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terça-feira, agosto 29, 2017

LEWIS CARROLL, ROGERS, DEJOURS, CESAR LEAL, ANSIEDADE, GINÁSIO MUNICIPAL, CIDADANIA & MOBILIDADE URBANA

O BRASIL ÀS AVESSAS NA HORA DA CRISE - Quando alguém me pergunta sobre o Brasil, a primeira imagem que me aparece no quengo é aquela do indivíduo cabeça de fósforo, bicudo de endinheirado, entrando numa daquelas lojas de magazine do tipo hipermercado, pegando um velocípede embaixo do sovaco, uma vassoura e um rodo pruma faxina de limpeza das brabas nas intimidades do recinto domiciliar, uma lata de queijo do reino, uma caçamba de ovos e um botijão de vinho pra comemoração inusitada e, no caixa, mandando fazer um embrulho só pra presente prele mesmo, ora! Isso porque ele presenciou o discurso de uma daquelas raposas vetustas dos políticos profissionais que há mais de 50 anos mamam nas tetas dos municípios e da capital estadual, ao assumir uma das secretarias berrando aos microfones & alto-falantes: - Nos últimos 50 anos este estado sucumbiu às más gestões e à corrupção de políticos incompetentes. A partir de agora, todos verão, assume quem vai fazer deste estado o mais promissor da nação! Tenho dito! Aí, nessa hora, grita um gaiato da plateia: - Ô, meu, onde é que tu tava esses anos todos, hem? Tuf! Um tiro no próprio pé. Mais feliz ainda com o anúncio do Ministério da Educação de que ninguém precisa mais estudar! Nunca vi tanta gente impando de satisfação, ainda ontem eu vi um dizendo: - Eu mesmo, se soubesse quem inventou estudo, mandava matar! Afora ser este país o último dos últimos: o último a abolir a escravatura (e de quê jeito, hem?), o último a ficar independente, a se tornar República (e que ré-pública!), só não é o pior em Educação porque ainda restam o Haiti, Ruanda e Porto Príncipe, salvou-se da lanterninha. Ah, mas aqui é o país do deixa pra lá ou, se tem que tomar providência que seja pra amanhã, que hoje não dá! Está precisando? Vá ver se estou na esquina! Pois é, quem sabe, de Brasil em Brasil a gente um dia faça um que preste, um que saiba porque a gente escreve com “S”, enquanto o mundo todo só sabe com “Z”, e que mostre pra gente como é que tudo foi de verdade! Porque o de agora, ah, não, parece que se a gente deu uns dois ou três passos com um pinote pra frente, de um dia desses pra cá deu uns trocentos pra trás, isso sem falar do cai-cai, do se segura que lá vem queda, do balança quase cai, afora as prioridades mais duvidosas que ninguém sabe se é enredo pros Irmãos Metralhas ou pro Ali Babá com seus mais de quatrocentos e tantos ladrões. Entre gatunildos e ladronaldos, salva-se quem? O que é certo é que tem muita gente que ainda não entendeu a fita, só se perguntando: - O que é que tá havendo, hem? Como é mesmo? Sei que já tem gente pedindo penico, outros tantos pedindo parada pra descer. Onde vai parar, ninguém sabe. A sensação que fica é que a coisa vai desgovernada, só esperando o desmantelo! Já que vai rachado no meio, um rachão a mais só aumenta a corda de guaiamum, mais nada, rachado por um, rachado por mil. E tome bola pra frente que o campeonato é só no tapetão e, por favor, que não venha alemão passear na nossa frente que agora aqui tudo é perna-de-pau, avisei! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

GINÁSIO MUNICIPAL DOS PALMARES
[...] Naqueles tempos, no currículo existia a música como disciplina obrigatória. O Ginásio teve mais de um professor de música. A professora Celecina, o professor José da Justa e outros. Quando comecei a ensinar, tínhamos como professor José da Justa. Além da cadeira de música ele criou um orfeão. Foi muito importante para p Ginásio o orfeão de José da Justa. Mais de uma vez exibiu-se em festas religiosas e cívicas, não somente em Palmares, como em outras cidades vizinhas. Claro que sempre alcançou nota dez. atualmente estamos procurando reviver o orfeão. Não sei se é coral ou orfeão a designação atual. Sei que contamos com o velho mestre  José da Justa, gerou da campanha da Princesa e do atinado piston que toca como gente grande. Ao alinhavarmos a vida do Ginásio temos que relatar fatos deploráveis e fatos mais ou menos jocosos. O que não podemos é omiti-los sob pena de prejudicar a verdade. [...].
Trecho do livro Contribuição à história do Ginásio Municipal dos Palmares, do Professor Brivaldo Leão de Almeida, lançado pela Prefeitura dos Palmares, em 1992. Veja mais aqui e aqui.

A AMPLITUDE DA REEDUCAÇÃO – À medida que o cliente ganha a consciência e a autocompreensão, dá-se uma alteração nítida do caráter da relação terapêutica. O cliente fica sob menos tensão. Aborda com mais confiança os seus problemas. Tenta com menos freqüência pôr-se na dependência do psicólogo e mostra que trabalha melhor com ele. A relação torna-se mais genuinamente cooperadora e em que ambos, consultor e cliente, analisam os próximos passos a dar no sentido da maior independência do segundo. Como o cliente desenvolveu a capacidade de se acietar como é, tem uma atitude menos defensiva e é capz de apreciar de forma mais construtiva as sugestões e os conselhos, embora seja duvidoso que se ganhe muito fazendo-lhe sugestões, mesmo nesta fase do tratamento. O cliente tem, não raramente, necessidade de informação que o ajude a atingir os seus novos objetivos e o psicólogo está apto a fornecer-lhe esse conhecimento ou pode-se indicar outras fontes a que se dirigir. [...]. Trechos extraídos da obra Psicoterapia e consulta psicológica (Martins Fontes, 1987), , do psicólogo norte-americano e criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa, Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIDADANIA & MOBILIDADE URBANA – A primeira atitude a ser tomada em respeito à cidadania é analisar como ocorre a mobilidade de sua cidade ou no seu bairro. Isto permitirá que você comece a avaliar não apenas o comportamento das outras pessoas mas também o seu comportamento no trânsito. A partir deste conhecimento inicial você poderá rever o que acontece hoje e reorganizar a sua participação no trânsito, de forma a torná-la mais “cidadã”. [...] Você vai se surpreender ao constatar que é possível alterar seus hábitos com pouco de esforço e desta forma contribuir para um trânsito mais seguro e ambientalmente saudável. [...]. Trechos extraídos da obra Mobilidade urbana e cidadania (Senac, 2012) do sociologo e engenheiro civil doutor em Políticas Públicas, Eduardo Alcântara Vasconcellos. Veja mais aqui.

O PAÍS DAS MARAVILHAS DE ALICE - [...] ela imaginou como aquela sua irmãzinha pequena, em algum tempo, ia se transformar em mulher feita. E como ela guardaria, nos anos maduros, o coração simples e amoroso de sua infância. E como reuniria em volta de si outras crianças, seus filhos, e faria seus olhinhos ficarem brilhantes e curiosos, com muitas histórias estranhas, talvez mesmo o sonho que tivera com o País das Maravilhas muito tempo antes. E como ela sentiria todas as tristezas simples que eles sentissem e teria prazer com todas as suas alegrias singelas, lembrando sua própria vida de criança e os dias felizes de verão. Trecho extraído da obra Alice no País das Maravilhas (Ática, 1989), do escritor, desenhista, fotografo e matemático Lewis Carroll (1832-1898). Veja mais aqui e aqui.

A LOUCURA DO TRABALHO - [...] a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do trabalho que os ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-la mais conforme às suas necessidades fisiológicas e a seus desejos psicológicos – isso é, quando a relação homem-trabalho é bloqueada. [...] O trabalho repetitivo cria a insatisfação, cujas consequências não se limitam a um desgosto particular. Ela é de certa forma uma porta de entrada para a doença, e uma encruzilhada que se abre para as descompensações mentais ou doenças somáticas, em virtude de regras que foram, em grande parte, elucidadas. [...] Considerando o lugar dedicado ao trabalho na existência, a questão é saber que tipo de homens a sociedade fabrica através da organização do trabalho. Entretanto, o problema não é, absolutamente, criar novos homens, mas encontrar soluções que permitiriam pôr fim à desestruturação de um certo número deles pelo trabalho. Trechos extraídos da obra A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho (Cortez/Oloré, 1987), do psiquiatra e psicanalista francês especialista em medicina do trabalho, Christophe Dejours. Veja mais aqui.

ANSIEDADE & OS DIAS DE HOJE - [...] Todas as ansiedades que atribulam a vida do ser humano, em geral, são aquelas que podem ser atribuídas ao fracasso da pessoa em estar certa de algum, valor que perdurará, a despeito do que mais possa acontecer. As incertezas, medos, preocupações, superstições e outros problemas, existentes na vida das pessoas, devem-se principalmente ao fato de que a pessoa está sob a impressão de que aquilo que tem valor para ela pode lhe ser arrebatado. Em tais circunstâncias, ela sente-se frustrada e tem a sensação de que nada lhe pode dar apoio em momento de necessidade para se adaptar a um ambiente novo ou modificado. O que o indivíduo precisa é de um senso de valores que não esteja relacionado com as ansiedades que atribulam cada dia. Esses valores terão de ser valores que não pertençam ao mundo material. São valores do espírito, aqueles que vêm da própria força vital que, afinal, é a essência do homem. [...] Parece-me que as ansiedades do dia-a-dia nos acompanharão por toda vida. Não nos livramos delas; aprendemos a viver com elas e delas. Somente a paciência e a perseverança ocasionarão esse fim almejado. [...] Esse deveria ser o objetivo da vida, ir mais longe do que jamais acreditamos ser possível. Precisamos não só nos dirigir para o crescimento como também temos de fixar metas e ideais que estão muito além de nosso alcance no mento, mas rumo aos quais nos podemos dirigir, lembrando que a paciência e a perseverança são as chaves. Essas metas ajudarão a aliviar as ansiedades que nos atribulam a vida. Trechos extraídos da obra Ansiedade: um obstáculo entre o homem e a felicidade (Renes, 1978), do escritor e pesquisador místico estadunidense Cecil A. Poole (1907-1989). Veja mais aqui.

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CANÇÃO AO AMANHECER
Entre as chuvas e o Sol
Este canto tão puro,
Esta língua de fogo,
Estes vulcões ocultos,
Este veludo claro,
Estas palavras secas,
Esta colina aérea,
Este sol cor de seda,
Esta luz nas varandas,
Esta fala dos deuses,
Esta fome de canto,
Fome de canto ou sede?
Cabelos de cristal,
Alamedas de estrelas,
Brancas barbas de sal,
Alvas asas lhes selam,
Olhos fluviais nos lagos
Da face, fitam o mar,
O tempo sem correnteza
Está sempre a passar.
Poema extraído da obra O arranha-céu e outros poemas (Tempo Brasileiro, 1994), do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, outubro 14, 2016

CIDADANIA, VIVIANE HAGNER, VERUNSCHK, GLÁUCIA MACHADO, DAGNINO, NIKI CARO & CASTLE-HUGHES, BARALDI, TALBOT, YI-CHUN WU, SORAYAMA, LUCIAH & BURACO D’ORÁCULO


INEDITORIAL: SÓ DESAMPARO NO DESCOMPROMISSO SOCIAL! – Salve, salve, gentamiga do meu Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada! Nesse tempo de cultura narcísica, em que a busca só se direciona para as demandas da gratificação imediata no prazer do momento, estamos todos afogados na rasa superfície do aqui e agora das ondas e modas, sem saber que estamos perdidos no meio do maior tiroteio das ideologias dominantes e sucumbindo com as bandeiras da frivolidade dos oportunistas que só tiram proveito da nossa confusão mental. Como ninguém sabe mais o que é e o que não é – antes fosse e quase será que é mesmo? -, com a ética empurrada para baixo dos tapetes, o que vale de mesmo é tirar vantagem da oportunidade e se arrumar, sem saber que depois dessa festança o enterro costuma voltar pra tirar tudo a limpo. Enquanto se valida aquela do cada qual que cuide si, a gente é só desamparo no descompromisso social. Mas já que a gente tem que gritar pra não se ver rendido nem levado pela avalanche da boiada, vamos conferir as novidades do dia: na edição de hoje destaque para a arte do cartunista Márcio Baraldi, a música de Viviane Hagner, a cidadania da professora Evelina Dagnino, a fotografia de Yi-chun Wu, a professora Gláucia Vieira Machado, a poesia de Micheliny Verunschk, a escultura de Michael Talbot, o teatro do Buraco d’Oráculo, o cinema de Niki Caro e Keisha Castle-Hughes, a pintura de Oresteia Papachristou, o Encontro da Abrapso, a entrevista de Luciah Lopez, as ilustrações futurísticas de Hajime Sorayama, a palestra na Semana de História da Ufal & a croniqueta A menina do sorriso ensolarado. No mais, vamos aprumar a conversa & veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O caso de Tomé & Vitalina, Hannah Arendt, Stanislaw Ponte Preta, Edward Estlin Cummings, Paul Simon e Art Garfunkel, Irene Ravache, Marcus Vinicius Cesar, Cecília Kerche & Benedito Calixto de Jesus aqui.

E mais:
Fecamepa: quando o furacão dá no suspiro do bandido, de uma coisa fique certa: a gente não vale nada aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado aqui.
Onde não tem mata-burro a gente manda ver no trupé & Maíra Dvorek aqui.
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DESTAQUE: 
 A arte do cartunista Márcio Baraldi. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MENINA DO SORRISO ENSOLARADO (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). – É dela o riso de Sol que amanhece o meu dia por todas as manhãs das estações vitais, pra que eu nunca me perca na escuridão das minhas errâncias e tenha sempre a direção alternativa da saída para o que me fizer de redoma no meio dos turbilhões. É dela o riso ensolarado que clareia meu destino reverberando faroleiro ao navegante perdido, prestes a sucumbir aos tantos naufrágios recorrentes nas profundezas da dúvida que sou de mim mesmo nas quedas abissais que não é mais que desamparo das minhas próprias sofrências. É dela o riso com todos os raios solares apontando a direção exata daquilo que perdi e não restava a mínima esperança de reencontrar o prumo da vida, desencantado à toa como quem erra de tudo e a se perder pelas loas que eu próprio digiro nas minhas inquietações e regurgito por versos que nem sei mais de mim porque não são mais meus pra ser dela na voz terna que me devolve a vitalidade e a vontade de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 Curtindo o álbum Ciacconna – Music by Bach, Bartok & Hartmann (Altara/Bonnier Muic, 2006), da premiada violinista alemã Viviane Hagner, interpretando música de Béla Barók, J. S. Bach & Karl Hartmann

CIDADANIA - A expressão cidadania está hoje por toda parte, apropriada por todo mundo, evidentemente com sentidos e intenções diferentes. Se isso é positivo, num certo sentido, porque indica que a expressão ganhou espaço na sociedade, por outro lado, face à velocidade e voracidade das várias apropriações dessa noção, nos coloca a necessidade de precisar e delimitar o seu significado: o que entendemos por cidadania, o que queremos entender por isso. [...] Uma das razões fundamentais da sedução que a noção de uma nova cidadania exerce hoje em dia é a possibilidade de que ela traga respostas aos desafios deixados pelo fracasso tanto de concepções teóricas como de estratégias políticas que não foram capazes de articular essa multiplicidade de dimensões que, nas sociedades contemporâneas, integram hoje a busca de uma vida melhor. Dessa capacidade de articular os múltiplos campos onde se trava hoje no Brasil a luta pela construção da democracia e pelo seu aprofundamento, depende o futuro da nova cidadania enquanto estratégia política. Trechos extraídos do artigo Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania, da professora doutora Evelina Dagnino, publicado na obra que ela organizou Anos 90: política e sociedade no Brasil (Brasiliense, 1994). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte da fotógrafa Yi-chun Wu.

PENSAMENTO DO DIA – O absurdo não está fora da razão. Todo projeto de racionalidade funda-se em algum paradoxo que, por sua vez, desdobra-se em inúmeras construções lógicas. O ocasional e o casual impõem-se no horizonte da possibilidade e exigem da linguagem o esforço de dizer o indizível, o imprevisível. [...]. Trecho extraído do artigo Guimarães Rosa: outro foco – a ironia no conto Quadrinho de História (Estudos de Literatura Brasileira – II, Revista do Centro de Estudos Portugueses, 1991), da poeta e professora universitária Gláucia Vieira Machado. Veja mais aqui e aqui.

 Imagens: a arte do escultor Michael Talbot.

OUTRO CÂNTICO - I - mulheres de Jerusalém, / vocês viram o meu amado? / pomar de romãs / meu vinho meu leite / revoada de pássaros / mirra incenso / falo. / [o meu amado / passou sua mão / pela fresta da porta / meu coração / entre seus dedos / estremeceu: / eu sou do meu amado / e ele é meu]. II - mulheres de Jerusalém / se encontrarem o meu amado / digam que guardei-lhe uma flor / semiaberta / entre as pernas / digam que desfaleço / e morro de amor. / [o meu amado / ergue-se / Monte Carmelo / tenda no deserto / torre do Líbano / suas pernas, torres / sua coroa, lírios]. III - mulheres de Jerusalém / foi por entre as romanzeiras em flor / que o meu amado me beijou / e embaixo da macieira / sua língua / cítara / entre meus dentes. / [o meu amado / passa a mão / em minha cintura / e me conduz / ao jardim / de todas as venturas. / o meu amado é belo / como o cedro / e o seu amor / mirra da mais pura]. IV - mulheres de Jerusalém / procurei o meu amado / e não o achei. / dizem que o amor / é mais forte que a morte / mas a saudade / é pedra e sepultura. / aloé açafrão e nardo / nada sara essa ferida funda. /  [ventos do oriente / soprem / seu perfume sobre mim / e deixem que o meu amado / me apascente / e coma dos frutos / do seu jardim] V - mulheres de Jerusalém, / eu quero o meu amado / e o meu amado me quer / meu nome gravado em seu anel / meu cabelo enroscado no seu brinco / seu amor oásis de leite e mel / seu desejo marfim e vinho tinto. / [é doce beijar o meu amado, / seus olhos sua testa / a curva do pescoço / os seus lábios / e espero / como a pomba / aguarda a primavera / para conduzi-lo / ao jardim / mais aromático]. Poemas da poeta e historiadora Micheliny Verunschk, autora de obras como Geografia íntima do deserto (Landy, 2003), O observador e o nada (Bagaço, 2003), Cartografia da noite (Lumme, 2010), entre outros. Veja mais aqui.


BURACO D’ORÁCULO – O grupo teatral Buraco d’Oráculo atua em São Paulo desde 1998 na discussão do homem urbano contemporâneo e seus problemas. Surgido no bairro de Cangalha, Zona Leste da capital paulista, o grupo tem desenvolvido atividades de teatro de rua, maneira que encontraram para compartilhar momentos de reflexão e afetividade por meio da arte. Suas atividades estão embasadas num tripé que vai da rua, como espaço de promover o encontro direto com o publico; a cultura popular como fonte geradora de inspiração e motivação; e o cômico (destacando-se a farsa e as relações como o denominado “realismo grotesco”). Veja mais aqui.


THE VINTNER’S LUCK – O drama romântico/fantasia The Vintner's Luck (2009), dirigido pela cineasta neozelandesa Niki Caro, é um conto apaixonado sobre a vida de um jovem enólogo camponês e ambicioso, e os três amores de sua vida: a sua esposa, a baronesa intelectual orgulhosa e um anjo que parece até uma improvável amizade duradoura, mas que beira o erotismo com ele. Sob a orientação do anjo, ele é forçado a compreender a natureza do amor e crença no processo de luta com o sensual, o sagrado e o profano - em busca da safra perfeita. O destaque fica por conta da atriz australiana Keisha Castle-Hughes. Veja mais aqui.


Imagens: a arte da pintora grega Oresteia Papachristou.

AGENDA: ENCONTRO REGIONAL DA ABRAPSO – Acontecerá entre os dias 10 e 12 de novembro, no campus Dom Bosco da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), São João del-Rei - Minas Gerais, o XX Encontro Regional da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), propondo analisar o momento político de tantas incertezas quanto aos rumos da democracia no Brasil, de tantas incertezas quanto á consolidação de direitos e garantias civis. O debate será acerca das formas mais democráticas de se fazer política e suas interfaces com a Psicologia Social, acreditando ser necessário não desconsiderar as ameaças de retrocesso e as atuais faces do autoritarismo. Por outro lado, Políticas Públicas com importantes inserções da Psicologia precisam ser avaliadas criticamente para que os caminhos para o futuro sejam trilhados com mais liberdade e permitam a consolidação de esforços de várias gerações para sua construção coletiva. Informações Gerais: E-mail: xxencontroabrapsominas@gmail.com e no site: http://www.encontro2016.minas.abrapso.org.br/. Veja mais aqui e aqui. 

 ENTREVISTA: LUCIAH LOPES – A poeta, blogueira e artista visual Luciah Lopez tem comemorado a receptividade que o seu trabalho artístico tem recebido nos últimos tempos. Por conta disso, trago uma entrevista que ela concedeu falando de seu trabalho literário e dos seus projetos artísticos. Confira aqui, aqui e aqui.

REGISTRO 
Em 2009, tive oportunidade participar da mesa de debates “Literatura e pós-modernidade”, ocorrida durante a VIII Semana de História da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ao lado da professora Glaucia Vieira Machado. Por resultado, escrevi o artigo: Literatura – Modernidade x Pós-Modernidade, uma reflexão em que pontuei, em primeiro lugar, a distinção entre modernidade e pós-modernidade, para, a partir daí, localizar a literatura no período compreendido pelo estudo. Veja detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do ilustrador e artista plástico japonês Hajime Sorayama.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA


Paz na Terra

Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

domingo, outubro 30, 2011

GRÉGOIRE BOUILLIER, NAWROT, VILFREDO PARETO, BERTUS AAFJES, EDUCAÇÃO & CIDADANIA

 

Meu tempo está inscrito entre o esquecimento do meu nascimento e a morte desconhecida. Isso inevitavelmente me enche de medo da inexistência física. Assim como é impossível me separar de meu corpo no sentido anatômico - visto de fora, também é impossível para mim me separar de meu corpo no sentido físico - visto de fora.

O credo do artista, da fotógrafa e artista visual performática polonesa Irena Nawrot, no catálogo da exposição Woman About Woman, na Bielska BWA Gallery, Bielsko-Biała, em 1996.

 


A QUE ERA LAURA – Ela tinha tudo de atriz, se parecia até, tal e qual: solfejava ao meu ouvido todos as tentações da carne. Quando não, cantava a minha volúpia, sua sedução: mordia os lábios, friccionava o tecido da saia, dedos inquietos. Seus olhos brilhavam nos meus, um sorriso libidinoso de quem sonsa guardava todas as astúcias lascivas: prendia a respiração como se agigantasse dentro de si. Aí, passos tímidos , digitígrados, ela flutuava vestes soltas, braços alados, o toque mágico de sua mão no meu sexo: a ignição fervia músculos e entranhas. Acariciava-o, agarrava firme encostando seus lábios aos meus. Assim levitava na palma da minha mão na descoberta de sua fonte minando, pernas abertas, corpo nu embaixo do vestido. E nela eu me atracava, mãos febris na sua geografia, enquanto ela sussurrava inquieta: Ho voglia di te, Ginevra nua e inteira na minha boca. E gritava que Laura não estava aqui, porque era Stefania e queria ser tomada corpalma por merecer as dores de todos os prazeres da carne. E se contorcia e revirava Francesca no Pazzo d'amore, no Vacanze sulla neve e no Passo a devido. E mais queria enlouquecida Monica no Via del Corso, e se incendiava nua Giulia Mai + come prima, e mais exigia Rosalba para que eu não fosse apenas L'amico di famiglia, e mais provocava deslumbrante como Il caso dell'infedele Klara para enfeitiçar meu coração priápico a vê-la engatinhar despida pelos cantos do quarto para que fosse devorada pelo meu insaciável bote nas suas ancas reboladoras, porque era Marcella no Gli amici del bar Margherita e isso para que Io, loro e Lara, quando queria se passar por estudante fascinante em Baarìa - La porta del vento e mais faustosa Desdêmona para que eu fosse Otelo viril desfrutando de todo seu repasto e ignorássemos as tramas de Iago e aproveitássemos ao máximo a vida e o Universo. E mais crescia e mais dilatava e mais se alargava e copulamos como se fosse Silvia em Alhures, e mais me beijava ronronando Cristiana que Il mattino ha l'oro em Bocca, até me ensinar como a bela Micol o que nunca tive nem soube do Manuale d'amore. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais Literótica aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Deem-me erros frutíferos, cheios de sementes, rebentando com as suas próprias correções. Podem guardar a vossa verdade estéril para vós mesmos. Pensamento do sociólogo, economista e cientista político italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), que tem mais outras: É um fato conhecido que quase todas as revoluções foram obra, não do povo comum, mas da aristocracia, e especialmente da parte decadente da aristocracia. As diversas naturezas dos homens, combinadas com a necessidade de satisfazer de alguma maneira o sentimento que deseja que eles sejam iguais, teve como resultado que nas democracias eles se esforçaram para fornecer a aparência de poder ao povo e a realidade do poder no uma elite.

 

ALGUÉM FALOU: O cinema é uma arte que nasce da identificação dos polos contrários – é por isso que todo cinema forte é ambíguo. Pensamento do ator e cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004). Veja mais aqui e aqui.

 

O CASO DA INFIEL KLARA – O drama/romance The Case of Unfaithful Klara (2009), Roberto Faenza, é vagamente baseado no romance com o mesmo nome de Michal Viewegh, conta a história de um músico italiano que mora em Praga e se tornou professor perdidamente apaixonado e tomado por um ciúme incontrolável por sua namorada Klara, uma estudante de história da arte prestes a se formar. Desconfiado ele designa um detetive que descobrirá uma verdade singular. O destaque fica por conta da bela atriz e cantora italiana Laura Chiatti. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

CONVIDADO SURPRESA – [...] através do caos dos meus sentimentos e sensações eu buscava resolver o enigma que era para mim o telefonema dela, sim, tratava-se de um enigma e mesmo de um desafio ao entendimento [...] assim como quem não quer nada, como se diz, perguntei se ela sabia da morte de Michel Leiris; ela respondeu que tinha escutado a notícia mas que nunca tinha lido nada dele, era um bom escritor? Dei de ombros. Não era o momento de falar de literatura. Com certeza não. Mas não havia dúvida: a morte de Michel Leiris não teve nenhum efeito sobre ela, o anúncio do desaparecimento de Michel não repercutira nem um pouco no desaparecimento dela nem a incitara a me telefonar como supus e no fim essa metáfora tinha sido apenas uma invenção minha para dar relevo e sentido ao seu telefonema e para que ele encontrasse no universo a repercussão que provocara em mim [...] as rosas eram as únicas flores que suportava ver cortadas [...] Eu não sabia mais o que pensar a não ser que tinha a intuição e mesmo a certeza de que ela não havia dito uma incongruência, de jeito nenhum, pelo contrário, sua pequena frase tinha um sentido [...] Eu não tinha a menor ideia do que isso significava, mas tudo em mim dizia que se tratava de um segredo que ela queria me revelar, e não tinha eu vindo a essa festa com a esperança de que algo assim acontecesse? [...] Eu tinha a absoluta certeza naquele instante de que ela me entregara a chave do seu silêncio de muitos anos e esta só podia funcionar e girar na fechadura da nossa história [...] Tinha entre as mãos inúmeras frases que resolviam de uma só vez as perguntas que para mim ficaram sem resposta [...]. Trechos extraídos da obra O convidado surpresa (Cosac Naify, 2009), do escritor francês Grégoire Bouillier, que é autor de outras obras, tais como Rapport sur moi (2002), L'invité mystère (2004) e Cap Canaveral (Allia, 2008).

 

O PODER DO AMOR – O destino nos concede o poder do amor / como ele rubor necessário / e palidez de vida, / porque duas metades alienados, / eles suspiram por terra e mar / para a divindade que captura seu infortúnio, / como derramar lágrimas rapidamente / Jesus quando ele abraçou seus discípulos / enquanto a vingança abundante do metal insensível / alimentou seu peito. Poema do poeta neerlandês Bertus Aafjes (1914-1993).

 

EDUCAÇÃO PARA CIDADANIA - A educação tem assumido importante papel nas pautas de discussões mundiais, depois, principalmente, da Conferência Mundial de Educação para Todos, realizada em março de 1990, em Jontien, na Tailândia, onde foram debatidas as necessidades de se compreenderem tanto os instrumentos fundamentais da aprendizagem, como a alfabetização, a expressão oral, a aritmética e a solução de problemas; quanto o conteúdo básico da aprendizagem nos  conhecimentos, capacidades, valores e atitudes, de que necessitam os seres humanos para sobreviver, desenvolver plenamente suas possibilidades, viver e trabalhar dignamente, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar sua qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo. Essa importância da educação se reproduz no reecaminhamento de propostas, revalorização e restauração de realidades, possibilitando um refazer paradigmático adequado às novas realidades proporcionadas pela pós-modernidade, no sentido de acompanhar a velocidade transformadora que caracteriza o tempo presente com as suas mutações constantes e peculiares, exigindo de cada um que se encontre antenado com a habilidade especializada, para que o indivíduo possa agir tanto na direção de metas individuais, quanto na coletividade e no seu meio. Neste tocante, observa Arroyo (1999:36) que  A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos instrumento de conquista da liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. Desta forma, a educação se reposiciona no sentido de alcançar uma amplitude multicultural, se propondo a analisar, criticamente, os currículos monoculturais atuais e procurando formar criticamente os professores, para que mudem suas atitudes diante dos alunos mais pobres ou com problemas de aprendizagem, e elaborarem estratégicas instrucionais próprias a educação das camadas populares, procurando, antes de mais nada, compreendê-las na totalidade de sua cultura e de sua visão de mundo. Ou seja, como bem diz Gadotti (2000:42) "uma estratégia de alfabetização, numa concepção multicultural, deveria partir do relato da experiência do trabalho e de vida deles mesmos, isto é, da biografia dos próprios educandos e não do desenho das letras que é uma técnica anticientífica". Além disso, a educação se articulando com uma política de formação para os direitos humanos, inicialmente centrada no mero estudo e conhecimento dos direitos humanos, e em sua difusão, derivando posteriormente para uma necessidade de aprofundar na matéria. Mais ainda, na ampliação do debate de sua função para a igualdade, na necessidade de propor mudanças mais profundas, que partam da aceitação do próprio sexo, dos diferenciais raciais, das potencialidades e das limitações pessoais, do conhecimento do outro e a convivência enriquecedora de ambos, em condições reais de igualdade de oportunidades. Isso, enfim, levando a um processo que se destine ao desenvolvimento, inicialmente ligada ao âmbito da cooperação, que não se isole dos problemas mais diretamente e amplamente observados, na tentativa de compreender os conflitos se socorrendo de uma explicação global, o que demanda uma resposta cultural diferente, um novo comportamento de indivíduos e sociedades em relação a outras culturas, opondo-se a toda manifestação de discriminação e violência, em favor da justiça (Gadotti, 2000; Yus, 1998; Bordenave & Pereira, 1977). Assim, a escola, neste sentido,  na observação de Gaddotti (2000:41) "(...) precisa atuar num cenário policultural numa época de globalização da economia e das comunicações, de acirramentos das contradições inter e intrapovos e nações, época do ressurgimento do racismo e de certo triunfo do individualismo" necessitando, portanto, de uma educação, uma ética e uma cultura da diversidade. Tal colocação chama a atenção para que nesse contexto global, duas dimensões, a seu ver,  devem ser destacadas, dentre as quais, a dimensão interdisciplinar, experimentando a vivência de uma realidade global que se inscreva nas experiências cotidianas do aluno, do professor e do povo, articulando o saber, o conhecimento, a vivência, a escola, a comunidade, o meio ambiente, que é o objetivo da interdisciplinaridade traduzida na prática por um trabalho escolar coletivo e solidário; e uma dimensão internacional, engajando as crianças e adolescentes para viver no mundo da diferença e da solidariedade entre diferentes, preparando o cidadão para participar de uma sociedade planetária, sendo local, como ponto de partida, internacional e intercultural como ponto de chegada (Gadotti, 2000). Neste sentido, defende-se que a escola não deve apenas transmitir conhecimento, mas, também, preocupar-se com a formação global dos alunos, numa visão onde o conhecer e o intervir no real se encontrem. Para isso é preciso saber trabalhar com as diferenças, isto é, é preciso reconhecê-las, não camuflá-las, e aceitar que para se conhecer, precisa-se conhecer o outro. Assim, a escola precisa fazer a síntese entre continuidade e ruptura em relação à cultura de massa, partindo para respeitar a identidade cultural das crianças e adolescentes populares (Gadotti, 2000). É nesta direção que se encaminha o processo educacional para exercício da cidadania, na aquisição de uma consciência de direitos e deveres consignados no processo democrático, construída como um  processo oriundo da prática social e política das classes. Neste sentido, Arroyo (1999:79) defende que "a luta pela cidadania, pelo legítimo, pelos direitos, é o espaço pedagógico onde se dá o verdadeiro processo de formação e constituição do cidadão. A educação não é uma precondição da democracia e da participação, mas é parte, fruto e expressão do processo de sua constituição". O que quer dizer que o conhecimento, a informação e uma visão mais ampla dos valores, são a base para a cidadania em sociedades plurais, cambiantes e cada vez mais complexas, nas quais a hegemonia do Estado, dos partidos ou de um setor social específico tende a ser substituída por uma pluralidade de instituições em equilíbrios instáveis, que envolvem permanente negociação dos conflitos para estabelecer consensos. (Mello: 1998). A necessidade de se voltar as atenções para a cidadania frente a era de competitividade atual que provoca uma luta desigual entre os indivíduos, via aprimoramento, competência e qualificação, traz à lume uma série de questionamentos necessários ao resgate do cidadão mediante as mudanças implementadas pela política da nova ordem expressa através da globalização, vez que os mercados precisam de indivíduos preparados que sejam capazes de desempenhar todo o tipo de atividades e tarefas que definam as novas formas de trabalho, pelo fato que, indivíduos com um nível mais alto de formação, são os que melhores se adaptam às exigências de um mercado de trabalho mutante. O compromisso com a construção da cidadania pede, necessariamente, uma prática voltada para a compreensão da realidade e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal inserida na coletividade e, consequentemente, com o seu meio. Isso se reflete de forma tal, no sentido de que o homem não pode mais pensar na vida ou no seu bem-estar, prescindindo de inerências fundamentais que estão peculiarmente interligadas ao seu convívio social, político, educacional, ambiental, dentre outras. E a educação tem sido fortalecida nessa busca de encontro entre a realidade e a consciência cidadã. Neste sentido, observa Bordenave & Pereira (1977:78) que: (...) a educação é um processo social indispensável à formação da mentalidade dos cidadãos de uma sociedade e, assim, inequivocamente, fundamental para a construção das estruturas cognitivas (no nível do indivíduo) e conceituais (no nível da produção social do conhecimento) que lastreiam o desenvolvimento de uma sociedade. Isto quer dizer que será necessário um redimensionamento na exploração das potencialidades produtivas individuais arregimentadas para uma consciência cidadã que qualifique o atual modelo e consagre a liberdade e a igualdade como meio de alcançar o fim educacional no desenvolvimento almejado. E, diante desse fato, a educação é convocada, prioritariamente, para expressar uma nova relação entre o desenvolvimento e os diversos fatores que possam contribuir para associar o crescimento econômico à melhoria da qualidade de vida sem prejuízo à consolidação dos valores humanos. A educação, portanto, vai se dirigindo a levar o ser a um ato cognoscente, tornando indispensável o diálogo, a crítica fundada na criatividade, estimulando a reflexão e ação verdadeira dos homens sobre a realidade, atenta às mudanças e que corresponda à condição dos homens no contexto do exercício da cidadania. Assim, defende Ferreira (1993:221) que "a educação para a cidadania precisaria empenhar-se em expurgar de cada homem as crenças, as fantasias, as ilusões e, quem sabe, as paixões que em nada contribuem para o desenvolvimento de uma consciência crítica". Com isso, observa, então, que as pessoas precisam do conhecimento sistemático para chegar a ser cidadãos, tratando que a cidadania vai além da aquisição do conhecimento de conteúdos sistematizados, necessitando a racionalidade técnica, com o interesse de dominação, ligada aos princípios epistemológicos do positivismo, trabalhando com os pressupostos da predição e controle, com o pressuposto do consenso social; a hermenêutica, cujo interesse é a comunicação, filiada à perspectiva da fenomenologia, na qual o binômio intencionalidade/significação é o ponto fundamental; e a emancipatória, cujo interesse básico é a libertação do homem, e avança na crítica às relações sociais, nas quais se estabelecem os óbices à emancipação dos homens: as relações de poder, as normas e as significações elaboradas pelo próprio sistema. Assim, a cidadania aparece como o resultado da comunicação intersubjetiva, através da qual indivíduos livres concordam em construir e viver numa sociedade melhor (Ferreira, 1993; Giroux, 1986). Mediante isso, destaca-se que educar o homem para a cidadania, significa, então, prepará-lo para viver em sociedade de classe, seguindo padrões de uma política necessária à existência de um mínimo de consenso social. Neste sentido, apreende-se que o homem precisará estar sintonizado de forma equilibrada consigo e com o seu ser, enquanto indivíduo coletivo, agindo interativamente e sendo co-responsável por seus aspectos positivos e negativos advindos das metaformoses da atualidade. Com a promulgação da Constituição Federal do Brasil de 1988, principalmente, a partir do seu art. 205, que define as regras que regerão as coisas afeitas à educação e que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento do cidadão, preparando-o para a cidadania e qualificando-o para o trabalho. Tais determinações levaram à Lei 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, reafirmando que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. O que quer dizer que fica especificado que as práticas sociais e políticas e as práticas culturais e de comunicação, são integrantes do exercício do cidadão. Inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, a presente LDB passou a ter a finalidade de desenvolver o educando de forma a prepará-lo para o exercício da cidadania e sua qualificação para a vida e para o trabalho. A sua característica fundamental é tratar a educação delineando princípios norteadores suficientemente maleáveis para que o ensino aconteça em cada momento e em cada local de acordo com as condições necessárias e características próprias, valorizando a integração da escola com o mundo real e do trabalho, além do aproveitamento pela escola, de todo e qualquer conhecimento ou habilidade adquiridos pelo educando em sua vida (Dornas,1997). Tal lei, entretanto, defende que a aprendizagem não esteja condicionada apenas a conteúdos específicos da pedagogia tradicional, mas que além da instrução conteudística de um currículo pré-estabelecido, estejam presentes, transversalmente, temas outros que possibilitem a formação do sujeito, a globalização do conhecimento, a preparação para o trabalho e o exercício da cidadania. Neste tocante, comenta Carneiro (1998:10) que: O texto da 9394/96 oferece um espaço de flexibilidade para que os sistemas de ensino operem, criativamente os seus ordenamentos. A lei respalda a prática da autonomia pedagógica e administrativa e da gestão financeira como condição para a escola executar, realmente, o seu projeto pedagógico. A lei abrangente como se constata, trata dos princípios básicos, da estrutura do ensino, do calendário escolar, da incumbência de todos, da gestão democrática no ensino público, da competência do estabelecimento de ensino, da educação infantil, passando pela educação especial, à distância e experimental, até o superior, calcada na estética da sensibilidade, na política da igualdade e na ética da identidade, orientando, assim, as escolas pelos valores apresentados nos fundamentos de interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, no respeito ao bem comum e à ordem democrática e no fortalecimento dos vínculos da família, os laços de solidariedade humana e tolerância recíproca. Com isso, a escola proposta será aquela que se direcionará a produzir cidadãos e cidadãs alfabetizadas na compreensão, na atitude crítica e no uso de linguagens várias, dentre elas as audiovisuais e as da informática, no contexto de indivíduos com um conhecimento cultural de base que lhes permita situar a informação e dar-lhe sentido, como, por exemplo, o de integrarem-se a um mercado de trabalho possibilitando o processo de inclusão, além de se tornarem mais solidários e tolerantes. E, neste sentido, a LDB se organiza a partir dos princípios da estética da sensibilidade, que estimula a criatividade, o espírito inventivo, a curiosidade pelo inusitado, a afetividade para facilitar a constituição de identidades capazes de suportar a inquietação, conviver com o incerto, o imprevisível e o diferente; a política da igualdade, no reconhecimento dos direitos humanos e exercício dos direitos e deveres da cidadania como fundamento da preparação do educando para a vida civil com condutas de participação e solidariedade, respeito e senso de responsabilidade, pelo outro e pelo público; e a ética da identidade, que se constitui a partir da estética e da política, para o ideal do humanismo num processo de construção de identidades, pelo desenvolvimento da sensibilidade e pelo reconhecimento do direito à igualdade, além do reconhecimento da identidade própria e do outro. Sedimentada a partir destes pressupostos, a LDB dedica do art. 58 ao 60, todo aparato legislativo para desenvolvimento da educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar oferecida preferencial para educandos portadores de necessidades especiais. Tais artigos tratam do atendimento educacional, da oferta, do sistema através de currículos, métodos, técnicas, recursos, dentre outros, visando a terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido, bem como da formação para o trabalho visando a efetiva integração na vida em sociedade e o acesso igualitário aos benefícios. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
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YUS, Rafael. Temas transversais. Porto Alegre: Artmed, 1998

BIENAL DO LIVRO DE ALAGOAS
TATARITARITATÁ NA BIENAL DO LIVRO DE ALAGOAS & ANIVERSÁRIO DA CIDINHA MADEIRO – Hoje, penúltimo dia da V Bienal Internacional do Livro de Alagoas, um acontecimento merece destaque: aniversário da minha amiga média e crítica literária, Cidinha Madeiro. Feliz aniversário, Cidinha.


Registro a presença do cantor, compositor e jornalista alagoano, Mácleim


Presença do cantor e compositor alagoano, Ibys Maceioh


Do escritor e secretário de cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima


Do cantor e compositor Naldinho


Da escritora Lucciana Fonseca


Do músico Fagner Dubrown


PORTAL DO POETA BRASILEIRO/ EDITORA ILUMINATTA – Uma performance ocorreu no estande do Portal do Poeta Brasileiro da Editora Iluminatta, comandado pela Aline Romariz e Teco Seade.

De primeira Aline Romariz e Teco Seade




















PERFORMANCE NO ESTANDE DA FUNDAÇÃO DE AÇÃO CULTURAL – No estande da Fundação Cultural ocorreu a performance comandada pelo poeta Demis Santana.






ENCONTROS ESPECIAIS E COMEMORAÇÕES – Ocorreram vários encontros e comemorações no estande da Secult/Biblioteca Pública Estadual aqui meritoriamente registradas:

















ESTANDE DA SECULT/BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO – Estarei todos os dias até o dia 30 no estande da Secult/Biblioteca Pública do Estado, com exposição de todos os meus livros infantis, DVD e folheto de cordel, além da distribuição gratuita do zine Tataritaritatá. Espero você por lá. Veja mais desse evento no Brincarte.


Veja mais sobre:
Infância, imagem e literatura, Hermilo Borba Filho, Ixchel, Diego Rivera, Jean Sibelius, Epicuro de Samos, Horácio, Anne-Sophie Mutter, Irene Ravache, Ziraldo & Maria Luísa Mendonça aqui.

E mais:
Dia Branco aqui.
A mulher da Renascença ao Marxismo aqui.
A mulher, o Movimento Sufragista, o Feminismo & Vida de Artista aqui.
A trajetória da mulher por seus direitos no sec. XX aqui.
Precisando de secretária, uma homenagem aqui.
A mulher no Brasil Colônia aqui.
A mulher no Brasil Império aqui.
Josiele Castro, a musa Tataritaritatá aqui.
A mulher na República e na campanha sufragista do Brasil aqui.
Fecamepa: corrupção x cláusula da reserva do possível aqui.
Feminismo no Brasil, Vera Indignada & Nitolino aqui.
O pisoteio noturno & Anátema aqui.
Combate à violência contra a mulher aqui.
Paroxismo do desejo aqui.
A arte de Mariana Mascheroni aqui.
A mulher Lutas & Conquistas & Festa Brincarte do Nitolino aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...