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sábado, maio 28, 2022

ROSA MONTERO, MARYANNE WOLF, GUILLERMO CABREIRA INFANTE, ORIDES FONTELA & BARTYRA SOARES

 

 

TRÍPTICO DQP: Era uma vez outras mais tantas vezes, pálin... – Ao som da Sonata for cello and piano (op. 65), de Chopin, na interpretação da violoncelista israelense Danielle Akta e da pianista Revital Hachamoff. - De profundis: o Sinal de Paulinho no Retorno de Nietzsche. As palavras povoam o mundo, rumores em cascata. Não é possível ter sorte, há quem diga mesmo: nascer aqui já diz tudo. Antes assim, se não era a hora, ficou para depois, não agora, não foi pra isso que nasci e viver a narrar do nada travesseiro entre jaboticabeiras, pinheiros e eucaliptos. Na curva da vida nunca precisei reter a respiração, mesmo que a turbulência deixasse claro o que era de venturoso e infortúnio, de lisonjas e rejeições – todos estamos sujeito ao logro, aos vícios do amor. Não há como não topar com parvos e esnobes, epítetos, rótulos ou assombros, dá tudo no mesmo: fisionomias desertoras que rilham os dentes e imprecam com os pés fincados no chão remoendo inquietações e de sobreaviso com os truques, sabe-se lá do quê, as hostilidades avassaladoras dos olhos que me viram e sei já estão mortos desde antes. Eis que da flor da aurora inventada alguém me diz Orides Fontela: só porque erro encontro o que não se procura. Depois, um silêncio tumular... Após alguns momentos complementa a Memória dela: A cicatriz, talvez / não indelével / o sangue / agora / estigma. / Nunca amar / o que não / vibra / nunca crer / no que não / canta. / O espelho dissolve / o tempo / o espelho aprofunda / o enigma / o espelho devora / a face. Não dá para identificar direito o vulto daquela que soa agradável aos ouvidos, mesmo que insista amanhecer no meio da noite. De mim nada mais que uma dúzia vezes mil de erros e nenhum acerto, como se fosse caronista disperso – cada qual seu papel de louco na dança de roda ou numa jornada cujo mapa construído apenas a partir de cada passo, sobrevivente de abismos pelos trunfos sucedidos aos fracassos e confundidos com as funduras das muitas profundezas. Não há nem onde começou de tão inútil, ninguém precisa saber: a loucura salva.

 


Nada & fumaça... – Imagem do artista estadunidense Bruce Neuman. – Basta um estalo, ou piscar de olhos, o triz: e nada mais. Agora mesmo não sei mais por onde anda o Doro e só me lembrei dele porque folheei Fumaça pura (Bertrand Brasil, 2003), do escritor cubano Guillermo Cabreira Infante, e logo dei de cara: Viver também faz mal a saúde. É que entre os membros da tripulação de Colombo, também chegava ao Novo Mundo, o desafortunado Rodrigo de Xerez, espantadíssimo com os homens-chaminé: os indígenas fumavam, era a descoberta do tabaco. De volta à Espanha, encheu-se de empáfia numa demonstração pública, não se dando conta de quem ausente às línguas ferinas pelas costas reputações retorcidas e findam na sina patibular, vez que a audiência, vendo-o exalar fumaça por todos os orifícios, julgava ser ele afinado com o diabo, enquanto sua própria esposa deitava denúncia ao Santo Ofício que o condenou a vinte anos de cárcere. Ufa! Por pouco não virou fumaça nas fogueias católicas. Essa não foi a sorte do Doro ao manipular a Teibei: bastava uma golada no fumegante aperitivo e logo envultava por uns três ou quatro dias desaparecido desta dimensão, pelo menos. Desta vez não, parece que abusou da dose, pelo que soube, depois de encher o tampo e virar mais de litros da tirana: faz tempo que ele não dá as caras, significa que ainda não desenvultou. É o que dizem e não estou aqui para discordar. Deixá-lo para lá, melhor...

 


O motor das reviravoltas... Imagem: a arte da fotógrafa e atriz estadunidense Elizabteh Lee Miller (1907-1977) - Era outro de muitos sonhos e Perséfone com a magia do olhar de quem chega, desfilava a beldade dos seus quarenta e não sei quantos anos de tanto rir, deixando à mostra o espalhafato das ancas arredondadas de seu pódice majestoso em baixo do curto roupão. De lá para cá, curvava-se para me virar as faces e deixar-me o busto ilustre de proeminentes seios soltos sob a veste amarrada na cintura, a me dar a sensação daquela frescura de frutas colhidas no quintal. Era como vê-la sair dos banhos sulfurosos pelas fontes, alheia às intrigas criadas com suas carnes de mil olhos curiosos e indecentes. Mostrou-me uma planta rara e carnívora do Camboja - uma planta-jarro – e me aparecia como quem saísse da clausura dos dias para me provocar na composição de recônditos setígonos jamais revelados aos viventes. Era tudo muito envolvente e despertei na agonia da volúpia. Para meu espanto lá adiante reluzia a estátua de Cocteau a me dizer: Havia muitas coisas comoventes, pungentes ou estranhas que eu queria... Então me aproximei e fui conferir de perto, evitou-me o olhar: Eu sou uma abetarda, a mim ninguém me apanha... É melhor partir sem pesar desta terra que rola e esmaga os que desejam dominá-la. Sim, ela encerrava a aventura da alma humana e do seu olhar distante uma ave fabulosa desprezava o caçador de quem sempre escapava e logo se tornava nas cinzas espalhadas ao redor do leito fúnebre: a alma que libertava para o voo. Algo me dizia que ela não se afastava da terra, nem era capaz de alçar altos voos. Insisti do seu lado e logo ela ergueu os braços sobre a cabeça e me contou desapontada sobre a gonorreia no estupro aos 7 anos, a foto dos absorventes menstruais, o corte no pescoço pela agressão de Man Ray, as enfermas crianças de Viena, a miséria dos camponeses da Hungria, o banho na banheira do Führer... Baixou as vistas e me falou Rosa Montero: Os homens costumam chamar destino àquilo que lhes acontece quando perdem as forças para lutar... Aí me insinuei, beijei-lhe a face fria e senti a sua carne viva crescer na minha pele sussurrando Bartyra Soares: Um dia deixei a cidade... ousei ultrapassar seus limites, fui mais longe, descobri o realismo fantástico e, assim, mergulhei noutros mistérios e labirintos, segredos e sonhos, sempre à cata de histórias que, até hoje, embora esporadicamente, nunca mais deixei de contar. Ali, abraçando-a afetuosamente, ouvi seus relatos mais íntimos e nela me revelei completamente perdido, como se nada mais soubesse, afinal, ou a coisa toda não regulava sempre lá muito bem hoje em dia ou só sou eu alvo de insuportáveis aborrecimentos: a vida toda só foi passar vergonha. Nela eu podia mais que viver e vivi. Até mais ver.

 

Normalmente, quando você lê, tem mais tempo para pensar. A leitura oferece um botão de pausa único para a compreensão e a percepção. A leitura é uma ponte para o pensamento. A leitura muda nossas vidas e nossas vidas mudam nossa leitura.

Pensamento da professora estadunidense Maryanne Wolf. Veja mais aqui e aqui.

 



domingo, novembro 14, 2021

JHUMPA LAHIRI, BALTASAR GRACIÁN, JULIANA VALVERDE & JUAREIZ CORREYA.

 

 

TRÍPTICO DQP – A palavra calada... - Ao som dos álbuns Um cravo bem variado (Vol. 1,1996 – Vol. 2, 2006) e Um pouco de tudo (A Little bit of Everything, 2016) da pianista Regina Schlochauer. - Lá vou eu dia mais dia menos insulado em minhas próprias ideias e arroubos. Sigo como quem perdeu a vírgula e foi expatriado, quando não estranho em meu próprio país. Apesar de esgotado como se não tivesse mais nada a fazer, não preciso agradar, nem quero, diante de mim só desvios por descaminhos e bifurcações, nenhum pouso certo. Escapo e me seguro como posso para não ser levado de roldão, porque não quero me salvar dessa enlouquecida dissimilitude no meio de dogmas, superstições e notícias falsas - quantas insuficiências, privações. Na verdade, quanta gente ofendida, mal-humorada, umbigocentrista com seus acicates... Vira e mexe, o que rende? Não mais que loas irreveláveis. Vale dizer, o que quer que se faça, a crassa ignorância de acólitos vetores ressentidos, abraçados com seus próprios rancores e a repetirem aos borbotões o que nunca leram do vetusto Oráculo manual y arte de prudência (Sextante, 2006), do escritor espanhol Baltasar Gracián y Morales (1601-1658): Não se vive seguindo uma só opinião, um só costume ou um só século... Não há nada tão amável quanto a virtude, nem tão detestável quanto o vício. Só a virtude basta a si mesma. Faz-nos amar os vivos e lembrar os mortos... Um homem atento percebe que é ou será visto. Sabe que as paredes têm ouvidos e que o que é malfeito acaba sendo conhecido... Ah, não! Quantas máscaras pros seus disfarces de homo habilis, rudolfensis, erectus, heidelbergensis, neanderthalensis, ergasters, sapiens, fabers, communicans, o ludens do Huizinga, o videns do Sartori, – até o Homo Deus de Yuval Noah Harari:... estamos à beira de uma revolução importante. Os humanos correm o risco de perder seu valor econômico porque a inteligência está se desvinculando da consciência... - e o retrocedens (Vixe! Nossa! Será mesmo?). Nada por acaso. É como se um guarda-chuva encontrasse de novo uma máquina de costura sobre a mesa de autópsia para copularem desordenada e explicitamente. E, por causa disso, o tempo parasse de não mais. Sou salvo porque, de repente, ela chega e ao presenciar todo meu espanto, recitou-me um trecho d’O haver de Vinicius de Moraes: Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura / Essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo / - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido... Ah, como é prazeroso tê-la ali, revê-la, ouvi-la. Em retribuição, saquei do violão e entoei a canção que fiz para A palavra calada de Vital Corrêa de Araújo: desfibra a palavra quando cala / quando o caule da árvore da fala / que é vento verbo e alicerce / anoitece / quando as seivas todas são sugadas / e o trêmulo das folhas proibido / quando os discursos são lacrados / dentro das praças sitiadas / e o som negado aos ouvidos / e o grito cortado na garganta / e o medo aberto no meio abrupto do dia / desfibra a palavra quando a árvore da fala / e os frutos dos gritos são demolidos / pelos silêncios vivos. Sim, anoitecia. Ao final, ela me premiou um sorriso, sabia: era a minha forma de escapar da loucura.

 


Não era apenas uma... – Imagem: arte da artista visual Juliana Valverde: Sigo meu caminho rumo a regeneração fazendo colagens, recortando colando ressignificando ideias relações inquietações através arte arquitetura educação. - Sim, ela me salvou da loucura extrema, muito embora eu saiba que não detenho nenhuma sanidade mental no meio desse genocídio que virou o meu país, no meio desse tempo escatológico de últimos instantes. Sim, foi nos braços dela de Vênus restaurada de Man Ray, como se fosse Juba na pele da atriz neozelandesa Kerry Fox, a me envolver nas cenas do Intimité (2001) de Patrice Chéreau, por todas as manhãs, tardes e noites: embaraçados e sem tem ter o que dizer se não sabíamos nada um do outro. Nela, nada se equiparava: a vida é música e sequer sei em que direção sopra o vento. Para quem audiófilo ou melômano tanto faz – afinal, como já dissera o ensaísta e critico literário inglês, Walter Pater (1839-1894): Toda arte aspira à condição de música. E ela era música e nela sequer sabia por quantos anos consecutivos. Era ela, nada mais.

 


A semana passou... – Tudo passou e passa. E era Admmauro Gommes no Congresso Nacional de Escritores que a Semed-Palmares promoveu no meio da exposição da Biblioteca Municipal das artes do Pintando na Praça, oportunidade em que revi amigamigos & outras personagens de décadas passadas. No Teatro Cinema Apolo, o Carlos Calheiros me levou para um bate-papo na Associação dos Artesãos Palmarenses e, todos os dias, sem desgrudar das comemorações da antologia dos 70 Setembros, do poetamigo Juareiz Correya e o seu Poema vago olhando a cidade: Minha cidade / ficará gravada / num poema lívido e vago. / Não será preciso citar becos e ruas / inevitáveis em sua anatomia. / Nem correr com a memória / as lembranças, e os minutos de agora. / Minha cidade / não será vista / num poema sentimental. / Conservarei oculto até o seu nome / neste poema / de amor silente / às suas coisas, a ela mesma. E esta cidade sou eu dedilhando a minha canção para o poema dele Ponte sobre águas turvas e a gente às gaitadas cultuando Ascenso e festejando Hermilo com os versos do Americanto amar América e eu me sentisse abraçado com José Terra e João Guarani ainda meninos na sala da minha casa, com a maior torcida por Mariama, cantando juntos como se eu fosse Paulo Diniz no Poema para Léa. E era a Livro7 e os sonhos do Recife, os amigos e as rodadas dos pileques exaltados por becos e ruas, os versos e os desenganos, a teimosia, o abraço fraterno e a urgência de vida... Saudades demais... E a salvação novamente é dela no meio do meu naufrágio, sussurrando nua Jhumpa Lahiri ao meu ouvido: Há momentos em que me assombro com cada quilômetro que viajei, cada refeição que fiz, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por comum que pareça, há momentos em que tudo fica além da minha imaginação... Esta é a verdade sobre os livros: eles permitem que você viaje sem mover seus pés. Tudo é vivo, transpira e geme... Até mais ver.

 

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domingo, agosto 07, 2016

CASTELLS, STRAMM, MILTON SANTOS, MAN RAY, BACH, IBRAGIMOVA, PAULA GARCIA, ROZART & SNOBBY


O PULO DO AMANTE – (Imagens: Leap, by RozArt/ Vagina, by Rich Snobby) – Desde menino quase rapaz, a tentação pelo segredo das saias, decotes e ginga calipígica. O meu olhar por cima dos muros, pelos combongós, fechaduras, frestas, sempre espionando a pujança reluzente da vitalidade feminina. No telhado da casa, a goiabeira e ela, sonhada Safo no que sou de Faetonte, naquela a me pedir o fruto apontado no dedo. Os degraus da escada e ela linda, a queda: o pulo do amante. E o seu riso o meu abismo: o promontório de Leocádia e o mar. A vertigem, nem morte, nem cura. Sozinho, sabia sequer onde estava. Ao meu redor todas as mulheres sonhadas. Elas usavam uma faixa larga com casca batida, com uma ponta que passava entre as pernas, caindo sobre o ventre, as que me seduziam. Outras, saias curtas, enrolando-se numa capa de casca de árvore, as que me tentavam. As que usavam cabelos presos num coque comparado a uma barbatana de peixe, as solícitas. Pareciam-me todas poliândricas, algumas de ancas esgalgas, outras voluptuosas geografia, todas de suprema sedução. Requestado por elas me ofereciam sem pudor nenhum, exigência da exposição de meu membro pinicado ao leve toque de suas mãos aveludadas e entregava-me aos seus bulícios. O ritmo marcado pela dançarina nua com seus véus rubros transparentes que saltava sobre uma laje fina de pedra e que recobria uma fossa na qual estava colocada uma grande cabaça que servia de caixa de ressonância ao som do búzio marinho. E a dança medida, graciosa, luxúria pura, e todas elas a expor de suas coxas roliças que surgiam do lascão das suas túnicas curtas, como exercícios no corredor olímpico. E eu, naquele meio, parecia mais que Zeus no pedestal alegre galanteador que não pode resistir a uma linda mulher, deusa ou mortal, pouco importando qual. Esse desfile de aventuras garantia a minha descendência: a bela Métis, primeiro, a quem devotara meu juvenil arrazoado; depois Atena, agraciando meus quereres. Posteriormente a tia, a respeitável Têmis com as três Mouras encarregadas de seguir atentamente o desenrolar da minha existência: Cloto, na sua roca o curso da minha vida; Laquésis a minha sorte; Átropos, implacável pro momento certo de cortar o curso da vida. Eis-me, Deméter recolhendo de mim seus prazeres e loucamente lúbrica para meu desespero. Vem Mnemósine, a que jurava que nunca se esquecera de mim; a bela Afrodite com sua beleza estonteante, ah, como eu me empanzinara com deleites além da conta do meu merecimento. E elas, outras e semideusas, se reuniam à volta da taça de Deméter para os ritos da fertilidade das Tesmoforias, dos quais os homens são excluídos, só eu seria, portanto, a exceção para a festa, uma animação fora do comum nos gineceus, ressoando risos abafados, gritos e corridas. E eu mais ainda explodindo de curiosidades. Elas se preparavam, eu que nem me dava conta; enterravam os objetos sagrados: leitões, figurinhas de argila representando órgãos sexuais, para que a terra nutriente lhes comunicasse a sua fertilidade. E se purificaram abstendo-se de qualquer aproximação com os homens. É hoje! É hoje o dia da festa. E descabeladas, correram para o jardim para desenterrar os símbolos asseguram fecundidade, depois de um dia inteiro de jejum, acolhendo as promessas de Deméter, flagelando-se com ramos verdes, roendo sementes de romã e ruminando, com os órgãos femininos de argila, em cenas íntimas acompanhadas de piadas obscenas. Vieram as orações à Deméter e sua filha Core, proteção pros grãos que germinariam a terra e como o corpo é o seu bem próprio, fazem a greve de amor para conseguir que os maridos assinem a paz. Nossa! Soubera que desfaleciam só com a idéia de se privar dos prazeres do amor. Tudo menos isso. E eu entregue à sua liturgia, como a cigarra cativado e embevecido pelas musas, me esquecendo de beber ou comer, só na veneração por Terpsicores, Eratos, Calíopes, Urânias, Lisístratas, como no mito da cigarra de Fedro. Era a hora de escrever o meu diário de Kierkegaard, contudo, sou tão vulnerável e fustigado pelos golpes sedutores delas. Valho-me de Descartes: as paixões passam por nossos órgãos. Dizem ser o sofrimento da atribulação da carne. Nunca, ben diria que elas seriam a causa ordinária do pecado: "como renegar quem me criou, quem me distinguiu dos animais da terra?", dissera Agostinho. Nunca diria, ao contrário, saberia, com a minha simples inutilidade, entregar-lhe meu tributo: amando. Este sim, o significado do imoderado júbilo de sabê-las fontes na qual jorram a vida eterna. Não há como me conter nem há de mutilar a oferenda, vivo abrasado, como renunciar se Deus nos dissera? Não ao sexo santo, que fique lá, eu quero a integridade do corpo e da mente e a mulher é a fonte. Ah! Ela é a maior das maravilhas, principesca efígie para provação de quantas delícias. Nela quero nidificar, naquele corpo de boeing cáustico, uma entre as seis mil estrelas visíveis, potranca, centaura, da cintura delgada, da estatura iridescente, dotada de talhe soberbo e magnífico, fina pele; sempre ela no primeiro plano de qualquer perspectiva, tornando-se, claro, a minha epífita. Ah! O seu encanto, os seus seios arrebitados, os olhos de gazela, leoa no seu habitat, brilho de supernova na nebulosa de Andrômeda, que a gente caça como a uma garça-caranguejeira. Ah! Os olhos manhosamente ocultados pelas pálpebras nos sonhos inquietantes, enquanto os ductos das mamas provocantes instigam minha saliva com seu ornamento exuberante, esculpida deliciosamente, impudente, elegante, esbelta, seus contornos, sua leve silhueta, a altiva expressão gravitando na minha direção, a magnetizar-me como estrela de primeira grandeza, como se eu fosse limalha de ferro atraído pela sua irradiação e a desprevenido sem isolante algum. Ah! E quando toca pelo sentido cinestésico, o tato, descobrindo-me esconderijos. Ah! Bebo a água do seu corpo, roço-lhe os pelos pubianos, a sua floresta amazônica, a sua carne com a pele da terra roxa, o seu Potosí inexplorado, a sua trilha de Piaburu, o seu monte de Vênus, os grandes lábios tumefeitos da sua vulva com suas carpas atlânticas, o hímen, as gônadas, o clitóris, o seu atol, a sua caverna, o colo opulento, a fenda vulvar, o vestíbulo e a rima do pudendo, o prepúcio do clitóris, o seu gineceu, a sua cavidade pélvica, o seu pistilo, carúnculas himenais, carina uretral, situados ventrais, sífise púbica, pregas igüinais, com perfume de rosas búlgaras em suas profundezas insondáveis. Ah! E em decúbito dorsal, a ver-lhe a coluna vertebral, a minha língua dúctil no tubérculo genital, sentindo a quentura do tecido epitelial da sua fonte profunda, a seiva do seu efeito piezelétrico, pelo estreito de suas pernas, o seu estreito de Gibraltar, o seu estreito de Magalhães. Ah! O falo, ela e o palato detonador, a língua de camaleoa ateando-me fogo, a espoleta da bomba do prazer, faísca na minha nitroglicerina, a minha transpiração - eu sou um animal instintóide e o meu istmo unindo-me a ela por seu paladar. Ah! A nossa carga pelo atrito dos corpos, voltagem em nível crítico, expelindo faíscas pelos calores aquecidos, corrente fluindo acusada por um miliamperímetro, cem graus Celsius, trezentos e setenta e três graus Kelvin, uma paixão radioativa exalando letal 200 mil miliroentgen por hora, fissível em altíssimos elétrons-volts na reação em cadeia por todos os poros, veias, artérias, e o meu cromossomo na sua gônada, a minha estrutura Wolf no seu tubo Muller. Ah! O seu cio, a libido, o orgasmo, a nossa taquipnéia, nossa taquicardia, sacudindo minhas coronárias, eu ficando em danada ebulição no epicentro do nosso terremoto, as nossas ondas sísmicas, onidericionalmente no geóide de nossos corpos. Ah! Eu gratificado pela doação dos seus atributos, atraído aos seus mamilos, alisando-lhe o músculo sartório, a minha barba mal feita no seu esplênio e ela arrepiando-se, asfixiando-me pela imersão nas águas do seu corpo. Ah! Belo rosto lindo num cicio apaixonante, eu rijo, todo o viço célere, os seus passos ciganos, o corpo esguio - que artesão maior? Que artífice genial? -, eu emocionado canastrão quando ela viceja com a peçonha que me enlouquece na boca doce de meiguice, imolando-me com os seus olhos de tâmaras afetuosas, sublevando os meus sentidos com o seu calor abrasivo debruçada sobre mim, eu e o meu coração em hasta pública, penhorado e arrematado pela escravaria da paixão, cantando a minha canção idônea como em um adscritício, eu sei, eu a amo como a chuva na terra, a semente no solo, o céu, a terra, o universo, a cópula natural e durante o inverno dorme a lagarta, quando acorda, a borboleta anima a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

Curtindo os álbuns Bach: Violin Concertos (Hyperion Records, 2015), com a obra do compositor do barroco alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), na interpretação da violinista russo-britânica Alina Ibragimova.

PESQUISA:
No começo da história do homem, a configuração territorial é simplesmente o conjunto dos complexos naturais. À medida que a história vai se fazendo, a configuração territorial é dada pelas obras dos homens: estradas, plantações, casas, depósitos, portos, fábricas, cidades, etc.; verdadeiras próteses. Cria-se uma configuração territorial que é cada vez mais o resultado de uma produção histórica e tende a uma negação da natureza natural, substituindo-a por uma natureza inteiramente humanizada.
Trecho extraído da obra A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção (Hucitec, 1996), do geógrafo e profesor Milton Santos (1926-2001). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
Luzes meretrizam nas janelas / a doença / roja-se à porta / e conclama gemidos de mulher! / Almas femininas enrubescem risadas agudas! / colos de mães bocejam filhos mortos! / O não nascido / fantasmambula / volátil / pelo espaço! Medroso / num canto / envergonrevolroído / enrosca-se / o sexo!
Casa de Prazer, poema extraído do livro August Stramm - Poemas-estalactites (Perspectiva, 2009), do poeta e dramaturgo expressionista alemão August Stramm (1874-1915), traduzido por Haroldo de Campos.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] a maioria dos nossos problemas ambientais mais elementares ainda persiste, uma vez que seu tratamento requer uma transformação nos meios de produção e de consumo, bem como de nossa organização social e de nossas vidas pessoas.
Trecho extraído do livro O poder da identidade (Paz e Terra, 1999), do sociólogo espanhol Manuel Castells. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo, pintor e anarquista estadunidense Man Ray (1890-1976).

Veja mais sobre O Prêmio, Marya Morevna, Alfred Tennyson, Jacques Lacan, Ilya Repin, Caetano Veloso, Glauber Rocha, Francisco Stokinger, Vera Holtz, Yoná Magalhães & Georges d'Espagnat aqui.

DESTAQUE
A arte da pintora, ilustradora, gravurista e tatuadora Paula Garcia.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra - Peace on Earth
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



sexta-feira, agosto 28, 2015

GOETHE, HEIDEGGER, TÔNIA, VICTOR ASSIS BRASIL, VASARI, MAN RAY, SWAZI & NASCENTE.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NASCENTE – A edição nº 12, do tabloide Nascente, maio/junho, 1998, dedicada ao planeta mãe Terra, trouxe o editorial Até que enfim!, com a sessão apertada da Câmara dos Deputados que cassou Sérgio Naya. Na sessão Bate Papo, uma entrevista com Nando Cordel; o texto Minha Joia Rara, de Ildete M. Oliveira (PE). Nas Tabuletas, o episódio 5 das Proezas do Biritoaldo: Quando se dá corda o bocó fica folgado que só boca de sino; texto Procura-se, de Fernando Cereja (SP). Na sessão Registro o I Festival de Poesia na Amazonia, o lançamento do cd Estreia de Ozi dos Palmares; a circulação da demo Morphine (Just another demotapo), do Hematoceles Funesto (SP); o lançamento dos livros Olho de besouro e Octavio Brandão, o libertário, nas comemorações de 30 anos de Literatura de Heliônia Ceres; III Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja (RJ); a música dp cd de estreia de Clayton Grassi; livros de Sanuel Lisman enviados pela Academia Campineira de Letras e Artes (SP); Auri Viola na noite da Ponta Verde, Maceió, anunciando o lançamento do seu primeiro cd musical; edição nº do Nektar, quadrinhos em Alta, de Uberlândia (MG); show de Junior Almeida no Reviva Jaraguá; atividades artísticas na reabertura do Jaraguá Art’Estúdio, em Maceió; e lançamento de Che em Sierra Maestra, da escritora cubana Marceditas Sanches Dotres e mais envios e remessas nas sesções Intercambio I e II. Na estreia do Notas Literárias, editado pelo poeta Ari Lins Pedrosa, A comédia de Eros, de Marcos Farias Costa; O clamor das pedras, de Diógenes Tenório Junior; e Quisera ter a beleza que, de Sidney Wanderley. Na seção do Nascente Poético, poemas de Artur da Távola (RJ), Severino Cassiano Ferreira (PE), Tom (MG), Osael Carvalho (SP), André Luis Cardoso (SP), Edmo Menor (SE), Zinei Santos Moreira (SP), Milton Dias Fernandes (MG), Zeca Domingo Silva (RO), Gizelia Paiva (PE), Jorge S. Anastácio (MG), Belkis C. G. Barros (AL), Fátima Vitor (SP), Silvério Costa (SC), Rose Arruda (MT), Leonilda Silva (PE), Lucila Milanese (SP), José de Oliveira Neto (AL), Silvia Chaparral (MS), Jociel João da Silva (PE) e Chrys Andrezza (PE). Veja mais aqui e aqui.

 Imagem: Perseus and Andromeda (1570), do pintor e arquiteto italiano Giorgio Vasari (1511-1574)


Curtindo o álbum Legacy (2002), do saxofonista e aclamado instrumentista de jazz Victor Assis Brasil (1945-1981).

A LINGUAGEM DA POESIA – O livro A caminho da linguagem (Vozes, 2008), do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), trata sobre a linguagem da poesia, a conversa sobre a linguagem entre um japonês e um pensador, a palavra, a essência da linguagem, o caminho para a linguagem, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: A linguagem na poesia: uma colocação a partir da poesia de Georg Trakl. Colocar tem aqui o sentido de mostrar o lugar. Significa ainda atender o lugar. Mostrar e atender o lugar são passos preparatórios para uma colocação. Contentarmo-nos daqui por diante com passos preparatórios já é uma grande ousadia. Como corresponde a um caminho de pensamento, a colocação deve terminar numa questão. A questão é a localidade do lugar. A colocação só se refere a Georg Trakl para pensar o lugar de sua poesia. Numa época que apenas desenvolve um interesse historiográfico, biográfico, psicanalítico, sociológico pela expressão nua e crua, um tal procedimento não passa de visão unilateral ou de um grande equívoco. A colocação pensa o lugar. A palavra "lugar" significa originariamente ponta de lança. Na ponta de lança, tudo converge. No modo mais digno e extremo, o lugar é o que reúne e recolhe para si. O recolhimento percorre tudo e em tudo prevalece. Reunindo e recolhendo, o lugar desenvolve e preserva o que envolve, não como uma cápsula isolada mas atravessando com seu brilho e sua luz tudo o que recolhe de maneira a somente assim entregá-lo à sua essência. Cabe agora fazer uma colocação a partir do lugar que recolhe o dizer poético de Georg Trakl na sua poesia, ou seja, cabe uma colocação a partir do lugar de sua poesia. Todo grande poeta só é poeta de uma única poesia. A grandeza de um poeta se mede pela intensidade com que está entregue a essa única poesia a ponto de nela sustentar inteiramente o seu dizer poético. A poesia de um poeta está sempre impronunciada. Nenhum poema isolado e nem mesmo o conjunto de seus poemas diz tudo. Cada poema fala, no entanto, a partir da totalidade dessa única poesia, dizendo-a sempre a cada vez. Do lugar da poesia emerge a onda que a cada vez movimenta o dizer como uma saga poética. Longe de abandonar o lugar da poesia, a onda que emerge permite que toda a movimentação do dizer seja reconduzida para a origem sempre mais velada. Como fonte da onda em movimento, o lugar da poesia abriga a essência velada do que a representação estética e metafísica apreende de imediato como ritmo. Como essa única poesia está sempre impronunciada, só podemos fazer uma colocação acerca de seu lugar, quando tentamos mostrar o lugar a partir do que se diz em cada poema isolado. Cada poema necessita assim de um esclarecimento. O esclarecimento deixa brilhar como numa primeira vez o clarim da claridade que transluz no que se diz poeticamente. Pode-se ver sem dificuldades que um bom esclarecimento já pressupõe uma colocação. Os poemas isolados só podem brilhar e soar desde o lugar da poesia. Uma colocação a partir da poesia precisa, por sua vez, de um trajeto precursor através de um primeiro esclarecimento dos poemas isolados. Todo diálogo pensante com a poesia de um poeta insiste nessa relação de reciprocidade entre a colocação e o esclarecimento. O diálogo propriamente dito com a poesia de um poeta só pode ser um diálogo poético: a conversa poética entre poetas. Todavia, um diálogo do pensamento com a poesia é também possível e de tempos em tempos até necessário porque ambos encontram-se numa relação privilegiada, não obstante distinta, com a linguagem. A conversa do pensamento com a poesia busca evocar a essência da linguagem para que os mortais aprendam novamente a morar na linguagem. diálogo do pensamento com a poesia é demorado. Trata-se que mal acabou de começar. Com relação à poesia Trakl, esse diálogo pede uma reserva especial. O diálogo a poesia só pode servir à poesia de maneira indireta, por estar sempre no perigo de perturbar o dizer da poesia ao invés de permitir que ela cante desde sua calma e repouso mais próprios. A colocação que se faz a partir da poesia é um diálogo pensante com a poesia. Não se trata de apresentar a visão de mundo característica de um poeta e nem de revistar a sua oficina. Fazer uma colocação a partir da poesia não pode substituir e muito menos orientar a escuta dos poemas. A colocação de pensamento pode, no máximo, elevar a escuta à dignidade de uma questão e, no melhor dos casos, a algo para se pensar ainda mais o sentido. Considerando essas restrições, tentaremos em primeiro lugar mostrar o lugar da poesia impronunciada. Para isso, devemos partir do que se pronuncia nos poemas. A questão é, no entanto, de quais poemas? Cada poema de Trakl indica, com igual rigor mas sem uniformidade, o lugar único da poesia. Isso testemunha a harmonia única de seus poemas desde o tom fundamental de sua poesia. A referência aqui ensaiada a esse seu lugar deve apoiar-se na escolha de algumas poucas estrofes, versos e frases. É inevitável a impressão de que procedemos arbitrariamente. A escolha orienta-se, no entanto, pelo intuito de voltar nossa atenção, como que num salto de olhar, para o lugar da poesia. [...] Veja mais aqui e aqui.

CONTO SWAZI DA ÁFRICA – No livro Black fairy tales (Atheneum, 1969), de Terry Berger, encontro o conto swazi da África Os três ovinhos, do qual destaco os trechos a seguir: Há muito tempo, uma mulher vivia com seu marido e os dois filhos. O marido era cruel e forçava a esposa a trabalhar desde o alvorecer até o cair da noite, espancando-a sem motivo e queimando-a com gravetos em brasa. Finalmente, a mulher não suportou mais. Quando seu marido foi para uma caçada, ela muniu-se de coragem, juntou os dois filhos e fugiu para as montanhas. Havia várias aldeias além da colina, onde ela esperava encontrar trabalho para se sustentar e aos filhos. Ela andou muito com uma filha pequena às costas e o menino ao seu lado. Acompanhou o rio que na estação seca ficava quase sem água. Quando parou para descansar, observou um ninho de pássaros numa árvore sem folhas. Pegou o ninho, pensando que poderia servir de brinquedo para seus filhos e encontrou dentro dele três ovinhos. Disse aos filhos: - Cuidado para não quebrar os ovinhos. Prosseguiram a viagem até cair a noite. Ela olhou à sua volta e não achou nada que servisse de abrigo, ficou com muito medo. Pensou:- O que vou fazer? Como vou proteger os meus filhos dos animais selvagens da floresta? De repente, uma vozinha respondeu: - Vá pelo caminho da direita. Ela espantou-se, pois a voz vinha de um dos ovos do ninho. Realmente, à sua direita, havia um caminho quase escondido entre a mata. Ela seguiu a trilha e chegou numa grande cabana. Entrou e ninguém respondeu ao seu chamado. Dentro da cabana, havia vasilhas com leite fresco e muitos frutos maduros. Ela alimentou as crianças e comeu fartamente. Depois todos adormeceram. Pela manhã, ela acordou os filhos e retornaram a caminhada pelas montanhas. Quando chegaram a um cruzamento na estrada, a mulher parou, indecisa quanto ao caminho a seguir. - Escolha o da esquerda, disse a voz do segundo ovo do ninho. Ela seguiu o conselho e chegou a uma outra cabana. Lá dentro viu um ogro tão imenso que seu ronco fazia tudo tremer. Ele tinha pelos vermelhos, dois chifres e uma cauda comprida. Por toda parte havia tijelas de sangue. Ela não se moveu, com medo que ele acordasse e a devorasse junto com seus filhos, mas naquele momento, ela ouviu o terceiro ovo que dizia: - Pegue a pedra branca e redonda, perto da porta, suba no telhado e jogue-a no monstro. Ela disse: - A pedra é muito pesada, como posso levantá-la? – Faça como estou dizendo, disse a voz. A mulher levou os filhos para cima do telhado, para mantê-los a salvo, e depois pegou a pedra perto da porta, que para sua surpresa não era tão pesada. Ergueu-a, subiu no telhado, olhou pela chaminé e preparou-se para jogar a pedra no monstro. Subitamente, outro ogro entrou na cabana, arrastando os corpos de várias pessoas. A mulher abafou um grito, e deixou a pedra de lado. Pensou: Não posso matar dois de uma vez, um certamente vai nos pegar e nos comer! - Espere até que durmam, então fujam, falou um dos ovos. Ela ficou quieta, acalmou os filhos, enquanto o ogro cozinhava e comia as pessoas que trouxera. Por fim os dois ogros, pegaram no sono. Quando começaram a roncar, ela desceu do telhado com os filhos e fugiu. Começou novamente a caminhada e entrou por um caminho de mata fechada em que ela mal enxergava. De repente, após uma curva, ela chegou a uma clareira, onde havia enorme árvore sempre-viva. Ela parou horrorizada, porque embaixo da árvore, estava um monstro enorme, maior que os dois ogros. Tinha cabelos grossos, emaranhados, focinho de chacal, chifres enormes e um longo rabo. Uma ogra! Falou aterrorizada. Viu que só podia seguir em frente passando por ela. O que vou fazer?, pensou. Os três ovos responderam: - Pegue o machado que está perto da ogra, suba na árvore e deixe cair na cabeça dela. Ela não tinha alternativa. Subiu na árvore com os filhos e depois pegou o machado. Tremendo de medo, ela ficou no galho que estava bem em cima da ogra e deixou o machado cair. A ogra resmungou um pouco zonza. - Rápido, disseram os ovos. - Desça daí e use o machado para matá0la antes que ela acorde. A mulher desceu da árvore e, quando pegou o machado a ogra começou a abrir os olhos, mas a mulher correu na sua direção e golpeou-a com o machado. Ela guinchou, rolou para o lado e morreu. No momento seguinte, o corpo da ogra abriu-se no meio e dela saíram centenas de pessoas, além de bichos que a ogra comera. As pessoas rodearam a mulher e lhe agradeceram. – Você nos libertou da ogra, disseram. Ela nos engoliu inteiros e há anos estamos vivendo na sua barriga. Como sinal de nossa gratidão, queremos que você se torne nossa rainha. A mulher contou que não fora ela que os salvara, mas os três ovos que estavam no ninho e apontou para o ninho. Nesse momento a terra tremeu, os ovos desapareceram e, em seu lugar surgiram três belos príncipes. O mais velho, ajoelhou-se diante da mulher que o libertou e disse: - Por causa da sua coragem você nos libertou, eu e meus irmãos, de um feitiço maligno. Ele aproveitou e pediu a mão dela em casamento, dizendo que ela estava livre porque seu marido havia morrido. Ela aceitou e perante o povo reunido, a corajosa mulher, agora rainha, desposou o príncipe. Dali em diante viveram felizes junto com as crianças. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EROTICA ROMANA – O livro Erótica Romana (Cavalo de Ferro, 2005), do poeta, filósofo e cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), é a primeira versão manuscrita das Elegias Romanas do autor, criadas pelo espírito libertino e liberal durante estadia na Italia (1786-1788), período este em que se envolveu em inúmeras aventuras amorosas com várias mulheres e, mais concretamente, trazia consigo Catherine Vulpius com quem passou a viver, sem com ela se casar. Seguem-se, portanto, poemas destacados da obra: EU  - Aqui é onde eu plantei meu jardim e aqui vou cuidar de blossoms-- de amor / Como estou ensinado por minha musa, classificá-los cuidadosamente em parcelas: / Ramos férteis, cujo produto é fruto de ouro da minha vida, ;/ Defina aqui em anos mais felizes, cuidado com prazer hoje. / Você, estar aqui ao meu lado, boa Príapo - embora a partir de ladrões eu tenho / Nada a temer. Livremente arrancar, quem quiser comer. / --Hypocrites, Esses são os! Se enfraquecido com vergonha e má consciência / Um desses criminosos vem, apertando os olhos para fora sobre meu jardim, / Refrear a pura frutas da natureza, punir o valete em seus hindparts, / Usando a estaca que se eleva assim vermelhas lá em vossos lombos. / Bem-vindo de Júpiter para mais de seu Juno se ele pode obtê-lo; V - Pergunte a quem quiser, mas você nunca vai saber onde eu estou hospedagem, / Senhores, senhoras alta da sociedade de forma cuidada e refinada. / "Diga-me, era Werther autêntica? Será que tudo isso acontece na vida real?" / "Lotte, oh onde ela mora, só o amor verdadeiro de Werther?" / Quantas vezes eu amaldiçoei essas páginas frívolas que transmitem / Destaca entre todas as paixões humanidade eu senti na minha juventude! / Se ele fosse meu irmão, por que então eu teria assassinado pobres Werther. / No entanto, seu fantasma desanimado não poderia ter procurado pior vingança. / Essa é a maneira "Marlborough", a cantiga, segue viagens do inglês / Down to Livorno da França, a partir daí, Livorno a Roma, / Todo o caminho para Nápoles e, em seguida, ele deve fugir para Madras, / Marlborough" irá certamente estar lá ", Marlborough", cantada no porto. / Felizmente agora eu escapou, e minha senhora sabe Werther e Lotte / Nem um pouco melhor do que o que poderia ser esse homem em sua cama: / Que ele é um estrangeiro, footloose e vigoroso, é tudo o que ela poderia dizer-lhe, / Quem além de montanhas e neve, morava em uma casa feita de madeira. / VII - Felizmente agora em solo clássico eu sinto inspiração. / Vozes do presente e do passado fala aqui sugestivamente. / Atendendo conselho antigo, eu folhear as obras dos Anciãos / Com uma mão assídua. Diariamente o prazer de renovada. / Ao longo da noite, de uma maneira diferente, eu estou manteve ocupado por Cupid-- / Se erudição é reduzido pela metade, êxtase é dobrado dessa forma. / Você, então eu não tornar-se sábio quando eu traço com o meu olho seu doce seio de / Form, ea linha de seus quadris acidente vascular cerebral com a minha mão? Eu adquirir, / Ao refletir e comparar, a minha primeira compreensão de mármore, / Veja com um olho que se sente, se sente com uma mão que vê. / Enquanto o meu amado, eu conceder-lhe, me priva de momentos de luz do dia, / Ela nos dá a compensação horas noturnas na íntegra. / E fazemos mais do que apenas beijar; nós processar discussões fundamentadas / (Ela deve sucumbir ao sono, que me dá tempo para os meus pensamentos). / Em seu abraço - é de nenhuma maneira incomum - poemas Ive compostas / E batida do hexameter bateu suavemente para fora de costas, / Fingertips contagem no tempo com a respiração rítmica doce de seu sono. / Ar do fundo de seu peito penetra meu e não queima. / Cupido, enquanto se agita a chama em nossa lâmpada, sem dúvida pensa daqueles dias em que / Para ele o triunvirato serviço similar realizada. / - IX - Como muito feliz Eu estou aqui em Roma, quando penso nos dias ruins / Far voltar lá no norte, envolto em uma luz acinzentada. / Sobre minha cabeça lá os céus pesado para baixo tão lúgubre e sombria; / Incolor, sem forma, que o mundo em volta deste homem exausto deitou. / Procuro me em mim mesmo, um espírito insatisfeito, eu meditava, / Espiar caminhos escuros, perdido em reflexão sombria. / Aqui em uma ather mais claro agora um brilho circunda minha testa. / Phoebus o deus evoca formas, claro são as suas cores por dia. / Brilhante com as estrelas vem à noite, tocando com músicas que são concurso, / E o brilho da lua, mais brilhante do sol do norte. / O que os mortais bem-aventurança pode saber! Estou agora sonhando? Ou recebe / Júpiter, Pai, como convidado - me, para salões ambrosíacas? / Veja, eu deito aqui estendendo meus braços em direção a seus joelhos. Estou orando: / Deus da hospitalidade, Júpiter Xenius! Ouça: / Como eu vim a este lugar eu já não posso dizer - eu era / Apreendidos pela Hebe. 'Twas ela levou a este monte sagrado. / Será que você comanda a ela um herói para procurar e oferecer antes de você? / Pode ser que ela cometeu um erro. Então perdoar. Deixe seu erro lucrar me! / Não Fortuna, sua filha, quando espalhando seus gloriosos presentes, / Depois a maneira de meninas, deu a cada um capricho passageiro? / Tu, ó Deus hospitaleiro, não tem por agora banir um estranho / A partir de suas alturas olímpicas de volta para a base de terra novamente. / "Poeta, vir a seus sentidos!" - Perdoe-me, Júpiter, não é / Capitólio segundo Olympus de Roma para você? / Espera-me, Júpiter, aqui e deixe Hermes guiar-me, finalmente, em seguida, / Passado Cestius 'Tomb suavemente para Orkus abaixo. [...] Os poemas foram para reunidos e adaptados para o teatro na peça "Retrato do Amor Quando Jovem", encenada pelo Projeto Escada do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com direção e adaptação de Samir Signeu e elenco formado por Amazyles de Almeida, Marta Meola e Carlos Eduardo Vieira, em São Paulo. Veja mais aqui e aqui.

UM DEUS DORMIU LÁ EM CASA & CHEGA DE SAUDADE - A trajetória da atriz carioca de teatro, cinema e televisão Tônia Carrero, iniciada em 1947, então graduada em Educação Física e quando retornou da França, com o filme Querida Susana, tornando-se estrela da Companhia Cinematográfica Vera Cruz e prosseguindo com a participação na peça teatral Um Deus Dormiu Lá em Casa (1949) e no filme Caminhos do Sul (1949), culmina com a encenação da peça teatral Um Barco Para O Sonho (2007) e o filme Chega de Saudade (2008). São dezenas de filmes e outras tantas dezenas de peças teatrais nas quais desempenha seu talento que a consolidaram como uma das maiores atrizes dos palcos brasileiros. Sua atuação na televisão, foi inicialmente em 1980, com a novela Água Viva e, depois, em 1983 na novela Louco Amor. Nossos eternos aplausos de pé para esta maravilhosa atriz. E veja mais aqui.

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS - O drama Sociedade dos poetas mortos (Dead Poets Society, 1989), dirigido por Peter Weir, conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo em uma escola preparatória para jovens, na qual predominavam valores tradicionais e conservadores. Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência. Com o seu talento e sabedoria, o professor inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias, mostrando as pessoas, em especial os jovens, deveriam opor-se, contestar, gritar e sobretudo ser "livres pensadores", e não deixar que ninguém condicione a sua maneira de pensar, mas também ensina esses mesmos jovens a usarem o bom-senso. É um filme repleto de citações de grande nomes da literatura de língua inglesa e de belas imagens metafóricas, deixando uma profunda mensagem de vida sintetizada na expressão latina Carpe diem ("aproveite o dia"), cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo e pintor estadunidense Man Ray (1890-1976). Veja mais aqui e aqui


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Some Moments, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa & Verney Filho. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca , sobe-desce na sua fubica incrementada, todo a...