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quarta-feira, julho 15, 2020

KAWABATA, TOUSSAINT, HERMILO, CONAN DOYLE & LITERÓTICA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: A MARÉ ESTÁ BRABA, MAS NÃO PODE AMOLECER - O Brasil tem dessas coisas: a gente fica com a bronca pelo pescoço, tentando não naufragar nas crises inventadas, manipuladas e desembocadas só para quem tem e muito! E digo isso por décadas de timbungada pelas sazonais desditas que sobram das mazelas escondidas dos que comandam o país, avalie. Não dá outra, do lado de cá da corda, a coisa fica para lá do horror com tudo à deriva, pagando o pato e só lapada no toitiço. Por isso que, para mim, sempre vale o que vociferava a Emmeline Pankhurst: Nós não queremos quebrar as leis. Nós queremos fazer as leis. Por isso, nunca se renda, nunca desista da luta! E mais ainda: por já se saber de cor e salteado aqui o que o Walter Benjamim deixou sacramentado: Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe! O capitalismo nunca morrerá de morte natural. Pois é, os pilotos sabidos sempre se esconderam na horagá e, agora, mais do que nunca, estamos desgovernados não se sabe para qual fundura ao deus dará. Vamos nessa e às cegas, afinal somos todos um.

DUAS: CUIDANDO ENTRE OLHO ABERTO & OUTRO FECHADO - Entre um piscado e outro dos olhos, constato: o que há entre o desiderato e o alarido dos tormentos, só dão em prevalecentes aporias. Ou, melhor dizendo: o mesmo que um meio de campo embolado pela retranca de desalmados aventureiros que não estão nem aí pra gente na geral com o coração na mão e sem nem saber para que lado torcer. Aí tudo é só pesadelo e manadas se formam umas atrás das outras e quem fica com o olho aberto fica feito os 7 gols alemães. Sinto que aí a gente foi sacaneado de um jeito ou de outro. Vamos lá. Quando me bate alguma emoção onírica, recorro logo ao Jacques Derrida: Eu sempre sonho com uma caneta que seria uma seringa. O que não pode ser dito acima de tudo não deve ser silenciado, mas escrito. Como ninguém me ouve nem deve, meto as catanas para cima e arrocho nos garranchos até não querer mais de tão rouco. É isso.

TRÊS: MISTURANDO AS TINTAS DAS LETRAS & CORES - Nada me basta mesmo, afoito que só! Nem bem comecei a soletrar umas escritas recorrentemente desmanchadas por escansões inapropriadas, mormente confusão entre os sintagmas e outros tantos solecismos, coisa de poetastro metido a beletrista. Pois é. Ainda por cima, inventei de pincelar sem o devido domínio nem das cores primárias – resultaram inúteis as repetidas consultas ao manual do Israel Pedrosa -, meti as mãos pelas pernas e findei colando imagens sob tintas, o que deu na maior seboseira. Aí, tentando esconder minha imperícia, achei melhor deixar meio que quase monocromático abstrato para passar a ilusão dum p&b lá que meio desaprumado. É que eu havia levado ao pé da letra Rembrandt: Tente colocar em prática o que você já sabe e fazendo isso, você descobrirá, com o tempo, as coisas escondidas sobre as quais agora você se questiona. Pratique o que você sabe e isso ajudará a tornar claro o que agora você não sabe. Quanto mais perigoso, mais belo! Ah, ledo engano esse meu. Só que eu não sabia, esse o detalhe e a questão, confesso. Taí, todo dia emplaco uma no cabeçalho daqui, mesmo convencido de que nunca levei jeito para nada, sempre o imprestável: vai ser desajeitado assim no raio que parta, broco! Digo pra mim mesmo: desculpa de amarelo é comer barro, hehehehehe. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: No momento, nosso mundo de humanos é baseado no sofrimento e na destruição de milhões de não-humanos. Aperceber-se disso e fazer algo para mudar essa situação por meios pessoais e públicos, requer uma mudança de percepção, equivalente a uma conversão religiosa. Nada poderá jamais ser visto da mesma maneira, pois uma vez reconhecido o terror e a dor de outras espécies, você irá, a menos que resista à conversão, ter consciência das permutações de sofrimento interminável em que se apoia a nossa sociedade. A mediocridade não conhece nada mais do que ela mesma, mas o talento instantaneamente reconhece o gênio. Aprendi a nunca ridicularizar a opinião de ninguém, por mais estranha que possa parecer. Pensamento do escritor e médico britânico Arthur Conan Doyle (1859-1930), aquele mesmo das inventivas histórias do detetive Sherlock Holmes. Veja mais aqui.

 

OUTROS DITOS

Não me pergunta mais nada do passado. São infinitos os modos como os tesouros caem do céu...

Pensamento do escritor japonês prêmio Nobel de Literatura de 1968, Yasunari Kawabata (1899-1972). Veja mais aqui e aqui.

 

O OSSO, DE HERMILO BORBA FILHO

[...] Na mesma comida de todos os dias, três dias depois Lonico-Soldador na sopa viu o osso: reconheceu-o, não podia se enganar; e sem ninguém lhe prestar atenção puxou o canivete e gravou na lasca do osso um W que para ele significava vai-e-volta; e comeu tudo sem a menor indisposição, até achando graça na picardia de Guará, sem o osso rico dando uma de guaxumé na sopa sem guaxumé; e nos dias que se seguiram tratou de prestar atenção à sopa dos outros e foi vendo o osso de prato em prato, ora nesse ora naquele: chegava a se levantar da sua mesa, ia lá, agarrava o osso, via o W, ria e voltava. De casa em casa, nas lides do oficio, soldando panelas, frigideiras, papeiros, tachos, Lonico-Soldador, nos almoços de cozinha, quebra da paga, foi acompanhando a vida do osso: tanto podia vir na sopa como no chambaril, como no cozido como na mão-de-vaca; viu o osso na cozinha do prefeito, na do juiz, na do médico, na do promotor, na do tabelião, voltou a vê-lo no boteco do Guará e viu-o na cozinha do padre num dia, na do pastor protestante no outro, vez por outra de novo em Guará, certa vez em casa de um seleiro que morava na Rua da Ponte, outra na de um ferroviário, o osso sempre amarelado, mas sem guaxumé, fingindo de rico sem mais sustança. Indo soldar o cano de um quintal viu-o no reco-reco da roedura de um perdigueiro, deu-o por perdido, mas no dia seguinte lá estava na rica e linda sopa do mais abastado comerciante de sexos e molhados da cidade, boiando, resplandecente, o W cada vez mais cavado; e até o fim da sua vida, que foi longa, Lonico-Soldador conviveu com o osso, vez por outra falando com o osso quando não havia ninguém por perto, não com medo do escândalo, mas com medo de que descobrissem o seu segredo [...].

Trecho do conto extraído da obra Contos (CEPE, 2017), de Hermilo Borba Filho. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

FAZER AMOR, DE JEAN-PHILIPE TOUSSAINT

[...] Mesmo antes de nos beijarmos pela primeira vez, Marie já tinha começado a chorar: Tinha sido em um táxi, havia mais de sete anos, ela estava sentada ao meu lado, com o rosto coberto de lágrimas, na penumbra do veículo que atravessava as sombras fugidias das margens do Sena e os reflexos amarelos e brancos dos carros com que cruzávamos. Aquela altura, ainda não nos tínhamos beijado, eu ainda tinha feito a mínima declaração de amor – mas será que algum dia eu já lhe fiz alguma declaração de amor? -, e fiquei lá olhando para ela, comovido, desamparado, por vê-la chorar daquele jeito ali ao meu lado [...].

Trecho extraído da obra Fazer amor (Globo, 2005), do escritor, cineasta e fotógrafo belga Jean-Philippe Toussaint. Veja mais aqui & aqui.

 

A MULHER DO ALGODÃO
[...] em uma escola particular, onde começaram a circular boatos sobre uma tal mulher loura que aparecia no banheiro das crianças em busca de seu filho morto. [...] E todos os dias estudantes saiam correndo do banheiro gritando: “Eu vi a loura! Eu vi a loura!” O pavor era grande. [...] Certa vez, minha irmã mais velha – que estudava na mesma escola que eu – sentiu vontade de ir ao banheiro durante a aula. Mas ninguém poderia acompanhá-la naquele momento. As escadarias do colégio estavam desertas: já no caminho ela sentiu um calafrio! E o banheiro estava escuro. Ao entrar, minha irmã dirigiu-se ao cubículo mais próximo da porta, pois já pensava em ter que fugir. Trancou-se na tentativa de ficar segura, usou o sanitário de olhos fechados e, de repente, sentiu uma presença. Abriu os olhos e lá estava a loura parada em sua frente. Tinha cabelos longos e claros, e uma expressão muito triste que só não chamava mais atenção do que os chumaços de algodão ensanguentados no nariz. Por um momento, a minha irmã pensou em fugir, mas a passagem estava bloqueada pela mulher. Tentou se acalmar um pouco e ficou ali durante alguns segundos observando o fantasma que, do mesmo jeito que apareceu, desapareceu sem deixar nenhum vestígio. [...].
A MULHER DO ALGODÃO - Trechos de um relato extraído da obra Histórias medonhas d’O Recife Assombrado (Bagaço, 2002), organizado por Roberto Beltrão. Veja mais aqui.

A DANÇA DE CRISTINA MOURA
A confusão da arte contemporânea, o lugar do público e do intérprete, o processo artístico, o estar em cena. O espetáculo fala do que vivemos hoje.
CRISTINA MOURA - A arte da coreógrafa, atriz, diretora, bailarina e artista múltipla Cristina Moura, que estudou e tornou-se membro da companhia EnDança e, depois, ingressou no Coletivo Improviso. Desenvolveu as performances Como um idiota (Like an Idiot - 2003), Im-Pulso e o mais recente solo Agô. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
RecorDança, um acervo do projeto de pesquisa, documentação e difusão da memória da dança, realizado pela Associação Reviva, desde 2003, reunindo o registro digitalizado de fotos, vídeos e programas de espetáculos produzidos na Região Metropolitana do Recife.
&
Os ambulantes de deus, do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976) aqui.
A obra do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui & aqui.
A música do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre aqui.
Sísifo, do poeta Marcus Accioly (1943-2017) aqui.
Pintando na Praça aqui & aqui.
Das quedas, perdas e danos aqui.
&
Gameleira aqui & aqui.
 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA: SOU NELA...

Atordoado por seu encanto a noite voava dos porões de seu ser para me inebriar com a sua astuta entrega nua celebrando o apogeu de nosso gozo inenarrável...

Veja mais Literótica aqui & aqui.

 



domingo, dezembro 24, 2017

YUKIO MISHIMA, FRITJOF CAPRA, LILIAN HELLMAN, HANNE DARBOVEN, UNMANI, AGLAURA CATÃO, CRIAÇÃO, DIFICULDADE NA ESCOLARIZAÇÃO, CRÔNICA NATALINA & LITERÓTICA

 
A arte da artista conceitual alemã Hanne Darboven (1941-2009). Veja mais aqui.

LITERÓTICA: PRIMEIRO POEMA DE AMOR - Foi com seu jeito franzino que ela tirou um fino no céu e acertou em cheio e com escarcéu a minha retina. Esse jeito menina cheia de vida traquina virou a noite do dia dentro de mim que sem guia e na maior fantasia ficou tatuada na memória. Era a sua vitória, uma asa torta, pá virada. Eu de chapa: será roubada? Era não, era uma deusa em plena profanação. Ah, que festão no meu coração. O cheiro da sua carne amena, uma menina falena cheia de truques e simulação. Eu na maior perdição. Ela apontando pro norte e eu seguia pro sul sua sorte, maior gamação. Eu, então, sigo seu jeito que ofusca quando ela aonde me busca e não me dou por vencido. Sou enxerido e muito pelo contrário, sou vencedor. Sou o domador dessa andeja presente. E a gente, coração cheio divide a vida meio a meio sem prova dos nove ou descarte. Ela faz estandarte da minha expressão. E me leva nas mãos pelo rio do seu ventre. Eita, chaleira quente das boas esquentadas, seu chamego ponto de chegada que de mim resta quase mais nada porque sou simplesmente um reles dependente, humano reincidente querendo seu colo e suas miragens, paisagens oníricas de sua boca fatídica dos meus naufrágios. Ela cobra então ágio no nosso céu de beijos, multiplicando os desejos de abraços, cobiças e ânsias. Santa extravagância! E a vida treme nos seios dela, entre o meu coração e a apalpadela no seu sexo gostoso, é aí que vem o gozo de todos ais e uis porque os nossos sonhos são todos tão azuis. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.


DITOS & DESDITOS – A única maneira de sobreviver neste ninho de cobras é agarrando-se a um princípio. Um princípio nobre. O mais nobre que você puder. E, enquanto eles estiverem olhando para este princípio, você escapa com o dinheiro. Pensamento da escritora estadunidense Lilian Hellman (1905-1984).

ALGUÉM FALOU: Quando você aprende a respirar e a relaxar na presença de seus sentimentos, você se une à sua natureza, cura o fluxo da sua vida, sua consciência é expandida, antigos padrões de comportamento desaparecem e doenças físicas são substituídas por saúde e jovialidade. Pensamento da psicóloga Ma Prem Unmani.

ATO CRIADOR – [...] A ênfase dada ao processo sugere, assim, uma porta de entrada para a transdisciplinaridade, em que conexões entre ciência e arte, por exemplo, podem ser melhor examinadas. [...] Este mesmo caminho pode ser seguido em outras direções. Esta mesma morfologia oferece meios para se discutir processo em sentido bastante amplo, seja este concretizado na ciência ou na sociedade, como um todo. [...] A proposta de compreender o ato criador nos leva, certamente, à constatação de que uma possível morfologia do gesto criador precisa falar da beleza da precariedade de formas inacabadas e da complexidade de sua metamorfose. Trechos extraídos da obra Gesto inacabado: processo de criação artística (Fapesp/Annablume, 1998), da linguista e professora Cecília Almeida Salles. Veja mais aqui.

A FÍSICA HOLÍSTICA: CONEXÕES OCULTAS – [...] Minha aplicação da abordagem sistêmica ao domínio social abarca em si, tacitamente, o mundo material [...] Nossas disciplinas acadêmicas organizaram-se de tal modo que as ciências naturais lidam com as estruturas materiais, ao passo que as ciência sociais tratam das estrutras sociais, as quais são compreendidas essencialmente como conjuntos de regras de comportamento. No futuro , essa divisão rigorosa já não será possível, pois o principal desafio deste novo século – para os cientistas sociais, os cientistas da natureza e todas as pessoas – será a construção de comunidades ecologicamente sustentáveis, organizadas de tal modo que suas tecnologias e instituições sociais – suas estruturas materiais e sociais – não prejudiquem a capacidade intrínseca da natureza de sustentar a vida. Os princípios sobre os quais se erguerão as nossas futuras instituições sociais terão de ser coerentes com os princípios da organização que a natureza fez eboluir para sustentar a teia da vida. Para tanto, é essencial que se desenvolva uma estrutura conceitual unificada para a compreensão das estruturas materiais e sociais. [...]. Trechos extraídos da obra As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável (Cultriz – Amana-Key, 2005), do físico e escritor Fritjof Capra. Veja mais aqui.

MAR INQUIETO – [...] Não parecia existir sensibilidade especial na pele que os revestia. É, enquanto os bronzeava, o sol os dotara de uma coloração ao mesmo tempo translúcida e brilhante que lembrava a do mel. Em torno de todos os bicos, as aréolas formavam uma sombra difusa que parecia uma gradação natural da cor do mel; não era escuras e úmidas, a sugerir segredos. [...] Trecho extraído da obra Mar inquieto (Companhia das Letras, 2002), do premiado escritor e dramaturgo japonês Yukio Mishima (1925-1970). Veja mais aqui.

VISÃO DA INFÂNCIA – Paralelas as linhas férreas / que nos levam à infância / imagens de pontes e rios / refletindo vagões carregados / de encontros e despedidas. / Visão de um gato branco / adormecido no sonho / longínquo talvez  habite ainda / a casa adormecida. / Linha de ferro, apito de trem / canção da infância / vozes da memoria / varando um tempo cinzento de abismos / ou de setas de sol / incendiando as tardes. Poema da poeta Aglaura Catão. Veja mais aqui.

DIFICULDADE NA ESCOLARIZAÇÃO - [...] a necessidade de um trabalho de intervenção preventiva, que oriente os nossos adolescentes e jovens que sobrevivem nas invasões, palafitas e barracos, em condições deploráveis e sem acesso à dignidade, nas comunidades periféricas [...] na perspectiva de nos anteciparmos às armadilhas do submundo do crime e da promiscuidade que seduzem esses desvalidos. Porque, quando iniciados, esses adolescentes e jovens se desvinculam de todo e qualquer princípio [...] e passam a valorizar ações e comportamentos equidistantes da chamada sociedade organizada. [...] A sociedade não pode continuar fugindo das responsabilidades com esses adolescentes e jovens, que nada mais são do que o resultado de todo um cruel processo de exclusão, ausência de políticas públicas eficientes e falta de vontade política, que afeta mais do que uma geração inteira, com o agravente de que as futuras gerações fatalmente também serão direta e irreversivelmente, prejudicadas por causa dessa vergonhosa omissão. Trechos extraídos da obra Dificuldades na escolarização dos adolescentes privados de liberdade em Pernambuco (FASA, 2011), do professor João Constantino Ferreira Neto. Veja mais aqui.

ENUMERAÇÃO DO TEMPO
No meu trabalho, procuro o mais possível a expansão e a contração entre os limites conhecidos e os desconhecidos.
A arte da artista conceitual alemã Hanne Darboven (1941-2009). Veja mais aqui.


Muito ouvi dizer: ano meiou, ano findou! E num é que é mesmo! Ainda ontem era primeiro de janeiro de dois mil e dezesseis, êpa, leia-se: dezessete pé que foram dois anos tão iguais, talqualzinhos, cara dum, cu de outro, que nem deu preu notar que haviam passados. Quando dei fé, véspera de natal! Como é mesmo? Na vera. Nem me dei conta, como sempre, passei batido. Bem que desconfiei dos insistentes convites para confraternizações, relevei, nunca fui e quase nunca vou. Se me chamar pra trabalhar, para agir, conte comigo; pra festa, não mais. Destá, sou assumidamente farrapeiro. Agora vou aproveitar e fechar pra balanço!


Emparelhando tudo, ativo e passivo: zero. Na batata! Balanço fechado, carea lisa, bolsos vazios e uma esperança imorredoura. Algumas felicitações recebidas, todas devidamente retribuídas como manda o figurino. Se escapou alguma, minhas reiteradas escusas, aproveito aqui para mandar o recado: obrigado, retribuo todos os votos e saudações recebidas. Feito.


Não fossem neres de nada mesmo que sobrasse nem na algibeira, eu presentearia cada um de vocês com uma baita caixa, um caixão decente, papel de presente e tudo o mais, com o melhor do mundo e cada um de vocês. Mas, como as coisas andaram bem pra trás, o golpe não me poupou e sou mais um entre os que não têm nem onde cair morto. Por isso, o que desejo pra mim, desejo para todos: muita Paz, Saúde, Felicidades. Assim seja.


Ah, outra coia: o ano foi bão demais, viva! E mesmo que não teha sido de verdade, que seja. Viva, de novo. Se o restino do ano está brabo ou capengando na claudicância da Nação, nem ligue, faça como eu: viva!


Mais outra coisa: quero agradecer por tudo aos amigos, parceiros, achegados e desafetos. No frigir dos ovos, deu tudo certo mesmo. Tirante as sobradas, escorregões, topadas e chás de cadeira, no mais, tudo na mesma e estou pronto pra outra. No ponto. E vamos nessa!


Pronto. E sem mais delongas, mais de dois milhões de beijabrações paratodos. E como dizem os da tuia: ano que vem é noise na fita traveiz! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!


Veja mais:
Papai Noel amolestado aqui
Crônicas Natalinas aqui.
Ato de Natal de Hermilo Borba Filho aqui.
Conto de Natal de Rubem Braga aqui.
Véspera de Natal aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, dezembro 17, 2017

RUBEM FONSECA, FAYGA OSTROWER, HUIZINGA, ELIAS JOSÉ, LIEBLING, MARLENE DUMAS, LITERÓTICA, QUADRINHOS, SKETCBOOKS, LIVROS BRINCARTE & CANTARAU TATARITARITATÁ!

A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.

LITERÓTICA: CHEGADA - Ela vem nua e linda com os olhos que roubam a minha vida. Nua e linda ela vem e veio como quem havia de alcançar a última esperança perdida. E eu a tomei tão contida como quem chega de um fiapo de luz e se faz de bem acolhido com a querência de terra revolta no ventre pegando fogo, lábios tremendo de rogo, o sexo de fora e o olhar de desmaio, os desejos todos num balaio com relevos da carne de peitinhos empinados e nenhuma rédea no juízo. E nua e linda chegou com gosto de saudade. De lembrança de coisas guardadas e sentidas. Chegou pronta para ser servida, nua e linda, querente, requerente, quente de pegar fogo, boca aberta, língua de fora, ah, felação, engolia a minha vida e o que restava de mim, ávido guerreiro, espada luminosa e pulsante nas estrelas do céu da sua boca, garganta gulosa, lambidas e sugadas, ah, era ela, tudo dela, louca lambuzada, fruta boa para ela pronta para a montaria, amazona nua, trotando aos raios dos cabelos soltos, fera abatida, irrequieta, vingativa, aos pulos e trepadas, ah, tudo dela, inteiro dentro, gozo afora. Até arriar mansa, vencida. Chegou e ficou resolvida a morar pro resto da vida dentro de mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui. 


DITOS & DESDITOS – As pessoas não param de confundir com noticias o que lêem nos jornais. Pensamento do jornalista estadunidense Abbott Joseph Liebling (1904-1963).

ALGUÉM FALOU: Nunca terminamos uma obra, simplesmente somos obrigados a abandoná-la. Pensamento do escritor e roteirista de cinema Rubem Fonseca. Veja mais aqui.

CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL – [...] Esta herança secular chamada civilização ocidental foi-nos confiada para a transmissão às futuras gerações, preservada, protegida, se for possivel, enriquecida e melhorada; empobrecida se assim tivber de ser; em qualquer dos casos, tão pura quanto nos é possivel conservá-la. A fé no trabalho, a crença na possibilidade de salvação e a coragem para a conseguirmos, ninguém nos poderá privar de tudo isso. Pouco importa quem irá colher os frutos dos nossos suores. [...] A obra continua [...]. Trechos extraídos da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945). Veja mais aqui e aqui.

CRIATIVIDADE & PROCESSO DE CRIAÇÃO - [...] a criação é um perene desdobramento e uma perene reestruturação. É uma intensificação da vida. Não haveria como compreender de outro modo o curso de crescimento nos grandes artistas. Sua capacidade de se tornar mais amplos e de uma simplicidade no sentido de uma redução ou eliminação. Trata-se de um adensamento, onde nada fica perdido e tudo é reelaborado com mais coerencia e maior multiplicidade. [...] Trecho extraído da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui e aqui.

O BILHETE DE AMOR - Logo que colocou os objetos embaixo da carteira Pitu encontrou o bilhete. Leu, ficou vermelho, colocou no bolso, não mostrou pra ninguém. De vez em quando, mordia-lhe uma curiosidade grande, uma vontade de reler pra ter certeza. Era uma revelação que ele não estava esperando. Não podia dizer que estivesse achando ruim, pelo contrário... ele estava com vontade de olhar pra trás, para procurar uma resposta com o olhar. Era um tímido e não encorajava. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele viajava num rumo diferente. Ainda bem que ela não estava olhando para ele, nem fazendo perguntas, só estava expondo a matéria. Na hora da verificação, acabaria saindo-se mal. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. Estava meio perdido nos pensamentos confusos. O bilhete queimando no bolso. Interessante, não era um bilhete bem escrito, tinha até erro de Português – porque a curiosidade? Só ele sabia dele, não foi como no dia do correio-elegante, pai, mãe e seu Francisco do armazém querendo saber, dando palpites, agora, tinha um bilhete que trazia uma declaração de amor e uma assinatura. Trazia mais: um convite para um bate-papo na praça, às duas horas, se ele quisesse namorar de verdade. Marina era bonitinha, ele queria. Faltava-lhe jeito de dizer, tinha que escrever um bilhete respondendo, era mais fácil. No intervalo, escreveu o bilhete, fechado no banheiro. Quando ela chegou, a resposta esperava na carteira. Quase no fim da aula, ele criou força e olhou para trás. Marina sorria, confirmando. Ele sorria também. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Tanto assim que a professora pediu que ele virasse para frente, observasse o que ela estava pedindo pra pesquisa do fim de semana. Naquele fim de semana, ele iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado, como alguns outros da sua idade e turma. Conto extraído da obra As curtições de Pitu (Melhoramentos, 1976), do escritor Elias José (1936-2008).



SKETCHBOOKS - A obra Sketcbooks: as páginas desconhecidas do processo criativo (Ipsis. 2010), de Cesar Almeida & Roger Barreto, reúne o trabalho desenvolvido por Alarcão, Alex Hornest, Amanda Grazini, Angeli, Artur D’Araujo, Bruno Kurru, Carla Caffé, Claudio Gil, Eduardo Berliner, Eduardo Recife, Elisa Sassi, Fernanda Guedes, Guto Lacaz, Hiro Kawahara, Kako D'Angelo, Kiko Farkas, Leo Gibran, Lollo, Lourenço Mutarelli, Montalvo Machado, Mulheres Barbadas (Henrique Lima e Julio Zukerman), Orlando, Rafael Grampá, Roger Cruz, Titi Freak e Yomar Augusto.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS – A obra Dominio público: literatura em quadrinhos (Organizadores, 2006), organizada por Christiano Mascaro, João Lin e Mário Hélio, reúne em quadrinhos as histórias de Bram Stoker, Richard Middleton, Isaac Babel, Guy de Maupassant, Esopo e Henrich von Kleist, por quadrinistas como Gabriel Goes, Samuel Casal, Mascaro, João Lin, Fernando Lopes e Guazzelli. Veja mais aqui. Veja mais aqui e aqui.

A IDENTIDADE COMO INTERPRETAÇÃO
Mesmo quando pinto um ser vivo, crio sempre apenas uma imagem, uma coisa, não um ser humano.
A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.


LIVROS PRAS CRIANÇAS

Todo dia é dia de presentear livros pras crianças!
Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui.
&
CANTARAU TATARITARITATÁ
Veja mais clipes/vídeos aqui.


domingo, novembro 26, 2017

AGRIPPINO DE PAULA, PAUL AUSTER, ROBERT KURZ, SIDNEY WANDERLEY, LISA YUSKAVAGE, GEORGE BURNS, DRAGICA MICKI FORTUNA, LITERÓTICA, CANTARAU & CRÔNICA DE AMOR POR ELA

A arte da artista estadunidense Lisa Yuskavage. Veja mais aqui.

LITERÓTICA - ESSA MENINA – Essa menina é feita de lua. Ela voa na rua prontinha querubin. E me apronta tlin tlin no alto da campina onde tudo é cantina feita só de si. Ah, essa menina que dança com jeito, somente a gingar. Qual estrela lá mansa na unha matutina, desde sonsa ilumina onde antes supunha nunca existir. Ela está sempre aqui como chama na retina, como a grama que mina todo o quintal. E se faz de vestal de todos os presságios. Ela alucina ao contágio. E ela só vale ágio na sina do apelo a brilhar nos cabelos toda magia. O que eu mais queria: roubar o seu cheiro, seu secreto terreiro de tangerina. Ah, fulmina iminente – ela não é gente – é deusa a mendigar. Essa menina é feita de mar, intensa, quiçá, real mais divina. Quando vem cabotina só me desmantela. Ela vira a janela pronta pr´eu abrir. Essa menina chega com o olhar ardendo de vida. Quase desvalida com a boca nas asas que vaza e é guia perdidas esquinas, toda emoção repentina com o sopro de aguerrida na pele. O paladar que repele na maior febre, que tudo se quebre ao sol posto - a saliva com gosto de boa cajuína. Ela é tão traquina: o seio da boca sedenta. E venta maior ventania. E, todavia, se põe a chover: o corpo queimando o prazer. Essa menina é feita do rio que escorre ao quadril pra me afogar. Patati, patatá, é ela que me abriga como se eu fosse a viga que ela quer sustentar. Essa menina, bailarina da noite, em carne viva, vitalina, essa flor menina a me servir sucessivas entregas, peças que prega nos meus cinco sentidos. Essa menina é feita de peso: a coxa tatua o desejo que as pernas eqüinas rolam sobejo do sexo azul. Eu todo taful com seus pés nos meus braços que o abraço fulmina e lateja, água que poreja tão pequenina e vira ribeirão na luz feminina. Vingo-lhe a nuca que me ilumina e ela me sorri encantada, franzina com a gula que vai da glória à ruína. Essa menina e a mão culpada de amor. Ela brota, ereta, me socorre, me empesta. Salta da grota, na greta, virada na breca, capeta, na alvura exalta, cristalina. E tudo se arrasta, arrebata, contamina. E me larga no sopro. Meu corpo oficina. Maior serpentina de carnaval. E me faz imortal. Vem e ilumina a vida toda esquecida no meio da paixão. É quando, então, ela cisma do mundo e reduz quase tudo na palma da mão onde ela mais que altaneira me deita na esteira e me nina um milênio de paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.


DITOS & DESDITOS – Os livros nunca vão morrer. É impossível. É a única hora em que de fato entramos na mente de um estranho e descobrimos nossa humanidade em comum. Assim sendo, o livro não pertence apenas ao escritor, mas também ao leitor, e juntosd vocês fazem do livro o que ele é. Pensamento do escritor estadunidense Paul Auster. Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: Na realidade, basta um drinque para me deixar mal. Mas nunca sei se o 13º ouo 14º. Frase do comediante e escritor estadunidense George Burns (1896-1996).

COLAPSO DA MODERNIZAÇÃO - [...] Os recursos humanos e materiais (força de trabalho, instrumentos, máquinas, matérias-primas e materiais) deixam de ser simples componentes do "metabolismo entre os homens e a natureza ", que serve para a satisfação das necessidades. Passaram a servir apenas para a auto-reflexão tautológica do dinheiro como "mais dinheiro". Necessidades sensíveis somente podem ser satisfeitas, portanto, pela produção não sensível de mais-valia, que se impõe cegamente como produção abstracta, em empreendimentos industriais, de lucro. A troca no mercado deixa de servir para a mediação social de bens de uso, servindo, ao contrário, para a realização de lucro, isto é, para a transformação de trabalho morto em dinheiro, e a mediação dos bens de uso passou a constituir somente um fenómeno secundário desse processo essencial que se realiza na esfera monetária. Todo o processo vital social e individual é assim submetido à banalidade terrível do dinheiro e de seu automovimento tautológico, cuja superfície apresenta-se, em diversas variações históricas, como a famosa economia de mercado moderna. Atrás da ligeira subjectividade da troca no mercado esconde-se o pesado homem trabalhador, que apenas em sua forma mais grosseira aparece como um Stachanov; mesmo atrás da fachada mais brilhante da embalagem colorida dos valores de uso oculta-se a qualidade de capital fetichista dos produtos que faz deles "coágulos de trabalho" fantasmagóricos (Marx). Sua forma de existência sensível torna-se algo secundário, e um mal necessário para o processo do trabalho abstracto e do dinheiro. A submissão do conteúdo sensível do trabalho e das necessidades à auto-reflexão cega do dinheiro é de carácter monstruoso. Essa monstruosidade manifesta-se, durante a evolução da modernidade, em escala historicamente crescente, nas crises em que enormes quantidades de recursos humanos e materiais ficaram paralisadas por não poderem mais cumprir, por motivos incompreensíveis, aquela finalidade absoluta de transformar trabalho vivo em dinheiro. Por outro lado, foi precisamente esse desenvolvimento que, num processo contraditório em si mesmo, fez nascer as forças produtivas modernas e criou uma ampliação enorme das necessidades e possibilidades dos indivíduos. Os efeitos colaterais não intencionais do moderno sistema produtor de mercadorias ocultaram, durante muito tempo, em sua fase de ascensão histórica, o conteúdo negativo com elementos positivos. Enquanto cumpria essa "missão civilizatória" (Marx), esse sistema funcionava perfeitamente, vencendo todas as relações de reprodução estamentais, estáticas, pré-modernas. As crises eram apenas interrupções em seu processo de ascensão e pareciam, a princípio, superáveis. [...]. Trecho extraído de Lógica e ethos da sociedade de trabalho, extraído da obra O Colapso da modernização - da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial (Paz e Terra, Brasil, 1993), do filósofo alemão Robert Kurz (1943-2012), propondo uma leitura inesperada dos fatos que levaram à derrocada dos países socialistas, fornecendo um novo arsenal de idéias para a compreensão de tão importante fenômeno. Segundo o autor, esse movimento representaria o início da crise do próprio sistema capitalista e não a decadência do socialismo. É o impasse em que o sistema capitalista encontra-se que o autor  de forma arguta analisa.

PANAMÉRICA – [...] Os atores entraram no cenário e começaram a representar uma família americana classe-média. Eu sorria com a cena que transcorria no palco e me sentia feliz. Os atores representavam uma família feliz, e eu via na porta da casa um vaso de flores, e eu me sentia feliz de ver aquela família classe-média americana, o pai conversando com a filha, o filho conversando com a mãe e os irmãos. A harmonia e felicidade da cena se transmitiam para mim, e eu sorria imaginando que eu futuramente poderia formar uma família exatamente igual àquela. [...] Eu e ela estávamos ali encostados na parede. Ela estava em silêncio e eu estava em silêncio. Eu sentia o corpo dela junto ao meu, os dois seios, o ventre, as pernas, e os seus braços em envolviam. Eu pensei que ela deveria sentir o calor que eu estava sentindo. Nós dois estávamos imóveis encostados à parede, eu não me recordo quanto tempo, mas nós estávamos abraçados e encostados ali há muito tempo. Eu não me recordava se eram horas, dias, meses. [...].Eu tocava o corpo dela de leve com meu corpo e ela tocava de leve o meu corpo com o corpo dela. Nós permanecemos nessa oscilação e toques leves durante longo tempo. Marilyn Monroe tocava as pontas dos seios no meu peito e eu segurava de leve a sua barriga e acariciava os pelos dela com os dedos. [...] Nós permanecemos nesse toque mútuo longo tempo enquanto eu ouvia a sua respiração leve e ritmada. [...] Eu e ela deitamos no chão vestidos e nos agarramos um ao outro excitados. Eu via o rosto dela avermelhado nas faces, e na fronte pequenas gotículas de suor. De instante a instante eu ela fechávamos os olhos e nos beijávamos. [...] Eu subi sobre o corpo dela e eu ela estávamos vestidos. Eu introduzi as mãos sob o vestido e retirei a calcinha [...]. Eu voltei a subir sobre o corpo dela e nós nos mantivemos esfregando um corpo ao outro. [...] Eu via o sexo dela úmido e semi-aberto para mim. Eu aproximei a boca do pequeno lábio vermelho e úmido e beijei introduzindo a língua. Marilyn tremeu, soltou um gemido e girou o corpo bruscamente. [...]. Trechos extraídos da obra PanAmérica (Papagaio, 2001), do escritor, dramaturgo e cineasta José Agrippino de Paula (1937-2007).

CIDADE – Cidade, / cada um inventa a sua. / Há quem a descreva rubra, / negra, lilás, gris, solar, / repleta ou despovoada, / punhal ou regaço / - quase sempre encoberta / pela densa pátina que enevoa a memória / ou pelas cores febris da fantasia. / Cidade é tão só um jeito / de se ber e de ber-se / um jeito de esquecer / e de lembrar. Poema extraído da obra Em dias de sim (Imprensa Oficial, 2012), do professor e poeta Sidney Wanderley. Veja mais aqui e aqui.

A arte da artista estadunidense Lisa Yuskavage. Veja mais aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Leitora Tataritaritatá

 
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Art by Dragica Micki Fortuna


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...