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terça-feira, setembro 11, 2018

D. H. LAWRENCE, ÉMILIE CHÂTELET, GARCIA-ROZA, RENÉE GUMIEL, OLIVERIO GIRONDO, ANA RUCNER, MATILDE MARIN & LARA MELO


OU INCHA OU CHOCHA – Imagem da artista argentina Matilde Marin. - Robimagaiver estava espoletado! Que é que há, rapaz? A minha mulher agora deu de me botar pra trás. Ué, como assim? Qualquer coisa que aconteça que deu certo, ela logo se vira pra mim e diz: Vê se aprende, viu? Isso é lá coisa que se faça. Ela é braba que só uma capota choca, solta desaforo na cara de qualquer gorila e, na horagá, vira-se pra mim e diz: Resolve aí, véi! E sai de fininho, eu que fique com a bronca, encarando o maior bufe-bufe na lata, nas costelas, nos guardados. Tô aguentando não, uma hora dessa eu mostro quem é que manda. Mal dizia isso, ela aproximou-se: Larga de ser frouxo, mané! Ele teve o maior susto, nem deu tempo atinar, ela saiu na maior das rabissacas na cara do indignado. O cara ficou injuriado, rabinho entre as pernas, todo se remoendo. Danado isso, depois de velho, passar vergonha na frente de todo mundo. Ah, isso não vai ficar assim não. Tanto se revoltou que a moçada resolveu aprontar uma com ele, só pra ver se o sujeito era macho tanto quanto dizia. Pois bem. Lá foram pruns descampados fora de Alagoinhanduba, quando se aproximaram dum matagal, o Robimagaiver sentiu umas cólicas estranhas remoendo no bucho e logo foi se escondendo atrás duma touceira, se livrando como podia do mal-estar. A turma ficou de conversa solta esperando pelo resultado. Enquanto isso, ele lá caçando papel ou palha que fosse para se limpar, quando sentiu um bafo quente nas proximidades. Ih, tem coisa! Ele ficou desconfiado. Ficou matutando a inequívoca possibilidade de se livrar daquilo, cogitava se preparar para enfrentar o que viesse. Na hora que ele desalojava o bregueço das tripas, mal soltou o primeiro peido desatolando o indigesto, eis que um bufado forte ameaçou hostilidade, aí ele sublevou. Oxe, nem deu tempo dele torar o aço, saiu numa carreira desgramada aos gritos, de todo mundo correr amedrontado atrás dele: É um monstro! É um monstro! E sumiram atrás do primeiro morro, comeram distância quando o encontraram atolado numa poça, lavando os possuídos e as vestes. Que é que foi, homem? Oxe! Topei com o coisa ruim! Carreira danada dessa, devia de ter sido pior que isso. Como é que era? Ah, o monstro-ruim! Gigante! Coisa mais feia do mundo! Dali mesmo ficaram de tocaia para ver se bicho vinha à caça deles. Deram tempo, nem sinal. Ô rapaz, tem certeza que era o coisa-ruim? Claro que tenho, eu vi. Então vamos lá ver! Oxe, vou nada. Peiticaram muito. Aí voltaram pra ver. Todo preparado para enfrentar ou correr. Foram se aproximando do local, cada um que segurasse o seu, todos tremiam de medo. Arrodearam, se aproximaram em círculo e, quando deram fé, uma vaquinha estava espragatada no meio do mato, ruminando. Corresse com medo duma vaca, abestalhado! A mangação correu solta. E ele: Nada, meu, era o cabrunco mesmo, o bafo forte no meu cangote, sou lá de esperar, corri feito doido, eu vi o desgracento. Quanto mais ele explicava, mais a mundiça mangava da leseira dele. A cada motejo, ele mais se invocava, a ponto de disparar: O cu que é bom ninguém quer dar, né? E se justificava: Como eu nunca vi direito o capiroto, logo abri da vela, ora. Um sujeito precavido vale por dois afoitos, é ou não é? Quero ver quem é que é macho na hora do aperto. Saiu-se com essa: O passado condena todo mundo. É? Caiu na zombaria, ainda hoje ele peitica homência, ninguém acredita. É que no meio da bravata, o esparro come no centro, chega ele incha de macheza; na hora do revide grosso, logo chocha e sai caladinho como se nem fosse com ele. Esse o Robimagaiver, o brabo de água doce. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da violoncelista croata Ana Rucner: In The City Croatia, Crickvenica Croatia Live, Sakura Live & Toccata Bach & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aquiaqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] se começarmos a ensinar as grandes massas de povo a consumar uma autorrealização individual, depois de tudo dito e feito veremos, de fato, que elas não passam de criaturas fragmentárias, incapazes de alcançar por inteiro a sua individualidade; que acabaremos por torná-las invejosas, rancorosas e malévolas. Quem é generoso para com os homens, conhece o caráter fragmentário da maior parte e deseja organizar uma sociedade de poder onde todos os homens cedam, como é natural, a uma totalidade coletiva por serem incapazes de formar uma totalidade individual. Poder-se-ão realizar nesta totalidade coletiva. Contudo, se fizerem esforços para chegar à realização individual estarão fadados a fracassar já que são, por natureza, fragmentários. E fracassados, sem poderem dispor de nenhuma espécie de totalidade, cedem à inveja e ao rancor. Jesus sabia perfeitamente que isto era assim quando disse: aos que têm será dado, etc. Esqueceu-se, porém, de contar com a massa dos medíocres cujo lema é: como nada temos, ninguém terá nada. [...]. Trecho extraído da obra Apocalipse/O homem que morreu (Companhia das Letras, 1990), do escritor britânico D. H. Lawrence (1885-1930), sintetizando a poética religiosa do autor, ao efetuar a desmontagem de fragmentos de imagens, mitos e alegorias na qual, capítulo a capítulo, ele empreende uma verdadeira arqueologia da relação do homem com o cosmo e acaba por conduzir o texto bíblico ao encontro de antigas cosmogonias - hindu, persa, etrusca e cretense, entre outras. Veja mais aqui.

A FELICIDADE - [...] suponhamos por um momento que as paixões façam mais infelizes do que felizes; e digo que ainda seriam algo desejável, porque são uma condição sem a qual não se pode obter grandes prazeres; ora, só vale a pena viver quando mais vívidos forem os sentimentos agradáveis; e, quando mais vívidos forem os sentimentos agradáveis, mais felizes somos. É, portanto, o caso de desejar ser suscetível a paixões, e repito novamente; só não as tem quem não quer [...] É certo que o amor pelo estudo é menos necessário à felicidade dos homens que à das mulheres. Os homens têm uma infinidade de recursos, que faltam inteiramente às mulheres, para serem felizes. Eles têm muitos outros meios de chegar à glória, e certamente a ambição de tornar seus talentos úteis a seu país e servir seus concidadãos, por sua habilidade na arte da guerra, ou por seus talentos para o governo, ou ainda pelas negociações, está bem acima que é possível se propor pelo estudo; as mulheres, porém são excluídas por sua condição de qualquer espécie de glória, e quando, por acaso, se encontra alguma que nasceu como uma alma elevada, só lhe resta o estudo para consolá-la de todas as exclusões e de todas as dependências às quais ela se encontra condenada por condição. [...] O amor pela glória, que é fonte de tanto prazer e de tantos esforços de todos os gêneros que contribuem para a felicidade, para a instrução e para a perfeição da sociedade, é inteiramente baseada na ilusão, nada é tão fácil quanto fazer desaparecer o fantasma atrás da qual correm todas as almas elevadas, mas quanto haveria de perder para elas e para as outras! Sei que há alguma realidade no amor pela glória de que podemos usufruir enquanto estamos vivos; mas praticamente não existe nenhum herói, de nenhum gênero, que queira se despojar inteiramente dos aplausos da posteridade, da qual se espera até mais justiça do que de seus contemporâneos. [...] Por mais que neguemos, o amor-próprio é sempre o móvel mais ou menos oculto de nossas ações; é o vento que infla as velas, sem a embarcação não navegaria [...] Empenhemo-nos portanto em ter boa saúde, em não ter preconceitos, em ter paixões, em fazê-las servir à nossa felicidade, em substituir nossas paixões por gostos, em conservar preciosamente nossas ilusões, em ser virtuosos, em jamais nos arrepender, em afastar de nós as ideias tristes, em jamais permitir que nosso coração conserve uma faísca de amor por alguém cujo gosto esteja diminuindo e que deixe de nos amar. É preciso abandonar o amor um dia, por menos que se envelheça, e esse dia deve ser aquele em que ele deixe de nos fazer feliz. Por fim, trataremos de cultivar o gosto pelo estudo, esse gosto que faz nossa felicidade só depende de nós mesmos. Evitemos a ambição, e, sobretudo, saibamos bem o que queremos ser, enveredar para passar nossa vida, e tratemos de semeá-lo com flores. [...]. Trechos extraídos da obra Discurso sobre a felicidade (Martins Fontes, 2002), da cientista francesa Émilie Châtelet (Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil – 1706-1749).

ACHADOS E PERDIDOS – [...] descobriu que o percurso não diminuía distância nenhuma, mas pelo contrário era motivo de repetidos atrasos na chegada ao colégio. Flor percebeu que a verdadeira razão do itinerário do grupo (cada vez mais numeroso) era ela própria. Mais do que sentir-se envaidecida (era um bando de pirralhos), vislumbrou a possibilidade de um negócio inocente mas lucrativo. Fez chegar aos ouvidos de alguns dos meninos que mediante o pagamento de módica quantia, na verdade pouco mais do que o preço de um refrigerante, eles poderiam vê-la trocar de roupa, pela janela do quarto. Bastaria uma parada na janela um de cada vez para não atrair a atenção da vizinhança, dinheiro no peitoril, e a rápida cena de Flor tirando e vestindo a roupa. Em pouco tempo teve que estabelecer um horário, de modo que os meninos não fossem todos no mesmo dia e na mesma hora. Foi seu primeiro grande sucesso comercial. E a mercadoria melhorava dia após dia. A historia tomou rumos quando os meninos não se contentaram mais em olhar e passaram a querer tocar em Flor. Num domingo em que a família foi à praia Flor se deu conta, pelos olhares dos homens, de possibilidades mais amplas. O emprego como babá e a posterior mudança para o Rio eram parte de novos caminhos que antevia à sua frente [...]. Trecho extraído da obra Achados e perdidos (Planeta De Agostini, 2004), do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza.

DOIS POEMASNOITE TÓTEM - São os transfundos outros da in extremis médium / que é a noite ao entreabrir os ossos / as mitoformas outras / aliardidas presenças semimorfas / sotopausas, sossopros / da enchagada libido possessa / que é a noite sem vendas / são os grislumbres outros atrás esmeris pálpebras videntes / os atônitos gessos do imóvel ante o refluído / ferido interrogante / que é a noite já lívida / são as crivadas vozes / as suburbanas veias de ausência de remansas omoplatas / as acrinsones dragas famintas do agora com seu limo de nada / os idos passos outros da incorpórea ubíqua também outra / escavando o incerto / que pode ser a morte com sua demente muleta solitária / e é a noite / e deserta. DESTINO - E para cá ou além / e desde aqui outra vez / e volta a ir de volta e sem alento / e do princípio ou término do precipício íntimo / até o extremo ou meio ou ressurrecto resto de este ou aquele / ou do oposto / e roda que te rói até o encontro / e aqui tampouco está / e desde acima abaixo e desde abaixo acima ávido asqueado / por viver entre ossos / ou do perpétuo estéril desencontro / ao demais / de mais / ou ao recomeço espesso de cerdos contratempos e destempos / quando não a bordo senão de algum complexo herniado em pleno / vôo / cálido ou gelado / e volta e volta / a tanta terça turca / para entregar-se inteiro ou de três quartos / farto já de metades / e de quartos / ao entrevero exausto dos leitos desfeitos / ou dar-se noite e dia sem descanso contra todos os nervos do / mistério / do além / daqui / enquanto se resta quieto ante o fugaz aspecto sempiterno do / aparente ou do suposto / e volta e volta fundido até o pescoço / com todos os sentidos sem sentido / no sufocotédio / com unhas e com idéias e poros / e porque sim não mais. Poemas do poeta vanguardista argentino Oliverio Girondo (1891-1967).

A ARTE DE RENÉE GUMIEL
A arte da bailarina, coreografa e atriz francesa Renée Gumiel (1913-2006).

AGENDA
Cá entre mim de Lara Melo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Paradisus, arte de Matilde Marin.
Veja mais aqui.
&
Outras do Robimagaiver aqui.
&
O talendo de Linaldo que é de Zé & Martins!, Ernesto Cardenal, Patrice Lumumba, Thomas Merton, O ser quântico de Danah Zohar, Luciah Lopez, Hermeto Pascoal, Jocy Oliveira, Laurie Anderson, Orquestra Armorial & Quinteto Armorial aqui.


terça-feira, fevereiro 06, 2018

DRUMMOND, PIRANDELLO, NELSON CHAVES, ALMEIDA PRADO, PAVIANI, ANA RUCNER, NELSON LEIRNER, CARMELA GROSS, TINA MODOTTI & VITAL CORRÊA DE ARAÚJO

PRA QUEM QUER O FIM, A COISA SÓ TERMINA QUANDO ACABA –  Imagens: arte da artista plástica, desenhista & vídeo artista Carmela Gross. UMA – Um passarinho gorjeia toda manhã na quinta do meu telhado. Conversa comigo. Os seus chilreios me dizem: A vida é outra coisa. E seu canto faz disso refrão e estribilho. Entendo bem o que diz, e respondo que sei, eu sei bem disso, meu caro amigo passarinho, só não sei, ao certo, o que é que é, mas sei. O que é faz parte de outra coisa, a minha busca, dia a dia, mente e coração. Só sei, meu nobre amigo passarinho, que você não sendo como eu, não tem culpa, dívidas, passado, muito menos medo da morte. E eu? Eu sigo. Ele voa, vai sem saber pra onde. Voo com ele, na imaginação. Aprendo coisas que nem sei dizer, aprendo, sinto o inexplicável. E voo ao meu modo, todo dia, de manhanzinha. Até acordar e esquecer. Reaprendo amanhã de novo, quando amanhecer. DUAS – Ah, o ministro lá desse desgoverno, parece ser o da pasta da Inducação – só sendo mesmo! -, não se sabe ao certo por que cargas d’águas, tem mantido aos cochichos e só entre os seus, ardilosamente a trama de adotar o sistema Escambau do Doro e, com isso, resolver, de uma vez por todas, o problema entre alunos e professores. Só? Parece que só, definitivamente. Na verdade, o propósito real não passa de jogada para esvaziar a campanha e o discurso do presidenciável fuleiro emergente que tem, conforme algumas pesquisas escusas catadas embaixo de sete capas nos quintos dos infernos, mesmo aos peidos e pinotes, levantando o índice das preferências do eleitorado. Pois é, dizem que aparece nas estatísticas como possível eleito entre simpatizantes e indecisos, quem quiser que acredite nisso. Contudo, o que é verdade de mesmo, é que o projeto passa pela cabeça do megalômano ministro, como se fosse o seu projeto pessoal para uma reforma avassaladora na escolaridade, na ortografia, na Lei de Diretrizes e Bases, no Plano Nacional e Internacional no estopô calango e na febre do rato, tudo por tabela e em cadeia. Para ele uma revisão revolucionária para acabar de vez com os problemas educacionais do Brasil e do mundo. Como consequência, acredita o ministro enterrar de vez não só a candidatura desproposital do Doro, como a de todos os demais candidatos no pleito presidencial, mantendo, assim, a sua máxima de que quem quiser estudar que pague. Pra isso é como se fosse um toque de mágica em todos os problemas brasileiros: Pronto, resolvido. O Doro é que não anda nada feliz com isso e diz: além de analfabeto, esse ministro é ladrão de ideia, que coisa mais descarada desse sujeitinho tolo, hem? Ponto final. TRÊS – Falando nisso, quem acredita na justiça brasileira, hem? Uma pesquisa realizada pelo DataPovo – na verdade, com meia dúzia de metidos a besta -, trouxe a constatação de que nenhum, nenhunzinho brasileiro que esteja em sã consciência, acredita na justiça brasileiro. Excetua a pesquisa, os pirados, os bêbados de cair, as criancinhas de colo, os envultados e os que estão mamando nas tetas da Mãe Pátria direta ou indiretamente – que são muitos, senão quase todos. O Doro mesmo manifestou-se: Só há injustiça! Quando consultaram o Robimagaiver: Ah, meu, se você quiser perder tempo e só entrar na justiça que você morre e, só depois disso, é que resolve por bem ou por mal, você já tá morto mesmo, tanto faz como tanto fez. O Bitiroaldo meio lá e meio cá, depois de coçar o quengo, fazer careta e olhar prum lado e pro outro: Só tem justiça pra pobre, rico que é bom... nem sei direito, aqui é tudo de pernas pro ar, eu que me benzo e Deus que livre de justiça. Rolivânio ia passando todo avexado e desentendido: O que é isso? Ao seu lado o Penisvaldo deu a desculpa: Não sei do quê você está falando. Outros e outras que passavam, ao serem perguntados, respondiam: Não sei de nada. Ah, vai te catar! Não tenho tempo pras besteiras. Vá arrumar uma lavagem de roupa, porra! Você não tem o que fazer? Ah, vai pra porra! Nessa hora vinha Vera toda reboladeira e reboculosa, sacou do espelhinho – Vai filmar é? Peraí, deixa eu me ajeitar, tenho que me embonecar toda para sair bem na fita -, e sempre indignada, deu a dela: Justiça mesmo é perder de vista, a gente não sabe mais quem é a desfavor, se advogado, juiz ou promotor; tudo farinha do mesmo saco e só pra foder a gente de qualquer jeito, beleza? E pra Zé-Corninho: Não fale nisso perto de mim que já adoeço; já perdi tanto que nem tenho mais onde cair morto. Aí o Doutor Zé Gulu que vinha todo desligado e metido com suas ideias, de sopetão destampou: Num país sem-vergonha como o Brasil, como falar de justiça, hem? Aqui tudo se confunde: crime com virtude, ética com gatunagem, direito com ilicitude, aqui é o reino dos contrários e haja paradoxo, se acha pouco, injustiça é o que manda e a justiça vai só na onda pendendo para quem tem, como diz Mateus, 13:13: E o que tem mais se lhe dará, e o que não tem até o que tem lhe será tomado! Eita, gota! MAIS OUTRA, SAIDEIRA – Dermevaldito era o protóripo do politicamente correto: abstêmio, antitabagista, fisiculturista e metrossexual. Esbanjava saúde na academia, nas caminhadas, musculoso na moda, asseado, perfumado, um colosso pros suspiros da mulherada. Vivia a dar conselho do melhor viver com dietas, exercícios, regramento na conduta, pensamento positivo e oração de gratidão no templo religioso todo santo dia. Um exemplo a se seguir, como diziam todos. E era gente boa mesmo, não tinha inimigos, cortês com todo mundo, atencioso, prestativo, fosse de lá pra cá ou de cá pra lá, era o mesmo, sempre. Até que anteontem, durante uma corrida de bicicleta, o nosso amigo se sentiu mal, coitado, e não deu nem tempo descer pra descansar. Deu-lhe um piripaque, caiu de cara no chão, esparramou-se todo desengonçado e na queda bateu as botas e babau, em pleno passeio. Que coisa! Coração falhou na horagá, diagnosticaram. E que era hipocondríaco, diziam. Por isso sentenciam: pra morrer basta estar vivo. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com as Cartas Celestes 1 e 8 do pianista e compositor de música erudita Almeida Prado (1943-2010); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAO homem moderno parece indiferente à ecologia e, em consequência já está pagando um pesado tributo e tem, diante de si, três alternativas: modificar seu estilo de vida, tornar-se menos pragmático, menos ambicioso, mais solidário; esperar o desastre ecológico e sofrer as terríveis consequências da falta de alimentos, de água e de oxigênio; preparar-se para o aumento da agressividade e das divergências politicas entre as nações, capazes de desenvolver a catástrofe nuclear. Pensamento do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982). Veja mais aqui.

A ARTE & O ARTISTA - [...] Assim atua o artista, porque ele vê no mundo um tecido de relações estando as coisas [...] perpassadas por um fio de referência mútuas, por isso todo comportamento é um comportamento no mundo. Nele as coisas, os gestos, os atos, adquirem sentido [...] É esta apreensão no mundo que a arte mostra atravpes do sentimento de situação do homem e através de suas emoções [...]. Trecho extraído da obra A racionalidade estética (EDIPUCRS, 1991) do filósofo, poeta, professor e crítico de arte Jayme Paviani.

A COR DE CADA UMNa República do Espicha-Encolhe cogitava-se de organizar partidos políticos por meio de cores. Uns optaram pelo partido rosa, outros pelo azul, houve quem preferisse o amarelo, mas o vermelho não podia ser. Também era permitido escolher o roxo, o preto com bolinhas e finalmente o branco. – Este é o melhor – proclamaram uns tantos. – Sendo resumo de todas as cores, é cor sem cor, e a gente fica mais à vontade. Alguns hesitavam. Se houvesse o duas-cores, hem? Furta-cor também não seria mau. Idem, o arco-íris. Havia arrependidos de uma cor, que procuravam passar para outra. E os que negociavam: só adotariam uma cor se recebesse antes 100 metros de tecido da mesma cor, que não desbotasse nunca. – Justamente o ideal é a cor que desbota – sentenciou aquele ali. – Quando o governo vai chegando ao fim, a fazenda empalidece, e pode-se pintá-la na cor do sol nascente. Este sábio foi eleito por unanimidade Presidente do Partido de Qualquer Cor. Extraída da obra Contos plausíveis (Record, 2006), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui.

ANA DE AMSTERDAMNo Recife holandês, Ana / nua dançou para Nassau / que atravessou / a Rua da Balsa e aportou / no corpo da rainha dos tanoeiros. / Nassau vinha embuçado / das sombras da noite. / E fatigado das tarefas maurícias / ia repousar seus óleos guerreiros / no torso nu de Ana, a Francesa. / Maurício deixava seus pagos ilhados / e cavalgava como demônio sobre a távola / entre bucaneiros e mercenários do porto. / Ana era a mais bela prostituta / do Cais do Porto do Recife. / E fazia o sangue se rebelar / e acordar o sol nos olhos / dos homens soturnos. / Ela veio de longe. / Das brumas do Velho Mundo. / Dos bordeis de Marselha / Barcelona e Amstrerdam / seduzida pela América / terra jovem como seu corpo / que era pertença / de marinheiros / troféu dos mascates / e bálsamo para o Príncipe / Maurício de Nassau. / Atraído pelos aromas de Ana / Nassau cerrava / o Palácio das Torres / e navegava os umbrais do instinto / no faro do cio / dentro da noite misteriosa. / Além do mangue / Ana, a Rainha / dos Tanoeiros, esperava / o príncipe noturno / que aportava / na claridade do seu corpo. Extraído da obra Gesta Pernambucana (Fundarpe, 1990), do escritor, jornalista, advogado, professor, conferencista e tradutor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.

ASSIM É... SE LHE PARECE
Arte do pintor, desenhista, cenógrafo e professor Nelson Leirner. Essa obra remete logo à peça teatral Assim é: se lhe parece (Tordesilhas, 2011), do dramaturgo, poeta, romancista siciliano e Prêmio Nobel de Literatura de 1934, Luigi Pirandello (1867 – 1936), que conta a história dos habitantes de uma pequena cidade, que ardem de curiosidade para desvendar o mistério que ronda os recém-chegados moradores: o senhor Ponza, sua esposa e sua sogra, a senhora Frola. Os três só andam de preto, não recebem visitas, e ninguém ainda viu de perto a senhora Ponza. Com enredo simples, mesmo assim, encerra uma questão complexa: a ilusão da verdade absoluta. Foi representada pela primeira vez em 1917, enquanto a Itália passava pela insegurança da Primeira Guerra Mundial, a obra coloca em cheque os conceitos de “verdade” e “objetividade”, expondo a história da senhora Frola, uma velha que se muda para o mesmo prédio de uma família da alta burguesia italiana, os Agazzi, e se recusa a recebê-los. Gesto que é encarado com indignação pelo senhor Agazzi, ocupante de um cargo elevado na prefeitura da pequena província. A revolta logo se torna perplexidade e curiosidade, com o surgimento do senhor Ponza, genro da velha e colega de repartição do senhor Agazzi. Ponza se desculpa pela sogra e pede que todos tenham paciência, pois ela enlouqueceu com a morte da filha e agora está sob seus cuidados. Pouco tempo depois, é a senhora Frola quem conta, de forma coerente e sã, ser o genro quem de fato se abalou mentalmente e, portanto, acredita que a esposa está morta. Entre idas e vindas de ambos, a confusão de todos aumenta cada vez mais, beirando o desespero. Para piorar, o cunhado de Agazzi, Laudisi, insiste em tentar convencê-los de que a verdade não existe. Veja mais aqui.

Veja mais:
Como as coisas são e como podem ser, o pensamento de Lou Andreas-Salomé, a música de Enrica Cavallo, a arte de Antoni Tàpies & Misty Copeland aqui.
Folia Caeté na Folia Tataritaritatá, Ascenso Ferreira, Chiquinha Gonzaga, Nelson Ferreira, Adolphe William Bouguereau, José Ramos Tinhorão, Agostino Carracci, Frevo, Maracatu, Teatro & Carnaval, Dias de Momo As Puaras, Peró Batista Andrade, Baco & Ariadne aqui.
Fevereiro, carnaval & frevo, Galo da Madrugada, Roberto DaMatta, Mauro Mota, Capiba, Orquestra Contemporânea de Olinda, Mário Souto Maior, Valdemar de Oliveira, Zsa Zsa Gabor, Helena Isabel Correia Ribeiro, Rollandry Silvério & Márcio Melo aqui.
A troça do Fabo aqui.
William Burroughs, Henfil, Ernest Chausson, Liliana Cavani, Hans Rudolf Giger, Charlotte Rampling, Religi]ão & Saúde Mental, A multa do fim do mundo & Auber Fioravante Junior aqui.
Quanto te vi, Christopher Marlowe, Duofel, Haim G. Ginott, Mary Leakey, François Truffaut, Dona Zica, Natalie Portman, Ewa Kienko Gawlik, Pais & filhos aqui.
A magia do ritual do amor aqui.
A psicologia de Alfred Adler & Abaixo a injustiça aqui.
Origem das espécies de Darwim & Chega de injustiça aqui.
Três poemetos de amor pra ela aqui.
Slavoj Žižek & Direito do Consumidor aqui.
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Quando ela dança tangará no céu azul do amor aqui.
A dançarina aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa, atriz, modelo e ativista política revolucionária italiana Tina Modotti (1896-1942).
Veja mais aqui.

quinta-feira, novembro 02, 2017

SHAW, ISMAEL NERY, ODETTE ASLAN, MAURÍCIO MELO JÚNIOR, LIA VIEIRA, POESIA REVISTA, PAULO DANTAS, SUCATÁRIO & BONITO

AOS VIVOS QUE RESTAM DOS MORTOS - Imagem: Nós (1926), do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). - As partidas nas asas dos ventos, as chegadas apressadas de nada verem, atrasados nas suas fugas imotivas e defecções, afetos perdidos, asas partidas no espaço vazio, entre sentimentos estreitos, andares solitários doloridos na garoa dos muros interditados pelas tardes sem sol dos olhos nublados, mãos espalmadas para ausência, abraço estendido pro ermo da indiferença dos que vivem sem saber que já morreram nas suas frustrações e mágoas enfurecidas, dos que acham que vivem na embriaguês de seus mandos e posses a rivalizar com as necessidades alheias de sorrir a banguela das gengivas invernais, dos que tentam viver a todo custo a pisar os outros com a cegueira dos luxos das vitrines e pedidos de perdão na oração cristã da missa dominical. Em mim o vaivém do caleidoscópio, sombras de novembro no peito de maio pelo filho que partiu a muito na poeira do tempo quase inesquecível, pela mãe que se foi sem aceno na dor de parir sonhos irrealizáveis, pelos amigos tragados pelas tragédias, pelos que sumiram nas cinzas do álbum de fotografias, povoando lembranças erradias. Saúdo meus mortos que vivem em mim, estão vivos em mim no que me resta de ser feliz apesar dos pesares. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com os álbuns Carioca, Stone Alliance, Patamar & Makenna Beach do músico instrumentista Márcio Montarroyos (1948-2007); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; Rudepoêma de Villa-Lobos, Rapsódia Brasileira de Radamés Gnatali & Fantasia op. 28 de Scriabin, com o pianista brasileiro Roberto Szidon (1941-2011); e a Suíte 1 & 5 de Bach & a Sonata nº 2 de Myaskovsky, com a violoncelista russa Natalia Gutman. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado. Pensamento do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês George Bernard Shaw (1856-1950). Veja mais aqui e aqui.

SOCORRO DO TREM DO BONITOO município do Bonito foi assentado em meio a diversos pés de serras, verdadeiras couraças naturais que embalam a cidade [...] irrigados pelos rios Sirinhaém e Una. A fertilidade do solo, a amenidade do clime, a salubridade e as boas fontes de águas, atraíram, desde finais de sec. XVIII, toda sorte de aventureiros, muitos até endinheirados, que ali fundaram fazendas e engenhocas obtidas às terras por sesmarias. Outros sem grandes chances na vida, buscavam abrigo naquela terra como moradores e agregados havendo aqueles, como os retirantes das secas que por ali se abrigavam buscando conforto para suas miseráveis vidas. [...] Foi essa gente sofrida que, aproveitando as sobras de terras, as brechas, digamos assim, entre uma sesmaria e outra se arrancharam com suas famílias, fundando no outeiro a capela da Conceição (1812), mais tarde matriz da cidade. [...] Paulatinamente, o Bonito foi crescendo e adaptando-se às novas realidades [...] Afora o sesmarialismo, muitas terras foram conquistadas no tapa. [...] Nesses mundos onde se desenvolveram sítios, engenhos e engenhocas, a casa senhorial era o centro nevralgico das decisões. [...] Por volta do segundo quartel do sec. XIX, teve inicio no Bonito o cultivo da cana. [...] Diante dessas expectativas, a cana passou a invadir quase todo altiplano bonitense dilatando-se por várzeas, brejos e montanhas, registrando-se decréscimo no final do século mediante a consciência da cafeicultura. [...]. A região onde desemboca o rio Sirinhaem, o rio dos siris para os nativos, foi conquistadas aos índios em 1565. Após esse empreendimento, os índios foram expulsos de suas terras e estas repartidas em datas de sesmarias vicejando posteriormente engenhos de açúcar. Mais tarde o colonizador adentrou pelo mato reconhecendo todo o curso do dito rio até chegar suas nascentes no agreste em Camocim de São Félix. [...] De seus aflientes Bonito Grande, Riacho Seco, Tanque de Piabas, Várzea Alegre e Tese. [...]. Trechos extraídos da obra Velhos engenhos e antigas famílias do Bonito (CEHM, 2010), de Flávio José Gomes Cabral. Já no texto Estrada de ferro Ribeirão-Cortês-Bonito, de Severino Rodrigues de Moura, extraídop da Revista de História Municipal (CEHM, dez. 2008), encontramos o seguinte relato: A população do Bonito tinha o sonho de construir uma estrada de ferro ligando sua cidade a Ribeiro desde meados do século passado. [...] Em 1904 a linha férrea Ribeirão-Nonito foi anexada à Great Western e em seguida à Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) até sua extinção. [...] Um certo dia, a locomotiva descarrilou no ramal do Engenho Limão, com todas as carroças de cana. O acidente apresentou proporções bem maiores do que aqueles ocorridos antes, tendo o maquinista que pedir socorro ao gerente da usina. [...] Teve que pedir ajuda em Ribeirão. No entanto, o trem de socorro também descarrilou, sendo preciso vir um terceiro trem. Foi um Deus nos acuda. Parecia um formigueiro em vérpera de trovoada. [...] mais uma vez pediu socorro à estação de Ribeirão, passando o seguinte telegrama: Trem de carga caiu. Pedi socorro. Socorro veio. Também caiu. Agora peço socorro para socorrer socorro e trem de cana. Ass.: Norberto. Veja mais aqui.

ÍNTIMO DAS AUTORIDADESO sujeito tinha o apelido de “Sombra”. Era funcionário do cerimonial no palácio do governo estadual [...] Jornalistas e repórteres fotográficos credenciados, ficavam enfurecidos da vida devido as reais dificuldades em fotografarem as autoridades sem a presença do “individuo indesejavel”. [...] Verdadeiro batalhão de fotógrafos e jornalistas se posicionava a fim de clicarem o Presidente da República. [...] Quem estava logo na frente? Ele, o inconveniente e intrometido Sombra. Ajeitou o cabelo e a gola do surrado paletó, dirigiu-se aos fotógrafos e perguntou: Como vocês querem que eu saia? Disse um dos repórteres: Que saia da frente, para fotografarmos o presidente! Trechos extraídos da obra Sátiras políticas: porque rir faz bem à saúde (Livro Rápido, 2000), do escritor e advogado Paulo Dantas Saldanha.

A SUCATA & ARTES VISUAIS – [...] As possibilidades de construções com sucatas são infinitas, baratas e podem sem muito criativas. Além disso, as sucatas podem ser utilizadas em muitas outras atividades, como complemento de outra técnica. [...] Se a sucata não for valorizada, fica muito próxima de mero lixo e com isso não desperta nenhum interesse para a criação. [...]. Trecho extraído da obra 300 propostas de artes visuais (Loyola, 2009), das artistas plásticas Ana Tatit & Maria Silvia Monteiro Machado, tratando sobre pintura, desenho, recortes, colagens, bonecos, máscaras, modelagens, fantoches, mosaico, escultura e construções com materiais variados, jogos e brinquedos com sucata, sucatário, outras técnicas e atividades.

O ATOR NO SÉCULO XX – [...] perfila-se uma volta a comunhão por pequenos grupos, a celebração de um rito em que celebrantes e fieis respiram juntos, mobilizem suas forças fisiológicas e pesquisas, querem sair de si mesmo, comunicar-se numa troca fraterna. O ator continua sendo aquele que propõe essa troca, que dá ao outro, que recebe e se oferece de novo, qualquer que seja sua mensagem. [...] Ator-poeta, trovador falando ou cantando [...] o prazer de atuar se confunde com o prazer de viver para quem o mal de viver se traduz pela dor que se canta e repartindo o que se encanta. [...]. Trecho da obra O ator no século XX (Perspectiva, 2008), de Odette Aslan que trata sobre as formas de interpretação, os problemas do gestual, modo de formação, busca da personagem, reações contra o naturalismo, pesquisas antes e depois da revolução russa, revisão do espaço, radio, cinema, televisão, teatros-laboratórios, comunidades teatrais, tendencias atuais, ética pessoal e de grupo e o ator do amanhã. Veja mais aqui e aqui.

SER POETA - Fiz-me poeta / por exigência da vida, das emoções, dos ideais, da raça. / Fiz-me poeta / sabendo que nem só se finge a dor que deveras sente / e crendo que através da poesia posso exprimir / a arte do cotidiano, vivida em cada poema marginal. Poema extraído da obra Quilombo Hoje – Cadernos Negros 15 (Edição dos Autores, 1992), da poeta, pesquisadora, artista plástica e educadora Lia Vieira. Veja mais aqui.

CRÔNICA DO ARVOREDO & ANDARILHOS DE MAURÍCIO MELO JÚNIOR
[...] Já não me lembro bem dos detalhes, sei apenas que li num livro emprestado por um amigo. A memória também não alcança os nomes do amigo, do livro, do autor. Sei somente que era alto e escondia o rosto por trás de uma barba espessa, o amigo; e o volume tinha capa amarela e marrom. Vivíamos a tensão do vestibular; implacável, inadiável. Vivíamos uma cidade cercada pelos mistério da história, pelo fascínio de um cotidiano de transformações concretizadas ao desejos dos minutos. Tínhamos a sensação de que o mundo hirava em função de nós. E o mundo não nos bastava, embora tivesse sido feito para abrigar somente a nossa juventude. O amanhã era apenas a conseqüência do Sol que à tarde dormia. Por isso vivíamos com intensidade o Recife. [...].
Trecho da obra Crônica do arvoredo (Bagaço, 2006).
[...] Seu moço saia do caminho, a conversa é comigo e Deus. No meio, somente os macacos do exercito e a esperança de uma briga boa. Desarrede, desarrede que não tenho prosa pro senhor. Doido, eu? Pois o senhor ainda não topou com doido na vida e já disse pra não querer me enfrentar. Num avance, peste, num avnce que seu tempo pode tá findo. Pois, lá vai brincadeira que já num tenho tempo pra prosa. Pá, pá e que fique nas agonias do fim. [...]
Trecho da obra Andarilhos: caminhos só ida, volta à seca (Bagaço, 2007), ambos os livros do jornalista e escritor Maurício Melo Júnior. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Sena aqui.
A poesia & o cinema de Pier Paolo Pasolini aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). 
Veja mais aquiaqui, aqui & aqui.

POESIA REVISTA 2018
Acaba de ser lançado o edital da Poesia Revista para reunião anual de textos poéticos e colunistas de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, com tema Amor e distribuída em bibliotecas nacionais, em saraus e pelos poetas participantes do projeto. A publicação é destnada a jovens e adultos, visando o fomento da cultura e literatura na formação de público leitor e com objetivos voltados para valorização do escritor e suas habilidades textuais, incentivo da leitura, oportunizar aos autores a veiculação de seus trabalhos com divulgação nacional e internacional. Os interessados confiram aqui.

quinta-feira, setembro 14, 2017

FERNANDO PESSOA, EMERSON, CHAUÍ, NEUROFILOSOFIA, AMANDA SAGE & MUITO MAIS!

ETERNO APRENDIZADO – Imagem: arte da pintora visionária estadunidense Amanda Sage. - Há trinta anos, mais ou menos, empunhei a bandeira de que o bloco do eu sozinho não me levaria a lugar nenhum e que o umbigo era só o centro do corpo, jamais do universo. Disso fiz minha missão, mãos e braços solidários e disponíveis a quem chegasse e quisesse. Sabia que o individualismo possessivo potencializado pelo umbigocentrismo consumista ruiria todos os níveis de relações. Aprendia a metáfora dos dedos das mãos: todos eram diferentes, um deles sozinho poderia muito, mas não tudo; e que todos juntos poderiam tudo e muito mais. Por que então ser apenas um quando poderíamos ser todos? Procurei solidariamente difundir isso, enquanto aguçava o meu discernimento para flagrar a mais mínima movimentação ao meu redor, para me levar a investigações e considerações. Por que isso, por que aquilo? Muitos porquês. Havia então adicionado à minha conduta o questionamento de tudo por meio de porquês intermináveis, vez que a certeza com que tudo se expressava impositivamente, se esfacelava entre inúmeras dúvidas. Por conta disso, além das leituras que habitual e compulsivamente me dedicava, comecei a testar todas as teorias. Não buscava apenas a utilidade prática, mas testar o que fosse dito, sentenciado, categoricamente afirmado e o que aparecesse, por meio da minha própria experiência. Para tanto, testava métodos, hipóteses, variáveis e problematizações, conferia resultados e, em seguida, efetuando novas abordagens, explorava novas e todas as possibilidades possíveis até o alcance das dimensões do que me propunha examinar. Buscava relações e dicotomias, qual não era a surpreendente constatação de tantas contradições, quanto paradoxalidades. Afora isso, o desapontamento com as descobertas de subjacentes ideologias que se encontravam recônditas nas mais cristalinas proposições, mascarando sofismáveis conjecturas, casuísmos ou idiossincrasias. Desde então passei a não mais contar apenas do oito a oitenta, pois que antes do limite mínimo, conforme o plano cartesiano, uma contagem regressiva levaria a zero, começando nova contagem negativa infinitamente; e que o limite máximo, da mesma forma, além dos oitenta, também podia contar com oitocentos, oito mil, milhões, zilhões. Ou seja, a minha finitude estava diante da infinitude e eu não tinha a mínima ideia de como conciliar forças antagônicas que se apresentavam, não enxergando que seriam, na verdade, convergentes, quando não complementares. Percebi dualidades; não só, três, quatro, muitas trindades, múltiplas expressões. Isso me fez entender que a leitura só não bastaria, se não houvesse experiências para validarem ou não toda e qualquer coisa. Dos livros obtive muitas e tantas lições e, aliando a isso, experimentei cada desafio, cada conflito, seus percalços e prejuízos, para saber e sentir o que há por trás de viver. Dúvidas, muita; certeza, só uma: nada sei. Preciso aprender mais da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais com os álbuns Carioca, Stone Alliance, Patamar & Makenna Beach do músico instrumentista Márcio Montarroyos (1948-2007); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; Rudepoêma de Villa-Lobos, Rapsódia Brasileira de Radamés Gnatali & Fantasia op. 28 de Scriabin, com o pianista brasileiro Roberto Szidon (1941-2011); e a Suíte 1 & 5 de Bach & a Sonata nº 2 de Myaskovsky, com a violoncelista russa Natalia Gutman. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O estudo da filosofia não será inútil àqueles que lutam, que não se resignam; efetivamente, só uma concepção objetiva do mundo lhes pode dar razões para lutar. Sem teoria justa, não há luta vitoriosa. Alguns crêem que, para atingirmos um alvo, basta que as condições de êxito se realizem. Estão errados, porque é preciso ainda saber se essas condições estão se realizando. Quanto mais complicadas forem as situações, mais importante saber situar-se dentro delas. [...] Essas observações são válidas também para a luta por outros objetivos: lutas pelas liberdades democráticas, pelo pão, pela paz. Portanto, é por necessidade prática que devemos estudar filosofia, que nos devemos interessar pela concepção geral do mundo. [...]. Trechos extraídos da obra Princípios fundamentais de filosofia (Hemus, 1970), de Georges Politzer, Guy Besse e Maurice Caveing. Veja mais aqui, aqui & aqui.

O QUE É & PARA QUE SERVE FILOSOFAR? – [...] O que é Filosofia? Poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-las sem antes havê-los investigado e compreendo. Perguntaram certa vez: Para que Filosofia? E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores esclarecimentos”. [...] Admiração e espanto significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro, através de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos vistos antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos. [...] Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulos de saberes: tudo isso não é ciência, são questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas. [...] Trechos extraídos da obra Convite à Filosofia (Ática, 2002), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

LER, PENSAR & AGIR - [...] Os livros são o melhor exemplo da influência do passado, e talvez cheguemos á verdade - conheçamos de forma mais conveniente o teor dessa influência - considerando tão-somente o valor deles. A teoria dos livros é nobre. O letrado dos primeiros tempos recebeu em si o mundo circundante; meditou nele; deu-lhe o novo arranjo de sua propriamente; e exteriorizou-o novamente. Nele entrou como vida; dele saiu como verdade. Veio a ele como ações efêmeras; dele saiu como pensamentos imortais. Veio a ele negócio; dele saiu poesia. Era fato inanimado; é agora pensamento vivaz. Pode ficar imóvel e pode caminhar. Agora resiste, voa, inspira. Exatamente em proporção á profundeza da mente que o produziu é a altura em que paira, o tempo em que canta. Eu poderia dizer, também, que tudo depende de quão longe foi o processo de transmudar vida em verdade. A pureza e durabilidade do produto são proporcionais à inteireza da destilação. Mas nenhum produto é totalmente perfeito. Assim como nenhuma bomba pode produzir vácuo perfeito, tampouco pode nenhum artista excluir inteiramente de sua obra o convencional, o local, o perecível, nem escrever um livro de puro pensamento, que seja de igual modo eficaz para a remota posteridade como para os coetâneos, ou melhor, para uma segunda idade. Verificou-se que cada época deve escrever seus próprios livros; ou a sucede. Os livros de um período mais antigo não servirão para este período. Todavia, disso resulta um grave dano. A santidade ligada ao ato de criação - o ato de pensar - é transferida para o registro. O poeta a cantar era considerado como um homem divino; desde então, o canto passou a ser divino também. O escritor era um espírito justo e sábio; assentou-se então que o livro é perfeito; assim, o amor pelo herói se corrompe em adoração de sua estátua. No mesmo momento o livro se torna nocivo; o guia é um tirano. A mente preguiçosa e pervertida da multidão, lenta no abrir-se às incursões da Razão, abrindo-se uma vez e recebendo um determinado livro, nele se firma e faz um alarido se for desacreditado. Colégios são edificados sobre ele. Livros são escritos acerca dele por pensadores, não pelo Homem Pensante; por homens de talento, vale dizer, por homens que partiram de um principio errôneo, que começaram de dogmas aceitos, não de sua própria visão dos princípios. Jovens submissos crescem em bibliotecas acreditando seja seu dever aceitar as opiniões que Cícero, que Locke, que Bacon manifestaram, esquecidos de que Cícero, Locke e Bacon eram apenas jovens em bibliotecas quando escreveram seus livros. Dessarte, em vez do Homem Pensante, temos ratos de biblioteca. Daí, pois, à classe letrada, que estima os livros não por estarem relacionados com a Natureza e a constituição humana, mas como se constituíssem uma espécie de Terceiro Estado, a par do mundo e da alma. Daí, também, os restauradores de leituras, os emendadores, os bibliomaníacos de todos os graus. Bem usados, os livros são a melhor das coisas; mal usados, uma das piores. Qual é o uso correto deles? Qual o único fim a que se destinam todos os meios? Para nada mais servem senão para inspirar. Preferiria nunca ver um livro a ser desviado, por força de sua atração, de minha própria órbita e convertido em satélite, em vez de o ser em sistema. A única coisa de valor no mundo é a alma ativa. A ela todo homem tem direito; todos os homens a contêm dentro de si, embora, na maioria deles, ela esteja obstada e ainda por nascer. A alma ativa vê a verdade absoluta e formula ou cria a verdade. Nessa ação, é genial; o gênio não é privilégio deste ou daquele protegido, mas o estado rígido de todo homem. Na sua essência, é progressivo. O livro, o colégio, a escola de arte, a instituição de qualquer espécie, se detêm em alguma manifestação pretérita do gênio. Isto é bom, dizem, vamos apegar-nos a isto. Eles me imobilizam. Olham para trás, não para diante. Entretanto, o gênio olha avante; os olhos do Homem estão na parte dianteira, não na parte traseira de sua cabeça. O homem tem esperança; o gênio cria. Quaisquer que sejam os talentos que possua, se o indivíduo não criar, não terá o puro eflúvio da Deidade: haverá cinzas e fumaça, mas não ainda flama. Há maneiras criativas, há ações criativas e palavras criativas; maneiras, ações e palavras que não indicam costume ou autoridade, mas que nascem espontaneamente do senso do bem e do justo da própria mente. Por outro lado, se o homem, em vez de ser seu próprio vidente, receber de outra mente sua verdade, ainda que seja em torrentes de luz, mas sem períodos de solidão, indagação e reconquista de si mesmo, ter-lhe-á sido prestado um fatal desserviço. O gênio é sempre inimigo figadal do gênio por influência exterior. A literatura de todas as nações serve-me de testemunho. A esta altura, os poetas dramáticos ingleses já shakespearizam há mais de duzentos anos. Indubitavelmente, existe uma maneira correta de ler, pelo que deveria haver rigorosa subordinação. O Homem Pensante não deve ser escravizado pelos seus instrumentos. Os livros servem para as horas de ócio dos letrados. Se podemos ler em Deus diretamente, o tempo é precioso demais para que o percamos com transcrições feitas por outros homens de suas próprias leituras. Mas quando chegam os intervalos de escuridão, como lhes cumpre chegar; quando o Sol se oculta e as estrelas recusam seus lampejos, corremos para as lâmpadas que foram acendidas em seus raios, a fim de guiar novamente nossos passos até o Oriente, onde está o amanhecer. Ouvimos para poder falar. Diz o provérbio árabe: "Com olhar para outra figueira, uma figueira se torna frutífera”. [...] Trecho de O letrado americano, extraído da obra Ensaios (Cultrix, 1966), do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

NEUROFILOSOFIA – [...] As questões neurofilosóficas são tão antigas quanto o dia em que o primeiro ser humano se fez a pergunta de "quem somos nós". A natureza do pensamento e sua origem perpassou as mentes de grandes filósofos, todavia sem obter consenso. Atualmente, entretanto, os avanços da pesquisa em neurociências são um forte argumento a favor das teorias materialistas, sem que, no entanto, as teorias dualistas sejam abandonadas, pois a pouca idade das neurociências ainda não permite a construção de um modelo científico capaz de explicar completamente estados mentais mais complexos como a consciência [...]. Trecho do artigo Uma introdução à neurofilosofia: o problema mente-corpo (Revista da Biologia/USP, 2009).da doutoranda na University of Surrey, Camila Gomes Victorino. Neurofilosofia é um termo que surgiu na obra Neurophilosophy (1986), da filósofa estadunidense Patricia Churchland, definida como sendo o estudo filosófico das neurociências, correlato ao estudo neurocientífico da filosofia da mente e da linguagem, estudando por meio de um estudo interdisciplinar dos processos mentais efetuados sob as perspectivas das neurociências e ciências cognitivas, na investigação dos processos cerebrais e redes neurais nas complexas dimensões interativas do cérebro e da mente com o meio físico, social e cultural. Os estudos encontram interlocução com os estudos desenvolvidos pelo filósofo da Universidade de San Diego da Califórnia (UCSD), Paul Churchland e com a obra desenvolvida pelo médico neurologista e neurocientista português António Damásio, que é professor da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, relacionando estudos que tratam acerca da articulação filosófica numa visão interdisciplinar com a psicologia, neurociência, inteligência artificial e sistemas complexos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CONVERSA AS SEIS & MEIA
Nesta quinta, a partir das 18:30hs, realizarei o Conversa as seis e meia (Café Filosófico), no Restaurante O Nordestão. Informações (81) 3661-7369. O restaurante é especializado em grelhados, carnes, aves, peixes e guisados, aceita todos os cartões e possui amplo estacionamento.

Veja mais:
A arte musical de Márcio Montarroyos aqui.
A arte de Ana Rucner aqui.
A arte de Robert Szidon aqui.
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INICIAÇÃO DE FERNANDO PESSOA
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
......
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
......
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
......
Neófito, não há morte.
Poema extraído da Obra poética (Nova Aguilar, 1999), do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora visionária estadunidense Amanda Sage.
Veja mais aqui.
 

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...