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terça-feira, abril 21, 2020

HILDA HILST, AUGUSTA SAVAGE, BENEDICTA DE MELLO & EL HOYO


UM DIA & OUTRO, A VIDA - UMA: PRONTO PRA VIVER – Meu coração amanheceu inchado. Apesar do sorriso, dói esse tempo triste de tantas incertezas. Enquanto alguns tantos dormem para nunca mais nas garras da celerada pandemia, outros vão apreensivos sem saber para onde, enquanto estúpidos sonegam a vida evocando irresponsavelmente por uma treva totalitária. Não há o que dizer diante disso tudo. Resta o alento da canção e Nina Simone me diz: Esse é o mundo que vocês construíram, agora vão ter que viver nele. Guardo-a comigo e ainda ouço a me embalar: Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido. Eu te digo o que a liberdade significa para mim: não ter medo. E vou adiante enquanto ela eterna e pronta pra cantar. DUAS: NEC MORTEM EFFUGERE QUIS, QUAM, NEC AMOREM POTEST - Sim, pronto para viver! Não poderia ser doutra maneira. Passos, dias, tudo segue uma trajetória imprecisa pelo que foi e o que virá. Enquanto respiro, o meu coração incha de amor, apenas. Mesmo que as cenas diárias sejam bolas para fora de campo, é preciso viver e amar. Ou como diz Publírio Sírio: Ninguém pode fugir nem ao amor, nem à morte. Vivo e persevero. TRÊS: A PEITICA DE TODO DIA & O DIA TODO – Barulhada no pé do ouvido: Essa ocupação de ler o dia todo só endoida. Escrever não é profissão, fazer arte não é emprego certo! Esse negócio de música autoral é baboseira, não faz sucesso! Ganhou quanto para passar o dia todo só tendo ideia? O cigarro fede, a bebida é pra irresponsável; se sabe, não aprendeu direito, vá orar que é melhor. De que adianta estudar tanto para não dar em nada! Ufa! Ah, quem aguenta tanta buzina no olho da insatisfação, hem? Chatura braba, reclamações. Nem ligo. Vou de Mário Quintana: Das ilusões / meu saco de ilusões, bem cheio tive-o. / Com ele ia subindo a ladeira da vida. / E, no entretanto, após cada ilusão perdida... /Que extraordinária sensação de alívio! E o coração inchado de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] XVIII - Palomita, lembras-te que mergulhavas o meu pau na tua xícara de chocolate e em seguida me lambias o ganso? Ahhh! tua formosa língua! Evoco todos os ruídos, todos os tons da paisagem daquelas tardes… cigarras, os anus pretos (aves cuculiformes da família dos cuculídeos… meu Deus!) e os cheiros… o jasmim-manga, os limoeiros… e teus movimentos suaves, alongados, meus movimentos frenéticos… Ahhh! Marcel, se te lembras, sentiu todo um universo com as dele madeleines… Deve ter sugado aquela manjuba magnífica do dele motorista com madeleines e avós e chás e tudo… Ah, irmanita, as cortinas malvas, a jarra de prata, os crisântemos dourados, algumas pétalas sobre a mesa de mogno, tu diluída nos meus olhos semicerrados, teu hálito de chocolate e de… “solução fecundante” como diria aquele teu juiz. Ando me sentindo um escroto de um escritor e quando isso começa não acaba mais. O que me faz pensar que eu talvez os seja é toda aquela minha história-tara do dedão do pé do pai. Pulhices de escritor. Outro dia contei ao Tom a história do dedão do pai, como se fosse a história de outro cara, não a minha. Sabes o que me respondeu? “Se algum filho meu tivesse a tara de me chupar o dedão eu dormiria armado.” Ciao. Petite chegou. Apaixonou-se. Uma maçada. Continuo daqui a pouco. [...]. Trecho da obra Cartas de um sedutor (Globo, 2001), da escritora e dramaturga Hilda Hilst (1930-2004), que juntamente com A obscena senhora D (Globo, 2001) e O caderno rosa de Lori Lambi (Globo, 2001), integram a trilogia erótico-pornográfica da autora. O volume das cartas conta o cotidiano de um homem rico, amoral e culto, que busca a explicação para sua incompreensão da vida através do sexo. Ele escreve e envia vinte cartas provocativas para sua casta irmã, textos que se misturam à vida de Stamatius, um poeta que encontra no lixo os manuscritos dele. Após a primeira leitura, percebe-se que ambos – o autor das cartas e o poeta leitor - são a mesma pessoa em tempos e condições diversos, mas com posturas diferentes diante dos mesmos questionamentos. Da mesma autora destaco o poema: Ama-me. Ainda é tempo. Interroga-me. / E eu te direi que nosso tempo é agora. / Esplêndida de avidez, vasta ternura / Porque é mais vasto o sonho que elabora / Há tanto tempo sua própria tessitura. / Ama-me. Embora eu te pareça / Demasiado intensa. E de aspereza. / É transitória se tu me repensas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

EL HOYO – O POÇO
A ficção suspense/terror El Hoyo (O poço, 2019), dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, tem como cenário um grande Centro Vertical de Autogestão, em estilo de torre, onde os moradores, que são trocados periodicamente aleatoriamente entre seus muitos andares, são alimentados por uma plataforma, inicialmente cheia de comida, que desce gradualmente pelos níveis . É um sistema destinado a causar conflito, pois os residentes nos níveis mais altos podem comer o máximo que podem, deixando cada vez menos para os que estão abaixo. Todo mês, as pessoas são aleatoriamente transferidas para um novo nível. Cada residente pode trazer um item, um deles, o protagonista, escolheu uma cópia de Dom Quixote e um outro uma faca auto-afiável chamada Samurai Plus. O filme estreou e ganhou o People's Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2019. As críticas classificaram o filme como um thriller distópico inventivo e cativante. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ouço tantas reclamações no sentido de que os negros não aproveitam as oportunidades educacionais oferecidas. Bem, uma das razões pelas quais mais da minha raça não se dedica ao ensino superior é que, assim que um de nós coloca a cabeça acima da multidão, existem milhões de pés prontos para esmagá-la novamente àquele nível morto do lugar-comum, criando um prazo racial da cultura em nossa República. Pois como devo competir com outros artistas americanos se não tiver a mesma oportunidade?
AUGUSTA SAVAGE - A arte da escultora e professora estadunidense Augusta Savage (1892-1962), que instruiu uma geração de artistas de reputação internacional e foi grande ativista pelos direitos civis dos negros. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Não vi ciscar a terra o pintainho, / nem vi no lago espreguiçar-se a lua. / Não vi num ramo balouçar-se o ninho, / nem no dorso do mar vi a falua. / Não vi, em frente, o rumo ao meu caminho... / Vi ruidosa e deserta cada rua... / Meu ser em toda a parte vi sozinho... / Não vi o mato verde, a pedra nua... / Mas se não vi a graça de uma flor, / Nem  plumagem de pássaro cantor, / Bendigo o que não vi, para bem meu... / Não vi o olhar de quem renega... / E a dor de minha mãe ao ver-me cega... / E o rosto de meu pai, quando morreu...
Bendita cegueira, soneto da escritora e educadora Benedicta de Mello (1906-1991), que era cega de nascença e fundou instituições sociais para cegos, tendo publicado diversos livros de poemas.
A obra do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui, aqui, aqui & aqui.
A música do o saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006) aqui & aqui.
A poesia de Lelé Correia aqui.
O cordel de Manoel Monteiro aqui.
Cantador aqui.
São José da Coroa Grande aqui & aqui.


segunda-feira, abril 22, 2019

LYGIA FAGUNDES TELLES, HILDA HILST, LEO BROUWER, MAURIZIO BARRACO & EPÍSTOLA SOLITÁRIA


EPÍSTOLA SOLITÁRIA – Olha a dida, 1 real! Não era isso, só personagem. Vestiu-se da bermuda vermelha, suspensórios, blusa branca de algodão, meião e sapatilha, boné, foi pro mundo, carregado. A máscara, a própria face nua: fisionomia do desassossego, premência da vida. Um curioso: Tem de quê? Morango, cajá, coco, sabores... O sonho de escritor distante, talento algum entre frases desconexas. Cometia versos esdrúxulos, enchia o peito entoando dores: voz estival no negrume invernoso: erros de alvo, talhos da alma. Suportava o escárnio, miséria calamitosa e suicida. Olha a dida, 1 real! Hem? Graviola, araçá, mangaba... O calor capaz de degelar tudo, até seu coração de rio. Também sangrava no mormaço, arrastando os ferros da chacota entre centavos e engulhos, cuspe escasso na consideração. Tem esfirra? Cavaco? Lágrimas no picolé. Gente, muita gente, 2 para 500, ofertas, liquidações, jogo, chamamentos, toldas, parques de diversão, praça entulhada de rostos vazios, duas de quinhentos no pátio da igreja, músicas de radiola de fichas, o cabaré do meio dia. Arrodeava, as ruas cheias de pernas. Fim da tarde, a mão alisa o queixo, vergonha é coisa sem vigência. Não havia lenda na situação tão sisuda. Ao banheiro, porta aberta, entrou, a micção. Pronto, novo fôlego, higiene pessoal, o trinco, cadê? Mãos molhadas, nenhum ferrolho, maçaneta, trancado. E agora? Sábado, todo mundo já largou, 36 horas de espera, a fome, a sede, pensando, o passado envelhecido, ressentimentos redivivos, frustrações, mágoas, fazer o quê? Só faltava essa! As didas que sobraram dava para molhar o bico pela noite, outro dia inteiro, domingo mais sem jeito, mais uma noite longa, madrugada infinda, amanhecer vazio. E se a segunda fosse feriado? Faça isso não! A sorte por um triz. Nenhuma dida, a pia, o espaço da cela, o estuque de mármore, a água do vaso sanitário, o buraco do chuveiro tapado com um toco de madeira, o chão frio, o calor de lascar: Vou morrer, ninguém dará conta. Pagar todos os meus pecados: Quem mandou errar tanto na vida? Bem empregado. Esperar, esperança longínqua. Vozes. Tem alguém aí? Tem. Vai demorar? Estou preso! E beibeibei, pesadas, pé de cabra, arrombamento. Finalmente, o alivio, o frio do mundo se libertara. E ele, com tanta gente, sitiado exangue na sua solidão. Era só voltar para casa, dar conta do sumiço, aguentar o resto de vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Então ressoaram os passos dele num andar atribulado. A chave deu uma volta quase completa na fechadura. A maçaneta preta girou. Ficamos um defronte do outro. Ele estava mais magro, a barba crescida. Os olhos tinham um brilho de febre. [...] Debruçou-se na mesa, apanhei um lápis e comecei a desenhar distraidamente numa folha que tinha um borrão de tinta. Como dizer-lhe que ele também representava? E tão mal. Decorara o papel e agarrava-se a ele sem talento, sem vocação. O que aconteceria quando descobrisse que a solução era rasga-lo? [...] Limpei na saia as palmas úmidas das mãos. Só porque não era proibido? Quis perguntar-lhe. Tirei os sapatos. [...] Sorri para mim mesmo. Não? Se o amava, estava condenada. Se não o amava, estava condenado ao castigo maior de viver sem amor. Não havia mesmo por onde escapar. Ajoelhei-me diante dele. [...] Tomei-lhe as mãos. E vi no seu pulso uma cicatriz de bordas franzidas como uma boca que se nega a falar. [...].
Trechos extraídos do romance Verão no aquário (Presença, 2006), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.  

A MÚSICA DE LEO BOUWER
A música do violonista, compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo Brouwer. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista visual italiano Maurizio Barraco
Veja mais aqui, aquiaqui.
&
A OBRA DE HILDA HILST
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
sôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.
A obra da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, fevereiro 08, 2019

HILDA HILST, CLIFFORD GEERTZ, CAMILA DO ROSÁRIO & A BARRAGEM AMEAÇA O POVO NA PRAÇA


A BARRAGEM AMEAÇA O POVO NA PRAÇA - O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira, a barragem ameaçando esborrar cheia de vazamentos por todos os lados, coisas de tragédia que o Brasil tem demais de anunciada, só de fechar a porta depois que não tem mais jeito e tudo está feito pela desgraça e o que é que se pode fazer diante de uma situação dessas, porque é problema dos outros e cada um que se defenda como puder, ah, que a coisa está feia e vai piorar na torcida da calamidade, bate boca e tralalá. O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira, Sol de verão depois duns dias de chuvada torrencial, alagando tudo de ficar quase intransitável, mas não é nada demais, uma cheia a mais ou a menos, tanto faz, tanto fez, quantas não e já quase acabaram com tudo e ninguém morreu, até agora, todos salvos pela graça de Deus, oxalá. Agora quem alagava a Praça era o povo de Serro Azul, cartazes e indignação, o medo da inundação e de morrer escorregando o aguaceiro para se enterrar no mar. O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira (Ninguém ria com Toínho DuRego porque não eram as umbigadas de Genival Lacerda nem as trelas e loas do Forró Povão, era sério, na vera, olho no olho) e nas lojas e supermercados e farmácias e ambulantes, o formigueiro de gente nem aí, era só o povo de Serro Azul com medo da morte e ninguém tomava pé da situação, coisa deles lá, não daqui, porque pros daqui importava comprar o queima de preços do comércio, a urgência dos negócios, o expediente bancário, os compromissos inadiáveis e emergenciais do dinheiro no bolso, o suor pingando do trampo e a vida é difícil para viver e tem que correr atrás porque a barragem só ameaça Serro Azul e quando romper e a inundação chegar invadindo tudo, aí se resolve na horagá porque é cada um por si, ninguém é de ninguém e salve-se quem puder. O povo de Serro Azul estava na praça, desamparado e deprimido, quem quer saber disso, ora, era só gente daquele povoado à beira do abismo na praça central e que só é daqui porque é distrito de um fogo morto que só se quer saber da bica ou do nome da estrada quando se vai pra Catuama dar adeus a quem foi dos daqui apagado pela morte, sepultado pelo esquecimento depois do chororô e das lembranças no dia de finados, oh, xô pra lá. O povo de Serro Azul estava na praça e voltou para casa do mesmo jeito que chegou: como se os daqui estivessem dormindo noite alta, rompesse a barragem e a água afogasse todos os dorminhocos para que sequer vissem o povo de Serro Azul temendo o pior, uma cidade alvoroçada de fantasmas que zanzavam como se nada tivesse acontecido, quiçá. O povo de Serro Azul estava na praça e voltou para casa do mesmo jeito que chegou: com a dor de estarem todos ali, esquecidos sem nenhuma solidariedade, voltaram à beira da barragem que ameaça romper, Deus dará. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] A análise da cultura se reduz aqui, portanto, não a um ataque heróico e "sagrado" às "configurações básicas da cultura", a uma "ordem das ordens" exageradamente dolorosa, a partir da qual se pode ver configurações mais limitadas como meras deduções, mas a uma pesquisa dos símbolos significantes, feixes de símbolos significantes e feixes de feixes de símbolos significantes — os veículos materiais da percepção, da emoção e da compreensão — e a afirmação das regularidades subjacentes da experiência humana implícitas em sua formação. Uma teoria da cultura plausível só pode ser alcançada, se um dia o for, construindo a partir dos modos de pensamento diretamente observáveis, primeiro para determinar as famílias desses modos de pensamento, prosseguindo depois para sistemas "polvóides" desses modos de pensamento, mas variáveis, menos estreitamente coerentes, porém ordenados, não obstante, confluências de integrações parciais, de incongruências parciais e de independências parciais.A cultura também se movimenta como um polvo — não ao mesmo tempo, como uma sinergia de partes perfeitamente coordenadas, como uma compulsão maciça de todo, mas através de movimentos desarticulados desta parte, depois daquela, e depois ainda da outra, que de alguma forma se acumulam para uma mudança direcional. Deixando de lado os cefalópodes — onde surgirão os primeiros impulsos para uma progressão numa determinada cultura, de que forma e em que grau eles se espalharão através do sistema, tudo isso ainda é altamente imprevisível, se não totalmente, no atual estágio do nosso entendimento. Entretanto, não parece ser uma suposição irracional dizer que, quando tais impulsos surgirem em alguma parte do sistema intimamente interligada e socialmente consequente, sua força impulsionadora será certamente bastante elevada. [...] Da mesma forma que nos exercícios familiares de leitura atenta, pode-se começar em qualquer lugar, num repertório de formas de uma cultura, e terminar em qualquer outro lugar. Pode-se permanecer, como eu, numa única forma, mais ou menos limitada, e circular em torno dela de maneira estável. Pode-se movimentar por entre as formas em busca de unidades maiores ou contrastes informativos. Pode-se até comparar formas de diferentes culturas a fim de definir-lhes o caráter para um auxílio mútuo. Entretanto, qualquer que seja o nível em que se atua, e por mais intrincado que seja, o princípio orientador é o mesmo: as sociedades, como as vidas, contêm suas próprias interpretações. É preciso apenas descobrir o acesso a elas.
Trechos extraídos da obra A interpretação das culturas (LTC, 2008), do antropólogo e professor estadunidense Clifford Geertz. Veja mais aqui.

CANTARES DE HILDA HILST
I - Que este amor não me cegue nem me siga. / E de mim mesma nunca se aperceba. / Que me exclua do estar sendo perseguida / E do tormento / De só por ele me saber estar sendo. / Que o olhar não se perca nas tulipas / Pois formas tão perfeitas de beleza / Vêm do fulgor das trevas. / E o meu Senhor habita o rutilante escuro / De um suposto de heras em alto muro. / Que este amor só me faça descontente / E farta de fadigas. E de fragilidades tantas / Eu me faça pequena. E diminuta e tenra / Como só soem ser aranhas e formigas. / Que este amor só me veja de partida.
II - E só me veja / No não merecimento das conquistas. / De pé. Nas plataformas, nas escadas / Ou através de umas janelas baças: / Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias. / E só me veja no não merecimento e interdita: / Papéis, valises, tomos, sobretudos / Eu-alguém travestida de luto. (E um olhar / de púrpura e desgosto, vendo através de mim / navios e dorsos). / Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes. / Mas sobre mim, intensas, ilhargas juvenis / Machucadas de gozo. / E que jamais perceba o rocio da chama: / Este molhado fulgor sobre o meu rosto.
Poemas dos Cantares do sem nome e de partidas, extraído da obra Cantares (Globo, 2004), da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista e ilustradora Camila do Rosário que explora temáticas regionais, folclóricas e fantásticas como forma de representação de questões e reflexões do feminino e do corpo como discurso poético. Veja mais aquiaqui.
&
muito mais na Agenda aqui.


segunda-feira, setembro 17, 2018

HILDA HILST, BAKHTIN, VALÉRIA REZENDE, CHRISTINA MACHADO, CŒUR DE PIRATE, ADAM MCLEAN & BRENO CESAR


A SEMANA COMEÇA COM O PÉ DENTRO – Imagem: Fio do Tempo, da artista plástica Christina Machado. - UMA DE TANTAS – Desde quarta passada, estava na Feira de Leituras: territórios interculturais da leitura – Da lama ao barro, prestigiando a iniciativa do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL-UFPE), da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife (RELEITURA), da Biblioteca Comunitária Caranguejo tabaiares (BCCT) e a Biblioteca Comunitária do Alto do Moura (Caruaru –PE), comandado pela professora doutora Ester Rosa. Uma festa grandiosa com contação de histórias, barracas de livros, apresentações culturais, palestras, exposições e trabalhos do Núcleo de Acessibilidade da UFPE (NACE) e o escambau. O ponto alto, foi a palestra desenvolvida pela escritora Maria Valéria Rezende, que tive a oportunidade conhecer e papear, trocando ideias e figurinhas, afora saber do movimento Mulherio das Letras. Salve, salve! DUAS DE TUDO – Uma ótima opção para o recifense é a exposição Palavra em movimento, do cantor, compositor, poeta e artista visual Arnaldo Antunes, que se encontra aberta até o dia 14 de outubro, na Caixa Cultural. Foi lá que tive acesso ao livro Tudoss (Iluminuras, 1993), reunindo poemas e artes visuais do renomado artista da poesia e da música. Aproveito para registrar a bela realização da artista visual Christina Machado, no seu belíssimo trabalho nomeado Fio do tempo (2011). TRÊS DE MUITAS – No meio da emboança do final do final, tive a grata satisfação de conhecer o cineasta e fotógrafo Breno Cesar, e conhecer melhor o trabalho desenvolvido por essa pessoa amabilíssima. FECHANDO A LOA – Maravilha mesmo foi o show Caetano Moreno Zeca Tom Veloso, no último sábado, no Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Olinda, no qual Caetano Veloso cantou com seus filhos a turnê do álbum Ofertório, dedicado às mães dos filhos e à memória de Dona Canô, mãe do próprio Caetano. Se este final de semana foi corrido e tome trupé, tomara que a semana corra ótima com o pé dentro e coisas acontecendo, porque o próximo final de semana promete. Vamos sempre juntos aprumando a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora e compositora canadense Cœur de pirate (Béatrice Martin): Live in Otawa, Blonde, Rosers & Live & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Tudo está dentro de nós, se tivermos a coragem de empreender a jornada. [...]. Trecho extraído da obra A deusa tríplice: em busca do feminino arquetípico (Cultrix. 1989), do escritor escocês Adam McLean.

FILOSOFIA DO ATO [...] Os valores espaço-temporais e todos os valores de conteúdo são atraído por esses momentos centrais emocionais-volitivos em torno dos quais se concentram: eu, o outro e eu para o outro [...] uma representação, uma descrição da arquitetônica real, concreta do mundo dos valores experimentos – não com uma fundação analítica à frente, mas com aquele centro real, concreto tanto espacial quanto temporal, do qual surgem avaliações, asserções e ações, e onde os membros constituintes são objetivos reais, interconectados por relações-eventos no evento único do Ser. [...] todas as relações espaciais e temporais pensáveis adquirem um centro de valores, concentram-se em torno dele em um todo arquitetônico estável e concreto: a unidade possível torna-se singularidade do rel. meu lugar ativo único não é apenas um centro geométrico abstrato. [...] Tudo nesse mundo adquire significância, sentido e valor apenas em correlação com o homem e com aquilo que é homem – como aquilo que é homem. Todo ser possível e todo significado possível se dispõe em torno do ser humano como o único centro e o único valor; tudo deve ser relacionado com o ser humano, deve se tornar humano [...] Se eu contemplo um quadro mostrando a destruição e a desgraça inteiramente justificada de uma pessoa que eu amo, esse quadro será completamente diferente, do ponto de vista do valor, quando não tenho nenhum interesse pela pessoa destruída. [...]. Trechos extraídos da obra Para uma filosofia do ato (Pedro & João, 2008), do filósofo e pensador russo teórico da cultura e das artes Mikhail Bakhtin (1895-1975). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O DILEMA DE ZEFINHA -[...] Vinha a chamado do marido, que já tinha arrumado emprego numa construção, um barraco numa favela e não aguentava solidão. [...] Como tantos outros, tinham de deixar o sítio, o Ceará, buscar socorro no Rio de Janeiro [...] Quando o marido caiu do 6º andar da construção, Zefinha quis morrer também. Já não pôde suportar mais o Rio de Janeiro. Esperou sair a indenização, entregou quase todo o dinheiro aos filhos e comprou a passagem pro Crato. [...] Quando a mãe morreu, Zefinha aceitou a oferta do vereador do distrito e foi ser professora no sítio Assombro. Sabia ler e escrever muito bem, tinha sido a melhor aluna de sua turma até o terceiro ano, quando saiu da escola pra trabalhar numa casa de família no Crato. O que aprendeu nunca mais esqueceu. Aceitou o dinheiro não pelo dinheiro, mas por pena da meninada, mais de 40, analfabetos de pai e mãe. Gostou de encontrar alguma coisa que lhe desse sentido aos dias. Zefinha ajeitou-se bem no quatro que lhe deram, encostado no oitão da casa [...] Desde então, Zefinha Lima tornou-se a guardiã da alegria tranquila do sítio Assombro. Nunca mais emprestaria sua voz pra uma notícia ruim. Quando as cartas eram boas, lia ou escrevia com a maior fidelidade, sem tirar uma palavra. Não mentia à toa, pelo gosto de mentir. Continuava a ser uma mulher verdadeira, mas a verdade maior era que aquele povo precisava viver. [...] As respostas que Zefinha escrevia em nome dos vizinhos levavam a imagem de um sítio Assombro que enchia os destinatários de uma saudade boa e consolava-os da tristeza da vida anônima e solitária na cidade grande. Tinham um lugar livre de desgraças inesperadas pra onde podiam voltar um dia. Zefinha nunca mais teve remorsos pelas mentiras que inventava. As boas notícias brotavam-lhe fáceis e convincentes, na ponta da língua. [...] alegrou-se. Enxugou as mãos na barra da saia, abriu depressa o envelope e leu. Com as lágrimas enevoando a vista e uma mão invisível apertando-lhe a garganta implorou ao céu que alguém lhe fizesse a caridade de mentir. Que alguém mudasse as noticias tristes por uma noticia boa. Mas no sítio Assombro ninguém mais sabia ler nem mentir com arte. Extraído da obra Histórias daqui e d’acolá (Autêntica, 2012), da premiada escritora Maria Valéria Rezende.

UM POEMAConvém amar / O amor e a rosa / e a mim que sou / moça formosa / aos vossos olhos / e poderosa / porque vos amo / mais do que a mim. / Convém amar / ainda que seja / por um momento: / brisa leve a / princípio e seu / breve momento / também é jeito / de ser, do tempo. / Porque ai senhor / a vida é pouca: / um bater de asa / um só caminho / da minha à vossa / casa... / e depois, nada. Poema extraído da obra Trovas de muito amor para um amado senhor (Anhembi, 1960) da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004). Veja mais aqui.

A ARTE DE BRENO CESAR
Já divulguei aqui o curta A menina banda, dirigido, roteirizado e fotografado pelo cineasta Breno Cesar. Agora, destaco os filmes A luta do século (2016), Pingo D’Água (2014), Ferrolho (2012), Onde Borges tudo vê (2012), em que ele atuou como Diretor de Fotografia, e A Seita (2015), em que ele atuou como Diretor de Arte e de Fotografia. Todos imperdíveis. Veja mais aqui.

AGENDA
Palavra em movimento de Arnaldo Antunes – até 14 de outubro na Caixa Cultural – Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte de Arnaldo Antunes aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Fio do Tempo, da artista plástica Christina Machado.
Veja mais aqui.
&
Da vida e do viver entre noites e dias, Edward Bulwer-Lytton, Emílio Mira y López, Denise Legrix, John Palo, Wesley Duke Lee, Carl Orff, Chloë Hanslip, Nelson Freire, Mitsuko Uchida, Villa-Lobos & Debussy aqui.


terça-feira, agosto 07, 2018

HILDA HILST, TENNYSON, ADONIRAN, LOQMAN, BOURDIN & DYOGENES CHAVES


FARRA NO CEMITÉRIO – O Biriteiros Esporte Clube finalmente foi criado. Depois de muita remoeta por assembleias infindáveis, conseguiu-se quórum com todos os associados em pé e concordantes do número inicial de membros: vinte apreciadores rigorosamente testados como embeiçadores do aperitivo. Demorou um pouco, não só pelo número variado de espécies que vão desde a pura e simples pinga, a todo e qualquer tipo de raiz de pau, birita e pau de índio, principalmente a mais apreciada e principal culpada pelo constante adiamento, a teibei – essa, pra quem não sabe, quando o tomador não envulta por meses, fica pelo menos aluado e com o juízo tostado por uns quinze dias de efeito. Explicada a demora da fundação, era chegada a hora de eleger a mesa organizadora que o negócio foi levado a sério e como manda o figurino. A primeira entre as inúmeras exigências, estava a declaração assinada de próprio punho pelo cônjuge do cachaceiro, reconhecendo, autorizando e admitindo que o portador da carteirinha da agremiação, estava devidamente apto a tomar todas, ficar bicado e protegido juntamente com as crianças e os doidos por Deus – o que valeria dizer que nenhum deles seria jamais vítima de arengas, satisfações, corneamento, ou de ataques de caçaroladas, mão-de-pilão, vassouradas, ou outros indesejáveis artefatos que fossem capazes de denegrir a integridade física e moral do afiliado -, bem como não fazer cara feia ou reprovar o envolvimento dos portadores com saias e outras libidinosas conjugações – excetuando-se viadagem que estava terminantemente proibida sob pena de exclusão automática do quadro. Votada e aprovada, protestos emergiram pela discriminação contra solteiros e separados, o que valeu muita hora de quebra-de-braço e insatisfação até agora. Para tapear a celeuma, passaram para a segunda exigência, passar no teste da goma para reiterar a cláusula anterior e entrar no cemitério meia noite para encarar a Mulher da Sobrinha. Como nem todo mundo tinha as devidas pregas do procto no devido lugar –, na verdade, o problema era a aferição, ninguém enxergava direito de tão chumbado – resolveu-se, depois de todo mundo imprimir o bocal da quartinha na terra para conferência posterior, passar pra outra provando com a bunda cheia de terra, o que, na horagá, nem todos, aliás, nenhum deles tinha homência suficiente de encarar sozinho essa empreitada tétrica, decidindo-se unanimemente por uma farra no cemitério. Assim, tanto fechavam questão, como deixavam tudo preto no branco, já que não se podia mais recorrer da decisão, nem hoje nem nunca mais. Já se organizavam na porta, quando Afredo que era doido por carne de bode, foi excluído do clube, o que fez com que ele peiticasse com Mamão para se tornarem cheleleus da trupe. Amuado, só depois de muito puxencolhe é que Mamão aceitou. Então passaram a peruar o batalhão frouxo aparentemente destemido, oferecendo-se por cobaias na prova dos comes e bebes para que nenhum sofresse qualquer atentado. Por conta disso ambos angariavam alguns pedaços de bode, discutindo se era mesmo de qualidade, ou se era carneiro ou cabrito: só passava no teste aquela carne que mantivesse o gosto do mijo. Do contrário, era rejeitada: Bode guisado ou assado que se preze tem que ter gosto de carne mijada. Como não saciavam, Afredo atentou o juízo do Mamão a praticar pequenos furtos no açougue de seu Pulinha, um ancião bem mão de figa. Esperavam descuido ou saída do açogueiro e logo se apropriavam do que podiam: pedaços de costelas ou outras partes. Não dava pro consumo dos dois famintos. No dia da farra dos biriteitos, Mamão achou mole um bode estirado, sacudiu-lo na cacunda e saiu na maior carreira pro local acertado. Era meia noite em ponto quando todos os vinte associados presentes, todos torando o maior aço, esperavam pela Mulher da Sombrinha, fizeram uma invocação conjunta pela presença da dita dama do outro mundo e, justo nessa hora, Mamão sacudiu o bode sobre a mesa aos gritos pro Afredo: Corre que hoje vai ser a maior comilança! Não deu tempo nem dele terminar a frase, até ele mesmo partiu com mais de mil com a carreira dos outros, tudo de cabelo em pé e de pelos arrepiados do gogó, braços, pernas, sovacos e até os pentelhos da virilha, da bunda e do o osso do mucumbu. Não foi dessa vez o cumprimento da tarefa, havia de desafogar os temores, limpar a merdaria toda e marcar uma nova data para vigência total da sociedade. Passaram a exercitar a tripa gaitera para que ela não afrouxasse na hora do susto e, assim, garantirem tudo limpinho nos fundos da prova geral. Não é lá muito fácil, vai dias de treinamento para poder aprumarem a conversa direito. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico, cantor, compositor, humorista e ator Adoniran Barbosa (1910-1982): Se Assoprar posso acender de novo, com Elis Regina ao vivo, Quinteto Violado, Demônios da Garoa, Ney Matogrosso, Fernanda Takay, entre outros & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Dizia meu avô que quando você encontrar um louco, deixe-o, pois sua própria loucura vai levá-lo à destruição. [...] Cresci e aqueles malucos sumiram [...] Já não se distingue um doido autêntico no meio da multidão, como também não se faz mais “malucos doidos-varridos e lunáticos” como antigamente. A arte de repente ficou sã (e calva). Será? [...]. Trecho extraído da obra Ensaios sobre artes visuais na Paraíba 2005-2010 (2OV4, 2013), do artista visual, gravurista e designer Dyogenes Chaves Gomes.

CARÁTER DA CONTEMPORANEIDADE – [...] O mundo contemporâneo transformou em princípio de funcionamento o que não existia pouco: a diferenciação gratuita que não tem função (utilidade) nem sentido (valor simbólico) e se torna um valor em si, sem outra razão de ser. [...] O modelo urbano dominante repousa sobre uma diferenciação intensa, nas atividades, nos modos de vida, nas identidades, nas crenças, mas sem respeitar a lógica da complementaridade: ela repousa, sobretudo, na afirmação unilateral, na inovação, na gratuidade vibrante, uma espécie de “jogo do jogo” (para tomar a expressão de Jean Duvignaud). Tudo pode se tornar objeto de troca, exclusivamente monetária. A generalização das seguranças introduz a troca em todos os domínios: são definidos esses termos não mais a partir de uma realidade, de um objeto ou de um fato, mas de uma probabilidade, aquela da ocorrência de um acontecimento. [...]. Trechos extraídos da obra Du bom usage de la ville (Descartes & Cia, 2009), do sociólogo francês Alain Bourdin.

O VEADO ENFERMOUm veado adoeceu. Seus amigos vieram visita-lo e comeram toda a erva que havia perto da sua casa. Sarando, o veado procurou do que se alimentar, mas não achou nada, e morreu de fome. Mais se tem parentes e mais se tem inquietudes. Do fabulista persa de vida ignorada Loqman, o sábio.

DOIS POEMAS - FLOR NA MURALHA FENDIDA - Flor na muralha fendida, / eu colho-te das fendas, / seguro-te aqui, raiz e tudo, na minha mão, / pequena flor… mas se eu pudesse compreender / o que tu és, raiz e tudo, e tudo em tudo, / eu deveria saber o que Deus e o homem é. AS LÁGRIMAS DO CÉU - O Céu chora sobre a Terra toda a noite até de manhã, / na escuridão chora como todos os que se / envergonham de chorar; /porque a Terra tornou o seu estado lastimoso / com o mal que se infligiu em anos inumeráveis / e fez por colher o fruto da sua desonra. / E todo o dia o Céu recolhe as suas lágrimas / Para os seus próprios olhos azuis tão claros e profundos, / e chuviscando a glória do dia luminoso e leve / sorri na testa esgotada da terra para ganhá-la se ela quiser. Poemas do poeta britânico Alfred Tennyson (1809-1892). Veja mais aqui.

HILDA HILST PEDE CONTATO
Acaba de ser lançado o documentário sobre a poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004), Hilda Hilst pede contato, de Gabriela Greeb e no elento com Luciana Fomschke, Lygia Fagundes Telles, entre outras, reunindo arquivos pessoas, depoimentos, encontros e intervenções, além de revelar a memória e presença na Casa do Sol. Imperdível. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AGENDA
I Congresso Internacional de Direito Público dos Direitos Humanos e Políticas de Igualdade – dias 3 a 5 setembro, Rua Sá e Albuquerque, 367 - A, Jaraguá, Maceió – AL & muito mais na Agenda aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista visual e fotógrafo francês Guy Bourdin (1928-1991).
Veja mais aqui.
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Paulo Profeta: 40 anos de teimosia pela arte, o pensamento de Josué de Castro, Boaventura de Sousa Santos & Muniz Sodré, a literatura de Lou Andreas-Salomé & a poesia de Sylvia Beltrão aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...