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domingo, novembro 14, 2021

JHUMPA LAHIRI, BALTASAR GRACIÁN, JULIANA VALVERDE & JUAREIZ CORREYA.

 

 

TRÍPTICO DQP – A palavra calada... - Ao som dos álbuns Um cravo bem variado (Vol. 1,1996 – Vol. 2, 2006) e Um pouco de tudo (A Little bit of Everything, 2016) da pianista Regina Schlochauer. - Lá vou eu dia mais dia menos insulado em minhas próprias ideias e arroubos. Sigo como quem perdeu a vírgula e foi expatriado, quando não estranho em meu próprio país. Apesar de esgotado como se não tivesse mais nada a fazer, não preciso agradar, nem quero, diante de mim só desvios por descaminhos e bifurcações, nenhum pouso certo. Escapo e me seguro como posso para não ser levado de roldão, porque não quero me salvar dessa enlouquecida dissimilitude no meio de dogmas, superstições e notícias falsas - quantas insuficiências, privações. Na verdade, quanta gente ofendida, mal-humorada, umbigocentrista com seus acicates... Vira e mexe, o que rende? Não mais que loas irreveláveis. Vale dizer, o que quer que se faça, a crassa ignorância de acólitos vetores ressentidos, abraçados com seus próprios rancores e a repetirem aos borbotões o que nunca leram do vetusto Oráculo manual y arte de prudência (Sextante, 2006), do escritor espanhol Baltasar Gracián y Morales (1601-1658): Não se vive seguindo uma só opinião, um só costume ou um só século... Não há nada tão amável quanto a virtude, nem tão detestável quanto o vício. Só a virtude basta a si mesma. Faz-nos amar os vivos e lembrar os mortos... Um homem atento percebe que é ou será visto. Sabe que as paredes têm ouvidos e que o que é malfeito acaba sendo conhecido... Ah, não! Quantas máscaras pros seus disfarces de homo habilis, rudolfensis, erectus, heidelbergensis, neanderthalensis, ergasters, sapiens, fabers, communicans, o ludens do Huizinga, o videns do Sartori, – até o Homo Deus de Yuval Noah Harari:... estamos à beira de uma revolução importante. Os humanos correm o risco de perder seu valor econômico porque a inteligência está se desvinculando da consciência... - e o retrocedens (Vixe! Nossa! Será mesmo?). Nada por acaso. É como se um guarda-chuva encontrasse de novo uma máquina de costura sobre a mesa de autópsia para copularem desordenada e explicitamente. E, por causa disso, o tempo parasse de não mais. Sou salvo porque, de repente, ela chega e ao presenciar todo meu espanto, recitou-me um trecho d’O haver de Vinicius de Moraes: Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura / Essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo / - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido... Ah, como é prazeroso tê-la ali, revê-la, ouvi-la. Em retribuição, saquei do violão e entoei a canção que fiz para A palavra calada de Vital Corrêa de Araújo: desfibra a palavra quando cala / quando o caule da árvore da fala / que é vento verbo e alicerce / anoitece / quando as seivas todas são sugadas / e o trêmulo das folhas proibido / quando os discursos são lacrados / dentro das praças sitiadas / e o som negado aos ouvidos / e o grito cortado na garganta / e o medo aberto no meio abrupto do dia / desfibra a palavra quando a árvore da fala / e os frutos dos gritos são demolidos / pelos silêncios vivos. Sim, anoitecia. Ao final, ela me premiou um sorriso, sabia: era a minha forma de escapar da loucura.

 


Não era apenas uma... – Imagem: arte da artista visual Juliana Valverde: Sigo meu caminho rumo a regeneração fazendo colagens, recortando colando ressignificando ideias relações inquietações através arte arquitetura educação. - Sim, ela me salvou da loucura extrema, muito embora eu saiba que não detenho nenhuma sanidade mental no meio desse genocídio que virou o meu país, no meio desse tempo escatológico de últimos instantes. Sim, foi nos braços dela de Vênus restaurada de Man Ray, como se fosse Juba na pele da atriz neozelandesa Kerry Fox, a me envolver nas cenas do Intimité (2001) de Patrice Chéreau, por todas as manhãs, tardes e noites: embaraçados e sem tem ter o que dizer se não sabíamos nada um do outro. Nela, nada se equiparava: a vida é música e sequer sei em que direção sopra o vento. Para quem audiófilo ou melômano tanto faz – afinal, como já dissera o ensaísta e critico literário inglês, Walter Pater (1839-1894): Toda arte aspira à condição de música. E ela era música e nela sequer sabia por quantos anos consecutivos. Era ela, nada mais.

 


A semana passou... – Tudo passou e passa. E era Admmauro Gommes no Congresso Nacional de Escritores que a Semed-Palmares promoveu no meio da exposição da Biblioteca Municipal das artes do Pintando na Praça, oportunidade em que revi amigamigos & outras personagens de décadas passadas. No Teatro Cinema Apolo, o Carlos Calheiros me levou para um bate-papo na Associação dos Artesãos Palmarenses e, todos os dias, sem desgrudar das comemorações da antologia dos 70 Setembros, do poetamigo Juareiz Correya e o seu Poema vago olhando a cidade: Minha cidade / ficará gravada / num poema lívido e vago. / Não será preciso citar becos e ruas / inevitáveis em sua anatomia. / Nem correr com a memória / as lembranças, e os minutos de agora. / Minha cidade / não será vista / num poema sentimental. / Conservarei oculto até o seu nome / neste poema / de amor silente / às suas coisas, a ela mesma. E esta cidade sou eu dedilhando a minha canção para o poema dele Ponte sobre águas turvas e a gente às gaitadas cultuando Ascenso e festejando Hermilo com os versos do Americanto amar América e eu me sentisse abraçado com José Terra e João Guarani ainda meninos na sala da minha casa, com a maior torcida por Mariama, cantando juntos como se eu fosse Paulo Diniz no Poema para Léa. E era a Livro7 e os sonhos do Recife, os amigos e as rodadas dos pileques exaltados por becos e ruas, os versos e os desenganos, a teimosia, o abraço fraterno e a urgência de vida... Saudades demais... E a salvação novamente é dela no meio do meu naufrágio, sussurrando nua Jhumpa Lahiri ao meu ouvido: Há momentos em que me assombro com cada quilômetro que viajei, cada refeição que fiz, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por comum que pareça, há momentos em que tudo fica além da minha imaginação... Esta é a verdade sobre os livros: eles permitem que você viaje sem mover seus pés. Tudo é vivo, transpira e geme... Até mais ver.

 

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CANTARAU & OUTRAS POETADAS

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terça-feira, julho 21, 2020

MICHÈLE LAMONT, KATE MACDOWELL, YASMIN THAYNÁ, SONIA BRAGA & AQUARIUS DE KLEBER MENDONÇA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOMBRA DAS PRIMEIRAS HORAS DE TERÇA - A semana começou ontem, nem havia me dado conta: não sei mais de horas nem dias. Sonho tal Hemingway pelas calçadas: Mesmo quando estava entre a multidão, estava sempre sozinho. Depois da primeira esquina, sei a quantas o mundo gira, como se fosse sonho de amor em Bucareste nos versos de um poema de Vasile Alecsandri: Deste mundo todo o sorriso... A flor se extingue, a vida esvai. Não há como ignorar, tantos se foram, muitos se esvaindo, impossível fazer de conta. E Philippe Ariès avisa grave: Esquecer-se da morte e dos mortos é prestar um péssimo serviço à vida e aos vivos. Não há mesmo como manter-me distante, o peito espremido, olhos às cachoeiras. Alguém me chama. Juro, não foi nada! Tudo é somenos, só não tem jeito pra morte, mas isto é outra coisa.

DUAS: QUANDO O VENTO FAZ A CURVA, HÁ QUEM SOPRE NA JANELA - Depois do feriado de ontem, nem foi pra mim tão sem calendário: ensaios do deus ludens de Huizinga. Brinco de viver, não há outro modo, mesmo com a severidade das palavras de Roberto Cardoso de Oliveira: Que não se olha impunemente, que não se ouve impunemente e muito menos se escreve impunemente. Meu intuito era mostrar um pouco essa relação, essa dinâmica desses três atos fundadores do exercício da antropologia. Sei, de nada sou impune, rastros me denunciam, errâncias de quem persevera.

TRES: FIZ UMA CANÇÃO, QUANDO TE VI – Menino em festa naquela noite e ela, sensual Charlotte Gainsborg na dança, a canção, entre um passo e outro, ao meu ouvido: Um diretor que escolhe você para um papel sente um desejo. E todo intérprete, seja homem ou mulher, usa todos os seus encantos para entrar nesse jogo. O que é inaceitável e o que é terrível é que se torne uma luta pelo poder e uma vontade de submissão. Nem ouvia, beijava-a e a mim se entregou de vez. A língua desenhava a imensidão do universo na minha carne para que o Tao fosse pleno no meu gozo. O coração da palavra, o poema no sexo para que chova a vida em mim, até não sei quando ou depois. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nos últimos anos, questões relacionadas ao desempenho e a sua avaliação têm recebido maior proeminência acadêmica e social. [...] O crescente interesse na prática da avaliação também se manifesta em estudos sobre a desigualdade e a meritocracia: nas sociedades industriais avançadas, pais de classe média apresentam maior propensão a preparar seus filhos para um mundo de competição mais acirrada, e para isso, investem recursos significativos em educação suplementar e em atividades extracurriculares que consideram essenciais para garantir a reprodução de suas posições de classe [...] Na verdade, a coexistência de matrizes múltiplas de avaliação é uma condição significativa para uma maior resiliência social (associada a uma melhor distribuição de recursos), especialmente em um contexto como o dos Estados Unidos onde um número cada vez menor de indivíduos pode almejar alcançar os padrões de sucesso socioeconômicos que são associados ao mito nacional e dominante do Sonho Americano [American Dream] [...]. Trechos extraídos do estudo Em direção a uma sociologia comparativa da valoração e da avaliação (Norus, 2013), da socióloga canadense Michèle Lamont.

O CINEMA DE YASMIN THAYNÁ
No dia da minha transição capilar, pela primeira vez consegui me olhar no espelho e me sentir segura. Precisamos criar um outro imaginário sobre o negro no Brasil. O cinema e a TV têm papel fundamental nisso.
YASMIN THAYNÁ - A arte da cineasta, roteirista e diretora Yasmin Thayná, que realizou os curtas-metragens Kbela (2015), Batalhas (2016) e Fartura (2019). Ela é estudante de comunicação social da PUC-Rio, passou pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, fez cursos de audiovisual, integrou o Coletivo Nuvem Negra e é fundadora do Afroflix, plataforma online que disponibiliza produções audiovisuais com pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. Atualmente trabalha como pesquisadora em política pública e comunicação, na Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Sou escultora em tempo integral há cerca de cinco anos. Trabalho em argila de porcelana construída à mão, e meu trabalho frequentemente explora nosso relacionamento problemático com o ambiente natural. Comecei a estudar cerâmica nas aulas noturnas da escola de arte local e da faculdade comunitária logo depois de voltar de viver e viajar para o exterior na Índia e na Europa. Tenho mestrado em ensino de literatura inglesa e, no passado, produzi sites para empresas de alta tecnologia, ensinei inglês no ensino médio e trabalhei em um centro de retiro de meditação na Índia.
KATE MACDOWELL – A arte da escultora estadunidense Kate MacDowell, que trabalha com porcelana conceitual, fascinada em transformar o belo e o grotesco. Suas peças exploram a relação tensa e cada vez mais catastrófica entre a humanidade e a natureza, retratando o impacto sobre o meio ambiente, poluição tóxica e transgênicos. Ela leva o conceito destas questões ambientais e os funde com mitos, história da arte e outras referências culturais para alcançar essas peças de porcelana marcantes. Seu trabalho foi publicado em livros e periódicos, incluindo The New York Times, Sunday Magazine, Hi-Fructose, American Craft, Ceramics Monthly, Beautiful Bizarre, OK Periodicals (NL), Creative Review and Rooms (UK) e Hey! (Paris) entre outros. Seu trabalho foi apresentado no CD e na capa do álbum de Erasure, “Tomorrow's World”, e ela pode ser vista esculpindo em stop motion no áudio-vídeo oficial de uma música do álbum 'III' de Miike Snow. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
O premiado drama e suspense Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho, conta com a atriz Sonia Braga no papel principal, contando a história de uma jornalista aposentada que defende seu apartamento, onde viveu a vida toda, do assédio de uma construtora. O plano é demolir o edifício Aquarius e dar lugar a um grande empreendimento. O filme é dividido em três capítulos: "O cabelo de Clara", "O amor de Clara" e "O câncer de Clara".
&
A obra do filósofo, sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997) aqui, aqui, aqui & aqui.
Iniciação à estética, do escritor, dramaturgo e ensaísta Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
A música do compositor, cantor e violonista Geraldo Azevedo aqui e aqui.
A poesia de Margarida de Mesquita aqui.
A série de aquarelas Palmares, da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez aqui.
O dicionário Tataritaritatá aqui, aqui, aqui & aqui.
&
O município de Jucati aqui & aqui.
 

quinta-feira, setembro 20, 2018

EDNA MILLAY, PERSE, HUIZINGA, LÉVI-STRAUSS, ELEAZAR DE CARVALHO & TANIA BRITTO


A FOGUEIRA DAS ESCOLHAS - Imagem da artista visual Tania Britto. - Acordar e o primeiro pensamento aos pesadelos terríveis ou sonhos de amanhã, quem sabe qual na corda bamba, se na rede dos desejos tudo é sempre o que vem de jamais chegar ou já foi para nunca mais, só esperança retardatária no agora é tarde e Inês está pra lá de morta faz tempo. Melhor abrir os olhos bem devagar, o dia nem bem amanhecido, ainda o friínho da madrugada, tudo às claras, mas nem tanto, alguma sombra da escuridão emerge pelos cantos escondendo possíveis fantasmas jamais revelados, nem dá pra ver direito outro dia talvez no alvoroço dos pássaros, e tudo poderá acontecer de uma hora pra outra, ou não, o tédio de uma rotina; ou mantê-los fechados ou quase, demorar as pálpebras cerradas pra ver se pega o cochilo perdido e voltar a pensar nas coisas, fantasias desejadas, e descansar de um lado pra outro, pra ver se algo de repente muda tudo, não sei, nem sempre é possível verificar direito o que está acontecendo. Melhor levantar porque acordou Maria Bonita para fazer o café e a polícia ainda dorme ausente, só mais tarde é que o burburinho vai misturar buzinadas e sirenes e motores e passadas e vexames e corre daqui pra acolá, dali pra lá, pra direita ou esquerda, pra lá ou pra cá, pra frente ou pra trás, não há como repassar, só retornar e começar tudo de novo, da estaca zero; e se perder a viagem, não esquenta, pega a próxima ou desiste e vai pra outro lugar. Tudo pronto pra andar, um, dois, passo a passo, pula academia ou finge balançar o esqueleto; e se ficar, tudo pode passar e não terá outra vez; e se for, não vá se arrepender, aprenda como se fosse a primeira vez, passou batido, já era, não é mais, nem tudo volta ou vai duma vez, assimile. Relógio não para, o tempo mudou, não há que esperar coisa ruim nem por milagres que caiam do céu assim do nada, seguir adiante, às piruetas, mesmo que pareça não sair do lugar; não adianta se não sabe de cor, a refazer as pegadas, algum rastro pode desencaminhar e aí era ontem a mesma coisa, só achar o caminho de volta se puder ou pegar o atalho, passar pelo beco, sair na transversal só pra mudar o trajeto que dá no mesmo entre risos e fracassos, nem sempre alegria, nem sempre impune com as reladas de venta, sempre imprevisível, quase possível ou impossível, na vera: quase acusação, quase indefensável; qualquer dúvida olha pra trás e dobra a esquina pra surpresa, ou nada demais, era só expectativa e deu na mesma coisa do labirinto quase desvelado, mas não vá à toa, leme qualquer na bússola para não escarnecer da sorte, porque mesmo à deriva ninguém escapa das lâminas da escolha e o feito está feito, favas contadas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do maestro e compositor Eleazar de Carvalho (1912-1996): Sympnhony 1 Mahler & òpera Tiradentes – Abertura, 3º & 4º atos & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Se queremos, pois, salvar esta civilização, se não a queremos submersa em séculos de barbarismo, mas antes consolidar os tesouros da sua herança em alicerces novos e mais estáveis, torna-se, sem dúvida, necessário que todos os viventes compreendam bem até que ponto a decadência já avançou [...] embora seja verdade que a sociedade vai tomando este rumo, isto é, a direção de maior controle técnico no exercício do poder e do cálculo prudente dos efeitos desejados, o tipo humano tornou-se ao mesmo tempo mais e mais indisciplinado, mais pueril, mais suscetível a reações do sentimento, e os nossos governantes não são homens de aço [...]. Trechos extraídos da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), defendendo uma nova cultura no solo da humanidade para uma regeneração interior do individuo, uma modificação do habitus espiritual do homem. Veja mais aqui.

DE PERTO E DE LONGE – [...] Queria mostrar que não existe um fosso entre o pensamento dos povos chamados primitivos e o nosso. Quando, em nossas próprias sociedades, observávamos crenças ou costumes estranhos, que contrariavam o senso comum, nós os explicávamos como vestígios ou lembranças de formas arcaicas do pensamento. Parecia-me, ao contrário, que essas formas de pensamento estão sempre presentes, atuantes entre nós. Muitas vezes lhes damos livre curso. Elas coexistem com formas de pensamento que se apoia no testemunho da ciência; são igualmente contemporâneas. [...]. Trecho extraído da obra De perto e de longe (Cosac Naify, 2005), do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.

AMERS – [...] Aquela que se derrama em meu ombro esquerdo e enche a enseada do meu braço, feixe odorante e lasso, não atado (e tão sedosa foi a história, a meu tato, dessas têmporas venturosas), Aquela que repousa sobre a anca direita, a face cerrada contra mim (e grandes vasos assim viajam, em seu suporte de um lenho muito tenro e em sua sela de feltro branco), Aquela que se anima no sonho contra o remontar das sombras (e estendi o tendal contra o borrifo do mar e o rocio noturno, a vela é enfunada para o mais claro das águas), Esta, mais doce que doçura ao coração do homem sem aliança, me é carga, ó mulher, mais leve que carregamento de espécies, de arômatas — semente muito preciosa e frete incorruptível no barco dos meus braços. [...]. Trecho extraído da obra Amers – Marcas marinhas (Ateliê, 2003), do poeta francês Saint-John Perse (1887-1975).

TRÊS POEMAS - O AMOR NÃO É TUDO - O amor não é tudo: nem carne nem / bebida, nem é sono, lar da gente, / nem a tábua lançada para quem / se afunda e volta e afunda novamente. / O amor não pode encher o pulmão forte, / pôr osso no lugar, tratar humores, / embora tantos dêem a mão à morte / (enquanto o digo) só por desamores. / Bem pode ser, na hora mais doída, / ou da minha franqueza arrependida, / buscando alívio à dor, seja capaz / de vender teu amor por minha paz / ou trocar-te a lembrança pelo pão. / Bem pode ser que o faça. Acho que não. OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA - Eu morrerei, mas / isso é tudo que farei pela Morte. / Eu a ouço tirando o cavalo da baia; / escuto as pisadas no chão do celeiro. / Ela tem pressa; tem negócios em Cuba, / negócios nos Bálcãs, muitos chamados a fazer nesta manhã. / Mas eu não vou segurar a rédea / enquanto ela ajusta as correias. / Ela que monte sozinha: / não lhe darei apoio na subida. / Embora ela fustigue meus ombros com o chicote, / não vou dizer para onde a raposa fugiu. / Com seu casco em meu peito, não vou contar onde / o garoto negro está escondido no pântano. / Eu morrerei, mas isso é tudo que farei pela Morte. / Não estou em sua folha de pagamentos. / Não contarei a ela o paradeiro de meus amigos, / nem o de meus inimigos. / Ainda que me prometa muito, / não darei o endereço de ninguém. / Acaso sou um espião na terra dos vivos / para entregar pessoas à Morte? / Irmão, a senha e os planos de nossa cidade / estão seguros comigo. Jamais, por minha culpa, você será derrotado. PRIMAVERA - Por qual propósito, Abril, de novo retornas? / A Beleza não é suficiente. / Não podes me acalmar com a vermelhidão / Das folhinhas unidas se abrindo. / Eu sei o que sei. / O sol queima a nuca quando observo / Os espinhos do croco. / O cheiro de terra é bom. / É aparente que não há a morte. / Mas o que isso significa? / Não apenas sob a terra os cérebros / São comidos por vermes. / A vida em si / Não é nada, / Uma taça vazia, lance de escadas sem tapetes. / Não basta todo ano, descendo o morro, / Abril / Chegar como um tolo, balbuciando e espalhando flores. Poemas da poeta e dramaturga estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950) que também usou o pseudônimo em prosa de Nancy Boyd. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Tania Britto
Veja mais aqui.

AGENDA
VI Festival de Teatro Pontal do Paraná & muito mais na Agenda aqui.
&
Quem olha pros outros não vê a si mesmo, Cecília Meireles, Rubem Alves, Henri Focillon, Imre Kertész, Neurofilosofia, Deborah Poynton & Luciah Lopez, Almeida Prado, Viviane Hagner, Hans-Joachim Koellreuter & Ophélie Gaillard aqui.
&
Sou da terra e a ela me dou, Luis Fernando Veríssimo, Martin Buber, Inclusão Escolar & Maria Teresa Eglér Mantoan, Biblioteca Fenelon Barreto & CED Dimensão, Baden Powell de Aquino, Alina Ibragimova, Antônio Meneses, Maria João Pires & Pi-Hsien Chen aqui.


terça-feira, maio 29, 2018

CAETANO VELOSO, JUAN JIMÉNEZ, ALFONSINA STORNI, HUIZINGA, CHESTERTON, KÜHNER & GHUHA TÁVORA


MISSIVA RENASCIDA - Imagem: arte do artista visual Ghuga Távora - Amanheço com as zis cores do amor no coração e da janela quase não sobra mais nenhuma delas no cinza de tanto desalento. Acordar é difícil num momento em que tudo é inseguro. Abro a porta e caminho ao derradeiro amor de cidade em cidade, onde sou lá de baixo ou de cima no fogo aceso dos galopes insones pra garimpar a imensidão do céu, com o perfume de incenso de estranha casa flutuante na frieza dos que se escondem pra se safar do que causam aos sofrimentos alheios e a se perguntar o que fazer numa hora dessas, mais dia, menos dia, a avalanche do desespero catatônico. Sigo entre estrondos e migalhas e não sabia por onde o morro trêmulo no meio da curva com grilhões de ferro nas trevas sobre-humanas, a ninguém interessa a minha e a nossa tristeza, quem se importa, pode não mais existir ou sucumbiu deprimido pela inglória de ser vivo num tempo tão sem alma. A audácia de muitos escolheu outros caminhos mais curtos e menos tortuosos, para encherem seus bolsos e nem aí pra mais nada de si e do mundo, não sabem as labaredas queimando seus próprios rastros. As ruas atravessam meu peito pro passo em uma entre tantas direções dos meus pés fugidios, pelas trincheiras de dias terríveis, e despejo a minha alma sem desperdiçar um único afago, mesmo que me submetam ao fuzilamento da discórdia, não haverei de mudar, mesmo que eu seja o alvo do ódio e a minha boca sangre com o espinho da rosa anímica pro coágulo de sangue último na imagem do rosto de pedra no norte gelado, amarrada ao pescoço pelo nó apertado dos horrores na face desfigurada entre flores e ervas oferecidas. Sigo em frente e das minhas vértebras emerge o imigrante coração da via láctea e a mão próxima solta as minhas que se perde com nenhum brilho no teto da noite e nenhuma palavra de dor fosse ouvida de ninguém, mas fui vencido pela cúpula fria dos que abafam o gemido alheio. Quem dera eu fosse os oceanos para ensinar a vida e afugentar a sombra da morte que ameaça e ronda o planeta estremecido. Quem dera da plena manhã tomasse uns versos alegres para o verão de todas as oportunidades paratodos. Quem dera da tarde eu tivesse a primavera das conquistas e distribuísse a quem chegasse. Quem dera da noite eu pudesse ao outro do aprendizado pro descanso e da minha voz fazer coisas possíveis nas flores dos sorrisos das minhas para todas as mãos e me atirar de cabeça pra reinventar a vida no júbilo de ser vivo e poder comungar da festa dos seres e coisas da Terra. Quem dera, um dia mais outro, nem há de esquecer, é a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico, produtor, arranjador e escritor Caetano Veloso & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Se queremos, pois, salvar esta civilização [...] torna-se, sem dúvida, necessário que todos os viventes compreendam bem até que ponto a decadência já avançou [...]. Pensamento extraído da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), que em outra obra L’uomo e la cultura (La Nuova Italia, 1948), expressa que: Nós todos queremos vê-la segura, esta cultura [...] protegida daquela terrível selvageria que em nossa volta se propaga. E nós sabemos que se a cultura deve ser recuperada, isso deve ser a tarefa de nós homens [...]. Veja mais aqui.

MANDANDO VER - A comédia do homem sobrevive à sua tragédia. As falácias não se tornam menos falácias porque se tornaram modas. Costumes são, geralmente, generosos. Hábitos, são quase sempre, egoístas. Acredito que o que realmente acontece na história é o seguinte: o homem idoso está sempre errado; e os jovens estão sempre errados sobre o que está errado. A forma prática que isso toma é a seguinte: enquanto o homem idoso se apega a algum costume estúpido, o homem jovem sempre o ataca, com alguma teoria que se mostra igualmente estúpida. Ultimamente não temos tido boas óperas cômicas, pois, o mundo real tem sido mais cômico que qualquer ópera imaginável. Quando homens instruídos começam a usar a razão, então, geralmente, descubro que eles não a têm. O esteta aspira à harmonia, não à beleza. Se seu cabelo não combina com o purpúreo por do sol, contra o qual ele se posta, ele rapidamente tinge seu cabelo com uma sombra de púrpura. Se sua esposa não combina com o papel de parede, ele se divorcia. O reformador está sempre certo sobre o que está errado. Ele, geralmente, está errado sobre o que está certo. Os primeiros dois fatos que um menino ou menina saudável sentem sobre o sexo são: primeiro que é bonito e depois que é perigoso. Trechos recolhidos de textos publicado no International Lunar Network, escritos pelo escritor, filósofo, dramaturgo, jornalista e crítico de arte inglês, Gilbert Keith Chesterton (1874–1936).

O MENINO E A FONTE – [...] Na aridez abrasada de sol do grande lago poeirento que, por mais leve que se pise, cobre a gente, até os olhos, de branca poeira peneirada, o menino e a fonte formam um grupo risonho e esplêndido, cada qual com a sua alma. Embora ali não haja uma única árvore, o coração, em chegando, se enche de uma palavra que os olhos fixam, gravada no céu azul da Prússia, com grandes letras de luz: OÁSIS. A manhã já tem um calor de sesta e a cigarra chia nas oliveiras, para as bandas do cercado de San Francisco. O sol bate em cheio na cabeça do menino. Ele, porém, distraído com a água, não sente. Estendido no chão, está com a mão sob o jorro vivo, e a água lhe põe na palma um borbotante tesouro de frescura e de graça que seus negros olhos comtemplam em êxtase. Fala sozinho, respira fundo, coça-se aqui e ali, com a outra mão. O tesouro, sempre igual e diferente sempre, desfaz-se às vezes. O menino, então, se retrai, apruma-se, concentra-se para que nem essa pulsação do sangue que, como um espelho que se movesse sozinho, muda a sensível imagem do caleidoscópio, roube à água a primitiva forma surpreendida. Platero, não sei se entenderás ou não o que te digo: mas esse menino tem a minha alma em sua mão. [...]. Trecho extraído da obra Platero e eu (Martins Fontes, 2010), do poeta espanhol e Prêmio Nobel de Literatura de 1956, Juan Ramón Jiménez (1881-1958). Veja mais aqui.

DOIS POEMASPRESSENTIMENTO: Tenho o pressentimento de que viverei pouco. / Esta minha cabeça, semelhante ao crisol, / Purifica e consome. / Mas sem nenhuma queixa, sem nenhum sinal de horror, / Quero para o meu fim que em uma tarde sem nuvens, / Sob o límpido sol, / Nasça de um grande jasmim uma serpente branca / Que doce, docemente, me pique o coração. DOCE TORTURA: Poeira de ouro em tuas mãos foi minha melancolia; / Em tuas mãos compridas esparramei minha vida; / Minhas doçuras às tuas mãos ficaram presas; / Agora sou uma ânfora de perfumes vazia. / Quanta doce tortura quietamente sofrida, / Quando, ferida a alma de tristeza sombria, / Ciente de enganos, eu passava os dias / Beijando as duas mãos que me sugavam a vida! Poemas da poeta argentina Alfonsina Storni (1892-1938).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da dramaturga, escritora e pesquisadora, Maria Helena Kühner, é autora de diversas obras já destacadas aqui, entre elas Teatro em Tempo de Síntese (Paz e Terra, 1971) e Teatro Popular: Uma Experiência (Francisco Alves, 1974), entre outras. 
Veja mais aquiaqui e aqui.
2º Aberto de Xadrez da Escola Municipal Lauro Chaves & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte do artista visual Ghuga Távora
&
Brasil a sério, não ria!, a literatura de Manuel Scorza, o cinema de Michelangelo Antonioni, Fecamepa, a arte de Marina Abramovic, Andrey Kuzmin & Vitor Loli aqui.
 

domingo, dezembro 17, 2017

RUBEM FONSECA, FAYGA OSTROWER, HUIZINGA, ELIAS JOSÉ, LIEBLING, MARLENE DUMAS, LITERÓTICA, QUADRINHOS, SKETCBOOKS, LIVROS BRINCARTE & CANTARAU TATARITARITATÁ!

A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.

LITERÓTICA: CHEGADA - Ela vem nua e linda com os olhos que roubam a minha vida. Nua e linda ela vem e veio como quem havia de alcançar a última esperança perdida. E eu a tomei tão contida como quem chega de um fiapo de luz e se faz de bem acolhido com a querência de terra revolta no ventre pegando fogo, lábios tremendo de rogo, o sexo de fora e o olhar de desmaio, os desejos todos num balaio com relevos da carne de peitinhos empinados e nenhuma rédea no juízo. E nua e linda chegou com gosto de saudade. De lembrança de coisas guardadas e sentidas. Chegou pronta para ser servida, nua e linda, querente, requerente, quente de pegar fogo, boca aberta, língua de fora, ah, felação, engolia a minha vida e o que restava de mim, ávido guerreiro, espada luminosa e pulsante nas estrelas do céu da sua boca, garganta gulosa, lambidas e sugadas, ah, era ela, tudo dela, louca lambuzada, fruta boa para ela pronta para a montaria, amazona nua, trotando aos raios dos cabelos soltos, fera abatida, irrequieta, vingativa, aos pulos e trepadas, ah, tudo dela, inteiro dentro, gozo afora. Até arriar mansa, vencida. Chegou e ficou resolvida a morar pro resto da vida dentro de mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui. 


DITOS & DESDITOSAs pessoas não param de confundir com noticias o que lêem nos jornais. Pensamento do jornalista estadunidense Abbott Joseph Liebling (1904-1963).

ALGUÉM FALOU: Nunca terminamos uma obra, simplesmente somos obrigados a abandoná-la. Pensamento do escritor e roteirista de cinema Rubem Fonseca. Veja mais aqui.

CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL – [...] Esta herança secular chamada civilização ocidental foi-nos confiada para a transmissão às futuras gerações, preservada, protegida, se for possivel, enriquecida e melhorada; empobrecida se assim tivber de ser; em qualquer dos casos, tão pura quanto nos é possivel conservá-la. A fé no trabalho, a crença na possibilidade de salvação e a coragem para a conseguirmos, ninguém nos poderá privar de tudo isso. Pouco importa quem irá colher os frutos dos nossos suores. [...] A obra continua [...]. Trechos extraídos da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945). Veja mais aqui e aqui.

CRIATIVIDADE & PROCESSO DE CRIAÇÃO - [...] a criação é um perene desdobramento e uma perene reestruturação. É uma intensificação da vida. Não haveria como compreender de outro modo o curso de crescimento nos grandes artistas. Sua capacidade de se tornar mais amplos e de uma simplicidade no sentido de uma redução ou eliminação. Trata-se de um adensamento, onde nada fica perdido e tudo é reelaborado com mais coerencia e maior multiplicidade. [...] Trecho extraído da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui e aqui.

O BILHETE DE AMOR - Logo que colocou os objetos embaixo da carteira Pitu encontrou o bilhete. Leu, ficou vermelho, colocou no bolso, não mostrou pra ninguém. De vez em quando, mordia-lhe uma curiosidade grande, uma vontade de reler pra ter certeza. Era uma revelação que ele não estava esperando. Não podia dizer que estivesse achando ruim, pelo contrário... ele estava com vontade de olhar pra trás, para procurar uma resposta com o olhar. Era um tímido e não encorajava. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele viajava num rumo diferente. Ainda bem que ela não estava olhando para ele, nem fazendo perguntas, só estava expondo a matéria. Na hora da verificação, acabaria saindo-se mal. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. Estava meio perdido nos pensamentos confusos. O bilhete queimando no bolso. Interessante, não era um bilhete bem escrito, tinha até erro de Português – porque a curiosidade? Só ele sabia dele, não foi como no dia do correio-elegante, pai, mãe e seu Francisco do armazém querendo saber, dando palpites, agora, tinha um bilhete que trazia uma declaração de amor e uma assinatura. Trazia mais: um convite para um bate-papo na praça, às duas horas, se ele quisesse namorar de verdade. Marina era bonitinha, ele queria. Faltava-lhe jeito de dizer, tinha que escrever um bilhete respondendo, era mais fácil. No intervalo, escreveu o bilhete, fechado no banheiro. Quando ela chegou, a resposta esperava na carteira. Quase no fim da aula, ele criou força e olhou para trás. Marina sorria, confirmando. Ele sorria também. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Tanto assim que a professora pediu que ele virasse para frente, observasse o que ela estava pedindo pra pesquisa do fim de semana. Naquele fim de semana, ele iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado, como alguns outros da sua idade e turma. Conto extraído da obra As curtições de Pitu (Melhoramentos, 1976), do escritor Elias José (1936-2008).



SKETCHBOOKS - A obra Sketcbooks: as páginas desconhecidas do processo criativo (Ipsis. 2010), de Cesar Almeida & Roger Barreto, reúne o trabalho desenvolvido por Alarcão, Alex Hornest, Amanda Grazini, Angeli, Artur D’Araujo, Bruno Kurru, Carla Caffé, Claudio Gil, Eduardo Berliner, Eduardo Recife, Elisa Sassi, Fernanda Guedes, Guto Lacaz, Hiro Kawahara, Kako D'Angelo, Kiko Farkas, Leo Gibran, Lollo, Lourenço Mutarelli, Montalvo Machado, Mulheres Barbadas (Henrique Lima e Julio Zukerman), Orlando, Rafael Grampá, Roger Cruz, Titi Freak e Yomar Augusto.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS – A obra Dominio público: literatura em quadrinhos (Organizadores, 2006), organizada por Christiano Mascaro, João Lin e Mário Hélio, reúne em quadrinhos as histórias de Bram Stoker, Richard Middleton, Isaac Babel, Guy de Maupassant, Esopo e Henrich von Kleist, por quadrinistas como Gabriel Goes, Samuel Casal, Mascaro, João Lin, Fernando Lopes e Guazzelli. Veja mais aqui. Veja mais aqui e aqui.

A IDENTIDADE COMO INTERPRETAÇÃO
Mesmo quando pinto um ser vivo, crio sempre apenas uma imagem, uma coisa, não um ser humano.
A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.


LIVROS PRAS CRIANÇAS

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU TATARITARITATÁ
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...