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sexta-feira, fevereiro 08, 2019

HILDA HILST, CLIFFORD GEERTZ, CAMILA DO ROSÁRIO & A BARRAGEM AMEAÇA O POVO NA PRAÇA


A BARRAGEM AMEAÇA O POVO NA PRAÇA - O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira, a barragem ameaçando esborrar cheia de vazamentos por todos os lados, coisas de tragédia que o Brasil tem demais de anunciada, só de fechar a porta depois que não tem mais jeito e tudo está feito pela desgraça e o que é que se pode fazer diante de uma situação dessas, porque é problema dos outros e cada um que se defenda como puder, ah, que a coisa está feia e vai piorar na torcida da calamidade, bate boca e tralalá. O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira, Sol de verão depois duns dias de chuvada torrencial, alagando tudo de ficar quase intransitável, mas não é nada demais, uma cheia a mais ou a menos, tanto faz, tanto fez, quantas não e já quase acabaram com tudo e ninguém morreu, até agora, todos salvos pela graça de Deus, oxalá. Agora quem alagava a Praça era o povo de Serro Azul, cartazes e indignação, o medo da inundação e de morrer escorregando o aguaceiro para se enterrar no mar. O povo de Serro Azul estava na Praça e era dia de feira (Ninguém ria com Toínho DuRego porque não eram as umbigadas de Genival Lacerda nem as trelas e loas do Forró Povão, era sério, na vera, olho no olho) e nas lojas e supermercados e farmácias e ambulantes, o formigueiro de gente nem aí, era só o povo de Serro Azul com medo da morte e ninguém tomava pé da situação, coisa deles lá, não daqui, porque pros daqui importava comprar o queima de preços do comércio, a urgência dos negócios, o expediente bancário, os compromissos inadiáveis e emergenciais do dinheiro no bolso, o suor pingando do trampo e a vida é difícil para viver e tem que correr atrás porque a barragem só ameaça Serro Azul e quando romper e a inundação chegar invadindo tudo, aí se resolve na horagá porque é cada um por si, ninguém é de ninguém e salve-se quem puder. O povo de Serro Azul estava na praça, desamparado e deprimido, quem quer saber disso, ora, era só gente daquele povoado à beira do abismo na praça central e que só é daqui porque é distrito de um fogo morto que só se quer saber da bica ou do nome da estrada quando se vai pra Catuama dar adeus a quem foi dos daqui apagado pela morte, sepultado pelo esquecimento depois do chororô e das lembranças no dia de finados, oh, xô pra lá. O povo de Serro Azul estava na praça e voltou para casa do mesmo jeito que chegou: como se os daqui estivessem dormindo noite alta, rompesse a barragem e a água afogasse todos os dorminhocos para que sequer vissem o povo de Serro Azul temendo o pior, uma cidade alvoroçada de fantasmas que zanzavam como se nada tivesse acontecido, quiçá. O povo de Serro Azul estava na praça e voltou para casa do mesmo jeito que chegou: com a dor de estarem todos ali, esquecidos sem nenhuma solidariedade, voltaram à beira da barragem que ameaça romper, Deus dará. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] A análise da cultura se reduz aqui, portanto, não a um ataque heróico e "sagrado" às "configurações básicas da cultura", a uma "ordem das ordens" exageradamente dolorosa, a partir da qual se pode ver configurações mais limitadas como meras deduções, mas a uma pesquisa dos símbolos significantes, feixes de símbolos significantes e feixes de feixes de símbolos significantes — os veículos materiais da percepção, da emoção e da compreensão — e a afirmação das regularidades subjacentes da experiência humana implícitas em sua formação. Uma teoria da cultura plausível só pode ser alcançada, se um dia o for, construindo a partir dos modos de pensamento diretamente observáveis, primeiro para determinar as famílias desses modos de pensamento, prosseguindo depois para sistemas "polvóides" desses modos de pensamento, mas variáveis, menos estreitamente coerentes, porém ordenados, não obstante, confluências de integrações parciais, de incongruências parciais e de independências parciais.A cultura também se movimenta como um polvo — não ao mesmo tempo, como uma sinergia de partes perfeitamente coordenadas, como uma compulsão maciça de todo, mas através de movimentos desarticulados desta parte, depois daquela, e depois ainda da outra, que de alguma forma se acumulam para uma mudança direcional. Deixando de lado os cefalópodes — onde surgirão os primeiros impulsos para uma progressão numa determinada cultura, de que forma e em que grau eles se espalharão através do sistema, tudo isso ainda é altamente imprevisível, se não totalmente, no atual estágio do nosso entendimento. Entretanto, não parece ser uma suposição irracional dizer que, quando tais impulsos surgirem em alguma parte do sistema intimamente interligada e socialmente consequente, sua força impulsionadora será certamente bastante elevada. [...] Da mesma forma que nos exercícios familiares de leitura atenta, pode-se começar em qualquer lugar, num repertório de formas de uma cultura, e terminar em qualquer outro lugar. Pode-se permanecer, como eu, numa única forma, mais ou menos limitada, e circular em torno dela de maneira estável. Pode-se movimentar por entre as formas em busca de unidades maiores ou contrastes informativos. Pode-se até comparar formas de diferentes culturas a fim de definir-lhes o caráter para um auxílio mútuo. Entretanto, qualquer que seja o nível em que se atua, e por mais intrincado que seja, o princípio orientador é o mesmo: as sociedades, como as vidas, contêm suas próprias interpretações. É preciso apenas descobrir o acesso a elas.
Trechos extraídos da obra A interpretação das culturas (LTC, 2008), do antropólogo e professor estadunidense Clifford Geertz. Veja mais aqui.

CANTARES DE HILDA HILST
I - Que este amor não me cegue nem me siga. / E de mim mesma nunca se aperceba. / Que me exclua do estar sendo perseguida / E do tormento / De só por ele me saber estar sendo. / Que o olhar não se perca nas tulipas / Pois formas tão perfeitas de beleza / Vêm do fulgor das trevas. / E o meu Senhor habita o rutilante escuro / De um suposto de heras em alto muro. / Que este amor só me faça descontente / E farta de fadigas. E de fragilidades tantas / Eu me faça pequena. E diminuta e tenra / Como só soem ser aranhas e formigas. / Que este amor só me veja de partida.
II - E só me veja / No não merecimento das conquistas. / De pé. Nas plataformas, nas escadas / Ou através de umas janelas baças: / Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias. / E só me veja no não merecimento e interdita: / Papéis, valises, tomos, sobretudos / Eu-alguém travestida de luto. (E um olhar / de púrpura e desgosto, vendo através de mim / navios e dorsos). / Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes. / Mas sobre mim, intensas, ilhargas juvenis / Machucadas de gozo. / E que jamais perceba o rocio da chama: / Este molhado fulgor sobre o meu rosto.
Poemas dos Cantares do sem nome e de partidas, extraído da obra Cantares (Globo, 2004), da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista e ilustradora Camila do Rosário que explora temáticas regionais, folclóricas e fantásticas como forma de representação de questões e reflexões do feminino e do corpo como discurso poético. Veja mais aquiaqui.
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quinta-feira, março 07, 2013

GARAUDY, TOLSTOI, DELEUZE & GUATTARI, CLIFFORD GEERTZ, JAMES HUNTER, NEUROPSICOLOGIA, RESSOCIALIZAÇÃO & EDUCAÇÃO


O MONGE E O EXECUTIVO, DE JAMES HUNTER – Traçando uma linha articulada com o paradigma contemporâneo da administração, James C. Hunter, em seu livro “O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança”, aborda de forma clara, abalizada e envolvente uma série de conceitos e princípios reveladores para uma melhor apreensão do tema liderança na atual expressão organizacional, através da autoridade com amor, dedicação e sacrifício.
O autor, por ser um experimentado consultor de relações de trabalho e treinamento, é sempre solicitado como instrutor e palestrante, para abordar áreas atinentes à liderança funcional e organizacional. E a prova disso está na divisão dos sete capítulos, onde ele a partir de um prólogo vai se assentando metodicamente por meio de definições, avaliação do velho paradigma, análise do modelo, expressão do verbo, identificação do ambiente, até chegar na escola e na recompensa, arrematando tudo num epílogo assaz revelador. Para que isso ocorra, o autor faz uso de um personagem que se encontra num patamar do sucesso profissional, no entanto, mergulhado em conflitos, tanto profissionais, quanto familiar e em sua própria vida.
O protagonista vendo-se numa situação de certa estabilidade na vida, se vê diante de insatisfações que colocam em risco suas relações profissionais, familiares e na sua própria existência. Por essa razão, decide participar de um seminário numa instituição religiosa, onde se vê reunido com outras pessoas participantes, coordenados por um então frade que ganhara notoriedade e renome no mundo dos negócios. E tudo se passa como num retiro espiritual, onde todos são levados à reflexão para avaliar a prática de cada um mediante o formato ideal de condução da liderança na contemporaneidade.
As idéias da obra se articulam com as mudanças ocorridas no processo administrativo e organizacional, ocorridas nos últimos anos, onde a mutabilidade, a globalização, a emergência tecnológica e as necessidades de novos posicionamentos competitivos e concorrenciais, levam o complexo organizacional a assumir posturas flexíveis, orgânicas e participativas, dentro de um processo de horizontalização das relações para melhor eficiência e eficácia no atingimento de metas e objetivos empresariais.
No prólogo da obra, o autor localiza o protagonista que, apesar de se encontrar numa situação de estabilidade financeira, revela-se insatisfeito e num clima de conflito profissional e familiar, o que leva a ceder à sugestão de fazer um seminário para reciclar sua conduta perante subordinados, superiores, familiares e na própria vida.
No capítulo primeiro, evidencia-se o encontro do protagonista com demais participantes do seminário, tendo, por base, a discussão acerca da liderança por meio de avaliações acerca do poder e da autoridade sob o velho e o novo paradigma. Nesta parte, encontra-se o conceito de liderança a partir de que esta, conforme Hunter (2004, p. 25), é “(...) a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”. Tal conceito é enfrentado ao de poder, como força coativa, ao de autoridade, como habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade, sob o uso da influência pessoal, esta última a partir do entendimento de que deve funcionar a partir da honestidade, confiabilidade, bom exemplo, cuidado, compromisso, saber ouvir, conquistar a confiança dos outros, tratar respeitosamente a todos, encorajar mantendo uma atitude positiva gostando das pessoas, traçando-se, assim, o perfil ideal do líder.
No segundo capítulo, sob o título de “O velho paradigma”, observa-se de que forma há o confronto do formato tradicional com o modelo paradigmático adotado atualmente, reposicionando a conduta de foco no cliente, tendo em vista que este assume a importância máxima de toda organização. E, a partir desse reposicionamento, trata da hierarquia das necessidades humanas, propostas por Maslow, no sentido de que a observância dessas necessidades, levam a um melhor posicionamento ao atender visando a satisfação da clientela. Nessa condução, o terceiro capítulo se direciona para “O modelo”, quando se aborda a liderança a partir do conceito de autoridade, levada pelo serviço e sacrifício, amor e vontade, tudo visando uma relação harmoniosa entre o líder, os colaboradores, a direção e a clientela.
No quarto capítulo, “O verbo”, direciona a narrativa para uma abordagem acerca da liderança e autoridade, discutindo o amor e os seus sentidos adotados pela cultura grega, chegando-se a um perfil que passa pela honestidade, confiança, cuidado, comprometimento, interação, tratamento, incentivo e dedicação.
Já no quinto capítulo, entra uma abordagem acerca do “Ambiente”, trazendo a heterogeneidade de conflitos entre as relações e realizações internas da organização, considerando as posturas e modelos já abordados anteriormente, para uma atuação cônscia que seja capaz de decodificar a realidade interna com uma participação capaz de remodelar e renovação o ambiente organizacional.
No sexto capítulo, este trata “A escolha”, onde cada participante do seminário é levado a refletir sobre a realidade do universo organizacional, debatendo-se os estágios que vão desde o inconsciente sem habilidade, passando pelo consciente ainda sem habilidade, chegando ao consciente e habilidoso, até o inconsciente e habilidoso, onde fica claro que nas mudanças de comportamento, a persistência e a dedicação formam uma inconsciência que prepondera sobre os hábitos e costumes, revelando a naturalidade que se alcança na determinação de mudanças.  Isto quer dizer, que na mudança de relação do formato tradicional para a adequação contemporânea, a persistência e dedicação tornam naturais o que antes seria impossível de adoção.
No sétimo capítulo, vem “A recompensa”, onde o autor discorre da satisfação pela adoção de novas condutas na relação organizacional, profissional e familiar, considerando que a necessidade da mudança de hábito e comportamentos individuais, contribuem para a harmonização das relações e satisfação pessoal dos que se propõem a tal.
Por fim, no epílogo da obra, o autor mostra a satisfação do protagonista, bem como da dos participantes do seminário procedendo uma proposta de mudança dos comportamentos.
O que deixa de revelador em toda obra é, inicialmente, a necessidade de treinamento e capacitação das pessoas de forma contínua, qualificando cada vez mais o participante e antenando este às mudanças e emergências do presente. Uma outra reveladora proposta da obra está em rediscutir, a partir do paradigma tradicional, todas as posturas e comportamentos, para, nessa revisão, haver a possibilidade de adoção de atitudes, hábitos e comportamentos que sejam articulados com a horizontalização, com o respeito, a solidariedade, a alteridade e a satisfação individual e coletiva. O perfil traçado pelo autor traz uma articulação do indivíduo com o seu meio, na necessidade de agir cônscio de sua participação na coletividade, onde, de forma cônscia, possa criativa e inovadoramente possibilitar harmonia e compreensão num ambiente de contínuo conflito. Revelador em sua integral expressão, a obra traz em si, a grande mensagem de que o homem, a partir de si, da análise de sua própria formação, da avaliação de si e do meio em que divide sua existência, pode possibilitar harmonia e compreensão onde tudo pode parecer discórdia e conflito. Como o ambiente organizacional é turbulento por fatores externos e internos, precisa-se evidenciar a necessidade da consciência harmônica e compreensiva, para que se possa, eficiente e eficazmente, alcançar metas e objetivos.
FONTE: 
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.


DITOS & DESDITOSO amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só. O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar. Cada um viveu tanto, quanto amou. Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. Na vida só há um modo de ser feliz: viver para os outros. O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal. O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo. A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira. O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo. A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois. Pensamento do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Veja mais aqui.

MIL PLATÔS – [,,,] Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo "ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e..." Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio. [...]. Trechos extraídos da obra Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1, 34, 1995), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui.

INTERPERTRAÇÃO DAS CULTURAS – [...] Não estamos cercados (é verdade, não estamos cercados) nem por marcianos, nem por edições humanas menos favorecidas que as nossas; uma proposição que faz sentido seja qual for a“nossa” origem –a de etnógrafos, juízes marroquinos, metafísicos javaneses ou dançarinos balineses.Ver-nos como os outros nos vêem pode ser bastante esclarecedor. Acreditar que outros possuem a mesma natureza que nós possuímos é o mínimo que se espera de uma pessoa decente. A larguesa de espírito, no entanto, sem a qual a objetividade é nada mais que autocongratulação, e a tolerância apenas hipocrisia, surge através de uma conquista muito mais difícil: a de ver-nos, entre outros, como apenas mais um exemplo da forma que a vida humana adotou em um determinado lugar, um caso entre casos, um mundo entre mundos. [...]. Trecho extraído da obra A interpretação das culturas (Zahar, 1978), do antropólogo estadunidense Clifford Geertz (1926-2006).

O AMOR - O amor é a prova da existência de outos e da existência deste mundo soberanamente real: o futuro que, sozinho, dá sentido ao presente. Amar um homem ou uma mulher é descobrir uma dimensão nova da vida, um novo e imprevisível futuro. O amor, como a prece, é para ser despertado, preparado para a oferenda, como aberto ao acolhimento. Este amor total não separa o corpo e a alma, que são apenas duas abstrações, dois ângulos de tomada de vista sobre uma realidade única. O amor começa quando preferimos o outro a nós mesmo, quando aceitamos a diferença e a sua imprescritível liberdade. Ser capaz de acolher no outro aquilo mesmo que desperta o ciúme animal, que é sinal de amor próprio e não de amor. Nada é maior que essa partilha da verdadeira personalidade de cada um. Um amor que não seja essa criação continuada de um pelo outro, mesmo ao preço dos dilaceramentos trágicos, é o contrário do amor. Quem não estiver preparado para enfrentar tudo isso não é digno do amor. A poesia e o amor são, com efeito, as formas mais imediatamente apreensíveis da transcendência do ser [...]. Trecho extraído da obra Palavra de homem (Difel, 1975), do filósofo francês Roger Garaudy (1913-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.


NEUROPSICOLOGIA – O livro Neuropsicologia hoje (Artmed, 2004), organizado por Vivian Maria Andrade, Flávia Hekoísa dos Santos e Orlando Francisco Amodeo Bueno, trata de conceitos gerais de neuropsicologia, aspectos instrumentais e metodológicos da avaliação, bases estruturais do sistema nervoso, inteligência, atenção, neurobiologia da atenção visual, funções executivas, memória e amnésia, neuropsicologia da linguagem, neuropsicologia do desenvolvimento, memória operacional e estratégias de memória, avaliação neuropsicológica infantil, reabilitação cognitiva-pediátrica, epilepsia, avaliação neuropsicológica em traumatismo e em lesão, aspectos cognitivos da esclerose múltipla, modelo de atendimento interdisciplinar em esclore múltipla, doença de Parkinson, aspectos neuropsicológicos associados ao uso de cocaína, envelhecimento e memória, avaliação e reabilitação neuropsicológica no idoso, redução da assimetria hemisférica em adultos velhos, o modelo Harold, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.

RESSOCIALIZAÇÃO PENAL – Tratar da temática da ressocialização penal em um trabalho acadêmico, requer inicialmente uma abordagem história e fundamentação conceitual acerca das penas, suas finalidades e os sistemas prisionais. Em seguida, abordar a fundamentação conceitual acerfca da ressocialização, destacando-se o direito dos presos. Por fim, será de bom alvitre a realização de um estudo de caso que envolva instituição prisional ou núcleo ressoalizador para se buscar a realidade encontrada. Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL – O livro Psicologia escolar e educacional: saúde e qualidade de vida (Alínea, 2008), organizado por Zilda Aparecida Pereira Del Prette, aborda temas como a teoria, a pesquisa e a pratica na interface psicologia-educação, saúde psicológica, sucesso escolar e eficácia da escola, desafios do novo milênio para a psicologia escolar, o psicólogo escolar e os impasses da educação, implicações das teorias na atuação profissional, a prática em questão, para além dos objetvos e prática tradicionais da escola, o desafio dos excluídos, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.


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segunda-feira, julho 21, 2008

STEVENSON, WOODY ALLEN, ROGERS, CLIFFORD GEERTZ, EDUCAÇÃO, VOYEURISMO & ZÉ BILOLA



DITOS & DESDITOSQue mundo! Poderia ser maravilhoso se não fossem as pessoas. Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher. O homem explora o homem e por vezes é o contrário. Os seres humanos são divididos em mente e corpo. A mente abraça todas as nossas aspirações nobres, como a poesia e a filosofia, mas o corpo é que tem todo o divertimento. Você pode viver até os cem anos se abandonar todas as coisas que fazem com que você queira viver até os cem anos. Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido. Talvez os poetas estejam certos. Talvez o amor seja a única resposta. Interessa-me o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto de minha vida. A liberdade é o oxigênio da alma. Não quero atingir a imortalidade com meu trabalho, mas sim não morrendo. Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer. O meu único arrependimento na vida é de não ser outra pessoa. Pensamento do cineasta estadunidense Woody Allen. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: A época mais obscura é hoje. A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação. Temos tanta pressa de fazer algo, escrever, amontoar bens e deixar ouvir a nossa voz no silêncio enganador da eternidade que esquecemos a única coisa em relação à qual as outras não são mais do que meras partes: viver. Devoção perpétua ao que o homem chama de seu negócio, somente é mantida pela perpétua negligência de muitas outras coisas. Todas as pessoas que chegaram onde estão tiveram que começar por onde estavam. Guarde seus medos para si mesmo; com os outros, compartilhe a coragem. Se os teus princípios morais te deixam triste, podes estar certo de que estão errados. Não julgue cada dia pela colheita que você obtém, mas pelas sementes que você planta. As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio. Um objetivo na vida é a única fortuna valiosa que se encontra; não se deve procurá-lo em terras estranhas, mas dentro do coração. Nenhuma oração é em vão; o pedido pode ser recusado, mas acredito que quem o fez sempre será recompensado com uma graça. O homem que venceu na vida é aquele que viveu bem, riu muitas vezes e amou muito. A marca de uma boa ação é que, retrospectivamente, parece inevitável. Nenhum homem é inútil enquanto ele tem um amigo. Os amigos são presentes que damos a nós mesmos. Ter muitas aspirações é ser espiritualmente rico. Não há dever que subestimemos mais do que o dever de ser feliz. Sermos o que somos e tornar-nos o que somos capazes de ser é a única finalidade da vida. Pensamento do escritor humanista escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894). Veja mais aqui.


INTERPRETAÇÃO DAS CULTURAS – [...] Não estamos cercados (é verdade, não estamos cercados) nem por marcianos, nem por edições humanas menos favorecidas que as nossas; uma proposição que faz sentido seja qual for a“nossa” origem –a de etnógrafos, juízes marroquinos, metafísicos javaneses ou dançarinos balineses.Ver-nos como os outros nos vêem pode ser bastante esclarecedor. Acreditar que outros possuem a mesma natureza que nós possuímos é o mínimo que se espera de uma pessoa decente. A larguesa de espírito, no entanto, sem a qual a objetividade é nada mais que autocongratulação, e a tolerância apenas hipocrisia, surge através de uma conquista muito mais difícil: a de ver-nos, entre outros, como apenas mais um exemplo da forma que a vida humana adotou em um determinado lugar, um caso entre casos, um mundo entre mundos. [...]. Trecho extraído da obra A interpretação das culturas (Zahar, 1978), do antropólogo e professor estadunidense Clifford Geertz. Veja mais aqui.


RACIONALIDADE HUMANA - [...] Sinto pouca simpatia pela ideia bastante generalizada de que o homem é fundamentalmente irracional e que os seus impulsos, quando não controlados, levam à destruição de si e dos outros. O comportamento humano é extremamente racional, evoluindo com uma complexidade sutil e ordenada para os objetivos que o seu organismo se esforça por atingir. A tragédia, para muitos de nós, deriva do fato de as nossas defesas nos impedirem de surpreender essa racionalidade, de modo que estamos conscientemente a caminhar numa direção, quando organicamente seguimos outra. [...]. Trecho extraído da obra Liberdade para aprender (Interlivros, 1973), do psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & POLÍTICA - A educação é política. [...] No espírito dos fundadores da escola laica, laicidade não significa, portanto, neutralidade política. A escola laica se quer fundamentalmente republicana, em oposição às opções monárquicas da escola católica. Ela associa o engajamento republicano à recusa de toda intervenção nas querelas partidárias e eleitorais. Reivindicar a laicidade para apresentar a neutralidade política como fundamento da escola é esquecer a origem dessa escola. Ela só é neutra no quadro de uma concordância prévia a respeito de sua vocação republicana. [...] Tudo é política, pois a política constitui uma certa forma de totalização do conjunto das experiências vividas numa sociedade determinada. Eleições, uma greve, a aposta em corrida de cavalos, a seca, um jogo de futebol, uma bofetada, etc., todos esses acontecimentos tem uma significação política. [...] A saturação em política e as modalidades de politização, apesar de todos, direta ou indiretamente, terem implicações políticas. Não basta portanto afirmar que a educação é política. O verdadeiro problema é saber em que ela é política. [...]. Trechos extraídos da obra A mistificação pedagógica: realidades sociais e processos ideológicos na teoria da educação (Guanabara, 1986), do professor e filósofo da educação francês Bernard Charlot.

VOYEURISMO – Voyeurismo é o gesto de alguém excitar-se e sentir prazer em observar a nudez ou vislumbrar partes íntimas de outras pessoas. Trata-se de uma excitação natural para o voyeur, pela compulsão de sempre estar buscando olhar ou descobrir formas de ver um pouco da intimidade do corpo do outro. É uma fixação nesta prática, na qual perde o controle, programa-se para observar cenas sexuais e estar sempre se esforçando nesse sentido. O olhar pode ser discreto, escondido ou aberto, sem preocupar-se com que seu alvo esteja percebendo. A atração excessiva em olhar pode ser por fotografias, filmes, utilizando lentes para observação a distância, ou diretamente a olho nu, concentrando o olhar para determinadas partes do corpo, para a própria nudez ou atos sexuais. A ansiedade para olhar pode vir associada à pratica de masturbação. O adolescente de modo natural passa pela fase de sentir prazer em olhar cenas sexuais ou de nudez, porém é uma fase passageira que não caracteriza voyeurismo.

ZÉ BILOLA ACENDE O FACHO & TOMA NA TARRAQUETA
Com a tuia de cassações – a Justiça tarda, se vende, rasteja, queima o filme, mas num falha – e a eleição duma vereadora de Anadia, em Alagoas, com apenas 1 voto, oxente, o Zé Bilola tomou ânimo na campanha e agora engole uma corda da porra! Abriu o zoadeiro da campanha política e ele agora faz comício relâmpago em tudo que é canto, encampando as idéias do candidato Doro e das orientações insofismáveis do Padre Bidião.
Desta feita, Zé Bilola achou de arrotar imbróglios despauterados sacudidos ao léu, quando arreou a lenha num tanto de coisas que ao mesmo tempo elogiava, dando curvas na idéia dos 3 gatos pingados que escutavam sua loucura ideológica, quando achou por bem de nem sei quem, meter o bedelho inflamado num agiotão poderoso que andava querendo ser candidato a prefeito. Não deu outra. Uns 3 mal-encarados suspenderam suas vociferações, carregado o maluvido pelos cós da calça, pelas orelhas e pentelhos, até dar numa viela escura e malsinada.
Foi lá que os 3 parrudos arrearam as calças e mandaram que ele ficasse de 4.
Õxe, Zé esperneou, jurou por todos os santos a sua homência e que não abria o catimbofá dele para seu ninguém. Vixe!
Como ele não ia por bem, foi por mal. Os caras pegaram-no, botaram ele de cabeça pra baixo e arrancaram as calças dele. Quando estavam removendo a cueca encardida, subiu um fedor de bosta inaguentável.
- Eita cu fedorento!
Os recalcitrantes taparam as ventas e perguntaram o que era aquilo:
- A-rá! Ninguém come meu quiba não, viu? Eu nem lavo direito já me prevenindo disso! Sou macho e num abro pra seu ninguém. Quero ver quem tem coragem de encarar meu cu catingoso. Duvido!
Aí, os caras resolveram encarar a fedorência do intrépido assim mesmo: na marra. E quando foi na hora de enfiar a arupema da rudia no oiti-goroba dele, o cabra afrouxou-se todo e soltou um peido antigo daqueles de décadas passadas, a ponto de incensar tudo uns 4 quarteirões de dimensão. Vôte! Resultado: caíram desmaiados. Zé Bilola então se aproveitou e partiu com mais de mil e as calças nas mãos.

CURRICULUM PODRE: MAIOR FICHA SUJA!!!!!
Gente, essa eu não entendo não. Estão falando aí que andam cassando um bocado de político. Verdade. Os puladores de cerca, os traidores, os caboetas e os trambiqueiros, esses tomaram no papeiro e estão a ver navios. Mas num tô sabendo de nenhuma cassação por ficha suja. Alguém já viu? Além do mais, tô vendo candidato aí que tem uns 10 mil quilômetros de curriculum podre devendo até a alma à justiça e anda na maior gritando suas sandices nos carros-de-som e comícios sacais por ai. Pode? Vixe! Onde é que anda a justiça, hem?



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Miolo de pote: na volta da Teibei, filosofia de boteco aqui.
Antecipação da tutela aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: a arte do pintor e artista gráfico britânico Allen Jones.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...