retorno de restos ancestrais australianos a seus proprietários tradicionais em 2011. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Fotografar é acima da arte de escrever imagens com luz. É eternizar momentos, sorrisos e lágrimas, maneira de expressar o que se vê ou sente.
A arte da fotógrafa, produtora, cineasta, educadora social e ativista de causas sociais, Jessica Vanessa, que atua na presidência do Coletivo Centro de Comunicação e Juventude (CCJ/Recife), integra Fórum de Juventudes de Pernambuco (FOJUPE), o Movimento Negro Unificado (MNU), coordenadora estadual do Coletivo Nacional de Juventude Negra Enegrecer e articuladora nacional de politicas publicas de juventude.
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A música do gaitista, violonista, compositor, arranjador, maestro e produtor musical Rildo Hora aqui.
A poesia do poeta, cantador, violeiro e repentista Otacílio Batista aqui.
A obra da educadora, jornalista, poeta e ativista feminina Edwiges de Sá Pereira (1884-1958) aqui.
Feminismo popular e lutas antissistêmicas, de Carmen S. M. Silva aqui.
O grupo teatral As Loucas da Mata Sul aqui.
A arte da artista visual Dulce Araújo, a D-Araújo aqui.
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
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Lampioa & Zé Bunito aqui.
 

quarta-feira, maio 20, 2020

LILIANE GIRAUDON, LYDIA CABRERA, TOSHIE KOBAYASHI & DÉBORA BRITTO


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: PERDI A NOÇÃO DE TUDO - Não sei direito que dia é hoje, ou se ainda é ontem, muito menos se amanheci amanhã e agora sem tempo, sou apenas o espaço do isolamento. Para quem nunca teve, manter a sanidade até que não é lá tão difícil, o pior é ter que sobreviver entre ilações e vitupérios. Embora Clara Schumann sussurre ao meu ouvido: Todos têm os seus defeitos, eu tenho e você também - permita-me dizê-lo! Eu sei, sabemos. Nada é fácil. E ela ainda é generosa comigo: Se eu tivesse encontrado mais dificuldades na minha juventude, eu teria conhecido mais alegrias. No reino dos paradoxos, um a mais não deprime tanto, talvez desendoideça de vez. DUAS: DOS NEGACIONISTAS & OUTRAS RETAS & TERRAPLANAS - Enquanto eu me desligo enlouqueço os algoritmos. Rompendo bolhas, sarava! E os médicos da verdade coisonária distribuem cloroquina de graça pro meu povão desavisado. Escroques! Sou lá de ficar na gaiola de Skinner com a moçada da mamadeira de piroca que elegeu a coisa no Brasil, pegadinhas na festa da Lei de Moore e no meio dos insultos para validação das curtidas que nem são para mim ouro da dopamina, nada disso, estou mais com os 10 motivos de Jaron Lanier, porque sou Gutenberg de hoje na fala de Paul Ricoeur: Nós somos hoje responsáveis pelo futuro mais longínquo da humanidade. Em uma escala cósmica, nossa vida é insignificante, mas esse breve período em que aparecemos no mundo é o momento em que todas as questões significativas surgem. Pois é. Enquanto os reclinados desconvêm de tudo em defesa do seu eugênico holocausto, suas estultices odientas a desconcordarem coisados com suas injúrias enfurecidas e thanatizadas o que é de fato e de direito, eu vou lamentando os meus que sucumbem em covas emergenciais, Deus nos tenha. TRÊS: O AMOR, NUNCA O ÓDIO – Chega de falar de ódio, deve-se combatê-lo, não propagá-lo. É preciso cobrar do Congresso Nacional e do STF por tanta inação diante de tantos descalabros coisonários e escusas intervenções e Centrãos e o diabo a quatro – ou será colusão para deixar correr para ver como é que fica, ou desbrio mesmo jogando um pro outro, sei lá. Sem esmorecer nem perder a ternura jamais, vou de Balzac: O amor não é apenas um sentimento: é também uma arte. O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais. Não só sinto, eu vivo. E se eu tiver algo a dizer, melhor calado, menor será a minha estupidez. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Sonho do livro sem título. Seu espectro, sempre invisível. Acu­mular notas. Olhar. Ouvir. Andar por essa cidade sem nome de rua como uma completa imbecil. Cabeça coberta. Tornozelos cobertos. Mangas compridas. Ruas destruídas onde andar exige uma atenção permanente (pavor de quebrar uma perna, acabar num hospital). Sem esgotos funcionando. Cortes de eletricidade todas as noites. Por vezes durante o dia. Esta poeira em tudo. Em suspensão no ar. Depositada em tudo que se mexe e também nos objetos. Coisas mortas ou vivas. Escrever com as mesmas ferramentas que as com­pradas para desenhar [...] Os americanos não dão atenção (uma vez que a heroína não se exporta prioritariamente aos EUA, que consomem principal­mente cocaína). Nenhum desses superpoliciais parece acreditar na possibilidade de uma solução democrática. Uma economia globalizada (droga, ONG, dinheiro dos aliados, ajudas internacionais sob a égide americana) faz desse país um barril de pólvora. Pobreza, analfabetismo, injustiças, incoerências e violências do sistema alimentam os grupos islamistas radicais, fazendo com que alguns até lamentem o desaparecimento do reino dos talibãs. Isto é: 1. Interdição às mulheres de tirar o véu (e de circular sem estarem acompanhadas por um parente do sexo masculino). 2. Interdição de música (fitas e músicas proibidas nos comércios, nos hotéis e nos veículos de transporte). 3. Interdição aos homens de se barbear. 4. Obrigação de rezar. (É obrigatório ir à mesquita durante a reza). 5. Interdição de jogos de pombos e de lutas de pássaros. 6. Eliminação da droga e de seus consumidores. 7. Interdição de empinar papagaios de papel. (As lojas que vendem papagaios são eliminadas). 8. Interdição da idolatria (imagens e retratos devem ser eliminados dos veículos, lojas, casas, hotéis, museus, livrarias, etc.) 9. Interdição de jogos a dinheiro (jogadores presos durante um mês). 10. Interdição dos cortes de cabelo ingleses ou americanos (os homens de cabelo comprido são presos e rapados). 11. Interdição de lucros sobre empréstimos, comissões de câmbio e taxas sobre transações. 12. Interdição às mulheres de lavar roupa nas margens dos rios urbanos. 13. Interdição de música e de dança durante os casamentos. 14. Interdição de tocar instrumentos de percussão. 15. Interdição aos alfaiates de tomar medidas de mulheres e de lhes confeccionar roupas (revistas de moda proibidas). 16. Interdição de feitiçaria (livros queimados). A esses 16 pontos acrescentava-se uma mensagem às mulheres pedindo-lhes que não saíssem mais de casa. [...] Pergunta feita a mim mesma: Como a água pode lavar uma cor visível mas sem existência real? Agora o efeito de um leve flutuar tão agradável (tira-se o caranguejo, o corpo, o medo da morte) parece ter-se diluído. O arranhar da caneta no papel não é uma ilusão. O ar está carregado de cinza. Sobre a grama escassa, um pássaro de bico amarelo olha para mim. Trechos da obra Os talibãs não gostam de ficção (ALEA, 2008), da escritora francesa Liliane Giraudon, um caderno de viagem ao Afeganistão, em que, em meio a uma multidão povoada de burkas e de homens armados, as palavras captam sensações, odores, pai­sagens e corpos urbanos, humanos.

IEMANJÁ DE LYDIA CABRERA
[...] Iemanjá é a Rainha Universal, porque é a água, a salgada e a doce, o Mar, a Mãe de tudo que foi criado [...]. Sem água não existe vida. De Iemanjá nasceu a vida. E do Mar nasceu o santo [...]. As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das joias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto. [...].
LYDIA CABRERA - Trechos extraídos da obra Iemanjá e Oxum (Edusp, 2002), da antropóloga e poeta cubana Lydia Cabrera (1899-1991). Também para Iemanjá, um poema de Manuel Bandeira: D. Janaína/ Sereia do mar/ D. Janaína/ De maiô encarnado/ D. Janaína/ Vai se banhar./ D. Janaína/ Princesa do mar/ D. Janaína/ Tem muitos amores/ É o rei do Congo/ É o rei de Aloanda/ É o sultão-dos matos/ É S. Saravá!/ Saravá saravá/ D. Janaína/ Rainha do mar!/ D. Janaína/ Princesa do mar/ Daime licença/ Pra eu também brincar/ No vosso reinado. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE TOSHIE KOBAYASHI
Um espírito de disciplina e de rigor muito sérios imbuíam a transmissão do conhecimento do balé. Como toda arte, a dança exige anos de prática e de dedicação. Como o brasileiro não tem essa paciência toda, eles acabam voltando para o Brasil. No retorno, dão de cara com uma concorrência acirrada e se vêm obrigados a se aperfeiçoar cada vez mais, inclusive em técnicas contemporâneas. Nesse sentido, a mentalidade do brasileiro melhorou muito. Bato nesta tecla: bailarino tem que ter estudo. Com muito cuidado, procuro falar, ensinar e encaminhar. É preciso amar muito o que se faz. Tiro leite de pedra!
TOSHIE KOBAYASHI – A arte da bailarina, professora e coreógrafa Toshie Kobayashi (1946-2016), que iniciou sua carreira aos 10 anos de idade, ao se matricular na Escola Municipal de Bailados (EMB) de São Paulo - atual Escola de Dança de São Paulo, atuando na escola por 35 anos, ao inaugurar o estúdio Ballet Toshie Kobayashi e se tornar membro da Royal Academy of Dance, de Londres. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
antes fosse a poesia / disfarçada por recursos e lírica / antes fosse, antes fosse. / antes fosse a minha sorte / que no lugar de você / fosse qualquer sorte ou azar. / mas foi minha, minha poesia / e te fez sorte, / e te trouxe disfarçada. / antes fosse azar escancarado / antes admitisse o veneno, / que, por um beijo, me contaminasse. / antes fosses anunciado / azar meu, sorte minha / antes levasse a poesia, / e me deixasse intacta / antes meu azar do que isto / isto que não restou e / e.
toda sorte, poema da jornalista e poeta Débora Britto, que é integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação (FOPECOM) e repórter da Marco Zero Conteúdo. Ela edita o blog ideias soltas e devaneios atemporais.
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A arte da poeta e artista plástica Jussara Salazar aqui.
A música da cantora e compositora Maria Dapaz aqui.
A corrupção de um juiz (Patativa, 1998), do controvertido advogado criminalista Gil Teobaldo de Azevedo (1932-2017) aqui.
A arte do fotógrafo Osmário Marques aqui.
A arte do Mestre José Duda do Zumbi (José Galdino da Silva Duda – 1866-1931) aqui.
História do Soldado 100 anos da Orquestra de Câmara de Pernambuco aqui.
O faz-tudo, a bronca & a borreia aqui.
 

terça-feira, maio 19, 2020

TERESA VILLAVERDE, PATRICIA CRONIN, NURIT BENSUSAN & ANNA ANDRADE


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: TRABALHO & PÃO, APENAS – Nestes tempos de grotesca bizarrice assombrosa rondando nossa sobrevivência, dá para perceber tanta hostilidade no ar, muito mais do que se possa imaginar. É triste ver o ódio e a mentira predominantes diante de uma paralisia insuportável, de não se ver providência alguma para deter tal escalada. Onde é que estão as autoridades deste país, minha gente? Ou todos estão acoloiados, ou era uma vez um país, quanta omissão, tanto desserviço. Isso me faz lembrar o triste fim da legendária Catarina Eufémia, que reivindicava, para si e os seus, apenas: trabalho e pão. A recepção foi uma bofetada de restar estatelada no chão. Não havia outra reação para ela: Mata-me. O tenente não vacilou, três balas, uma poça de sangue e ela, assim do nada, agonizou com as Cantigas de Maio e o Cantar Alentejano. Da mesma forma, intrépidos agridem profissionais de saúde, da imprensa, das farmácias e supermercados em plena pandemia, indomáveis estúpidos que não possuem a mínima empatia pelo outro e que se vangloriam pela destruição, desobedientes em nome de um retrocesso aviltante. Para quem detém o poder, a triste ilusão da eternidade. A vida passa e a história é reescrita amanhã. Levo em consideração Fichte: Os teus atos, e não os teus conhecimentos, é que determinam o teu valor. Por remissão, fica longe entender esta barbárie, o desconhecimento total de que a posteridade julga e nela ou se glorifica ou se envergonha do passado. Qual será a deste momento amanhã, hem? DUAS: PERAÍ, A GENTE VAI PRA FRENTE DE ANTANHO OU BRINCANDO DE FAZER A TERRA GIRAR AO CONTRÁRIO? - Gente, que coisa é essa? Repassando: a gente lascou a pedra, inventou a roda, fundiu o ferro, acumulou escaramuças e apropriações, deu pulos e revirou predatoriamente todos os habitats, poluiu o planeta, empenou a história e desgraçou com a vida de todo mundo. O que é que é isso? Danou-se tudo! Lembrei o Malinowski: Toda a estrutura de uma sociedade encontra-se incorporada na mais evasiva de todas as matérias: o ser "humanos". Eita! Onde é que a gente vai parar, hem? TRÊS: ENTRE BURLAS & MANOBRAS – Não bastam indagações! Ô Esse-menino, diz uma coisa aqui: que papo é esse de vaivém, por fim da força com medidas provisórias casuísticas, notícias falsas, renhenhém e tergiversações, testes escusos, trapalhadas e enganações, sublevações descabidas e tantos desditos, interferências e compadrio pro nepotismo, afora a claque desmiolada proliferando o ódio e o totalitarismo, uma zona geral, o que é que é isso, hem? Já dizia Bertrand Russel: Na vida nunca se deveria cometer duas vezes o mesmo erro. Há bastante por onde escolher. É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre. É isso, é preciso fazer alguma coisa. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Muitos acham que as mudanças climáticas não são relevantes e que não fazem diferença nas nossas vidas. Ainda assim, os termômetros sobem, as emissões de CO2 aumentam cotidianamente e os eventos extremos se tornam mais frequentes. Muitos acreditam que o mais importante é aumentar a produção agropecuária a qualquer preço, destruindo o Cerrado e a Amazônia. Ainda assim, o desmatamento desses biomas traz enormes prejuízos, comprometendo a disponibilidade de água, a fertilidade dos solos, o controle de pragas e doenças e a estabilidade climática. Podemos estar convencidos que a rica natureza brasileira é uma maldição a qual devemos superar para chegar a ser “desenvolvidos”. Ainda assim, é na nossa biodiversidade que reside a nossa maior possibilidade de crescer como um país mais justo e mais inclusivo. [...]. Trecho do artigo Biodiversidade, a nossa única opção (Instituto Socioambiental, 2019), da escritora e bióloga Nurit Bensusan, coordenadora adjunta do Programa de Política e Direito do ISA e especialista em Biodiversidade, com mestrado em ecologia pela Universidade de Brasília (1997) e doutorado em educação (2012), na mesma universidade. Ela é autora das obras Meio ambiente: e eu com isso? (Peirópolis, 2020), abordando sobre a intrigante complexidade da natureza e resgatando a dimensão humana dos problemas ambientais enquanto revela conexões aparentemente insólitas entre os diferentes problemas do mundo contemporâneo; Quanto dura um rinoceronte? (Peirópolis, 2018), com a exposição do risco de extinção desses e de tantos outros animais; Labirintos: parques nacionais (Peirópolis, 2012), uma viagem aos parques nacionais com informações essenciais; Conservação da biodiversidade em áreas protegidas (FGV, 2006), em que apresenta a estratégia para conter a ocupação desenfreada da terra e o uso predatório dos recursos naturais, além da implementação que tem enfrentado inúmeros desafios; Biobrazuca. o jogo da biodiversidade brasileira (EdiPUCRS, 2011); e Seria melhor mandar ladrilhar? Biodiversidade: como, para que e por quê (EdiUnB, 2002), entre outros. Atualmente, divide seu tempo entre o trabalho com políticas públicas e divulgação científica na área de conservação da biodiversidade e a reflexão e pesquisa sobre temas relativos à conservação das paisagens, ao acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais e aos impactos e dilemas das novas biotecnologias. Além disso, escreve livros e produz jogos com temas biológicos para crianças.

O CINEMA DE TERESA VILLAVERDE
Estou convencida que, se o mundo não entrar em colapso total, daqui a uns vinte ou trinta anos se vai voltar à película. E digo por quê. O som tem melhorado imenso nos últimos anos, todo o processo digital veio melhorar tecnicamente o som. Mas, na imagem, tudo o que se tem vindo a criar ultimamente, tem-na desvalorizado. Somente em relação aos efeitos especiais é que tem evoluído de forma positiva. Adorava e tento acreditar que se volte à película ou a uma coisa semelhante.
TERESA VILLAVERDE - Trecho da entrevista concedida pela cineasta portuguesa Teresa Villaverde, recolhida da Cineasta versus diretor de fotografia – a preparação da filmagem: entrevista a Teresa Villaverde (História Oral, 2016), de Raquel Rato, iniciando sua trajetória com o premiado filme A idade maior (1989), seguindo-se do também premiado Três irmãos (1992), Os mutantes (1998), Transe (2006), Água e Sal (2001), A favor da claridade (2004), Visions of Europe (2004) e Cisne (2011). Veja mais aqui.

A ESCULTURA DE PATRICIA CRONIN
Um artista tem que organizar as ideias. Eu não sou um exército. Eu não sou uma formuladora de políticas. Eu não escrevo leis. Então, qual é o papel da arte contemporânea neste mundo realmente horrível em que vivemos? Que impacto isso poderia ter? Não posso fazer nada para trazer essas 276 meninas de volta. Eu sou impotente, então o que posso fazer? Eu posso conscientizar e sentir.
PATRICIA CRONIN - Trecho de entrevista concedida pela escultora, pintora e fotógrafa estadunidense, Patrícia Cronin, para o jornalista William J. Simmons (Interview - junho, 2016), a respeito da sua obra Shrine for Girls, um santuário para meninas apresentado na Bienal de Veneza de 2015, narrando três histórias, a primeira sobre o sequestro de 276 mulheres jovens pelo Boko Haram na Nigéria; o estupro e linchamento de dois primos na Índia e a violência sexual e psicológica da Igreja Católica contra prostitutas, mulheres órfãs e doentes mentais nas lavandarias de Madalena. Como uma artista interdisciplinar que aborda questões contemporâneas de direitos humanos, ela realiza uma arte conceitual que transita por diversas plataformas estéticas e sobre questões de justiça social de gênero, sexualidade e classe, visibilidade lésbica, história da arte feminista, igualdade de casamento e direitos internacionais das mulheres. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Minha intenção é mostrar a relação dessas mulheres com a ilha; com a pesca; que é um trabalho exercido mais por homens; com a cidade e com a família, dando ao roteiro um olhar mais feminino. Enquanto o homem dono de viveiro mantém um relação mais hierárquica com as pessoas subordinadas a ele, Alexandra tem uma relação de parceria. Moro no bairro desde que nasci e não poderia fazer meu primeiro filme em qualquer canto, a ilha sempre é apontada como uma comunidade violenta e as pessoas acabam formando uma opinião errada sobre esse espaço. Espero, com o documentário, quebrar esse estereótipo. Aqui é um lugar de gente trabalhadora.
Trecho da entrevista concedida ao Jornal do Commercio (novembro de 2017), pela diretora, roteirista e produtora Anna Andrade, sobre o seu primeiro filme Entre marés (2018), com relatos de três mulheres da Ilha de Deus, em Recife.
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O brasileiro condena o brasileiro, do psicanalista e professor Jurandir Freire Costa aqui.
Sísifo, do poeta Marcus Accioly (1943-2017) aqui.
A obra do poeta, professor, cineasta, filósofo e agitador cultural Jomar Muniz de Brito aqui.
A arte da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão aqui e aqui.
O artista visual Maurício Silva aqui.
A arte de Murilo Gun aqui.
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Estibado, o ajeitado na vida aqui.
 

segunda-feira, maio 18, 2020

DIOTIMA DE MANTINEA, LUCIA BARRENECHEA, MARIANNITA LUZZATI, JOANA LIRA & EVILÁZIO PAIVA


DIÁRIO DE QUARENTENA – CONVIVENDO COM MEU POVO DE LUA NO FECAMEPAUMA: NA GANGORRA DA CONVIVÊNCIA – Viver no Fecamepa é uma corda bamba abissal, isso tanto na política como nas amizades e tudo o mais do relacionamento social, cultural, religioso e o escambau. Sim, aqui quando se é amigo é de verdade, senão a rasteira come no centro e ai de quem sai relando a bunda no chão. Ou é amigo ou inimigo, ou é ou não é. Não há meio termo nem inteligência emocional, convivência pacífica, essas baboseiras. Nada disso. Ou é 8 ou 80, mesmo que tenhamos aprendido no ginasial a demonstração do plano cartesiano que, de um lado ou de outro, em cima ou em baixo, tanto para mais como para menos, existe uma infinita consideração numérica. Mas pra valer tem que ficar na redoma do certo ou errado e mais nada. Sim, além do mais, amizade é mútua, de mão dupla e perene; assim não sendo, deixa de ser na hora. E quando os amigos se estranham, corra; os podres de ambas as partes e de todas as envolvidas, estarão queimando no fogo do inferno. Ou seja: pros amigos, tudo; pros inimigos, os rigores da lei, porque para quem perdeu a graça, do pescoço para baixo tudo é perna, pau no lombo, vudu, blasfêmias e nome por extenso costurado dentro da boca de um sapo cururu, e babau. Já dizia Millôr Fernandes: A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades. E durma com um barulho desses! DUAS: ARENGA ENTRE VIZINHOS – Suedivânio está doido para agarrar na beca de Jetubaldo, dar-lhes umas boas bofetadas e torcer o seu pescoço. Vontade não falta, a coragem adia um pouco. Rixa antiga deles, só por causa do zoadeiro do boteco até altas horas da noite. Esculhambações mútuas: Dá pra baixar essa merda de som, fidapeste? Venha baixar, fidaputa! Minha mãe não é puta, viado! É sim, fidicorno! Meu pai não corno, fresco, já morreu! Venha baixar, cuzão, que dou-lhe umas lamboradas boas pelas bostas dos guenzos da sua mãe, safado! Aí começa o teitei. Enquanto os cachorros cuidados pela mãe de Suedivânio emporcalham o negócio de Jetubaldo, por represália, ele pinta e borda na provocação jogando o lixo na porta do desafeto. Resultado? Alardeiam ameaças dias e noites, arengam com a promessa de, qualquer hora dessas, perder a cabeça e resolver tudo por via de fato. Dali nenhum sai, nem ninguém os tira. Pronto! Desmantelo todo arrumado. Disse para eles aquela do Oscar Wilde: A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela, também. Nem acharam graça e me mandaram catar coquinhos por aí, só prometendo o circo pegar fogo. Agora dê corda pra ver! Que coisa! TRÊS: ENTRE FALSOS, MANGADORES & OFENDIDOS - Como os Fabos, Cafos e outras trepeças vivem no reino da estupidologia do Coisonário, são tudo de lua. Isso mesmo: uma hora, de dente aberto; outra, de braguilha virada. Ou tapas e beijos, ou cheio de nó pelas costas de injuriado. Trocando em miúdos: quando não estão aos conchavos do compadrio, estão cagando raio de ofendidos. Deviam ouvir Sócrates: Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos. Quem tem lá saco para filosofar no Brasil, gente! Duas besteiradas antes, pensar só depois. Afinal, só não tem jeito pra morte. Ah, uma coisa é certa: se você estiver estibado, tá tudo ali encangado, irmanados; se você alisar arriado na penúria, não fica um pra remédio. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Aquele que corretamente se encaminha à perfeita contemplação do Amor, com efeito, deve começar, quando jovem, por se dirigir aos belos corpos; e, em primeiro lugar, se o seu orientador o dirigir corretamente, ele deve amar um só corpo e, então, gerar belas palavras. Depois, ele deve compreender que a beleza em qualquer corpo é irmã da que está em qualquer outro, e que, se deve procurar a beleza na forma, muita tolice seria não considerar uma só e a mesma a beleza que está em todos os corpos. E, depois de entender isso, ele deve se fazer amante de todos os belos corpos e largar esse amor violento de um só, após desprezá-lo e considerá-lo mesquinho. Em seguida, ele deve considerar mais preciosa a beleza que está nas almas que a do corpo, de modo que, mesmo se alguém de uma alma gentil tenha, todavia, pouco encanto, ele se contente, ame e se interesse, e produza e procure palavras tais que tornem melhores os jovens. Para que, então, seja ele obrigado a contemplar a beleza nos ofícios e nas leis, e a ver, assim, que toda ela tem um parentesco comum; e julgue, enfim, de pouca importância a beleza no corpo. Depois dos ofícios, é para as ciências que é preciso transportá-lo, a fim de que veja também a beleza das ciências; e, olhando já muito para a beleza, sem mais amar como um servo a beleza individual de uma criançola, de uma pessoa ou de um só costume, ele não seja, nessa escravidão, miserável e um falador mesquinho, mas voltado para o vasto oceano da beleza e, contemplando-a, ele produza muitas palavras belas e magníficas, e reflexões, em inesgotável amor à sabedoria. Até que aí, robustecido e crescido, ele contemple uma certa Ciência, única, tal que o seu objeto é a Beleza seguinte. Tente agora prestar-me a máxima atenção possível. Aquele, pois, que tiver sido orientado até esse ponto para as coisas do amor, contemplando seguida e corretamente o que é belo, já chegando ao ápice dos graus do amor, de súbito perceberá algo de maravilhosamente Belo em sua natureza, o mesmo, ó Sócrates, ao qual tendiam todas as penas anteriores: primeiramente, o Belo que sempre é, que não nasce nem perece, não cresce nem decresce; e, depois, que não é belo de um jeito e feio de outro, nem ora sim, ora não; nem belo quanto a isso e feio quanto àquilo, nem belo aqui e feio ali, como se fosse belo para uns e, para outros, feio. Nem, por outro lado, vai lhe aparecer o Belo como um rosto ou mãos, nem como nada que o corpo tem consigo, nem como algum discurso ou alguma ciência, nem certamente como existindo em algo mais, como, por exemplo, em algum animal da terra ou do céu, ou em qualquer outra coisa. Ao contrário, irá lhe aparecer ele mesmo, por si mesmo, consigo mesmo, sendo sempre uniforme, enquanto tudo mais que é belo participa dele, de um modo tal que, enquanto tudo mais que é belo nasce e perece, ele em nada fica maior ou menor, nem nada sofre. Quando, então, alguém, subindo a partir do que é belo aqui, através do correto amor às pessoas jovens, começa a contemplar aquele Belo, quase que estaria atingindo o ponto final. Eis, com efeito, em que consiste proceder corretamente, ou deixar-se conduzir, nos caminhos do amor: em começar do que é belo aqui e, em vista daquele Belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências, até que, das ciências, acabe naquela Ciência, que de nada mais é senão daquele próprio Belo, e conheça enfim o que em si é o Belo. Nesse ponto da vida, meu caro Sócrates, se é que em mais algum outro, o homem poderia viver contemplando o próprio Belo. Se algum dia você o vir, não é como ouro ou como roupa que ele lhe parecerá ser, ou como belas pessoas jovens adolescentes, a cuja vista você fica agora aturdido e disposto (você como muitos outros, contanto que vejam seus amados e sempre estejam com eles) a não comer nem beber, se de algum modo fosse possível, mas a só contemplar e estar ao seu lado. [...]. Trecho do discurso sobre as questões do amor, da filósofa e sacerdotisa grega Diotima de Mantinea (440aC), para o filósofo grego Sócrates, extraído da obra  O Banquete (Difusão Europeia do Livro, 1975), do filósofo grego Platão. No discurso a filósofa argumenta o Amor é uma entidade demiúrgica e que para vivermos e até para amarmos nós precisamos do contato carnal com os outros, porque tudo partiria do corpo. A partir disso, passou a considerar a Scala amoris (escada do amor), conceito platônico de elevação pelo amor em graus ascendentes, ou seja, que a partir de belezas óbvias, deve, pelo bem daquela beleza mais alta, subir sempre ao alto, como em degraus, como sendo, em primeiro lugar, de fato, se seu condutor o orienta corretamente, deve-se estar apaixonado por um corpo em particular para se gerar belos pensamentos nele; em segundo, amar todos os corpos belos e, em seguida, deve observar como a beleza ligada a este ou aquele corpo é cognata àquela que é ligada a qualquer outro; o terceiro, amar a beleza que uma alma pode ter; ao amar a beleza mental ou a beleza da alma, o amante não terá outra escolha senão ascender para amar as belas instituições, leis e atividades públicas; amar a beleza das ciências ou do conhecimento em geral; levar os ramos do conhecimento para contemplar uma província da beleza, e ao olhar assim para a beleza na massa possa escapar da escravidão mesquinha e meticulosa de uma única instância, onde ele deveria centralizar todo o seu cuidado; a culminância do amor ao Belo-em-si e contemplar um vasto mar de beleza, trazendo em todo seu esplendor muitos belos frutos do discurso e da meditação em uma abundante colheita de filosofia; e o ápice de Eros, a ascensão e sublimação da condição humana aos ideais divinos do Bem e Belo. Assim sendo, de forma metodológica, a scala amoris de Diotima é análoga à parábola da caverna, da República. Ambos tratam do processo de iluminação ou compreensão que, de modo geral, é o movimento que parte de aparências individuais em direção a algo cada vez mais abstrato, ou seja, indo para algo além do individual em direção ao ideal. Esse tema é tratado na obra La Tumba de Antígona Diotima de Mantinea (Litoral, 1983), da filósofa e escritora espanhola María Zambrano (1904-1991). Mereceu consideração também na obra Diotima, o de la dificultad de enseñar filosofia (Guillermo Escolar, 2016), organizado por Rafael Orden Jiménez, Juan García Norro e Emma Ingala Goméz, ao mencionr que Diotima foi mestre de Sócrates, de quem aprendeu o que é o Amor. O artigo O discurso sobre o amor no Banquete, de Platão, e a presença de Diotima de Mantineia: mulher/sacerdotisa/hetaira (Psicanálise & Barroco em revista, 2019), de Yvisson Gomes dos Santos e Walter Matias Lima, dão conta de que: [...] Essa mulher, sacerdotisa e prostituta, foi quem ensinou a Sócrates a arte do amor. Tal amor que no diálogo platônico nasceria de pais distintos, na festa de Afrodite, de um pai astuto, e de uma mãe pobre. Através desse vínculo o Amor tornou-se um demiurgo, – um médium entre os homens (mortais) e os deuses. Uma missão alvissareira se não fosse o espírito precário do amor. No artigo Diotima de Mantineia (Em Construção – Arquivos de Epistemologia Histórica e Estudos de Ciência, 2019), de Clara Britto da Rocha Acker, oriundo da obra Femmes, Fêtes et Philosophie en Grèce Ancienne (L’Harmattan, 2013) da autora, explicita que [...] Diotima, cujo nome significa “honrada pelos deuses”, possivelmente nasceu por volta de 480 AEC, na cidade de Mantineia, na Arcádia. [...] Diotima é nomeada a partir de sua cidade de origem, Mantineia; ela não é apenas “a estrangeira”, ela possui um nome e sua cidade existia. Sócrates explica que, graças a seu grande conhecimento sobre vários assuntos, Diotima pôde preservar a saúde dos atenienses por 10 anos, e seus contemporâneos deviam estar cientes desse fato. Sócrates relata que se encontrou com Diotima diversas vezes e que ela lhe ensinou o que ele sabia sobre o Amor. Tendo em vista que Sócrates reconhecia nada saber além do tocante a Eros, Diotima deve ser considerada como sua professora de Erosofia. Sócrates, aliás, a chama de mestra [...] O fato de Diotima exprimir várias vezes suas dúvidas em relação à capacidade de Sócrates em compreender as coisas relacionadas a Eros e se interrogar sobre o fato de ele poder atingir o mais alto grau de iniciação, parece ser uma demonstração da tekne do amante, tal como ela é explicada pelo próprio Sócrates em Lísias. O amante não deve glorificar seu amado antes de tê-lo conquistado, mas deve sobretudo mostrar-lhe seus limites, em especial no que concerne ao conhecimento, mostrando-lhe o que ele não sabe. É exatamente o que faz Diotima no Symposium, evidenciando o caráter amoroso de sua relação com Sócrates. Diotima ama Sócrates e ela vai lhe ensinar o que ele ignora sobre Eros. [...] a contribuição de Diotima de Mantineia foi fundamental na elaboração do que temos o hábito de chamar de teoria platônica do Amor. A Erosofia, essa sabedoria sobre o Amor, não foi apenas elaborada nos círculos dionisíacos frequentados pela sacerdotisa, não se trata somente de um conhecimento comunicado por uma mulher, mas trata-se de uma sabedoria intrinsicamente feminina, que valoriza o corpo feminino, a ética do cuidado, o amor materno e o delírio sagrado como essenciais à Filosofia. Diotima se revela, assim, não apenas uma sacerdotisa, mas uma autêntica filósofa, situada na origem de todo saber socrático e, assim sendo, na raiz de toda a Filosofia ocidental. Aqui, rendemos homenagem a esta imensa filósofa, à professora de Sócrates, escandalosamente subtraída por uma História da Filosofia misógina e mentirosa, que não pode ou que não quer ver uma mulher na origem de uma das mais belas e promissoras doutrinas antigas, como aquela do Amor. [...]. No livro Il romanzo di Diotima (Giovane Holden, 2019), de do escrtor italiano Gaetano Cinque, destacando que Diotima está entre as personalidades sugestivas e de grande representação na história antiga, com sua filosofia que embasa a psicologia e a metafísica, tornando-se um magnifico ícone feminino de independência e aspiração irreprimível à verdade. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE LUCIA BARRENECHEA
[...] A investigação de um texto musical - padrão sonoro que se apresenta em forma gráfica -, com vistas à sua interpretação musical, consiste numa jornada na qual vários fatos são colocados em jogo, e que vão definir como será a projeção do acontecimento sonoro, a comunicação física e acústica do que se lê nesse texto. [...] Outros estudos se fazem necessários para um maior aprofundamento das questões que podem ser colocadas ao se discutir uma construção informada da interpretação musical. [...].
LUCIA BARRENECHEA - Considerações finais do artigo Dança – Lembrança do Sertão de Heitor Villa-Lobos: construindo a interpretação da redução para piano (II Congresso da Associação Brasileira de Performance Musical, 2014), da pianista, professora e pesquisadora Lúcia Barrenechea, que integra o Duo Barrenechea, com o seu marido, o flautista Sérgio Barrenechea, autores dos álbuns Momentos em Paris (2008), Saracoteio - Piano Brasileiro (2009), A Música para Flauta de Francisco Mignone (2010), Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano (2013), Brasíleiríssimo: Encontros (2015) e Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano Vol. II (2017). Ela é professora de piano e música de câmara no Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, no Programa de Pós-Graduação em Música ? Mestrado e Doutorado, e no PROEMUS. É mestre em Ensino das Práticas Musicais, bacharel em piano na Universidade Federal de Goiás e mestrado na Universidade de Boston (EUA) e doutoramento em piano e pedagogia do piano na Universidade de Iowa, EUA.
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A ARTE MUSICAL DE EVILÁZIO PAIVA
Minha mãe comprou uma flauta doce de plástico que vem com um folheto com algumas informações de como tocar e algumas músicas como: Luar do Sertão, Asa Branca, Parabéns Prá Você e outras , posso dizer que sou 'Autodidata' aprendi as notas sozinho a partir da flauta de plástico que ganhei da minha mãe. Minha tia tinha uma Harpa onde havia folhas pontilhadas ensinando como tocar, dedilhei a Harpa e começou a sair umas melodias que tocavam meus ouvidos e minha alma, daí me apaixonei de vez pela música.
A arte do músico pernambucano radicado no Chile, Evilázio Paiva, que utiliza da flauta doce ao saxofone, a partir do curso no Projeto Órpheons, afora passar pelo Conservatório Pernambucano de Música, Centro de Educação Musical de Olinda, Escola de Arte João Pernambucano e o Curso de Inteligência Cênica para Músicos, e daí para os palcos com Tita Parra e Isabel Parra, Rodrigo Maureira, Kiuje Hayashida, Charly Garcia, Enrique Luna, David Ortega e no Seriou Business Blues. Curta o talento dele no YouTube & SoundCloud (Fonte: Blog da Tereza Lima). Veja mais aqui.

A ARTE DE MARIANNITA LUZZATI
O desenho é uma depuração da pintura. Comecei a sentir a necessidade de ‘remover’, em minhas anotações, de desenhos e estudos para as pinturas, os elementos urbanos que para mim ‘incomodavam’ as paisagens para que as mesmas voltassem ao seu estado natural, sem nenhuma interferência do homem. Desde então meu trabalho vem se dedicando a esta temática. São imagens que sugerem ao expectador contemplar e refletir sobre o vazio e o silêncio, o que hoje para mim, é a nossa maior necessidade.
MARIANNITA LUZZATI - A arta pintora, gravadora e desenhista Mariannita Luzzati, que começou sua carreira frequentando o Instituto per L'Arte e il Restauro, em Florença, Itália e a expor nos anos 1980 em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Paris, Berlim e Londres. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sempre tive que me afirmar e saber me colocar como mulher, nordestina e artista. A grande tônica do meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar as peças artísticas.

A arte da premiada artista visual e gráfica Joana Lira, que assinou por muitos anos a decoração do carnaval recifense, e já realizou a exposição Bichos Aloprados (1997), entre outras individuais e coletivas.

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A obra do poeta, radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964) aqui.
A obra do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui.
A arte do artista multimídia Paulo Bruscky aqui.
A poesia da poeta e jornalista Andréa Borba aqui.
A música do guitarrista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical Luciano Magno aqui.
A arte do fotógrafo e publicitário Denilson Vasconcelos aqui.
Lendas, crendices e abusões: alegoria e história em O Cara de Fogo, de Jayme Griz, em artigo de Ivson Bruno da Silva aqui.
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O Circo Itinerante aqui.

MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...