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quarta-feira, dezembro 06, 2017

AGOSTINHO DA SILVA, MARCIA TIBURI, ALCÂNTARA MACHADO, ANTÔNIO MENESES, RICARDO CORONA, ALINA IBRAGIMOVA, LUCINDA LYONS, RESILIÊNCIA & PESQUEIRA

A VIDA É MUITO MAIS - Imagem: arte da pintora inglesa Lucinda Lyons. - A vida é plena e o sonho é grande além dos sentidos. Para quem sabe a miudeza dos que se arvoram donos do saber e nada sentem nem vivem, valho-me do discernimento, vou entre Esfinges, Pinóquios e Franksteins com seus narizes fálicos assombrados com seus monstros e maravilhas traduzidas e explicadsa por seus próprios erros e julgamentos. Deles me chega algaravias dos vultos forjados na discórdia dos que mandam e saltam das páginas dos livretros para ganharem vidas prórpias e fazem de tudo para todos o que querem e em nome de seus interesses vendem ilusões e mentem, enganam, traem o propósito real e original que não sabem, para se sentarem ao lado dos que ignoram as máscaras do embuste da ignorância atávica, ocultando atrás das portas as intenções além das abstrações inalcançáveis. A mim chegam engalanados e mimosos, e os revelo da boca para o ouvido e logo se extinguem entre as muitas dimensões ao meu redor, porque sei do incompreensível e paradoxal, e cuido da minha vida e não interfiro no alheio. O Verbo sou galáxias inteiras e muitas pela espiral ascendente dos muitos níveis da evolução com o Fogo Purificador e a legislação moral do Livro da Revelação, e persigo pelos cento e vinte e cinco degraus que levam ao Criador, a me dar a capacidade infinita de ser outras tantas e muitas formas e os muitos níveis de compreensão, porque me mantenho entre os doze iniciados da Kabash, e o Zohar e a Hermética, os seiscentos e treze manifestos da Torá, as trinta e duas vias da sabedoria no Livro da Formação, os vinte e dois livros do Explendor para a Sabedoria da Verdade, o Livro da Iluminação, das Emanações, as dez propriedades divinas e suas vinte e duas letras, quando sou semente única em comunhão com todas as outras, a seguir a luz no alto a desfazer mistérios. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o violoncelista Antônio Meneses no Concert Chello Elga & a violinista russa Alina Ibragimova interpretando o Concert to the memorian on the Angel Berg & Violin Bach. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] No político distingo dois momentos, o do presente e do futuro. Principiando pelo segundo, desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafísica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor do que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção, por uma lado, no , por outro lado, na fábrica automática; que a criança cresça naturalmente segundo as suas apetências, sem as várias formas de cópia e do ditado que têm sido nas escolas, publicas e de casa; que o social com as suas regras, entraves e objectivos dê lugar ao grupo humano que tenha por meta fundamental viver na liberdade, e que todos em vez de terem metafísica, religiosa ou não, sejam metafísica. Tudo virá, porém, gradualmente, já que toda a revolução não é mais do que um precipitar de fases que não tiveram tempo de ser. Por agora, para o geral, democracia directa, economia comunitarista, educação pela experiência da liberdade criativa, sociedade de cooperação e respeito pelo diferente, metafísica que não discrimine quaisquer outras, mesmo as que pareçam antimetafísicas. Mas, fora do geral, para qualquer indivíduo, o viver, posto que no presente, já quanto possível no futuro; eliminando o supérfluo, cooperando, aceitando o que lhe não é idêntico – e muito crítico quanto a este -, não querendo educar, mas apenas proporcionando ambiente e estímulo, e procurando tão largo pensamento que todos os outros nele caibam. Se o futuro é a vida, vivamo-la já, que o tempo é pouco; que a Morte nos colha e não, como é hábito, já meio mortos, aliás, suicidados. [...]. Trecho da obra Textos e ensaios filosóficos (Âncora, 2000), do filósofo, poeta e ensaísta português Agostinho da Silva (1906-1994). Veja mais aqui.

PESQUEIRA – O município de Pesqueira compreende administrativamente os distritos sede, Cimbres, Mimoso, Mutuca, Papagaio e Salobro, e os povoados Ipanema, Cajueiro, Beira Mar, Capim de Planta, Papagaio de Cima, Marimbas, Pacheco e Cacimbão. Está inserido na unidade geoambiental das encostas ocidentais do Planalto da Borborema, destacando-se as serras do Mimoso e do Ororubá. Na Serra do Ororubá vivem os índios Xukuru, em 24 aldeias, consolidando o município como o maior reduto indígena do Nordeste. A terra indígena, homologada em 2001, ocupa uma área de 27,5 mil hectares, onde os índios desenvolvem atividades agrícolas e bordados tipo renascença. Além disto, no núcleo urbano habitam aproximadamente 200 famílias indígenas, sobretudo no bairro Xukurus. A tribo dos Paratiós foi extinta e dela quase não há registros. A sua história começa em fins dos anos 1659/1660 com a fundação de uma missão da Congregação do Oratório, fundada junto à tribo cariri de nome Xujuru, que habitava a serra. O local foi batizado de Monte Alegre, depois se tornou Cimbres e fora elevada à categoria de vila em 3 de abril de 1762. Antes disso, segundo carta de sesmaria datada de 24 de janeiro de 1691, o lugar já era sede da Capitania de Ararobá. Ao que parece, a dita capitania foi transferida para os Campos dos Garanhuns por volta de 1727. A capitania voltaria para Monte Alegre em 1762, com a elevação da povoação à categoria de vila e sede de município. A partir de 1800, uma fazenda começou a ser instalada, de nome de "Poço Pesqueiro" (ou "da Pesqueira", como também se encontra nos registros mais antigos) e começou a progredir com rapidez. Tanto que a 13 de maio de 1836, Poço Pesqueiro já era uma povoação vistosa e fora elevada a vila com o simplório nome de "Pesqueira". Junto com a elevação a vila, Pesqueira recebeu a sede do Município de Cimbres (que no alto da serra, já não era tão viável para assuntos políticos e o comércio). Em 1880 a vila foi elevada a cidade com o nome de "Santa Águeda de Pesqueira", que não vingou e recebeu o nome de "Pesqueira". A vila de Cimbres foi a ela anexada e, juntas, Cimbres e Pesqueira formaram o município de Cimbres até 1913, quando "Pesqueira" passou definitivamente a ser o nome do Município, passando a antiga sede a mero distrito. O município encontra-se inserido nos domínios das bacias hidrográficas dos rios Ipanema e Ipojuca, e seus principais tributários são: o Rio Ipojuca, além dos riachos: dos Pebas, Cana-Brava, do Boi, Santana, Gravatá, Ceguinha, da Atravessada, do Guerra, Quebra-Roça, do Bálsamo, Baraúnas, Liberal, Papagaio, do Belo e Salobro. Veja mais aqui.

NEOFUNDAMENTALISMO & CRENÇA ÚTIL– [...] o neofundamentalista cultua a mais bruta ignorância, a que despreza o conhecimento. Se lembrarmos de Walter Benjamin definindo o capitalismo como religião, o neofundamentalismo analogamente corresponderia à ignorância como religião. [...] A ignorância é, assim, o próprio fundamento [...] é sempre desonesta. Não importa se ele acredita ou não no que diz. Ele está em busca de efeitos e causando efeitos para ter resultados traduzíveis em lucros: dinheiro, audiência, votos. Em última instância: poder. Daí que seja fácil fundar igrejas ou shoppings em um mundo em que Deus – que ocuparia o lugar da verdade nas religiões – se confunde com mercadorias, em um mundo em que a Indústria Cultural da religião embota toda a relação com a transcendência. Diferente do simples crente para quem a verdade é o cerne de uma crença capaz de orientar pensamento e atos, o fundamentalista usa sua crença, na qual, a propósito, não pode ter certeza de que ele realmente creia. Ao usar a crença, o fundamentalista desrespeta não apenas a crença alheia, mas a própria crença em nome da qual age. [...] Ele odeia a verdade que finge amar, assim no campo religioso, odeia um deus que ele não possa explicar. [...] Como um desesperado, sem um Deus em quem possa confiar, ele se autodenuncia em sua descrença. O fundamentalista é a prova de que Deus, mesmo que possa existir, não existe. Trechos do artigo Neofundamentalismo: culto da ignorância e crença útil (Cult, outubro 2014), da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica gaúcha Marcia Tiburi. Veja mais aqui e aqui.

RESILIÊNCIA – [...] O grau de resiliência pode ser alterado pela educação e é assim possível injetar confiabilidade, segurança e esquemas de organização mesmo em pessoas ou comunidades aparentemente apáticas. A pessoa ou organização resiliente necessita ser ágil, apresentar facilidade em acolher a diversidade, contextualizar o conhecimento e sua cíclica transtormação, revelar poder sistêmico e criar solidariedade, sabendo dar a volta por cima, reajustar-se rapidamente após perturbações, choques ou frustrações e, sobretudo, achar saídas. Saber explicar-se, possuir autoconfiança, sentido da efemeridade e da importyancia da biodiversidade, e construindo-se permanentemente realizam julgamentos éticos. O grau de resiliência de uma pessoa pode até ilustrar seu potencial de inteligência, considerando que a inteleigencia é a capacidade de resolver problemas e criar produtos de valor social. [...]. Trecho extraído da obra A construção de uma nova pedagogia para uma escola pública de qualidade (Vozes, 2009), do educador Celso Antunes. Veja mais aqui.

APÓLOGO BRASILEIRO SEM VÉU DE ALEGORIA – [...] Belém vibrou com a história. Os jornais afixaram cartazes. Era assim o título de um: Os passageiros no trem de Maguari amotinaram-se jogando os assentos ao leito da estrada. Mas foi substituído porque se prestava a interpretações que feriam de frente o decoro das famílias. Diante do Teatro da Paz houve um conflito sangrento entre populares. Dada a queixa à polícia foi iniciado o inquérito par aapurar as responsabilidades. Perante grande número de advogados, representantes da imprensa, curiosos e pessoas gradas, o delehado ouviu vários passageiros. Todos se mantiveram na negativa, menos um que se declarou protestante e trazia um exemplar da Biblia no bolso. O delegado perguntou: - Qual da causa do motim? O homem respondeu: - A causa verdadeira do motim foi a falta de luz nos vagões. O delegado olhou firme nos olhos do passageiro e continuou: - Quem encabeçou o movimento. Em meio da ansiosa expectativa dos presentes, o homem revelou: - Quem encabeçou o movimento foi um cego! Quis jurar sobre a Bíblia mas foi imediatamente recolhido ao xadrez porque com autoridade não se brinca. Trecho do conto extraído da obra Novelas paulistanas (José Olympio, 1961), do escritor Alcântara Machado (1901-1937). Veja mais aqui & aqui.

ONDAS NA LUA CHEIA (POEMA SOB INFLUÊNCIA) – A lua que tudo assiste / agora incide / O mar / — sob efeito — / ergue-se / crispado de ondas espumantes / Sua língua de sal / lambe e provoca / as escrituras da areia firme / Ondas deslizantes / redesenham / onde outras ondas ainda / desredesenharão, / fluindo / no fluxo / da influência / Sob efeito lunar / o mar muda / e a lua, / antes toda, / agora, mínima / e quem com ela muda?). Poema extraído da obra Ladrão de fogo (Medusa, 1999), do poeta, tradutor, editor e performer Ricardo Corona.

ARTE & PERFORMANCE
Corpo Política – performance  Almoço sobre a relva, de Natasha de Albuquerque & Conceito contra conceito, de Maria Eugência Matricardi. .Fotos: Pamela Guimarães.

Veja mais:
O pensamento de Rose Marie Muraro aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora inglesa Lucinda Lyons.
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, novembro 15, 2017

BACHELARD, MORIN, FAYGA OSTROWER, ANA PAULA TAVARES & SIRINHAÉM

ESTRELAS, OURO & TODAS AS COISAS - Imagem: Litografia (1981), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). - Quem dera, o cansaço conciliasse o sono desgovernado das andanças de estradeiro, no galope de correr trocando as pernas na lapada do mundo ao deus-dará, já de sobreaviso e a vida no pêndulo ao derredor das circunstâncias, léguas pelos vales de porteira escancarada e o que mais poderia querer na boca da noite, afora do oco vazio prosperando a pulso e o remorso no marulhar das águas, sozinho no terraço. No meio da noite, de um lado, o esplendor da Natureza com tudo e todas as coisas; de outro, a danação da miséria: uns com tanto na servidão de suas mesquinharias e a festa de teres e haveres que são poeiras mais cedo ou mais tarde pras infelizes ganâncias; outros, com tão pouco, quase nada ou nada mesmo e sem ter pra onde ir, se um centavo era seu, por que não, de nada adianta as garras afiadas a mando do umbigo estraçalhado, coisa de quem mata por querer o do outro que não é seu para ser seu a qualquer custo e já agorinha mesmo senão eu morro com um troço atravessado no peito do desgosto. Isso não me interessa, viro pro lado e brinco de rio e mar por entrerrios e outros meios, dizeres de pedras, quantos ontens, recolho estrelas – pra que serve? Se tudo vale ou não, prossigo como quem chuta uma pedra e a estrela sentiu na estrada. A gota da minha lágrima transbordou no copo. Parece que criei meu próprio infortúnio engolfado em negros pensamentos, fraquezas, paradas, tentações. É era pro passo decisivo: não tenho mais pressa, respiro profundamente porque chegou a hora de por termo ao caos de mim mesmo. Agora, adiante. Vez em sempre, sou senhor de mim, não mais escravo do reino manifesto, nem sucumbo ao desânimo. Ouvi o chamamento da sutil e suave voz dentro de mim. Tranquilizei meu intelecto ao saciar a sede de saber, olhos no escuro, silenciei minha voz. Dentro de mim nasce o Sol na manhã e sou a Terra na imensidão do universo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Devemos fazer tudo para desenvolver nossa racionalidade, mas é em seu próprio desenvolvimento que a racionalidade conhece os limites da razão e efetua seu diálogo com o irracionalizável [...] Doravante, aqui residirão nosso único fundamento e nosso único recurso possível [...] no esforço da compreensão e não da condenação, no autoexame que comporta a autocrítica e que se esforça em reconhecer a mentira para si próprio. [...]. Trechos extraídos da obra Amor, poesia, sabedoria (Bertrand Brasil, 2012), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui e aqui.

CRIAÇÃO & CRIATIVIDADE - [...] Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse 'novo', de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar. [...] ao aprender o mundo, o homem aprenda também o próprio ato de apreensão, permite que, aprendendo, o homem compreenda [...] poderia encontrar uma pessoa na rua e nesse encontro notar certos detalhes, o tom de voz, determinados gestos, olhares, a roupa, a pressa com que caminha, ou outros aspectos isolados; talvez tais aspectos tornem o encontro significativo num sentido inteiramente imprevisto. Isto está fora das possibilidades dos animais, que reagem a situações globais concretas [...] Temos de levar em conta que uma realidade configurada exclui outras realidades, pelo menos em tempo e nível idênticos. É nesse sentido, mas só e unicamente nesse, que, no formar, todo construir é um destruir. Tudo o que num dado momento se ordena, afasta por aquele momento o resto do acontecer. É um aspecto inevitável que acompanha o criar e, apesar de seu caráter delimitador, não deveríamos ter dificuldades em apreciar suas qualificações dinâmicas. Já nos prenuncia o problema da liberdade e dos limites. [...] Criar é poder relacionar com precisão. Ou melhor ainda, criar é relacionar com adequação. O referencial dos limites permite que nos relacionamentos se use o senso de proporção, se avalie a justeza no que se faça. Se por algum motivo tivéssemos que estabelecer uma única qualificação condicional para o que é criativo, essa qualificação seria a da adequação, não seria a inovação nem a originalidade. seria a maneira justa e apropriada por que se corresponderiam as delimitações de um conteúdo expressivo e as delimitações de uma materialidade (os meios usados para se configurar). Não teríamos menos do que no caso fosse necessário, pois o resultado seria pobre, insuficiente e não-criativo, mas também não teríamos mais do que o necessário, cujo resultado por sua vez seria não-criativo no sentido de não-verdadeiro, irreal, excessivo, talvez até bombástico e vazio (consequentemente, a originalidade em si não é critério de criação) [...]. Trechos extraídos da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui.

A POESIA & O DIREITO DE SONHAR - [...] A poesia é uma metafísica instantânea. Num curto poema deve dar uma visão de universo e o segredo de uma alma, ao mesmo tempo um ser e objetos. Se simplesmente segue o tempo da vida, é menos do que a vida; somente pode ser mais do que a vida se imobilizar a vida, vivendo em seu lugar a dialética das alegrias e dos pesares. Ela é então o princípio de uma simultaneidade essencial, na qual o ser mais disperso, mais desunido, conquista unidade  [...]. Trecho extraído da obra O direito de sonhar (Difel, 1986), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui e aqui.

SIRINHAÉM – O distrito de Sirinhaém foi criado por Alvará datado de 28 de junho de 1759, tinha por vila a denominação de Formosa, criada em 01 de julho de 1627, en2quanto que a Vila Formosa de Sirinhaém criada em 19 de junho de 1627 e instalada em 01 de julho de 1627. A localidade começou a povoar-se em princípios do século XVII. Em 1614, ediciou-se a capelinha de São Roque. De 1620 e 1621, já bem servida a povboação, foi levantada a igreja de Nossa Senhora da Conceicção. Em 1621’, foi elevada à categoria de fregusia, sendo constituído em município autônomo em face da Lei estadual 52 – Lei Organica do Municipios -, datada de 03 de agosto de 1892. Administrativamente, Sirinhaém é formado pelos distritos-sede, Barra de Sirinhaém e Ibiratinga, e pelos povoados da Usina Trapiche e Santo Amaro. Anualmente, no dia 06 de janeiro, comemora a sua emancipação política, conforme a Enciclopédia dos Municipios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

O LAGO, DE ANA PAULA TAVARES
Tão manso é o lago dos teus olhos
que temo avançar a mão
cortar as águas
e semear o espanto
na descoberta
da minha sede antiga
Poema extraído do livro Dizes-me coisas amargas como os frutos (Caminhos, 2001), da poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares. Veja mais aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Lima aqui.
A literatura de José Saramago aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui & aqui.
 

sábado, setembro 16, 2017

TERRA, BUBER, VERÍSSIMO, INCLUSÃO & ACESSIBILIDADE, COLÉGIO DIMENSÃO & MUITO MAIS COM MÚSICA NO AR

SOU DA TERRA E A ELA ME DOU - Sou desta Terra-mãe, em cada gota de orvalho na flor da manhã e em cada paisagem dos pontos cardeais, porque planto o futuro a cada momento em que vivo e sou feito pra cumprir a missão. Eu colho o presente ao nascer o dia, distribuo a colheita de mão em mão e em todas as mãos eu sou pra todos porque assim também eu serei, porque sou cada semente que brota na festa da vida. E se em mim amanheço pra tudo alcançar e se também anoiteço pra que possa me guiar na escuridão, é porque sou corrente na rota do rio pra que eu seja mar e tudo de mim e de todos, e sou o vento da tarde alisando o cabelo nas faces pro sorriso emanando de cada ser nas noites & dias de cada estação. Assim eu sou chão das raízes pra todas as folhas e flores, todos os pés que perseguem os rumos distantes, pros dedos que apontam todas as direções, pra que eu seja mais desenvolto de invernos a verões. Assim eu sou erupção vulcânica no fogo de amar pra que tudo seja amor em dar e receber, em olhar e perceber a maravilha que é dar conta de todo milagre que é nascer e viver. Assim sou dia de feita na vez do labor, sou todo domingo festejando a semana porque tudo que nasce provém do amor, sou todas as preces de gratidão, pra que eu seja cada pedra, pra que eu seja cada respirante, na mais completa comunhão do que sou. Por isso sou desta Terra e a ela me dou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

NÓS, EU & TU – [...] O homem não é uma coisa entre coisas ou formado por coisas quando, estando EU presente diante dele, que já é meu TU, endereço-lhe a palavra-princípio. Ele não é um simples ELE ou ELA limitado por outros ELES ou ELAS, um ponto inscrito na rede do universo de espaço e tempo. Ele não é uma qualidade, um modo de ser, experienciável, descritível, um feixe flácido de qualidades definidas. Ele é TU, sem limites, sem costuras, preenchendo todo o horizonte. Isto não significa que nada mais existe a não ser ele, mas que tudo o mais vive em sua luz. Assim como a melodia não se compõe de sons, nem os versos de vocábulos ou a estátua de linhas - a sua unidade só poderia ser reduzida a uma multiplicidade por um retalhamento ou um dilaceramento - assim também o homem a quem EU digo TU. Posso extrair a cor de seus cabelos, o matiz de suas palavras ou de sua bondade; devo fazer isso sem cessar, porém ele já não é mais meu TU. Assim como a prece não se situa no tempo mas o tempo na prece, e assim como a oferta não se localiza no espaço mas o espaço na oferta - e quem alterar essa relação suprimirá a atualidade, do mesmo modo o homem a quem digo TU não encontro em algum tempo ou lugar. EU posso situá-lo, sou, aliás, sou obrigado a fazê-lo constantemente, mas então, ele não é mais um TU e sim um ELE ou ELA, um ISSO. Enquanto o universo do TU se desdobra sobre minha cabeça, os ventos da causalidade prostram-se a meus calcanhares e o turbilhão da fatalidade se coagula. Eu não experiencio o homem a quem digo TU. EU entro em relação com ele no santuário da palavra-princípio. Somente quando saio da! posso experienciá-lo novamente. A experiência é distanciamento do TU. A relação pode perdurar mesmo quando o homem a quem digo TU não o percebe em sua experiência, pois o TU é mais do que aquilo de que o ISSO possa estar ciente. O TU é mais operante e acontece-lhe mais do que aquilo que o ISSO possa saber. Aí não há lugar para fraudes: aqui se encontra o berço da verdadeira vida. Eis a eterna origem da arte: uma forma defronta-se com o homem e anseia tornar-se uma obra por meio dele. Ela não é um produto de seu espírito, mas uma aparição que se lhe apresenta exigindo dele um poder eficaz. Trata-se de um ato essencial do homem: se ele a realiza, proferindo de todo o seu ser a palavra-princípio EU-TU à forma que lhe aparece, aí então brota a força eficaz e a obra surge. Esta ação engloba uma oferta e um risco. Uma oferta: a infinita possibilidade que será imolada no altar da forma. Tudo aquilo que ainda há pouco se mantinha em perspectiva deverá ser eliminado, pois, nada disso poderá penetrar na obra; assim exige a exclusividade própria do “face-a-face”. Um risco: a palavra-princípio não pode ser proferida senão pelo ser em sua totalidade, isto é, aquele que a ISSO se entrega não deve ocultar nada de si, pois a obra não tolera como a árvore ou o homem, que EU descanse entrando no mundo do ISSO. É ela que domina; se EU não a servir corretamente ela se desestrutura ou ela me desestrutura. Eu não posso experienciar ou descrever a forma que vem ao meu encontro; só posso atualizá-la. E, no entanto, EU a contemplo no brilho fulgurante do face-a-face, mais resplandecente que toda clareza do mundo empírico, não como uma coisa no meio de coisas inferiores ou como um produto de minha imaginação mas como o presente. Se for submetida ao critério da objetividade, a forma não está realmente “ai”; entretanto, o que é mais presente do que ela? Eu estou numa autêntica relação com ela; pois ela atua sobre mim assim como EU atuo sobre ela. Fazer é criar, inventar é encontrar. Dar forma é descobrir. Ao realizar EU descubro. EU conduzo a forma para o mundo do ISSO. A obra criada é uma coisa entre coisas, experienciável e descritível como uma soma de qualidades. Porém àquele que contempla com receptividade ela pode amiúde tornar-se presente em pessoa. [...]. Trecho extraído da obra Eu e Tu (Moraes, 1974), do filosofo, escritor e pedagogo israelita Martin Buber (1878-1965). Veja mais aqui e aqui.

INCLUSÃO ESCOLAR – [...] Embora possa assustar pelo grande número de mudanças e pelo teor de cada uma delas, a inclusão é, como muitos a apregoam, “um caminho sem volta”. Nunca é demais, contudo, reafirmar as condições em que essa inovação acontece, marcando, grifando na consciência dos educadores o seu valor, para que nossas escolas atendam à expectativa de seus alunos, do ensino infantil à universidade. A escola prepara o futuro e, de certo que, se as crianças aprenderem a valorizar e a conviver com as diferenças nas salas de aula, serão adultos bem diferentes de nós, que temos de nos empenhar tanto para entender e viver a experiência da inclusão! O movimento inclusivo, nas escolas, por mais que ainda seja muito contestado, pelo caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio educacional, convence a todos pela sua lógica e pela ética de seu posicionamento social. Ao denunciar o abismo existente entre o velho e o novo na instituição escolar brasileira, a inclusão é reveladora dos males que o conservadorismo escolar tem espalhado pela nossa infância e juventude estudantil. Penso que o futuro da escola inclusiva depende de uma expansão rápida dos projetos verdadeiramente imbuídos do compromisso de transformar a escola, para se adequar aos novos tempos. Se ainda hoje esses projetos se resumem a experiências locais, estas estão demonstrando a viabilidade da inclusão, em escolas e redes de ensino brasileiras, porque têm a força do óbvio e a clareza da simplicidade. A aparente fragilidade das pequenas iniciativas tem sido suficiente para enfrentar, com segurança e otimismo, o poder da velha e enferrujada máquina escolar. A inclusão é um sonho possível! Trecho do livro Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? (Moderna, 2003), da Professora da Unicamp, Maria Teresa Eglér Mantoan. Veja mais sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PROJETO ACESSIBILIDADE DA BIBLIOTECA FENELON BARRETO - Participação na reunião do Projeto Acessibilidade/Inclusão da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, no último dia 14/09/2017, com o diretor da Biblioteca, João Paulo Araújo, e as professoras Rute Costa da SEMED-Palmares & Silvana Neves – Coordenadora do Programa de Educação Inclusiva da SEMED-Palmares. Esta reunião é o resultado de uma outra ocorrida no último dia 31/08, resultando na esquematização de ações que propiciem o envolvimento de alunos com deficiência visual, auditiva e cadeirantes para visita à Biblioteca no sentido de levantar as dificuldades encontradas por esse público-alvo, bem como a realização de Seminário sobre Acessibilidade envolvendo órgãos públicos, escolas, associações de classe, autoridades, estudantes, familiares de pessoas com deficiência e sociedade em geral, além da realização da parceria com o IFPE para apresentação de filmes sobre o tema e a apresentação das normas da ABNT 9050 & 15599, que tratam sobre a acessibilidade em edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos e a comunicação na prestação de serviços, respectivamente. Veja mais aqui.

COLÉGIO DIMENSÃO NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Participação do Professor Jadson Alexandre com alunos do Colégio Dimensão nos eventos promovidos pela Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto. Veja mais aqui.

Veja mais:
Terra-Mãe aqui e aqui.
A música de Baden Powell de Aquino aqui.
A música do violoncelista Antonio Meneses aqui.
A música da pianista Pi-Hsien Chen aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

TU & EU DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Em não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
– que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.
Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albiônico.
Tu,fão.
Eu, fônico.
És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.
Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.
És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu, clidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo
.
Poema extraído da obra Poesia numa hora dessas? (Objetiva, 2002),
n do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui e aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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domingo, agosto 07, 2016

CASTELLS, STRAMM, MILTON SANTOS, MAN RAY, BACH, IBRAGIMOVA, PAULA GARCIA, ROZART & SNOBBY


O PULO DO AMANTE – (Imagens: Leap, by RozArt/ Vagina, by Rich Snobby) – Desde menino quase rapaz, a tentação pelo segredo das saias, decotes e ginga calipígica. O meu olhar por cima dos muros, pelos combongós, fechaduras, frestas, sempre espionando a pujança reluzente da vitalidade feminina. No telhado da casa, a goiabeira e ela, sonhada Safo no que sou de Faetonte, naquela a me pedir o fruto apontado no dedo. Os degraus da escada e ela linda, a queda: o pulo do amante. E o seu riso o meu abismo: o promontório de Leocádia e o mar. A vertigem, nem morte, nem cura. Sozinho, sabia sequer onde estava. Ao meu redor todas as mulheres sonhadas. Elas usavam uma faixa larga com casca batida, com uma ponta que passava entre as pernas, caindo sobre o ventre, as que me seduziam. Outras, saias curtas, enrolando-se numa capa de casca de árvore, as que me tentavam. As que usavam cabelos presos num coque comparado a uma barbatana de peixe, as solícitas. Pareciam-me todas poliândricas, algumas de ancas esgalgas, outras voluptuosas geografia, todas de suprema sedução. Requestado por elas me ofereciam sem pudor nenhum, exigência da exposição de meu membro pinicado ao leve toque de suas mãos aveludadas e entregava-me aos seus bulícios. O ritmo marcado pela dançarina nua com seus véus rubros transparentes que saltava sobre uma laje fina de pedra e que recobria uma fossa na qual estava colocada uma grande cabaça que servia de caixa de ressonância ao som do búzio marinho. E a dança medida, graciosa, luxúria pura, e todas elas a expor de suas coxas roliças que surgiam do lascão das suas túnicas curtas, como exercícios no corredor olímpico. E eu, naquele meio, parecia mais que Zeus no pedestal alegre galanteador que não pode resistir a uma linda mulher, deusa ou mortal, pouco importando qual. Esse desfile de aventuras garantia a minha descendência: a bela Métis, primeiro, a quem devotara meu juvenil arrazoado; depois Atena, agraciando meus quereres. Posteriormente a tia, a respeitável Têmis com as três Mouras encarregadas de seguir atentamente o desenrolar da minha existência: Cloto, na sua roca o curso da minha vida; Laquésis a minha sorte; Átropos, implacável pro momento certo de cortar o curso da vida. Eis-me, Deméter recolhendo de mim seus prazeres e loucamente lúbrica para meu desespero. Vem Mnemósine, a que jurava que nunca se esquecera de mim; a bela Afrodite com sua beleza estonteante, ah, como eu me empanzinara com deleites além da conta do meu merecimento. E elas, outras e semideusas, se reuniam à volta da taça de Deméter para os ritos da fertilidade das Tesmoforias, dos quais os homens são excluídos, só eu seria, portanto, a exceção para a festa, uma animação fora do comum nos gineceus, ressoando risos abafados, gritos e corridas. E eu mais ainda explodindo de curiosidades. Elas se preparavam, eu que nem me dava conta; enterravam os objetos sagrados: leitões, figurinhas de argila representando órgãos sexuais, para que a terra nutriente lhes comunicasse a sua fertilidade. E se purificaram abstendo-se de qualquer aproximação com os homens. É hoje! É hoje o dia da festa. E descabeladas, correram para o jardim para desenterrar os símbolos asseguram fecundidade, depois de um dia inteiro de jejum, acolhendo as promessas de Deméter, flagelando-se com ramos verdes, roendo sementes de romã e ruminando, com os órgãos femininos de argila, em cenas íntimas acompanhadas de piadas obscenas. Vieram as orações à Deméter e sua filha Core, proteção pros grãos que germinariam a terra e como o corpo é o seu bem próprio, fazem a greve de amor para conseguir que os maridos assinem a paz. Nossa! Soubera que desfaleciam só com a idéia de se privar dos prazeres do amor. Tudo menos isso. E eu entregue à sua liturgia, como a cigarra cativado e embevecido pelas musas, me esquecendo de beber ou comer, só na veneração por Terpsicores, Eratos, Calíopes, Urânias, Lisístratas, como no mito da cigarra de Fedro. Era a hora de escrever o meu diário de Kierkegaard, contudo, sou tão vulnerável e fustigado pelos golpes sedutores delas. Valho-me de Descartes: as paixões passam por nossos órgãos. Dizem ser o sofrimento da atribulação da carne. Nunca, ben diria que elas seriam a causa ordinária do pecado: "como renegar quem me criou, quem me distinguiu dos animais da terra?", dissera Agostinho. Nunca diria, ao contrário, saberia, com a minha simples inutilidade, entregar-lhe meu tributo: amando. Este sim, o significado do imoderado júbilo de sabê-las fontes na qual jorram a vida eterna. Não há como me conter nem há de mutilar a oferenda, vivo abrasado, como renunciar se Deus nos dissera? Não ao sexo santo, que fique lá, eu quero a integridade do corpo e da mente e a mulher é a fonte. Ah! Ela é a maior das maravilhas, principesca efígie para provação de quantas delícias. Nela quero nidificar, naquele corpo de boeing cáustico, uma entre as seis mil estrelas visíveis, potranca, centaura, da cintura delgada, da estatura iridescente, dotada de talhe soberbo e magnífico, fina pele; sempre ela no primeiro plano de qualquer perspectiva, tornando-se, claro, a minha epífita. Ah! O seu encanto, os seus seios arrebitados, os olhos de gazela, leoa no seu habitat, brilho de supernova na nebulosa de Andrômeda, que a gente caça como a uma garça-caranguejeira. Ah! Os olhos manhosamente ocultados pelas pálpebras nos sonhos inquietantes, enquanto os ductos das mamas provocantes instigam minha saliva com seu ornamento exuberante, esculpida deliciosamente, impudente, elegante, esbelta, seus contornos, sua leve silhueta, a altiva expressão gravitando na minha direção, a magnetizar-me como estrela de primeira grandeza, como se eu fosse limalha de ferro atraído pela sua irradiação e a desprevenido sem isolante algum. Ah! E quando toca pelo sentido cinestésico, o tato, descobrindo-me esconderijos. Ah! Bebo a água do seu corpo, roço-lhe os pelos pubianos, a sua floresta amazônica, a sua carne com a pele da terra roxa, o seu Potosí inexplorado, a sua trilha de Piaburu, o seu monte de Vênus, os grandes lábios tumefeitos da sua vulva com suas carpas atlânticas, o hímen, as gônadas, o clitóris, o seu atol, a sua caverna, o colo opulento, a fenda vulvar, o vestíbulo e a rima do pudendo, o prepúcio do clitóris, o seu gineceu, a sua cavidade pélvica, o seu pistilo, carúnculas himenais, carina uretral, situados ventrais, sífise púbica, pregas igüinais, com perfume de rosas búlgaras em suas profundezas insondáveis. Ah! E em decúbito dorsal, a ver-lhe a coluna vertebral, a minha língua dúctil no tubérculo genital, sentindo a quentura do tecido epitelial da sua fonte profunda, a seiva do seu efeito piezelétrico, pelo estreito de suas pernas, o seu estreito de Gibraltar, o seu estreito de Magalhães. Ah! O falo, ela e o palato detonador, a língua de camaleoa ateando-me fogo, a espoleta da bomba do prazer, faísca na minha nitroglicerina, a minha transpiração - eu sou um animal instintóide e o meu istmo unindo-me a ela por seu paladar. Ah! A nossa carga pelo atrito dos corpos, voltagem em nível crítico, expelindo faíscas pelos calores aquecidos, corrente fluindo acusada por um miliamperímetro, cem graus Celsius, trezentos e setenta e três graus Kelvin, uma paixão radioativa exalando letal 200 mil miliroentgen por hora, fissível em altíssimos elétrons-volts na reação em cadeia por todos os poros, veias, artérias, e o meu cromossomo na sua gônada, a minha estrutura Wolf no seu tubo Muller. Ah! O seu cio, a libido, o orgasmo, a nossa taquipnéia, nossa taquicardia, sacudindo minhas coronárias, eu ficando em danada ebulição no epicentro do nosso terremoto, as nossas ondas sísmicas, onidericionalmente no geóide de nossos corpos. Ah! Eu gratificado pela doação dos seus atributos, atraído aos seus mamilos, alisando-lhe o músculo sartório, a minha barba mal feita no seu esplênio e ela arrepiando-se, asfixiando-me pela imersão nas águas do seu corpo. Ah! Belo rosto lindo num cicio apaixonante, eu rijo, todo o viço célere, os seus passos ciganos, o corpo esguio - que artesão maior? Que artífice genial? -, eu emocionado canastrão quando ela viceja com a peçonha que me enlouquece na boca doce de meiguice, imolando-me com os seus olhos de tâmaras afetuosas, sublevando os meus sentidos com o seu calor abrasivo debruçada sobre mim, eu e o meu coração em hasta pública, penhorado e arrematado pela escravaria da paixão, cantando a minha canção idônea como em um adscritício, eu sei, eu a amo como a chuva na terra, a semente no solo, o céu, a terra, o universo, a cópula natural e durante o inverno dorme a lagarta, quando acorda, a borboleta anima a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

Curtindo os álbuns Bach: Violin Concertos (Hyperion Records, 2015), com a obra do compositor do barroco alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), na interpretação da violinista russo-britânica Alina Ibragimova.

PESQUISA:
No começo da história do homem, a configuração territorial é simplesmente o conjunto dos complexos naturais. À medida que a história vai se fazendo, a configuração territorial é dada pelas obras dos homens: estradas, plantações, casas, depósitos, portos, fábricas, cidades, etc.; verdadeiras próteses. Cria-se uma configuração territorial que é cada vez mais o resultado de uma produção histórica e tende a uma negação da natureza natural, substituindo-a por uma natureza inteiramente humanizada.
Trecho extraído da obra A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção (Hucitec, 1996), do geógrafo e profesor Milton Santos (1926-2001). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
Luzes meretrizam nas janelas / a doença / roja-se à porta / e conclama gemidos de mulher! / Almas femininas enrubescem risadas agudas! / colos de mães bocejam filhos mortos! / O não nascido / fantasmambula / volátil / pelo espaço! Medroso / num canto / envergonrevolroído / enrosca-se / o sexo!
Casa de Prazer, poema extraído do livro August Stramm - Poemas-estalactites (Perspectiva, 2009), do poeta e dramaturgo expressionista alemão August Stramm (1874-1915), traduzido por Haroldo de Campos.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] a maioria dos nossos problemas ambientais mais elementares ainda persiste, uma vez que seu tratamento requer uma transformação nos meios de produção e de consumo, bem como de nossa organização social e de nossas vidas pessoas.
Trecho extraído do livro O poder da identidade (Paz e Terra, 1999), do sociólogo espanhol Manuel Castells. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo, pintor e anarquista estadunidense Man Ray (1890-1976).

Veja mais sobre O Prêmio, Marya Morevna, Alfred Tennyson, Jacques Lacan, Ilya Repin, Caetano Veloso, Glauber Rocha, Francisco Stokinger, Vera Holtz, Yoná Magalhães & Georges d'Espagnat aqui.

DESTAQUE
A arte da pintora, ilustradora, gravurista e tatuadora Paula Garcia.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra - Peace on Earth
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...