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quarta-feira, junho 09, 2021

LEWIS CARROLL, MARY LOU WILLIAMS, VIRGINIA LEAL & ESPELHO DANÇA.

 

 

TRIPTICO DQP – Do nada e outras... - Ao som do performático show de cabaré da lendária compositora, pianista e arranjadora estadunidense de jazz Mary Lou Williams (1910-1981), no Les Mouches em Nova York, 1978. - Ao deparar com o espelho: nem eu nem nada. Pelo menos, não tive que passar pela experiência de ter que dar de cara com um general obtuso, nem um ladrão sorrateiro, muito menos a morte inexorável. Graças! Ainda me pergunto como é que tudo isso foi acontecer justo comigo, logo comigo! Uma coisa estava certa: ou havia me tornado invisível de vez, ou seria um vampiro das costelas ocas. Só sendo. Essa a constatação. Até brinquei cantarolando: Espelho, espelho meu, afinal de contas, o que serei eu? Um delírio ou uma assombração, hehehehe. Vamos nessa. E ao chegar à sala, esta não era a minha: três vultos sentados num sofá que não era o meu. Fui ver quem. Ah, qual não foi a minha surpresa! O primeiro a se virar para mim foi Machado de Assis que logo me falou: A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito. Hem? O outro logo interveio, era Guimarães Rosa: Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo. Mal ele terminou de me dizer, logo apareceu Sacha Guitry que foi contando a história de um senhor que, ao sair às compras, virou-se da porta e perguntou à esposa o que ela queria que trouxesse: um pente. Este o pedido. No mercado, ele não se lembrava do pedido dela e adquiriu um espelho. Como ela nunca tinha visto aquilo, ao abri-lo, teve uma surpresa: pensou consigo que o marido havia comprado outra mulher. Com esta constatação, levou o objeto para mãe que também nunca tinha visto um troço daquele. Vôte! E ao fitá-lo, olhou, olhou, olhou, virou de ponta à cabeça, fez careta e... como mãe é mãe (né?): é sábia. Coisa mais sem pé nem juízo, ora. Como é? Bem, diante do trio fiquei sem saber o que fazer. O que sei é que aquela não era a minha sala de estar; era, soube por eles depois, a do deão do Christ Church College, que possuía um grande espelho sobre uma enorme chaminé. Teria eu, conforme as instruções que me foram dadas pelos visitantes, que subir o console da lareira, livrando-me dos vasos de flores secas protegidos por redomas vitorianas, e ao alcançá-lo, consequentemente, ultrapassá-lo para saber onde é que ia dar. Como é que pode uma coisa desta, hem? A minha longa jornada pelo espelho.

 


Dois sustos no imprevisível... - Ao atravessar o espelho, ele se dissolveu como uma bruma prateada. Estava diante de mim, ninguém mais nem menos que Lewis Carroll que, por recepção, foi logo me saudando amável e enigmaticamente: A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível. Nem deu para notar direito a ponta de sarcasmo que havia no seu jeito e fui imediatamente acompanhado de uma admoestação para que eu não me espantasse, explicando que ali era a entrada para o país do Espelho (!?!), o qual, quando visto, torna-se impossível descrever o cenário com precisão. Hum? Sim, realmente, impossível ter qualquer noção em um lugar em que foram abolidos tanto o movimento no espaço como a passagem do tempo: a prova tangível da refutação do espaço de Zenão. Eita! Além do mais, ali o tempo de cada um é diferente do tempo de todos: o tempo tanto corre para frente, como para trás. Vôte! Endoidou tudo! Assim, eu podia parar o meu tempo à vontade, independente do tempo do outro e nenhum prejuízo para ninguém. Então o que eu vi e senti não deu para contar, apenas vi e senti sim, nada mais. Coisa de doido, né? Pois é.

 


Três solfejos e nenhuma canção... - Já tive oportunidade de aqui publicar poemas de Virginia Leal: a cada leitura de seus cometimentos poéticos, um prazer indescritível, uma emoção inenarrável: e isso muito me apetece. Tanto é que virei assíduo apreciador de suas postagens e, a cada uma delas, lá estou eu como devotado admirador. Prova disso é que aqui já publiquei de sua autoria o Lascivus – da série Nauta Libidinosos –, afora outros dos seus poemas. Até comecei a musicar um deles e, mal começava a descobrir canções em seus versos, logo outro aparecia e lá ia eu solfejando melodias intermináveis. Cheguei a selecionar uns dez ou doze poemas dela, já definindo a linha melódica para cada um deles e procurando superar minhas limitações musicais para alcançar a grandeza do que expressavam. Fiz, refiz, me enganchei, desenganchando e recomeçando, quem sabe, de repente, eu consiga fazer uma música à altura dos seus poemas, espero, vamos ver. Mas o que quero falar aqui não é a respeito dessas minhas tentativas recorrentes e sim de um conto dela que foi responsável pela potencialização da admiração: o A bailarina, a atriz e a canção, extraído da antologia Contos de oficina – Oficina de Criação Literária (Bagaço, 2004), organizada por Raimundo Carrero, do qual pinço o trecho: [...] O artista esculpiu a sensibilidade da menina, antes enredada pela teia do drama que a fez ameaça, ovelha negra, problema. A menina-atriz ressurgida resgatou as histórias perdidas. Agora, havia interessados em suas verdades. Descobriu que é possível fazer do trabalho diversão. Sentiu-se de volta aos brinquedos infantis, enquanto seu corpo febril descobria outros prazeres. O tempo a lapidar cumplicidade, compreensão. [...]. Pois bem, mesmo que minha teimosia em musicar seus poemas não vingue por minha completa incompetência de alcançar a grandeza de sua arte, pelo menos, vou tentando e mais me deliciando com sua maravilhosa expressão. Até mais ver.

 

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sábado, maio 20, 2017

EDUCAÇÃO & TRIMEMBRAÇÃO DE STEINER, O MAGMA DE SAVARY & AS BAILARINAS DE MATISSE

Pensamento do escritor russo Isaac Asimov (1920-1992). Veja mais aqui.

QUANTO VALE UMA VIDA – Judilinho vivia desde menino na mesma ladainha: vencer a qualquer custo para ser gente na vida, não um fracassado. O pai carrancudo exprobrava: - Seja homem e vença na vida! O que é seu, é seu; o que é dos outros, é dos outros. Aprendeu? Achado não é roubado, cabeça de otário é marreta! De tanto ouvir a ranzinzice, aprendeu de cor e salteado todos os ditos e chistes do opróbrio popular. Na escola teve ampliado o seu repertório de descaramento: o sabido é que leva a melhor! Assim cresceu usurário e mão de figa, dando as costas pro que não lhe desse proveito: - O que ganho com isso? Ah, é? Então, 20%. A vida lhe ensinara a ser, a escola era só conversa mole, na prática não servia pra nada: - Se não tiver tirocínio, vive só de levar toque de arrodeio. Assim prosperou na base da agiotagem: - Caridade é na igreja, comigo é só ganhando nas costelas dos molengas! Fez um pé de meia, juntou uma meia água e passou a dormir com um olho fechado e outro aberto, pra não ser roubado e ter de voltar a ser pobre: - De novo, não! Vigilante inarredável, todo dia passava na porta do banco pra ver se estavam cuidando direito do seu suado dinheirinho: - Cuidem direitinho, seus cabras! Não bebia, não fumava, nem tinha lá tanta fé assim. Todavia, jogava, isso sim, do primeiro ao quinto, seca, do milhar ao terno, risco no chão e apostava por tudo: tinha o ganhador aberto. Diziam: - Esse nasceu de cu pra lua. Tinha lá suas superstições, cultivando pé de coelho, trevo de cinco pontas, mealheiro do lado, até cortava caminho dos azarados e dos pedintes: vai que a sorte se manda, avalie. Estava atento a tudo: telejornal, noticiário da rádio, telenovelas, manchetes de jornais, procurava entender de qualquer jeito a economia do país, a bolsa de valores, os investimentos, no frigir dos ovos, patavina por resultado. Que coisa! Contudo, uma coisa remoia no quengo: por que tanta violência? Pronde se virasse era assalto, furto, malversação, assassinato. Ficava aflito quando botava o pé na rua e ouvia do primeiro que encontrasse que agora mesmo uma senhora tivera sua bolsa roubada e um outro que reagiu levou um tiro entre os olhos e estava estendido no chão. Ele se arrepiava ao ver viaturas policiais pra cima e pra baixo aceleradas, só teatro, não diminuindo em nada os arrombamentos das casas, os furtos dos veículos, as mãos pro alto nas esquinas, andava temeroso. Tentava compreender a situação e não conseguia, foi aí que resolveu ter com o Doutor Zé Gulu, aboletado na mesa do canto de bar: - Doutor, por que tanta violência e roubalheira, hem? Gostava de ouvir as explicações do erudito, muito embora, muitas vezes saíra sem entender nada do que ele tinha dito. E insistiu na pergunta, sentando-se ao lado dele. De forma costumeira, o intelectual ajeitou os óculos no pau da venta, encostou-se mais na cadeira e começou o palavrório explicando que há milhares de anos haviam os aedos, os poetas da antiguidade, que cometiam seus ditirambos contando das façanhas dos vencedores! Que proezas eram essas? Tomadas de poder na marra, guerras usurpadoras, brigas familiares de reinados, violência de pai pra filho e vice-versa, ofensas e maledicências de todo tipo. Louros aos vencedores. Isso influenciou a vida de todo mundo e os escritores daquele tempo, criaram a Mitologia Grega para mostrar como se comportavam os ricos tidos como deuses e os pobres como humanos condenados aos caprichos deles. Tanto é que influenciou o Velho Testamento e outros livros religiosos. Pelo visto, desde a metáfora de Caim matar Abel e começar a acumulação, que a violência reina no mundo. Tudo sempre foi um conflito: Apolo versus Dioniso, razão versus emoção; Platão versus Aristóteles, fisicalistas versus animistas, Oriente versus Ocidente, bem versus mal, bom versus mau, ou lá ou cá, e a merda fedendo do mesmo jeito. Surgiu a lei pra reger a conduta humana, deu algum resultado? Sob a maior repressão, até o sexo era só para reprodução – e pelo que sei, salvo engano, foram os taoístas que alcançavam orgasmos sem ejaculação, valorizando ainda mais a reprodução. Adiantou alguma coisa? Passou-se o tempo e guerra pralí, invasão pracolá, violência crescente, intolerância, dissensão, golpes, invasões, desrespeito, servidão, privilégios para uns poucos, carestia para todos os demais, tanto matavam e, ao contrário, deu-se a superpopulação que os malthusianos tornaram escatalógica, surgindo a ideia do controle de natalidade. Alguém parou de pular a cerca? Quanto mais riqueza, maior miséria; do mesmo jeito, quanto mais lei e repressão, maior violência. O que tem haver o cu com as calças? Seguinte: alguma coisa mudou desde então? Hoje em dia, a mesma coisa. E o que estou tentando dizer é que de positivo por esses milhares de anos que existe gente na face da terra, só mesmo as extensões e próteses. Cuma? Sim, só isso. Esse homem está endoidando ou me fazendo de besta? Não, arrepare bem: aprendemos a escrita e a linguagem para nos comunicar, essa uma forma positiva pras nossas extensões, conversar, trocar ideias com o outro, dialogar, existir. Afora isso, só aprendemos mesmo a lascar a pedra por meio da técnica para as artes e tecnologias. Por isso, o que a gente fez de mesmo foi criar próteses, como automóveis, aviões, navios, computadores, celulares, óculos, armas, explorações, etc e o escambau, mais nada. De humano mesmo, tirante uma coisinha ou outra lá no meio do inventário de saúde pra doente, não avançamos nada: somos os mesmos e fazemos as mesmas coisas que nossos ancestrais há porrilhões de séculos e milênios faziam. Ainda hoje precisamos aprender a aprender no reino das dicotomias e paradoxos. Aos olhos vistos todo mundo parece hoje ser civilizado; porém, às escondidas, é o animal que prevalece. E quando a cabeça da piroca é quem pensa, vá ver: é merda certa! De fato, só nos tornamos mais hipócritas. Negamos ser preconceituosos, mas basta um espaço pra gente dizer uma frase e já se distingue o quanto somos dissimulados, arcaicos, conservadores, falsos e egoístas! Além do mais, a humanidade continua a mesma desde o tempo do ronca, tudo a mesma coisa com os podres de rico que usam de tudo e todas as formas escusas para manter e aumentar seus recursos, não precisam de leis porque são as próprias e tudo sob seu mando transnacional, pois o que ganham são só pra si e, quando muito, pros amigos e amigos dos amigos, ninguém mais: o resto que se foda; da mesma forma os mais ou menos de sempre que são espremidos, meio lá e meio cá, fazem de tudo pra ficar só lá temendo escorregar pra cá, medíocres burgueses que não se acham e não sabem como vivem ou como estão no meio de tantas ideologias; e a mundiça que somos nós pobres coitados, entre os sacrificados, os babaovos afilhados que são trampolineiros oportunistas, sectários cabeças de fósforos, os miseráveis e os Marias-vão-com-as-outras. Assim caminha a humanidade! Quando Judilinho ia abrindo a boca pra perguntar, entra esfuziante no recinto o folgado Gerdinaldo, riso largo, abraços pra todos, brinca com um, tira dedada em outro, acena pros demais, pede a bênção ao doutor Zé Gulu, faz uma mangação com Judilinho, toma uma pinga, chupa um caju e se despede. Com tudo voltando ao normal no ambiente, Judilinho tenta continuar o assunto, quando o doutor se levanta para ir ao mictório e, de repente, ouve-se um pipoco, gritos e correria. – Que é que houve? Todos saem pra ver e dão de cara com a cena: Gerdinaldo estirado entre a calçada e o meio fio, sangrando com um tiro na nuca. O rádio de pilha no bar anunciava cantarolando: Tá lá um corpo estendido no chão... © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A EDUCAÇÃO & TRIMEMBRAÇÃO SOCIAL DE STEINER
Educação e ensino devem tornar-se uma arte baseada no real conhecimento do homem.
Pensamento do filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), autor das obras A arte da educação: I – O estudo geral do homem, uma base para a Pedagogia, II – Metodologia e didática do ensino Waldorf e III – Discussões pedagógicas (3 vols – Antroposófica, 1999), defendendo a Trimembração Social: Liberdade para o Espírito, a Igualdade perante o Direito e a Fraternidade na Economia. A pedagogia Waldorf tem por princípios a Antropologia Evolutiva, pela qual a educação deve ser totalmente dedicada às necessidades do desenvolvimento da criança; ênfase na importância das artes e o amor pela natureza; inteligência manual com ensinamentos práticos facilitando o diálogo da criança consigo mesma e o aprendizado por meio de imagens que estimulam a capacidade de representação; o papel dos contos de fadas na formação do patrimônio cultural e como instrumento essencial para o crescimento das crianças e compreensão das suas emoções; pedagogia curativa voltada para a educação terapêutica e terapia social, considerando as imperfeições físicas, psíquicas e espirituais dos indivíduos; emulação e experimentação, pelas quais as crianças aprendem por imitação; professores como educadores, entre outros princípios. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Quando renasci pra vida depois de morrer pela primeira vez, Moll Flanders de Daniel Defoe, Presenças de Otto Maria Carpeaux, o teatro de Hugo von Hofmannsthal, a música de El Hadj N'Diaye & Érica García, Hope 2050, a pintura de Antonio Dias & Xul Solar aqui.

E mais:
O pavor dos acrófobos à beira do abismo, o pensamento de Comenius, A jornada do poema de Margaret Edson, a música de Leoš Janáček & Kamila Stösslová, Toponimia pernambucana de José de Almeida Maciel, a poesia alemã de Olívio Caeiro, a pintura de Pierre Alechinsky & Philip Hallawell aqui.
As ideias do doutor Zé Gulu aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A violência aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O pensamento de Isaac Asimov aqui.
A arte do pintor e escultor Henri Matisse aqui, aqui, aqui & aqui.
Vamos aprumar a conversa: pedagogia & Brincarte do Nitolino, A mulher de trinta anos de Honoré de Balzac, o teatro de Nelson Rodrigues, Desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson, Os doze gozos de Maria Teresa Horta, a música de Joe Cocker, a arte de Lucelia Santos, a pintura de Eugène Delacroix & Paul Nash aqui.
Vamos aprumar a conversa & George Kelly, A natureza do preconceito de Gordon Allport, a poesia de Alexander Pope, Capital Federal de Artur Azevedo, Repertório selvagem de Olga Savary, a música de Naná Vasconcelos & Uakti, a pintura de Henri Rousseau, a arte de Ana Botafogo, o cinema de Mike Nicholson & Natalie Portman aqui.
A oniomania & o shopaholic, o pensamento de Mestre Eckhart, Guia dos perplexos de Moisés Maimônides, a poesia de Píndaro, o Catatau de Paulo Leminski, a arte de Gilton Della Cella & Programa Tataritaritatá aqui.
O ritual do amor & a pintura de Jacqueline Ripstein aqui.
Tataritaritatá no Palco Aberto aqui.
Literatura de cordel: A mulher, de Oliveira de Panela aqui.
As trelas do Doro: A capotada do guarda aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o muxôxo dá num engasgo, o peso enverga o espinhaço de chega ficar de venta esfolando no chão aqui.
Ada Rogato & Todo dia é dia da mulher aqui.
É pra ela & Crônica de amor por ela, Ofício de escritor de Ernesto Sábato, Guerra e paz de Liev Tolstói, Soneto de amor de Pablo Neruda, a música de Heitor Villa-Lobos & Rosana Lamosa, o pensamento de Horácio, o teatro de Délia Maunás & Magali Biff, o cinema de Aluizio Abranches, Julia Lemmertz & Alexandre Borges, a arte de Aurélio D'Alincourt & Alipio Barrio, Michelle Ramos & Zine Brasil aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

O NOME NO MAGMA DE OLGA SAVARY
Diria que amor não posso
dar-te de nome, arredia
é o que chamas de posse
à obsessão que te mostra
ao vale das minhas coxas
e maior é o apetite
com que te morde as entranhas
este fruto que se abre
e ele sim é que te come,
que te como por inteiro
mesmo não sendo repasto
o fruto teu que degluto,
que de semente me serve
à poesia.
Poema Nome, extraído da obra Magma (Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1981), da escritora paraense Olga Savary. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As bailarinas do pintor e escultor francês Henri Matisse (1869-1954).
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


terça-feira, abril 18, 2017

LOBATO, CHAUÍ, MÁRCIA HAYDÉE & O VEXAME NO XAMBREGO!

O VEXAME NO XAMBREGO – Zé Corninho não dá uma dentro, tudo sai errado. Mesmo não tendo como, ele desanda no desserviço. Até no dia que a patroa dele faz tudo pruma noite pra lá de festiva, a coisa finda no maior rebuliço. Foi assim: era uma sexta feira de comemoração, um assustado promovido pela vizinha pros casais fazer as pazes. A mulherada se reuniu na maior deliberada sobre uma noite apimentada com seus respectivos maridos e deram asas à imaginação. Tudo que queriam era dar uma amarrada cativa no funcionamento deles na hora do rala-e-rola,. Como eles andavam devendo no comparecimento, elas resolveram usar de recursos criativos pra coisa na horagá pegar fogo. Festinha, bebidas, afrodisíacos e, sobretudo, provocações eróticas regadas a utensílios escolhidos a dedo numa dessas lojas de prazer. Lá foram em comitiva, reviraram tudo pelo avesso e saíram às risadinhas sacanas, cada qual com sua estratégia romântica e maledicência no juízo: - Hoje ele me paga! Quando a noite desceu, deu-se o combinado: elas se banharam, sapecaram as roupas mais provocantes – decotes ousados, lascão na saia do tornozelo ao bico do pinguelo entre as coxas, cinturinhas a pulso de pilão espremidas por cintas arrochadas, unhas pintadas, maquiagem excessiva, cabelos alisados na marra, saltos altos, perfumes fortes e muito espalhafato. Quando os distintos chegaram – alguns já levados de bebum aos tombos -, foram todos lavados, ajeitados e embecados conforme o gosto da distinta. Tudo pronto, juntaram a reca toda na casa da vizinha e deu-se o maior rastapé até altas horas. Zé Corninho que sempre foi o maior pé de valsa, fez a dança não só com a dele, mas com a de todos, findando, pelo remexido de coxas e passos no maior xambrego, numa situação paudurescente, dele ser tratado aos beliscões, tapas, empurrões e juras vingativas. Parecia o fim da festa, mas não. As madames não queriam perder a viagem e cada qual se aboletou no maior chamego com o que era de seu, mandando ver no desfile. O que era pra ser uma noite romântica inesquecível, encaminhava pra mangação. Aí elas perderam a paciência e partiram pros finalmentes: cada qual rebocou seu traste pro seu ninho de amor. Aí que começou a dar errado mesmo. É que, por exemplo, a distinta esponsal do Zé Corninho achou de colocar umas bolinhas na perseguida dela e um anel peniano nele, coisa que nunca usaram, nem sabia como era mesmo e, no começo, parecia até que ia vingar pra lá de bom. Destá. Quando o vuque-vuque começou a rolar, a coisa não saiu lá como o previsto: as bolinhas colaram na parte interna dos beiços vaginais dela e o anel nada funcionar direito. Aí começou o como é que faz isso, como é que tira isso,e nada de dar certo. Só vexame e vira e mexe e, cada vez mais, piorando. A hora se passando, os dois agoniados, ele a ponto de ter um troço, resolveram correr pro hospital. Lá chegando deram de cara com a desgraça: além de todos os conhecidos estarem testemunhando a desandada, também os casais vizinhos já estavam sendo atendido na emergência. Vixe, deu tudo errado. Era um casal nu engatado de não se soltar enrolado no cobertor, era outro com vibrador entalado no rabo, mais outro com um preservativo engasgado na garganta, a enfermaria em polvorosa, os médicos com ar de doidos, a mundiça toda às gargalhadas, Zé Corninho e a mulher reclamando de dor, até que chega a sua vez, levam um pra cada lado, vão cuidar da mulher dele na maior zoadeira, enquanto ele se contorcia deitado na maca e a enfermeira quando viu que ele ainda está em estado interessante, aboticou os olhos no pintão do rapaz de sair gritando por socorro rua afora, o que muito ampliou sua aflição, vez que o hospital virou maior pandemônio, acarretando a intervenção de polícia, bombeiro e muuuuuitos curiosos. Se ele já estava morrendo de dor, ia agora bater as botas de vergonha, agoniado, morre mas num morre, agarrado pelo pescoço pelo atentado ao pudor, até que um médico bebaço aparece para resolver a situação. Pronto, depois do maior vexame, tudo esclarecido, todo mundo estropiado e a noite que era pra ser daquelas para lá de tórrida de gozo, findou mesmo num coro de ais e uis madrugada adentro por toda vizinhança. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

[...] Se nascemos numa sociedade que nos ensina certos valores morais – justiça, igualdade, veracidade, generosidade, coragem, amizade, direito à felicidade – e, no entanto impede a concretização deles porque está organizada e estrutura de modo a impedi-los, o reconhecimento da contradição entre o ideal e a realidade é o primeiro momento da liberdade e da vida ética como recusa da violência. O segundo momento é a busca das brechas pelas quais possa passar o possível, isto é, uma outra sociedade que concretize no real aquilo que a nossa propõe no ideal. [...] o terceiro momento é o da nossa decisão de agir e da escolha dos meios de ação. O último mento da liberdade é a realização da ação para transformar um possível num real, uma possibilidade numa realidade. [...]
Trecho recolhido da obra Convite à Filosofia (Ática, 2004), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Padre Bidião & Doro discutem o reino do Fecamepa, a literatura de Tariq Ali, a música de Karin Fernandes, a pintura de Sigmar Polke & Orly Cogan aqui.

E mais:
As presepadas do Zé Corninho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Monteiro Lobato aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro de Jerzy Grotowski, a poesia de Antero de Quental, a literatura de Patrícia Galvão – Pagu & Monteiro Lobato, a música de Uakti & Sacudindo Choro, a pintura de Jean-Baptiste Debret, o cinema de Norma Benguel & Carla Camurati aqui.
A menina dos olhos do bocejo eterno, a pintura de Aldo Palazzolo & muito mais aqui.
A professora, A sociedade da mente de Marvin Minsky, A lenda do mel de Ralph Whiteside Kerr, o teatro de Henrik Ibsen, a música de Lenine, a poesia de Columbina - Yde Schloenbach Blumenschein, a pintura de Carlos Leão, o cinema de Jean-Jacques Beineix & Valentina Sauca aqui.
A poesia & a música de Bee Scott aqui.
Dificuldades de aprendizagem da língua portuguesa aqui.
Aurora, a canção, A natureza humana de Alfred Adler, Zaratustra & Friedrich Nietzsche, A logoterapia de Viktor Frankl, a poesia de Gregory Corso, o teatro de Tennessee William, a música de Hermeto Pascoal, a pintura de Gaston Guedy, o cinema de Pedro Almodóvar & Leona Cavalli aqui.
A literatura de João Guimarães Rosa, a poesia de Affonso Romano de Sant´Anna, a música de Dmitri Shostakovich & Mstislav Rostropovich, o teatro de Maria Helena Kühner, o serviço social de Marilda Vilela Yamamoto, Pra Frente Brasil, a arte de Gloria Swanson & a pintura Albert Marquet aqui.
Espera, A condição humana de Karl Jaspers, A crise das ciências de Hilton Japiassu, a literatura de João do Rio & Marquês de Sade, a música de Regina Schlochauer, o teatro de Dario Fo, a entrevista de Bráulio Tavares, a pintura de Anthea Rocker & Aaron Czerny, a fotografia de Herbert Matter, a arte de Ghada Amer, a escultura de Diogo de Macedo, Jazz & Cia Grupo de Dança, Dicionário Tataritaritatá, O que sou de praça na graça que é dela & O brasileiro é só um CPF Fabo arrodeado de golpes por todos os lados aqui.
De golpe em golpe a gente vai aprendendo, O coração humano de Goethe, Iniciações tibetianas de Alexandra David-Néel, O trabalho de André Gorz, a música de Franz Schubert & Mitsuko Uchida, a escultura de Horatio Greenough, a arte de Lygia Clark & Marina Abramović, A prática e a teoria de José Paulo Netto, a fotografia de Carl Warner, a arte de Simone Spoladore & Laura Barbosa & John Currin, o cinema de Mohsen Makhmalbaf, a coreografia de Anna Halprin, a entrevista de Tchello d’Barros, Oficina de Cordel, Vitalina & Tomé: o vexame da maior presepada & Do jeito que esse mundão vai só deus na causa aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, a História de Georges Duby, a literatura de George Orwell & Alfredo Flores, Nietzsche e a psicologia, a pintura de Balthus, a música de PJ Harvey,a fotografia de Marta Maria Pérez Bravo & Richard Murrian, A dona da História de João Falcão, a arte de Marco Cochrane, a entrevista de Virna Teixeira, O infortúnio da prima da vera & Quando a bronca dá na canela, o melhor é respirar fundo à flor d’água pra não morrer afogado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina e coreógrafa Márcia Haydée.
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Hoje é Dia de Monteiro Lobato & Dia Nacional do Livro Infantil.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

FREVO DO MUNDO, MÁRIO HÉLIO, RECIFE & BIRITOALDO

Folia Tataritaritatá. Veja os vídeos aqui.

A FOLIA DO BIRITOALDO DESANDOU NO CARNAVAL - Biritoaldo resolveu dar as caras depois de longo sumiço. – Onde andava esse menino, hem? Quem sabe, ora! Quando as gaias dele dão curto-circuito, o cabra desaparece de ninguém vê-lo, parece mais que envulta e desenvulta assim do nada, ora. Pois é, ele indagorinha saiu do armário e se inscreveu no bloco dAs Puaras. Cuma? E foi? Vai dar o que falar. E deu, de chapa com a desconfiança dos organizadores entre si: - Será que esse é macho mesmo? Sei não. De soslaio ficou ele sendo investigado dos trejeitos aos afazeres – como queriam tudo preto no branco, nada melhor que perseguir seus mínimos passos e gestos, vai que ele baitolasse às escondidas, aí seria de vez sustado, excluído e sacudido pra sempre da agremiação carnavalesca. Não obstante, mesmo com a inscrição abonada sob suspeita, ele queria era se esbaldar pela primeira na vida de folião. Assim foi e na última sexta ele chegou na hora do esquente, uma espécie de alongamento pro treino: pulo na vara. Lá estavam todos os cuecas horrorosamente bêbados e vestidos de mulher, maior inhaca e cada um mais tristemente ocrídio que o outro. Era de dar medo a feiúra de tanta mocreia esquisita. Destá. Quando Biritoaldo deu o ar graça, explodiu a mangação: - Até pra ser feio esse é horrível! Coisa de sujos falando de um malavado. Diziam, então, que para uma drag queen, estava a pior das piores. Não tinha quem se aguentasse de pé tanto de rir, mãos aos buchos embolando no chão pra não estourar. Meio que descabreado insistiu: - Qual da vez? Vai pular vara assim mesmo? Vou. Quero ver a desgraça. E lá foram cada qual sarrafo na mão, bunda de fora, fazendo carreira e tentando pular 1, 2 e, mesmo que nenhum deles conseguisse superar nem meio metro, queriam, por fim da força, que pulassem mais de 3 de altura. Só ovação e pilhéria, a lapada dos quequéos passava já dos limites, resultando mesuras e trapalhadas mais pra videocassetadas que para competição inconveniente. A coisa já se bandeava pra extravagância de biriteiros que não tinham mais o que fazer de tão chamuscados pela carraspana, além de trocar as pernas em apostas fúteis e inúteis que, no final, não davam em nada, a não ser na comemoração do carnaval de doidos nas viradas da teibei queimando tudo garganta adentro, do espinhaço ao solado dos pés. A maior presepada pra dedadas e licenciosidades aprumadas no furico um do outro, isso sim. Mas chegou a vez de Biritoaldo sob o maior coro de “bicha”, pegar o mastro, se atrapalhar todo e se estatelar desacordado com a vara enfiada no rabo. Vixe! Oportunidade dessa ninguém da tropa perde, né? Eita! Pintaram e bordaram com o desinfeliz, transformaram-no em exagero descomunal que serviu de atração pro desfile: um boiola bêbo por andor. Como era a primeira vez dele, perdeu a viagem. Olha o cara, meu? Quem é? Aquele perdeu o bonde! E tome presepada! Quando acordou estava estirado no meio-fio quase pisoteado pelo zoadeiro dos foliões do Galo da Madrugada. Como? Oxe! Foi tomando pé da situação e se sentindo estranho no meio daquela folia. Onde estou? Não sabia. Tentou se levantar e sentiu uma dor danada no frosquete; passou a mão e um líquido viscoso saiu-lhe do procto: - Porra, fui arrombado e nem vi! Arretou-se! Maldisse a vida e a alma de todos os viventes e mortos! Passou o dedo indicador pra ajeitar as pregas do rabo, doíam-lhe do osso do mucumbu até o toitiço! Ajeitando-se de banda pra não magoar mais de tão dolorido, conseguiu levantar-se aos tombos, encostado num poste pra tomar jeito de andar, botou o pé pra frente, cambaleou zonzo e deu fé: estava na Avenida Guararapes, no Recife: - Danou-se! Andei mais de 120 quilômetros e nem vi nada. Daí a pouco só ouviu: - Olhele! Olhele! Intrigado gritou: - Olhele o quê, camboio de viado? Olhele! Olhele! Qualé, quer briga, é? E cantaram: Um recruta desavisado, só sai de cu esfolado! Se freva desengoçado, pode ver que é viado! Que frevo mais bosta, passo tudo na munheca, seus frescos! Nem terminou de falar e foi levado aos empurrões por uma avalanche de gente, perdendo-se no meio da frevança, de só se achar vinte e quatro horas depois totalmente desmiolado em lugar incerto e não sabido. Vôte! Isso é que é carnaval? Quero mais não, quero mais não. Queria era ir pro seu lar e só achou o caminho da casa da peste! Como ainda é segunda-feira, a gente só vai saber daqui mais uns dias o paradeiro dele. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

 Curtindo o álbum Frevo do mundo (Candeeiro Records, 2008), com participação e releituras modernas de frevos por Edu Lobo, Céu, João Donato, Mundo Livre S/A, Siba e a Fuloresta, Cordel de Fogo Encantado, Orquestra Popular Bomba do Emetério, entre outros.

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Acender velas, violas,
Aos mistérios e crendices
Do teu povo inquieto que pasma
Como rastro no rosto
Na aresta da atlética civilização! [...].
Trecho do poema Arrifes, do poeta, jornalista e crítico literário Mário Hélio, recolhido da antologia Poesia Viva do Recife: 100 poetas vivem, amam e eternizam a cidade (CEPE, 1996), organizada pelo poeta, editor e agitador cultural Juareiz Correya.

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