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domingo, julho 05, 2026

WOLE SOYINKA, CINDY SHEEHAN, MONA AWAD & GORETTI VARELLA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da performance Live at Minotti (Berklee College of Music, USA-2025), dos Eps Rise (2026) e The Dawn (2024) e do álbum Sixth Week (Apple Music, 2026), da jovem pianista, compositora e prodígio do jazz japonesa, Ai Furusato, que possui trabalhos autorais lançados nas principais plataformas de streaming.


 

Bilaro, insólita fuga dum Zé de si mesmo!... - Zé Bilaro ficou órfão de pai e saiu pelo mundo. Olvidou os rogos maternos: não fizesse mais asneiras, bastavam os desatinos paternos agora enterrados. Mal saíra ele capenga dum grande amor, agora duplamente enlutado cogitava sequestrar a amada no dia do casamento dela. Endoidou mesmo, diziam. Ousou finca-pé na esparrela, depois: a cara mais lisa, lavada. Findou: Mas, mas... Depois de muitos atrapalhos, as errâncias dum malfadado. Foi-se: o olhar perdido na lonjura das léguas estiradas, misturando ideais e infortúnios, o regalo de uma módica sombra e o Sol na moleira. Arre! Alguém chamou por um nome que não o seu. Quem? Deu fé: os bichos falavam abeirados, as árvores tagarelavam longínquas, as pedras cochichavam genringonças, um pandemônio, temia caducar amalucado: Onde é que estou mesmo, hem? Ali o morro que perdeu a ponta, imenso. Vixe! E lá ia pelas trilhas de umburanas e grutas, os cânions e a pareidolia, chapadas e desenhos rupestres, a caverna e o sítio de Alcobaça, a Loca das Cinzas e a Gameleira de Buíque, a pedra do Cachorro e o Portal da Igrejinha, a merafusa de Sabadi tangendo seus fiéis pra caverna de Meu Rei, o Morro do Elefante e a caatinga, a Vila dos Breus e a Serra das Torres, a Jurema Preta e o Povoado de Aterrados, o marmeleiro-do-mato e o enxame de abelhas, o feijão-bravo e o Vale das Tartarugas, os Lapiais e o Véu de Noiva, a catingueira e os visíveis sinais do fogo corredor – o compadre e a comadre brincavam de esconde-esconde -, os encantados das furnas do holoceno, Homo floresiensis, Homo luzonensis - Oxe! -, os caboclos encantados, cobras aninhadas, um cachimbo velho e pequeno, ali tudo podia acontecer. Passou a vista e ouviu lá longe soar o uruá dos Kapinawá - sinal do sagrado Kwarup afastando maus espíritos, ou o rito de passagem da furação de orelha. Respondiam takuaras como se fossem o uirapuru – o coração partido do guerreiro Quaracá, a cantar de saudade pelo amor impossível de Anaí. Tal como ele, melancólico. Há quem surpreendido soubesse do canto o seu amuleto de sorte, o poema sinfônico de Villa-Lobos. Ele nem, nem. E se era Oribici chorava de amor, para outros. A surpresa foi possível com os gritos do gigante Mapinguari, quebrando galhos no interior do matagal – ali seu peludo casco de tartaruga, um olho apenas na testa e a boca no umbigo, pés de mão de pilão. Valha-me! Outros silvos, será da flauta de Pã, ou da de Krishna? Arredou, hesitante. Mal escapara e viu logo atrás do Mapinguari, o Ipupiara: ataque comendo parte dos corpos de desavisados, o demônio d’água, seus braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode. Ô. Ora, ora. Temeroso, ouviu amiudado cochicho: Pare, não responda, o sopro dele dilata o aço do cano da espingarda e você perderá a vida, quieto; os sobreviventes, aos aleijões e nódoas no corpo. Olhos pros lados, virou-se, girou: a paisagem e mais nada. Ué? Psiu! Salvou-se, achou: ares de Tejucupapo! Era Maíra, a Dona Clara com as heroínas guerreiras depois da Batalha, anônimas Marias. Boa tarde! E achegou-se esbaforida, abanando-se acalorada: Mormaço, hem? Era o meio da tarde, puxou conversa e o paradeiro. Ah, estava mesmo extraviado da lucidez. Hum? Acalmou-se com a brisa arranchando-se ao lado dela. E muito ouviu e tomou ciência: ensinou-lhe como o beijo dança contando toda hestória. Entardecia, o Sol cochilava escondendo-se. Ela foi-se apressada e tudo o mais acontecia no trâmite das horas. Anoiteceu com o burlão astucioso Malasartes aos espalhafatos, vinha do Cancioneiro da Vaticana para se encontrar com Cancão de Fogo: Você viu? Não. Inté. E logo seguido pela esperteza e deboche de Camonge, escapando dos bumerangues das armadilhas: Tá ouvindo o Esquenta-mulher? Aguçou as ouças: Não. Rola no oculto, espie direito: o terno da zabumba, cabaçal com o toque de Lampião. Hum? É a Zabé da Loca ensaiando. Logo viu os volteios apaixonados do caçador Papageno com sua amada Papagena, disfarçavam perseguirem no encalço de Sarastro, que raptou a filha da Rainha da Noite. E um cortejo seguia: os apaixonados Tamino e Pamina, o Peer Gynt de Ibsen nos tons de Grieg. Vieram depois Sethos de Terrasson e a Megara de Hafner, caborés e pífanos com as pantomimas das peripécias e artimanhas da farsa do mestre Scapin de Molière, tirando vantagem, como se fosse o filósofo do povo às piruetas inagarráveis, revelando interditos e hipocrisias. E o Fígaro de Beaumarchais completamente desatinado porque perdeu Suzanne e, em vingança, ousou exigir o jus primae noctis de todos os nubentes e dos já casados: Não somos seus servos! E repetia exigente: derecho de pernada, droit de cuissage. Condoeu-se, comiserado: o mesmo com ele. Ali tudo acontecia simultaneamente: o bambu de taboca, Zé Tapera & Teodoro com a roupa nova do rei de Andersen, as proezas de João Grilo, Mainá nas carapebas e Mazzaropi: larga de ser besta! Viu até o duelo da vida com a morte, quando um trio de montanhesas apareceram para roubar suas ideias. Entre elas uma mulher vestida de verde apontava grávida dele. Eu? Uma voz: Seja fiel a si mesmo. Aí deu a volta e aos rodeios passou-se por missionário, fausto comerciante de escravos e vestiu-se de beduíno para ser referenciado como profeta. Enganou a quem? Deu-se diante da Esfinge: pro hospício, imperador de si mesmo. Ah! Invocou socorro quando viu: Deus é o guarda de todos os tolos. E era um velho náufrago em auxílio sinalizando: Descobrisse onde os sonhos têm seu lugar. Hem? Aí foi julgado pelo que não fez, as músicas não cantadas, as obras desfeitas, as lágrimas não derramadas e as perguntas que nunca foram feitas na ameaça de sua alma torrar derretida: Quando foi você mesmo? Sei lá! Procurou confessar e deu de cara com o diabo: Sua vida está perdida, pra sua mãe sua morte nunca deu certo. E correu pra última encruzilhada e lá encontrou a amorante Solveig: Você não tem pecado, está perdido, por onde andou? Hem? E ela: Não direi mais nada... E ninguém sabia dos achaques e temores dele nas copas das árvores, a longuidão dos percalços, o mundo por vencer. Sentiu-se ali banido, acuado, preterido, rejeitado. E agora? Esfregou os olhos, o existir sozinho noutra manhã: o Sol na areia, a ventania libertadora, os túmulos e os cárceres, os pingos de chuva, a brandura das nuvens momentâneas e os vultos andantes. Via-se acontecer alhures ali na hora, sorvia o veneno bento e um pouco de tudo no imperdoável renascer da memória. Eram medonhas lembranças, os anos excedendo as denúncias e revertérios, o avesso de outrora e a descoberta dentro de si da centelha, antes escondida, a preencher seus vazios, num doidivano festejo de realizar-se, cônscio da erradia essência de viver: Estou vivo mesmo ou já morri? Presenciou in loco o Primum Mobile e o Empíreo: era o céu de Dante. Escapava fedendo, por um trisco de nada. Demorou lá mais outro tanto: “Não é um voo para as minhas asas”. Sonhava de olhos abertos no Vale do Catimbau. Até mais ver. 

 

Marcel Proust: Os paradoxos de hoje são os preconceitos do amanhã, já que os preconceitos mais desprezíveis e os mais deploráveis tiveram seu momento de novidade quando a moda lhes emprestou sua frágil graça... Somos curados do sofrimento apenas experimentando-o ao máximo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Edgar Morin: A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira... Estamos completamente imersos neste mundo que é o dos nossos sofrimentos, das nossas felicidades e dos nossos amores. Não sentir é evitar o sofrimento, mas também o regozijo. Quanto mais aptos estamos para a felicidade mais aptos estamos para a infelicidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Botafogo: Muita coisa eu sei, mas muita coisa ainda vai ser surpresa para mim... Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

NOITE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tua mão pesa, Noite, sobre minha testa. \ Não tenho coração mercurial como as nuvens, \ para ousar. \ Exacerbação de teu arado sutil. \ Mulher como uma ostra, na crescente do mar. \ Vi teu olhar ciumento extinguir a \ fluorescência do mar, dançar no pulso incessante \ das ondas. E eu fiquei ali, exausta, \ submetendo-me como as areias, sangue e salmoura \ correndo até as raízes. Noite, tu choveste \ sombras serrilhadas através de folhas úmidas \ até que, banhada na quente difusão de tuas células salpicadas, \ sensações me atormentaram, sem rosto, silenciosas como ladrões da noite. \ Esconde-me agora, quando crianças da noite assombrarem a terra, \ não devo ouvir nenhuma! Estas células nebulosas ainda \ me desfarão; nua, sem ser convidada, no nascimento silencioso da Noite.

Poema do escritor, dramaturgo e ensaísta nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura de 1986, que em 1967 foi preso durante a Guerra Civil Nigeriana, pelo governo federal do general Yakubu Gowon e colocado em prisão solitária durante dois anos, por ter se voluntariado como ator mediador não-governamental. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROUGE – [...] A única jornada que importa no final, Filha de Noelle.” “Retinol?”, sussurro. “A alma. Uma jornada da alma, é claro. [...] Um espelho é apenas um espelho, Belle. Ele só reflete aquilo que desejamos e ansiamos. [...] Havia um espaço ali também, como aquele entre mim e a Mamãe. Como aquele entre mim e todos, dali em diante. Existe um espaço entre mim e tudo o mais desde que você virou fumaça. Existe uma parede de vidro. [....]. Trechos extraídos do livro Rouge (Globo, 2024), da escritora canadense Mona Awad, que noutra obra, Bunny (Globo, 2024), expressou que: […] Nunca deixei realmente de escrever, nunca fiquei sem um outro mundo criado por mim para onde escapar, nunca soube como estar neste mundo sem que a maior parte da minha alma estivesse sonhando com outro e vivendo nele. [...] Os poetas preparam-se para uma pobreza iminente e altamente instruída. [...]. Ela também é autora dos livros 13 Ways of Looking at a Fat Girl (2016), All's Well (2021) e We Love You, Bunny (2025).

 

MÃE SALVADORA – Sou apenas uma mãe normal que tenta salvar vidas e ser o melhor ser humano que possa ser... O nosso país foi assaltado por bandidos assassinos, gangsters que cobiçam fortunas e poder... Quando eu estava crescendo, era 'Comunistas'. Agora é "Terroristas". Então você sempre tem que ter alguém para lutar e ter medo, para que a máquina de guerra possa construir mais bombas, armas e balas e tudo mais... Então, o que realmente me faz é esses chickenhawks, que enviaram nossos filhos para morrer, sem nunca servir em uma guerra. Eles não sabem do que se trata... Precisamos realmente deter as tendências imperialistas de países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha... Cabe a nós, o povo, quebrar leis imorais e resistir. Assim que os líderes de um país vos mentem, não têm autoridade sobre vós. Esses maníacos não têm autoridade sobre nós. E eles podem ser capazes de colocar nossos corpos na prisão, mas eles não podem colocar nosso espírito na prisão... Não podemos permitir que nenhuma guerra pelo imperialismo ou pela ganância seja travada em nossos nomes. É por isso que temos de continuar a lutar... Se ficarmos juntos como um povo, podemos derrubar os criminosos de guerra que estão comandando nosso país agora... Pensamento da ativista estadunidense Cindy Sheehan (Cindy Lee Miller Sheehan).

 


O UNIVERSO LITERÁRIO DE ADÉLIA PRADO - O que a memória ama fica eterno... Fugir da dor é uma perda de tempo... O sofrimento não tem idioma... Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Não tenho mais tempo algum, ser feliz me consome... O destino não existe. É de Deus que precisamos, e rápido... Quanto a mim dou graças pelo que agora sei e, mais que perdoo, eu amo... Pensamento da poeta, filósofa, escritora e professora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GORETTI VARELLA

Arte da artista visual, arte-educadora e arteterapeuta Goretti Varella (Maria Goretti de Souza Ferreira), editora do blog Desenhos no meu quintal. Veja mais aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui.



 


sábado, julho 08, 2017

ANA BOTAFOGO, DONNA TARTT, TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO, ARTEMÍSIA GENTILESCHI, PAULA MORELENBAUM & SILÊNCIO DE EDJANE LEAL

OS MILAGRES DE ALAGOINHANDUBA – Um belo dia apareceu em Alagoinhanduba um sujeito que diziam atender pelo nome de Gideão. Ninguém sabia quem era, familiares, parentes, onde morava, nada a respeito de tal sujeito, apenas que ele aparecia nos momentos mais periclitantes oferecendo solução, desde que satisfizessem a condição por ele estipulada. Muitos depoimentos, boatos e testemunhos davam conta de ações milagrosas praticadas por ele. Não havia quem não acrescentasse um fato aos tantos já ditos e repetidos de boca em boca. O que se sabia era que se procurasse, jamais o encontraria; só aparecia assim do nada, quando situação iminente. Zé-Corninho mesmo presenciara certa feita, ao visitar um amigo de infância que finava desenganado de doença letal, quando soube que um estranho apareceu e disse que salvava o caso, desde que dessem a ele um prato de comida. Todos desconfiaram, mas entre eles, uma alma caridosa, independente da cura, deu-lhe a refeição. Após o repasto, ele entregou um pedacinho de papel devidamente enrolado pra pessoa que lhe dera a comida, determinando que pusessem amarrado a um cordão no pescoço do vitimado, que ele ficaria bonzinho de um dia pro outro. Com um detalhe: não podiam abrir, jamais, para não reverter o quadro. Nem deram bola pro que disse, porém, mesmo assim, não custava nada e assim fizeram. No outro dia, o enfermo estava saltitante e feliz, repetiu Zé-Corninho batendo o pé de raiva, diante das mangações. Nessa mesma hora Afredo Bocoió compartilhou dum caso semelhante que se deu com uma grávida que se encontrava, ela e o bebê, entre a vida e a morte, poucas horas depois do desconhecido ter comido um pedaço de bolo pedido, e de terem amarrado um papelzinho embrulhado no pescoço da parturiente, que logo ela deu a luz e o menino estava berrando que nem bode novo. Também Mamão entrou na conversa por ter sabido de um acidentado que estava morre mas num morre e que ficou bonzinho depois que amarraram um bilhetinho no pescoço dele, tanto que soube que poucas horas depois já estava correndo de motocicleta pra cima e pra baixo, como se nada tivesse acontecido. Oxe, isso é lorota, diziam muitos, quase todos incrédulos. Logo aparecia quem tivesse notícia de coisas assim parecidas que aconteceu pela redondeza. Quem é esse milagroso? Diz-se ser um tal de Gideão! Mora aonde? Ninguém sabe. Trabalha? Sei não. O que ele faz da vida? Quem sabe, ora! Cadê ele? Ah, dizem que ele só aparece em hora de extrema precisão. E o que tem dentro do bilhete? Nunca soube. Ah, isso tem coisa. Por que a gente não confere? Então, foram checar com pessoas que tiveram a graça. A primeira que souberam não estava em casa, porém os vizinhos confirmaram ter ocorrido o fato de verdade, que não sabiam nada a respeito do salvador. Partiram pra outra, havia viajado, contudo, confirmação de moradores da rua e do bairro todo deu por conta de fato verídico, mesmo que ninguém soubesse nada a respeito do já tido por santo. Vamos ver isso no amiudado. Assim fizeram, depois de muito rodarem no encalço, deram de cara com uma devota, em carne e osso, de viva voz contando como sucedeu tudo e de como saiu do estado de coma em que se encontrava há dias. Tá. E o bilhete, o que tinha? Não sei, não abri. Ora, ninguém sabe o que tinha nos bilhetes deixados, ninguém sabe de nada! O que é que é isso, hem? Logo souberam da fúria do padre Quiba que dizia ser esse boato façanhas do anticristo! Como é que pode? Quem seria capaz de operar tal prodígio, hem? Ué, dizem que é Gideão, só isso que se sabe. Ah, mas ele só aparece em situações das brabas. Pois é, não adianta procurar por ele, já caçaram de tudo, todos os cafundós, ninguém sabe do paradeiro dele. Só pode ser magano! Foi quando souberam que um que havia sido abatido com não sei quantas balas dum tiroteio medonho, estava vivinho da silva! Quem? O Trojeu! Ah, vamos lá ver esse sortudo! E foram, encontraram-no virando copos e meiotas numa bodega da esquina, ainda com o papelzinho amarrado no cordão do pescoço. Ôpa! Achamos. Entabularam conversa e esmiuçaram tintim por tintim o acontecido, até pergutarem pelo embrulhinho do pescoço. Isso aqui? Sim! Ah, foi Gideão que me deu, disse que me salvava de morte matada, mas se eu abrir morro de morte morrida. Que nada! Ah, abro nem prum trem, meu. Rapaz, que coisa! E pagaram bebida, tira-gosto e litros e mais beiçadas de deixá-lo cai mas num cai, até quedar desacordado no meio da calçada. Removeram o cordão e abriram o bilhete com a seguinte inscrição manuscrita: “Eu te benzo, eu te curo, amanhã cairá duro”. Deram a maior risada, virou piada, o que davam por líquido e certo, agora era pinóia. Quem diria que era marmota, hem? Pois é, só conversa pra boi dormir. No outro dia, já era mais de dez horas da manhã, sol quente de rachar o chão, e Trojeu lá estendido na calçada. Oxe, pegaram o homem pra levá-lo pra casa, quando alguém achou melhor levá-lo prum hospital. Assim fizeram. Chegando lá, quando o enfermeiro examinou, o diagnóstico: estava mortinho. Ué, defuntou? Passou dessa pra melhor faz tempo. De mesmo? Oxe, babau. Matamos o homem. Remorso comeu no centro da corja toda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A HISTÓRIA SECRETA DE DONNA TARTT
[...] A beleza raramente é suave ou reconfortante. Pelo contrário. A verdadeira beleza sempre nos assusta. [...] a ideia de perder o controle fascina pessoas controladas como nós mais do que a maioria dos outros temas. [...] Quanto mais instruída, inteligente e reprimida é a pessoa, mais necessita de métodos para canalizar os impulsos primitivos que subjugou com tanto esforço. [...] Trata-se de um conceito bem grego, e muito profundo. Beleza é terror. O que chamamos de belo provoca arrepios [...]. Beleza é terror. O que chamamos de belo nos faz tremer. [...].
Trechos do romance A História Secreta (The Secret History – Companhia das Letras, 1992), da escritora, ensaísta e crítica estadunidense Donna Tartt. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Além da entrega mais que tardia, Papoulas de julho de Sylvia Plath, Literatura de vanguarda de Guillermo de Torre, a pintura de Artemísia Gentileschi & Tom Wesselmann, a música de Sky Ferreira, a arte de Jean Cocteau & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Caraminholas do miolo de pote, Escritos de Guillaume Apollinaire, O homem pós-orgânico de Paula Sibilia, a literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Diamanda Galás, a pintura de Marie Fox, a fotografia de Jim Duvall & a arte de Luciah Lopez aqui.
O sábado é dia de amor & poesia aqui & aqui.
Fecamepa, Gestalt-Terapia de Friederich Perls, Novelas de La Fontaine, As rosas do cume de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada & Procópio Ferreira, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
O trâmite da solidão, O espectro da fome de Josué de Castro, a pintura de Mercedes Sosa, A Ilíada de Homero, Ana Botafogo In Concert, Conversação noturna & Martha Angerich, a pintura de Tamara de Lempicka, a arte de Eliezer Augusto & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Doro & a copa do mundo, Fritz Perls, Procópio Ferreira, a música de Moraes Moreira & Programa Tataritaritatá aqui.
Blitz-krieg do Mineirão, Manuel Bandeira, a arte de Ana Botafogo & a música de Mercedes Sosa aqui.
A Filosofia & História das calamidades de Abelardo, Nara Salles, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
A provocação aguda da paixão aqui.
A mulher, Lei Maria da Penha, Ginocracia & Daby Palmeira aqui.
A donzela arrevesada de Hermilo Borba Filho, a poesia matuta de Rubão, Dr. Zé Gulu & papos do Doro aqui.
O romance do pavão misterioso de João Melchiades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Pechisbeque, 1984 de George Orwell, Legado & grito de Renata Pallottini, As casadas solteiras de Martins Pena, A realidade das coisas de Tales de Mileto, a música de Bach & João Carlos Martins, País de Cucanha, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí, a pintura de Theo Tobiasse & Jean-Jacques Henner aqui.
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, Linquistica & Estilo, Carna, a música de Andrea dos Guimarães, Antologia pornográfica de Gregório de Matos & Alexei Bueno, Wunderblogs, a arte de Gilvan Samico & Matéria Incógnita aqui.
Crônica de amor por ela, a pintura de Pablo Picasso, a música de Roberto Carnevale, a fotografia de Claudia Andujar, Teoria da Literatura de Rogel Samuel, Os 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade, a poesia de Ana Cristina César, o cinema de Chris Wilkinson & Linda Marlowe & a arte de Lygia Pape aqui.
Betúlia, a belezura e os restos nos confins do mundo, Evolução e sentido do teatro de Francis Fergusson, Porto Calendário de Osório Alves de Castro, Kadish de Allen Ginsberg, a fotografia de Claudia Andujar, a pintura de Federico Beltrán Massés & Fayga Ostrower, a música de Consuelo de Paula & Iemanjá, Mãe D’Água de Petrolina - PE aqui
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

A ARTE DE ANA BOTAFOGO
A arte da bailarina e atriz Ana Botafogo. Veja mais aqui.

SILÊNCIO DE EDJANE LEAL
Entre um trago / de bebida / e um trago / da vida / A sensação / jorrante e / sutil / de existir. (Momentos).
eu sou um desejo / contido ... / Um ai interminável. / Eu sou um sopro / insano / de uma massa mal delineada / inacabada. / Eu sou um pássaro irrequieto / errante. / Eu sou a tempestade / e a calmaria / angústia e coragem / doença e crueza / carência e doação... / Um bicho... / Sou simplesmente / por assim saber-me. / (Bicho).
Cada noite / que se passa / sem os abraços / teus, / é como se eu morresse / um pouco / nos desejos / meus. (Apego).
Poemas recolhidos do livro Silêncio (Tarcisio Pereira, 2015 – Prêmio Poesia Cultural), da poeta pernambucana Edjane Leal Cruz. DEPOIMENTO: Conheci a poesia de Edjane no início dos anos 1980, em Recife, quando trabalhávamos numa mesma instituição. Ela me passou alguns dos seus poemas e, pensamos até, em publicar um livro com nossas produções poéticas. Mudanças ocorreram, perdi o contato, mas publiquei seus poemas em zines, revistas e no tablóide Nascente – Publicação Lítero Cultural, que editei ao longo das décadas. Hoje tenho a grata satisfação de receber o seu primeiro livro, fruto de um prêmio literário que ela arrebatou, reunindo não só poemas dela, mas também, numa segunda parte do livro, de estudantes adolescentes de escolas públicas da cidade de Floresta, em um projeto denominado Sonhar é preciso, que ela desenvolveu com amigas e professoras. Maravilhosa iniciativa, parabéns. Sucesso do muito & beijabrações. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: TOQUINHO, ROSA PASSOS, JOÃO BOSCO & PAULA MORELENBAUM
Hoje na Rádio Tataritará é dia de especial com Toquinho em dois shows ao vivo: Só tenho tempo pra ser feliz & Brasil; Rosa Passos no Festival de Jazz de Vitoria-Gasteiz & Romance; João Bosco no Obrigado gente & ao vivo; e Paula Morelenbaum no show Berimbaum & no Tuscia in Jazz. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora italiana Artemisia Gentileschi (1593-1653). 
Veja mais aqui & aqui.

quinta-feira, julho 09, 2015

JOSUÉ DE CASTRO, HOMERO, ANA BOTAFOGO, MERCEDES, FRIDA, ANGERICK, LEMPICKA, GENÉSIO, ELIEZER AUGUSTO & TRÂMITE DA SOLIDÃO!!!



Curtindo Mercedes Sosa en vivo en Europa (Universal, 1990), da cantora argentina Mercedes Sosa, La Negra – a voz dos sem voz (1935-2009). Veja mais aqui.

O ESPECTRO DA FOME – O livro Geografia da fome - o dilema brasileiro: pão ou aço (Antares, 1984), do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973), aborda a fome no nordeste açucareiro, no sertão do nordeste, nas áreas de subnutrição, no centro e no sul, estudo do conjunto brasileiro com o seu pensamento sobre a fome e a miséria resultantes da má distribuição das riquezas, concentradas cada vez mais nas mãos de pouquíssimas pessoas, defendendo a distribuição dos recursos, da terra para produção dos trabalhadores e da reforma agrária. Nesse trabalho ele mapeia a distribuição e concentração da fome no Brasil, na qual destaco o trecho O espectro da fome: Tempos atrás, um surto de sarampo, de tipo violento e infeccioso, que praticamente dizimou uma localidade mineira do vale do Jequitinhonha, revelou, ou antes, confirmou, a situação calamitosa, em matéria de saúde e desnutrição, em toda aquela vasta região. Logo em seguida, ou pouco antes, as cifras enumeradas no documento trágico de 18 altas autoridades eclesiásticas mostravam a mesma situação por todo o Nordeste. E outro documento, talvez ainda mais impressionante, dos bispos do Centro-Oeste (Marginalização de um povo), confirmava o impacto do primeiro e acentuava-o. Ainda outro documento, no mesmo sentido, e talvez ainda mais alarmante, pois se refere à região considerada mais sadia de todo o Brasil: o Rio Grande do Sul, foi referido no O Estado de São Paulo de 12 de agosto: A Revista da Associação Médica do Rio Grande do Sul publicou o resultado de uma pesquisa feita pela entidade, revelando que quase a metade das crianças gaúchas (1 milhão em 2 milhões e 600 mil) são desnutridas (sic). A desnutrição é responsável pela alta taxa de mortalidade infantil e pela evasão escolar: menos de 10% dos alunos matriculados no primeiro ano atingem a oitava série do ensino fundamental. A desnutrição é causada pela falta de alimentos, dificuldades econômicas e desconhecimento dos princípios de alimentação balanceada. Uma criança de quatro anos da classe A (isto é, das camadas ricas da população, lembro eu), diz a revista, é em geral, 9,19 centímetros mais altas que uma da classe B (isto é, das camadas populares, lembro eu) e seu peso é superior. Isso significa que no Estado mais sadio da federação, a desnutrição está concorrendo, fundamentalmente, para a divisão crescente de nossa terra em dois modelos de população: os tipos biologicamente superiores e os tipos biologicamente inferiores. E como estas estatísticas informam, a proporção entre os exemplarei: bem nutridos e sadios e os desnutridos e enfermiços é praticamente de 50%. Isso na região mais sadia e rica de nossa pátria. Imaginemos então o que ocorre nas regiões que representam uma proporção de mais de 80% da nossa população total. [...] Interesses e preconceitos de ordem moral e de ordem política e econômica de nossa chamada civilização ocidental tornaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordada. [...] Veja mais aqui.

A ILÍADA – A obra A Ilíada é um poema épico grego do poeta Homero (928aC-898aC), composto de quinze mil seiscentos e noventa e três versos em hexâmetro dactílico – composto de seis sílabas -, que narra os acontecimentos ocorridos na Guerra de Tróia. Acerca da obra, escreve Otto Maria Carpeaux (História da Literatura Ocidental – Alhambra, 1978) que está cheia de ruídos de batalhas e lutas pessoais, uma multiplicidade de episódios em torno dos personagens principais: ira, abstenção e luta final de Aquiles, as empresas bélicas individuais de Ajax, Diomedes e Menelau, as intervenções de Agamenon e Ulisses, a sabedoria episódica de Nestor e a maledicência de Tersistes e mais os episódios troianos: a fraqueza de Páris, a bravura estoica de Heitor, o sentimento sentimental de Andrômaca, o sentimento trágico de Príamo. Da obra destaco o trecho do Canto I: Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida (mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades, ficando seus corpos como presa para cães e aves de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus), desde o momento em que primeiro se desentenderam o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles. Entre eles qual dos deuses provocou o conflito? Apolo, filho de Leto e de Zeus. Enfurecera-se o deus contra o rei e por isso espalhara entre o exército uma doença terrível de que morriam as hostes, porque o Atrida desconsiderara Crises, seu sacerdote. Ora este tinha vindo até as naus velozes dos Aqueus para resgatar a filha, trazendo incontáveis riquezas. Segurando nas mãos as fitas de Apolo que acerta ao longe e um cetro dourado, suplicou a todos os Aqueus, mas em especial aos dois Atridas, condutores de homens: “Ó Atridas e vós, demais Aqueus de belas cnêmides! Qu e vos concedam os deuses, que o Olimpo detêm, saquear a cidade de Príamo e regressar bem a vossas casas! Mas libertai a minha filha amada e recebei o resgate, por respeito para com o filho de Zeus, Apolo que acerta ao longe.” Então todos os outros Aqueus aprovaram estas palavras: que se venerasse o sacerdote e se recebesse o glorioso resgate. Mas tal não agradou ao coração do Atrida Agamêmnon; e asperamente o mandou embora, com palavras desabridas: “Que eu te não encontre, ó ancião, junto às côncavas naus, demorando-te agora ou voltando nos tempos próximos, pois de nada te servirá o cetro e a fita do deus! Não libertarei a tua filha. Antes disso a terá atingido a velhice em minha casa, em Argos, longe da sua pátria, enquanto se afadiga ao tear e dorme na minha cama. Vai-te agora. Não me encolerizes: partirás mais salvo.” Assim falou. Amedrontou-se o ancião e obedeceu ao que fora dito. Caminhou em silêncio ao longo da praia do mar marulhante. E depois de ter se afastado para longe, rezou o ancião ao soberano Apolo, que Leto de belos cabelos deu à luz: “Ouve-me, senhor do arco de prata, deus tutelar de Crise e da sacratíssima Cila, que pela força reges Tênedo, ó Esminteu! Se alguma vez ao belo templo te pus um teto, ou queimei para ti as gordas coxas de touros ou de cabras, faz que se cumpra isto que te peço: que paguem com tuas setas os Dânaos as minhas lágrimas!” Assim disse, orando; e ouviu-o Febo Apolo. Desceu do Olimpo, com o coração agitado de ira. Nos ombros trazia o arco e a aljava duplamente coberta; aos ombros do deus irado as setas chocalhavam à medida que avançava. E chegou como chega a noite. Depois sentou-se à distância das naus e disparou uma seta: terrível foi o som produzido pelo arco de prata Primeiro atingiu as mulas e os rápidos cães; mas depois disparou as setas contra os homens. As piras dos mortos ardiam continuamente. Durante nove dias contra o exército voaram os disparos do deus. Ao décimo dia, Aquiles convocou a hoste para a assembleia: fora isso que lhe colocara no espírito a deusa Hera de alvos braços. Pois sentia pena dos Dânaos, porque os via morrer. [...] Veja mais aqui.

SOB O CÉU DE PALMARES: CIDADE PROMETIDA DO SER POETA – Da minha santa terrinha, vez em quando tenho ótimas notícias! Desta vez, para ampliar as minhas saudades, chegou-me notícias para lá de alvissareiras. Trata-se do trabalho artístico desenvolvido pelo poeta e compositor Genesio Cavalcanti que acaba de lançar Sob o céu de Palmares, no qual ele expressa: "Sendo poeta, costumo usar palavras para compor meu estado de ser: ser feliz, viver feliz, morrer feliz"; também o dvd Cidade prometida, em que ele traz a sua ousadia: "Minha ousadia vai além dos meus sonhos. E, se por ventura, sinto medo, tristeza ou melancolia, persisto. Nunca desanimo, pois encontro forças necessárias escrevendo uma nova poesia! Mas, se esse sonho adormece à medida que esmoreço, é tempo de renovar energias. Parar. Dar um tempo. Tempo para pensar, repousar aquilo que mereço, porque sei que na verdade, é chegada a hora de um novo desafio, um novo recomeço"; e o belíssimo livro Poéticas de Amor, do qual destaco o poema Amor é arte: Amor é arte / Arte de sentir, tocar / De despir, apreciar / É a arte de falar / De saber silenciar / É a arte de receber, doar / Arte de completar / De plantar, colher / De saber esperar / Arte de reinventar / De querer, satisfazer / Amor é a pura arte / De viver, de amar! Ele também edita o blog Ser Poeta no qual costumo sempre apreciar sua literatura. Parabéns, Genésio! Sucesso procê, meu irmão. Veja mais aqui e aqui.

ANA IN CONCERT – A bailarina e atriz brasileira Ana Botafogo é desde 1981 a primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, já realizando apresentações na Europa e nas Américas. Ela estreou com o ballet Coppélia, tendo integrado o Ballet de Marseille, na França, e participado de festivais na Suíça, Itália, Cuba e Espanha, bem como ter dançado em palcos da Inglaterra, tendo como preocupação constante levar a arte para todos os cantos do Brasil, ministrando palestras para estimulação de jovens bailarinos, fato que a faz ser considerada uma das mais importantes bailarinas brasileiras. Veja mais aqui e aqui.

CONVERSATION NOCTURNE – O documentário Martha Argerich, conversation nocturne (2002), realizado pelo diretor francês Georges Gachot com a pianista argentina de ascendência judaica e catalã Martha Angerich, considerada um dos maiores expoentes de sua geração e do período pós-guerra, no qual ela conta suas memórias, confidências sobre suas dúvidas e o seu apetite pela produção musical. Ela se destacou por suas interpretações de Chopin, Liszt, Bach, Schumann, Ravel e Prokofiev, principalmente por sua interpretação no Concerto para Piano nº 3, de Rachmaninoff, merecendo destacar os duos que ela realizou com o pianista brasileiro Nelson Freire. Mesmo mantendo-se distante da imprensa e publicidade, reservando-se à sua carreira, concedendo pouquíssimas entrevistas, ela aceitou realizar o elegante documentário entrelaça maravilhosos trechos de apresentações, ensaios, entrevistas e depoimentos da talentosa artista, apresentando desde a adolescência solitária de estudante na Europa, até os dias mais recentes de sua vida. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
As obras do artista plástico tricordiano Eliezer Augusto (Info: Meimei Corrêa/SelTC)

Veja mais sobre:
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Sociolinguística de Dino Preti, o teatro de Bertolt Brecht, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.

E mais:
A liberdade de expressão, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, A natureza de Parmênides de Eléia, Poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, a música de Badi Assad, o cinema de Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a escultura de Emilio Fiaschi, Programa Tataritaritatá, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O discurso do método de René Descartes, a música de João Bosco, o teatro de Denise Stoklos, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de Gustav Klimt, Sandra Regina, Bernadethe Ribeiro & Danny Calixto aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, A revolta de Atlas de Ayn Rand, A lua e o infinito de Giacomo Leopardi, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Maguerite Anzieu & Jacques Lacan: caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Os vexames dum curau no sul, O absurdo de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Pretidão de amor de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a música de Rosalia de Souza, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, a música da Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, A Setilha de Serrador, O casamento de Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a arte de Roberto Burle Marx. a xilogravura de Severino Borges, J. Miguel & Vermelho aqui.
Entre nós, vivo você, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Cancão de fogo de Jairo Lima, a poesia de Belarmino França, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Dos bichos de todas as feras e mansas, Cantadores de Leonardo Mota, O Romance da Besta Fubana de Luiz Berto, O martelo alagoano de Manoel Chelé, a música do Duo Backer, a escultura de Antoni Gaudí, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, a pintura de Henry Asencio, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da minha vida de Helen Keller, Anarquismo & ensaios de Emma Goldman, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso, Os Fofos Encenam & Viviane Madu, a música de Guilhermina Suggia & a pintura de Martin Eder aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Reclining Nude with Book (1927), da pintora art déco polaca Tamara de Lempicka (1898-1980).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...