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quarta-feira, setembro 04, 2019

CHAUÍ, MOSÉ, IVAN ILLICH, VIVIANA DURANTE, LENDA MOÇAMBIQUE & QUARTA-FEIRA NO TRÂMITE DA SOLIDÃO


QUARTA-FEIRA, O TRÂMITE DA SOLIDÃO - A festa acabou e não houve nenhum barulho na madrugada. A rua está pesunhada em honra de Pã, homenagem a Baco. A festa do povo passou. Neste dia eu te ofereço minha carne em holocausto, apesar da madrugada com o luar que azula a escuridão. As ruas são do pretérito caboclinho do Rabeca, o reluzente estandarte da Virgem Guadalupe e  a extinção de Tupác Amaru até sua descendência em quarto grau. Tudo apaixonadamente vivo, tudo delirantemente sentido, tudo escandalosamente passado a limpo em mim. Contaminados estão os cultores do pecado original, do hedonismo ou do Rigveda. Hoje o morto carrega o vivo e ontem de noite correu bicho em Matriz de Camaragibe. Anteontem o bufo inspirou Zé da Justa pra afinar a orquestra e a Fubana dos artistas, varrida de sonhos, impetrava um calor nas reentrâncias das senhoras e das mocinhas. A folia fez-se noite, fez-se dia. Permita Deus este mês não seja só carnaval. Dentro de mim passou a folia do planeta com seus trogloditas modernos e o assoalho repleto de excrementos, a casa vazia e o reino dos fantasmas. Vozes cantarolam: saia do sereno, saia do sereno, saia do sereno que esta frieza faz mal. De mim, o silêncio e o meu sacrifício de Odin: apenas água para beber e braços solidários. Tudo cinzas. Não fiz abstinência da carne, nem interdição dos sentidos. A minha impulsividade e o suntuoso e o inexprimível: um dia tão grande no desvario do frevo. Não quero penitência, estou debilitado pelo incenso inebriante de mulher, aquela que dorme oculta no deleite do meu travesseiro. Tudo viverá enquanto meu verso existir: o bar, a noite, o cigarro e a solidão. O poeta morreu terça-feira e eu sigo inquieto. O amor assim que deveria ser: a vida! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O mundo perdeu sua dimensão humana e readquiriu sua necessidade factual e fatídica, característica dos tempos primitivos. Mas, enquanto o caos dos bárbaros era constantemente ordenado em nome de deuses misteriosos e antropomórficos, hoje em dia só o planejamento humano é apresentado como razão para o mundo estar assim como está. O homem tornou-se joguete dos cientistas, engenheiros e planejadores. Vemos esta lógica atuar em nós e nos outros. [...] As clínicas de controle da natalidade aumentam as taxas de sobrevivência e fomentam a população; as escolas produzem mais desertores; quando diminui uma curva de poluição, aumenta outra. Os consumidores defrontam-se com a realidade de que quanto mais podem comprar, mais decepções têm que engolir [...] A exaustão e a poluição dos recursos da terra é, acima de tudo, o resultado de uma corrupção na auto-imagem do homem e de uma regressão em sua consciência. [...]. Trechos da obra Sociedade sem escolas (Vozes, 1985), do filósofo austríaco Ivan Illich (1926-2002), co-fundador do conhecido e controvertido Centro Intercultural de Documentação (CIDOC), em Cuernavaca, México. O autor expressa que É na liberdade universal de palavra, de reunião e de informação que consiste a virtude educativa, ao efetuar uma análise crítica das instituições educativas atuais e das suas características, propondo a criação de um sistema alternativo que rebata a figura da escola na de uma aprendizagem não enquadrada institucionalmente. Para ele, o atual sistema educativo converteu-se num sistema burocrático, hierarquizado e manipulador, tendo como função primordial a reprodução e o controle das relações econômicas, entendendo que: Por toda a parte, o aluno é levado a acreditar que só um aumento de produção é capaz de conduzir a uma vida melhor. Deste modo se instala o hábito do consumo dos bens e dos serviços, que nega a expressão individual, que aliena, que leva a reconhecer as classes e as hierarquias impostas pelas instituições. Entende, portanto, que em virtude disso os alunos estão sujeitos a currículos extensos e repetitivos, dados de forma demasiado rápida e superficial. Os professores, já habituados a esta rotina, não dão a possibilidade de aprofundar um ou outro tema que mais interesse os alunos, nem são capazes de atender às necessidades específicas de cada aluno. Por essa razão, a  escola passa assim a ser um local de desigualdades e de conflitos, uma vez que alguns se adaptarão melhor do que outros. Para ele, o fato da escolaridade ser obrigatória só agrava a situação, pois, aqueles que não se conseguem adaptar aos temas curriculares obrigatórios e aos métodos de ensino vigentes, arrastam-se durante anos na escola, nada aprendem de válido e perdem a sua autoestima. Quando finalmente deixam a escola, os alunos não estão preparados para ingressar no mundo do trabalho. Por consequência, observa o autor que, apesar de muitas pessoas terem já consciência da ineficácia e da injustiça patentes no sistema educativo moderno, não são ainda capazes de imaginar alternativas nem de conceber uma sociedade descolarizada. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: As pessoas que, desgostosas e decepcionadas, não querem ouvir falar em política, recusam-se a participar de atividades sociais que possam ter finalidade ou cunho políticos, afastam-se de tudo quanto lembre atividades políticas, mesmo tais pessoas, com seu isolamento e sua recusa, estão fazendo política, pois estão deixando que as coisas fiquem como estão e, portanto, que a política existente continue tal qual é. A apatia social é, pois, uma forma passiva de fazer política. A política não é uma ciência. É uma arte, uma ação que se inventa. Pensamento da filosófa brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A LUA FEITICEIRA E A FILHA QUE NÃO SABIA PILAR - A lua tinha uma filha branca e em idade de casar. Um dia apareceu-lhe em casa um monhé pedindo a filha em casamento. Alua perguntou-lhe: —Como pode ser isso, se tu és monhé? Os monhés não comem ratos nem carne de porco e também não apreciam cerveja... Além disso, ela não sabe pilar... O monhé respondeu: —Não vejo impedimento porque, embora eu seja monhé, a menina pode continuar a comer ratos e carne de porco e a beber cerveja... Quanto a não saber pilar, isso também não tem importância pois as minhas irmãs podem fazê-lo. A lua, então, respondeu: —Se é como dizes, podes levar a minha filha que, quanto ao mais, é boa rapariga. O monhé levou consigo a menina. Ao chegar a casa foi ter com a sua mãe e fez-lhe saber que a menina com quem tinha casado comia ratos, carne de porco e bebia cerveja,mas que era necessário deixá-la à-vontade naqueles hábitos. Acrescentou também que ela não sabia pilar mas que as suas irmãs teriam a paciência de suprir essa falta. Dias depois, o monhé saiu para o mato à caça. Na sua ausência, as irmãs chamaram a rapariga (sua cunhada) para ir pilar com elas paraas pedras do rio e esta desatou a chorar. As irmãs censuraram-na: —Então tu pões-te a chorar por te convidarmos a pilar?... Isso não está bem! Tens de aprender porque é trabalho próprio das mulheres. E, sem mais conversas, pegaram-lhe na mão e conduziram-na ao lugar onde costumavam pilar. Quando chegaram ao rio puseram-lhe o pilão na frente, entregaram-lhe um maço e ordenaram que pilasse. A rapariga começou a pilar, mas com uma mágoa tão grande que as lágrimas não paravam de lhe escorrer pela cara. Enquanto pilava ia-se lamentando: —Quando estava em casa da minha mãe não costumava pilar... Ao dizer estas palavras, a rapariga, sempre a pilar e juntamente com o pilão, começou a sumir-se pelo chão abaixo, por entre as pedras que, misteriosamente, seafastavam. E foi mergulhando, mergulhando... até desaparecer. Extraído da obra Contos populares moçambicanos (Ndjira, 1997), organizada por Eduardo Medeiros. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ARTE DE VIVIANA DURANTE - A arte da bailarina italiana Viviana Durante, autora da obra Ballet: the definitive illustrated story (DK, 2018), um guia visual da história do balé, com fotografias sugestivas que capturam bailarinos famosos e histórias importantes de balé, destacando o trabalho de Margot Fonteyn, Carlos Acosta e Darcey Bussell, entre outros, efetuando uma abordagem desde as origens na corte e nas primeiras empresas nacionais de balé, até a cena contemporânea e locais extraordinários que encenam. A autora foi considerada uma das maiores bailarinas dramáticas de sua geração. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A solidão é a base da dignidade. a dor da alma nada mais é do que seus limites se rasgando para caber mais mundo. o homem precisa de algum conhecimento pra sobreviver, mas pra viver precisa da arte.
A obra da poeta, filósofa, psicóloga e psicanalista capixaba, Viviane Mosé aqui e aqui & mais aqui.


quinta-feira, setembro 14, 2017

FERNANDO PESSOA, EMERSON, CHAUÍ, NEUROFILOSOFIA, AMANDA SAGE & MUITO MAIS!

ETERNO APRENDIZADO – Imagem: arte da pintora visionária estadunidense Amanda Sage. - Há trinta anos, mais ou menos, empunhei a bandeira de que o bloco do eu sozinho não me levaria a lugar nenhum e que o umbigo era só o centro do corpo, jamais do universo. Disso fiz minha missão, mãos e braços solidários e disponíveis a quem chegasse e quisesse. Sabia que o individualismo possessivo potencializado pelo umbigocentrismo consumista ruiria todos os níveis de relações. Aprendia a metáfora dos dedos das mãos: todos eram diferentes, um deles sozinho poderia muito, mas não tudo; e que todos juntos poderiam tudo e muito mais. Por que então ser apenas um quando poderíamos ser todos? Procurei solidariamente difundir isso, enquanto aguçava o meu discernimento para flagrar a mais mínima movimentação ao meu redor, para me levar a investigações e considerações. Por que isso, por que aquilo? Muitos porquês. Havia então adicionado à minha conduta o questionamento de tudo por meio de porquês intermináveis, vez que a certeza com que tudo se expressava impositivamente, se esfacelava entre inúmeras dúvidas. Por conta disso, além das leituras que habitual e compulsivamente me dedicava, comecei a testar todas as teorias. Não buscava apenas a utilidade prática, mas testar o que fosse dito, sentenciado, categoricamente afirmado e o que aparecesse, por meio da minha própria experiência. Para tanto, testava métodos, hipóteses, variáveis e problematizações, conferia resultados e, em seguida, efetuando novas abordagens, explorava novas e todas as possibilidades possíveis até o alcance das dimensões do que me propunha examinar. Buscava relações e dicotomias, qual não era a surpreendente constatação de tantas contradições, quanto paradoxalidades. Afora isso, o desapontamento com as descobertas de subjacentes ideologias que se encontravam recônditas nas mais cristalinas proposições, mascarando sofismáveis conjecturas, casuísmos ou idiossincrasias. Desde então passei a não mais contar apenas do oito a oitenta, pois que antes do limite mínimo, conforme o plano cartesiano, uma contagem regressiva levaria a zero, começando nova contagem negativa infinitamente; e que o limite máximo, da mesma forma, além dos oitenta, também podia contar com oitocentos, oito mil, milhões, zilhões. Ou seja, a minha finitude estava diante da infinitude e eu não tinha a mínima ideia de como conciliar forças antagônicas que se apresentavam, não enxergando que seriam, na verdade, convergentes, quando não complementares. Percebi dualidades; não só, três, quatro, muitas trindades, múltiplas expressões. Isso me fez entender que a leitura só não bastaria, se não houvesse experiências para validarem ou não toda e qualquer coisa. Dos livros obtive muitas e tantas lições e, aliando a isso, experimentei cada desafio, cada conflito, seus percalços e prejuízos, para saber e sentir o que há por trás de viver. Dúvidas, muita; certeza, só uma: nada sei. Preciso aprender mais da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais com os álbuns Carioca, Stone Alliance, Patamar & Makenna Beach do músico instrumentista Márcio Montarroyos (1948-2007); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; Rudepoêma de Villa-Lobos, Rapsódia Brasileira de Radamés Gnatali & Fantasia op. 28 de Scriabin, com o pianista brasileiro Roberto Szidon (1941-2011); e a Suíte 1 & 5 de Bach & a Sonata nº 2 de Myaskovsky, com a violoncelista russa Natalia Gutman. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O estudo da filosofia não será inútil àqueles que lutam, que não se resignam; efetivamente, só uma concepção objetiva do mundo lhes pode dar razões para lutar. Sem teoria justa, não há luta vitoriosa. Alguns crêem que, para atingirmos um alvo, basta que as condições de êxito se realizem. Estão errados, porque é preciso ainda saber se essas condições estão se realizando. Quanto mais complicadas forem as situações, mais importante saber situar-se dentro delas. [...] Essas observações são válidas também para a luta por outros objetivos: lutas pelas liberdades democráticas, pelo pão, pela paz. Portanto, é por necessidade prática que devemos estudar filosofia, que nos devemos interessar pela concepção geral do mundo. [...]. Trechos extraídos da obra Princípios fundamentais de filosofia (Hemus, 1970), de Georges Politzer, Guy Besse e Maurice Caveing. Veja mais aqui, aqui & aqui.

O QUE É & PARA QUE SERVE FILOSOFAR? – [...] O que é Filosofia? Poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-las sem antes havê-los investigado e compreendo. Perguntaram certa vez: Para que Filosofia? E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores esclarecimentos”. [...] Admiração e espanto significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro, através de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos vistos antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos. [...] Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulos de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas. [...] Trechos extraídos da obra Convite à Filosofia (Ática, 2002), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

LER, PENSAR & AGIR - [...] Os livros são o melhor exemplo da influência do passado, e talvez cheguemos á verdade - conheçamos de forma mais conveniente o teor dessa influência - considerando tão-somente o valor deles. A teoria dos livros é nobre. O letrado dos primeiros tempos recebeu em si o mundo circundante; meditou nele; deu-lhe o novo arranjo de sua propriamente; e exteriorizou-o novamente. Nele entrou como vida; dele saiu como verdade. Veio a ele como ações efêmeras; dele saiu como pensamentos imortais. Veio a ele negócio; dele saiu poesia. Era fato inanimado; é agora pensamento vivaz. Pode ficar imóvel e pode caminhar. Agora resiste, voa, inspira. Exatamente em proporção á profundeza da mente que o produziu é a altura em que paira, o tempo em que canta. Eu poderia dizer, também, que tudo depende de quão longe foi o processo de transmudar vida em verdade. A pureza e durabilidade do produto são proporcionais à inteireza da destilação. Mas nenhum produto é totalmente perfeito. Assim como nenhuma bomba pode produzir vácuo perfeito, tampouco pode nenhum artista excluir inteiramente de sua obra o convencional, o local, o perecível, nem escrever um livro de puro pensamento, que seja de igual modo eficaz para a remota posteridade como para os coetâneos, ou melhor, para uma segunda idade. Verificou-se que cada época deve escrever seus próprios livros; ou a sucede. Os livros de um período mais antigo não servirão para este período. Todavia, disso resulta um grave dano. A santidade ligada ao ato de criação - o ato de pensar - é transferida para o registro. O poeta a cantar era considerado como um homem divino; desde então, o canto passou a ser divino também. O escritor era um espírito justo e sábio; assentou-se então que o livro é perfeito; assim, o amor pelo herói se corrompe em adoração de sua estátua. No mesmo momento o livro se torna nocivo; o guia é um tirano. A mente preguiçosa e pervertida da multidão, lenta no abrir-se às incursões da Razão, abrindo-se uma vez e recebendo um determinado livro, nele se firma e faz um alarido se for desacreditado. Colégios são edificados sobre ele. Livros são escritos acerca dele por pensadores, não pelo Homem Pensante; por homens de talento, vale dizer, por homens que partiram de um principio errôneo, que começaram de dogmas aceitos, não de sua própria visão dos princípios. Jovens submissos crescem em bibliotecas acreditando seja seu dever aceitar as opiniões que Cícero, que Locke, que Bacon manifestaram, esquecidos de que Cícero, Locke e Bacon eram apenas jovens em bibliotecas quando escreveram seus livros. Dessarte, em vez do Homem Pensante, temos ratos de biblioteca. Daí, pois, à classe letrada, que estima os livros não por estarem relacionados com a Natureza e a constituição humana, mas como se constituíssem uma espécie de Terceiro Estado, a par do mundo e da alma. Daí, também, os restauradores de leituras, os emendadores, os bibliomaníacos de todos os graus. Bem usados, os livros são a melhor das coisas; mal usados, uma das piores. Qual é o uso correto deles? Qual o único fim a que se destinam todos os meios? Para nada mais servem senão para inspirar. Preferiria nunca ver um livro a ser desviado, por força de sua atração, de minha própria órbita e convertido em satélite, em vez de o ser em sistema. A única coisa de valor no mundo é a alma ativa. A ela todo homem tem direito; todos os homens a contêm dentro de si, embora, na maioria deles, ela esteja obstada e ainda por nascer. A alma ativa vê a verdade absoluta e formula ou cria a verdade. Nessa ação, é genial; o gênio não é privilégio deste ou daquele protegido, mas o estado rígido de todo homem. Na sua essência, é progressivo. O livro, o colégio, a escola de arte, a instituição de qualquer espécie, se detêm em alguma manifestação pretérita do gênio. Isto é bom, dizem, vamos apegar-nos a isto. Eles me imobilizam. Olham para trás, não para diante. Entretanto, o gênio olha avante; os olhos do Homem estão na parte dianteira, não na parte traseira de sua cabeça. O homem tem esperança; o gênio cria. Quaisquer que sejam os talentos que possua, se o indivíduo não criar, não terá o puro eflúvio da Deidade: haverá cinzas e fumaça, mas não ainda flama. Há maneiras criativas, há ações criativas e palavras criativas; maneiras, ações e palavras que não indicam costume ou autoridade, mas que nascem espontaneamente do senso do bem e do justo da própria mente. Por outro lado, se o homem, em vez de ser seu próprio vidente, receber de outra mente sua verdade, ainda que seja em torrentes de luz, mas sem períodos de solidão, indagação e reconquista de si mesmo, ter-lhe-á sido prestado um fatal desserviço. O gênio é sempre inimigo figadal do gênio por influência exterior. A literatura de todas as nações serve-me de testemunho. A esta altura, os poetas dramáticos ingleses já shakespearizam há mais de duzentos anos. Indubitavelmente, existe uma maneira correta de ler, pelo que deveria haver rigorosa subordinação. O Homem Pensante não deve ser escravizado pelos seus instrumentos. Os livros servem para as horas de ócio dos letrados. Se podemos ler em Deus diretamente, o tempo é precioso demais para que o percamos com transcrições feitas por outros homens de suas próprias leituras. Mas quando chegam os intervalos de escuridão, como lhes cumpre chegar; quando o Sol se oculta e as estrelas recusam seus lampejos, corremos para as lâmpadas que foram acendidas em seus raios, a fim de guiar novamente nossos passos até o Oriente, onde está o amanhecer. Ouvimos para poder falar. Diz o provérbio árabe: "Com olhar para outra figueira, uma figueira se torna frutífera”. [...] Trecho de O letrado americano, extraído da obra Ensaios (Cultrix, 1966), do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

NEUROFILOSOFIA – [...] As questões neurofilosóficas são tão antigas quanto o dia em que o primeiro ser humano se fez a pergunta de "quem somos nós". A natureza do pensamento e sua origem perpassou as mentes de grandes filósofos, todavia sem obter consenso. Atualmente, entretanto, os avanços da pesquisa em neurociências são um forte argumento a favor das teorias materialistas, sem que, no entanto, as teorias dualistas sejam abandonadas, pois a pouca idade das neurociências ainda não permite a construção de um modelo científico capaz de explicar completamente estados mentais mais complexos como a consciência [...]. Trecho do artigo Uma introdução à neurofilosofia: o problema mente-corpo (Revista da Biologia/USP, 2009).da doutoranda na University of Surrey, Camila Gomes Victorino. Neurofilosofia é um termo que surgiu na obra Neurophilosophy (1986), da filósofa estadunidense Patricia Churchland, definida como sendo o estudo filosófico das neurociências, correlato ao estudo neurocientífico da filosofia da mente e da linguagem, estudando por meio de um estudo interdisciplinar dos processos mentais efetuados sob as perspectivas das neurociências e ciências cognitivas, na investigação dos processos cerebrais e redes neurais nas complexas dimensões interativas do cérebro e da mente com o meio físico, social e cultural. Os estudos encontram interlocução com os estudos desenvolvidos pelo filósofo da Universidade de San Diego da Califórnia (UCSD), Paul Churchland e com a obra desenvolvida pelo médico neurologista e neurocientista português António Damásio, que é professor da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, relacionando estudos que tratam acerca da articulação filosófica numa visão interdisciplinar com a psicologia, neurociência, inteligência artificial e sistemas complexos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CONVERSA AS SEIS & MEIA
Nesta quinta, a partir das 18:30hs, realizarei o Conversa as seis e meia (Café Filosófico), no Restaurante O Nordestão. Informações (81) 3661-7369. O restaurante é especializado em grelhados, carnes, aves, peixes e guisados, aceita todos os cartões e possui amplo estacionamento.

Veja mais:
A arte musical de Márcio Montarroyos aqui.
A arte de Ana Rucner aqui.
A arte de Robert Szidon aqui.
A arte de Natalia Gutman aqui.
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INICIAÇÃO DE FERNANDO PESSOA
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Poema extraído da Obra poética (Nova Aguilar, 1999), do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora visionária estadunidense Amanda Sage.
Veja mais aqui.
 

terça-feira, abril 18, 2017

LOBATO, CHAUÍ, MÁRCIA HAYDÉE & O VEXAME NO XAMBREGO!

O VEXAME NO XAMBREGO – Zé Corninho não dá uma dentro, tudo sai errado. Mesmo não tendo como, ele desanda no desserviço. Até no dia que a patroa dele faz tudo pruma noite pra lá de festiva, a coisa finda no maior rebuliço. Foi assim: era uma sexta feira de comemoração, um assustado promovido pela vizinha pros casais fazer as pazes. A mulherada se reuniu na maior deliberada sobre uma noite apimentada com seus respectivos maridos e deram asas à imaginação. Tudo que queriam era dar uma amarrada cativa no funcionamento deles na hora do rala-e-rola,. Como eles andavam devendo no comparecimento, elas resolveram usar de recursos criativos pra coisa na horagá pegar fogo. Festinha, bebidas, afrodisíacos e, sobretudo, provocações eróticas regadas a utensílios escolhidos a dedo numa dessas lojas de prazer. Lá foram em comitiva, reviraram tudo pelo avesso e saíram às risadinhas sacanas, cada qual com sua estratégia romântica e maledicência no juízo: - Hoje ele me paga! Quando a noite desceu, deu-se o combinado: elas se banharam, sapecaram as roupas mais provocantes – decotes ousados, lascão na saia do tornozelo ao bico do pinguelo entre as coxas, cinturinhas a pulso de pilão espremidas por cintas arrochadas, unhas pintadas, maquiagem excessiva, cabelos alisados na marra, saltos altos, perfumes fortes e muito espalhafato. Quando os distintos chegaram – alguns já levados de bebum aos tombos -, foram todos lavados, ajeitados e embecados conforme o gosto da distinta. Tudo pronto, juntaram a reca toda na casa da vizinha e deu-se o maior rastapé até altas horas. Zé Corninho que sempre foi o maior pé de valsa, fez a dança não só com a dele, mas com a de todos, findando, pelo remexido de coxas e passos no maior xambrego, numa situação paudurescente, dele ser tratado aos beliscões, tapas, empurrões e juras vingativas. Parecia o fim da festa, mas não. As madames não queriam perder a viagem e cada qual se aboletou no maior chamego com o que era de seu, mandando ver no desfile. O que era pra ser uma noite romântica inesquecível, encaminhava pra mangação. Aí elas perderam a paciência e partiram pros finalmentes: cada qual rebocou seu traste pro seu ninho de amor. Aí que começou a dar errado mesmo. É que, por exemplo, a distinta esponsal do Zé Corninho achou de colocar umas bolinhas na perseguida dela e um anel peniano nele, coisa que nunca usaram, nem sabia como era mesmo e, no começo, parecia até que ia vingar pra lá de bom. Destá. Quando o vuque-vuque começou a rolar, a coisa não saiu lá como o previsto: as bolinhas colaram na parte interna dos beiços vaginais dela e o anel nada funcionar direito. Aí começou o como é que faz isso, como é que tira isso,e nada de dar certo. Só vexame e vira e mexe e, cada vez mais, piorando. A hora se passando, os dois agoniados, ele a ponto de ter um troço, resolveram correr pro hospital. Lá chegando deram de cara com a desgraça: além de todos os conhecidos estarem testemunhando a desandada, também os casais vizinhos já estavam sendo atendido na emergência. Vixe, deu tudo errado. Era um casal nu engatado de não se soltar enrolado no cobertor, era outro com vibrador entalado no rabo, mais outro com um preservativo engasgado na garganta, a enfermaria em polvorosa, os médicos com ar de doidos, a mundiça toda às gargalhadas, Zé Corninho e a mulher reclamando de dor, até que chega a sua vez, levam um pra cada lado, vão cuidar da mulher dele na maior zoadeira, enquanto ele se contorcia deitado na maca e a enfermeira quando viu que ele ainda está em estado interessante, aboticou os olhos no pintão do rapaz de sair gritando por socorro rua afora, o que muito ampliou sua aflição, vez que o hospital virou maior pandemônio, acarretando a intervenção de polícia, bombeiro e muuuuuitos curiosos. Se ele já estava morrendo de dor, ia agora bater as botas de vergonha, agoniado, morre mas num morre, agarrado pelo pescoço pelo atentado ao pudor, até que um médico bebaço aparece para resolver a situação. Pronto, depois do maior vexame, tudo esclarecido, todo mundo estropiado e a noite que era pra ser daquelas para lá de tórrida de gozo, findou mesmo num coro de ais e uis madrugada adentro por toda vizinhança. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

[...] Se nascemos numa sociedade que nos ensina certos valores morais – justiça, igualdade, veracidade, generosidade, coragem, amizade, direito à felicidade – e, no entanto impede a concretização deles porque está organizada e estrutura de modo a impedi-los, o reconhecimento da contradição entre o ideal e a realidade é o primeiro momento da liberdade e da vida ética como recusa da violência. O segundo momento é a busca das brechas pelas quais possa passar o possível, isto é, uma outra sociedade que concretize no real aquilo que a nossa propõe no ideal. [...] o terceiro momento é o da nossa decisão de agir e da escolha dos meios de ação. O último mento da liberdade é a realização da ação para transformar um possível num real, uma possibilidade numa realidade. [...]
Trecho recolhido da obra Convite à Filosofia (Ática, 2004), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Padre Bidião & Doro discutem o reino do Fecamepa, a literatura de Tariq Ali, a música de Karin Fernandes, a pintura de Sigmar Polke & Orly Cogan aqui.

E mais:
As presepadas do Zé Corninho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Monteiro Lobato aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro de Jerzy Grotowski, a poesia de Antero de Quental, a literatura de Patrícia Galvão – Pagu & Monteiro Lobato, a música de Uakti & Sacudindo Choro, a pintura de Jean-Baptiste Debret, o cinema de Norma Benguel & Carla Camurati aqui.
A menina dos olhos do bocejo eterno, a pintura de Aldo Palazzolo & muito mais aqui.
A professora, A sociedade da mente de Marvin Minsky, A lenda do mel de Ralph Whiteside Kerr, o teatro de Henrik Ibsen, a música de Lenine, a poesia de Columbina - Yde Schloenbach Blumenschein, a pintura de Carlos Leão, o cinema de Jean-Jacques Beineix & Valentina Sauca aqui.
A poesia & a música de Bee Scott aqui.
Dificuldades de aprendizagem da língua portuguesa aqui.
Aurora, a canção, A natureza humana de Alfred Adler, Zaratustra & Friedrich Nietzsche, A logoterapia de Viktor Frankl, a poesia de Gregory Corso, o teatro de Tennessee William, a música de Hermeto Pascoal, a pintura de Gaston Guedy, o cinema de Pedro Almodóvar & Leona Cavalli aqui.
A literatura de João Guimarães Rosa, a poesia de Affonso Romano de Sant´Anna, a música de Dmitri Shostakovich & Mstislav Rostropovich, o teatro de Maria Helena Kühner, o serviço social de Marilda Vilela Yamamoto, Pra Frente Brasil, a arte de Gloria Swanson & a pintura Albert Marquet aqui.
Espera, A condição humana de Karl Jaspers, A crise das ciências de Hilton Japiassu, a literatura de João do Rio & Marquês de Sade, a música de Regina Schlochauer, o teatro de Dario Fo, a entrevista de Bráulio Tavares, a pintura de Anthea Rocker & Aaron Czerny, a fotografia de Herbert Matter, a arte de Ghada Amer, a escultura de Diogo de Macedo, Jazz & Cia Grupo de Dança, Dicionário Tataritaritatá, O que sou de praça na graça que é dela & O brasileiro é só um CPF Fabo arrodeado de golpes por todos os lados aqui.
De golpe em golpe a gente vai aprendendo, O coração humano de Goethe, Iniciações tibetianas de Alexandra David-Néel, O trabalho de André Gorz, a música de Franz Schubert & Mitsuko Uchida, a escultura de Horatio Greenough, a arte de Lygia Clark & Marina Abramović, A prática e a teoria de José Paulo Netto, a fotografia de Carl Warner, a arte de Simone Spoladore & Laura Barbosa & John Currin, o cinema de Mohsen Makhmalbaf, a coreografia de Anna Halprin, a entrevista de Tchello d’Barros, Oficina de Cordel, Vitalina & Tomé: o vexame da maior presepada & Do jeito que esse mundão vai só deus na causa aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, a História de Georges Duby, a literatura de George Orwell & Alfredo Flores, Nietzsche e a psicologia, a pintura de Balthus, a música de PJ Harvey,a fotografia de Marta Maria Pérez Bravo & Richard Murrian, A dona da História de João Falcão, a arte de Marco Cochrane, a entrevista de Virna Teixeira, O infortúnio da prima da vera & Quando a bronca dá na canela, o melhor é respirar fundo à flor d’água pra não morrer afogado aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina e coreógrafa Márcia Haydée.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Hoje é Dia de Monteiro Lobato & Dia Nacional do Livro Infantil.
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terça-feira, fevereiro 02, 2016

SANTA FOLIA, CHAUÍ, DARWIN, JAMES JOYCE, RODIN, MATISSE, GRAÇA GRAÚNA, CIKÓ, IRINA COSTA, ACERVUM & MUITO MAIS!!!

FOLIA TATARITARITATÁ: SANTA FOLIA (Imagem: Arte-vídeo da saudosa Derinha Rocha) Era início dos anos 1990, quando o parceriamigo Cikó Macedo me entregou uma melodia para apreciar. Dei uma arrumada e emplacamos a primeira parceria: Sede. Essa canção foi incluída no álbum Edição Extraordinária que ele gravou com Zé Linaldo Martins. Tempos depois ele me entregou um frevo. Tome tempo, um ano, dois. Quase todo dia eu pegava na melodia e dava uma sapecada na letra. Não gostava, lata do lixo. Queimei as pestanas para letrar a frevada boa. Enganchei de não gostar de nada que colocava ali. Deixei de mão. O tempo passava e eu sem acertar a mão na roda. Veio, então, a Copa do Mundo de 1994 e resolvi assistir Brasil e Holanda – o único jogo que vi da seleção no certame. Fiquei puto com a escalação, time retrancado, jogando na defesa. E quando vi o cansado Branco na lateral esquerda, no lugar de Leonardo que foi expulso contra os Estados Unidos, aí que perdi todas as esperanças de que chegasse a ser campeão. O jogo estava zero a zero, logo 1x0 pro Brasil, E mais um, 2x0. Mal comemorava quando vi quando o locutor da televisão falar 2x2. Oxe? O Brasil fez dois a zero agorinha?! Pois foi. Comemorava o segundo gol do Brasil, quando a Holanda fez dois somente na comemoração do segundo. Pode? Pois foi, o time dormiu e eles aproveitaram o cochilo. Coisas do Brasil, né? Aí que me desinteressei e fiquei tomando umas e outras, torcendo escondido, roendo as unhas, deu de aparecer uma no campo adversário. Eu já estava arretado com o cara quando ele pega a bola pra bater. Pra mim, aí fodeu. Esculhambei o cara e tudo. Na verdade, o cara mancava em campo. Mas era falta a favor do Brasil. Resolvi relaxar e tomar mais uns goles. Quando o tal do Branco deu um chute, um teiaço – como a gente dizia nas peladas do campinho de barro da Cohab I -, Romário e o zagueiro holandês saíram da bola e ela foi descansar no fundo das redes: Brasil 3x2 na Holanda. Gente, a inspiração bateu na hora! Escrevi a letra da música do Cikó que ficou Santa Folia: Quero ver o frevo na praça / Pra massa viver feliz / Segura a graça / Na raça / Na taça esse triz / Quero pular feito louco / Tão broco de endoidecer / Hoje a folia começa / E vai amanhecer./ E nessa noite vadia / Eu sinto essa fantasia / Esse momento mais terno / Até o sol raiar / E nessa vida eu queria / Pra reforçar no meu dia / A vontade mais certa da gente brincar / Que não fique tarde / Pra toda verdade / Poder ainda vir nos alcançar / A nossa santa folia no ar / E muito mais se quiser / A noite é festa pra se pular / Nos braços de uma mulher! Esse frevo foi incluído no álbum De janeiro a janeiro (1996), do Cikó Macedo. (Veja o clipe aqui). Em 2010, ele me enviou uma leva de temas para frevo, ao todo nove melodias. Até hoje não consegui dar por fechado. Se com um eu passei um tempão, imagine nove. Deus dará e ainda fecharei tudinho. E vamos aprumar a conversa aqui.

Veja mais:

PICADINHO
Imagem: Odalisque relaxing in a chair, do pintor francês Henri Matisse (1869-1954). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Salt (Righteous Babe, 2004), do cantor, guitarrista, compositor e produtor musical estadunidense Arto Lindsay.

EPÍGRAFEStruuggle for life, expressão extraída do livro A origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida (Escala, 2009), do naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809 — 1882), referindo-se à condição de que todos os seres lutam pela vida, sobrevivendo os mais aptos, tornando-se corrente como luta pela vida. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REPRESSÃO SEXUAL – No livro Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida (Brasiliense, 1991), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí, encontro que: A repressão sexual pode ser considerada como um conjunto de interdições, permissões, normas, valores, regras estabelecidas histórica e culturalmente para controlar o exercício da sexualidade, pois, como inúmeras expressões sugerem, o sexo é encarado por diferentes sociedades (e particularmente a nossa) como uma torrente impetuosa cheia de perigos [...] As proibições e permissões são interiorizadas pela consciência individual, graças a inúmeros procedimentos sociais (como a educação, por exemplo) e também expulsas para longe da consciência, quando transgredidas porque, neste caso, trazem sentimentos de dor, sofrimento e culpa que desejamos esquecer ou ocultar. Veja mais aqui e aqui.

ULISSES – No livro Ulisses (Civilização Brasileira, 1966), escritor irlandês James Joyce (1882-1941) – presente que ganhei do poeta Afonso Paulo Lins -, destaco o trecho que: [...] A verdade, cospe-a fora. Eu o quereria. Eu tentaria. Não sou um bom nadador. Agua fria fofa. Quando eu metia a cara nela na bacia de Clongowes. Posso ver não! Quem está atrás de mim? Fora, rápido, rápido. Vês a maré enchendo de todos os lados rápido, laminando rápido os bancos de areia castanha-decaucoloridas? Se eu tivesse terra debaixo de meus pés. Quero que seja sua vida ainda sua, a minha seha minha. Um homem afogado. Seus olhos humanos berram para mim no horror de sua morte. Eu... Com ele juntos no fundo... Eu não podia salvá-la. Águas: morte amarga: perdida. Uma mulher e um homem. Vejo a saiota dela. Arregaçada, aposto. O cão deles equipava por um minguante banco de areia, trotando, fungando por todos os lados. Procurando algo perdido em vida passada. [...]. Veja mais aqui e aqui.

DA HUMANIDADE LEVADA PELAS ÁGUAS – Entre as poesias da escritora Graça Graúna, destaco o poema Da humanidade levada pelas águas (Em memória de Aylan Kurdi): Viver é perigoso, / o poeta dizia. / Assim mesmo insistimos / em fazer a travessia. / Viver é perigoso, / mas seguimos / vestidos de coragem / na ânsia de encontrar / o olhar generoso / o abraço apertado / a mão amiga / que acolham os nossos sonhos... / Em meio à travessia / a humanidade / é levada pelas águas / e tudo que me fica / é uma tênue esperança / que se alastra pelo mundo / nos sonhos do pequeno anjo / de asas partidas. / Apesar das muralhas / e dos arames farpados, / o direito à Paz nos aproxima. / Viver é perigoso, / mas insistimos... Veja mais aqui e aqui.

MADEMOSIELLE GEORGE - A atriz francesa Marguerite-Joséphine Weymer, mais conhecida como Mademoiselle George (1787-1867), tornou-se a mais brilhante da cena francesa, começando na Comédie Fraçaise, na qual seu tio era secretário e seu pai era o diretor, atuando a partir dos cinco anos no drama e na ópera cômica. Na adolescência já era dotada de sensibilidade apurada, de uma maravilhosa e sonora voz, alcance e som, flexível e poderosa, estreando profissional em 1802, com Clitemnestra. Deu-se inicio ao triunfo geral torcendo que aliada à sua beleza como a sua voz, com dicção apurada e elegante, chegando ao auge com sua atuação Amenaide. Finalmente ela conseguiu o papel de Idame, o Órfão da China. Foi nessa época que ela se tornou a amante do Primeiro Cônsul Napoleão Bonaparte que lhe deu o apelido de Georgina, e tornou-se amiga de Alexandre Dumas e Victor Hugo. Ao ser abandonada pelo amante, seguiu para Rússia, onde sua vida entrou numa nova fase de honras, glória e riqueza. Seguiram-se inúmeros sucessos e ao retornar à França foi coroada de êxito. Veja mais aqui.

IT’S A WONDERFUL LIFE – O filme It's a Wonderful life (A felicidade não se compra, 1946), dirigido por Frank Capra, conta a história de um espírito desencarnado, candidato a anjo que, para ganhar suas asas, recebeu a missão de ajudar um valoroso empresário que se encontrava com grave problema financeiro, provocado por desonesto banqueiro e tinha a intenção de se suicidar. O aspirante a anjo foi encontrá-lo na véspera do Natal, à noite, prestes a saltar de uma ponte nas águas geladas que corriam embaixo. Fazendo-se visível e identificando-se, falou de sua missão e, sem nenhuma pretensão de demovê-lo da ideia, comentou que seria um desperdício, porque ele vinha sendo importante para muita gente. Ante o ceticismo de seu protegido, que se sentia um fracassado, o amigo espiritual mostrou-lhe várias situações que teriam acontecido se não fosse sua interferência. A morte do irmão, a tristeza da esposa, a situação lastimável de sua cidade entre outras. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz estadunidense Donna Reed (1921-1986). Veja mais aqui.

REVISTA ACERVUM - Está no ar a atualização da Revista Acervum – Suplemento Nacional de Literatura & Artes, editada pelo jornalista Mhario Lincoln. Esta edição é especial Luis Augusto Cassas, encartando a Revista Poética Brasileira com destaques para Jamerson Belfort, Osmarosman Aedo, Mariana Felix, Izau Neto, Luciah Lopez, entre outros. Traz ainda a entrevista com o poeta Eloy Melônio. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do escultor e pintor francês Auguste Rodin (1840-1917). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora portuguesa nascida em Angola e radicada no Brasil, Irina Costa. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
Veja aquiaqui.

 Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Ayn Rand, Elisa Lucinda, Lenine, Alina Zenon, Enrique Simonet, Paula Burlamaqui & muito mais aqui.


MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...