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domingo, julho 05, 2026

WOLE SOYINKA, CINDY SHEEHAN, MONA AWAD & GORETTI VARELLA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da performance Live at Minotti (Berklee College of Music, USA-2025), dos Eps Rise (2026) e The Dawn (2024) e do álbum Sixth Week (Apple Music, 2026), da jovem pianista, compositora e prodígio do jazz japonesa, Ai Furusato, que possui trabalhos autorais lançados nas principais plataformas de streaming.


 

Bilaro, insólita fuga dum Zé de si mesmo!... - Zé Bilaro ficou órfão de pai e saiu pelo mundo. Olvidou os rogos maternos: não fizesse mais asneiras, bastavam os desatinos paternos agora enterrados. Mal saíra ele capenga dum grande amor, agora duplamente enlutado cogitava sequestrar a amada no dia do casamento dela. Endoidou mesmo, diziam. Ousou finca-pé na esparrela, depois: a cara mais lisa, lavada. Findou: Mas, mas... Depois de muitos atrapalhos, as errâncias dum malfadado. Foi-se: o olhar perdido na lonjura das léguas estiradas, misturando ideais e infortúnios, o regalo de uma módica sombra e o Sol na moleira. Arre! Alguém chamou por um nome que não o seu. Quem? Deu fé: os bichos falavam abeirados, as árvores tagarelavam longínquas, as pedras cochichavam genringonças, um pandemônio, temia caducar amalucado: Onde é que estou mesmo, hem? Ali o morro que perdeu a ponta, imenso. Vixe! E lá ia pelas trilhas de umburanas e grutas, os cânions e a pareidolia, chapadas e desenhos rupestres, a caverna e o sítio de Alcobaça, a Loca das Cinzas e a Gameleira de Buíque, a pedra do Cachorro e o Portal da Igrejinha, a merafusa de Sabadi tangendo seus fiéis pra caverna de Meu Rei, o Morro do Elefante e a caatinga, a Vila dos Breus e a Serra das Torres, a Jurema Preta e o Povoado de Aterrados, o marmeleiro-do-mato e o enxame de abelhas, o feijão-bravo e o Vale das Tartarugas, os Lapiais e o Véu de Noiva, a catingueira e os visíveis sinais do fogo corredor – o compadre e a comadre brincavam de esconde-esconde -, os encantados das furnas do holoceno, Homo floresiensis, Homo luzonensis - Oxe! -, os caboclos encantados, cobras aninhadas, um cachimbo velho e pequeno, ali tudo podia acontecer. Passou a vista e ouviu lá longe soar o uruá dos Kapinawá - sinal do sagrado Kwarup afastando maus espíritos, ou o rito de passagem da furação de orelha. Respondiam takuaras como se fossem o uirapuru – o coração partido do guerreiro Quaracá, a cantar de saudade pelo amor impossível de Anaí. Tal como ele, melancólico. Há quem surpreendido soubesse do canto o seu amuleto de sorte, o poema sinfônico de Villa-Lobos. Ele nem, nem. E se era Oribici chorava de amor, para outros. A surpresa foi possível com os gritos do gigante Mapinguari, quebrando galhos no interior do matagal – ali seu peludo casco de tartaruga, um olho apenas na testa e a boca no umbigo, pés de mão de pilão. Valha-me! Outros silvos, será da flauta de Pã, ou da de Krishna? Arredou, hesitante. Mal escapara e viu logo atrás do Mapinguari, o Ipupiara: ataque comendo parte dos corpos de desavisados, o demônio d’água, seus braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode. Ô. Ora, ora. Temeroso, ouviu amiudado cochicho: Pare, não responda, o sopro dele dilata o aço do cano da espingarda e você perderá a vida, quieto; os sobreviventes, aos aleijões e nódoas no corpo. Olhos pros lados, virou-se, girou: a paisagem e mais nada. Ué? Psiu! Salvou-se, achou: ares de Tejucupapo! Era Maíra, a Dona Clara com as heroínas guerreiras depois da Batalha, anônimas Marias. Boa tarde! E achegou-se esbaforida, abanando-se acalorada: Mormaço, hem? Era o meio da tarde, puxou conversa e o paradeiro. Ah, estava mesmo extraviado da lucidez. Hum? Acalmou-se com a brisa arranchando-se ao lado dela. E muito ouviu e tomou ciência: ensinou-lhe como o beijo dança contando toda hestória. Entardecia, o Sol cochilava escondendo-se. Ela foi-se apressada e tudo o mais acontecia no trâmite das horas. Anoiteceu com o burlão astucioso Malasartes aos espalhafatos, vinha do Cancioneiro da Vaticana para se encontrar com Cancão de Fogo: Você viu? Não. Inté. E logo seguido pela esperteza e deboche de Camonge, escapando dos bumerangues das armadilhas: Tá ouvindo o Esquenta-mulher? Aguçou as ouças: Não. Rola no oculto, espie direito: o terno da zabumba, cabaçal com o toque de Lampião. Hum? É a Zabé da Loca ensaiando. Logo viu os volteios apaixonados do caçador Papageno com sua amada Papagena, disfarçavam perseguirem no encalço de Sarastro, que raptou a filha da Rainha da Noite. E um cortejo seguia: os apaixonados Tamino e Pamina, o Peer Gynt de Ibsen nos tons de Grieg. Vieram depois Sethos de Terrasson e a Megara de Hafner, caborés e pífanos com as pantomimas das peripécias e artimanhas da farsa do mestre Scapin de Molière, tirando vantagem, como se fosse o filósofo do povo às piruetas inagarráveis, revelando interditos e hipocrisias. E o Fígaro de Beaumarchais completamente desatinado porque perdeu Suzanne e, em vingança, ousou exigir o jus primae noctis de todos os nubentes e dos já casados: Não somos seus servos! E repetia exigente: derecho de pernada, droit de cuissage. Condoeu-se, comiserado: o mesmo com ele. Ali tudo acontecia simultaneamente: o bambu de taboca, Zé Tapera & Teodoro com a roupa nova do rei de Andersen, as proezas de João Grilo, Mainá nas carapebas e Mazzaropi: larga de ser besta! Viu até o duelo da vida com a morte, quando um trio de montanhesas apareceram para roubar suas ideias. Entre elas uma mulher vestida de verde apontava grávida dele. Eu? Uma voz: Seja fiel a si mesmo. Aí deu a volta e aos rodeios passou-se por missionário, fausto comerciante de escravos e vestiu-se de beduíno para ser referenciado como profeta. Enganou a quem? Deu-se diante da Esfinge: pro hospício, imperador de si mesmo. Ah! Invocou socorro quando viu: Deus é o guarda de todos os tolos. E era um velho náufrago em auxílio sinalizando: Descobrisse onde os sonhos têm seu lugar. Hem? Aí foi julgado pelo que não fez, as músicas não cantadas, as obras desfeitas, as lágrimas não derramadas e as perguntas que nunca foram feitas na ameaça de sua alma torrar derretida: Quando foi você mesmo? Sei lá! Procurou confessar e deu de cara com o diabo: Sua vida está perdida, pra sua mãe sua morte nunca deu certo. E correu pra última encruzilhada e lá encontrou a amorante Solveig: Você não tem pecado, está perdido, por onde andou? Hem? E ela: Não direi mais nada... E ninguém sabia dos achaques e temores dele nas copas das árvores, a longuidão dos percalços, o mundo por vencer. Sentiu-se ali banido, acuado, preterido, rejeitado. E agora? Esfregou os olhos, o existir sozinho noutra manhã: o Sol na areia, a ventania libertadora, os túmulos e os cárceres, os pingos de chuva, a brandura das nuvens momentâneas e os vultos andantes. Via-se acontecer alhures ali na hora, sorvia o veneno bento e um pouco de tudo no imperdoável renascer da memória. Eram medonhas lembranças, os anos excedendo as denúncias e revertérios, o avesso de outrora e a descoberta dentro de si da centelha, antes escondida, a preencher seus vazios, num doidivano festejo de realizar-se, cônscio da erradia essência de viver: Estou vivo mesmo ou já morri? Presenciou in loco o Primum Mobile e o Empíreo: era o céu de Dante. Escapava fedendo, por um trisco de nada. Demorou lá mais outro tanto: “Não é um voo para as minhas asas”. Sonhava de olhos abertos no Vale do Catimbau. Até mais ver. 

 

Marcel Proust: Os paradoxos de hoje são os preconceitos do amanhã, já que os preconceitos mais desprezíveis e os mais deploráveis tiveram seu momento de novidade quando a moda lhes emprestou sua frágil graça... Somos curados do sofrimento apenas experimentando-o ao máximo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Edgar Morin: A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira... Estamos completamente imersos neste mundo que é o dos nossos sofrimentos, das nossas felicidades e dos nossos amores. Não sentir é evitar o sofrimento, mas também o regozijo. Quanto mais aptos estamos para a felicidade mais aptos estamos para a infelicidade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Botafogo: Muita coisa eu sei, mas muita coisa ainda vai ser surpresa para mim... Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

NOITE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Tua mão pesa, Noite, sobre minha testa. \ Não tenho coração mercurial como as nuvens, \ para ousar. \ Exacerbação de teu arado sutil. \ Mulher como uma ostra, na crescente do mar. \ Vi teu olhar ciumento extinguir a \ fluorescência do mar, dançar no pulso incessante \ das ondas. E eu fiquei ali, exausta, \ submetendo-me como as areias, sangue e salmoura \ correndo até as raízes. Noite, tu choveste \ sombras serrilhadas através de folhas úmidas \ até que, banhada na quente difusão de tuas células salpicadas, \ sensações me atormentaram, sem rosto, silenciosas como ladrões da noite. \ Esconde-me agora, quando crianças da noite assombrarem a terra, \ não devo ouvir nenhuma! Estas células nebulosas ainda \ me desfarão; nua, sem ser convidada, no nascimento silencioso da Noite.

Poema do escritor, dramaturgo e ensaísta nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura de 1986, que em 1967 foi preso durante a Guerra Civil Nigeriana, pelo governo federal do general Yakubu Gowon e colocado em prisão solitária durante dois anos, por ter se voluntariado como ator mediador não-governamental. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ROUGE – [...] A única jornada que importa no final, Filha de Noelle.” “Retinol?”, sussurro. “A alma. Uma jornada da alma, é claro. [...] Um espelho é apenas um espelho, Belle. Ele só reflete aquilo que desejamos e ansiamos. [...] Havia um espaço ali também, como aquele entre mim e a Mamãe. Como aquele entre mim e todos, dali em diante. Existe um espaço entre mim e tudo o mais desde que você virou fumaça. Existe uma parede de vidro. [....]. Trechos extraídos do livro Rouge (Globo, 2024), da escritora canadense Mona Awad, que noutra obra, Bunny (Globo, 2024), expressou que: […] Nunca deixei realmente de escrever, nunca fiquei sem um outro mundo criado por mim para onde escapar, nunca soube como estar neste mundo sem que a maior parte da minha alma estivesse sonhando com outro e vivendo nele. [...] Os poetas preparam-se para uma pobreza iminente e altamente instruída. [...]. Ela também é autora dos livros 13 Ways of Looking at a Fat Girl (2016), All's Well (2021) e We Love You, Bunny (2025).

 

MÃE SALVADORASou apenas uma mãe normal que tenta salvar vidas e ser o melhor ser humano que possa ser... O nosso país foi assaltado por bandidos assassinos, gangsters que cobiçam fortunas e poder... Quando eu estava crescendo, era 'Comunistas'. Agora é "Terroristas". Então você sempre tem que ter alguém para lutar e ter medo, para que a máquina de guerra possa construir mais bombas, armas e balas e tudo mais... Então, o que realmente me faz é esses chickenhawks, que enviaram nossos filhos para morrer, sem nunca servir em uma guerra. Eles não sabem do que se trata... Precisamos realmente deter as tendências imperialistas de países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha... Cabe a nós, o povo, quebrar leis imorais e resistir. Assim que os líderes de um país vos mentem, não têm autoridade sobre vós. Esses maníacos não têm autoridade sobre nós. E eles podem ser capazes de colocar nossos corpos na prisão, mas eles não podem colocar nosso espírito na prisão... Não podemos permitir que nenhuma guerra pelo imperialismo ou pela ganância seja travada em nossos nomes. É por isso que temos de continuar a lutar... Se ficarmos juntos como um povo, podemos derrubar os criminosos de guerra que estão comandando nosso país agora... Pensamento da ativista estadunidense Cindy Sheehan (Cindy Lee Miller Sheehan).

 


O UNIVERSO LITERÁRIO DE ADÉLIA PRADO - O que a memória ama fica eterno... Fugir da dor é uma perda de tempo... O sofrimento não tem idioma... Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Não tenho mais tempo algum, ser feliz me consome... O destino não existe. É de Deus que precisamos, e rápido... Quanto a mim dou graças pelo que agora sei e, mais que perdoo, eu amo... Pensamento da poeta, filósofa, escritora e professora Adélia Prado (Adélia Luzia Prado de Freitas). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GORETTI VARELLA

Arte da artista visual, arte-educadora e arteterapeuta Goretti Varella (Maria Goretti de Souza Ferreira), editora do blog Desenhos no meu quintal. Veja mais aqui.

 

E veja mais Pernambuco aqui.



 


quinta-feira, agosto 03, 2017

NA ÁREA COM GRACILIANO, MORIN, LIBÂNEO, EDUCAÇÃO, DIREITO, PSICOLOGIA & NÓIS AQUI TRAVEIZ.


FUI ALI, JÁ VOLTEI, ÓI EU AQUI TRAVEIZ – Imagem: art by Russell Kaplan – Fui ali, mas já voltei. Demorei um tiquinho, num foi? Pois é, imprevistos acontecem. Desde semana passada meio sumido, involuntariamente. Todo dia a gente muda em alguma coisa. No meio disso, tem mudanças que são mais custosas, às vezes no de repente, atendendo interesses alheios, até mesmo despropositais. São essas mudanças que pegam a gente às vezes de calças curtas – ou com elas arriadas, o que é muito pior, né não? -, ou quando são propostas no amiudado e a gente projeta em cima da risca e quando vai ver na real, não é nada daquilo que se havia pensado ou planejado. Nem digo, muito às avessas. Tem gente que muda de cara, de cabelo, de pele, eu mesmo já mudei tantas vezes por dentro, que nem sei se sou o mesmo que aparento ser: parece que a cara e todo resto permanecem o mesmo – baixim, buchudim, tronchim e bunitim, só um pouco mais gasto de uso -, eu só mudei de mesmo por dentro, ah, isso sim. Coisas assim e me rio muito. De casa, um tanto de vezes: já fui dali prali e depois pracolá, andejo que sou, corri mundo metido e cheio das pregas. Aprendi uma coisa: terra boa é o lugar que se vive, raízes, vínculos, afetos. Eu mesmo sempre fui lá meio que deserdado, desgarrado à-toa. Com a graça de Deus tudo vai bem, ainda não sei o que não tem volta. Já mudei muitíssimas vezes minha regra, a ponto de não saber que regulamento de verdade rege o meu viver, nenhum. Sei que uns – como eu - pelejam e nada, outros até sem fazer nada sai tudo bom: coisa de um milhão que nem vale duzentos, acho. Pra mim o ter tem que ter gosto de vontade nos peitos, puxado na conquista, é que nunca soube direito o que é de mão beijada. Sei que tem gente de ganhador aberto, bunda pra lua. Na hora de acertar, seus princípios austeros, nem dá o dedo a torcer, fecham a cara em má decência. Enfim, no fim dá certo. Tudo dá certo mesmo no fim, quer queira, quer não. Para mim, o bom mesmo seria um jeito de ser menos custoso, destá, cada qual seus percalços. Mas nem ligo, pensar demais atrapalha viver, vou de cara, na horagá. An-han! Seja lá meio dia, seja meia noite, apátrida e ultramundos meus sempre fui e não mais sou de mim, tenho o que perdi. Quem bebeu das águas do Una sabe do que estou falando: o ânimo de quem procura, um alvo é sempre um sentido, não importa qual, coisas de sentir e que não se pode negar: o mundo sem valor, aquele feito das coisas que são boas porque são boas, mais nada, fazem bem ao coração, à vida sem cerimônia ou explicação. Coisas que fazem sorrir e que acontecem sem mais nem menos. Essas são mais duradouras, porque são invendáveis. As coisas compráveis em moeda líquida e certa, no tome lá dê cá, ou na valsa de não sei quantas prestações, me parecem efêmeras, logo se vão, vida útil pré-determinada. Até as amizades que se parecem acertadas, negociadas, compadrios feitos nas conveniências, logo se vão entre os dedos da gente nem saber como foi que a amizade virou intriga, porque não se sabia o interesse, que havia o dares e tomares, o útil pra mim que dou. Basta ter precisão que quando procura ver não sobrou um pé de gente. Melhor pra quem não tem nada, ter pelo menos, a cortesia, a boa intenção. Ah, sermos o sentido e medida de valor das coisas, mesmo que o sentido e a medida noves fora nada de tão módica ou inexistente, coisas assim, que são boas só porque são, nada demais ou carente, que não haja um centavo que seja de valia. Como pode? Ventos no eucalipto e a desordem do mundo, tudo de pernas pro ar, as correntes dos rios, a plantação, o pomar, nenhuma correspondência. Hoje tudo tem preço e prazo de validade, meu coração sangra, folgo feliz quando encontro um amigo que havia se perdido pelas esquinas do mundo. Alegro e não participo da festa dos luminosos. Para quê? Tudo foi em vão até agora, rebanhos, apenas, cegos furores, espasmos de ontens, eternidades sonhadas, apenas mesmo, soma de zeros no instinto social, inevitável caduco que retorna sem um final no nada esboroando o perecimento. Nada, nada. Por isso só as amizades forjadas na simpatia, no afeto, sem interesse, sem moeda de troca, persistiram e vão intactas com o tempo. Quando vi só escombros, uma rosa resistia florescer no concreto armado: era um amigo que acenava, de verdade. Parecia renascer da destruição, salvando-se de ser condenado à mesmice, ou votado à dominação. Em suma: só o desejo de viver e de novo. Os rios trazem de volta tudo que já foi em forma de outra vez, outras águas de Heráclito, mordendo a cauda, ou se alimentando dos próprios excrementos. Ou o marido pródigo Eulálio da prosa de Rosa que voltava sem mais nem menos da capital pros cafundós dos gerais, tudo certo, o desplanejado. O eterno retorno de Nietzsche: nunca chore por mim, não chore não. E o peito aberto cantando pra seguir a canção e a cada qual a sina de agora, desatino vadio da ilusão. O apito do trem me apressa a hora, marcando o compasso do meu coração. Cada rosto se expõe na dor que chora, quando o peito é varrido pela paixão. Já é tarde, estou indo, eu vou embora, é que o choro arrocha o nó da canção de quem vai se entregar, seja em qualquer lugar, aonde a sorte vier. Perdão dos amores desfeitos na tora, arrancados no véu da contramão, fizeram outono na minha história, atraindo abandono e distração. Pelas ruas ganhei a pose e o disfarce, o abraço e o perigo da delação. Para a vida ofereço a outra face e pra morte celebro a confissão de quem vai se entregar, seja em qualquer lugar, aonde a sorte vier. Vou, uma palavra diz tudo, não explica nada. Vou ali, volto já, até amanhã, quem sabe. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: art by Massimiliano Ligabue

PLANEJAR É PRECISO – Tudo que se deseja realizar na vida precisa ser planejado nos mínimos detalhes. Quando não se planeja direito, a coisa sai entronchada. Só sai mesmo endireitado, quando usamos da imaginação, visualizamos os mínimos detalhes do que desejamos e nos pomos a planejar, definindo o que se quer, o porquê, quais os objetivos e metas, o disciplinamento de execução, coordenação dos meios e recursos utilizados para atingi-los, enfim, conceber aquilo que se quer antes mesmo que ele exista de fato. Por isso, planejar é preciso. Ver detalhes aqui.

O MUNDO MARAVILHOSO DO LIVRO – Quantos livros maravilhosos eu viajei mundo afora na imaginação: Alice, Gulliver, Mobu Dick, muitas e tantas aventuras. Veja mais aqui.

VIDAS SECAS & SEM TERRA - [...] Vidas secas além de antecipar o que realmente aconteceria nos anos que se seguiram, continua a alertar aos novos movimentos, sobre a precarização das possibilidades de conscientização das famílias fabianas. O movimento que hoje envolve os trabalhadores rurais não tem sua base nos necessitados da seca que, como ação coletiva, possuem no final do século vinte, apenas o saque como proposta. Continuam migrando isoladamente para os lugares que, esporadicamente, oferecem alguma oferta de emprega, ou se colocam à margem nas cidades, continuando a viver como os sem. Concluir uma etapa na concepção dialética é, necessariamente, recomeçar. Recomeço aqui significa acompanha essa etapa da história dos sem terra, e a representação que a literatura fizer dessa nova forma de subjetivação, procurando desvelar a antecipação trazida pela arte como possibilidade. Trecho extraído de A representação metafórica dos caminhos do campesinato na década de trinta: os desejos de sinhá Vitória e a construção autoral de Graciliano Ramos em Vidas secas (Ufal, 1999), de Belmira Magalhães. Veja mais aqui.

A EDUCAÇÃO & O FUTURO - [...] A Humanidade deixou de constituir uma noção apenas biologia e deve ser, ao esmo tempo, plenamente reconhecida em sua inclusão indissociável na biosfera: a Humanidade deixou de constituir uma noção sem raízes: está enraizada em uma “Pátria”, a Terra, e a Terra é uma Pátria em perigo. A Humanidade deixou de constituir uma noção abstrata: é realidade vital, pois está doravante, pela primeira vez, ameaçada de morte; a Humanidade deixou de constituir uma noção somente ideal, tornou-se uma comunidade de destino, e somente a consciência desta comunidade conduzi-la a uma comunidade de vida; a Humanidade é, daqui em diante, sobretudo uma noção ética: é o que deve ser realizado por todos e em cada um. Enquanto a espécie humana continua sua aventura sob a ameaça da autodestruição, o imperativo tornou-se salvar a Humanidade, realizando-a. Na verdade, a dominação, a opressão, a barbárie humanas permanecem no planeta e agravam-se. Trata-se de um problema antropo-histórico fundamental, para o qual não há solução a priori, apenas melhoras possíveis, e que somente poderia tratar do processo multidimensional que tenderia a civilizar cada um de nós, nossas sociedades, a Terra. Sós e em conjunto com a política do homem, a política de civilização, a reforma do pensamento, a antropo-ética, o verdadeiro humanismo, a consciência da Terra-Pátria reduziriam a ignomínia no mundo. [...]. Trechos extraídos da obra Os sete saberes necessários à educação do futuro (Cortez/Unesco, 2000), de Edgar Morin. Veja mais aqui.

NATUREZA HUMANA, PSICOLOGIA & EDUCAÇÃO - [...] Não existe uma natureza humana definitiva, estável, como quer a psicologia corrente; ela vai se constituindo histórica e socialmente pela luta do homem com o ambiente, pela interação entre os indivíduos, pelo trabalho, pela educação. [...]. Trecho extraído da obra Psicologia educacional: uma avaliação crítica (Brasiliense, 1984), de José Carlos Libâneo. Veja mais aqui.

SOCIEDADE E DIREITO - A vida em sociedade implica, necessariamente, a existência de relações entre seus membros. As pessoas mantêm umas com as outras relacionamentos de várias espécies e de natureza diversa. Algumas dessas relações são objeto de regulamentação pelo Estado, que edita normas de conduta, cuja obediência é imposta a todas as pessoas. O Direito é, pois, um fenômeno humano e social. [...]. Assim, entre os homens ocorrem relações de natureza vária- de amizade, de cortesia, de religião, de negócios, etc. Quando uma dessas relações é regulada pela vontade da lei, qualifica-se de relação jurídica. O desrespeito a uma norma criada pelo Estado acarreta sempre uma sanção, que será mais ou menos severa, de acordo com a natureza da norma violada e do bem por ela tutelado. [...]. Trechos extraídos da obra Direito e processo: influência do direito material sobre o processo (Malheiros, 2003), de José Roberto dos Santos Bedaque. Veja mais aqui.

SOCIEDADE E PESQUISA SOCIAL - [...] Cientistas sociais e cidadãos comuns utilizam rotineiramente não somente mapas, mas uma grande variedade de outras representações da realidade social – alguns poucos exemplos aleatórios são filmes documentários, tabelas estatísticas ou as histórias que as pessoas contam umas às outras para explicar quem são e o que estão fazendo. [...] Pessoas numa variedade de disciplinas intelectuais e campos artísticos pensam saber algo sobre a sociedade que vale a pena contar para outros, e elas usam uma variedade de formas, mídias e meios para comunicar suais ideias e descobertas. Estudos comparativos destas maneiras de representar conhecimento sobre a sociedade mostram os problemas comuns que todas as representações envolvem e as diferentes soluções que as pessoas desenvolvem para situações diferentes. [...]. Trecho do ensaio Falando sobre a sociedade, extraído da obra Métodos de pesquisa em ciências sociais (Hucitec, 1999), de Howard Becker. Veja mais aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, maio 11, 2017

KRISHNAMURTI, CABEÇA FEITA DE MORIN, NADAV KANDER, PERRON & CHAMEGO É BOM DEMAIS!

CHAMEGO É BOM, MAS DEPOIS... - Imagem: No pé do ouvido, xilogravura de Perron Ramos. - Ô compadre, o chamego é bom demais, né? Bote bão nisso, compadre. É, mas dá uma dor de cabeça dos diabos. Faz parte dos dividendos. Você compra o troço, vem tudo bonitinho e na melhor embalagem. Bota o dedo pra funcionar, tudo direitinho. Com o tempo, já sabe, né? Enguiça daqui, entorta dali, funciona na maciota, você arranca os cabelos e não adianta: só faz o que quer. Assim é a mulher, quer queira, quer não. Por isso digo: mulher consegue ser a melhor e a pior coisa de mundo, compadre! No começo é tudo nos ajeitados, carinhos, esfregados, pega aqui, pega acolá, tudo a maior satisfação. Quando o casório é firmado e o bruguelo nasce, aí a coisa empreta! Pense num ser mais cheia de direito e do beiço virado. Pode estar errada como for, mas quer estar certa na marra, de todo jeito. Se de um lado você tem cama, comida e roupa lavada, de outro tem que aguentar todas as xaropadas, TPM, implicâncias e choro de menino gasguento no maluvido. Pois é, compadre, mas ninguém deixa de chambregar, a gente só vê os marmanjos pinotando o pingolim na fulana, sarrando a sicrana, maior esfregado na beltrana, arrebanhando as outranas, no fim das contas dá uma superpopulação de filhos da puta no mundo, por isso que a vida está a maior desgraceira. Mas num é que é mesmo, compadre! O que tem de mãe solteira e filhos sem pais não está no gibi! Quem quer assumir paternidade de filho duma qualquer? Pronde você se vira é o maior chamegado, maior fodelança! Como é que pode? Ô compadre, estás vendo aquele ali? O filho bastardo do Coronel Leuterão? Sim, ele mesmo. Vixe, esse botou catinga em bosta! O coronel é um santo homem, probo, direito, coração bom até dizer basta; mas esse filho duma quenga, é um revestrés de gente ruim. É um porqueira mesmo, farrapeiro chega derrapa afrouxado no primeiro acocho. Pois é, filho de puta tira a mãe da culpa! Mas num é mesmo, o cara é talqualzinho, cuspido e cagado, o coronel. Como é que um homem tão bom como aquele dá uma pulada de cerca com uma desgraceira de mulher daquela, hem? É a safadeza, compadre, quando a mulher bota pra enfeitiçar o homem, não tem que dê jeito, o cabra vai feito hipnotizado se enterrar nos guardados dela. É, compadre, mulher é bicho que tem parte com o cão mesmo. Oxe, ainda um dia desse eu vi o Jaterlício, lembra dele? Lembro, um homem rico daquele, por causa de quenga, quebrou na junta. Pois é, morreu do coração. Foi mesmo? Mal enterraram o defunto e ele ressuscitou no outro dia mais rico do que antes. Como é que pode? Dizem que quando ele chegou no céu, São Pedro brecou porque chegou antes da hora e tinha que voltar. Só que ele negou fogo: voltar praquela miséria, volto não. Aí depois de muita conversa no pé do ouvido e de ver uns tridentes enfiados nos rabos dos condenados no inferno, entraram no acordo. Aí ele voltou com a maior fortuna e danou-se a obrar caridade a torto e a direito. Não me diga, compadre! É mesmo! E quando mais ele dava, mais ficava rico. Num brinca! Oxe! Dizem que o prazo de retornar pro santo tinha vencido e ele não tinha gastado a grana e teve de voltar outra vez. Foi mesmo? Aí quando ele encontrou com o pariceiro dele, o Genebaldo, conhece? Conheço aquele trambiqueiro e gigolô imprestável. Pois foi quem resolveu a bronca dele. Como assim? Jaterlício estava aflito e contou a história amiudada pro comparsa, sem saber o que fazer com tanto dinheiro, quanto mais filantropia, mais o dinheiro crescia e enricava, perigando findar no inferno ricaço se não desse conta do dinheiro de uma vez por todas. Eita! O que foi que ele fez? Seguiu o conselho do Genebaldo e arrumou uma reboculosa duma piniqueira, não deu dois tempos, a grana acabou-se na hora, dele buscar socorro no santo e nunca mais voltou! Danou-se! Deve de estar pendurado pelo rabo de cabeça pra baixo assando nos quintos do inferno! Virgem santa! Olha quem vai por ali, compadre? É o Totonho todo empenado. Aquilo é um traste, não pode ver um rabo de saia, perdido todo, só na boêmia e traçando mulher de zona. Disseram que ele estava morre mas num morre, num foi? Coisa ruim não vai assim, fica durando pra pagar os pecados. Dizem que foi porque ele se meteu com a mulher do Roseleno, catimbozeira macha que desacerta a vida de qualquer cristão. Oxe, esse Roseleno é um corno da gaia mole, a mulher enfeita com duas de quinhentos o dia todo, parece mais que na base do catimbó que o cara não enxerga, só o corno não vê e, ainda por cima, é metido a brabo. Quando ele quer dar uma de macho, ela dá uns bregues e ele fica murchinho com o rabo entre as pernas. Por que chamam ele de corno-senão? É que ele diz que ela apronte com ele direitinho, senão ele capa o pé-de-lã. Tudo dele é senão isso, senão aquilo. Corno senão. Vixe! Lá vai a belezura da filha de João Pistolão, como ela está ficando jeitosa, hem? Hum. Reboladeira, tinhosa, mulher bonita filha de pai brabo, é a casa da peste. É mesmo, porta do inferno escancarada chamando você pra torrar todinho. Mas olhando bem, uma mulher dessa não tem quem não perca a cabeça e caia na esparrela, né não? Homem, seu menino, por uma dessa eu deixaria o trubufu lá de casa na maior carreira, de nunca mais ver nem lembrança de mim nas fotos. É um caso sério, compadre. Se é, oxe! Elas engraçam e ficam toda manhosa e sonsa de deixar a gente doido, chamando a gente de banguelo, ora! Ah, comigo não! Quem tiver suas éguas novas que guarde, o garanhão aqui está pronto pra papar a primeira que der mole no saracoteado, caiu na risada, eu saçarico sem dó nem piedade e seja lá o que Deus quiser. Oxe, compadre, se aparecer uma rachadinha, eu meto as catanas, destá! Já emprenhei umas e muitas. Então, compadre, a conversa está boa, mas está na hora das obrigações. É, compadre, vamos embora que a gente não sabe o que diz nem o que faz. Inté mais ver, inté. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

A ILUSÃO DE SER DIFERENTE
Um ser humano é, psicologicamente, a humanidade inteira. Ele não só a representa: ele é a totalidade da espécie humana. Ele é essencialmente toda a psique da humanidade. Contra essa realidade, várias culturas impuseram a ilusão de que cada ser humano é diferente. Nessa ilusão a humanidade tem sido presa durante séculos, e essa ilusão acabou se tornando uma realidade. Se a pessoa observar de perto toda a estrutura psicológica de si mesma, descobrirá que, quando uma pessoa sofre, toda a humanidade sofre em graus variados. Se você é solitário, a humanidade inteira conhecerá essa solidão. A agonia, o ciúme, a inveja e o medo são conhecidos de todos. Portanto, psicologicamente, interiormente, uma pessoa é como a outra. Pode haver diferenças em termos físicos e biológicos; uma pessoa é alta, baixa, etc., mas, basicamente, uma pessoa é o representante de toda a humanidade. Assim, psicologicamente você é o mundo; você é responsável por toda a humanidade, e não por si mesmo como ser humano à parte, o que é uma ilusão psicológica... Se compreende todo o significado do fato de que uma pessoa é psicologicamente o mundo, então a responsabilidade se torna amor irresistível.
Trecho extraído do Letters to the Schools (1981 - vol I), do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Conselho dum bebão na teibei, A História do Brasil de Cláudio Vieira, Gênero & violência de Heleieth Safiotti, A coluna social de Edu Krieger, a pintura de Salvador Dalí & Por um Brasil democrático de Emir Sader aqui.

E mais:
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Vamos aprumar a conversa, A arte de viver de Jiddu Krishnamurti, A arte de viver em paz de Pierre Weil, Ação cultural para a liberdade de Paulo Freire, a música de Heitor Villa-Lobos & Bidú Sayão, A grande arte de Rubem Fonseca, a poesia de Camilo José Cela, a pintura de Salvador Dali, O teatro na educação de Paulo Coelho, o cinema de Eduardo Coutinho & a escultura de Jean-Baptiste Carpeaux aqui.
O homem ao quadrado de Leon Eliachar aqui.
Brincarte do Nitolino, Hino ao Sol de Akhenaton, a música de Kitaro, Manifesto Pau Brasil de Oswald de Andrade, Medeia de Eurípedes, Belfagor de Nicolau Maquiavel, a poesia de Percy Bysse Shelley, Fundador de Nélida Piñon, Dicionário do Aurélio, o cinema de François Truffaut, a pintura de Otto Lingner & Nina Kozoriz aqui.
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Carna, A poesia pornográfica: de Gregorio de Matos a Glauco Mattoso, Linguística & Estilo, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, a música de Andrea dos Guimarães, a xilogravura de Gilvan Samico, a arte de Matéria Incógnita & Wunderblogs aqui.
Crônica de amor por ela, Os 120 dias de Sodoma de Marquês de Sade, a poesia de Ana Cristina César, Teoria da Literatura de Rogel Samuel, a música de Roberto Carnevale, a pintura de Pablo Picasso, o teatro de Chris Wilkinson & Linda Marlowe, Dia da Prostituta, a arte de Claudia Andujar & Lygia Pape aqui.
Betúlia, a belezura e os restos nos confins do mundo, Uivo & Kadish de Allen Ginsberg, Evolução e sentido do teatro de Francis Fergusson, Porto calendário de Osório Alves de Castro, a pintura de Federico Beltrán Massés & Fayga Ostrower, a música de Consuelo de Paula, a arte de Claudia Andujar & Iemanjá, Mãe D’Água de Petrolina aqui.
Terra do que sou, vida que me cabe, Elogio da madrasta de Mario Vargas Llosa, a poesia de Thiago de Mello, Galalaus & Batorés de Mário Souto Maior, a música de Eduardo Ponti, A pintura de Shelley Bain & Natalia Goncharova, a fotografia de Yan Pierre, Taha Hassaballa Malasi, a arte de Rachel Mascarenhas & Ana Paula Pessoa aqui.
Domingo do que fui e não sou, O erotismo de Georges Bataille, a poesia de Federico Garcia Lorca, Os segredos da ficção de Raimundo Carrero, a música de Laurie Anderson, a pintura de Marta Nael & Cecily Brown, a xilogravura de MS, a arte de Benedict Olorunnisomo & Paula Valéria de Andrade aqui.
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A CABEÇA FEITA DE EDGAR MORIN
[...] Conhecer e pensar não significa chegar a uma verdade absolutamente curta, mas dialogar com a incerteza. [...] O desenvolvimento de uma democracia cognitiva só é possível com a reorganização do saber; e esta pede uma reforma do pensamento que permita não apenas isolar para conhecer, mas também ligar o que está isolado, e nela renasceriam, de uma nova maneira, as noções pulverizadas pelo esmagamento disciplinar: o ser humano, a natureza, o cosmo, a realidade [...].
Trecho extraído da obra A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento (Bertrand Brasil, 2004), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A arte do fotógrafo israelense Nadav Kander.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

segunda-feira, agosto 08, 2016

DICKINSON, MORIN, BERGMAN, FOLADORI, VASZARY & REINERS

TUDO ACONTECE NO ERMO DAS RUAS - Passos a esmo, eu só queria um copo d’água. A cabeça aos muros e a rua não é mais conversas ensolaradas, são sombrias até ao meio dia. Um deserto de pedras, nenhuma alma viva nas esquinas abandonadas. A vida invisível nos prédios imponentes, repartições, embaixo das pontes e viadutos, a chuva esfriando ânimos para mudez. Tudo jogado fora, o que se ergue ou o que desaba. Tudo voltado para si e vivendo a cidade inconscientemente, a memória jogada no lixo com o legado de nada. Nada se sabe, apenas nomes dos lugares dos compromissos, negócios ou lucros com suas grifes pros cifrões na elegância dos trajes. Eu voo olhar aguçado imigrante da vida nas pegadas da areia do tempo, nenhum rastro, menor resquício, as múltiplas faces do vazio. E eu me comovo com os gritos do silêncio: meus desfalques, tudo desabitado, parece cidade fantasma com todas as mudanças desconexas e bruscas: o que se constrói hoje, o que se destrói amanhã. Ninguém por aqui e eu aos saltos mortais pela violência dispersa, o medo religioso secular, as angustiantes tensões: olhos arregalados com as demolições, meu álbum de recordação com tudo desordenado, descolorido, desbotado. Atrevo-me aceno com secura na garganta aos reverentes ou refratários na perecibilidade de tudo, fugacidade de todos. Nada me daria maior apreço que saber-me solidário à rua a todos os acenos miúdos, desconfiados ou esfuziantes. Sozinho, levo a vida no quarador e eu apenas um sorriso para quem de onde vier na minha paisagem inventada, que sou eu quando choro de saudades ou de remorsos. Nunca fui, agora sou. Tentei de tudo e falhei; não fui capaz de ser minha própria luz, esforços em vão. E fiquei sem poder ir a lugar algum, descumprida missão: o preço do fracasso. Não terminei a obra e nem sei por onde recomeçar, muito menos o que fazer. Procuro não sofrer no rol dos erros, inútil me desvencilhar. Pago o pato e valho-me dos solidários fantasmas que rondam meus dias e noites enormes. O que sinto ou falo não tem destinatário, muito menos interlocutor, sou-me patético e beiro a insanidade entre sombras ocultas no que sou de vivo com todos os meus disfarces e solilóquios. Julgo haver incongruências esquisitas nos aterradores contornos dramáticos redutores da vida à minha dicção desolada ao longo de uma vintena de anos enclausurada em meus sonhos entre jogos de espelhos. Nunca tivera mais que o meu riso franco, sou-me do que tenho e nada mais além de mim mesmo na fartura dos acontecimentos momentâneos. Se louvo a vida, apouco a morte que cresce em dimensão. Antes fosse triste o meu olhar à flor do jardim: um salva-vida pro amor longínquo e ansiado. E olho o presente tão próximo e por todo lado, só peço que não seja insensível à dor alheia nesse reino das pedras onde tudo é controlado por uma absurda quantidade de leis inócuas que sequer reconhece cada parte do litígio. Vou pelo ermo das ruas e só queria um copo d’água, uma mão amiga, um olhar alheio no triz de simples momentos da vida, a aventura da ingenuidade em professar amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Curtindo a coleção de CDs e livros - 8 volumes- A Música Brasileira deste século por seus autores e intérpretes (Sesc São Paulo/Fundação Padre Anchieta, 2000), produzida por João Carlos Botteselli com material recolhido dos programas MPB Especial e Ensaio, criados e dirigidos pelo produtor Fernando Faro.

PESQUISA:
A história do mundo e do pensamento ocidental foi comandada por um paradigma de disjunção, de separação. Separou-se o espírito da matéria, a filosofia da ciência; separou-se o conhecimento particular que vem da literatura e da música do conhecimento que vem da pesquisa científica. Separam-se as disciplinas, as ciências, as técnicas. Separou-se o sujeito do conhecimento do objeto do conhecimento. Assim, vivemos num mundo em que é cada vez mais difícil estabelecer ligações [...] nossa educação nos ensinou a separar e a isolar as coisas. Separamos os objetos de seus contextos, separamos a realidade em disciplinas compartimentadas umas das outras. Mas, como a realidade é feita de laços e interações, nosso conhecimento é incapaz de perceber o complexus – o tecido que junta o todo.
Trecho extraído da obra Complexidade e ética da solidariedade (Sulina, 1997), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA
O Sucesso é mais doce / A quem nunca sucede./ A compreensão do néctar / Requer severa sede. / Ninguém da Hoste ignara / Que hoje desfila em Glória / pode entender a clara / Derrota da Vitória. / Como esse — moribundo — /Em cujo ouvido o escasso / Eco oco do triunfo / Passa como um fracasso!
Poema extraído do livro Alguns poemas (Iluminuras, 2006), da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: FATORES DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As análises e propostas da problemática ambiental podem ser reduzidas a depredação dos recursos naturais; poluição por causa dos resíduos; população excedente/pobreza [...] quaisquer desses três aspectos estão fora do processo econômico propriamente dito.
Trecho extraído da obra Los limites del desarrollo sustentable (Revista Trabajo y Capital, 1999), do antropólogo uruguaio PhD em Economia, Guillermo Foladori.

IMAGEM DO DIA
Cartaz e cena do filme O sétimo selo (Det sjunde inseglet, 1956), escrito e dirigido pelo dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre Desnorteio, Pablo Picasso, Mauro Mota, As máscaras de Deus, Robert Siodmak, Orquestra Contempoânea de Olinda, Janos Vaszary, Através do Espelho, Irene Ravache, Ella Raines & La Liseuse de Grundworth aqui.

DESTAQUE
A arte do ilustrador Félix Reiners.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e artista gráfico húngaro János Vaszary (1867-1939).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...