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quarta-feira, setembro 13, 2023

SVETLANA ALEXIEVITCH, NIDIA MARINA VÁSQUEZ, HAROLD BLOOM & BALDRAMES DE BAUDELAIRE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Hommage à Nadia Boulanger (2005) e Depuis 1904 J'enseigne La Musique (Hughs Desailes, 1973), destacando as pelas Trois pièces pour piano: Pièce No 1 in D-Minor (1914), Désespérance (1902), Poème d'amour (1907) e Fantaisie pour piano et orchestre (1912), da compositora e educadora francesa Nadia Boulanger (1887-1979). Veja mais aqui.

 

OUTRESTÓRIA DE NOIT&DIAS... - No meio do caminho havia outra pessoa e como tenho a mania de falar sozinho por arrebetados noit&dias com suas mortalhas indesejáveis, queixas longínquas e chagas incuráveis, sem data nem mapa, não me dei conta logo. Ali eu me via na poça pelos descampados da solidão assombrosa e a viver do jeito que podia e desse – era diante do espelho que eu controlava o inimigo aos ditirambos avulsos para exaurir o porvir convulso pelos introitos de rebotalhos – o poeta não para de sonhar jamais, porque os mortos não mais amam, embora tenham sido e serão sempre. Foi então que ela apareceu-me Sigrid Undset: Todos os meus dias desejei igualmente percorrer o caminho certo e seguir meu próprio caminho errante... Ninguém e nada pode nos prejudicar, criança, exceto aquilo que tememos e amamos... Ante minha solidão e dela o dentro e o fora e o que ardia nada impropriamente espreitava porque a lua se escondeu em mercúrio e se aproximava de marte, igualmente eu perdido numa encruzilhada. Ela me falou dos analectos de Confúcio: a arte da arquearia sem disputa nem ou eu ou ela. Curvou-se porque era eu o seu oponente e mutuamente emergiu o convite para bebericarmos a festa dos ninguéns – havia de retificar o coração com o arco e a flecha deloutra na prática de construir a humanidade. Nem tão lacônico disse-lhe que não seria jamais servo da ambição alheia nem da minha, e não pedi ajuda para minha pobre alma, corvo Poe; nem perguntei se alguém me entendia, James Joyce; nem fiquei num quarto de hotel, O’Neil; nem amei tantas coisas e pessoas, Tolstoi. E digo mais: não pedi que afastassem as pastilhas de Lewis Carol, nem dormi o sono de Byron, nem senti o frio de Truman Capote. E mesmo que quisesse não me serviriam uma taça de champanhe, Tchekhov. Ela, então, caminhou Emily Dickinson pelo nevoeiro que aumentava e quantas vezes não me vi sozinho no topo do Chomolugma: nenhuma autocompaixão no meu périplo, porque mesmo que olhos não vissem os sentidos desconheceriam. Poderia ser diferente, quantas escolhas no caminho para o autoconhecimento profundo entre sambaquis que apareceram no Orbe Dourado do Alaska, o inacessível à palma da mão. Era ela agora Grazia Deledda: Todos mudamos, de um dia para o outro, através de evoluções lentas e inconscientes, vencidos por aquela inelutável lei do tempo que agora deixa de apagar o que escreveu ontem nas misteriosas mesas do coração humano... Talvez eu seja mesmo um caso incurável e precise sempre retornar ao local de nenhuma saudade, só porque lá não há mais amizade nem preciso procurar por mim nem ninguém, porque fora de prumo e esquadro entre nomes infames sem que nada possa desacreditar, porque nunca aprendi a arte da fuga, deveria ter ido há mais tempo sem ter nem pra onde. Ela agora Selma Lagerlöf: Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar... A alegria é a dor que se dissimula - à face da Terra só existe a dor... Bem dito. Tudo fiz do que não foi feito nem será – se eu tivesse o mar seria outro. Até agora nada, sou apenas um bêbado solitário sem nome e faço o que posso: sincero consigo e mutuamente com todos - a boca mandarim ao ouvido. E a noit&dia seguinte olhava a lua sem distância. Num dar de olhos ela me deu o favor de seu amparo, um talismã ao anoitecer para que no sonho dela eu sonhasse. E suas asas multicores roçaram minha face e seus beijos eram santo remédio fulgurante para que eu pudesse entrar no frescor de seu corpo em festa toda vida com a fúria de sua fome de mulher. Dali não perdi nenhum de seus passos, mas a vida é a vida, não outra coisa. E como se eu tivesse sido aniquilado por um raio numa causa perdida, mais que apenas grato eu pude viver mais que o merecido e ela me deu. Até mais ver.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

ISTO NÃO É UM PAPEL: Há várias coisas aqui que são impossíveis de ver: \ um corpo etérico matéria escura, hologramas a serem deduzidos. \ Uma visão sem olhos, espéculo da minha mão esquerda. \ Tiro o pó das páginas em branco, \ Eu não tenho ideia de onde eles vão parar depois do tiro perolado isso sai dos meus dedos. \ Isto não é um papel, e se for, será exposto ao esquecimento, \ à poeira contínua que assenta nos meus olhos e muda de rumo.

REGISTRO: Aqui está meu corpo, movido pelo sopro do tempo. \ Aqui a tentativa das palavras, e a memória do centro cerziu tudo: \ para o estrangeiro, esquecido para a memória ao sublime e ao profano, \ para o bando ao qual eu pertencia antes de andar sobre dois membros. \ Se eu não fosse mestiço se não tivessem me negado as línguas originais das minhas avós \ Eu saberia o que fazer com um kipu nas mãos ou com uma roda medicinal em locais sagrados. \ Eu saberia pronunciar meu nome em Nahuatl ou Quechua. \ Uma irmã me lê tarô e reconheço a reflexão fragmentada de vários continentes \ no meu sangue o eco de canções e histórias tão diferentes, \ em uma mancha de pigmento tecido na pele. \ As cicatrizes são tão antigas que caem umas sobre as outras. \ Multidões em meus poros eles cabem em um pôr do sol, batida após batida, códice após códice.

Poemas da poeta e artista visual costariquenha Nidia Marina González Vásquez.

 

VOZES DE CHERNOBYL - [...] A morte é a coisa mais justa do mundo. Ninguém nunca saiu dessa. A terra leva a todos - os gentis, os cruéis, os pecadores. Fora isso, não há justiça na terra. [...] Existe algo mais assustador do que as pessoas? [...] Não tenho medo de Deus. Tenho medo do homem. [...] Venha pegar suas maçãs! Maçãs de Chernobyl!’ Alguém lhe disse para não anunciar isso, ninguém as compraria. ‘Não se preocupe!’ ela diz. ‘Eles compram de qualquer maneira. Alguns precisam deles para a sogra, outros para o chefe. [...] Eu tenho medo. Tenho medo de uma coisa, que na nossa vida o medo tome o lugar do amor. [...] A realidade sempre me atraiu como um ímã, me torturou e hipnotizou, e eu queria capturá-la no papel. Então me apropriei imediatamente desse gênero de vozes e confissões humanas reais, evidências de testemunhas e documentos. É assim que ouço e vejo o mundo – como um coro de vozes individuais e uma colagem de detalhes do quotidiano. Desta forma, todo o meu potencial mental e emocional é plenamente realizado. Desta forma posso ser simultaneamente escritor, repórter, sociólogo, psicólogo e pregador [...] Chernobyl é como a guerra de todas as guerras. Não há onde se esconder. Nem no subsolo, nem debaixo d'água, nem no ar. [...] Mostre-me um romance de fantasia sobre Chernobyl – não existe nenhum! Porque a realidade é mais fantástica. [...] Muitas vezes ficamos em silêncio. Não gritamos e não reclamamos. Somos pacientes, como sempre. Porque ainda não temos as palavras. Temos medo de falar sobre isso. Não sabemos como. Não é uma experiência comum e as questões que levanta não são comuns. O mundo foi dividido em dois: há nós, os Chernobylites, e depois há vocês, os outros. Você percebeu? Ninguém aqui aponta que são russos, bielorrussos ou ucranianos. Todos nós nos chamamos de Chernobylitas. "Somos de Chernobyl." "Eu sou um Chernobylita." Como se este fosse um povo separado. Uma nova nação. [...] O homem convive com a morte, mas não entende o que ela é. [...]. Trechos extraídos da obra Voices from Chernobyl: The Oral History of a Nuclear Disaster (Picador, 2006), da escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievitch, Prêmio Nobel de Literatura de 2015 e autora de frases lapidares, tais como: Não há heróis na guerra. Assim que uma pessoa pega uma arma, ela não pode mais ser boa. Ela não vai conseguir. A morte é a coisa mais imparcial do mundo.

 

ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA - [...] A Influência Poética quando envolve dois poetas autênticos, fortes procede sempre por uma desleitura do poeta anterior, um ato de correção criativa que é, na verdade, e necessariamente, uma interpretação distorcida. A história das influências poéticas produtivas, que é a história da tradição central da poesia do Ocidente a partir da Renascença, é uma história da angústia e da caricatura autoprotetora, da distorção, do revisionismo voluntarioso e perverso, sem o que a poesia moderna, como tal, não poderia existir [...] Nenhum poeta moderno é um poeta da unidade, seja qual for sua crença professada. Poetas modernos são necessariamente e miseravelmente dualistas, porque essa miséria, essa pobreza é o ponto de partida de sua arte [...] Pode causar estranheza que opiniões de peso sejam encontradas em obras de poetas, e não de filósofos. A razão é que os poetas escrevem por meio do entusiasmo e da imaginação; existem em nós sementes do conhecimento, assim como há fogo na pedra; essas sementes são extraídas pelos filósofos por um esforço racional, mas os poetas as arrancam a golpes de imaginação, o que lhes confere um brilho redobrado [...] Já está na hora de abandonarmos o projeto fracassado de compreender qualquer poema como uma entidade isolada. Chegou a hora de nos lançarmos à tentativa de aprender a ler todo poema como a interpretação deliberadamente equivocada que um poeta, como poeta, constrói em relação a algum poema precursor, ou à poesia em geral [...] O desvio, ou clinamen entre o poeta forte e seu Progenitor Poético é executado pelo próprio ente do poeta posterior, e a verdadeira história da poesia moderna seria, assim, o registro acurado desses desvios revisionários [...] Só é propriedade do poeta aquilo que for capaz de nomear pela primeira vez [...] Uma vez que a poesia (como o trabalho do sonho) é mesmo regressiva e arcaica, e uma vez que o precursor não será nunca integrado ao superego (o Outro que nos rege), mas sim a uma parcela do id, a desleitura é natural para o efebo. Mesmo o trabalho do sonho é uma mensagem. ou uma tradução, e portanto uma forma de comunicação, mas um poema é uma comunicação deliberadamente distorcida, estropiada. É uma destradução dos precursores. A despeito de todos os seus esforços, um poema será sempre uma díade, e não uma mônada, mas uma díade que se rebela permanentemente contra o terror de uma comunicação unilateral [...] Todo poeta está preso numa relação dialética (transferência, repetição, erro, comunicação) com outro poeta ou outros poetas [...] A crítica aristotélica, ou retórica, ou fenomenológica, ou estruturalista é sempre redutora: o poema é reduzido a idéias, imagens, objetos ou fonemas [...] Todo poema é o desvirtuamento de um poema-pai. Um poema não é a superação de uma angústia, mas a própria angústia [...] Interpretação não existe: só existe a desinterpretação, e toda crítica é uma poesia em prosa [...] Poesia é angústia da influência, é desapropriação, é uma perversão disciplinada. Poesia é desentendimento, mal-compreensão, mésalliance [...] Cada poema é uma evasão não só de outro poema, mas também de si mesmo; o que equivale a dizer que todo poema é uma interpretação desvirtuada do que poderia ter sido [...] Minha tese, aqui, que aliás me desagrada, é a de que em sua askesis purificadora o poeta forte só tem consciência de si mesmo e daquele Outro que deve, afinal, destruir: seu precursor, que a esta altura bem pode ser uma figura imaginária ou composta, mas que continua a ser formado por poemas, poemas reais do passado, que não se deixam esquecer. Porque clinamen e tessera se esforçam para corrigir ou complementar os mortos, kenosis e demonização laboram para reprimir a memória dos mortos, mas a askesis é o embate propriamente dito, uma luta-até-a-morte com os mortos [...]. O artista é um Édipo cego, que não sabia que a esfinge era sua musa. [...] Trechos extraídos da obra A Angústia da Influência - Uma Teoria da Poesia (Imago, 1991), do professor e crítico literário estadunidense Harold Bloom (1930-2019), que em outra obra Como e porque ler (Objetiva, 1998), assinala que: [...] Recorro, novamente, a Emerson para definir o quarto princípio da leitura: Para ler bem é preciso ser inventor. O que, para Emerson, seria “leitura criativa” foi por mim chamado de “leitura equivocada”, expressão que levou meus adversários a crer que eu sofresse de dislexia. O fracasso, ou o branco, que tais indivíduos veem quando se deparam com um poema está em seus próprios olhos. Autoconfiança não é dom, mas o Renascimento da mente, o que só ocorre após anos de muita leitura. [...] Já na obra Poesia e repressão: o revisionismo de Blake a Stevens (Imago, 1994), ele expressa que: [...] O que o gnóstico sabe, o que ele conhece, é sua própria subjetividade e nessa autoconsciência procura a liberdade, que chama de “salvação”, o que pragmaticamente parece ser a liberação da angústia de ser influenciado pelo Deus judaico, a Lei bíblica ou a natureza. Os gnósticos estão próximos, por temperamento, tanto dos primitivos mágicos de Vico quanto dos poetas pós-iluministas; sua luta com as palavras que os separavam de sua própria palavra foi essencialmente a mesma de qualquer criador tardio contra seu precursor. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

BALDRAMES DE BAUDELAIRE

Entrou o poema em contato \ com fagulhas (amanhecendo) \ e amianto criminoso. E morreu. \ O poema vai às estrelas \ se o poeta parar de sonhar. \ Com medidas de som \ e aritméticas do verbo. \ As ondas cósmicas desaguam \ no pensamento humano...

Trecho do poema Insubstancial, extraído da obra Baldrames de Baudelaire – poética não recomendada para leitores avulsos ou, mesmo, até convulsos (CriaArt, 2023), do poeta Vital Corrêa de Araújo, organização e seleção do professor e poeta Admmauro Gommes. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



sexta-feira, julho 14, 2017

AL-GHAZZALI, MARLOS NOBRE, DALTON TREVISAN, GALINA USTVOLSKAYA, GILBERTO MENDES, KAZIMIERZ MIKULSKI, MIRIAM RAMOS & LUCIAH LOPEZ

É ELA TODAS AS MUSAS – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Ainda que não seja possível a poesia nesse tempo desfigurado de desumanos trajetos de pedras perdidas e que o coração desfaleça sedento à beira do charco que a solidão sitiou das lágrimas empoçadas, mesmo assim, isso eu sei, haverá o amor que emerge em flor no meio dos vendavais, atravessando imensos óbices e temporais pelas enxurradas de desejos indomáveis inflamando noites incendiadas de esperas na demorada ligação das pontas convergentes dos anseios mútuos e paralelos, quase desesperançados. Isso porque se sou a desolação que quedou diante das expectativas e dos sonhos inconclusos, ela se faz poeta qual Melpômene depondo sua grinalda a me entregar a clava do poder, entoando a voz Calíope que sai ao buril da tabuleta a se mostrar incorporada à lírica de amável Erato que me dá a lira pra que o canto seja renovado e todas as canções e poemas sejam meus. E mesmo que eu me veja abandonado ao ermo das posses e sem bússula para seguir em frente, ela chega a se revelar proclamadora Clio, a me expor com seu pergaminho todo passado indisfarlável, todo o presente de promessa e todo futuro de quimera na realização carnal que desde a véspera fez-se crástico pra me presentear agora. E mesmo que eu emudeça diante da esterilidade do silêncio com todas as mordaças e rouquidões, ela avança Euterpe a me embalar com a música de sua flauta ensolarada para que eu tenha o ânimo de recomeçar do zero e a mão no amanhã. E mesmo que eu esteja ao calor das paredes cruas e a vida afora, ela festeja Poliminia em mim todos os seus hinos sacros e profanos para que eu me faça festa na abundância de seus poderes e posses, como se tudo seu passase a ser meu. E mesmo que me precipite solitário entre recaídas sucessivas por sucumbências imprevisíveis, ela é mais que envolvente Terpsícore a rodopiar na dança embalada pelo plectro na lira, a me ensinar novos versos e cantares, até que eu exorcize minha loucura e possa entoar cordas harmônicas. E mesmo que eu tenha perdido a graça de tudo no transbordamento de aguados choros entre fracassos e fraquezas, ela me chega com o perfume das flores no seu sorriso Tália de ser para alegrar meus dias com sua coroa de Hera e bastão entre histrionices e chistes a me fartar de rir como se não mais houvesse ontens nem amanhãs pra mandar ver com despudor. E mesmo que eu tenha errâncias infindas por saldo na perda de toda e qualquer fronteira da lucidez e prumo, ela se revela Urânia a me entregar o céu e as estrelas, a vida no compasso e a posse da Terra, mesmo que sequer saiba o que fazer depois noites mal dormidas e dias nublados. E depois tudo, salvo de todas as quedas e precipícios nas saradas feridas dos talhos abertos, ela se despe de todas elas e das vestes para ser apenas ela a panacéia e o meu amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

O OCASIONALISMO DE AL-GHAZZALI
[...] Lembrem-se de seus contemporâneos que faleceram e tinham a mesma idade que você. Lembrem-se das honras e famas que eles obtiveram, dos altos postos que ocupavam e dos belos corpos que possuíam, e de que hoje todos eles se transformaram em cinzas. Como eles deixaram órãos e viúvas atrás de si, como sua riqueza está sendo desperdiçada depois deles e suas casas transformando-se em ruínas. Nem sinal deles existe hoje e eles estão deitados em buracos escuros debaixo da terra. Reconswtruam suas faces mentalmente e ponderem. Não depoistem esperanças em suas riquezas e não desprezem a vida. Lembrem-se de como eles andavam e de como agora todas as suas junta separaram-se, de que a língua com a qual falavam agilmente foi devorada pelos vermes e de como seus dentes estão corroídos. Eles estavam tolamente se provendo para mais vinte anos, quando nem mesmo um dia de suas vidas lhes restava. Eles nunca esperaram que a morte viesse para eles numa hora tão inesperada... Quando algo no mundo lhe agrada e nasce em você uma vinculação com isto, lembra-se da morte.
Trecho extraído da obra The revival of religions sciences (Sufi Publishing, 1972), do filósofo, teólogo, psicólogo e místico islâmico Al-Ghazzali (1058-1111), propondo a teoria do ocasionalismo

Veja mais sobre:
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Sociolinguística de Dino Preti, o teatro de Bertolt Brecht, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.

E mais:
A liberdade de expressão, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, A natureza de Parmênides de Eléia, Poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, a música de Badi Assad, o cinema de Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a escultura de Emilio Fiaschi, Programa Tataritaritatá, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O discurso do método de René Descartes, a música de João Bosco, o teatro de Denise Stoklos, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de Gustav Klimt, Sandra Regina, Bernadethe Ribeiro & Danny Calixto aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, A revolta de Atlas de Ayn Rand, A lua e o infinito de Giacomo Leopardi, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Maguerite Anzieu & Jacques Lacan: caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Os vexames dum curau no sul, O absurdo de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Pretidão de amor de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a música de Rosalia de Souza, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, a música da Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, A Setilha de Serrador, O casamento de Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a arte de Roberto Burle Marx. a xilogravura de Severino Borges, J. Miguel & Vermelho aqui.
Entre nós, vivo você, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Cancão de fogo de Jairo Lima, a poesia de Belarmino França, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Dos bichos de todas as feras e mansas, Cantadores de Leonardo Mota, O Romance da Besta Fubana de Luiz Berto, O martelo alagoano de Manoel Chelé, a música do Duo Backer, a escultura de Antoni Gaudí, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, a pintura de Henry Asencio, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da minha vida de Helen Keller, Anarquismo & ensaios de Emma Goldman, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso, Os Fofos Encenam & Viviane Madu, a música de Guilhermina Suggia & a pintura de Martin Eder aqui.
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AH, É? DE DALTON TREVISAN
Ao tirar a calcinha, ele rasga. Puxa com força e rasga. Vai por cima. Ó mãezinha, e agora? Com falta de ar, afogueada, lavada de suor. Reza que fique por isso mesmo. Chorando, suando, tremendo, o coração tosse no joelho. Ele a beija da cabeça ao pé — mil asas de borboleta à flor da pele. O medo já não é tanto. Ainda bem só aquilo. Perdido nas voltas de sua coxa, beija o umbiguinho. Deita-se sobre ela — e entra nela. Que dá um berro de agonia: o cigarro aceso na palma da mão. Mas você pára? Nem ele.
Ministória extraída do livro Ah, é? (Record, 1994), do escritor Dalton Trevisan. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especial do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre: Yanomami for choir & guitar com o Coro Cervantes, Passaglia for Orchestra & Três Cantos de Yemanjá for cello & piano; da compositora russa Galina Ustvolskaya (1919-2006): Symphony nº 2 & Poem nº 1; do compositor, regente, professor e jornalista Gilberto Mendes (1922-2016): Alegres trópicos, um baile na Mata Atlântica, Piano solo & Saudades do Parque Balneário Hotel com a OSESP; e da pianista Miriam Ramos interpretando o compositor, regente e flautista Octavio Maul & o maestro e compositor Ricardo Tacuchian. Para conferir é só ligar o som e curtir.

SÉTIMO DIA DE LUCIAH LOPEZ
Havia muitos anos desde que a Sentinela do Tempo - resignada - depositou na palma da minha mão, a Chave que Desdobra a Eternidade e todos as trombetas soaram e a chegada do dia estendeu-se em campo aberto unindo todos os planos celestiais. Uma lágrima escapando dos meus olhos transforma-se em diamante ganhando a credibilidade do Arauto de Todas as Verdades. Ambos, Sentinela e Arauto -, ajoelhados diante do Sol, quando em seu esplendor, corre o céu eclodindo a vida para dentro dos meus olhos -, outrora cegos, entoam cânticos reverenciando a Hora do Choro Que Não é Triste. Um raio do espectro solar faz dissipar um resto de nuvens que já cumpriram sua missão e o Leão de Pedra reluz...
Sétimo dia, poema/imagem da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, designer e desenhista polonês Kazimierz Mikulski (1918-1998).
Veja mais aqui.
 

sábado, julho 08, 2017

ANA BOTAFOGO, DONNA TARTT, TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO, ARTEMÍSIA GENTILESCHI, PAULA MORELENBAUM & SILÊNCIO DE EDJANE LEAL

OS MILAGRES DE ALAGOINHANDUBA – Um belo dia apareceu em Alagoinhanduba um sujeito que diziam atender pelo nome de Gideão. Ninguém sabia quem era, familiares, parentes, onde morava, nada a respeito de tal sujeito, apenas que ele aparecia nos momentos mais periclitantes oferecendo solução, desde que satisfizessem a condição por ele estipulada. Muitos depoimentos, boatos e testemunhos davam conta de ações milagrosas praticadas por ele. Não havia quem não acrescentasse um fato aos tantos já ditos e repetidos de boca em boca. O que se sabia era que se procurasse, jamais o encontraria; só aparecia assim do nada, quando situação iminente. Zé-Corninho mesmo presenciara certa feita, ao visitar um amigo de infância que finava desenganado de doença letal, quando soube que um estranho apareceu e disse que salvava o caso, desde que dessem a ele um prato de comida. Todos desconfiaram, mas entre eles, uma alma caridosa, independente da cura, deu-lhe a refeição. Após o repasto, ele entregou um pedacinho de papel devidamente enrolado pra pessoa que lhe dera a comida, determinando que pusessem amarrado a um cordão no pescoço do vitimado, que ele ficaria bonzinho de um dia pro outro. Com um detalhe: não podiam abrir, jamais, para não reverter o quadro. Nem deram bola pro que disse, porém, mesmo assim, não custava nada e assim fizeram. No outro dia, o enfermo estava saltitante e feliz, repetiu Zé-Corninho batendo o pé de raiva, diante das mangações. Nessa mesma hora Afredo Bocoió compartilhou dum caso semelhante que se deu com uma grávida que se encontrava, ela e o bebê, entre a vida e a morte, poucas horas depois do desconhecido ter comido um pedaço de bolo pedido, e de terem amarrado um papelzinho embrulhado no pescoço da parturiente, que logo ela deu a luz e o menino estava berrando que nem bode novo. Também Mamão entrou na conversa por ter sabido de um acidentado que estava morre mas num morre e que ficou bonzinho depois que amarraram um bilhetinho no pescoço dele, tanto que soube que poucas horas depois já estava correndo de motocicleta pra cima e pra baixo, como se nada tivesse acontecido. Oxe, isso é lorota, diziam muitos, quase todos incrédulos. Logo aparecia quem tivesse notícia de coisas assim parecidas que aconteceu pela redondeza. Quem é esse milagroso? Diz-se ser um tal de Gideão! Mora aonde? Ninguém sabe. Trabalha? Sei não. O que ele faz da vida? Quem sabe, ora! Cadê ele? Ah, dizem que ele só aparece em hora de extrema precisão. E o que tem dentro do bilhete? Nunca soube. Ah, isso tem coisa. Por que a gente não confere? Então, foram checar com pessoas que tiveram a graça. A primeira que souberam não estava em casa, porém os vizinhos confirmaram ter ocorrido o fato de verdade, que não sabiam nada a respeito do salvador. Partiram pra outra, havia viajado, contudo, confirmação de moradores da rua e do bairro todo deu por conta de fato verídico, mesmo que ninguém soubesse nada a respeito do já tido por santo. Vamos ver isso no amiudado. Assim fizeram, depois de muito rodarem no encalço, deram de cara com uma devota, em carne e osso, de viva voz contando como sucedeu tudo e de como saiu do estado de coma em que se encontrava há dias. Tá. E o bilhete, o que tinha? Não sei, não abri. Ora, ninguém sabe o que tinha nos bilhetes deixados, ninguém sabe de nada! O que é que é isso, hem? Logo souberam da fúria do padre Quiba que dizia ser esse boato façanhas do anticristo! Como é que pode? Quem seria capaz de operar tal prodígio, hem? Ué, dizem que é Gideão, só isso que se sabe. Ah, mas ele só aparece em situações das brabas. Pois é, não adianta procurar por ele, já caçaram de tudo, todos os cafundós, ninguém sabe do paradeiro dele. Só pode ser magano! Foi quando souberam que um que havia sido abatido com não sei quantas balas dum tiroteio medonho, estava vivinho da silva! Quem? O Trojeu! Ah, vamos lá ver esse sortudo! E foram, encontraram-no virando copos e meiotas numa bodega da esquina, ainda com o papelzinho amarrado no cordão do pescoço. Ôpa! Achamos. Entabularam conversa e esmiuçaram tintim por tintim o acontecido, até pergutarem pelo embrulhinho do pescoço. Isso aqui? Sim! Ah, foi Gideão que me deu, disse que me salvava de morte matada, mas se eu abrir morro de morte morrida. Que nada! Ah, abro nem prum trem, meu. Rapaz, que coisa! E pagaram bebida, tira-gosto e litros e mais beiçadas de deixá-lo cai mas num cai, até quedar desacordado no meio da calçada. Removeram o cordão e abriram o bilhete com a seguinte inscrição manuscrita: “Eu te benzo, eu te curo, amanhã cairá duro”. Deram a maior risada, virou piada, o que davam por líquido e certo, agora era pinóia. Quem diria que era marmota, hem? Pois é, só conversa pra boi dormir. No outro dia, já era mais de dez horas da manhã, sol quente de rachar o chão, e Trojeu lá estendido na calçada. Oxe, pegaram o homem pra levá-lo pra casa, quando alguém achou melhor levá-lo prum hospital. Assim fizeram. Chegando lá, quando o enfermeiro examinou, o diagnóstico: estava mortinho. Ué, defuntou? Passou dessa pra melhor faz tempo. De mesmo? Oxe, babau. Matamos o homem. Remorso comeu no centro da corja toda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A HISTÓRIA SECRETA DE DONNA TARTT
[...] A beleza raramente é suave ou reconfortante. Pelo contrário. A verdadeira beleza sempre nos assusta. [...] a ideia de perder o controle fascina pessoas controladas como nós mais do que a maioria dos outros temas. [...] Quanto mais instruída, inteligente e reprimida é a pessoa, mais necessita de métodos para canalizar os impulsos primitivos que subjugou com tanto esforço. [...] Trata-se de um conceito bem grego, e muito profundo. Beleza é terror. O que chamamos de belo provoca arrepios [...]. Beleza é terror. O que chamamos de belo nos faz tremer. [...].
Trechos do romance A História Secreta (The Secret History – Companhia das Letras, 1992), da escritora, ensaísta e crítica estadunidense Donna Tartt. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Além da entrega mais que tardia, Papoulas de julho de Sylvia Plath, Literatura de vanguarda de Guillermo de Torre, a pintura de Artemísia Gentileschi & Tom Wesselmann, a música de Sky Ferreira, a arte de Jean Cocteau & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Caraminholas do miolo de pote, Escritos de Guillaume Apollinaire, O homem pós-orgânico de Paula Sibilia, a literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Diamanda Galás, a pintura de Marie Fox, a fotografia de Jim Duvall & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sábado é dia de amor & poesia aqui & aqui.
Fecamepa, Gestalt-Terapia de Friederich Perls, Novelas de La Fontaine, As rosas do cume de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada & Procópio Ferreira, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
O trâmite da solidão, O espectro da fome de Josué de Castro, a pintura de Mercedes Sosa, A Ilíada de Homero, Ana Botafogo In Concert, Conversação noturna & Martha Angerich, a pintura de Tamara de Lempicka, a arte de Eliezer Augusto & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Doro & a copa do mundo, Fritz Perls, Procópio Ferreira, a música de Moraes Moreira & Programa Tataritaritatá aqui.
Blitz-krieg do Mineirão, Manuel Bandeira, a arte de Ana Botafogo & a música de Mercedes Sosa aqui.
A Filosofia & História das calamidades de Abelardo, Nara Salles, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
A provocação aguda da paixão aqui.
A mulher, Lei Maria da Penha, Ginocracia & Daby Palmeira aqui.
A donzela arrevesada de Hermilo Borba Filho, a poesia matuta de Rubão, Dr. Zé Gulu & papos do Doro aqui.
O romance do pavão misterioso de João Melchiades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Pechisbeque, 1984 de George Orwell, Legado & grito de Renata Pallottini, As casadas solteiras de Martins Pena, A realidade das coisas de Tales de Mileto, a música de Bach & João Carlos Martins, País de Cucanha, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí, a pintura de Theo Tobiasse & Jean-Jacques Henner aqui.
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, Linquistica & Estilo, Carna, a música de Andrea dos Guimarães, Antologia pornográfica de Gregório de Matos & Alexei Bueno, Wunderblogs, a arte de Gilvan Samico & Matéria Incógnita aqui.
Crônica de amor por ela, a pintura de Pablo Picasso, a música de Roberto Carnevale, a fotografia de Claudia Andujar, Teoria da Literatura de Rogel Samuel, Os 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade, a poesia de Ana Cristina César, o cinema de Chris Wilkinson & Linda Marlowe & a arte de Lygia Pape aqui.
Betúlia, a belezura e os restos nos confins do mundo, Evolução e sentido do teatro de Francis Fergusson, Porto Calendário de Osório Alves de Castro, Kadish de Allen Ginsberg, a fotografia de Claudia Andujar, a pintura de Federico Beltrán Massés & Fayga Ostrower, a música de Consuelo de Paula & Iemanjá, Mãe D’Água de Petrolina - PE aqui
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A ARTE DE ANA BOTAFOGO
A arte da bailarina e atriz Ana Botafogo. Veja mais aqui.

SILÊNCIO DE EDJANE LEAL
Entre um trago / de bebida / e um trago / da vida / A sensação / jorrante e / sutil / de existir. (Momentos).
eu sou um desejo / contido ... / Um ai interminável. / Eu sou um sopro / insano / de uma massa mal delineada / inacabada. / Eu sou um pássaro irrequieto / errante. / Eu sou a tempestade / e a calmaria / angústia e coragem / doença e crueza / carência e doação... / Um bicho... / Sou simplesmente / por assim saber-me. / (Bicho).
Cada noite / que se passa / sem os abraços / teus, / é como se eu morresse / um pouco / nos desejos / meus. (Apego).
Poemas recolhidos do livro Silêncio (Tarcisio Pereira, 2015 – Prêmio Poesia Cultural), da poeta pernambucana Edjane Leal Cruz. DEPOIMENTO: Conheci a poesia de Edjane no início dos anos 1980, em Recife, quando trabalhávamos numa mesma instituição. Ela me passou alguns dos seus poemas e, pensamos até, em publicar um livro com nossas produções poéticas. Mudanças ocorreram, perdi o contato, mas publiquei seus poemas em zines, revistas e no tablóide Nascente – Publicação Lítero Cultural, que editei ao longo das décadas. Hoje tenho a grata satisfação de receber o seu primeiro livro, fruto de um prêmio literário que ela arrebatou, reunindo não só poemas dela, mas também, numa segunda parte do livro, de estudantes adolescentes de escolas públicas da cidade de Floresta, em um projeto denominado Sonhar é preciso, que ela desenvolveu com amigas e professoras. Maravilhosa iniciativa, parabéns. Sucesso do muito & beijabrações. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO & PAULA MORELENBAUM
Hoje na Rádio Tataritará é dia de especial com Toquinho em dois shows ao vivo: Só tenho tempo pra ser feliz & Brasil; Rosa Passos no Festival de Jazz de Vitoria-Gasteiz & Romance; João Bosco no Obrigado gente & ao vivo; e Paula Morelenbaum no show Berimbaum & no Tuscia in Jazz. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora italiana Artemisia Gentileschi (1593-1653). 
Veja mais aqui & aqui.

sexta-feira, junho 30, 2017

TAO TE KING DE LAO TSÉ, TERRA ULRO DE MILOSZ, A MÚSICA DE ELIANE ELIAS & ENTRE VERSOS DE LUCIAH LOPEZ

ENTRE VERSOS & VIDA – Esta é Luciah Lopez: a menina que se fez poesia na mulher feita, entre versos e vida. Um ser poeta singular, alquimista no fazer e refazer-se: uma extrospecção introspectiva carregada de invocações, lirismo e justapostas inquietações, amálgamas de sonhos entre os vampiros de Curitiba, as tardes de Monet, a poesia de Neruda, o sobrevoo das borboletas, ou a degustar Blood Mary pelo trâmite da infância e pelos díspares momentos de viver plenamente suas amplidões e miudezas. Neste livro o ser e a obra se fundem: criador e criatura passam a ser um só. E tudo transpira uma voz plural entre recomeços, abismos e vórtices; tudo se expressa na dicção dos seus plenilúnios, solilóquios e deprecações - nada mais são que entregas, hibernações e descobertas. Assim se faz e refaz, a juntar fragmentos perdidos e cumplicidades no lampejo da essência vital. Entre idas e vindas, quedas e conquistas, ela se mostra por inteiro e inteira, para depois, na catarse, exaurir-se alinhavando seus versos entre agora e outrora, haurindo a sua surpreendente poesia nua, visceral, instersticial, crua e em carne viva, a coser antíteses como se brincasse com opostos entrecruzados na heterogeneidade de enquadramentos que coexistem e se mostram colagens díspares que passam a coabitar entre o real e o imaginário, ou melhor, como se do avesso o outro se identificasse consigo e tudo além de si, porque sabe que a vida é tecida por paradoxos. Uma sacada e tanto. Assim, ela tece versos e entrelinhas a demarcar seu território em si e além de tudo, como quem faz do dia e da noite uma queda d’água com velas soltas entre céu e mar. Esse o seu dom de voar, e com um detalhe: a vida não é só um sonho, o prazer é só o outro lado da dor, a dor que emancipa, estraçalha e regenera, É a vida. Este é o seu batismo: aos seus olhos tudo é poetar, até o que não é, passa a ser. E com isso ela se faz semente que floresce em poema: uma fruta no pé, é só tomar às mãos e saborear. Por isso e muito mais, convido você para viajar na aventura dos voos altissonantes entre os versos do universo da poeta. Eu fiz, refiz e recomendo – se para você for como foi pra mim, será uma ótima e instigante viagem. Vamos juntos, venha. (Veja detalhes da obra mais abaixo). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

TERRA ULRO DE MILOSZ
[...] O outro mundo não é diferente deste: podem crer que é completamente idêntico. O homem que morre não muda de lugar. Ele permanece onde se firmou a sua alma. Eis o mistério dos espíritos condenados a penar. No outro mundo, você vive entre os mesmos espíritos com quem você viveu aqui. Você é obrigado a contemplar tudo 0 que, na terra, dentro do corpo, você deveria ter feito e não fez. E fazer coisas, sem corpo, e muito difícil. Você tem de exercer força sobre a Terra, sem possuir quaisquer meios terrestres. Estes gemidos de sofrimento podem, às vezes, durar até quinhentos anos. [...]
Trecho extraído da obra Terra Ulro (Oficina/UnB, 1999), do escritor polonês e Prêmio Nobel de Literatura de 1980, Czeslaw Milosz (1911-2004), em reconhecimento por seu pensamento humanista sobre a liberdade, a consciência e o poder do totalitarismo sobre corpos e mentes, autor das obras Mente Cativa (Novo Século, 2010), que analisa o poder dos regimes tiranos que escravizam homens e mulheres pelo terror, ideias e propriedade sobre o espírito humano, e Não Mais (UnB, 2003), uma antologia com seus poemas que o fizeram um dos maiores poetas do século XX.

Veja mais sobre:
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Francisco Augusto Pereira da Costa, a música de Fabian Almazan, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes Cassiano Nunes, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.

E mais:
Preciso de um culpado, Peri Physeos de Anaxímenes de Mileto, A arte de furtar de Padre Antônio Vieira, As odes pítacas Píndaro, Platónov de Anton Tchékov, o cinema de Walter Lang & Susan Hayward, a coreografia de Dave Saint-Pierre, a música de Stanley Clarke, a pintura de Horace Vernet & Malcolm Liepke aqui.
O morro dos ventos uivantes de Emily Brontë, A ópera dos mendigos de John Gay, a música de Yngwie Malmsteen & Julia Crystal, a pintura de Maria Luisa Persson & a poesia de Floriano Martins aqui.
Gilbela – Gilmara Jung, é nela que a beleza se revela aqui.
Literatura de cordel: Cego Sinfrônio aqui.
Vamos aprumar a conversa, Sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, As brasas de Sándor Márai, Babylon de Zuca Sardan, a música de Hermeto Pascoal & Aline Moreira, Anatomia do drama de Martin Esslin, o cinema de Fred Schepisi & Meryl Streep, a escultura de Pierre-Nicolas Beauvallet, a arte de Derek Gores & a pintura de Gilson Luiz dos Santos Braga aqui.
O espelho de Machado de Assis aqui.
Brincarte do Nitolino, O espírito de liberdade de Erich Fromm, Visita meu corpo de Antonio Carlos Secchin, a literatura de Alexandre Dumas, a música de João Gilberto, a pintura de Gustave Courbet & Welington Virgolino, a arte de Bibi Ferreira, Judy Garland & Isabelle Adjani aqui.
Vamos aprumar a conversa, O mundo como vontade de representação de Arthur Schopenhauer, A casa das belas adormecidas de Yasunari Kawabata, Ifigênia entre os tauros de Eurípedes, a música de Richard Strauss, Percursos em Arteterapia, Jardim das delícias de Geraldo Carneiro, a arte de Mae West, a escultura de Francisco Brennand, Jules Feiffer, a pintura de John Constable & Peter Paul Rubens aqui.
Uma coisa quando outra, A aventura da modernidade de Marshall Berman, a poesia de Adolfo Casais Monteiro, Arquiteturas líquidas de Marcos Novak, a música de Maucha Adnet, a pintura de Alyssa Monks & Renie Britenbucher, a arte de Adriana Garambone & Luciah Lopez aqui.
Solilóquio das horas agudas, O mito de Sísifo de Albert Camus, Doença sagrada de Hipócrates, a música de Meg Myers, Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, a pintura de José Manuel Merello, Mulher Negra & a arte de Luciah Lopez aqui.
Resiliência, perspectivas & festas: Feliz aniversário, A pedagogia de Paulo Freire, Resiliência em transtornos mentais de Makilim Nunes Baptista, Liberdade para palavra de Octavio Paz, a música de Midori Goto, a pintura de Luis Crump, Babi Xavier, a arte de Fabrice Du Welz & Luciah Lopez aqui.
Ah, se estou vivo, tenho mais o que fazer, a literatura de Liev Tolstói, A cena dividida de Gerd Bornheim, a poesia de Nauro Machado, a pintura de Lasar Segall, a música de Joyce & Maurício Maestro, a arte de Patrick Conklin & Luciah Lopez aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

TAO TE KING DE LAO TSÉ
Trinta raios rodeiam o eixo.
Mas é onde os raios não raiam que a roda roda.
Vaza-se a vasa e se faz o vaso.
Mas é o vazio que perfaz a vasilha.
Casam-se as paredes e se encaixam portas,
Mas é onde não há nada que se está em casa.
Falam-se palavras e se apalavram falas.
Mas é no silêncio que mora a linguagem.
O ser faz a utilidade, mas é o nada
Que perfaz o sentido.
Poema do Tao Te King: o Livro do Caminho e da Virtude (Mauad, 2011), do antigo filósofo e escritor chinês Lao Tsé que viveu por volta de 1300aC, uma das mais conhecidas e importantes obras chinesas, com 81 capítulos escritos entre 350 e 250aC., reunindo a tradição oral coletiva sobre o Tao (a realidade última do Universo), inspirando o surgimento do taoísmo e do budismo chan e zen.

RÁDIO TATARITARITATÁ: ELIANE ELIAS
Especial com a premiada pianista e cantora Eliane Elias, reunindo seus álbuns Made in Brazil (2015), Swept Away (2012), Light My Fire (2011), Bossa Nova Stories (2008), Brazilian Classics (2003), Sings Jobim (1998) e apresentações ao vivo em Festivais de Jazz. Veja mais aqui.

QUINTO DIA DE LUCIAH LOPEZ
Me refugio na harmonia das suas palavras com cheiro de hortelã, e a serenidade apaixonante da infância que nunca diz adeus, me transporta ao paraíso aonde podemos escrever nossa história. E a sua voz exorta-me à criatividade nas cores e linhas, de forma a revelar o meu olhar sobre todas as coisas. Todavia, só me interessam as flores com as quais, eu me ponho a construir nosso refúgio para os momentos de carinho e entrega. Não há o fracionamento do Tempo ou exclamações e interrogações que possam ser convertidas em dúvidas -, há somente a nossa conduta pueril, livre de toda opressão e a certeza de nos pertencermos um ao outro no hálito do universo.
Quinto dia, poema/imagens: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez, autora do livro Entre Versos: a palavra branca é nua, a ser lançado em breve com prefácio do jornalista, crítico literário e presidente da Academia Poética Brasileira, Mhario Lincoln. Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...