Mostrando postagens com marcador Zé Corninho.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zé Corninho.. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, março 01, 2018

SIENKIEWICZ, BURFORD, CASTAÑEDA, MILLÔR, DELEUZE, BERGSON, TONINHO HORTA, RUTH KLIGMAN, HARBSMAIER, IKUKO KAWAI, MULHERES & INCLUSÃO

É DUM DIA PRO OUTRO QUE A GENTE VAI VIVENDO – Imagem: arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). - UMA: DO MUITO QUE APRENDI PRO NADA QUE SEI - Muito aprendi na vida! O resultado? Qual Sócrates, aprendi nada de nada, desaprendi para aprender. Sim, tive que desaprender de tudo, nada do que tinham garantido por líquido e certo, apenas parecia, jamais seria verdadeiro. O que me deram por definitivo, era só efêmero. O que me disseram por eterno, era para lá de falso ou, no máximo, instantâneo, triz, já era, areia ou nuvem levada ao vento. O que me ensinaram, quando fui ver, era o contrário, quando muito apenas o que queriam que eu soubesse do que sabiam. Ou pior: que acreditasse na mentira que inventaram. Tive por mim que brincar de certo e errado, até saber que cara ou coroa é só jogo. Daí, tive que aprender a conviver com o paradoxal e a contradição: o que é, não é; o que não é, é; ou não, talvez. Desdenhei do ortodoxo, fui até onde deu a heterodoxia e nada me satisfez porque o defendido era só ilusão ideológica, prisão do maniqueísmo na fúria sectária. Até então o que havia decorado e aprendido, na prova dos nove, valia nada, zero na estaca. Tive que me refazer dentro do desconforme, e me reinventar fora dos moldes, ousar e renascer fora do convencionado. Por consequência, o que eu tinha por direito, foi tomado; o que tinha por meu, não era, sabia que nem nada nem ninguém poderiam ser de quem quer que fosse. Aí duvidei de tudo, graças a Deus! E não queria apenas mais o que ouvia meus ouvidos, ou o que tocava às minhas mãos, ou saboreava minha boca, ou cheirava meu olfato, sabia já a lição que os olhos me negavam, pois para que eu veja não preciso de olhos abertos e para que eu ouça não preciso ouvir o que dizem e para que eu diga não preciso falar e para que eu saiba dos cheiros não preciso senti-lo pelo nariz, foi o que me ensinou William Blake: Ver um mundo em um grão de areia e um céu numa flor selvagem, é ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora. Não preciso de nada, nem preciso ser nada, nem saber nada, sou o que me basta e voo além. OUTRA: ZÉ-CORNINHO & A COMADRE MORTE – Zé-Corninho parece que não tinha mais um pingo de juízo pra remédio. Achando pouca a bruguelada, inventou de emprenhar a mulher e aumentar a filharada. O problema era arrumar padrinho, ninguém queria ser mais seu compadre. Os nascidos eram todos devidamente batizados e apadrinhados, uns trinta e três, acho, coisa que ele não acertava contar, depois dos quinze parecia que tinha mais e se perdia recontando. Danou-se! Era uma tuia de menino, dizem que nenhum dele de mesmo, tudo resultado da infedilidade das ditas esposas dele que fugiam no cangote de outros amantes. E como ele já tinha pra mais de dez casamentos, nem ele sabe, todas embuchavam e sacudiam os recém-nascidos nas costas dele pra criar. É tudo filho meu legítimo!, bate até hoje ele o pé, ninguém acredita e deixam pra lá. Acontece que o caçula estava para rebentar e sem padrinho arranjado pro batismo. Ele saiu angariando a um e a outro, todos se recusaram. Será possível? Ele não desistiu e saiu de porta em porta até estrada afora quando bateu de frente com a Morte. Olá, comadre, como é que vai? Vou bem, e você? A senhora, por um acaso, não aceitaria ser minha comadre batizando meu filhinho caçula? Claro que aceito, vamos fazer uma grande festa e garantir o melhor futuro pra ele! Oba! E assim foi, no dia certo, a parteira anunciou mais um pra coleção do Zé. A festa corria solta quando a Morte chamou o compadre do lado e cochichou: Agora vamos garantir o futuro da criança, você ficará rico, vai curar gente, só você me verá e, então, diante de um doente, se eu estiver na cabeceira é que vai ser curado; se eu estiver no pé da cama, é caso perdido. Certo e ajustado, lá foi Zé-Corninho curando o povo e ficando rico. Um dia lá um ricaço estava pagando uma fortuna para salvar o filhinho dele e quando Zé chegou lá, a comadre estava no pé da cama. Eita! Zé resolveu passar a perna na comadre, mandando virar a cama de ponta cabeça e a comadre ficou na cabeceira, obrigada a salvar. A Morte ficou possessa de raiva e jurou se vingar. Um dia lá a comadre resolveu pegá-lo na virada e foi convidá-lo para ir na casa dela: Eu vou, mas só se você garantir que eu volto. Garanto. E foram. Lá chegando Zé se deparou com um bocado de vela pelo chão, uma atrás da outra, encarreada. O que é isso, comadre? É a vida das pessoas na terra. Eita! Essa é do seu amigo fulano, aquela da sua amiga sicrana, essa outra do seu vizinho beltrano, e no meio da coisa Zé ficou curioso pra saber da sua: Qual? Aquela. Vixe! Um toquinho já se apagando. Ah, comadre, mas a senhora prometeu que eu voltaria. E vai voltar. Lá estava Zé em casa, morre mas num morre, até que fez um último pedido: Permita, comadre, que eu reze um Pai-nosso antes de morrer. Concedido. E ele começou a rezar e parou. Vamos, conclua a reza! Agora não, a senhora prometeu que eu só morreria quando terminasse a reza, só vou findar daqui uns cem anos. A Morte saiu injuriada, Zé estava sabido que só e passou-lhe a perna pela terceira vez. Aí um dia lá, anos e mais anos, Zé teve um desgosto danado e disse: Ah, só queria morrer agora pra não ver uma desgraça dessa! Mal terminou de dizer e a comadre já estava toda feliz do lado dele: Agora você me paga, compadre! Calma, comadre, eu não disse quando, só falei que queria e não quero, ora, ora. Rasgou a boca de novo. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Foot on the road, Durandi Kid 1 & 2; da violinista japonesa Ikuko Kawai: Jupiter form de Symphony The Planett, Exodus & Sun Flower; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Tu não podes ver o que não podes explicar. Trata de esquecer de tuas explicações e começarás a ver. [...]. Trecho extraído da obra A erva do diabo: as experiências indigenas com plantas alucinógenas reveladas por Dom Juan (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998). Veja mais aqui e aqui.

OUTRA PRO DIADevemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles, estaríamos hoje falando tupi-guarani, língua que não entendemos. Uma das muitas do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui.

SACADA: O QUE NÃO DIZ NADA, DORME! - Um behuana (nativo da atual Botsuana, na África meridional) perguntou um dia que eram aqueles objetos sobre a mesa. Quando lhe foi dito que eram livros, e que esses livros contavam novidades, levou um deles ao ouvido e, como não ouviu nenhum som, disse: “Este livro não está me dizendo nada”. Pondo-o de novo sobre a mesa, comentou: “Será que está dormindo?”. Extraído da obra Invention of writing (Unwin Hyman, 1988), de Michael Harbsmaier.

COISAS DO SER HUMANO - [...] Nenhuma divindade, ninguem mesmo, a não ser um invejoso, se compraz com a minha impotência e com o meu desgosto, e toma por virtude as lágrimas, os soluços, o temor e outras coisas do mesmo gênero que são o sinal de uma alma impotente; mas, pelo contrário, quanto maior é a alegria que nos afeta, maior é a perfeição a que passamos, isto é, tanto mais participamos , necessariamente, da natureza divina. Por conseguinte, usar as coisas e delas extrair o maior prazer possível (não, é claro, até a saciedade, pois isso já não daria prazer) -, eis o que é próprio do homem sábio...Os supersticiosos, que gostam mais de censurar os vícios do que ensinar as virtudes, e que não se aplicam a conduzir os homens pela Razão mas a contê-los pelo temor, de tal modo que evitem mais o mal do que amem as virtudes, não pretendem outra coisa senão tornar os outros tão infelizes como eles próprios são; deste modo, não é de admirar que eles sejam, o mais das vezes, insuportáveis e odiosos aos outros homens. Trecho extraído da obra Espinoza e os signos (Rés, 1989) do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui.

DEPOIMENTO INCLUSÃOA inclusão é possível, sim, mas desde que todos se adaptem, pessoas com deficiência e sem deficiência. Não há dicotomia: nem só a sociedade se adapta ou só os portadores de deficiência. [...] É, principalmente, uma questão de educação, de formação. [...] Porque é difícil: o ser gumano não sabe lidar e não sabe tratar com o que não conehce; sua tendência é agredir. É também necessário estar sempre trabalhando poara o preparo emocional de todos, pois há uma tendência ao boicote, da pessoa portadora consigo mesma e dos outros em relação a ela. [...] Porque é conversando, abordando, falando que essas questões serão desmistificadas, e a sociedade poderá se tornar inclusiva. Trecho de Um depoismento sobre Inclusão, de Gabriela de Chevalier, portadora de hemiparisia, formada em História e Design & Estilo, extraído da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 2009), organizado por Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Monica Armon Serrão et al. Veja mais aqui e aqui.

A EVOLUÇÃO CRIADORA - [...] Todos os seres vivos estão ligados, e todos cedem ao mesmo formidável impulso. O animal tem a planta como ponto de apoio, o homem cavalga na animalidade, e a humanidade inteira, no espaço e no tempo, é um imenso exercito que galopa ao lado de cada um de nós, à frente e atrás de nós, numa arremetida capaz de vencer todas as resistências e de atravessar todos os obstáculos, talvez até a morte. [...]. Trecho extraído da obra A evolução criadora (Delta, 1964), do filosofo francês Henri Bergson (1859-1941), Prêmio Nobel de 1927. Veja mais aqui.

DEVEMOS SEGUI-LO - [...] Cina ainda era demasiado moço para que a vida para ele perdesse toda atração. E a filha de Timão, Antéia, acabou por deixá-lo totalmente escravizado. Anteia não era menos formosa que seu pai, em toda Alexandria. [...] Timão não permitia que ela vivesse encerrada em um gineceu, como as demais mulheres. Dera-lhe uma instrução tão alta quanto podia. [...] Era companheira de Timão em todas as elucubrações. [...] O velho sábio amava-a enternecidademente. [...] Quando Cina a viu, pela primeira vez, teve impetos de erigir para ela um altar no atrio de sua casa e sacrificar pombos em sua honra. Havia conhecido inúmeras mulheres em toda sua vida. Desde as jovens do norte, cujos cílios tinham a cor do trigo maduro, até as da Numídia, negras como as lavas. Mas, até ali, jamais havia encontrado tal beleza nem tão pura alma. Quanto mais a via, mais a admirava. Quanto mais a ouvia falar, mais supreendido ficava. De tal forma se sentia enfeitiçado pelo seu encanto que, às vezes, embora nãoa acreditasse em deuses, surpreendia-sae pensandop que talvez Anteia não fosse filha de Timão e sim de algum deus. [...] Anteia era diferente de outras mulheres. Desejou que fosse sua, para poder adorá-la. Para obter tal favor estava pronto a dar a própria vida. Para ele, valia mais ser pobre, junto dela, do que ser poderoso como César, sem ela. O amor apossou-se dele com a mesma força com que um remoinho se apoderava de quem se aproxima de seu circulo. De tal forma o dominava, que absorvera seus pensamentos, sua alma, seus dias e suas noites. Nada mais existia para Cina senão o amor por Anteia. Por fim, Anteia também se sentiu atingida pelo mesmo sentimento. [...]. Trecho do conto Devemos segui-lo, extraído da obra O faroleiro & outros contos (Delta, 1962), do escritor polaco & Prêmio Nobel de Literatura de 1905, Henryk Sienkiewicz (1846-1916).

DOIS POEMASESTRELA: Estrela / companheira / se és compassiva / conosco irás junto / este ano e vamos vê-la / na glacial distância inteira / brilhante viva / a teus pés muitos. O FOGO: Nestes dias de inverno / a lareira acendemos: / sçao dois seres somente / a fazer sacrifício. / O nosso combustível: / os jornais deste dia ; frio devem servir / colaunas de palabras / e homens no local / escuro onde arde o fogo. / E colhemos então / e gentilmente pomos / as estilhas de pau / que nos restam, até / havermos erigido / uma espécie de pira / e tumba para a coisa / pesada a levantamos / nos braços, oferenda / ou criança, e a pomos / sobre as barras de ferro / junto agora acendemos ; e a besta salta viva / e ficamos de pé / sangrando com a luz. Poemas do poeta modernista estadunidense William Burford.

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL
Acontecerá nesta quarta, às 10hs, na Biblioteca Fenelon Barreto, o lançamento do livro Ciranda feminista na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação desenvolvida sob a coordenação do SOS Corpo e promovida pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego. Veja mais aqui.

Veja mais:
Crônica de amor para ela, Senhora Magdala de José Condé, Magdalena de Pablo Milanés & Joaquín Sabina, Fonte, a arte de Ruth Kligman & Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Kid Malvadeza aqui.
Tzvetan Todorov, Oduvaldo Vianna Filho, Os epigramas de Marcial, Jacques Rivette, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Sandro Botticelli, Carmen Silvia Presotto & Egumbigos no país dos invisíveis aqui.
Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O Monge & o executivo, Neuropsicologia, Ressocialização Penal &Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade e Educação Sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Aids & Educação aqui.
Sincretismo Religioso aqui.
Racismo aqui.
Levando os direitos a sério de Ronald Dworkin aqui.
Ética & moral aqui.
A luta pelo direito de Rudolf Von Ihering aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia & Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Cantarau Tataritaritatá: vamos aprumar a conversa aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ARTE DE RUTH KLIGMAN
A arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

GABRIELA MISTRAL, NOLL, LENINE, FRANCASTEL, CERTEAU, ROBERTO AGUILAR, LUANDA JONES, LEONA CAVALLI & ZÉ CORNINHO.

A SENSABORIA DE ZÉ-CORNINHO – Imagem: Arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar. - Zé-Coninho andava ultimamente meio que sorumbático, todo desencorajado, queixando-se de dores nos quartos, no bucho, nas gaias, no muque, nos pulsos, enfim, dizia não ser mais gente que prestasse pra nada, era só dor da alma pro retrato. Onde é que está aquele que levava tudo nos peitos, hem? Ah, mô fio, já trelei muito, toquei fogo nos quatro cantos do mundo, fui até onde o beiço virava, pro fim do mundo que não tem porque é redondo e dei volta como a peste! Mais longe fosse, mais ia de nem cansar tão cedo, emendava noite pelo dia e nem, nem, subia o tanto de riba como se fosse descida ajudada, os cambitos à toda, nada de fraquejar, sou lá bicho de me acovardar? Ora, ora. Levanta o moral, Zé! Dá mais não, a idade chegando, a coisa complica. Que é isso, rapaz? Tão jovem, ainda. Nada, os anos pesam, sem destreza, a gente vale mais o quê? Segura a onda, hômi! Ah, rapaz, estou mais pra lá do que pra cá, na noite sem glória ou honra, não sirvo nem mais prum caldo, muito menos prum pum, ora, ora. Parecia mais que ele se entregava, sem ter nada desabonador – excetuando-se a tuia de gaia que já havia levado pra desespero da filharada que crescia cada dia mais e ter atrapalhado a vida de muita gente com seu arranco desmedido -, a angústia, o tédio, tomava conta do sujeito. Pois é, uma gastura comendo tudo por dentro, da gente perder a vontade até de viver. Como é que pode? Tome tento! Já fui bom nisso. O que já dei de carreirão por esse mundo de meu Deus, nem dá pra contar. Desafiei de tudo, peito estufado, barriga pra dentro, coragem na munheca, força nos cardans, pinote pra todo lado, tino na hora, viesse o que fosse, vencia no ânimo. Nem temia nada, estava em alta na cotação da coragem, acostumado a subir em pé de coco, não tinha altura que não ganhasse! Uma vez mesmo, uma enxerida nua no alto do sótão dum casarão gritou perguntando se eu tinha coragem de encarar. Oxe, duvida? E ela viu: comi a subida como quem toma café pequeno e lá estava, ao vivo e em cores, enfiando a macaca no rabicho dela. Tome, danada! Comigo era assim. Provocou, estava vencido. Por isso sempre disse: onde tem um profissional, não há espaço pra amador. Assim era, assim foi. Hoje não, tudo ao contrário: não tem inflação e os preços das coisas subindo todo dia; não tem dinheiro no governo e todo dia um escândalo da roubalheira dos políticos. Como é que pode? Os caras lá de Brasília dizem que a coisa vai mudar, mas nem na marra! Pra minha sorte, tenho ainda onde encostar a cabeça, pegar meu espelhinho e conferir as coisas. Com ele já acendi fogueira, encandeei os peixes na hora da pescaria, vi muita calcinha de mulher metida a besta, só no retrovisor já escapuli de muita malquerença, e sempre conferi as pregas do cu pra ver se ninguém me enrabou ao dormir ou de bobeira. Hoje, não, só ajeito o tuim e fico formoso do jeito que a vida me fez, mais nada. A culpa é minha, não é traição da vida não. Do jeito que vai a vida me despeja e eu vou pra onde? Bater as botas e babau. Bote fé, homem, a vida é pra ser vivida! Eu sei, eu sei, todo homem tem que saber da subida dolorosa até chegar em cima, já cheguei, agora é segurar os freios e a carcaça porque a descida só finda no fundo do abismo. Veja só como é que é, subiu, desceu, não dá outra. Deus me tenha, só Jesus na causa. Nessa hora, fazendo uma careta danada pra se mexer, ele saca do bolso da bunda o espelhinho empunhado, confere o penteado, as remelas dos olhos, os fiapos da venta, algum detrito nos dentes futucando com a unha, dum lado pra outro, a barba feita, as entradas no cocuruto, hem, hem, o cabelo caiu e não tem mais volta. Num descuido, o espelhinho escapuliu e se espatifou no chão. Tá vendo, só? Coisa de véio, não seguro mais nada, tudo cai. Hem, hem, só restou a mulher nua do espelhinho, intacta, pelo menos, num tô dizendo! Véio num serve mais pra nada, vou ter que ir à feira comprar outro, inté mais ver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro e ecologista Lenine em dois shows ao vivo; a cantora,violonista e compositora Luanda Jones interpretando Aquarela, Desigual & Depois de você; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] O homem não possui somente o poder de reproduzir, de tirar as conseqüências de uma conduta adquirida, ele possui igualmente a capacidade de mudar a ordem relativa de seus atos e de suas representações [...]  Trecho extraído da obra A realidade figurativa (Perspectiva/Edde, 1973) do sociólogo e historiador de arte francês Pierre Francastel (1900-1970), defendendo o valor das culturas visuais a partir do conceito de estrutura, por meio de estudos resultantes de quinze anos de reflexão e pesquisas históricas na Sorbonne, pelos quais entende que só o contato real com a obra de arte permite compreender como esta se incorpora à sociedade, alimentando-a e enriquecendo-a com elementos originais. A obra de arte confere ao historiador e ao sociólogo elementos de informação que de outra forma não teriam. Dentro deste postulado o autor desenvolve pormenorizada análise em torno das artes figurativas, inserindo-as em uma nova problemática do imaginário. As relações teóricas da arte com a técnica, com outros meios de expressão e disciplinas, o confronto entre formas estéticas e sistemas lógicos, os problemas inerentes à iconografia religiosa, constituem alguns dos tópicos esclarecedores para o levantamento dos elementos estruturais próprios de uma Sociologia da Arte.

LEITORES & VIAJANTES - [...] Os leitores são viajantes; circulam em terras alheias; são nômades que caçam furtivamente em campos que não escreveram. [...] a atividade silenciosa, transgressora, irônica ou poética, de leitores (ou telespectadores) que consevam uma reserva de distância na intimidade, sem que os ‘amos’ o saibam [...] A escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar e multiplica sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo (nos esquecemos de nós mesmos e esquecemos dela), não conserva ou conserva mal sua conquista, e cada um dos lugares por onde passa é repetição do paraíso perdido. [....]. Trecho da obra A Invenção do Cotidiano (Vozes, 1998), do historiador francês Michel de Certeau (1925-1986), no qual examina as maneiras em que as pessoas individualizam a cultura de massa, alterando coisas desde objetos utilitários até planejamentos urbanos e rituais, leis e linguagem, de forma a apropriá-los.

MARILYN NO INFERNO - [...] Raia o arvoredo. No front os soldados se concentram e rezam com a mão sobre a Bíblia. É a agonia de John Ford, diz o mais valente. Quando começará a cena ninguém sabe. Sabem que será uma batalha da Guerra da Secessão e que eles estão preparados. O mais novo se ilude com umas bugigangas compradas na Feira Hippie de Ipanema. À noite terá a companhia de uma garota e dançará. O som frenético das Frenéticas. O mais velho, ancião de longas barbas brancas, ao contra´rio dos bons velhos hollywoodianos, tem uma cara de mau, de profunda insensibilidade. Mora sozinho numa casa de Vila em Botafogo e roi desesperadamente as unhas. Diz que sempre foi assim. A mulher que se maquia na frente do espelho tem origem em indígenas brasileiros, mas faz o papel de uma mexicana. Saboreia o gosto do batom. Sabe que alguém espia mas finge que não vê. É o primeiro western rodado no Brasil, a Baixada Fluminense imitando as pradarias do Arizona. Nenhuma grande estrela. Todos temem o freacasso do filme. Empatei milhões nisso aí, vamos tocar pra frente, grita o produtor acordando um figurante. É um rapazinho de Nova Iguaçu [...] Adora cinema, vê tantas fitas quanto possível pó dia. Às evezes entra às duas e sai à meia-noite. [...] O rapazinho olha-se no espelho da índia que faz a mexicana e ouve o “imbecil” que o diretor lhe jogou para que levantasse a espingarda com vontade contra o céu [...] aí vê um flash explodir sobre seu corpo e banhá-lo de uma luz efêmera como um soluço mas que o deixa iliminado para sempre [...] lá vai o rapazinho agarrado ao pescoço do cavalo, o céu e a terra são uma coisa só, Caxias está perto, muito perto, quase chegando, o rapazinho já vê os primeiros prédios e chaminés [...] é boa a vertigem e ele conseguirá o estrelato na Globo abraçado a Rosamaria Murtinho na capa da Amiga, ele preferia estar ao lado da Aracy Balabanian [...] ele não sabe por que mas gosta da Aracy Balabanian, aquela moça que não é bonita nem feia mas que tem uma simpatia que cativa o coração de todos – na rua principal de Caxias ele galopa veloz entre os canros e ônibus, não respeita os congestionamentos e passa fininho por uma bicicleta assustada [...] o grande cartaz do cinema mostra Kung Fu contra os espadachins de Damasco, Kung Fu! Repete o rapazinho que não agüenta tanta gloria e é cuspido do cavalo contra o cartaz que se rasga e recebe um biolento jato de sangue no olho do Kung Fu. Trechos extraídos da obra O cego e a dançarina (L&PM, 1980), do premiado escritor João Gilberto Noll (1946-2017).

DOIS POEMASO PENSADOR DE RODIN: – Apoiando na mão rugosa o queixo fino, / o pensador reflete que é carne sem defesa: / carne da cova, nua em face do destino, / carne queodeia a morte e tremeu de beleza. / E tremeu de amor, toda a primavera ardente, / e hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza / o “havemos de morrer” passa-lhe pela mente / quando no bronze cai a noturna escureza. / E na angustia, seus músculos se fendem sofredores. / Sua carne sulcada enche-de de terrore. / Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte / Que o reclama nos bronzes. Não há arvore torcida / pelo sal na planície, nem leão de anca ferida, / crispados como este homem que medita na morte. PRIMEIRO SONETO DA MORTE: Do nicho lôbrego onde os homens te pusarem / te levarei à terra humilde e ensolarada / nela hei de adormecer – se os homens não souberem - / e havemos de dormir sobre a mesma almofada. / Te deitarei na terra humilde, te envolvendo / no amor da mãe para o seu filho adormecido. / E a terra há de fazer-se um berço recebendo / teu corpo de menino exausto e dolorido. / Poderei descansar, sabendo que descansas / no pó que levantei azulado e linar / em que presos serão os teus leves destroços. / Partirei a cantar minhas belas vinganças, / pois nenhuma mulher me há de vir disputar / a este fundo descenso o teu punhado de ossos. Poemas da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui.

ANNA K & JOSÉ ROBERTO AGUILAR
O drama fantasia Anna K (2015), de José Roberto Aguilar, conta a história de um professor de russo que fica intrigado ao dar aulas para Joana, uma mulher que acredita ser Anna Karenina, personagem que dá título ao romance de Liev Tolstói. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz Leona Cavalli.

Veja mais:
As muitas do Zé-Corninho aqui e aqui.
Sou da terra alma caeté, as histórias de Darcy Ribeiro, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Kent Williams & Renate Dartois aqui.
Cecília Meireles, Gregório de Matos Guerra, Camargo Guarnieri, Heitor Shalia, Albert Marquet, Violência Doméstica, Argemiro Corrêa, Sarah Siddons, Guta Stresser, Graciela Rodrigues, Priscila Almeida & Folia Caeté aqui.
Esclarmonde de Foix & Todo dia é dia da mulher aqui.
Denise Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Camargo Guarnieri, Lauri Blank, Emil Nolde, Kim Thomson & o umbigo no cultuo da avareza aqui.
A pegação buliçosa do prazer aqui.
Direitos humanos aqui.
História do cinema aqui.
Os assassinos do frevo aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté aqui.
Folia Caeté, Ascenso Ferreira, Baco, Chiquinha Gonzaga, O Frevo & José Ramos Tinhorão, Nelson Ferreira, As Puaras, Dias de Momo, Adolphe William Bouguereau, Teatro & Carnaval, Circo & Peró Andrade aqui.
Alvoradinha, o curumim caeté, Manuel Bandeira, Fernando Botero, Qorpo Santo, Lygia Fagundes Teles, Psicologia Social, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe & Roberto Carlos aqui.
Fecamepa: os caetés, Sardinha & a cana aqui.
Os aborígenes: das sociedades primitivas de Pindorama aos caetés, Monserrat Figueiras, Plauto, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Jennifer Lopez, Débora Novaes de Castro, Paulo & Virgínia aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar.
Veja mais aqui.

quinta-feira, novembro 09, 2017

KRISHNAMURTI, LÉVI-STRAUSS, ROSELI NASCIMENTO, ERNST FUCHS, SEBASTIÃO VILA NOVA & CACHOEIRINHA

RESPEITE O SANTO – Zé-Corninho andava inheto, irreconhecível. Empanzinado de beber à farta, lamentava sua sorte pela má escolha. Que é que há, homem? A mulher é só desculpa na hora do bem-bom. Quando não é dor de cabeça, é mal-estar, coisa ruim, quebranto, coisa inventada dos pantins de mulher que não quer cumprir com a obrigação do casório. Antes era um fogo no rabo, uma quentura na bacorinha, vixe! Tempos bons, chega eu ia doido voando pra casa só pensando nas traquinagens. Não há nada melhor que uma mulher fogosa, da gente se derreter todo depois de tocar fogo numa peiada bem dada. Oxente, coisa mais maior de grande. Três anos nessa pisada: no quarto, na sala, debaixo da mesa, pelos cantos, na pia, na lavanderia, atrepado num pé de pau, plantando bananeira, de costa, de banda, de todo jeito, ô presepada boa, não há nada melhor que uma safadeza passando dos limites. Assim, com uma animação nostálgica, evocava os tempos bons em que ela, tipuda e jeitosa, se enroscava toda nas loucuras de satisfazer seu macho com competência e dedicação. Agora não, tudo cada dia mais longe, mais cansado. Adular de todo jeito não adiantava nada, só um beijo chocho, aquela coisa aguada, chega dá vontade de desistir de tudo e partir pra outra. Mas como sou persistente, chego junto, marco presença, sapeco cutucada da macheza e ela nem nem. Deu de dizer que se dedicava ao santo da devoção pra gente melhorar de vida. Concordei, ora, dois, três dias depois, eu lá no calcanhar pra ver se ela dava sinal de vida: Respeite o santo, homem! Quando eu me aprumava naquelas carnes gostosas: Hoje não que iniciei uma novena. Dez dias depois, eu fungando no cangote dela: Hoje não que eu me confessei ontem pra hoje ganhar a bênção. Uma semana nisso e eu em cima, encarcando aquelas saliências carnosas que sempre foram meu prazer e ela com a saída de que o santo exigia dela abstinência sexual. Como? Isso mesmo! Você faz a promessa e eu que pago o castigo? Quer ou não quer melhorar de vida? Claro que quero, mas qualquer coisinha de aconchego uma vez na vida, ajuda no jejum. Ah, hoje não, estou com uns desarranjos nas partes pudendas de danar. Não precisa se mexer, nem fazer nada, é só dar uma brechinha nas coxas, um fiapinho de nada, eu vou lá, tuf tuf, você está liberada da função. Assim o santo castiga! Ai meu santo devotado, essa mulher complica demais. E toda noite ela sai perfumada, arrumada, toda emperiquitada, reboladeira, apetitosa e dizendo que vai rezar pro santo! Eu curtindo aperto, morrendo na mão, imaginando coisas e coisas. Ainda ontem mesmo ela saiu com um batom vermelho vivo nos beiços, toda pintada dos pés às cabeça, decotada, penteada, cheirosa, acochada de mostrar os possuídos todos espremidos de quase soltar fora, salto alto, embecada e frochosa, vixe quanta provocação! Mulher quando quer endoida um homem, viu? E eu que sou de carne e osso não escapo: morro lascado de tesão e aperreio. E ela: Vou pra missa rezar pela gente. Ah, mas quando ela voltar... quando ela voltar... jurei pra mim mesmo que de hoje não passa: Vou pegá-la de quatro, aquela vaca. Desejava possuí-la como quisesse, era sua, todinha sua, afinal. Ah se vou. Lá vinha ela, tarde da noite. Quando aprumei o bote, ela foi logo: Nem venha com essa cara de tarado que estou morta de cansada! Pelo amor de Deus, mulher! Pode ir guardando esse mondrongo horroroso pra lá que hoje não tem nem com milagre do céu, estou morta, vou dormir. E não adiantava eu rogar por todos os santos nem por padroeiro que fosse, ela não cedia e eu morria na mão, com o juízo torto e a secura na carne. Estou a ponto de endoidar, não consigo mais trabalhar, não consigo fazer mais nada, só essa danada me fazendo subir pelas paredes, triscar fogo pelos cantos. Na maior agitação da minha doidice, lá vinha ela toda reboculosa: Vou pra missa. Aquietei e apenas disse: Está certo. Deixei a danada sair, lá se foi toda faceira rebolando um charme que me deixava a ponto de comer merda e rasgar dinheiro. Deixei ela distanciar e quando ia lá longe, dei por mim: Vou atrás dela. E fui. Andei que só a má notícia, cheguei à igreja e ela não estava. Cadê-la? Pra onde foi? Que terá acontecido? Aí quando venho de volta pra casa, já desencantado da vida, dei de cara no ponto do ônibus com ela agarrada num sujeito, aos beijos e de língua, pode? Ah, esfreguei bem olhos, não acreditei no que estava vendo, é ela, isso mesmo, é ela. E o cara que está pendurado no pescoço dela, deixe ver... filho da puta... é o cobrador do ônibus. Isso mesmo, vou pegá-los no flagra. Quando resolvi atravessar a rua, nem deram conta da minha presença, fui atrapalhado pelo ônibus que parou pra pegar os passageiros. Esperei ele sair e quando procurei por eles o lugar mais limpo. Olhei pro ônibus, lá estavam lá, dentro dele, agarrados, se beijando. Puta que pariu! Nem pra flagrar aqueles porras eu sirvo. E agora? Não volto mais pra casa. Aliás, a casa é minha, boto ela pra correr, humilhada, jogando tudo dela na rua pra todo mundo saber. Melhor não. Ah, já sei, vou lá, dou uns tapas no cara pra mostrar que sou muito macho e para ele aprender a não mexer com mulher direita; depois, pego ela pelo pinguelo e dou-lhe uma pisa de peia pra ela aprender a não fazer pouco de homem da minha qualidade. Eita! Isso mesmo. Peraí. Não sei pra onde foram, nem sei onde o cabra safado mora. Só sei que vou dar uma pisa nos dois, isso mesmo, nos dois, boto ele pra correr e depois fodo ela todinha só pra mostrar quem é que manda! É isso. Ou melhor, não vou fazer nada disso, vou é acabar com tudo. É melhor. Mas aí eu sou o burro, ela que tem que pagar por tudo, ela e aquele metido a besta. Bem, não sei mesmo o que fazer, resolvi tomar uma, estou bicado, melhor se estivesse estibado pra ir buscar aquela safada de volta, mas estou liso, sem um tostão furado no bolso. Até a meota vou deixar no prego, vai ter zoada, mas vou. Sei não, não sei mais o que fazer, eu só queria ser feliz até o fim dos seus dias, só isso. Não deu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971): Rite orf Spring & Symphonis of Winds; da pianista portuguesa naturalizada brasileira, Maria João Pires: Concerto para piano nº 17 de Mozart & Sonata nº 32, op. 111, de Beethoven; do compositor, professor e regente João Guilherme Ripper: Canntiga e Desafio & Jogos Sinfônicos; e da pianista argentina Martha Angerich: Concerto nº 1 in E minor, op. 11, de Chopin & Concerto nº 3 de Rachmaninoff. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A mente tem muito pouca chance de ser livre; não está apta a ponderar, a sentir, a descobrir, pois as religiões organizadas pelo mundo afora, com suas crenças dogmáticas pelo mundo afora, mutilaram nosso pensamento; as superstições e tradições enclausuraram e condicionaram a mente. São hindus, cristãos, muçulmanos ou pertencem a alguma outra crença organizada que lhes impuseram desde a infância e, desse modo, vivem dentro desse limitado círculo, maior ou menor. [...] Como pode ser livre o homem que leva quarenta anos numa profissão? Olhem o que acontece com o médico. Depois de sete anos ou coisa assim na universidade, pelo resto da vida será um clínico geral ou um especialista e acabará escravo da profissão. Naturalmente que sua margem de liberdade é muito pequena. E o mesmo acontece com os políticos, os reformadores sociais e as pessoas idealistas que perseguem um objetivo na vida. [...] Nossas mentes são simples máquinas. Aprendemos uma profissão e, para todo o sempre, tornamo-nos escravos dela. [...]. Trecho extraído da obra Sobre a liberdade (Cultrix, 1991), do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui.

UM MITO JIVARRO – [...] Os Jivaro contam em um de seus mitos que o Sol e a Lua, que eram humanos, viviam antigamente na Terra e dividiam a mesma casa e a mesma mulher. Ela se chamava Aoho, isto é, Engole-vento, e gostava do abraço quente do Sol, mas tinha medo do contato com Lua, cujo corpo era muito frio. Sol resolveu fazer ironias sobre essa diferença. Lua, humilhado, subiu para o céu agarrando-se a um cipó, e ao mesmo tempo soprou sobre Sol, eclipsando-o. quando os dois maridos desapareceram. Aoho se sentiu abandonada. Tentou seguir Lua até o céu, levando um cesto cheio da argila que as mulheres usam para fazer cerâmica. Lua percebeu, e para se ver livre dela de uma vez por todas cortou o cipó que unia os dois mundos. A mulher caiu com o seu cesto, a argila se espalhou sobre a Terra, e hoje pode ser encontrada em vários lugares. Aoho se tranmsformou no pássaro que tem o seu nome, e a cada lua cheia, pode-se ouvir o seu lamento, chorando pelo marido que a abandonou. Mais tarde, o Sol também subiu para o céu, usando um outro cipó. Mas, mesmo lá no alto, a Lua continua a fugir dele, os dois nunca caminham juntos e não podem se reconciliar. Por isso o Sol só pode ser visto de doa, e a Lua de noite. [...]. Trecho da obra A oleira ciumenta (Brasiliense, 1986), do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.

O MUNDO DA FICÇÃO - Toda obra de ficção encerra dentro de si uma estrutura social. Pois a estrutura da ação romanesca é, de qualquer modo, uma estrutura de convivência: a estrutura das relações interpessoais dos personagens. E essa estrutura é necessariamente social [...] o mundo da ficção é organizado por personagens e situações; em segundo lugar, pelas normas representadas através de crenças, valores, atitudes e sentimentos. Mas são precisamente os valores, as crenças, os sentimentos e as atitudes, todos estes espelhando a ordem normativa, que tendem à coerência sem a qual a estrutura social da ficção não existiria. O universo social da obra de ficção tende a ser um universo siclamente organizado, por mais caótica ou fantástica que se nos apresenta trama de situações. [...]. Trecho de A sociedade real da ficção: uma definição sociológica do romance e da obra de ficção em geral, extraído da obra A realidade social da ficção (FJN/Massangana, 2005), do sociólogo Sebastião Vila Nova.

RIACHÃO DO GAMA, CACHOEIRINHA – Em 1863, Cachoeirinha era um povoado na freguesia de São Bento, onde desemboca o riachão do Gama, afluente do Una. Sua denominação se deve à existência de uma pequena cachoeira a aproximadamente 700m da cidade. O distrito foi criado no dia 12 de maio de 1874 e aos 22 de novembro de 1892, em reunião do Conselho Municipal de São bento, foi discutida e aprovada a lei de divisão do Municipio em dois distritos: o sede e o povoado de Cachoeirinha. A Lei estadual 3309, de 17 de dezembro de 1958, criou o município de Cachoeirinha, desmembrando-se do de São Bento do Una. Sua instalação ocorreu em 1º de março de 1962. Administrativamente, o município é formado pelo distrito-sede e pelo distrito de Cabanas. Anualmente, no dia 21 de novembro, comemora a sua emancipação política, em conformidade com a Enciclopedia dos Municipios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

POEMA DE ROSELI NASCIMENTO
Dois corpos
(em chamas)
Fez-se a nudez
Ávidos
À
Vida
Em um mergulho
Solar
Poema da poeta Roseli Nascimento (Cadernos Negros, 1992). Veja mais aqui.

Veja mais:
As muitas do Zé Corninho aqui e aqui.
A literatura de Dinah Silveira de Quirós aqui e aqui.
A poesia de Guillaume Apolinaire aqui e aqui.
A poesia de Dylan Thomas aqui e aqui.
A poesia de Torquato Neto aqui.
A literatura de Imre Kertész aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor austríaco Ernst Fuchs (1930-2015).
Veja mais aqui.
 

terça-feira, abril 18, 2017

LOBATO, CHAUÍ, MÁRCIA HAYDÉE & O VEXAME NO XAMBREGO!

O VEXAME NO XAMBREGO – Zé Corninho não dá uma dentro, tudo sai errado. Mesmo não tendo como, ele desanda no desserviço. Até no dia que a patroa dele faz tudo pruma noite pra lá de festiva, a coisa finda no maior rebuliço. Foi assim: era uma sexta feira de comemoração, um assustado promovido pela vizinha pros casais fazer as pazes. A mulherada se reuniu na maior deliberada sobre uma noite apimentada com seus respectivos maridos e deram asas à imaginação. Tudo que queriam era dar uma amarrada cativa no funcionamento deles na hora do rala-e-rola,. Como eles andavam devendo no comparecimento, elas resolveram usar de recursos criativos pra coisa na horagá pegar fogo. Festinha, bebidas, afrodisíacos e, sobretudo, provocações eróticas regadas a utensílios escolhidos a dedo numa dessas lojas de prazer. Lá foram em comitiva, reviraram tudo pelo avesso e saíram às risadinhas sacanas, cada qual com sua estratégia romântica e maledicência no juízo: - Hoje ele me paga! Quando a noite desceu, deu-se o combinado: elas se banharam, sapecaram as roupas mais provocantes – decotes ousados, lascão na saia do tornozelo ao bico do pinguelo entre as coxas, cinturinhas a pulso de pilão espremidas por cintas arrochadas, unhas pintadas, maquiagem excessiva, cabelos alisados na marra, saltos altos, perfumes fortes e muito espalhafato. Quando os distintos chegaram – alguns já levados de bebum aos tombos -, foram todos lavados, ajeitados e embecados conforme o gosto da distinta. Tudo pronto, juntaram a reca toda na casa da vizinha e deu-se o maior rastapé até altas horas. Zé Corninho que sempre foi o maior pé de valsa, fez a dança não só com a dele, mas com a de todos, findando, pelo remexido de coxas e passos no maior xambrego, numa situação paudurescente, dele ser tratado aos beliscões, tapas, empurrões e juras vingativas. Parecia o fim da festa, mas não. As madames não queriam perder a viagem e cada qual se aboletou no maior chamego com o que era de seu, mandando ver no desfile. O que era pra ser uma noite romântica inesquecível, encaminhava pra mangação. Aí elas perderam a paciência e partiram pros finalmentes: cada qual rebocou seu traste pro seu ninho de amor. Aí que começou a dar errado mesmo. É que, por exemplo, a distinta esponsal do Zé Corninho achou de colocar umas bolinhas na perseguida dela e um anel peniano nele, coisa que nunca usaram, nem sabia como era mesmo e, no começo, parecia até que ia vingar pra lá de bom. Destá. Quando o vuque-vuque começou a rolar, a coisa não saiu lá como o previsto: as bolinhas colaram na parte interna dos beiços vaginais dela e o anel nada funcionar direito. Aí começou o como é que faz isso, como é que tira isso,e nada de dar certo. Só vexame e vira e mexe e, cada vez mais, piorando. A hora se passando, os dois agoniados, ele a ponto de ter um troço, resolveram correr pro hospital. Lá chegando deram de cara com a desgraça: além de todos os conhecidos estarem testemunhando a desandada, também os casais vizinhos já estavam sendo atendido na emergência. Vixe, deu tudo errado. Era um casal nu engatado de não se soltar enrolado no cobertor, era outro com vibrador entalado no rabo, mais outro com um preservativo engasgado na garganta, a enfermaria em polvorosa, os médicos com ar de doidos, a mundiça toda às gargalhadas, Zé Corninho e a mulher reclamando de dor, até que chega a sua vez, levam um pra cada lado, vão cuidar da mulher dele na maior zoadeira, enquanto ele se contorcia deitado na maca e a enfermeira quando viu que ele ainda está em estado interessante, aboticou os olhos no pintão do rapaz de sair gritando por socorro rua afora, o que muito ampliou sua aflição, vez que o hospital virou maior pandemônio, acarretando a intervenção de polícia, bombeiro e muuuuuitos curiosos. Se ele já estava morrendo de dor, ia agora bater as botas de vergonha, agoniado, morre mas num morre, agarrado pelo pescoço pelo atentado ao pudor, até que um médico bebaço aparece para resolver a situação. Pronto, depois do maior vexame, tudo esclarecido, todo mundo estropiado e a noite que era pra ser daquelas para lá de tórrida de gozo, findou mesmo num coro de ais e uis madrugada adentro por toda vizinhança. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

[...] Se nascemos numa sociedade que nos ensina certos valores morais – justiça, igualdade, veracidade, generosidade, coragem, amizade, direito à felicidade – e, no entanto impede a concretização deles porque está organizada e estrutura de modo a impedi-los, o reconhecimento da contradição entre o ideal e a realidade é o primeiro momento da liberdade e da vida ética como recusa da violência. O segundo momento é a busca das brechas pelas quais possa passar o possível, isto é, uma outra sociedade que concretize no real aquilo que a nossa propõe no ideal. [...] o terceiro momento é o da nossa decisão de agir e da escolha dos meios de ação. O último mento da liberdade é a realização da ação para transformar um possível num real, uma possibilidade numa realidade. [...]
Trecho recolhido da obra Convite à Filosofia (Ática, 2004), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Padre Bidião & Doro discutem o reino do Fecamepa, a literatura de Tariq Ali, a música de Karin Fernandes, a pintura de Sigmar Polke & Orly Cogan aqui.

E mais:
As presepadas do Zé Corninho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Monteiro Lobato aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro de Jerzy Grotowski, a poesia de Antero de Quental, a literatura de Patrícia Galvão – Pagu & Monteiro Lobato, a música de Uakti & Sacudindo Choro, a pintura de Jean-Baptiste Debret, o cinema de Norma Benguel & Carla Camurati aqui.
A menina dos olhos do bocejo eterno, a pintura de Aldo Palazzolo & muito mais aqui.
A professora, A sociedade da mente de Marvin Minsky, A lenda do mel de Ralph Whiteside Kerr, o teatro de Henrik Ibsen, a música de Lenine, a poesia de Columbina - Yde Schloenbach Blumenschein, a pintura de Carlos Leão, o cinema de Jean-Jacques Beineix & Valentina Sauca aqui.
A poesia & a música de Bee Scott aqui.
Dificuldades de aprendizagem da língua portuguesa aqui.
Aurora, a canção, A natureza humana de Alfred Adler, Zaratustra & Friedrich Nietzsche, A logoterapia de Viktor Frankl, a poesia de Gregory Corso, o teatro de Tennessee William, a música de Hermeto Pascoal, a pintura de Gaston Guedy, o cinema de Pedro Almodóvar & Leona Cavalli aqui.
A literatura de João Guimarães Rosa, a poesia de Affonso Romano de Sant´Anna, a música de Dmitri Shostakovich & Mstislav Rostropovich, o teatro de Maria Helena Kühner, o serviço social de Marilda Vilela Yamamoto, Pra Frente Brasil, a arte de Gloria Swanson & a pintura Albert Marquet aqui.
Espera, A condição humana de Karl Jaspers, A crise das ciências de Hilton Japiassu, a literatura de João do Rio & Marquês de Sade, a música de Regina Schlochauer, o teatro de Dario Fo, a entrevista de Bráulio Tavares, a pintura de Anthea Rocker & Aaron Czerny, a fotografia de Herbert Matter, a arte de Ghada Amer, a escultura de Diogo de Macedo, Jazz & Cia Grupo de Dança, Dicionário Tataritaritatá, O que sou de praça na graça que é dela & O brasileiro é só um CPF Fabo arrodeado de golpes por todos os lados aqui.
De golpe em golpe a gente vai aprendendo, O coração humano de Goethe, Iniciações tibetianas de Alexandra David-Néel, O trabalho de André Gorz, a música de Franz Schubert & Mitsuko Uchida, a escultura de Horatio Greenough, a arte de Lygia Clark & Marina Abramović, A prática e a teoria de José Paulo Netto, a fotografia de Carl Warner, a arte de Simone Spoladore & Laura Barbosa & John Currin, o cinema de Mohsen Makhmalbaf, a coreografia de Anna Halprin, a entrevista de Tchello d’Barros, Oficina de Cordel, Vitalina & Tomé: o vexame da maior presepada & Do jeito que esse mundão vai só deus na causa aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, a História de Georges Duby, a literatura de George Orwell & Alfredo Flores, Nietzsche e a psicologia, a pintura de Balthus, a música de PJ Harvey,a fotografia de Marta Maria Pérez Bravo & Richard Murrian, A dona da História de João Falcão, a arte de Marco Cochrane, a entrevista de Virna Teixeira, O infortúnio da prima da vera & Quando a bronca dá na canela, o melhor é respirar fundo à flor d’água pra não morrer afogado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina e coreógrafa Márcia Haydée.
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Hoje é Dia de Monteiro Lobato & Dia Nacional do Livro Infantil.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...