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segunda-feira, maio 26, 2025

CAN XUE, EVANGELINE GRAHAM, KANANDA ELLER & ARTE NA ESCOLA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Mémoire Vivante (Berimbau, 1995), La Trinidad (Buda, 2010) e Le Sens Des Sens (Buda, 2023), da premiada violeira e violonista francesa, Fabienne Magnant, que é professora do Conservatoire Départemental d’Evry Centre Essonne, em París, França.

 

Uma carta na dobra do antimeridiano... - Rodagem de Serro Azul de um anuário qualquer – pouco importava AEC, EC, ou AM, PM, ou mesmo outra sigla do efêmero, bastava o instante, o triz. E o céu mais anil carregado de esperanças. Às margens o festival da diversidade atlântica dos arvoredos, com fruteiras robustas ao alcance da mão, ornada pela sinfonia de gorjeios numa festa primordial. A brisa trazia o chamado do Pacífico porque seguia filho do Leste, a alma perdida nos passos transgressores pássaros varridos de pavores pelas léguas do medo quase treva, no tempo latejante das travessias inacabadas. Ouvi o meu nome, voz de mulher. Entre os galhos floridos, dois olhos acesos e a impressão de que fora finalmente fisgado por implacável Súcubus imprevisível ou oceânida errática que preferia atravessar meu caminho. Não, não era. Quedei-me sustando a respiração, mirei firme e a sua aura resplandecia doces olhos das coisas simples e intacta ternura. Em sua mão silenciosa nascia o dia como se me perdesse num vasto suspiro de porvires sobre os ossos da memória. Apontou-me a morte como uma bruxa nua consumida pelas chamas no patíbulo do outeiro. Ao lado do seu sacrifício uma pedra inventava os dias de Data, eclipses, arco-íris. Deu-me a impressão que jamais morresse de tão orvalhada com o cheiro de maresias, amanheceres e suores. Era dia já quase meio e foi preciso ali tão perto vespertino milagre. Seu nome? Iaravi, Selenita, ou outros nomes do afeto, da minha predileção ocasional. E logo anoitecia como num passe de mágica. Os meus versos eram perguntas sem respostas, apenas a revelação: ela dormia cúmplice dentro de mim parindo estrelas na satisfação inédita de correr ao encalço delas. E me lavou torrenciais chuvas cantantes irrigando o chão dos mortos e das desventuras vivas pelas correntes dos rios intermináveis. E me levou aos ventos seculares que varriam triunfos e derrocadas insulares por vastidões infindas. E aqueceu o meu ser afugentando o caos na vitalidade da Luz para a plenitude do Amor. Já era outro dia e ali eu era o que nunca fui. E ela, quem? Fazia pouco caso dos mortais que a tratavam por Deus há milênios, pretéritos equívocos. Só sei ali perto, entre sonhos aéreos, o arrebatado poema saltou da missiva para que a vida fosse uma canção renascida a cada dia. Quem escreveu a missiva, em mim, a vivência de leitor. Até mais ver.

 

Julia Ward Howe: É sempre legítimo desejar superar a si mesmo, nunca superar os outros... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Lea Goldberg: Sento-me horas sem nome / diante da árvore cujo nome eu sei. / Às vezes penso sem nome / naquele cujo nome eu não sei... Veja mais aqui e aqui.

Alfonsina Storni: Você, que abriu sóis em meu coração... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PROBLEMA MITOCONDRIAL

Imagem: Acervo ArtLAM.

EU - Foi uma longa viagem até o Kansas para o homem / e seu cachorro, mas você tem que entender / Ele disse que ela não voa. / O que não me lembra de cagar no carro / latindo ou choramingando, mas um cão que escolhe / não fazê-lo, assim como todos os cães que voam / talvez o que eles estejam sonhando quando estão deitados no tapete ou na grama, / com galhos estendidos, prontos para levitar a qualquer momento / como aquela figura na pintura de Florine Stettheimer de um / piquenique de aniversário para Marcel Duchamp, um homem de terno que mente de bruços / - no gramado amarelo com a / determinação firme de quem está prestes a decolar.

II. - O cachorro da família já não está nada / bem há dez dias, nossa mãe menciona no chat do grupo. / As filhas dela estão em outros países e às vezes, / quando não há novas mensagens, ela posta uma foto do cachorro / cujo rosto está sempre triste. Nosso pai diz: Você tem que entender que / o cachorro tem um problema mitocondrial / é por isso que ele continua procurando corpos / d'água para se jogar nos observando tristemente por que ele não consegue trabalhar / mais do que um fio de urina, por que nossa mãe espera / por sua morte repentina. Nosso pai me diz / Você e eu não somos tão loucos quando se trata de animais / olhe para o resto desta família.

III. - Em cães e mulheres, etc., as mitocôndrias geram / energia para diferentes funções celulares: / uma espécie de ambição ou impulso de uma célula / transmitido pela linha feminina. Florine e as irmãs Ettie / Carrie, solteira, morava com a mãe, rica, uma de nove / irmãs, uma espécie de fortaleza / mitocondrial. No piquenique / Marcel chega em um carro esportivo vermelho-tijolo / como dois troncos de árvore, é seu trigésimo aniversário! Mais tarde na vida / Carrie usava tiaras e / coleiras de cachorro com joias. Por definição, DNA mitocondrial / é um ponto de diferença entre filha / e pai. O Sr. Stettheimer partiu para a Austrália.

IV - Ou talvez o motivo do cachorro estar doente: todo mundo está / alimentando ele secretamente. Nossa mãe diz que ele é tão popular / As pessoas / ligam para perguntar se ele quer dar uma volta. / Sinto muito, diz nossa mãe, ele está fora agora, mas acho que ele está livre / Amanhã. Até agora, só o nosso pai entrou na chamada em grupo. / Ele liga o vídeo para me mostrar o jardim ficando mais pixelado. / a cada passo, quando duas meninas tímidas entram no vídeo / e perguntam se podem pegar o cachorro emprestado. Duas irmãs: nosso pai / me contou tudo sobre elas, as meninas da rua, ele as chama de / maneiras adoráveis. Nossa mãe diz: "Você tem que entender uma / o vizinho compra xampu e calcinhas para as meninas e / todo mundo as alimenta secretamente.

V. - As meninas da rua gostariam de pegar o cachorro emprestado, mas / a irmã mais velha também se apresenta determinada / Encontramos este pássaro com a asa quebrada. Ela o segura / enrolado em uma folha de uva. Desculpe. / As meninas dizem ao meu pai que não podemos fazer nada. Então ele pergunta / como se só eu pudesse ouvi-lo. Será que fui muito duro? / Espere, eu digo, por que você não dá a eles uma caixa de sapatos / e água com açúcar em um conta-gotas como quando eu encontrei o bebê? / Tordo dentro do macrocarpa cortado, / sem mãe. Mas não morreu?, ele me pergunta. / Sim, eu disse. Morreu durante a noite. Mas / cuidei dele a tarde toda.

Poema da escritora, editora e artista neozelandesa Evangeline Riddiford Graham.

 

DOUTOR DESCALÇO - [...] Este jovem era meditativo, indeciso e cheio de remorso. Naquela época, Gray trabalhava no jardim de ervas da Sra. Ti e lia alguns livros de medicina nas horas vagas. Mas ainda não havia decidido se tornaria um médico descalço. Gostava de ervas, medicina chinesa, acupuntura e do cheiro forte da farmácia. Mas não gostava de pacientes e achava que as pessoas doentes tinham falhas de caráter. Acreditava que eram as falhas de caráter que deixavam as pessoas fisicamente doentes [...] A Sra. Yi lentamente descobriu o que causava a doença nos aldeões: algumas pessoas adoeciam devido a dificuldades na vida. Faltava-lhes tempo e condições adequadas para proteger a saúde. Mas a maioria não tinha vidas particularmente difíceis. Adoeciam porque ansiavam por algo. Muitas vezes, queriam alcançar um certo nível de sucesso em seus empreendimentos. Embora não conseguissem explicar o que era sucesso, todos o entendiam. A comunicação entre si estimulava todos a exigir mais de si mesmos. O que quer que estivessem fazendo — agricultura, fabricação de tofu, cabeleireiro ou construção de casas — os aldeões trabalhavam tanto dia e noite que sua saúde se deteriorava gradualmente. Foi somente depois de envelhecerem que começaram a se preocupar com a saúde [...]. Trechos extraídos da obra Barefoot Doctor (Yale, 2022), da escritora chinesa Can Xue (Deng Xiaohua), que no livro Love in the New Millennium (Yale, 2018), ela expressou que: [...] Não o mundo inteiro, estou sempre vagando por perto. [...] Os vasos... cabem pombas. O vaso parece pequeno quando, na verdade, é enorme por dentro — enorme a um ponto que não podemos imaginar, então precisamos de um avaliador de tesouros como você para medi-lo [...] Eles não têm a nossa sorte, ainda não viraram história. É preciso sofrimento e espera. [...]. Ela também é autora das obras Os Sapatos Bordados: Histórias (2015), Vertical Motion (2011), Frontier (2008) e Blue Light in the Sky & Other Stories (2006). Veja mais aqui.

 

DEUSA CIENTISTA - [...] a ciência é uma ferramenta social que busca se aproximar e descrever a realidade – e não tem como fazer isso sem estar próximo a ela. É muito importante que esta realidade também esteja próxima do que a ciência produz, ou seja, é uma via de mão dupla. [...] A divulgação científica é uma área muito generosa da ciência, mas ainda muito julgada pela própria academia, que se coloca em um pedestal de distanciamento da população. [...] Neste sentido, a divulgação científica tem o papel fundamental de incentivar pessoas, trazer autoestima, mostrar como é atuar na ciência. Até porque as pessoas ainda têm uma visão um pouco irreal do que é produzir conhecimento científico. [...] Acredito que a gente pode aproximar as pessoas da ciência, e facilita muito se for feito um trabalho conjunto, da sociedade, usando bem meios como a televisão, que ainda atinge um grande público. [...] Sempre gostei muito de estudar, mas sou movida também pela transformação social, e as discussões ambientais sempre mexeram muito comigo. Sempre estive em escolas associadas a projetos de transformação ambiental, de impacto positivo na natureza, e de trazer resoluções para o meio ambiente. [...]. Trechos da entrevista Kananda Eller: divulgar ciência para transformar o mundo (ScienceArena, 2024), concedida pela química e cientista ambiental Kananda Eller (Kananda Eller Souza da Paixão), mais conhecida como Deusa Cientista.

 

A ARTE DE MAURÍCIO MELO JÚNIOR

[...] Foi na primeira infância, em Palmares. Não sei precisar o momento exato, quando me dei conta já tinha me tornado um leitor compulsivo. E lia tudo que me chegava: gibis, poesia, romances, tudo de interessante que encontrava nas prateleiras da banca de revistas de seu Odilo e na Biblioteca Fenelon Barreto, sob a tutela de dona Jessiva. Gostava de dizer que comecei a ler por ser péssimo jogador de futebol. Enquanto os meninos da rua iam jogar, eu ficava em casa lendo [...].

Trecho da entrevista concedida pelo escritor, jornalista e crítico literário Maurício Melo Júnior. Veja mais aqui, aqui & aqui.

&

ARTE NA ESCOLA – LER BEM

Esta edição é dedicada aos professores Fátima Portela, Luciana Girlan & Wellington Batista da Silva. Confira aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

&

Curumim – Arte & Literatura Indígena aqui.

Diário TTTTT aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.


 


quinta-feira, outubro 31, 2019

DRUMMOND, ALFONSINA STORNI, KASIA DERWINSKA & DURVAL CUNHA


ALFONSINA FOI DORMIR – Vestida de mar, ela chegou com o fulgor da nudez de sua aura, deitou sua fronte ao meu ombro e as frações de si na voz de arrabalde em ondas esmaecidas, debulhando lembranças ao meu ouvido. Desfiava memórias de Sala Capriasca que quase não viu, de San Juan Entre um par de valises entreabertas e o ponteiro do relógio, as desgraças da cidade, os desamores intermitentes que gotejavam imprecisos, o império de sua aspiração reacendendo feridas entre sargaços e maresia. O seu jeito geminiano de quem se achava feia, redonda e de nariz achatado, escondia a beleza na face corada, tímida e encolhida sobre o meu peito, a me contar do primeiro livro roubado e do estremecimento conjugal: a mãe acamada com sua voz de soprano entre leituras e música, os delírios do pai com a sua inexplicável melancolia. Era o seu descenso sem bússola, a situação de abandono com a ruína em Rosario, as dores de mãe solteira descartada, datilógrafa, normalista, costureira, até seus primeiros versos, La inquietud del rosal. A melancolia com a morte do pai, fez com se voltasse operária, valendo-se do bom humor e engajamento anarquista das reivindicações sociais. Sobravam descompassos e era a vez da atriz, uma professorinha rural nos palcos e o comitê das feministas de Santa Fé, seu filho no colo e as reuniões de Nosotros para o escândalo da lírica confessional – La loba, La muerte de la loba e El hijo de la loba. Ah, Ina – só eu a conhecia assim nua enquanto minha– na sua autocomiseração de El dulce daño, a cantilena erótica Tú me quieres blanca e as confissões amorosas. E me beijava demoradamente com o sal dos lábios transpirando a caricia iminente de suas descomedidas ambições. Ao se refazer, as vastidões do seu rugido oceânico, destilava a graciosa leveza no instante da poesia a me recitar Irremediablemente: Hombre pequenito enquanto se dava na Vida Femenina pelos direitos da mulher e das crianças. Respirava profundamente, resfolegava e olhava fundo em meus olhos: Hablo conmigo. Eu acariciava o seu rosto, sentia sua pele febril e o meu toque eram pinceladas na sua eriçada epiderme, e me dei ao sabor dos seus gestos sensuais jubilosos na emboscada do seu afago e a sua boca repleta de precipícios delirantes a declamar Languidez e o que estava ao seu redor. Misturava o riso contido às lágrimas que escorriam de La carta ao Padre Eterno, Oh, Ina, Tao-Lao dos Bocetos femininos, o seu mordaz dote humorístico e os saraus de Buenos Aires. Eu sabia, El amo del mundo & Dos farsas pirotécnicas, Ocre & Fiesta, La ronda de las muchachas, as auto-parodias, a festa da poesia e os Poemas de amor. Oh, Ina de La mujer bella, tão bela para mim como o Rio da Prata e o cenário uruguaio de suas rememorações. Falava comovida do suicídio do poeta e dos achegados, o Mundo de siete pozos, o transe dos antissonetos herméticos de Mascarilla y trébol, e me disse que eu era Retrato de un muchacho que se llama Sigfrido e eu não era ele e ela nua em mim no Ecuación para que eu lhe fosse Uno no seu vasto prazer de cortesã umedecida na paisagem da minha alcova, ao encalço do milagre inquieto do meu vigoroso falo, a paixão indivisível e enovelada nos meus guturais arroubos agitados na maré do seu gozo e nos sufocávamos de extremo prazer enquanto acossada pela obsessão marítima. Havia o veneno do desengano e o aniquilamento que precisava extirpar no último ato que nos servimos do facho de desejo carnal de poesia e sexo. A vida então valia a pena, uma vida apenas não seria suficiente para nós que implodíamos e nos confundíamos em beijos e pernas e abraços e gozos e almas ávidas de prazer. Não sabíamos aos poucos, não, tudo de uma vez, aos montes e muito mais além de medidas, contagens, excessos e queda livre. Do que eu era ou poderia ser, não seria assim a vida sem amor. E ela não culpou ninguém no remanso da solidão de suas dores pavorosas. Beijou-me, despediu-se: Voy a dormir. E se lançou ao mar: o golpe do punhal na sua carne amante. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & e aqui.

DITOS & DESDITOS: QUANDO CHEGUEI À VIDA - Vela sobre minha vida, meu grande amor imenso. / Quando cheguei à vida trazia em suspense, / na alma e na carne, a loucura inimiga, / o capricho elegante e o desejo que açoita. / Encantavam-me as viagens pelas almas humanas, / a luz, os estrangeiros, as abelhas leves, / o ócio, as palavras que iniciam o idílio, / os corpos harmoniosos, os versos de Virgílio. / Quando sobre teu peito minha alma foi tranquilizada, / e a doce criatura, tua e minha, desejada, / eu pus entre tuas mãos toda minha fantasia / e te disse humilhada por estes pensamentos: / -Vigiai-me os olhos! Quando mudam os ventos / a alma feminina se transtorna e varia… UM DIA - Você anda por esses mundos como eu; não me diga / Que você não existe, existe, devemos nos encontrar; / Nós não nos conheceremos, disfarçados e desajeitados, / Nós caminharemos pelas estradas largas. / Nós não nos conheceremos, distantes um do outro / Você sentirá meus suspiros e eu te ouvirei suspirar. / Onde será a boca, a boca que suspira? / Nós diremos, a estrada retornando para refazer. / Talvez nos encontremos cara a cara um dia, / Talvez nossas fantasias possam ser removidas. / E agora eu me pergunto… Quando isso acontece, se acontecer, / Eu vou saber sobre suspiros, você vai saber como suspirar? Poemas da poeta, atriz, jornalista, dramaturga, feminista e professora argentina de origem suíça Alfonsina Storni (1892-1938), autora de obras como La inquietud del rosal (Librería de la Facultad, 1916), El dulce daño (Cooperativa, 1918), Irremediablemente (Cooperativa, 1919), Languidez (Cooperativa, 1920) Ocre (Babel, 1925), Poemas de amor (Nosotros, 1926), Mundo de siete pozos (Tor, 1934), Mascarilla y Trébol:-círculos imantados (Imprenta Mercatali, 1938). Aos 19 anos de idade converteu-se em mãe solteira e criou o seu filho sem um companheiro, algo rejeitável para a época, o que não a impediu de se tornar a primeira mulher reconhecida entre os melhores escritores naquela época. Em 1938, depois de um longo período de andanças entre poemas, homens, luta e solidão, Alfonsina deu os seus últimos passos nas areias da praia do Mar del Plata, Buenos Aires, para entregar-se ao mar e nunca mais voltar. Sobre ela encontrei uma dissertação de mestrado Alfonsina Storni: uma voz de arrabalde (UFSC, 2001), de Áurea Salete Moser Nunes. Também o filme biográfico Alfonsina (1957), dirigido por Kurt Land e escrito por José María Fernández Unsáin, contando sobre sua vida, desde ondas quebrando ameaçadoramente à beira-mar, acompanhadas pela poesia de autora, o anúncio de sua doença, tudo com uma uma atmosfera romântica.

O FLAGRANTE
[...] LEOPOLDO O importante é essa estória morrer aqui! O Doutor Camargo Pontes, meu patrão, é um neurótico. Tudo pra ele mancha a imagem da empresa. DELEGADO PAIXÃO Seria por causa da câmera do celular? O lance do Antonino? LEOPOLDO (Assustado) Como assim câmera? (Toca o celular dele) [...] (Desliga o telefone) Doutor Paixão o senhor poderia me emprestar sua arma um minuto? DELEGADO PAIXÃO É evidente que não! Vai matar a mulher na minha frente? LEOPOLDO Não é pra isso... eu vou me matar... [...] LEOPOLDO (Ar de lunático, de maluco). Delegado Paixão... o senhor me empresta sua arma? DELEGADO PAIXÃO (Sacando a arma pra se proteger da mulher com a faca) Deixe as ideias suicidas pra depois! Tem uma louca vindo aí! LEOPOLDO (Indo em direção ao delegado pra tomar sua arma) Não é suicídio. EU VOU MATAR ESSES DOIS! Os outros correm pelo palco apavorados enquanto Leopoldo tenta tirar a arma do delegado Paixão, Delmiro aponta o revólver para o lado onde vai entrar a louca com a faca. DELEGADO PAIXÃO (Tentando se desvencilhar de Leopoldo) Me ajude Delmiro! Delmiro! DELMIRO (De arma em punho apontando para fora de cena) Não dá! A doida entrou! A doida entrou! No embate com Leopoldo, Delegado Paixão dá três tiros pro alto. Os outros gritam e correm em pânico de um lado pro outro. Caos total. Baixa o pano.
O FLAGRANTE – Trecho da peça teatral O flagrante, do dramaturgo Durval Cunha, que trata de um adultério que vira um caso de polícia, com os personagens e tendo como personagens o delegado Paixão, o inspetor Delmiro, Isis, Leopoldo, Antonio Carlos, Maria Auxiliadora e pastor Silas. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Não gosto de me definir como artista. Eu sempre digo que todos nós somos artistas. Acredito que cada pessoa nasce com capacidade ou talento em determinado campo de atividade e com muito trabalho, consequência e envolvimento real, pode alcançar a arte em qualquer disciplina ou em qualquer outro campo profissional. Se vier ao meu trabalho, prefiro me definir como contador de histórias. A fotografia é a minha maneira de me comunicar com o mundo. No meu trabalho, falo sobre experiências próprias, pensamentos, dúvidas, medos e esperanças, tentando refletir o caminho da minha própria vida. Além das minhas experiências, minhas criações são inspiradas nos sonhos noturnos, pois desde a infância me lembro da maioria delas e acredito que os sonhos são a linguagem mais simbólica do nosso subconsciente, um guia para navegar no mundo moderno. Sou autodidata e não me reconheço como fotógrafo. Uso a fotografia como ferramenta, como um pincel para pintar ou qualquer outro instrumento para tocar música. Meu trabalho é uma tentativa de conectar a substancialidade do mundo que nos rodeia com a evasão de sentimentos e pensamentos. Por esse motivo, descrevo minhas criações como construindo uma ponte entre o visível e o invisível.
A arte da fotógrafa e artista visual polonesa Kasia Derwinska, que desenvolve um trabalho expresso através da fantasia do surrealismo. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE DRUMMOND
A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas. Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo.
DRUMMOND – A obra do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) aqui & aqui.
 

quarta-feira, outubro 24, 2018

ALFONSINA STORNI, SÍLVIO HANSEN, SOLEDAD PASTORUTTI, ACORDA MATA SUL & HEROI NORDESTINO


ACORDA MATA SUL – Mesmo tendo nascido em Palmares de HermilAscenso & Darel+Tunga&Lagreca & poetartistas & doidos gerais – já dizia Juareiz Correya: Palmares tem mais poeta que poste para cachorro mijar -, sempre pintei e bordejei por Água Preta de Nelson Chaves, São Bento de Alceu&Gilvan Lemos, Catende de Pelópidas, Capoeiras, São Benedito do Sul, Gameleira, Quipapá, Maraial, Belém de Maria, Xexéu, Jaqueira, Bonito, Camocin de São Félix, Barreiros, Rio Formoso, São José da Coroa Grande, Sirinhaém, Ipojuca, Tamandaré, Joaquim Nabuco, Ribeirão, Escada, Cortês, Primavera, Amaraji & até Vitória de Osman Lins & Pombos, Glória do Goitá, Chã Grande e Chã de Alegria, pra lá de mais Nordeste afora Brasilzão todo aberto de porteira escancarada. Ah, foi no Teatro Cinema Apolo que HéricAraújo & sua equipe trouxe pra gente o seu projeto cultural Acorda Mata Sul, um projeto do tamanho dessa tuia de município e que, segundo ela, é voltado para a sensibilização dos agentes e gestores culturais da zona da Mata Sul de Pernambuco – incluindo aí a Mata Meriodonal & a microrregião de Vitória de Santo Antão -, visando reforçar o fortalecimento das atividades artístico-culturais de cada localidade. Ela já passou por Maraial & Igarapeba, e em Palmares, o evento começou com poesia, apresentação de um filme com depoimentos locais e, depois, muita gente foi lá pra frente do palco pra lá de iluminado, depor sobre a situação de invisibilidade das atividades artísticas e culturais da região. Não foi só uma mobilização, mas, como ela expressa no prospecto do projeto, um encontro que se destina a promover a troca de experiência entre agentes locais, estimulando o fortalecimento dos projetos já existentes, explanando sobre os incentivos do Funcultura com suas linhas de ação, acesso e informações, sugerindo formas que ajudem a organizar as produções artísticas e culturais e, por consequência, fomento na obtenção de renda a partir de outras ferramentas. Aplausos, aplausos, aplausos. Eu estava lá curtindo tudo e aplaudindo, e não fiquei sozinho: comigo os poetamigos Vilmar&Profeta&Ripe, Marquinh&Linaldo, Gilvan Mota & Bonny&Cruel, Sil&Rute&Socorro, João Paulo&ZéRodrigues&Onorato, e mais a estudantada do IFPE & de artistas de Igarapeba & Barreiros. Foi pouca gente, foi; mas que importa, o que valeu é que a HéricAraujo & sua trupe reacenderam na gente uma chama que sempre se manteve acesa em cada um de nós participantes, mas que se encontra há décadas adormecida pelo descaso das gestões públicas e pela nefasta condução do mercado capitalista mundializante de sufocar as iniciativas identitárias locais. A gente já sabia que fazer art&cultura no Brasil é coisa ou pra doido ou pra quem não tem o que fazer de tanto levar cotovelada no pau da venta, principalmente no Nordeste onde tudo é mais escasso que chega nem dá pra minguar, avalie. Como a gente sempre foi de resistir publicando livros, encenando peças teatrais, pintando quadros & o sete, cantando & violando, dando murro em ponta de faca & nó em pingo d’água, teimando que só de venta empinada & verso na língua & prosa nos dedos & pés, não poderia ser diferente. E ela além de soprar o reacendimento desse fogo inextinguível da gente de cometer artes & disparates, também mostrou que é possível fazer algo mais de mãos dadas – um golpe no umbigocentrismo embandeirado de bloco do eu sozinho -, fazendo valer aquela lição do Paulo Freire: ninguém se liberta sozinho; ninguém liberta ninguém; pra libertação tem de haver comunhão. Aplausos, tô dentro & vamos juntos, sempre. E vamos aprumar a conversa tomém. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Sou suave e triste se idolatro, posso
abaixar o céu até minha mão quando
a alma do outro à alma minha enredo.
Pena alguma não acharás mais branda.
Nenhuma como eu as mãos beija,
nem se acomoda tanto em um sonho,
nem convém outro corpo, assim pequeno,
uma alma humana de maior ternura.
Morro sobre os olhos, se os sinto
como pássaros vivos, um momento
voar baixo meus dedos brancos.
Sei a frase que encanta e que compreende,
sei calar quando a lua ascende
enorme e vermelha sobre os barrancos.
Sou, poema da escritora, jornalista, atriz, professora e feminista argentina Alfonsina Storni (1892-1938).

A ARTE DE SÍLVIO HANSEN
A arte do artista visual Sílvio Hansen. Veja mais aqui e aqui.

AGENDA
Projeto Cultural Acorda Mata Sul & muito mais na Agenda aqui.
&
O herói nordestino aqui e aqui.
&
A vida vai & eu vivo, Simone de Beauvoir, Joel Silveira, Amilcar Dória Matos, Sidney Wanderley, Hermilo Borba Filho & Famasul, Isac Vieira, Roberto Menescal, Nathalie Stutzmann, Robertinho de Recife & Eliane Rodrigues aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora argentina Soledad Pastorutti, a La Sole & Furacão de Arequipo: Ao vivo no Festival del Queso, Propiedad Privada, Grandes Canciones & Ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

terça-feira, maio 29, 2018

CAETANO VELOSO, JUAN JIMÉNEZ, ALFONSINA STORNI, HUIZINGA, CHESTERTON, KÜHNER & GHUHA TÁVORA


MISSIVA RENASCIDA - Imagem: arte do artista visual Ghuga Távora - Amanheço com as zis cores do amor no coração e da janela quase não sobra mais nenhuma delas no cinza de tanto desalento. Acordar é difícil num momento em que tudo é inseguro. Abro a porta e caminho ao derradeiro amor de cidade em cidade, onde sou lá de baixo ou de cima no fogo aceso dos galopes insones pra garimpar a imensidão do céu, com o perfume de incenso de estranha casa flutuante na frieza dos que se escondem pra se safar do que causam aos sofrimentos alheios e a se perguntar o que fazer numa hora dessas, mais dia, menos dia, a avalanche do desespero catatônico. Sigo entre estrondos e migalhas e não sabia por onde o morro trêmulo no meio da curva com grilhões de ferro nas trevas sobre-humanas, a ninguém interessa a minha e a nossa tristeza, quem se importa, pode não mais existir ou sucumbiu deprimido pela inglória de ser vivo num tempo tão sem alma. A audácia de muitos escolheu outros caminhos mais curtos e menos tortuosos, para encherem seus bolsos e nem aí pra mais nada de si e do mundo, não sabem as labaredas queimando seus próprios rastros. As ruas atravessam meu peito pro passo em uma entre tantas direções dos meus pés fugidios, pelas trincheiras de dias terríveis, e despejo a minha alma sem desperdiçar um único afago, mesmo que me submetam ao fuzilamento da discórdia, não haverei de mudar, mesmo que eu seja o alvo do ódio e a minha boca sangre com o espinho da rosa anímica pro coágulo de sangue último na imagem do rosto de pedra no norte gelado, amarrada ao pescoço pelo nó apertado dos horrores na face desfigurada entre flores e ervas oferecidas. Sigo em frente e das minhas vértebras emerge o imigrante coração da via láctea e a mão próxima solta as minhas que se perde com nenhum brilho no teto da noite e nenhuma palavra de dor fosse ouvida de ninguém, mas fui vencido pela cúpula fria dos que abafam o gemido alheio. Quem dera eu fosse os oceanos para ensinar a vida e afugentar a sombra da morte que ameaça e ronda o planeta estremecido. Quem dera da plena manhã tomasse uns versos alegres para o verão de todas as oportunidades paratodos. Quem dera da tarde eu tivesse a primavera das conquistas e distribuísse a quem chegasse. Quem dera da noite eu pudesse ao outro do aprendizado pro descanso e da minha voz fazer coisas possíveis nas flores dos sorrisos das minhas para todas as mãos e me atirar de cabeça pra reinventar a vida no júbilo de ser vivo e poder comungar da festa dos seres e coisas da Terra. Quem dera, um dia mais outro, nem há de esquecer, é a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico, produtor, arranjador e escritor Caetano Veloso & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Se queremos, pois, salvar esta civilização [...] torna-se, sem dúvida, necessário que todos os viventes compreendam bem até que ponto a decadência já avançou [...]. Pensamento extraído da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), que em outra obra L’uomo e la cultura (La Nuova Italia, 1948), expressa que: Nós todos queremos vê-la segura, esta cultura [...] protegida daquela terrível selvageria que em nossa volta se propaga. E nós sabemos que se a cultura deve ser recuperada, isso deve ser a tarefa de nós homens [...]. Veja mais aqui.

MANDANDO VER - A comédia do homem sobrevive à sua tragédia. As falácias não se tornam menos falácias porque se tornaram modas. Costumes são, geralmente, generosos. Hábitos, são quase sempre, egoístas. Acredito que o que realmente acontece na história é o seguinte: o homem idoso está sempre errado; e os jovens estão sempre errados sobre o que está errado. A forma prática que isso toma é a seguinte: enquanto o homem idoso se apega a algum costume estúpido, o homem jovem sempre o ataca, com alguma teoria que se mostra igualmente estúpida. Ultimamente não temos tido boas óperas cômicas, pois, o mundo real tem sido mais cômico que qualquer ópera imaginável. Quando homens instruídos começam a usar a razão, então, geralmente, descubro que eles não a têm. O esteta aspira à harmonia, não à beleza. Se seu cabelo não combina com o purpúreo por do sol, contra o qual ele se posta, ele rapidamente tinge seu cabelo com uma sombra de púrpura. Se sua esposa não combina com o papel de parede, ele se divorcia. O reformador está sempre certo sobre o que está errado. Ele, geralmente, está errado sobre o que está certo. Os primeiros dois fatos que um menino ou menina saudável sentem sobre o sexo são: primeiro que é bonito e depois que é perigoso. Trechos recolhidos de textos publicado no International Lunar Network, escritos pelo escritor, filósofo, dramaturgo, jornalista e crítico de arte inglês, Gilbert Keith Chesterton (1874–1936).

O MENINO E A FONTE – [...] Na aridez abrasada de sol do grande lago poeirento que, por mais leve que se pise, cobre a gente, até os olhos, de branca poeira peneirada, o menino e a fonte formam um grupo risonho e esplêndido, cada qual com a sua alma. Embora ali não haja uma única árvore, o coração, em chegando, se enche de uma palavra que os olhos fixam, gravada no céu azul da Prússia, com grandes letras de luz: OÁSIS. A manhã já tem um calor de sesta e a cigarra chia nas oliveiras, para as bandas do cercado de San Francisco. O sol bate em cheio na cabeça do menino. Ele, porém, distraído com a água, não sente. Estendido no chão, está com a mão sob o jorro vivo, e a água lhe põe na palma um borbotante tesouro de frescura e de graça que seus negros olhos comtemplam em êxtase. Fala sozinho, respira fundo, coça-se aqui e ali, com a outra mão. O tesouro, sempre igual e diferente sempre, desfaz-se às vezes. O menino, então, se retrai, apruma-se, concentra-se para que nem essa pulsação do sangue que, como um espelho que se movesse sozinho, muda a sensível imagem do caleidoscópio, roube à água a primitiva forma surpreendida. Platero, não sei se entenderás ou não o que te digo: mas esse menino tem a minha alma em sua mão. [...]. Trecho extraído da obra Platero e eu (Martins Fontes, 2010), do poeta espanhol e Prêmio Nobel de Literatura de 1956, Juan Ramón Jiménez (1881-1958). Veja mais aqui.

DOIS POEMASPRESSENTIMENTO: Tenho o pressentimento de que viverei pouco. / Esta minha cabeça, semelhante ao crisol, / Purifica e consome. / Mas sem nenhuma queixa, sem nenhum sinal de horror, / Quero para o meu fim que em uma tarde sem nuvens, / Sob o límpido sol, / Nasça de um grande jasmim uma serpente branca / Que doce, docemente, me pique o coração. DOCE TORTURA: Poeira de ouro em tuas mãos foi minha melancolia; / Em tuas mãos compridas esparramei minha vida; / Minhas doçuras às tuas mãos ficaram presas; / Agora sou uma ânfora de perfumes vazia. / Quanta doce tortura quietamente sofrida, / Quando, ferida a alma de tristeza sombria, / Ciente de enganos, eu passava os dias / Beijando as duas mãos que me sugavam a vida! Poemas da poeta argentina Alfonsina Storni (1892-1938).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da dramaturga, escritora e pesquisadora, Maria Helena Kühner, é autora de diversas obras já destacadas aqui, entre elas Teatro em Tempo de Síntese (Paz e Terra, 1971) e Teatro Popular: Uma Experiência (Francisco Alves, 1974), entre outras. 
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2º Aberto de Xadrez da Escola Municipal Lauro Chaves & muito mais na Agenda aqui.
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A arte do artista visual Ghuga Távora
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Brasil a sério, não ria!, a literatura de Manuel Scorza, o cinema de Michelangelo Antonioni, Fecamepa, a arte de Marina Abramovic, Andrey Kuzmin & Vitor Loli aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...