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terça-feira, dezembro 12, 2023

SOPHIE KINSELLA, LUCÍA SAORNIL, ANNE CONWAY & BESTA FUBANA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do premiado álbum Erosão (Risco\Fun In The Church, 2021), da baterista, cantora e compositora Mariá Portugal, uma expoente da musica experimental e fundadora do Quartabê – grupo formado por Maria Beraldo, Joana Queiroz e Chicão Montorfano.

 

ENTRE OBSESSÕES, IMPOSTURAS & COMPULSÕES... - Era a cidade feita de palavras ubíquas às diegeses insones. O que mais de assombroso quando se parecia um dia azul, outro nem tanto e a estupefação de nunca se saber como começou. Havia quem decodificasse algaravias ocultas, diziam das conversas de defuntos. O pior era um quase terror: as pessoas perderam a amabilidade e se empurravam umas às outras, e era para me escantear enrolado na trama da Trilogia da Estrada de Wim Wenders. O que de mim quase nada mais restou, apenas fruir dela Marion como se fosse radiante Lou Salomé, uma trapezista nas Asas do Desejo e um verso de Rilke: Uma única coisa é necessária: a solidão... O amor consiste nisso: dois solitários que se encontram, protegem e se cumprimentam... Graças a não sei quem havia a remissão à beira do rio: um elogio à imanência, entre o desvelar dos simulacros e a penitência. E a vida uma girândola com todos os fogos de artifícios atordoantes, para saber de Adélia Prado: Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade... Tudo então nos dividia e a divisão nos complementava – o contrário nos completava. A vida realizou a morte e quase nem se soube quandera manhã ou tarde, tanto faz, até a mesmice surpreendia, porque a sorte era só um aceno; a existência, uma lembrança. Então ali a praça fundiu casulos e conchas praquela rua que vai nem sei pra onde, porque nunca mais circos, só um monte púlpitos itinerantes, tudo muito chato, idolatria e o quão tedioso. Impotente, não havia dinheiro algum, não tinha nada, a doença do vazio – onde o tempo, qual espaço –, palimpsestos dos escarnecidos pecados incontáveis. Foi preciso Ella Baker: Uma das coisas que temos que enfrentar é o processo de espera para mudar o sistema, o quanto temos que fazer para descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos... Dê luz e as pessoas encontrarão o caminho... Experimentei e tive consciência de matar a fome, mentir, maldizer, descalçar-me e desmascarar-me o quanto podia, sorria e chorava, nada mais. No decurso de um tempo qualquer que nem percebia, aparecia Rodin: Olhe pro jardim... E era Agnieszka Holland: Se você olhar com atenção, o mundo todo é um jardim.... Havia perdido o olhar e o duplo, nem de mim ali só, nenhuma aura fugitiva por interstícios das rachaduras do impermeável: o sonho era um filme e a vida, rendi-me ao afeto, afinal sou e sei como existíamos. Até mais ver.

 

HINO DAS MULHERES LIVRES

Imagem: Acervo ArtLAM.

Aponte para mulheres em todo o mundo \ para os horizontes gravídicos de luz \ devido a aceiros, o pé no chão a cabeça não é azul. \ Afirmar essas promessas dá vida \ Tradição do desafio \ Nós nos modelamos com argila quente \ de um mundo nascido de dor. \ Que o passado caiu num lugar nenhum. \ O que nos interessa aqui? \ Queremos escrever de novo. \ Uma palavra mulher. \ Vá em frente, mulheres do mundo, \ com um ponto elevado para azul. \ Em fogo quebrado, \ Vá em frente, diante dá luz.

Poema da escritora, jornalista e líder anarquista espanhola Lucía Sánchez Saornil (1895-1970). Veja mais aqui e aqui.

 

À PROCURA – [...] Acho que percebi que a vida consiste em subir, descer e se levantar novamente. E não importa se você escorregar. Contanto que você esteja indo mais ou menos para cima. Isso é tudo que você pode esperar. Mais ou menos para cima. [...] O problema é que a depressão não traz sintomas úteis, como manchas e febre, então você não percebe isso a princípio. Você continua dizendo 'estou bem' para as pessoas quando não está bem. Você acha que deveria ficar bem. Você fica dizendo para si mesmo: 'Por que não estou bem? [...] Não será para sempre. Você ficará no escuro o tempo que for necessário e então sairá. [...] A maioria das pessoas subestima os olhos. Eles são infinitos. Você olha alguém diretamente nos olhos e toda a sua alma pode ser sugada em um nanossegundo. Os olhos das outras pessoas são ilimitados e é isso que me assusta. [...] Quanto mais você se envolve com o mundo exterior, mais será capaz de diminuir o volume dessas preocupações. Você verá que eles são infundados. Você verá que o mundo é um lugar muito movimentado e variado e que a maioria das pessoas tem a capacidade de atenção de um mosquito. Eles já esqueceram o que aconteceu. Eles não pensam sobre isso. Haverá mais cinco sensações desde o seu incidente. [...] Já enfrentei idiotas suficientes no meu tempo. Eles nunca percebem que são idiotas. Nem uma vez. Qualquer coisa que você diga. [...] Às vezes, espero estar acumulando um estoque de risadas perdidas e, quando me recuperar, todas elas explodirão em um ataque gigantesco que durará vinte e quatro horas. [...] Mesmo quando você pensa que se perdeu, o amor ainda pode te encontrar. [...]. Trechos extraídos da obra Finding Audrey (Doubleday Childrens, 2015), da escritora britânica Sophie Kinsella. Veja mais aqui.

 

PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS - [...] Eu digo, vida e figura são atributos distintos de uma substância, e como um mesmo corpo pode ser transmutado em todos os tipos de figuras; e como a figura mais perfeita compreende aquilo que é mais imperfeito; assim um mesmo corpo pode ser transmutado de um grau de vida para outro mais perfeito, que sempre compreende em si o inferior [...] Temos um exemplo de figura em um prisma triangular, que é a primeira figura de todos os prismas triangulares sólidos alinhados à direita, que é a primeira figura de todos os corpos sólidos alinhados à direita, onde em um corpo é conversível; e deste em um cubo, que é uma figura mais perfeita, e contém em si um prisma; de um cubo pode ser transformado em uma figura mais perfeita, que se aproxima mais de um globo, e deste em outra, que está ainda mais próxima; e assim ascende de uma figura, mais imperfeita, a outra mais perfeita, ad infinitum; pois aqui não há limites; nem pode ser dito que este corpo não pode ser transformado em uma figura mais perfeita: Mas o significado é que esse corpo consiste em linhas retas planas; e isso é sempre modificável para uma figura mais perfeita, e ainda assim nunca pode alcançar a perfeição de um globo, embora sempre se aproxime mais dele; o caso é o mesmo em diversos graus de vida, que têm de fato um começo, mas não têm fim; de modo que a criatura é sempre capaz de um grau de vida mais avançado e perfeito, ad infinitum, e ainda assim nunca pode atingir a igualdade com Deus; pois ele ainda é infinitamente mais perfeito do que uma criatura, em sua mais alta elevação ou perfeição, assim como um globo é a mais perfeita de todas as outras figuras, da qual ninguém pode se aproximar. [...]. Trechos extraídos da obra The Principles of the Most Ancient and Modern Philosophy (Cambridge University Press, 1996), da filósofa inglesa Anne Conway (1631-1679), que na obra Tangled Secrets (Usborne Publishing, 2015), expressa que: [...] Ele estava fazendo parecer que eu era forte e corajoso. Ele não percebeu o quão assustado eu estava por dentro. Como minha fita estava na minha bolsa. Como eu o encontrei enfiado na parte de trás da minha cama e ainda precisava dele apenas para passar o dia. Como eu nunca tinha feito nada corajoso em toda a minha vida. Seus olhos nunca deixaram meu rosto. “Se alguém pode entrar naquela sala, Maddie Wilkins – tarde, ou cedo, ou qualquer coisa – é você. [...]. Também noutra de sua obra Forbidden Friends (Usborne, 2013), também expressa que: […] Inclinei-me e, antes que pudesse mudar de ideia, beijei-o bem nos lábios. E então me virei e corri pela porta da frente. “Caramba, Abelha!” ele gritou atrás de mim. Mas quando olhei para trás, ele estava encostado no batente da porta, sorrindo. [...] Nós nos divertimos muito juntos [...] Ela é o tipo de pessoa que faz cara de corajosa mesmo quando tem vontade de chorar [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

A BESTA FUBANA

[...] A desunião dos bichos era a desunião deles, empolgados e ambiciosos. A volúpia do poder enxotara o pássaro-guia e os deixara órfãos de luz e de proteção, entregues à sanha do inimigo [...].

Trecho extraído da obra O romance da Besta Fubana (Bagaço, 2019), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


terça-feira, fevereiro 11, 2020

GLAUBER ROCHA, MARY LEAKEY, GERALDO AZEVEDO, DELLY FIGUEIREDO & ARTE PERNAMBUCANA


AGUÇANDO AS VISTAS & REMOENDO AS CATRACAS DA CACHOLA – UMA: ENTRE VER & ENXERGAR - Uma coisa é ver; outra, enxergar. Todo mundo já está careca de saber disso. Então, que é que está acontecendo? Ainda estou com aquele poeminha das mãos na pedra do verbo, que fiz ainda adolescente, martelando na cabeça: Você tem mesmo olhos na cara? É que passaram os anos e... Valho-me do que disse o jornalista Sérgio Augusto de Andrade: “... sem enxergar nada, fica sempre muito mais fácil de opinar”. Também acho. Que coisa! Porém, o ilustre jornalista dá uma dica: “Talvez estivesse na hora de nos arriscarmos um pouco e tentarmos abrir os olhos. Quem sabe nos faça bem. Quem sabe seja mais divertido”. É isso. DUAS: A DOIDICE CORAJOSA DE GLAUBER – Estava lendo as “Cartas” de Glauber Rocha e, ao mesmo tempo, cá comigo, pensando: que barra ele teve de levar nos peitos para fazer seus filmes, hem? Quando vi, certa vez, aquele cartaz da Yemanjá Filmes, com as inscrições: “Você acredita em cinema na Bahia? Nós acreditamos! Coopere...”, não pude conter a imaginação de vê-lo indomável e, qual irrefreável desmantelo desgovernado e descendo a ladeira feito um estrupício devastador, passando por cima de todas as adversidades e mangações que aparecesse pela frente. As suas cartas demonstram isso: um misto de doidice e genialidade. Ora, para quem acredita no que quer fazer é preciso ter coragem. E muita. Salve, Glauber! Vê mais dele lá pra baixo, visse? Vai rolando aí até o final dessa postagem. TRÊS: A SACADA DE RODIN – Pois bem, como pensar dói, enxergar dá trabalho e ter coragem é para poucos, comecei a remoer as catracas do quengo com o umbigocentrismo: o descartável na ordem do dia – cada um faz o que pode até onde der; se não deu certo, paciência, pula pra outra e sai arrumando as coisas na base da gambiarra nas coxas, até onde Deus quiser. Todo mundo só quer mesmo ser feliz e já. Nessa hora, me lembrei duma frase do escultor e pintor francês Auguste Rodin (1840-1917): O mundo não será feliz a não ser quando todos os homens tiverem alma de artista, isto é, quando todos tirarem prazer do seu trabalho. Ah, tá. Tem mais dele aqui & aqui. E vamos nessa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Você só encontrará o que está procurando, realmente, se a verdade for conhecida. As teorias vão e vêm, mas os dados fundamentais sempre permanecem os mesmos. Eu nunca havia passado em um único exame da escola, e claramente nunca passaria. Basicamente, fui atraída pela curiosidade. Eu desenterrei as coisas. Eu estava curiosa. Eu gostava de desenhar o que encontrei. Nenhuma quantidade de pedra e osso poderia produzir o tipo de informação que as pinturas davam tão livremente. Eu nunca senti que a interpretação era o meu trabalho. Pensamento da premiada arqueóloga e paleoantropóloga inglesa Mary Leakey (1913-1996), que revolucionou o estudo da evolução humana, descobrindo, depois de mais de 50 anos de escavações, as pegadas mais antigas que foram registradas dos hominídeos e fósseis com mais de 3 milhões de anos, das culturas da Idade da Pedra. Além disso, ela enfrentou o sexismo de seu tempo, rompendo as barreiras que lhe eram impostas, livres de convenções e inspirada por uma intensa vida de realizações graças à sua dedicação. Veja mais aqui.

CARTAS AO MUNDO, GLAUBER ROCHA
[...] Eu sou um apocalíptico que morrerei cedo... Às vezes sinto-me louco e absolutamente feliz dentro de uma infinita solidão. [...] O artista não pode senão apelas para um povo, ele tem necessidade dele no mais profundo de seu empreendimento. Mas quando um povo se cria é pelos seus próprios meios, mas de maneira a reencontrar algo da arte ou de maneira que a arte encontre o que lhe faltava. Há uma fabulação comum ao povo e à arte. [...].
GLAUBER ROCHA – Trechos extraídos da obra Cartas ao mundo (Companhia das Letras, 1997), reunindo cerca de 270 cartas escritas pelo cineasta, ator e escritor Glauber Rocha (1939-1981), escrita entre os 14 e 42 anos de idade, recuperadas após a sua morte, correspondendo a diários minuciosos em que faz revolução e autoanálise, esboça tratados, fecha negócios e vivo o exílio. O volume foi organizado por Ivana Bentes. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] meu trabalho é muito visceral. Tenho grande influência da cultura popular brasileira [...] Quando pequena via nas igrejas pessoas pagando promessas com ex-votos, que são objetos em agradecimento a uma graça alcançada, como as cabeças de ex-voto. Isso sempre me intrigou e hoje me fascina. As cabeças sempre fizeram parte do meu trabalho seja na pintura como na escultura. [...].
DELLY FIGUEIREDO – A arte da escultora, ceramista e artista visual Delly Figueiredo (Trechos extraídos da entrevista concedida pela artista ao Acontece Magazine). Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A música do compositor, cantor e violonista Geraldo Azevedo aqui, aqui & aqui.
A poesia de Marcus Accioli (1943-2017) aqui & aqui.
O pensamento do filósofo, escritor, crítico e jurista Tobias Barreto (1839-1889) aqui.
As Vozes das Mulheres & Luzilá Gonçalves Ferreira aqui & aqui.
Simoni Franzi, Cultura Canavieira & Meio Ambiente aqui.
O baile perfumado aqui.
Os escritos de Anelise Lorena aqui.
Água Preta & a Praieira aqui & aqui.



terça-feira, fevereiro 02, 2016

SANTA FOLIA, CHAUÍ, DARWIN, JAMES JOYCE, RODIN, MATISSE, GRAÇA GRAÚNA, CIKÓ, IRINA COSTA, ACERVUM & MUITO MAIS!!!

FOLIA TATARITARITATÁ: SANTA FOLIA (Imagem: Arte-vídeo da saudosa Derinha Rocha) Era início dos anos 1990, quando o parceriamigo Cikó Macedo me entregou uma melodia para apreciar. Dei uma arrumada e emplacamos a primeira parceria: Sede. Essa canção foi incluída no álbum Edição Extraordinária que ele gravou com Zé Linaldo Martins. Tempos depois ele me entregou um frevo. Tome tempo, um ano, dois. Quase todo dia eu pegava na melodia e dava uma sapecada na letra. Não gostava, lata do lixo. Queimei as pestanas para letrar a frevada boa. Enganchei de não gostar de nada que colocava ali. Deixei de mão. O tempo passava e eu sem acertar a mão na roda. Veio, então, a Copa do Mundo de 1994 e resolvi assistir Brasil e Holanda – o único jogo que vi da seleção no certame. Fiquei puto com a escalação, time retrancado, jogando na defesa. E quando vi o cansado Branco na lateral esquerda, no lugar de Leonardo que foi expulso contra os Estados Unidos, aí que perdi todas as esperanças de que chegasse a ser campeão. O jogo estava zero a zero, logo 1x0 pro Brasil, E mais um, 2x0. Mal comemorava quando vi quando o locutor da televisão falar 2x2. Oxe? O Brasil fez dois a zero agorinha?! Pois foi. Comemorava o segundo gol do Brasil, quando a Holanda fez dois somente na comemoração do segundo. Pode? Pois foi, o time dormiu e eles aproveitaram o cochilo. Coisas do Brasil, né? Aí que me desinteressei e fiquei tomando umas e outras, torcendo escondido, roendo as unhas, deu de aparecer uma no campo adversário. Eu já estava arretado com o cara quando ele pega a bola pra bater. Pra mim, aí fodeu. Esculhambei o cara e tudo. Na verdade, o cara mancava em campo. Mas era falta a favor do Brasil. Resolvi relaxar e tomar mais uns goles. Quando o tal do Branco deu um chute, um teiaço – como a gente dizia nas peladas do campinho de barro da Cohab I -, Romário e o zagueiro holandês saíram da bola e ela foi descansar no fundo das redes: Brasil 3x2 na Holanda. Gente, a inspiração bateu na hora! Escrevi a letra da música do Cikó que ficou Santa Folia: Quero ver o frevo na praça / Pra massa viver feliz / Segura a graça / Na raça / Na taça esse triz / Quero pular feito louco / Tão broco de endoidecer / Hoje a folia começa / E vai amanhecer./ E nessa noite vadia / Eu sinto essa fantasia / Esse momento mais terno / Até o sol raiar / E nessa vida eu queria / Pra reforçar no meu dia / A vontade mais certa da gente brincar / Que não fique tarde / Pra toda verdade / Poder ainda vir nos alcançar / A nossa santa folia no ar / E muito mais se quiser / A noite é festa pra se pular / Nos braços de uma mulher! Esse frevo foi incluído no álbum De janeiro a janeiro (1996), do Cikó Macedo. (Veja o clipe aqui). Em 2010, ele me enviou uma leva de temas para frevo, ao todo nove melodias. Até hoje não consegui dar por fechado. Se com um eu passei um tempão, imagine nove. Deus dará e ainda fecharei tudinho. E vamos aprumar a conversa aqui.

Veja mais:

PICADINHO
Imagem: Odalisque relaxing in a chair, do pintor francês Henri Matisse (1869-1954). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Salt (Righteous Babe, 2004), do cantor, guitarrista, compositor e produtor musical estadunidense Arto Lindsay.

EPÍGRAFEStruuggle for life, expressão extraída do livro A origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida (Escala, 2009), do naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809 — 1882), referindo-se à condição de que todos os seres lutam pela vida, sobrevivendo os mais aptos, tornando-se corrente como luta pela vida. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REPRESSÃO SEXUAL – No livro Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida (Brasiliense, 1991), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí, encontro que: A repressão sexual pode ser considerada como um conjunto de interdições, permissões, normas, valores, regras estabelecidas histórica e culturalmente para controlar o exercício da sexualidade, pois, como inúmeras expressões sugerem, o sexo é encarado por diferentes sociedades (e particularmente a nossa) como uma torrente impetuosa cheia de perigos [...] As proibições e permissões são interiorizadas pela consciência individual, graças a inúmeros procedimentos sociais (como a educação, por exemplo) e também expulsas para longe da consciência, quando transgredidas porque, neste caso, trazem sentimentos de dor, sofrimento e culpa que desejamos esquecer ou ocultar. Veja mais aqui e aqui.

ULISSES – No livro Ulisses (Civilização Brasileira, 1966), escritor irlandês James Joyce (1882-1941) – presente que ganhei do poeta Afonso Paulo Lins -, destaco o trecho que: [...] A verdade, cospe-a fora. Eu o quereria. Eu tentaria. Não sou um bom nadador. Agua fria fofa. Quando eu metia a cara nela na bacia de Clongowes. Posso ver não! Quem está atrás de mim? Fora, rápido, rápido. Vês a maré enchendo de todos os lados rápido, laminando rápido os bancos de areia castanha-decaucoloridas? Se eu tivesse terra debaixo de meus pés. Quero que seja sua vida ainda sua, a minha seha minha. Um homem afogado. Seus olhos humanos berram para mim no horror de sua morte. Eu... Com ele juntos no fundo... Eu não podia salvá-la. Águas: morte amarga: perdida. Uma mulher e um homem. Vejo a saiota dela. Arregaçada, aposto. O cão deles equipava por um minguante banco de areia, trotando, fungando por todos os lados. Procurando algo perdido em vida passada. [...]. Veja mais aqui e aqui.

DA HUMANIDADE LEVADA PELAS ÁGUAS – Entre as poesias da escritora Graça Graúna, destaco o poema Da humanidade levada pelas águas (Em memória de Aylan Kurdi): Viver é perigoso, / o poeta dizia. / Assim mesmo insistimos / em fazer a travessia. / Viver é perigoso, / mas seguimos / vestidos de coragem / na ânsia de encontrar / o olhar generoso / o abraço apertado / a mão amiga / que acolham os nossos sonhos... / Em meio à travessia / a humanidade / é levada pelas águas / e tudo que me fica / é uma tênue esperança / que se alastra pelo mundo / nos sonhos do pequeno anjo / de asas partidas. / Apesar das muralhas / e dos arames farpados, / o direito à Paz nos aproxima. / Viver é perigoso, / mas insistimos... Veja mais aqui e aqui.

MADEMOSIELLE GEORGE - A atriz francesa Marguerite-Joséphine Weymer, mais conhecida como Mademoiselle George (1787-1867), tornou-se a mais brilhante da cena francesa, começando na Comédie Fraçaise, na qual seu tio era secretário e seu pai era o diretor, atuando a partir dos cinco anos no drama e na ópera cômica. Na adolescência já era dotada de sensibilidade apurada, de uma maravilhosa e sonora voz, alcance e som, flexível e poderosa, estreando profissional em 1802, com Clitemnestra. Deu-se inicio ao triunfo geral torcendo que aliada à sua beleza como a sua voz, com dicção apurada e elegante, chegando ao auge com sua atuação Amenaide. Finalmente ela conseguiu o papel de Idame, o Órfão da China. Foi nessa época que ela se tornou a amante do Primeiro Cônsul Napoleão Bonaparte que lhe deu o apelido de Georgina, e tornou-se amiga de Alexandre Dumas e Victor Hugo. Ao ser abandonada pelo amante, seguiu para Rússia, onde sua vida entrou numa nova fase de honras, glória e riqueza. Seguiram-se inúmeros sucessos e ao retornar à França foi coroada de êxito. Veja mais aqui.

IT’S A WONDERFUL LIFE – O filme It's a Wonderful life (A felicidade não se compra, 1946), dirigido por Frank Capra, conta a história de um espírito desencarnado, candidato a anjo que, para ganhar suas asas, recebeu a missão de ajudar um valoroso empresário que se encontrava com grave problema financeiro, provocado por desonesto banqueiro e tinha a intenção de se suicidar. O aspirante a anjo foi encontrá-lo na véspera do Natal, à noite, prestes a saltar de uma ponte nas águas geladas que corriam embaixo. Fazendo-se visível e identificando-se, falou de sua missão e, sem nenhuma pretensão de demovê-lo da ideia, comentou que seria um desperdício, porque ele vinha sendo importante para muita gente. Ante o ceticismo de seu protegido, que se sentia um fracassado, o amigo espiritual mostrou-lhe várias situações que teriam acontecido se não fosse sua interferência. A morte do irmão, a tristeza da esposa, a situação lastimável de sua cidade entre outras. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz estadunidense Donna Reed (1921-1986). Veja mais aqui.

REVISTA ACERVUM - Está no ar a atualização da Revista Acervum – Suplemento Nacional de Literatura & Artes, editada pelo jornalista Mhario Lincoln. Esta edição é especial Luis Augusto Cassas, encartando a Revista Poética Brasileira com destaques para Jamerson Belfort, Osmarosman Aedo, Mariana Felix, Izau Neto, Luciah Lopez, entre outros. Traz ainda a entrevista com o poeta Eloy Melônio. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do escultor e pintor francês Auguste Rodin (1840-1917). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora portuguesa nascida em Angola e radicada no Brasil, Irina Costa. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
Veja aquiaqui.

 Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Ayn Rand, Elisa Lucinda, Lenine, Alina Zenon, Enrique Simonet, Paula Burlamaqui & muito mais aqui.


segunda-feira, abril 13, 2015

ANITA DESAI, CHRISTINA ROSSETTI, COLINE SERREAU, FROMM, NORBERG-HODGE & O BEIJO QUE SE FAZ POEMA

O beijo de Eisenstaedt

“(...) Colada à tua boca a minha desordem. O meu vasto querer. O incompossível se fazendo ordem. Colada à tua boca, mas descomedida... (...) eu te sorvo extremada à luz do amanhecer”. (Hilda Hilst, Do desejo).

O BEIJO QUE SE FAZ POEMA

Luiz Alberto Machado

O beijo de Rodin

A DELÍCIA DO BEIJO RELUZENTE

A tua reluzência de indelével pajuçara te faz dominante na alcova serena de nossa entrega, onde eu juro querer-te a mais da conta sob a sedução de um espectador vidrado na tua dança gambeta que torna a nossa fogueira nefanda mais queimante no galardão da oferenda e a nos premiar um gozo próximo da overdose real.

Ah, quanta majestade nua saltatriz para a minha sentinela indômita que no desespero procura alcançar tua freguesia inteira e fazer-te minha, capaz de invadir tripetrepe todos os teus esconderijos de Ménade lépida, de Tiade acessível à palma da minha mão pedinte.

Ah, vem, Iara minha, vem com o teu beijo alucinado litigar nossos vadios desejos com a chama que faísca de teus lábios de cocksucker gulosa, de gulp-girl mais que desejada, para que eu possa enlouquecido blow-job ofertar-te minha satisfação de sorvete de morango lambido e chupado.

Ah, vem, Iara minha, Iara nua, vem tépida como a quintessência de tua manifestação que eu quero à mão-tenente explorar teu rendengue com minha língua a apoderar-se do teu chanisco com tucuras providentes até que nossa perversão possa explodir tua compleição robusta ingênita e possuir-te inteira com teu sabor agridoce de freguesia desejada.

Ah, vem, Iara minha, Iara nua, quero possuir-te toda de popa à proa, minha enlouquecida musa, minha transbordante Vênus de Milo que remexe audaciosa, que se vira lúbrica, que se arrepia a dar-me o dorso nu, os ombros de santantonio para que eu possa probo mais diligente ocupar-me de tuas ancas, que pai-joão delicioso, que pódice saboroso, que capitel de sonhos desejados!

Ah! Iara minha, como sou feliz em fazer-te mais que lua possuída a me saciar nos teus queixumes de fogosa insone, nos teus dotes de gostosa imune, na tua alma de maravilha realizada.


O beijo de Rubens Gerchman

AH, ESSES LÁBIOS...

Ah esses lábios que me fazem drupa orvalhada na gula dos seus desejos incendiários e se torna alvo perfeito pelo deleite de fruta madura na sede do meu corpo.

Ah esses lábios são parcelas alquímicas na tesão que inflama a promessa de todas as delícias recônditas dos que desejam demais;

E que molhados de gozo me carregam volúpia adentro dos sabores maciços mais apetitosos no mormaço de todas minhas lascívias de verão.

São lábios bons de beijar pela reserva de mel que prova que não sou nada além da cobiça de ser sugado pela avareza dessas fatias de prazer na felação de todas as translúcidas luzes de se ser.

São bons de chupar por serem salientes amálgamas que guardam a língua profana na festa dos meus bacos ressurgidos com sua porção mágica de me fazer homem de devaneios e subverte a banda lunar do meu vulcão ardente na orgíaca saliva que me lambuza todo na folia do sêmen que brota e renasce entre o batom da carne que beija o falo e sou sol mais que no meio-dia.

Ah esses lábios querentes e requerentes de mim onde sou inteira nau adusta do dar-se em si até finar as horas na erupção de nossas vertigens em transe.

O beijo de Ricardo Paula.

BEIJU

Ela dá de ombros e eu só escombros nos assomos dela. É quando revela secreta, peito nu, alma aberta, toda delícia, verdadeira sevícia no meu bocejo. Ela me dá um beijo e se mostra atiçada e vem toda ouriçada pra cima de mim. E assim acende o beiju abalando Bangu e toda redondeza. E se faz minha presa e, também, a caçadora, a total predadora e rendida de graça. Quando meu beijo perpassa, ela rasteja lagartixa que bem muito se espicha sobre meu território. E no seu envoltório, se arrasta, rasteja, arrebata, viceja e me faz mais feliz.

O beijo da Esfinge, de Franz von Stuck.

BEIJO

Dos lábios rubros dela, ah botão de rosa convidativo, o mormaço do desejo escaldante que me contagia e meu coração bate furioso para dizer alguma coisa, não há de dizer nada, apenas beijá-la, um beijo além da foto de Eisenstaedt, um beijo real para lá dos de concreto de Rodin, um beijo além da poesia.

Ah, dos lábios rubros dela carne da minha boca mil vezes toda química do afeto e eu suplicante mais que duzentas pulsações cardíacas, enlouquecendo para morder seus mamilos, abocanhar seus suspiros, até os seus pecados e é só o que respiro.

Ah, o beijo e dela nua e linda, o beijo da mulher amada ateando meu incêndio e eu com a mão no fogo inextinguível na boca demolidora dos lábios inguinais onde sou raio de corisco enquanto ela troveja no que sou de canibal.

O beijo dela eu devoro a carne fresca da mulher amada e desliza em sonhos e chove a nossa torrencial descarga de suor que vem da cascata de desejo.

O beijo dela e o meu na flor escarlate provocativa de todo sangue vivo pelo azougue de vitalidade do útero acolhedor de égua assustada, acuada, fugidia com seu jeito veloz de eviscerar fragrâncias refugiando minha loucura.

O beijo e eu na mulher amada, o rosto, o riso, os seios, o corpo todo e a gente nenhuma âncora decolando no tempo piromaníaco, onde a gente faz a festa na ferocidade do cio, um ao outro a refeição do dia e eu, os lábios dela, a vida dela, o gozo dela.

Veja mais abaixo e mais aqui.
 

DITOS & DESDITOS - Eu vi que a comunidade e um relacionamento próximo com a terra podem enriquecer a vida humana além de toda comparação com riqueza material ou sofisticação tecnológica. Eu aprendi que outro caminho é possível... A localização econômica é a chave para sustentar a diversidade biológica e cultural - para sustentar a vida em si. Quanto mais cedo mudaremos para o local, mais cedo começaremos a curar nosso planeta, nossas comunidades e a nós mesmos... Pensamento da cineasta sueca Helena Norberg-Hodge, que no seu livro Ancient Futures: Learning from Ladakh (Rider & Co, 1992), ela expressa que: [...] Se o nosso ponto de partida é o respeito pela natureza e pelas pessoas, a diversidade é uma consequência inevitável. Se a tecnologia e as necessidades da economia são o nosso ponto de partida, então temos o que enfrentamos hoje — um modelo de desenvolvimento que está perigosamente distanciado das necessidades de povos e lugares específicos e rigidamente imposto de cima para baixo. [...] A cultura antiga refletia as necessidades humanas fundamentais, respeitando os limites naturais. E funcionou. Funcionou para a natureza e funcionou para as pessoas. Os vários relacionamentos de conexão no sistema tradicional eram mutuamente reforçadores, encorajando a harmonia e a estabilidade [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quando você caminha por duas horas em uma montanha, você fica mais inteligente... O caos está cheio de esperança porque anuncia o renascimento... O trabalho das mulheres não é um presente para as mulheres, é um presente para a sociedade... A opressão de gênero atravessa classes sociais... Pensamento da atriz, cineasta e escritora francesa Coline Serreau, autora do documentário Solutions locales pour un désordre global (2010), no qual expressa: Tínhamos saído do mundo das mulheres, do campo da benevolência, entrámos no da cidade, dos homens, das suas lutas, da sua raiva para se compararem, agora os perigos rodeavam-nos por todos os lados.

 

MEDO À LIBERDADE – [...] Agir contra as ordens de Deus significa libertar-se de coerção, emergindo da existência inconsciente de a vida pré-humana ascenda ao nível humano. Aja contra o mandamento da autoridade, cometa pecado, é, no seu aspecto humano positivo, o primeiro ato de liberdade, isto é, o primeiro ato humano. [...]. Trecho extraído da obra O Medo á liberdade (Ltc, 1983), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui, aqui & aquii.

 

O ARTISTA DO DESAPARECIMENTO – [...] Não havia ninguém a quem ele pudesse explicar que, para sobreviver, ele precisava estar em altitude, uma altitude do Himalaia, para poder respirar. [...] Era como se as cortinas descessem sobre tudo isso, se não o obliterassem completamente, quando a monção subia em nuvens trovejantes do vale ressecado abaixo para engolir as colinas, invadindo-as com a névoa opaca na qual um pinheiro ou o topo de uma montanha apareciam apenas intermitentemente, e então desencadeava uma chuva torrencial que parava as divagações de Ravi e o confinava em casa por dias a fio, ensurdecido pela chuva que batia no telhado e caía em cascata pelas calhas e pelos canos para descer em torrentes. [...] Tudo na casa ficou úmido; a pele azul do mofo rastejava furtivamente sobre qualquer objeto deixado de pé pelo menor período de tempo: sapatos, bolsas, caixas, consumia tudo. Os lençóis da cama estavam úmidos quando ele se colocava entre eles à noite, e a escuridão ressoava com a cacofonia estridente dos grandes grilos das árvores que estavam esperando por esta, sua temporada [...]. Trecho extraído da obra The Artist of Disappearance (Houghton Mifflin, 2012), da escritora Anita Desai (Anita Mazumdar), que no seu livro The Zigzag Way (Houghton Mifflin, 2006), ela expressou que: [...] O tempo não é uma escada que sobe para o futuro, mas uma escada que desce para o passado [...]. No libro The Village by the Sea (Penguin, 2010), ela assinala: [...] A roda gira e gira e gira: ela nunca para e nem fica parada. [...]. No livro Baumgartner's Bombay (Harper Perennial, 2000), ela diz: […] As pessoas param, olham fixamente. Ninguém para e olha fixamente se um dos seus próprios mendigos cai morto na rua. Não, apenas pise nele como se fosse uma pedra, ou um cocô de cachorro e vá embora rapidamente. Mas quando eles veem um homem branco com cabelos dourados caído na rua, todos param, todos gritam, "Hai - hai, - pobre garoto, chame o médico, chame a ambulância. O que aconteceu, Farrokh-bhai? [...]. No livro Games at Twilight (Vintage, 1998), ela relata que: […] As buganvílias pendiam ao redor, roxas e magentas, em balões lívidos [...]. Na obra Fasting, Feasting: A Novel (Vintage, 2000), ela expressa: […] O verde pende, goteja e balança em cada galho, ramo e folhagem na exuberância crescente de julho. [...]. Na obra Clear Light of Day (Mariner, 1980), ela narra: […] Rápida, nervosa e saltitante - ainda assim, para as crianças, ela era tão constante quanto um cajado, uma árvore com a qual se pode contar para não arrancar sua raiz e se mover durante a noite. Ela era a árvore que crescia no centro de suas vidas e em cuja sombra elas viviam. [...]. Por fim, no livro Fire on the Mountain (Vintage, 2001), ela expressa: […] A princípio, ela os confundiu com folhas de papel crepom rosa que alguém havia amassado e jogado descuidadamente encosta abaixo, talvez depois de outra festa surpreendente no clube. Um momento depois, ela se lembrou das palavras de sua bisavó e viu que eram hostes de zephyranthes rosa selvagens que surgiram na noite após a primeira queda de chuva. [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

TRÊS POEMASSAFO - Eu suspiro ao amanhecer, e suspiro \ Quando o dia monótono está passando, \ Eu suspiro ao entardecer, e novamente \ suspiro quando a noite traz sono aos homens. \ Oh! Seria muito melhor morrer \ Do que assim lamentar e suspirar para sempre, \ E no sono sem sonhos da morte estar \ Inconsciente de que ninguém chora por mim; \ Aliviado do meu peso de pesar, \ Esquecido do esquecimento, \ Descansando da dor, cuidado e tristeza \ Pela longa noite que não conhece amanhã; \ Vivendo sem ser amado, morrer desconhecido, \ Sem ser chorado, sem ser cuidado e sozinho. NO ESTÚDIO DE UM ARTISTA - Um rosto olha para fora de todas as suas telas, \ Uma mesma figura senta-se ou anda ou inclina-se: \ Nós a encontramos escondida logo atrás daquelas telas, \ Aquele espelho devolveu toda a sua beleza. \ Uma rainha em vestido de opala ou rubi, \ Uma garota sem nome em verdes de verão mais frescos, \ Um santo, um anjo - cada tela significa \ O mesmo significado, nem mais nem menos. \ Ele se alimenta de seu rosto dia e noite, \ E ela com olhos verdadeiros e gentis olha de volta para ele, \ Bela como a lua e alegre como a luz: \ Não pálida com a espera, não com a tristeza turva; \ Não como ela é, mas era quando a esperança brilhava forte; \ Não como ela é, mas como ela preenche seu sonho. LEMBRAR - Lembre-se de mim quando eu tiver ido embora, \ Ido para longe na terra silenciosa; \ Quando você não puder mais me segurar pela mão, \ Nem eu meio que me virar para ir embora, ainda assim, fique. \ Lembre-se de mim quando não mais dia após dia \ Você me contar sobre o nosso futuro que planejou: \ Apenas lembre-se de mim; você entende \ Será tarde para aconselhar ou orar então. \ No entanto, se você me esquecer por um tempo \ E depois se lembrar, não se aflija: \ Pois se a escuridão e a corrupção deixarem \ Um vestígio dos pensamentos que uma vez eu tive, \ Melhor de longe você esquecer e sorrir \ Do que você lembrar e ficar triste. Poemas da poeta britânica Christina Rossetti (1830-1894). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


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