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terça-feira, agosto 29, 2017

LEWIS CARROLL, ROGERS, DEJOURS, CESAR LEAL, ANSIEDADE, GINÁSIO MUNICIPAL, CIDADANIA & MOBILIDADE URBANA

O BRASIL ÀS AVESSAS NA HORA DA CRISE - Quando alguém me pergunta sobre o Brasil, a primeira imagem que me aparece no quengo é aquela do indivíduo cabeça de fósforo, bicudo de endinheirado, entrando numa daquelas lojas de magazine do tipo hipermercado, pegando um velocípede embaixo do sovaco, uma vassoura e um rodo pruma faxina de limpeza das brabas nas intimidades do recinto domiciliar, uma lata de queijo do reino, uma caçamba de ovos e um botijão de vinho pra comemoração inusitada e, no caixa, mandando fazer um embrulho só pra presente prele mesmo, ora! Isso porque ele presenciou o discurso de uma daquelas raposas vetustas dos políticos profissionais que há mais de 50 anos mamam nas tetas dos municípios e da capital estadual, ao assumir uma das secretarias berrando aos microfones & alto-falantes: - Nos últimos 50 anos este estado sucumbiu às más gestões e à corrupção de políticos incompetentes. A partir de agora, todos verão, assume quem vai fazer deste estado o mais promissor da nação! Tenho dito! Aí, nessa hora, grita um gaiato da plateia: - Ô, meu, onde é que tu tava esses anos todos, hem? Tuf! Um tiro no próprio pé. Mais feliz ainda com o anúncio do Ministério da Educação de que ninguém precisa mais estudar! Nunca vi tanta gente impando de satisfação, ainda ontem eu vi um dizendo: - Eu mesmo, se soubesse quem inventou estudo, mandava matar! Afora ser este país o último dos últimos: o último a abolir a escravatura (e de quê jeito, hem?), o último a ficar independente, a se tornar República (e que ré-pública!), só não é o pior em Educação porque ainda restam o Haiti, Ruanda e Porto Príncipe, salvou-se da lanterninha. Ah, mas aqui é o país do deixa pra lá ou, se tem que tomar providência que seja pra amanhã, que hoje não dá! Está precisando? Vá ver se estou na esquina! Pois é, quem sabe, de Brasil em Brasil a gente um dia faça um que preste, um que saiba porque a gente escreve com “S”, enquanto o mundo todo só sabe com “Z”, e que mostre pra gente como é que tudo foi de verdade! Porque o de agora, ah, não, parece que se a gente deu uns dois ou três passos com um pinote pra frente, de um dia desses pra cá deu uns trocentos pra trás, isso sem falar do cai-cai, do se segura que lá vem queda, do balança quase cai, afora as prioridades mais duvidosas que ninguém sabe se é enredo pros Irmãos Metralhas ou pro Ali Babá com seus mais de quatrocentos e tantos ladrões. Entre gatunildos e ladronaldos, salva-se quem? O que é certo é que tem muita gente que ainda não entendeu a fita, só se perguntando: - O que é que tá havendo, hem? Como é mesmo? Sei que já tem gente pedindo penico, outros tantos pedindo parada pra descer. Onde vai parar, ninguém sabe. A sensação que fica é que a coisa vai desgovernada, só esperando o desmantelo! Já que vai rachado no meio, um rachão a mais só aumenta a corda de guaiamum, mais nada, rachado por um, rachado por mil. E tome bola pra frente que o campeonato é só no tapetão e, por favor, que não venha alemão passear na nossa frente que agora aqui tudo é perna-de-pau, avisei! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

GINÁSIO MUNICIPAL DOS PALMARES
[...] Naqueles tempos, no currículo existia a música como disciplina obrigatória. O Ginásio teve mais de um professor de música. A professora Celecina, o professor José da Justa e outros. Quando comecei a ensinar, tínhamos como professor José da Justa. Além da cadeira de música ele criou um orfeão. Foi muito importante para p Ginásio o orfeão de José da Justa. Mais de uma vez exibiu-se em festas religiosas e cívicas, não somente em Palmares, como em outras cidades vizinhas. Claro que sempre alcançou nota dez. atualmente estamos procurando reviver o orfeão. Não sei se é coral ou orfeão a designação atual. Sei que contamos com o velho mestre  José da Justa, gerou da campanha da Princesa e do atinado piston que toca como gente grande. Ao alinhavarmos a vida do Ginásio temos que relatar fatos deploráveis e fatos mais ou menos jocosos. O que não podemos é omiti-los sob pena de prejudicar a verdade. [...].
Trecho do livro Contribuição à história do Ginásio Municipal dos Palmares, do Professor Brivaldo Leão de Almeida, lançado pela Prefeitura dos Palmares, em 1992. Veja mais aqui e aqui.

A AMPLITUDE DA REEDUCAÇÃOÀ medida que o cliente ganha a consciência e a autocompreensão, dá-se uma alteração nítida do caráter da relação terapêutica. O cliente fica sob menos tensão. Aborda com mais confiança os seus problemas. Tenta com menos freqüência pôr-se na dependência do psicólogo e mostra que trabalha melhor com ele. A relação torna-se mais genuinamente cooperadora e em que ambos, consultor e cliente, analisam os próximos passos a dar no sentido da maior independência do segundo. Como o cliente desenvolveu a capacidade de se acietar como é, tem uma atitude menos defensiva e é capz de apreciar de forma mais construtiva as sugestões e os conselhos, embora seja duvidoso que se ganhe muito fazendo-lhe sugestões, mesmo nesta fase do tratamento. O cliente tem, não raramente, necessidade de informação que o ajude a atingir os seus novos objetivos e o psicólogo está apto a fornecer-lhe esse conhecimento ou pode-se indicar outras fontes a que se dirigir. [...]. Trechos extraídos da obra Psicoterapia e consulta psicológica (Martins Fontes, 1987), , do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIDADANIA & MOBILIDADE URBANAA primeira atitude a ser tomada em respeito à cidadania é analisar como ocorre a mobilidade de sua cidade ou no seu bairro. Isto permitirá que você comece a avaliar não apenas o comportamento das outras pessoas mas também o seu comportamento no trânsito. A partir deste conhecimento inicial você poderá rever o que acontece hoje e reorganizar a sua participação no trânsito, de forma a torná-la mais “cidadã”. [...] Você vai se surpreender ao constatar que é possível alterar seus hábitos com pouco de esforço e desta forma contribuir para um trânsito mais seguro e ambientalmente saudável. [...]. Trechos extraídos da obra Mobilidade urbana e cidadania (Senac, 2012) do sociologo e engenheiro civil doutor em Políticas Públicas, Eduardo Alcântara Vasconcellos. Veja mais aqui.

O PAÍS DAS MARAVILHAS DE ALICE - [...] ela imaginou como aquela sua irmãzinha pequena, em algum tempo, ia se transformar em mulher feita. E como ela guardaria, nos anos maduros, o coração simples e amoroso de sua infância. E como reuniria em volta de si outras crianças, seus filhos, e faria seus olhinhos ficarem brilhantes e curiosos, com muitas histórias estranhas, talvez mesmo o sonho que tivera com o País das Maravilhas muito tempo antes. E como ela sentiria todas as tristezas simples que eles sentissem e teria prazer com todas as suas alegrias singelas, lembrando sua própria vida de criança e os dias felizes de verão. Trecho extraído da obra Alice no País das Maravilhas (Ática, 1989), do escritor, desenhista, fotografo e matemático Lewis Carroll (1832-1898). Veja mais aqui e aqui.

A LOUCURA DO TRABALHO - [...] a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do trabalho que os ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-la mais conforme às suas necessidades fisiológicas e a seus desejos psicológicos – isso é, quando a relação homem-trabalho é bloqueada. [...] O trabalho repetitivo cria a insatisfação, cujas consequências não se limitam a um desgosto particular. Ela é de certa forma uma porta de entrada para a doença, e uma encruzilhada que se abre para as descompensações mentais ou doenças somáticas, em virtude de regras que foram, em grande parte, elucidadas. [...] Considerando o lugar dedicado ao trabalho na existência, a questão é saber que tipo de homens a sociedade fabrica através da organização do trabalho. Entretanto, o problema não é, absolutamente, criar novos homens, mas encontrar soluções que permitiriam pôr fim à desestruturação de um certo número deles pelo trabalho. Trechos extraídos da obra A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho (Cortez/Oloré, 1987), do psiquiatra e psicanalista francês especialista em medicina do trabalho, Christophe Dejours. Veja mais aqui.

ANSIEDADE & OS DIAS DE HOJE - [...] Todas as ansiedades que atribulam a vida do ser humano, em geral, são aquelas que podem ser atribuídas ao fracasso da pessoa em estar certa de algum, valor que perdurará, a despeito do que mais possa acontecer. As incertezas, medos, preocupações, superstições e outros problemas, existentes na vida das pessoas, devem-se principalmente ao fato de que a pessoa está sob a impressão de que aquilo que tem valor para ela pode lhe ser arrebatado. Em tais circunstâncias, ela sente-se frustrada e tem a sensação de que nada lhe pode dar apoio em momento de necessidade para se adaptar a um ambiente novo ou modificado. O que o indivíduo precisa é de um senso de valores que não esteja relacionado com as ansiedades que atribulam cada dia. Esses valores terão de ser valores que não pertençam ao mundo material. São valores do espírito, aqueles que vêm da própria força vital que, afinal, é a essência do homem. [...] Parece-me que as ansiedades do dia-a-dia nos acompanharão por toda vida. Não nos livramos delas; aprendemos a viver com elas e delas. Somente a paciência e a perseverança ocasionarão esse fim almejado. [...] Esse deveria ser o objetivo da vida, ir mais longe do que jamais acreditamos ser possível. Precisamos não só nos dirigir para o crescimento como também temos de fixar metas e ideais que estão muito além de nosso alcance no mento, mas rumo aos quais nos podemos dirigir, lembrando que a paciência e a perseverança são as chaves. Essas metas ajudarão a aliviar as ansiedades que nos atribulam a vida. Trechos extraídos da obra Ansiedade: um obstáculo entre o homem e a felicidade (Renes, 1978), do escritor e pesquisador místico estadunidense Cecil A. Poole (1907-1989). Veja mais aqui.

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CANÇÃO AO AMANHECER
Entre as chuvas e o Sol
Este canto tão puro,
Esta língua de fogo,
Estes vulcões ocultos,
Este veludo claro,
Estas palavras secas,
Esta colina aérea,
Este sol cor de seda,
Esta luz nas varandas,
Esta fala dos deuses,
Esta fome de canto,
Fome de canto ou sede?
Cabelos de cristal,
Alamedas de estrelas,
Brancas barbas de sal,
Alvas asas lhes selam,
Olhos fluviais nos lagos
Da face, fitam o mar,
O tempo sem correnteza
Está sempre a passar.
Poema extraído da obra O arranha-céu e outros poemas (Tempo Brasileiro, 1994), do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, agosto 09, 2017

JOAQUIM CARDOZO, ROGERS, BORNHEIM, O FUTEBOL DE GALEANO, FARNESE DE ANDRADE, PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO AMBIENTAL

DESMANTELOS SEM REMISSÃO – Imagem do pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador Farnese de Andrade (1926-1996) - João tinha muitos amigos, de copos e de farras. Era amável, afobado sim, raivoso nunca, exceto com pusilanimidade, grosserias, palavras desastrosas. Zangava-se vez ou outra, raramente, tinha lá seus motivos. Era comum nem se atormentar com nada, levava a vida na prosa, às risadagens. Não tinha inimizades, caçoava de todos, estreitos laços de amizade. Uma censura aos seus modos, relevava com muxoxo e saía qual raio, para se render ao perfume cativante das saias femininas, a sua perdição. Tinha lá suas extravagâncias, nem parecia haver um inferno em ebulição dentro dele, mar agitado de águas pútridas fervendo no peito, fera indomável. Coisa de amor desfeito, paixão recolhida envenenando seu ser. Ninguém sabia, vaidade ferida, destronado, coisa só dele. Disso nem falava, só dizia que coração de mulher era terreno de areia movediça, coisa que esconde o reino das traições. Ele se ria e mudava de assunto, coisa de se vingar com o pé no acelerador do automóvel na maior das carreiras, ou na montaria de um cavalo zarpando terra afora, ou na pesca de mão de peixes no rio ou no mar, força brava no roçado, levando mata nos peitos, tudo aos extremos, violência do muque na força do pulso, coisas de derrotar. Era assim que se vingava de dele só. Fosse longe, vencia em instantes; fosse firme, derrubava toras; fosse pedra, arrancava com brutalidade. Era como se vingava do amor perdido. Corria mundo e em alta velocidade: um dia tu te estupora, João. Ele, nem nem. Houvesse limite, era pra superar. Invencível, desconhecia adversário, fosse quem viesse, sempre campeão de si. Dava vazão ao seu orgulho, diligente, perdia as estribeiras, desafiava a si de nem ser indulgente e se esforçava para ser o melhor, efeitos devastadores. Até que uma curva, um seixo, o inopinado: estrepou-se de quase se desmanchar carcaça toda. Não havia osso que não fosse fraturado, face irreconhecível, corpo destroçado, tudo rendido e inutilizado. Cadeira de rodas, imóvel. Quase nem batia os olhos, não falava, vegetava. Hoje só tem olhos pra chorar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RECIFE – VÁRZEA: ÚLTIMO RETORNO
 
Joaquim Cardozo

Terra macia, formada de muitos longes
Trazidos pelas águas.
- Essa terra do meu nascer alhures
Que seja, e seja, e seja, no fim, no sempre,
A minha terra de morrer.
Entre as bátegas de chuva:
- Das suas chuvas de junho até setembro...
- (Depois... Depois.... Quando depois...) – talvez se ouça ainda
O meu bater de coração.
Entre palmas e franjas de espuma branca,
Entre ramos de renda verde,
Um pouco do ar, que nessa terra respirei,
Passará, sem que ninguém disso se aperceba,
Na aragem das manhãs.
E os meus pés sepultados,
Meus pés, e o percorrido por meus pés,
Mergulhados, confundidos, sedimentados
Na espessura desses longes,
- Tímidos, incertos, sem destino –
Por baixo do chão dos seus caminhos
Continuarão a caminhar.
Poema extraído de Réquiem por uma vida desnecessária, das Poesias Completas (Civilização Brasileira/MEC/INL, 1971), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). (Imagem: Visão Romântica do Porto de Recife (1930), do artista plástico Cícero Dias). Veja mais aqui.

RETRANCAS DO FUTEBOL E DECEPÇÕES - Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna-de-pau que já passou pelos campos do meu país. [...] Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico: - Uma linda jogada, pelo amor de Deus! E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece. [...] foi uma Copa sem surpresas. Um espectador a resumiu assim: - Os jogadores têm uma conduta exemplar. Não fumam, não bebem, não jogam. Os resultados recompensaram isso que agora chamam de sentido prático. Viu-se pouca fantasia. Os artistas deram lugar aos levantadores de peso e aos corredores olímpicos, que ao passar chutavam uma bola ou um adversário. Todos atrás, quase ninguém na frente. Uma muralha chinesa defendendo o gol e algum Cavaleiro Solitário esperando o contra-ataque. Até poucos anos atrás, os atacantes eram cinco. Agora só resta um, e nesse ritmo não ficará nenhum. Como comprovou o zoólogo Roberto Fontanarrosa, o atacante e o urso panda são espécies em extinção. Trecho extraído da obra Futebol ao sol e à sombra (L&PM, 2009), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRISE & EDUCAÇÃO AMBIENTAL - Torna-se necessário introduzir, nos processos de planejamento, estratégias participativas que venham a se apoiar nas forças utópicas da democracia radical e nas forças distópicas de destruição não pacifista, provocada pelos inconciliáveis antagonismos, sócio-politico-culturais, entre indivíduos, grupos e sociedades. Ou seja, a participação passa a ser vista, assim, como uma forma estratégica de interrelacionar – através da critica, técnico-política, das ações de planejamento – “kultur” e “zivilization”, harmonizando-se na direção de um bem-comum, como um futuro compartilhado possível. Sob tal perspectiva, o impacto “mundializado” da crise ambiental origina-se em conflitos racionais advindos da aplicação de referências da realidade baseadas nas teorias científicas da natureza, mas propaga-se mobilizando-se sobre provocações de cunho ético-humanístico – sobre uma crítica latente do “ocidente” como civilização, abrindo-se como ponto de cisão entre alternativas de futuro no confronto cultura-natureza e suas interações. A crise ambiental é, portanto, uma crise política da razão, que não encontra significações dentro do esquema de representações científicas existentes para o reconhecimento da natureza social do mundo, que foi histórica, técnica e civilizatoriamente produzida. Uma crise política da razão frente à não explicação da natureza social da natureza e de suas implicações sobre o conhecimento e suas relações com a sociedade e o futuro. [...] Trecho do ensaio O pensamento contemporâneo e o enfrentamento da crise ambiental: uma análise desde a psicologia social, da física e pós-doutora em Ciências Sociais, Edla Terezinha de Oliveira Tassara, extraído da obra Pensar o ambiente: bases filosóficas para a educação ambiental (MEC/SECAD, 2009), organizado por Isabel Cristina de Moura Carvalho, Mauro Grün e Rachel Trajber. Veja mais aqui, aqui & aqui.

O SISTEMA & O FILOSOFAR - O comportamento originante do filosofar e a possibilidade de esclarecer a problemática que tal comportamento coloca [...] parte do pressuposto de que a coloração fundamental de uma filosofia já se determina, em certo sentido, a partir mesmo da atitude inicial assumida por todo filósofo. Trata-se, portanto, de problemática implicada no ponto de partida do filosofar. Referimo-nos ao filosofar. [...] A atitude inicial do filósofo determina o caráter último de sua filosofia. Mas esta determinação, profundamente enraizada no ato de filosofar, não deve ser confundida com o problema do primeiro princípio filosófico, com a primeira afirmação, a partir da qual um determinado filósofo poderá alicerçar e desdobrar o todo de seu pensamento, obediente à incoercitível tendência para a sistematização, que é inerente à natureza mesma da filosofia. [...] Em verdade, a ideia de sistema traz consigo todos os quesitos do que deva ser um problema: responde a um anseio legitimo e inscreve-se na própria natureza do real. O que deve ser repensado é o sistema, não enquanto decorrência do processo entificador do ser, e sim enquanto abertura para a diferença ontológica. Não se trata, pois, de fundar o sistema dedutivamente em um ente determinado, mas de pensar a sua possibilidade a partir da diferença ontológica. Trechos extraídos da obra Introdução ao filosofar: o pensamento filosófico em bases existenciais (Globo, 1978), do filósofo, professor e crítico de teatro brasileiro Gerd Bornheim (1929-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ADAPTAÇÃO DO INDIVÍDUO - O interesse constante e crescente pelo indivíduo e sua adaptação é talvez um dos fenômenos mais importantes do nosso tempo. Mesmo a guerra e a propaganda serviram para pôr em evidencia a ideia fundamental da importância do individuo e do seu direito a uma adaptação satisfatória como um dos elementos dos nossos objetivos bélicos. [...]. É absolutamente vital reconhecer que o processo que ocorre na entrevista é tão delicado que as suas potencialidades de desenvolvimento podem ser inteiramente destruídas pela manipulação forçada que caracteriza a maior parte das nossas relações. Compreender as forças sutis que atuam, reconhecer e cooperar com elas exige a máxima concentração e o maior estudo, e o caráter integral dos relatórios que descrevem o processo. Trechos extraídos da obra Psicoterapia e consulta psicológica (Martins Fontes, 1987), do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Imagem: arte do pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador Farnese de Andrade (1926-1996). Veja mais aqui.

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terça-feira, agosto 25, 2015

ROGERS, GREENAWAY, FREI BETTO, STOCKHAUSEN, GOODRIDGE, SOCIODRAMA & FENELIVRO.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A ATIVIDADE ARTISTICA COM FUNÇÃO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO (Fotos: Givanilton Mendes. Matéria A Região, ano I, nº 2, Dez/1983 / Artigo: A Região, Ano I, nª 5, 1984) – Após o lançamento do livro A intromissão do verbo (Pirata, 1983), fui convidado pelo então presidente da Fundação de Hermilo Borba Filho, poeta Juareiz Correya, para a Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Fundação, pela qual desenvolvi a palestra A atividade artística como função alternativa para o progresso do município, ministrada no auditório do Teatro Cinema Apolo e registrada na edição de dezembro de 1983, da recém-criada revista A Região – lançada no dia 15 de outubro de 1983, da qual eu fazia parte do conselho editorial. Fui convidado, então, a ministrar essa palestra em diversas instituições locais, bem como em cidades vizinhas atendendo convite das prefeituras da região. O foco principal da palestra estava no levantamento do acervo artístico e cultural da região, para catalogação e programação de eventos que pudessem se tornar um calendário aliado e de valorização do patrimônio histórico e turístico. Para facilitar o acesso às ideias defendidas e requisitadas pelas pessoas, fiz publicar o artigo homônimo nova edição de A Região (1984), trazendo detalhes da ideia para difusão em toda região Mata Sul de Pernambuco. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nude on a sofá, 58 huile 25 x 32, do pintor canadense Goodridge Roberts (1904-1974).


Curtindo o álbum – livro e cd - Kurzwellen (1968), do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007).

GRUPOS DE ENCONTRO – O livro Grupos de encontro (Matins Fontes, 2009), do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987), trata sobre origens e objetivos do movimento de grupos, modalidades e formas diferentes, linhas comuns, o processo de grupo, medo criado pelo movimento, o processo do grupo de encontro, fracassos, desvantagens, riscos, contexto filosófico e atitudes, função da criação de ambiente, aceitação do grupo, aceitação do individuo, compreensão empática, confrontação e feedback, expressão dos problemas, a mudanças nas pessoas, nas relações e nas organizações, a pessoa isolada e as suas experiências em grupo, campos de aplicação, construindo capacidades facilitadoras, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] No futuro perturbado que está à nossa frente, o movimento da experiência intensiva de grupo está ligado a problemas profundos e significativos que têm que ver com mudança. Mudanças que acontecem nas pessoas, nas instituições, na nossa alienação urbana e cultural, nas tensões raciais, nos conflitos internacionais, nas nossas filosofias e valores, na nossa própria imagem do homem. é um movimento profundamente significativo, e o seu caminho futuro terá, para melhor ou para pior, uma profunda influencia em todos nós. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

BATISMO DE SANGUE – O premiado livro – Premio Jabuti 1863 - Batismo de Sangue: Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella (Bertrand Brasil, 1987), do teólogo e escritor Frei Betto, conta os bastidores do regime militar com a participação dos frades dominicanos na resitência à ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito. O livro foi adaptado para o filme homônimo em 2007, dirigido pelo cineasta Helvécio Ratton. Da obra destaco o trecho inicial: Foi na realidade uma noite do povo, publicou O Globo em sua edição do dia seguinte. Espetáculo de gala no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Pelé teria festejado seu grande dia se o resultado fosse ao contrário. Mas foi o Coríntians que marcou quatro gols no Santos. Magnífica atuação do time do Parque São Jorge. A equipe praiana fez apenas um tento. E não foi de Pelé, foi de Edu. Os portões foram franqueados ao público. Arquibanca das repletas, torcidas excitadas, tambores, cornetas e apitos alegrando a noite de terça-feira, 4 de novembro de 1969. Bandeiras coloridas flutuavam sobre a multidão que aplaudia o desempenho de seus times. Bem que Pele tentou. Mas não seria ainda dessa vez.Quando ele dominava a bola, o coração da torcida batia acelerado. Poderia ocorrer a qualquer momento. Rivelino, porém, roubou-lhe a noite e balançou a rede adversária duas vezes. Pelé permaneceu na soma de 996 gols ao longo de sua brilhante carreira. Não seria ainda dessa vez que ele marcaria o milésimo gol. A contagem foi aberta aos 25 minutos. Rivelino centrou forte para a pequena área, Ivair entrou livre e tocou a bola para dentro da meta do goleiro santista. A torcida corintiana explodiu: a euforia reboava, as cornetas soavam estridentes, as baterias assemelhavam-se a disparos acelerados de canhões em salvas de tiros. Aos 32 minutos, Benê tentou cortar Joel e Ramos Delgado, sendo derrubado pelo primeiro. De pé esquerdo, Rivelino bateu a falta, chutando entre a barreira do Santos para ver a pelota enroscar-se no fundo da cidadela de Agnaldo. No intervalo do jogo, a torcida movimentava-se, agitada. O cheiro de suor misturava-se ao hálito úmido do clima chuvoso da noite quente, Dedos nervosos cruzavam, entre mãos estendidas, dinheiro, pipocas, refrigerantes, sanduíches, amendoim torrado. Possantes holofotes cobriam com um véu branco o gramado verde do Pacaembu. Nos vestiários, os times recobravam fôlego. De súbito, um ruído metálico de microfonia ressoou pelo estádio. Um ajustar de ferros puxados por corrente elétrica. Cessaram as batucadas, silenciaram as cornetas, murcharam as bandeiras em torno de seus mastros. O gramado vazio aprofundou o silêncio curioso da multidão. O locutor pediu atenção e deu a notícia, inusitada para um campo de futebol: Foi morto pela policia o líder terrorista Carlos Marighella.Augusto Marighella viera de Ferrara para a Bahia acompanhado de outros imigrantes do Norte da Itália. Era de Emilia, terra de destacados líderes italianos, como o fascista Mussolini e o socialista Nenni. Seus olhos claros refletiam a esperança que o animava. Mecânico de profissão, socialista de idéias, trazia consigo a experiência emergente do sindicalismo europeu. A baiana Maria Rita fixou o coração de Augusto em terra brasileira. Descendia ela dos negros haussás, escravos africanos trazidos do Sudão, sempre rebeldes à privação da liberdade. Moravam à Rua do Desterro, 9, na Baixa do Sapateiro, onde a 5 de dezembro de 1911 nasceu o filho Carlos. É dura a vida de operário, nesta terra quem não é doutor não tem vez, sabia Augusto. A mulher não queria os oito filhos subjugados como seus ascendentes negros; queria-os livres, senhores de seu destino. Os pais não pouparam esforços para que Carlos ingressasse, aos 18 anos, no curso de Engenharia Civil da antiga Escola Politécnica da Bahia. [...] Também destaco dois dos seis poemas de Frei Tito publicados no livro, que se suicidou no seu exílio na França, A Mulher: Vestiste de brancas nuvens e de sol azul / foste musa dos deuses; / de Baco, foste a primeira dama. / Alegraste corações, criaste profundezas. / Nos teus seios, pousou a mais bela borboleta / porque os tornaste esplendorosos como uma Rosa. / Rosa que cheira; / Rosa que atenta; / Rosa que ama. / Sois toda pura, / Ó formosa e bela mulher. Também Se o Céu e a Terra: Se minh'alma é morta, quem a ressuscitará? / De noites sombrias, / de luzes opacas. / Meu espírito geme em dores. / Meu coração bate como o tic-tac de um relógio / em busca do ser quando este ser é o nada. / Minha vida encerra-se em um eterno dilema: / O ser e o não-ser, / viver é ver, / ver estrelas, / ver flores, / ver a infinita beleza de um ser criador. / Não busco o céu, mas talvez a terra, / um paraíso perdido. / Se o céu é terra, nele eu me movo como um ser / moribundo: experiência, experiência do meu viver. / Em luzes e trevas derrama o sangue da minha existência. / Quem me dirá como é o existir / Experiência do visível ou do invisível? / Se o invisível é visível, para que ver? / Meu ver é sofrer, num mundo oculto / de minha profundeza: minha singularidade. / Talvez minha simplicidade complicada. / Há razões para o não-ser, / pois no nada, no vazio, / encontre uma chama que apanhe um absoluto. / Mas aonde? / Em que terra? / Olho todos os dias as estrelas, olhar singelo / de um infinito, tão vasto quanto a distância de seu brilho / Talvez elas sejam os olhos de Deus, do Deus criador / sem data. 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SOCIODRAMA – No livro O agente social que transforma: o sociodrama na organização de grupos (Ágora, 2004), de Marlene Magnabosco Marra, encontro a parte que trata do Sociodrama – perspectiva teórica e metodológica, da qual destaco o trecho: [...] O sociodrama como método de tratamento possibilita enfrenta a complexidade da realidade por promover o envolvimento de todos os atores sócias (família, conselheiros, pesquisadores) de forma presencial – a microrrealidade e a comunidade, organizações sociais, institucionais, mediante a macrorrealidade contida nas referências dos participantes (contexto social). Favorece também a mobilização popular, a transformação de conceitos, a construção de serviços alternativos por ser considerado um suporte clínico-educativo, uma clínica social, uma socioterapia in loco, uma vez que promove intervenções psicossociais com a perspectiva de confirmação e ampliação da competência e das estratégias construídas pelo grupo. Todos participam da construção, conformando o pensamento de Santos (1998) de que todo conhecimento é autoconhecimento. [...] No sociodrama, trabalhamos com os conteúdos sociodinâmicos, objetos da educação não só no sentido da educação formal (ensino), mas como um meio de continuidade social, de mudança, de transformação. [...] No sociodrama, as pessoas são levadas a investir e experienciar como se sentem ao receber uma nova informação e ao avaliar as impressões subjetivas e os sentimentos que têm a esse respeito. [...] O treinamento da espontaneidade é um modo imprescindível a qualquer programa que vise modificar o comportamento das pessoas no sentido do compromisso com novas aprendizagens para os relacionamentos interpessoais [...] O sociodrama cria um espaço para o desempenho espontâneo de papeis, possibilitando desvendar as determinações culturais de um grupo, suas redes sociais e a tomada de consciência da situação e da condição de cada participante em certo contexto social. [...] Veja mais aqui.

THE DRAUGHTSMAN’S CONTRACT – O filme The Draughtsman's Contract (O Contrato do Amor, 1982), do cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, conta uma história que se passa no campo Inglês em 1694, na qual um um desenhista é chamado por uma senhora para fazer doze desenhos de sua casa a partir de ângulos diferentes. Ele concorda, contanto que ele pode ter a senhora para seu prazer íntimo. Ele é um perfeccionista e muito meticuloso em seus desenhos, exigindo que cada uma das pessoas da casa sigam suas regras, sobretudo o que tem para permanecer no mesmo lugar enquanto ele desenha. A partir de então, coisas estranham começam a acontecer: estátuas de pedra começar a se movimentar e ocupar locais diferentes para contorcer em outra postura estática, objetos começam a mudar de local para confundir em seus desenhos, até acontecer momentos de chantagens e violência. Veja mais aqui e aqui.

FENELIVROAcontecerá entre os dias 28 de agosto e 7 de setembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, a I Feira Nordestina do Livro (Fenelivro), um evento gratuito com realização da Associação do Nordeste de Distribuidores e Editores de Livros (Andelivros) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). No dia 30 de agosto acontecerá a Noite Alagoana no evento, na qual realizarei palestra ao lado dos convidados Arriete Vilela, Carlito Lima e Eduardo Proffa. Veja detalhes aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Espetáculo de ballet Lecuona, do Grupo Corpo, com coreografia de Rodrigo Pederneiras, música de Ernesto Lecuona (1895-1963), cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras e figurino de Freusa Zechmeister.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa.
Na programação: Leonard Bernstein & Gershwin, Pat Metheny, Jean Michel Jarre, Salif Keita, Fernanda Takai, Ray Charles, Selma Reis, Nando Lauria, Cláudia Telles, Roupa Nova, Milton Nascimento, Djavan, Maria Bethania & Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Trio Hamilton de Holanda, Marcos Suzano & Marcos Morelenbaum, Daniel Pissetti Machado, Mazinho, Mônica Brandão, Elisete Retter, Lyara Velloso, Ibys Maceioh, Elvis Costello, Billy Ray Cyrus, Alexandra Burke, Etta James, Rita Porto, Marco Tognoli, Lilian Pimentel, Carlos Miúdo, Carlinho Motta, Nuno Baez, Tribalistas & muito mais. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Foto: Leitora de Fox Harvard
Veja mais aqui.



MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...