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segunda-feira, janeiro 22, 2018

RILKE, MARGARET LOCK, STRAVINSKY, HÉLIO PELLEGRINO, MARIA JOÃO PIRES, ANTÔNIO MARIA, LÉLIA FROTA, GODARD, ELENA ESINA & JAMES DRINKWATER

UM ESPIRRO, UMA CAGADA - Imagem: Long day in Gigaro Beach, do pintor e escultor inglês James Drinkwater. - Quem não conhece Zé Espirro? Esse não é seu nome de batismo nem de registro civil, passou a ser depois do primeiro atchim encarreado. Além de ser uma figurinha carimbada e popular que nem bolacha, ele é bem servido de nariz: lembra bem um bico de tucano. Tanto que também o chamam de Pinóquio: mente que o cu apita. Quando quer se esconder de cobrador ou desafeto, todo mundo sabe o seu paradeiro só pela esternutação. E por onde passa deixa rastros, outro incomodo: além da zoada com borrifo pra tudo quanto é lado, a golfada fede e como fede, meu. A inhaca é uma mistura de coisa choca com mundiça azeda, já viu, né? Por causa disso, diz ele, tudo dá errado na vida: pensa às avessas, de cabeça pra baixo. Como? Todo atrapalhado. Sai pra comprar pão, aí dá o repuxo, ao invés do que tinha por fazer, finda vendendo a casa do vizinho. E pode? Quando sai de casa pro trabalho, em vez de tirar o carro da garagem e dirigir até a repartição, solta o espirrado de vê-lo, lá vai, a nado, correnteza afora. Está vendo só? Tudo culpa dessa desgraçada de moléstia espirratória que eu tenho. Vou todo certinho e basta um fungado na venta, quando dou fé, estou ao contrário. Já virei pelo avesso não sei quantas vezes, dá um trabalho da porra pra desvirar. Basta uma coceirinha de nada nos fiapos do buraco do nariz, lá vem o desmantelo. Quantas e muitas vezes deixou uma potoca de catarro na sopa do delegado, no seio robusto da mulher do juiz, nas coxas de minissaia da filha do coronel, até na goela do padre – essa foi demas: o padre na maior empolgação no púlpito e um perfume forte duma distinta do lado deu-lhe uma coceira nas narinas, aí já viu, o esguicho entrou pela boca adentro de engasgar o pároco no meio da missa. Haja inconveniente. Desgraça de vida essa minha, já ando comendo todo tipo de pólvora de bomba pra ver se dou fim nisso ou me lasco de uma vez. Piorou. Já levei tanto furo de injeção nas veias e na bunda, de não se ter onde mais furar. Já disse: acerte os ovos que estoura tudo pra ver se resolve. É humilhação demais. Preso muitas vezes, não tem mais como se virar em dinheiro para pagar a fiança. E sai reclamando: faço o espetáculo e ainda tenho que pagar o couvert. Pode um negócio desse? Ainda ontem mesmo ele passou por mim na maior das carreiras. Pronde vai, meu? Soltei um que caguei-me todinho, porra! Ave! Vai findar feito a Tocha Humana, tá sabendo? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971): Firebird, Rite orf Spring & Symphonis of Winds (veja mais  aqui) ; e da pianista portuguesa naturalizada brasileira, Maria João Pires: Concerto para piano nº 17 de Mozart & Sonata nº 32, op. 111, de Beethoven; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Fiz algo contra o medo. Fiquei sentado e escrevi. Extraído da obra Os cadernos de Malte Laurinds Brigge (L&PM, 2009), do escritor alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui e aqui.

HOLÍSTICA MÉDICA – [...] significa considerar todos os aspectos do organimos humano como interligados e interdependentes. Num sentido mais amplo, significa reconhecer ainda que o organismo está em constante interação com seu ambiente natural e social. [...] O valor do conhecimento subjetivo é certamente algo que poderíamos aprender com o Oriente. Nós nos tornamos tão obcecados pelo conhecimento racional, a objetividade e a quantificação que sentimos extrema insegurança com a experiência e os valores humanos. [...]. No nível da assistência primária à saúde, isti é, no dos cuidados do dia-a-dia, os próprios pacientes, seus familiares e o governo deveriam assumir quase totalmente a responsabilidade pela saúde e pela cura. No nível secundário, isto é, no da assistência hospitalar, e dos casos de emergência, a maior parte da responsabilidade caberia ao médico – mas até mesmo aqui ele respeitaria a capacidade do próprio corpo para curar-se e não tentaria dominar o processo de cura. [...] O movimento holístico na saúde com certeza caminha nessa direção. Entretanto, uma medicina verdadeiramente holística exigirá mudanças bastante fundamentais em nossas atitudes, em nossas práticas de socialização, em nossa educação e em nossos valores básicos. Isso só acontecerá muito gradualmente - talvez nunca. [...]. Pensamento da médica antropóloga canadense, Margaret Lock, que tem desenvolvido estudos e trabalhos nas áreas de antropologia do corpo, epistemologia comparativa do conhecimento e prática médica, bem como o impacto global das tecnologias biomédicas emergentes. Extraído da obra Sabedoria incomum: conversa com pessoas notáveis (Cultrix, 1995) de Fritjof Capra. Veja mais aqui.

O HUMANO & O ANIMAL - [...] Acontece que nós, humanos, somos fratura, ruptura, salto qualitativo da natureza para a cultura. Somos exilados de nossa condição biológica e da Lei Cósmica que a preside. Perdemos os instintos, no bom e honrado sentido animal da palavra. Somos, sim, animais, mas animais políticos – zoon politikon -, tendo que criar as leis da polis por termos rompido – e este é o pecado original! – com a Lei que rege o sol, as estrelas, as plantas e os bichos. O animal, através do instinto, obedece integralmente à relojoaria cósmica. Ele não se extravia, não erra, não tem errância. O animal traz consigo, pronto, o mapa da mina. Sua certeza vem avalizada por milhões e milhões de anos. O instinto é memória imemorial, resposta eficaz, esplendor da espécie, indene à dúvida. Nós, humanos, nascemos prematurados, desequipados, sem fortes instintos que nos costurem ao mundo, fazendo dele, desde o começo, a nossa casa. Somos ruptura com a ordem cósmica e, por isto mesmo, criadores de civilização. Somos, em nossa origem, desgarramento, derrelição, extravio, liberdade. Somos, em nosso centro ontológico, falta, fenda, spaltung. [...]. Trecho de Instituição, linguagem, liberdade, extraído do livro A burrice do demônio (Rocco, 1989), do psicanalista e escritor Hélio Pellegrino (1924-1988). Veja mais aqui e aqui.

LOUVAÇÃO A OUTUBRO – [...] Enfim, Outubro, você chegou e de felizes se chamem todos os seus dias. Esta primeira meia hora – e que Deus a espiche – está excelente. Continue assim. Faça-me esquecer as agruras de agosto e setembro, essa duplinha ruim, que tanto judiou de nós. Não queremos nada, além de água na torneira, luz na lâmpada, cabelo na cabeça, dinheiro no bolso, comida na boca (qualquer outro, em vez de comida, escreveria beijo), beleza aos olhos e amor no coração. Extraído de Pernoite: crônicas (Martins Fontes/Funarte, 1989), do poeta, radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964). Veja mais aqui.

AQUERÔNTICO – É de noite que os mortos voltam / em sua barca de papel / a roçar a porta do sono / em que inermes escurecemos / mais um dia – pulmão de chama / contraindo a luz da manhã! / É de noite pela amurada / que vêm se debruçar conosco / e indulgem – apenas sorriem / sem qualquer resguardo, sem ênfase - / em ir e vir, em ter partido. / Impressões de viagem? Alheias / como a do perfil de um dracma. / Remiram-nos maliciosos / pensos de ternura se quedam / em sua fosca primavera, / atrás de embaciados acenos, / pacientes, à nossa espera. Extraído do livro Poesia Reunida (1956-2006 / Bem-te-vi, 2012), da premiada escritora, antropóloga e crítica de arte Lélia Coelho Frota (1938-2010). Veja mais aqui.

FILM SOCIALISME
O Film socialisme (2010), do cineasta franco-suiço Jean-Luc Godard, feito em três movimentos que contam os dilemas da modernidade: o primeiro, Des choses comme ça (Tais coisas) é definido em um cruzeiro, com conversas multilíngues entre uma coleção heterogênea de passageiros, envolvendo personagens como um criminoso de guerra envelhecido, um ex-funcionário da ONU e um detetive russo, contando com a participação da cantora e poeta estadunidense Patti Smith; o segundo Notre Europe (Nossa Europa), está situado em um posto de gasolina e envolve um par de filhos, uma menina e seu irmão mais novo, convocando seus pais para comparecer perante o "tribunal da infância", exigindo respostas sérias sobre os temas de liberdade, igualdade e fraternidade; o terceiro, Nos humanités (Our humanities), visita seis locais lendários: Egito, Palestina, Odessa, Grécia, Nápoles e Barcelona. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Apesar de tudo que já foi feito, somos todos mínimos, a literatura de Aníbal Machado, a fotografia de Ryan McGinley, a música de Loalwa Braz & a arte de Gustavo Rosa aqui.
Poemas & canções da Crônica de amor por ela aqui.
Sulina, a opulência da beldade, Graciliano Ramos, A cultura midiática de Douglas Kellner, Horácio, a pintura de André Derain, a música de Ronaldo Bastos, A poesia de Wanda Cristina da Cunha, A promiscuidade de Pedro Vicente & Lavinia Pannunzio, Gattaca de Andrew Niccol & Uma Thurman, Cindy Sherman & Thaís Motta aqui.
Iangaí, ó linda, Olinda, Fecamepa & os primórdios da corrupção no Brasil, Ari Barroso & Plácido Domingo, G. Graça Campos & a Esteatopigia aqui.
Francis Bacon, Antonio Gramsci, August Strindberg, a pintura de Lidia Wylangowska, a música de Luciana Mello, Marília Pêra & o grafite Vagner Santana aqui.
Um troço bulindo no quengo com a poesia de Abel Fraga & Fernando Fiorese & o desenho de Fabiano Peixoto aqui.
A Gestalt-terapia de Fritz Perls aqui.
Educação Ambiental aqui.
Probidade administrativa aqui.
Big Shit Bôbras: a chegada e os participantes aqui.
A trupe do Fecamepa aqui.
Doutor Zé Gulu: de heróis, mitos & o escambau aqui.
Doutor Zé Gulu: sujeito, indivíduo, quem aqui.
Poetas do Brasil: Afonso Paulo Lins, Carmen Silvia Presotto, Adriano Nunes, Eliane Auer & Natanael Lima Júnior aqui.
A arte do guerreiro no planejamento e atendimento, Pedagogia do Sucesso, A educação e a crise do capitalismo, Formação do pesquisador em educação, Educação a Distância, Cultura & Sociedade aqui.
Norbert Elias & Princípios fundamentais de filosofia aqui.
Pierre Bourdieu, Psicologia Escolar, Direito & Internet aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora russa Elena Esina.
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, novembro 15, 2017

BACHELARD, MORIN, FAYGA OSTROWER, ANA PAULA TAVARES & SIRINHAÉM

ESTRELAS, OURO & TODAS AS COISAS - Imagem: Litografia (1981), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). - Quem dera, o cansaço conciliasse o sono desgovernado das andanças de estradeiro, no galope de correr trocando as pernas na lapada do mundo ao deus-dará, já de sobreaviso e a vida no pêndulo ao derredor das circunstâncias, léguas pelos vales de porteira escancarada e o que mais poderia querer na boca da noite, afora do oco vazio prosperando a pulso e o remorso no marulhar das águas, sozinho no terraço. No meio da noite, de um lado, o esplendor da Natureza com tudo e todas as coisas; de outro, a danação da miséria: uns com tanto na servidão de suas mesquinharias e a festa de teres e haveres que são poeiras mais cedo ou mais tarde pras infelizes ganâncias; outros, com tão pouco, quase nada ou nada mesmo e sem ter pra onde ir, se um centavo era seu, por que não, de nada adianta as garras afiadas a mando do umbigo estraçalhado, coisa de quem mata por querer o do outro que não é seu para ser seu a qualquer custo e já agorinha mesmo senão eu morro com um troço atravessado no peito do desgosto. Isso não me interessa, viro pro lado e brinco de rio e mar por entrerrios e outros meios, dizeres de pedras, quantos ontens, recolho estrelas – pra que serve? Se tudo vale ou não, prossigo como quem chuta uma pedra e a estrela sentiu na estrada. A gota da minha lágrima transbordou no copo. Parece que criei meu próprio infortúnio engolfado em negros pensamentos, fraquezas, paradas, tentações. É era pro passo decisivo: não tenho mais pressa, respiro profundamente porque chegou a hora de por termo ao caos de mim mesmo. Agora, adiante. Vez em sempre, sou senhor de mim, não mais escravo do reino manifesto, nem sucumbo ao desânimo. Ouvi o chamamento da sutil e suave voz dentro de mim. Tranquilizei meu intelecto ao saciar a sede de saber, olhos no escuro, silenciei minha voz. Dentro de mim nasce o Sol na manhã e sou a Terra na imensidão do universo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Devemos fazer tudo para desenvolver nossa racionalidade, mas é em seu próprio desenvolvimento que a racionalidade conhece os limites da razão e efetua seu diálogo com o irracionalizável [...] Doravante, aqui residirão nosso único fundamento e nosso único recurso possível [...] no esforço da compreensão e não da condenação, no autoexame que comporta a autocrítica e que se esforça em reconhecer a mentira para si próprio. [...]. Trechos extraídos da obra Amor, poesia, sabedoria (Bertrand Brasil, 2012), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui e aqui.

CRIAÇÃO & CRIATIVIDADE - [...] Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse 'novo', de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar. [...] ao aprender o mundo, o homem aprenda também o próprio ato de apreensão, permite que, aprendendo, o homem compreenda [...] poderia encontrar uma pessoa na rua e nesse encontro notar certos detalhes, o tom de voz, determinados gestos, olhares, a roupa, a pressa com que caminha, ou outros aspectos isolados; talvez tais aspectos tornem o encontro significativo num sentido inteiramente imprevisto. Isto está fora das possibilidades dos animais, que reagem a situações globais concretas [...] Temos de levar em conta que uma realidade configurada exclui outras realidades, pelo menos em tempo e nível idênticos. É nesse sentido, mas só e unicamente nesse, que, no formar, todo construir é um destruir. Tudo o que num dado momento se ordena, afasta por aquele momento o resto do acontecer. É um aspecto inevitável que acompanha o criar e, apesar de seu caráter delimitador, não deveríamos ter dificuldades em apreciar suas qualificações dinâmicas. Já nos prenuncia o problema da liberdade e dos limites. [...] Criar é poder relacionar com precisão. Ou melhor ainda, criar é relacionar com adequação. O referencial dos limites permite que nos relacionamentos se use o senso de proporção, se avalie a justeza no que se faça. Se por algum motivo tivéssemos que estabelecer uma única qualificação condicional para o que é criativo, essa qualificação seria a da adequação, não seria a inovação nem a originalidade. seria a maneira justa e apropriada por que se corresponderiam as delimitações de um conteúdo expressivo e as delimitações de uma materialidade (os meios usados para se configurar). Não teríamos menos do que no caso fosse necessário, pois o resultado seria pobre, insuficiente e não-criativo, mas também não teríamos mais do que o necessário, cujo resultado por sua vez seria não-criativo no sentido de não-verdadeiro, irreal, excessivo, talvez até bombástico e vazio (consequentemente, a originalidade em si não é critério de criação) [...]. Trechos extraídos da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui.

A POESIA & O DIREITO DE SONHAR - [...] A poesia é uma metafísica instantânea. Num curto poema deve dar uma visão de universo e o segredo de uma alma, ao mesmo tempo um ser e objetos. Se simplesmente segue o tempo da vida, é menos do que a vida; somente pode ser mais do que a vida se imobilizar a vida, vivendo em seu lugar a dialética das alegrias e dos pesares. Ela é então o princípio de uma simultaneidade essencial, na qual o ser mais disperso, mais desunido, conquista unidade  [...]. Trecho extraído da obra O direito de sonhar (Difel, 1986), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui e aqui.

SIRINHAÉM – O distrito de Sirinhaém foi criado por Alvará datado de 28 de junho de 1759, tinha por vila a denominação de Formosa, criada em 01 de julho de 1627, en2quanto que a Vila Formosa de Sirinhaém criada em 19 de junho de 1627 e instalada em 01 de julho de 1627. A localidade começou a povoar-se em princípios do século XVII. Em 1614, ediciou-se a capelinha de São Roque. De 1620 e 1621, já bem servida a povboação, foi levantada a igreja de Nossa Senhora da Conceicção. Em 1621’, foi elevada à categoria de fregusia, sendo constituído em município autônomo em face da Lei estadual 52 – Lei Organica do Municipios -, datada de 03 de agosto de 1892. Administrativamente, Sirinhaém é formado pelos distritos-sede, Barra de Sirinhaém e Ibiratinga, e pelos povoados da Usina Trapiche e Santo Amaro. Anualmente, no dia 06 de janeiro, comemora a sua emancipação política, conforme a Enciclopédia dos Municipios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

O LAGO, DE ANA PAULA TAVARES
Tão manso é o lago dos teus olhos
que temo avançar a mão
cortar as águas
e semear o espanto
na descoberta
da minha sede antiga
Poema extraído do livro Dizes-me coisas amargas como os frutos (Caminhos, 2001), da poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares. Veja mais aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Lima aqui.
A literatura de José Saramago aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui & aqui.
 

quinta-feira, novembro 09, 2017

KRISHNAMURTI, LÉVI-STRAUSS, ROSELI NASCIMENTO, ERNST FUCHS, SEBASTIÃO VILA NOVA & CACHOEIRINHA

RESPEITE O SANTO – Zé-Corninho andava inheto, irreconhecível. Empanzinado de beber à farta, lamentava sua sorte pela má escolha. Que é que há, homem? A mulher é só desculpa na hora do bem-bom. Quando não é dor de cabeça, é mal-estar, coisa ruim, quebranto, coisa inventada dos pantins de mulher que não quer cumprir com a obrigação do casório. Antes era um fogo no rabo, uma quentura na bacorinha, vixe! Tempos bons, chega eu ia doido voando pra casa só pensando nas traquinagens. Não há nada melhor que uma mulher fogosa, da gente se derreter todo depois de tocar fogo numa peiada bem dada. Oxente, coisa mais maior de grande. Três anos nessa pisada: no quarto, na sala, debaixo da mesa, pelos cantos, na pia, na lavanderia, atrepado num pé de pau, plantando bananeira, de costa, de banda, de todo jeito, ô presepada boa, não há nada melhor que uma safadeza passando dos limites. Assim, com uma animação nostálgica, evocava os tempos bons em que ela, tipuda e jeitosa, se enroscava toda nas loucuras de satisfazer seu macho com competência e dedicação. Agora não, tudo cada dia mais longe, mais cansado. Adular de todo jeito não adiantava nada, só um beijo chocho, aquela coisa aguada, chega dá vontade de desistir de tudo e partir pra outra. Mas como sou persistente, chego junto, marco presença, sapeco cutucada da macheza e ela nem nem. Deu de dizer que se dedicava ao santo da devoção pra gente melhorar de vida. Concordei, ora, dois, três dias depois, eu lá no calcanhar pra ver se ela dava sinal de vida: Respeite o santo, homem! Quando eu me aprumava naquelas carnes gostosas: Hoje não que iniciei uma novena. Dez dias depois, eu fungando no cangote dela: Hoje não que eu me confessei ontem pra hoje ganhar a bênção. Uma semana nisso e eu em cima, encarcando aquelas saliências carnosas que sempre foram meu prazer e ela com a saída de que o santo exigia dela abstinência sexual. Como? Isso mesmo! Você faz a promessa e eu que pago o castigo? Quer ou não quer melhorar de vida? Claro que quero, mas qualquer coisinha de aconchego uma vez na vida, ajuda no jejum. Ah, hoje não, estou com uns desarranjos nas partes pudendas de danar. Não precisa se mexer, nem fazer nada, é só dar uma brechinha nas coxas, um fiapinho de nada, eu vou lá, tuf tuf, você está liberada da função. Assim o santo castiga! Ai meu santo devotado, essa mulher complica demais. E toda noite ela sai perfumada, arrumada, toda emperiquitada, reboladeira, apetitosa e dizendo que vai rezar pro santo! Eu curtindo aperto, morrendo na mão, imaginando coisas e coisas. Ainda ontem mesmo ela saiu com um batom vermelho vivo nos beiços, toda pintada dos pés às cabeça, decotada, penteada, cheirosa, acochada de mostrar os possuídos todos espremidos de quase soltar fora, salto alto, embecada e frochosa, vixe quanta provocação! Mulher quando quer endoida um homem, viu? E eu que sou de carne e osso não escapo: morro lascado de tesão e aperreio. E ela: Vou pra missa rezar pela gente. Ah, mas quando ela voltar... quando ela voltar... jurei pra mim mesmo que de hoje não passa: Vou pegá-la de quatro, aquela vaca. Desejava possuí-la como quisesse, era sua, todinha sua, afinal. Ah se vou. Lá vinha ela, tarde da noite. Quando aprumei o bote, ela foi logo: Nem venha com essa cara de tarado que estou morta de cansada! Pelo amor de Deus, mulher! Pode ir guardando esse mondrongo horroroso pra lá que hoje não tem nem com milagre do céu, estou morta, vou dormir. E não adiantava eu rogar por todos os santos nem por padroeiro que fosse, ela não cedia e eu morria na mão, com o juízo torto e a secura na carne. Estou a ponto de endoidar, não consigo mais trabalhar, não consigo fazer mais nada, só essa danada me fazendo subir pelas paredes, triscar fogo pelos cantos. Na maior agitação da minha doidice, lá vinha ela toda reboculosa: Vou pra missa. Aquietei e apenas disse: Está certo. Deixei a danada sair, lá se foi toda faceira rebolando um charme que me deixava a ponto de comer merda e rasgar dinheiro. Deixei ela distanciar e quando ia lá longe, dei por mim: Vou atrás dela. E fui. Andei que só a má notícia, cheguei à igreja e ela não estava. Cadê-la? Pra onde foi? Que terá acontecido? Aí quando venho de volta pra casa, já desencantado da vida, dei de cara no ponto do ônibus com ela agarrada num sujeito, aos beijos e de língua, pode? Ah, esfreguei bem olhos, não acreditei no que estava vendo, é ela, isso mesmo, é ela. E o cara que está pendurado no pescoço dela, deixe ver... filho da puta... é o cobrador do ônibus. Isso mesmo, vou pegá-los no flagra. Quando resolvi atravessar a rua, nem deram conta da minha presença, fui atrapalhado pelo ônibus que parou pra pegar os passageiros. Esperei ele sair e quando procurei por eles o lugar mais limpo. Olhei pro ônibus, lá estavam lá, dentro dele, agarrados, se beijando. Puta que pariu! Nem pra flagrar aqueles porras eu sirvo. E agora? Não volto mais pra casa. Aliás, a casa é minha, boto ela pra correr, humilhada, jogando tudo dela na rua pra todo mundo saber. Melhor não. Ah, já sei, vou lá, dou uns tapas no cara pra mostrar que sou muito macho e para ele aprender a não mexer com mulher direita; depois, pego ela pelo pinguelo e dou-lhe uma pisa de peia pra ela aprender a não fazer pouco de homem da minha qualidade. Eita! Isso mesmo. Peraí. Não sei pra onde foram, nem sei onde o cabra safado mora. Só sei que vou dar uma pisa nos dois, isso mesmo, nos dois, boto ele pra correr e depois fodo ela todinha só pra mostrar quem é que manda! É isso. Ou melhor, não vou fazer nada disso, vou é acabar com tudo. É melhor. Mas aí eu sou o burro, ela que tem que pagar por tudo, ela e aquele metido a besta. Bem, não sei mesmo o que fazer, resolvi tomar uma, estou bicado, melhor se estivesse estibado pra ir buscar aquela safada de volta, mas estou liso, sem um tostão furado no bolso. Até a meota vou deixar no prego, vai ter zoada, mas vou. Sei não, não sei mais o que fazer, eu só queria ser feliz até o fim dos seus dias, só isso. Não deu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971): Rite orf Spring & Symphonis of Winds; da pianista portuguesa naturalizada brasileira, Maria João Pires: Concerto para piano nº 17 de Mozart & Sonata nº 32, op. 111, de Beethoven; do compositor, professor e regente João Guilherme Ripper: Canntiga e Desafio & Jogos Sinfônicos; e da pianista argentina Martha Angerich: Concerto nº 1 in E minor, op. 11, de Chopin & Concerto nº 3 de Rachmaninoff. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A mente tem muito pouca chance de ser livre; não está apta a ponderar, a sentir, a descobrir, pois as religiões organizadas pelo mundo afora, com suas crenças dogmáticas pelo mundo afora, mutilaram nosso pensamento; as superstições e tradições enclausuraram e condicionaram a mente. São hindus, cristãos, muçulmanos ou pertencem a alguma outra crença organizada que lhes impuseram desde a infância e, desse modo, vivem dentro desse limitado círculo, maior ou menor. [...] Como pode ser livre o homem que leva quarenta anos numa profissão? Olhem o que acontece com o médico. Depois de sete anos ou coisa assim na universidade, pelo resto da vida será um clínico geral ou um especialista e acabará escravo da profissão. Naturalmente que sua margem de liberdade é muito pequena. E o mesmo acontece com os políticos, os reformadores sociais e as pessoas idealistas que perseguem um objetivo na vida. [...] Nossas mentes são simples máquinas. Aprendemos uma profissão e, para todo o sempre, tornamo-nos escravos dela. [...]. Trecho extraído da obra Sobre a liberdade (Cultrix, 1991), do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui.

UM MITO JIVARRO – [...] Os Jivaro contam em um de seus mitos que o Sol e a Lua, que eram humanos, viviam antigamente na Terra e dividiam a mesma casa e a mesma mulher. Ela se chamava Aoho, isto é, Engole-vento, e gostava do abraço quente do Sol, mas tinha medo do contato com Lua, cujo corpo era muito frio. Sol resolveu fazer ironias sobre essa diferença. Lua, humilhado, subiu para o céu agarrando-se a um cipó, e ao mesmo tempo soprou sobre Sol, eclipsando-o. quando os dois maridos desapareceram. Aoho se sentiu abandonada. Tentou seguir Lua até o céu, levando um cesto cheio da argila que as mulheres usam para fazer cerâmica. Lua percebeu, e para se ver livre dela de uma vez por todas cortou o cipó que unia os dois mundos. A mulher caiu com o seu cesto, a argila se espalhou sobre a Terra, e hoje pode ser encontrada em vários lugares. Aoho se tranmsformou no pássaro que tem o seu nome, e a cada lua cheia, pode-se ouvir o seu lamento, chorando pelo marido que a abandonou. Mais tarde, o Sol também subiu para o céu, usando um outro cipó. Mas, mesmo lá no alto, a Lua continua a fugir dele, os dois nunca caminham juntos e não podem se reconciliar. Por isso o Sol só pode ser visto de doa, e a Lua de noite. [...]. Trecho da obra A oleira ciumenta (Brasiliense, 1986), do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.

O MUNDO DA FICÇÃO - Toda obra de ficção encerra dentro de si uma estrutura social. Pois a estrutura da ação romanesca é, de qualquer modo, uma estrutura de convivência: a estrutura das relações interpessoais dos personagens. E essa estrutura é necessariamente social [...] o mundo da ficção é organizado por personagens e situações; em segundo lugar, pelas normas representadas através de crenças, valores, atitudes e sentimentos. Mas são precisamente os valores, as crenças, os sentimentos e as atitudes, todos estes espelhando a ordem normativa, que tendem à coerência sem a qual a estrutura social da ficção não existiria. O universo social da obra de ficção tende a ser um universo siclamente organizado, por mais caótica ou fantástica que se nos apresenta trama de situações. [...]. Trecho de A sociedade real da ficção: uma definição sociológica do romance e da obra de ficção em geral, extraído da obra A realidade social da ficção (FJN/Massangana, 2005), do sociólogo Sebastião Vila Nova.

RIACHÃO DO GAMA, CACHOEIRINHA – Em 1863, Cachoeirinha era um povoado na freguesia de São Bento, onde desemboca o riachão do Gama, afluente do Una. Sua denominação se deve à existência de uma pequena cachoeira a aproximadamente 700m da cidade. O distrito foi criado no dia 12 de maio de 1874 e aos 22 de novembro de 1892, em reunião do Conselho Municipal de São bento, foi discutida e aprovada a lei de divisão do Municipio em dois distritos: o sede e o povoado de Cachoeirinha. A Lei estadual 3309, de 17 de dezembro de 1958, criou o município de Cachoeirinha, desmembrando-se do de São Bento do Una. Sua instalação ocorreu em 1º de março de 1962. Administrativamente, o município é formado pelo distrito-sede e pelo distrito de Cabanas. Anualmente, no dia 21 de novembro, comemora a sua emancipação política, em conformidade com a Enciclopedia dos Municipios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

POEMA DE ROSELI NASCIMENTO
Dois corpos
(em chamas)
Fez-se a nudez
Ávidos
À
Vida
Em um mergulho
Solar
Poema da poeta Roseli Nascimento (Cadernos Negros, 1992). Veja mais aqui.

Veja mais:
As muitas do Zé Corninho aqui e aqui.
A literatura de Dinah Silveira de Quirós aqui e aqui.
A poesia de Guillaume Apolinaire aqui e aqui.
A poesia de Dylan Thomas aqui e aqui.
A poesia de Torquato Neto aqui.
A literatura de Imre Kertész aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor austríaco Ernst Fuchs (1930-2015).
Veja mais aqui.
 

sábado, outubro 21, 2017

RILKE, HUYSSEN, MARIA IGNEZ MARIZ, ANTÔNIO PEREIRA, LUCIAH LOPEZ & ARTE NA PRAÇA

PRIMEIRO ENCONTRO: MEU OLHAR, SEU SORRISO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Da tarde a vida fez-se mais que dia noite adentro: milênios de espera no átimo de agora. Não há tempo, tudo passa e eu nem vi: caleidoscópio de sonhos que saiu da tela pra seguir nas ruas de mãos dadas pelas águas da emoção. E eu sou hoje o amanhã sonhado ontem, tudo agora: um oásis erradica a solidão de sempre. O que perdi até agora, nada vale, nada mais resta, sou premiado sem ter que vencer nada, só a mim mesmo. E sou maior que a mim mesmo, expansão incontida, como se o que de mim estava separado, arrancado ou perdido, finalmente me chegasse e a mim se somasse para que eu, completamente restabelecido, tivesse a primeira oportunidade de ir além das minhas cercanias e entisse o mundo inteiro na imensidão infinita. E tarde transformou-se dia inteiro: a viver o beijo, o semblante de luz no riso de Sol; os olhos que tornaram a minha direção, o corpo que virou meu abrigo. Em minhas mãos a poeta fez-se poesia: a deusa reluz mulher com sua pele caingang, seu corpo de fêmea no molde exato ao meu apetite, o meu tope faminto e ela cabe no meu abraço e se faz inteira para que mergulhe suas águas e possa nadar suas entranhas pra conhecer o nunca visto, o nunca tido, o nunca feito: é o milagre do prazer. E sou Deus no verbo da sua carne para ser-me inteiro nela no ápice da paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do músico, compositor, drmaaturgo & escritor Chico Buarque: Carioca ao Vivo, As cidades ao vivo & Live au Zenith Paris; da pianista Maria João Pires: Sonata 32 Beethoven, Partitta 1 Bach & Concerto 9 Mozart; do violinista e compositor Marcus Viana: Pantanal, Olga & Música para quatro elementos; da violinista Maria Azova: Havanaise Saint-Saens, Meditation Massenet & Lipizer. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Aí o tempo não serve de verdade: um ano nada vale, dez anos não são nada. Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam um grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente no meio de dores a que sou agradecido: a paicência é tudo. [...]. Trecho extraído da obra Cartas a um jovem poeta (Globo, 1986), do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui.

GLOBALIZAÇÃO – [...] Se a globalização requizesse uma única coisa do teorico da cultura, esta coisa seria um modelo para estudos comparativos. Estudos comparativos que atravessem fronteiras, línguas e atravessem culturas, um tipo de estudos comparativos que ajudem a alimentar um novo sentido de conectividade e qie talvez até ajudem a criar uma forma de cosmopolitismo alternativo e auto-crítico [...]. Trecho extraído da obra Culturas do passado-presente modernismos, artes visuais, políticas da memória (Contraponto, 2014), do professor e crítico de arte Andreas Huyssen.

A BARRAGEM - [...] Como se obedecessem a um só braço, horas a fio as picaretas rebrilham ao sol, parecendo de prata, ao loge, de tão brilhantes pelo contato com a terra. Terrão dura que só pedra, revolvida a custa de supremo esforço, levantando uma poeira de arrasar pulmões. Mas, em nennuma daquelas cabeças pode passar um pensamento de enfado. Nem cansaço eles têm pretensão de sentir. Correndo o dedo pela testa, o suor cai no chão ou no peito do cassaco nu e reluzente. E o trabalhador continua satisfeito que achasse afinal tábua de salvação [...]. Trecho da obra A Barragem (União, 1994), da escritora e jornalista Maria Ignez Mariz (1905-1952).

A SAUDADE DE ANTÔNIO PEREIRA
Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.
Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.
Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.
Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ningué
Poema do poeta popular e violeiro Antônio Pereira (1891-1982).

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ARTE NA PRAÇA
Projeto Pintando na Praça hoje a partir das 9hs na Praça Paulo Paranhos – Palmares – PE e exposição na Biblioteca Fenelon Barreto durante todo mês de outubro. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.
 

sábado, setembro 16, 2017

TERRA, BUBER, VERÍSSIMO, INCLUSÃO & ACESSIBILIDADE, COLÉGIO DIMENSÃO & MUITO MAIS COM MÚSICA NO AR

SOU DA TERRA E A ELA ME DOU - Sou desta Terra-mãe, em cada gota de orvalho na flor da manhã e em cada paisagem dos pontos cardeais, porque planto o futuro a cada momento em que vivo e sou feito pra cumprir a missão. Eu colho o presente ao nascer o dia, distribuo a colheita de mão em mão e em todas as mãos eu sou pra todos porque assim também eu serei, porque sou cada semente que brota na festa da vida. E se em mim amanheço pra tudo alcançar e se também anoiteço pra que possa me guiar na escuridão, é porque sou corrente na rota do rio pra que eu seja mar e tudo de mim e de todos, e sou o vento da tarde alisando o cabelo nas faces pro sorriso emanando de cada ser nas noites & dias de cada estação. Assim eu sou chão das raízes pra todas as folhas e flores, todos os pés que perseguem os rumos distantes, pros dedos que apontam todas as direções, pra que eu seja mais desenvolto de invernos a verões. Assim eu sou erupção vulcânica no fogo de amar pra que tudo seja amor em dar e receber, em olhar e perceber a maravilha que é dar conta de todo milagre que é nascer e viver. Assim sou dia de feita na vez do labor, sou todo domingo festejando a semana porque tudo que nasce provém do amor, sou todas as preces de gratidão, pra que eu seja cada pedra, pra que eu seja cada respirante, na mais completa comunhão do que sou. Por isso sou desta Terra e a ela me dou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

NÓS, EU & TU – [...] O homem não é uma coisa entre coisas ou formado por coisas quando, estando EU presente diante dele, que já é meu TU, endereço-lhe a palavra-princípio. Ele não é um simples ELE ou ELA limitado por outros ELES ou ELAS, um ponto inscrito na rede do universo de espaço e tempo. Ele não é uma qualidade, um modo de ser, experienciável, descritível, um feixe flácido de qualidades definidas. Ele é TU, sem limites, sem costuras, preenchendo todo o horizonte. Isto não significa que nada mais existe a não ser ele, mas que tudo o mais vive em sua luz. Assim como a melodia não se compõe de sons, nem os versos de vocábulos ou a estátua de linhas - a sua unidade só poderia ser reduzida a uma multiplicidade por um retalhamento ou um dilaceramento - assim também o homem a quem EU digo TU. Posso extrair a cor de seus cabelos, o matiz de suas palavras ou de sua bondade; devo fazer isso sem cessar, porém ele já não é mais meu TU. Assim como a prece não se situa no tempo mas o tempo na prece, e assim como a oferta não se localiza no espaço mas o espaço na oferta - e quem alterar essa relação suprimirá a atualidade, do mesmo modo o homem a quem digo TU não encontro em algum tempo ou lugar. EU posso situá-lo, sou, aliás, sou obrigado a fazê-lo constantemente, mas então, ele não é mais um TU e sim um ELE ou ELA, um ISSO. Enquanto o universo do TU se desdobra sobre minha cabeça, os ventos da causalidade prostram-se a meus calcanhares e o turbilhão da fatalidade se coagula. Eu não experiencio o homem a quem digo TU. EU entro em relação com ele no santuário da palavra-princípio. Somente quando saio da! posso experienciá-lo novamente. A experiência é distanciamento do TU. A relação pode perdurar mesmo quando o homem a quem digo TU não o percebe em sua experiência, pois o TU é mais do que aquilo de que o ISSO possa estar ciente. O TU é mais operante e acontece-lhe mais do que aquilo que o ISSO possa saber. Aí não há lugar para fraudes: aqui se encontra o berço da verdadeira vida. Eis a eterna origem da arte: uma forma defronta-se com o homem e anseia tornar-se uma obra por meio dele. Ela não é um produto de seu espírito, mas uma aparição que se lhe apresenta exigindo dele um poder eficaz. Trata-se de um ato essencial do homem: se ele a realiza, proferindo de todo o seu ser a palavra-princípio EU-TU à forma que lhe aparece, aí então brota a força eficaz e a obra surge. Esta ação engloba uma oferta e um risco. Uma oferta: a infinita possibilidade que será imolada no altar da forma. Tudo aquilo que ainda há pouco se mantinha em perspectiva deverá ser eliminado, pois, nada disso poderá penetrar na obra; assim exige a exclusividade própria do “face-a-face”. Um risco: a palavra-princípio não pode ser proferida senão pelo ser em sua totalidade, isto é, aquele que a ISSO se entrega não deve ocultar nada de si, pois a obra não tolera como a árvore ou o homem, que EU descanse entrando no mundo do ISSO. É ela que domina; se EU não a servir corretamente ela se desestrutura ou ela me desestrutura. Eu não posso experienciar ou descrever a forma que vem ao meu encontro; só posso atualizá-la. E, no entanto, EU a contemplo no brilho fulgurante do face-a-face, mais resplandecente que toda clareza do mundo empírico, não como uma coisa no meio de coisas inferiores ou como um produto de minha imaginação mas como o presente. Se for submetida ao critério da objetividade, a forma não está realmente “ai”; entretanto, o que é mais presente do que ela? Eu estou numa autêntica relação com ela; pois ela atua sobre mim assim como EU atuo sobre ela. Fazer é criar, inventar é encontrar. Dar forma é descobrir. Ao realizar EU descubro. EU conduzo a forma para o mundo do ISSO. A obra criada é uma coisa entre coisas, experienciável e descritível como uma soma de qualidades. Porém àquele que contempla com receptividade ela pode amiúde tornar-se presente em pessoa. [...]. Trecho extraído da obra Eu e Tu (Moraes, 1974), do filosofo, escritor e pedagogo israelita Martin Buber (1878-1965). Veja mais aqui e aqui.

INCLUSÃO ESCOLAR – [...] Embora possa assustar pelo grande número de mudanças e pelo teor de cada uma delas, a inclusão é, como muitos a apregoam, “um caminho sem volta”. Nunca é demais, contudo, reafirmar as condições em que essa inovação acontece, marcando, grifando na consciência dos educadores o seu valor, para que nossas escolas atendam à expectativa de seus alunos, do ensino infantil à universidade. A escola prepara o futuro e, de certo que, se as crianças aprenderem a valorizar e a conviver com as diferenças nas salas de aula, serão adultos bem diferentes de nós, que temos de nos empenhar tanto para entender e viver a experiência da inclusão! O movimento inclusivo, nas escolas, por mais que ainda seja muito contestado, pelo caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio educacional, convence a todos pela sua lógica e pela ética de seu posicionamento social. Ao denunciar o abismo existente entre o velho e o novo na instituição escolar brasileira, a inclusão é reveladora dos males que o conservadorismo escolar tem espalhado pela nossa infância e juventude estudantil. Penso que o futuro da escola inclusiva depende de uma expansão rápida dos projetos verdadeiramente imbuídos do compromisso de transformar a escola, para se adequar aos novos tempos. Se ainda hoje esses projetos se resumem a experiências locais, estas estão demonstrando a viabilidade da inclusão, em escolas e redes de ensino brasileiras, porque têm a força do óbvio e a clareza da simplicidade. A aparente fragilidade das pequenas iniciativas tem sido suficiente para enfrentar, com segurança e otimismo, o poder da velha e enferrujada máquina escolar. A inclusão é um sonho possível! Trecho do livro Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? (Moderna, 2003), da Professora da Unicamp, Maria Teresa Eglér Mantoan. Veja mais sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PROJETO ACESSIBILIDADE DA BIBLIOTECA FENELON BARRETO - Participação na reunião do Projeto Acessibilidade/Inclusão da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, no último dia 14/09/2017, com o diretor da Biblioteca, João Paulo Araújo, e as professoras Rute Costa da SEMED-Palmares & Silvana Neves – Coordenadora do Programa de Educação Inclusiva da SEMED-Palmares. Esta reunião é o resultado de uma outra ocorrida no último dia 31/08, resultando na esquematização de ações que propiciem o envolvimento de alunos com deficiência visual, auditiva e cadeirantes para visita à Biblioteca no sentido de levantar as dificuldades encontradas por esse público-alvo, bem como a realização de Seminário sobre Acessibilidade envolvendo órgãos públicos, escolas, associações de classe, autoridades, estudantes, familiares de pessoas com deficiência e sociedade em geral, além da realização da parceria com o IFPE para apresentação de filmes sobre o tema e a apresentação das normas da ABNT 9050 & 15599, que tratam sobre a acessibilidade em edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos e a comunicação na prestação de serviços, respectivamente. Veja mais aqui.

COLÉGIO DIMENSÃO NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Participação do Professor Jadson Alexandre com alunos do Colégio Dimensão nos eventos promovidos pela Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto. Veja mais aqui.

Veja mais:
Terra-Mãe aqui e aqui.
A música de Baden Powell de Aquino aqui.
A música do violoncelista Antonio Meneses aqui.
A música da pianista Pi-Hsien Chen aqui.
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TU & EU DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Em não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
– que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.
Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albiônico.
Tu,fão.
Eu, fônico.
És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.
Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.
És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu, clidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo
.
Poema extraído da obra Poesia numa hora dessas? (Objetiva, 2002),
n do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui e aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...