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sexta-feira, outubro 09, 2020

JOÃO CABRAL, JODY WILLIAMS, TAIGUARA, CORTELA, JORDAN PETERSON, ELZA BARROSO, RAÇA & JUSTIÇA


  

TRÍPTICO DGF – AQUELA DE... VALUNA, UM RIO, UMA MULHER - Ô de casa, dá licença!?! Nasci entre um rio e um sorriso de mulher! Para sempre Carma no meu coração, como as matas de não mais, só canaviais florados, pastos, loteamentos ou queimadas nos matagais. Como o rio, quase não mais, não mais acari, nem carito, nem ambulantes de Deus. Ah, o poema de João Cabral: A um rio sempre espera / um mais vasto e ancho mar. / Para a agente que desce / é que nem sempre existe esse mar, / pois eles não encontram / na cidade que imaginavam mar / senão outro deserto / de pântanos perto do mar. / Por entre esta cidade / ainda mais lenta é minha pisada; / retardo enquanto posso / os últimos dias da jornada. / Não há talhas que ver, / muito menos o que tombar: / há apenas esta gente/ e minha simpatia calada. Para mim só as visagens emolduradas na memória. Só com os detritos da invernada ou intermitência das enchentes ameaçadoras é que presenciam e revivem, logo depois nem se lembram de nada com varrições de ganância e egoísmo nos aterros, assolações, laivos e imundícies, muito lixo invade minha casa e Mário Sérgio Cortela me diz: Se não quiser uma cidade suja, não deposite lixo na urna. E Jody Williams reitera: Acredito que é meu direito e minha responsabilidade trabalhar para criar um mundo que não glorifique a violência e a guerra, mas que busquemos soluções diferentes para nossos problemas comuns. Então, invento e me reinvento: do meu peito a fonte a escorrer do corpo pelas mãos à foz dos meus pés, a singrar o mar que tudo banha no meu chão. Então brinco entre peixes e aguapés e algas que são aves e gorjeiam nos galhos das almas feitas abusões risíveis e amedrontadoras, enquanto faço a vida e sou Valuna, Bacuna, Diauna, Unadia, Rio Una.

 


DUAS HORAS: ONDE ESTOU QUE NÃO SEI... - Imagem: O luar (Dois Irmãos), do pintor Ismael Nery - Ah, assim tão só, sou indefinível. Afinal, fiz o melhor que pude e foi pouco, nem me satisfiz. Encaro o perigo e não me enquadro em regra nenhuma, nem uso chapéus ou máscaras, dou a cara nua à tapa. Nunca desisti e apesar de subterrâneo sempre estive longe da positividade tóxica, porque sei que não há pote de ouro algum no fim do arco-íris. Sou absurdo para todos os olhos, uns tantos paradoxos a mais. Ouvi o psicólogo canadense Jordan Peterson: A maneira apropriada de se consertar o mundo não é consertando o mundo; não há razão para se presumir que você sequer seja capaz dessa tarefa. Mas, você pode consertar a si mesmo; não causará nenhum mal a ninguém fazendo isso. E, nesse caso, pelo menos, você fará do mundo um lugar melhor. Assim, coração peito aberto, não sei onde estou: se perdido na Groenlândia ou tremendo de frio na Terra do Fogo, ou onde quer que seja, apátrida ex-humano, qualquer coisa entre seres vivos, voo para ser-me.

 


TRÊS MINUTOS & TODAS ELAS SÃO NELA... – Imagem: Art by Elza Barroso - Ah, é ela Calíope voz melíflua aos ouvidos do meu coração; é Clio proclamando a história do que foi e será, é Erato a versar a maior poesia; é Melpômene alisando minha pele para fechar as feridas cálidas do meu corpo; é Polímnia nua no meu corpo para iniciação de todos os mistérios da vida; é Tália em flor para a entrega perfumada do amor; é Terpsícore para dançar de Sol na minha escuridão; é Urânia esplendorosa para que eu seja o universo em seus domínios; é ela Euterpe para que eu cante Taiguara: Teu sonho não acabou... / Lá onde estive o sonho acabou / Cá onde eu te encontro só começou / Lá colhi uma estrela pra te trazer... / Ah! Eu preciso, eu preciso muito... Ah, beijo os lábios dela e o seu sexo é Deus irradiando vida no meu em festa cósmica de todos os renascimentos. E nela fervo por todos os céus dos paraísos e todos os infernos do mundo e sou mais que dia ao amanhecer. E ela luz&ar como se nem fosse ou nunca foi. Até mais ver.

 

RAÇA & JUSTIÇA

[...] Há uma dimensão antagonística, um “conflito racial” que não é redutível a um fundamento único, jurídico ou não, ou seja, a condição da verdadeira emancipação racial, como movimento da opacidade à transparência, fluxo de justiça, é uma opacidade constitutiva que nenhum fundamento jurídico, político, moral ou epistemológico pode erradicar. A construção da justiça e da democracia, racial ou não, será sempre habitada por uma incompletude e provisoriedade inultrapassáveis, assim como as identidades que as instituem. [...].

Trecho extraídos da obra Raça e Justiça: o mito da democracia racial e o racismo institucional no fluxo de justiça (Massangana, 2009), do sociólogo e professor Ronaldo Laurentino de Sales Júnior. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


 


segunda-feira, abril 06, 2020

MARTHA ROBLES, CAROLE KING, SVĚTLANA ŽALMÁNKOVÁ, AMÉLIA BRANDÃO NERY, ALESSANDRA LEÃO, JULIANA MEIRA & REGINA MELLO


PARA APRENDER NÃO PRECISA SER PELO PIOR – UMA: O CAPITALISMO PAROU, QUE BOM! – Esse o lado bom da coisa! A mundialização, ou melhor, a internacionalização dos mercados parou, as bolsas despencaram, o planeta continua girando e todo mundo trancado dentro de casa. Ainda tem gente desavisada que corre atrás de dinheiro, grana e mais pecúnias, ora. Temos a oportunidade mais uma vez de aprender a lição. Quantas não já tivemos, afinal, viver é outra coisa! Taí, vamos ver se assimilamos o aprendizado desta vez. Vou de Márcia Tiburi: O amor é esse afeto aberto ao futuro. O ódio é afeto fechado para o futuro. O motivo pelo qual amamos é inversamente proporcional ao porque odiamos. No primeiro caso construímos, no segundo, destruímos. - DOIS: COMO SERÁ LEMBRADO DEPOIS? – Têm quem se saia bem na fita, outros tantos que queimam o filme para valer. Quem faz na vera, não está preocupado na lembrança que ficará pros filhos, netos e bisnetos. Enfim, para a posteridade. Isso porque muita gente endeusa merecidamente pais, avós, bisavós, pela herança: arte, feitos, contribuições. Já outros, nem tão simpáticos, passam por facínoras, ditadores, nazistas, dendroclatas, golpistas, que retrato deixarão na memória? Nem são capazes de pensar nisso. Eu mesmo ando meio Ismael Nery: Meu Deus, para que me destes tantas almas num só corpo? Neste corpo neutro que não representa nada do que sou, neste corpo que não me permite ser anjo nem demônio, neste corpo que gasta todas as minhas forças para tentar viver sem ridículo tudo que sou... O homem deveria ser uma bola com pensamento. TRÊS: HUMANO DEMAIS - Para quem não tem nada para fazer, invente, use da criatividade, da inovação. Eu mesmo vou driblando, escapando, persistindo. Nunca é demais o que se possa fazer pela vida. Que o diga Ígor Stravinski: Para criar deve existir uma força dinâmica, e que força é mais potente que o amor? O silêncio vai salvar-me de estar errado (e de ser idiota), mas que também irá privar-me da possibilidade de estar certo. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] nesse momento atual, temos que lutar pela vida. Por quê? Porque estamos sendo mortas. Porque estamos sendo estupradas. Porque somos atingidas por diversos tipos de violência. Qual é a prioridade? A prioridade é a vida. [...]. Trecho da entrevista concedida pela socióloga, escritora e professora mexicana Martha Robles, autora do livro Mulheres, mitos e deusas (Aleph, 2019), trazendo a história e dilemas vividos por figuras como Afrodite, Cinderela, Simone de Beauvoir e Virginia Woolf, uma viagem de resgate da essência perdida ao ressignificar o papel feminino no mundo, revelando por meio de uma análise inteligente dos arquétipos, dos mitos e das lendas construídos em torno da mulher, demonstrando como eles acabaram por reafirmar o machismo na cultura ocidental. Veja mais aqui.

ÁGUA DURA – com uma lata de banha colhi na infância / o lambari / em segurança lhe deitei no aquário / ele escolheu o cerro de pedra depois / a embarcação / os outros gostavam de ouvir as suas / lembranças da sanga selvagem / o lambari / primeira lição de amizade. Poema da poeta Juliana Meira, autora de livros como poema dilema (Porto Poesia, 2009),  poema pássaro (Patuá, 2015), na língua da manhã silêncio e sal (Modelo de Nuvem/Belas Letras, 2017), livro vencedor do prêmio Minuano de Literatura na categoria poesia 2018, água dura (Artes & Ecos, 2019), entre outros livros. Integra a coletânea Blasfêmeas: mulheres de palavra (Casa Verde, 2016) e a coletânea Treze mulheres e um verão (Feito no Ato/Psappha, 2018). Também tem poemas em caixas de fósforo na Coleção Fogo do Verbo (2008), no volume IX da Antologia Proyecto Cultural Sur-Brasil/Poesia do Brasil (2009); no Caderno de Literatura da Ajuris (2010); na Z Revista de Poesia, números 1 e 2, edição de Paco Cac (2012); na Coletânea Palavras, coordenação de Hilda Flores (2013); na Revista de Poesia Cafeína nas Veias (Vidráguas, 2014) ; no ebook Terrário (2015), além de ter participado de exposições como Poema em Foco, Código Coletivo, Cartões Galantes e em publicações como Blocos Online, Portal de Literatura e Cultura; Germina e Mallarmargens. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE CAROLE KING
Quando você estiver para baixo e com sérios problemas e necessitar de carinho ou alguns cuidados, e nada, nada estiver dando certo feche seus olhos e pense em mim e logo lá eu estarei para iluminar sua noite ainda que ela esteja sombria. Basta chamar pelo meu nome bem alto, pois você sabe que onde eu estiver eu virei correndo ver você outra vez. Seja no inverno, primavera verão,ou outono, tudo que você tem que fazer é me chamar e eu lá estarei! Porque você tem um amigo.
CAROLE KING – A arte da premiada cantora e compositora estadunidense Carole King, autora de uma extensa discografia que vem desde o álbum Writer (1970) e mais de duas dezenas de títulos que culminam com A Holiday Carole (2011), numa firme carreira musical e poética.
&
ALESSANDRA LEÃO
O fio sou eu mesma e a minha relação com a “música de rua” (o que se chama de música popular/tradicional, mas que sempre acho que ainda não encontramos um termo em que caiba todo esse universo). O fio sou eu, na medida em que cada um fala de mim num determinado tempo da minha vida. Mudamos ao longo do tempo e permanecemos sendo os mesmos de muitas maneiras. E por mais que mude, a força e a presença dessa minha “escola artística” ainda é a mesma, pois ainda me move e me instiga de maneira absolutamente profunda.
ALESSANDRA LEÃO – A arte da cantora, percussionista e compositora Alessandra Leão, percussionista, que integrou o grupo Comadre Fulozinha e já atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Jorge Du Peixe, Isaar, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), Kiko Dinucci, Metá Metá, Rodrigo Campos e Rafa Barreto. Em 2006, iniciou seu trabalho autoral com o disco Brinquedo de Tambor. Em 2008 idealizou, coordenou e produziu o projeto Folia de Santo, com um disco homônimo lançado no mesmo ano. Em 2009, lançou seu segundo disco, Dois Cordões. Nesse mesmo ano compôs a trilha sonora do espetáculo teatral Guerreiras, de Luciana Lyra, lançado em livro e CD em 2010. Já realizou turnês no Brasil, Argentina, Colômbia, França, Bélgica, Portugal e Holanda. Em 2014, a trilogia de EPs intitulada Língua, lançando Pedra de Sal, Aço e Língua. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da tcheca Světlana Žalmánková. Veja mais aqui.
&
REGINA MELLO
Sim, arte é poesia e coadunam sempre! Costumo dizer que a poesia é a mãe de todas as artes! É conceito, movimento, volume, sonho... Poesia é expressão, comunicação, linguagem. A arte conceitual para mim é o “gênero” mas amplo, atual e completo. Um estilo que permite mais reflexão, discussão e criatividade, onde a arte e a poesia caminham de mãos dadas. A arte conceitual pede síntese e isto é comigo mesma!
REGINA MELLO - A arte da artista plástica, poeta, escultira e gestora cultural Regina Mello, que edita os blogs Regina Mello BR, Esculturas e A poesia das sombras. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A MÚSICA DE TIA AMÉLIA
A arte da pianista e compositora Amélia Brandão Nery, mais conhecida como Tia Amélia (1897-1983), pianista erudita que se dedicou ao choro, lançando os álbuns Velhas Estampas (Odeon, 1959) Valência / Revoltado (Odeon, 1959) As Músicas da Vovó no Piano da Titia (Odeon, 1960) Cuíca no Choro / Bom dia Radamés Gnattali (RCA Victor, 1960) A Benção, Tia Amélia (Marcus Pereira, 1980/1985).
O pensamento do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui, aqui e aqui.
A poesia de cordel de Manoel Bentevi aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro de Luiz Marinho (1926-2002) aqui.
A arte de Carlos Vanderlei Pinto aqui.
Até quarta, Isabela, do advogado, escritor e líder das Ligas Camponesas nos anos de 1950, Francisco Julião (1915-1999) aqui.
O Brasil Holandês aqui.
O suco de graviola aqui.
Tacaimbó aqui, aqui, aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, novembro 02, 2017

SHAW, ISMAEL NERY, ODETTE ASLAN, MAURÍCIO MELO JÚNIOR, LIA VIEIRA, POESIA REVISTA, PAULO DANTAS, SUCATÁRIO & BONITO

AOS VIVOS QUE RESTAM DOS MORTOS - Imagem: Nós (1926), do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). - As partidas nas asas dos ventos, as chegadas apressadas de nada verem, atrasados nas suas fugas imotivas e defecções, afetos perdidos, asas partidas no espaço vazio, entre sentimentos estreitos, andares solitários doloridos na garoa dos muros interditados pelas tardes sem sol dos olhos nublados, mãos espalmadas para ausência, abraço estendido pro ermo da indiferença dos que vivem sem saber que já morreram nas suas frustrações e mágoas enfurecidas, dos que acham que vivem na embriaguês de seus mandos e posses a rivalizar com as necessidades alheias de sorrir a banguela das gengivas invernais, dos que tentam viver a todo custo a pisar os outros com a cegueira dos luxos das vitrines e pedidos de perdão na oração cristã da missa dominical. Em mim o vaivém do caleidoscópio, sombras de novembro no peito de maio pelo filho que partiu a muito na poeira do tempo quase inesquecível, pela mãe que se foi sem aceno na dor de parir sonhos irrealizáveis, pelos amigos tragados pelas tragédias, pelos que sumiram nas cinzas do álbum de fotografias, povoando lembranças erradias. Saúdo meus mortos que vivem em mim, estão vivos em mim no que me resta de ser feliz apesar dos pesares. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com os álbuns Carioca, Stone Alliance, Patamar & Makenna Beach do músico instrumentista Márcio Montarroyos (1948-2007); Libertango, Storm & Sitarki da violoncelista croata Ana Rucner; Rudepoêma de Villa-Lobos, Rapsódia Brasileira de Radamés Gnatali & Fantasia op. 28 de Scriabin, com o pianista brasileiro Roberto Szidon (1941-2011); e a Suíte 1 & 5 de Bach & a Sonata nº 2 de Myaskovsky, com a violoncelista russa Natalia Gutman. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado. Pensamento do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês George Bernard Shaw (1856-1950). Veja mais aqui e aqui.

SOCORRO DO TREM DO BONITOO município do Bonito foi assentado em meio a diversos pés de serras, verdadeiras couraças naturais que embalam a cidade [...] irrigados pelos rios Sirinhaém e Una. A fertilidade do solo, a amenidade do clime, a salubridade e as boas fontes de águas, atraíram, desde finais de sec. XVIII, toda sorte de aventureiros, muitos até endinheirados, que ali fundaram fazendas e engenhocas obtidas às terras por sesmarias. Outros sem grandes chances na vida, buscavam abrigo naquela terra como moradores e agregados havendo aqueles, como os retirantes das secas que por ali se abrigavam buscando conforto para suas miseráveis vidas. [...] Foi essa gente sofrida que, aproveitando as sobras de terras, as brechas, digamos assim, entre uma sesmaria e outra se arrancharam com suas famílias, fundando no outeiro a capela da Conceição (1812), mais tarde matriz da cidade. [...] Paulatinamente, o Bonito foi crescendo e adaptando-se às novas realidades [...] Afora o sesmarialismo, muitas terras foram conquistadas no tapa. [...] Nesses mundos onde se desenvolveram sítios, engenhos e engenhocas, a casa senhorial era o centro nevralgico das decisões. [...] Por volta do segundo quartel do sec. XIX, teve inicio no Bonito o cultivo da cana. [...] Diante dessas expectativas, a cana passou a invadir quase todo altiplano bonitense dilatando-se por várzeas, brejos e montanhas, registrando-se decréscimo no final do século mediante a consciência da cafeicultura. [...]. A região onde desemboca o rio Sirinhaem, o rio dos siris para os nativos, foi conquistadas aos índios em 1565. Após esse empreendimento, os índios foram expulsos de suas terras e estas repartidas em datas de sesmarias vicejando posteriormente engenhos de açúcar. Mais tarde o colonizador adentrou pelo mato reconhecendo todo o curso do dito rio até chegar suas nascentes no agreste em Camocim de São Félix. [...] De seus aflientes Bonito Grande, Riacho Seco, Tanque de Piabas, Várzea Alegre e Tese. [...]. Trechos extraídos da obra Velhos engenhos e antigas famílias do Bonito (CEHM, 2010), de Flávio José Gomes Cabral. Já no texto Estrada de ferro Ribeirão-Cortês-Bonito, de Severino Rodrigues de Moura, extraídop da Revista de História Municipal (CEHM, dez. 2008), encontramos o seguinte relato: A população do Bonito tinha o sonho de construir uma estrada de ferro ligando sua cidade a Ribeiro desde meados do século passado. [...] Em 1904 a linha férrea Ribeirão-Nonito foi anexada à Great Western e em seguida à Rede Ferroviária do Nordeste (RFN) até sua extinção. [...] Um certo dia, a locomotiva descarrilou no ramal do Engenho Limão, com todas as carroças de cana. O acidente apresentou proporções bem maiores do que aqueles ocorridos antes, tendo o maquinista que pedir socorro ao gerente da usina. [...] Teve que pedir ajuda em Ribeirão. No entanto, o trem de socorro também descarrilou, sendo preciso vir um terceiro trem. Foi um Deus nos acuda. Parecia um formigueiro em vérpera de trovoada. [...] mais uma vez pediu socorro à estação de Ribeirão, passando o seguinte telegrama: Trem de carga caiu. Pedi socorro. Socorro veio. Também caiu. Agora peço socorro para socorrer socorro e trem de cana. Ass.: Norberto. Veja mais aqui.

ÍNTIMO DAS AUTORIDADESO sujeito tinha o apelido de “Sombra”. Era funcionário do cerimonial no palácio do governo estadual [...] Jornalistas e repórteres fotográficos credenciados, ficavam enfurecidos da vida devido as reais dificuldades em fotografarem as autoridades sem a presença do “individuo indesejavel”. [...] Verdadeiro batalhão de fotógrafos e jornalistas se posicionava a fim de clicarem o Presidente da República. [...] Quem estava logo na frente? Ele, o inconveniente e intrometido Sombra. Ajeitou o cabelo e a gola do surrado paletó, dirigiu-se aos fotógrafos e perguntou: Como vocês querem que eu saia? Disse um dos repórteres: Que saia da frente, para fotografarmos o presidente! Trechos extraídos da obra Sátiras políticas: porque rir faz bem à saúde (Livro Rápido, 2000), do escritor e advogado Paulo Dantas Saldanha.

A SUCATA & ARTES VISUAIS – [...] As possibilidades de construções com sucatas são infinitas, baratas e podem sem muito criativas. Além disso, as sucatas podem ser utilizadas em muitas outras atividades, como complemento de outra técnica. [...] Se a sucata não for valorizada, fica muito próxima de mero lixo e com isso não desperta nenhum interesse para a criação. [...]. Trecho extraído da obra 300 propostas de artes visuais (Loyola, 2009), das artistas plásticas Ana Tatit & Maria Silvia Monteiro Machado, tratando sobre pintura, desenho, recortes, colagens, bonecos, máscaras, modelagens, fantoches, mosaico, escultura e construções com materiais variados, jogos e brinquedos com sucata, sucatário, outras técnicas e atividades.

O ATOR NO SÉCULO XX – [...] perfila-se uma volta a comunhão por pequenos grupos, a celebração de um rito em que celebrantes e fieis respiram juntos, mobilizem suas forças fisiológicas e pesquisas, querem sair de si mesmo, comunicar-se numa troca fraterna. O ator continua sendo aquele que propõe essa troca, que dá ao outro, que recebe e se oferece de novo, qualquer que seja sua mensagem. [...] Ator-poeta, trovador falando ou cantando [...] o prazer de atuar se confunde com o prazer de viver para quem o mal de viver se traduz pela dor que se canta e repartindo o que se encanta. [...]. Trecho da obra O ator no século XX (Perspectiva, 2008), de Odette Aslan que trata sobre as formas de interpretação, os problemas do gestual, modo de formação, busca da personagem, reações contra o naturalismo, pesquisas antes e depois da revolução russa, revisão do espaço, radio, cinema, televisão, teatros-laboratórios, comunidades teatrais, tendencias atuais, ética pessoal e de grupo e o ator do amanhã. Veja mais aqui e aqui.

SER POETA - Fiz-me poeta / por exigência da vida, das emoções, dos ideais, da raça. / Fiz-me poeta / sabendo que nem só se finge a dor que deveras sente / e crendo que através da poesia posso exprimir / a arte do cotidiano, vivida em cada poema marginal. Poema extraído da obra Quilombo Hoje – Cadernos Negros 15 (Edição dos Autores, 1992), da poeta, pesquisadora, artista plástica e educadora Lia Vieira. Veja mais aqui.

CRÔNICA DO ARVOREDO & ANDARILHOS DE MAURÍCIO MELO JÚNIOR
[...] Já não me lembro bem dos detalhes, sei apenas que li num livro emprestado por um amigo. A memória também não alcança os nomes do amigo, do livro, do autor. Sei somente que era alto e escondia o rosto por trás de uma barba espessa, o amigo; e o volume tinha capa amarela e marrom. Vivíamos a tensão do vestibular; implacável, inadiável. Vivíamos uma cidade cercada pelos mistério da história, pelo fascínio de um cotidiano de transformações concretizadas ao desejos dos minutos. Tínhamos a sensação de que o mundo hirava em função de nós. E o mundo não nos bastava, embora tivesse sido feito para abrigar somente a nossa juventude. O amanhã era apenas a conseqüência do Sol que à tarde dormia. Por isso vivíamos com intensidade o Recife. [...].
Trecho da obra Crônica do arvoredo (Bagaço, 2006).
[...] Seu moço saia do caminho, a conversa é comigo e Deus. No meio, somente os macacos do exercito e a esperança de uma briga boa. Desarrede, desarrede que não tenho prosa pro senhor. Doido, eu? Pois o senhor ainda não topou com doido na vida e já disse pra não querer me enfrentar. Num avance, peste, num avnce que seu tempo pode tá findo. Pois, lá vai brincadeira que já num tenho tempo pra prosa. Pá, pá e que fique nas agonias do fim. [...]
Trecho da obra Andarilhos: caminhos só ida, volta à seca (Bagaço, 2007), ambos os livros do jornalista e escritor Maurício Melo Júnior. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Sena aqui.
A poesia & o cinema de Pier Paolo Pasolini aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). 
Veja mais aquiaqui, aqui & aqui.

POESIA REVISTA 2018
Acaba de ser lançado o edital da Poesia Revista para reunião anual de textos poéticos e colunistas de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, com tema Amor e distribuída em bibliotecas nacionais, em saraus e pelos poetas participantes do projeto. A publicação é destnada a jovens e adultos, visando o fomento da cultura e literatura na formação de público leitor e com objetivos voltados para valorização do escritor e suas habilidades textuais, incentivo da leitura, oportunizar aos autores a veiculação de seus trabalhos com divulgação nacional e internacional. Os interessados confiram aqui.

segunda-feira, outubro 09, 2017

GABRIELA MISTRAL, MARK TWAIN, MATTÉI, DŌGEN ZENJI, ISMAEL NERY, LUIZ VIOLA & ZÉ RIPE

EMBALO DA VIDA - Imagem: O violeiro, de Luiz Viola - Anda mais duns quarenta anos, bem mais, acho, que botei as ventas no mundo e dei de cara com a trupe de fazedores de emboanças, sons amolestados e tons desafinados, telengotendo, xenhenhem! E a cavilação: ou você me paga o que deve ou um de nós perde a vida e a vida bate o aço a judiar! Simbora! O galope só é bom quando é à beira-mar! Lá ia eu metido a besta entre parceiros, doidos e sãos, repicando aboios e toadas, aliterações e gemidos, um poema atrás do outro feito bandeirinhas de São João que não acabam mais nas mais de mil e uma estripulias por dias como espelhos e noites de meter os pés pelas mãos, desapeando para abancar, todo ancho no meio de oitava antiga ou dez de queixo caído, nada que possa valer mais que de Serra da Prata para Serro Azul, de Pirangi pra Paul, Mata Sul pernambucana, terra dos Palmares, de João de Zé das quantas, Maria de partos, flores e rumores, dos erros do tino e acertos no milhar, do tudo e do muito, maleitas, aporrinhações, sacanagens e engodos. Acha pouco, é? Vá atentar o diabo que ele gosta! É não! É! Você diz que não cai, mas cai no quebradinho: cai quem não gosta da vida, cai quem da morte tem medo. E eu ia danado pra Catende com vontade de chegar. É de lá que vem cantando Zé Ripe e eu aplaudindo olhos acesos, de cócoras com a saparia, foi não foi, foi, amoitado na casa de taipa com o sereno que vinha do som no pé da orelha e via atalhos e tocaias que perturbam nossa poesia sem amanhã, agarrado ao desespero para vencer o medo de fugir da obscuridade pro futuro redentor. Era bom demais, Zé Ripe cantando coisas da gente dessas terras que são minhas até que a peitica cantou e lá vinha a chuva dos sapos pedirem aos céus clemência, foi, não foi, foi, enquanto eu a duras penas ouvia cantarem louvores aos céus para livrá-los dos horrores sem saber o domínio do destino. E eu que ouvia e se havia com o amiudar dos galos, saía no oitão de rede rasgada e terreiro afora na força da munheca, engolindo brasa de fogo, pegando corisco nos ares, já sabia: não presto nem pra mim mesmo! E ia contra o muro e voltava, pé na rua, no meio da vida, quantos baques, muitas quedas: quebra cabeça é assim! Segura o rojão: quando eu ia ela voltava, quando eu voltava ela ia. Ia e vinha e nada, só no mote ineivado: isso é que é mourão voltado, isso é que é voltar mourão. E lá ia eu solto na lapa do mundo dos oito pés em quadrão, acelerado feito xexéu: quando eu disser meia quadra, você diz que é quadra e meia, quando eu disser quadra e meia, você diz que é meio quadrão. Quem não canta gabinete, não sabe o que é cantar! E eu que não sou de aguentar desaforo, não sou de arrastar mala e abria os peitos: quem não canta gabinete, não é cantor pra ninguém. Aí convocava: vamos fazer um baião de viola ou bota a viola no saco! Aí eu que já me achava maior que o troço, feito quem tem mais opinião que informação, todo cheio de nove horas, já estava com um fastio grande porque abusei da comida com a inhaca da desgraça, aguentei tempo o de longe, injuriado até o gogó, pra amansar no balançado do xote do Zé Ripe com o trancelim e laço de fita, sujeito bom cantador que me ensinava que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, a me embalar entre as senhoras, viúvas e moças amojadas nesse Brasil de caboclo, Mãe Preta e Pai João, coisas da minha vicariante prosopopéia, porque sei que nada morre antes do tempo, nem corre sem vê de quê. E a minha infância, quer você queira ou não, parece mais que criou pena, bateu asas e voou pra nunca mais, o adulto que envelhece e arenga: aqui só canta um galo que sou eu nesse terreiro. Aprendi desde cedo que cantador que se dá a preço, não se areia nem faz troça e na boca traz tanto repente chega de sobrar e cair no chão pra quem quiser, isso é que é bom, porque para cantar nunca teve semana, nem dia, nem hora, nem mês. Vamos simbora, Zé Ripe, vamos desmanchar o enredo pra não ficar cego de raiva nem ter o diabo por guia, a gente vai que vai, não tem quem não cuspa pra cima que não lhe caia na cara! Vamos ver o desafio malcriado rompendo a cantoria! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música de Djavan ao vivo + Ária + Um amor puro; a célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999), interpretando a Bachiana nº 5 & Floresta amazônica de Villa-Lobos & La demoiselle élue de Debussy; da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann com Brazilian Breath, Saudades do Paulo com Cliff Korman & Chorinho pra você com Paulo Moura; e do cantor e compositor Zé Ripe com Amigos em pé de serra & Santanna O Cantador, Predestinação, Nordestinos do Forró, Bobeira & Perdi Você. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Conhecer a verdade do Buda é conhecer a si mesmo. Conhecer a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser confirmado por todos os Darmas. Ser confirmado por todos os Darmas é deixar seu corpo e sua mente e o corpo e a mente do mundo externo desaparecerem. Todo indício de iluminação desaparece, e essa iluminação sem indício prossegue indefinidamente. Pensamento do mestre zen-budista Dōgen Zenji (1200-1253), extraído do artigo Os ensinamentos rosacruzes e o zen (O Rosacruz, 2015), de Atsushi Honjo. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO DE HOJE DE MATTÉI - [...] Na educação moderna, o estudante é apenas objeto de um discurso administrativo [...] Como eu digo em A barbárie interior, os métodos educacionais consistem em substituir o aluno, o homem, por uma espécie de sujeito social que não tem mais relação o pensamento, com o conhecimento, com a erudição, com a formação do saber. A educação moderna – em Dewey, por exemplo- substituiu a finalidade da educação como hominização pela socialização: o aluno é somente um ser social administrativo, encerrado em uma rede administrativa. [...] Não há aí possibilidade de relação do aluno ou da criança com o mundo, com o saber ou com o pensamento. [...] o que conta são procedimentos, a educação moderna é procedimental, como falam os educadores norte-americanos. [...]. Trechos da entrevista Modernos e bárbaros (Cult, janeiro 2003), ao jornalista Manoel da Costa Pinto, pelo filósofo francês Jean-François Mattei (1941-2014), sobre a obra A barbárie interior: ensaio sobre o i-mundo moderno (UNESP, 2002). Veja mais aqui.

HONESTIDADE, VIRTUDE & EVOLUÇÃO HUMANA - [...] vi que nunca tivemos a intenção de libertar, mas a de subjugar aquele povo. Fomos até lá para conquistar, não para salvar. [...] Parece-me que nosso prazer e dever seria tornar livres aquelas pessoas e deixar que elas próprias resolvessem sozinhas as suas questões internas. E é por isso que sou antiimperialista. Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras. [...] A alma e a substância do que geralmente se chama patriotismo é covardia moral, e sempre foi. [...] anseia apenas por ficar do lado do vencedor. [...] O dogma do patriotismo monárquico é: “O Rei nunca erra”. Nós adotamos com todo o seu servilismo, com uma insignificante mudança de palavras: “Nossa pátria, certa ou errada”. [...] Jogamos fora, e com ele tudo o que havia de respeitável nessa palavra grotesca e ridícula, patriotismo. [...] Não é verdade que existem dezenas de tipos de honestidade que não podem ser medidas pelo padrão do dinheiro? Traição é traição – e há mais de uma forma de traição; a forma dinheiro é apenas uma delas. [...] não existe um único homem honesto em lugar nenhum. E neste caso nem a mim eu faço exceção. [...] Toda pessoa nela incluída é honesta de uma ou de várias formas, mas nenhum de seus membros é honesto de todas as formas exigidas – exigidas por quê? Por seu próprio padrão. Fora essa, da forma como eu entendo, não existe para ela outra obrigação. E eu sou honesto? Dou-lhe minha palavra de honra (particular) de que não sou. [...]. É verdade, arte eu sou desonesto. Não de muitas formas, mas de algumas. Acho que são 41. Somos todos honestos de uma ou de muitas formas – todos os homens no mundo -, embora eu às vezes tenha a impressão de ser o único que tem uma lista negra tão curta. Às vezes me sinto isolado nessa altaneira solidão. [...] o século XIX trouxe progresso – o primeiro progresso depois de “eras e eras” -, um progresso colossal. Em quê? Materialidades. Fizeram-se aquisições maravilhosas com coisas que aumentam o conforto de muitos e tornam mais difícil a vida de outros tantos. Mas e o aumento da virtude? É possível descobri-lo? Acho que não. As materialidades não foram inventadas em beneficio da virtude [...]. lutam febrilmente por dinheiro. O dinheiro é o ideal supremo – todos os outros ficam relegados ao décimo lugar para o grosso das nações conhecidas. A febre do dinheiro sempre existiu, mas na história do mundo ela não foi a loucura em que se transformou no seu tempo e no meu. Esta loucura corrompeu essas nações; tornou-as duras, sórdidas, cruéis, desonestas, opressivas. [...] Se houve algum progresso em direção à virtude desde o início da Criação – do que, na minha inabalável honestidade, sou forçado a duvidar – acredito que devamos limitá-lo a 10% das populações da Cristandade (mas deixando de fora a Rússia, a Espanha e a América do Sul). Isso nos dá 320 milhões dos quais tirar dez por cento. Ou seja, 32 milhões avançaram para a virtude e o o Reino de Deus desde que as “eras e eras” começaram a corre, e Deus lá sentado, admirando. Bem, isso deixaria 1 bilhão e 200 milhões fora da corrida. Continuam onde sempre estiveram; não houve mudança. [...]. Trechos extraídos da obra Patriotas e traidores: Antiimperialismo, política e crítica social (Fundação Perseu Abramo, 2003), do escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Veja mais aqui.

A QUEM SERVISTE HOJE? - Toda a Natureza é um desejo de serviço. / Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. / Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; / Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; / Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu. / Sê aquele que afasta a pedra do caminho, / O ódio dos corações e as dificuldades de um problema / Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo, / Mas existe sobretudo, a formosa a imensa alegria de servir. / Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, / Se não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que iniciar! / Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis. / É tão belo fazer a tarefa a que outros se esquivam! / Mas não caias no erro de que só se conquistam méritos / Com os grandes trabalhos; / Há pequenos serviços que são imensos serviços: / Adornar a mesa, arrumar os bancos, espanar o pó. / Aquele é o que critica, este é o que destrói; / Sê tu o que serve. / O serviço não é tarefa só de seres inferiores./ Deus, que dá o fruto e a luz, serve. / Poder-se-ia chamá-lo assim: Aquele que serve. / E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia: / “Serviste hoje? A quem? À árvore, a teu amigo, à tua mãe?” Poema da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui e aqui.

GEMEDEIRA DE BENJAMIM MANGABEIRA
Geme o rico sem saúde
Geme o moço sem dinheiro
Velho vendo moça nova
Geme sem ter paradeiro
E o miserável do pobre
Ai! Ai! Ui! Ui!
Esse geme o tempo inteiro
Vamos gemer sem ter dor
Para o povo apreciar
Quem precisa de ganhar
Geme pra fazer favor
Para ser bom cantador
Eu faço tudo por mim
Antes de chegar ao fim
Mostre sua gemedeira
Me acompanhe na regra inteira
Ai! Ai! Ui! Ui!
Gemer de dois é assim.
Gemedeira criada por Benjamim Mangabeira (Benjamim José de Almeida: 1904-1975), extraída da obra Cartilha do cantador (Recife, 1985), de Aleixo Leite Filho. Veja mais aqui e aqui.

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A arte musical de Bidu Sayão aqui.
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ENTREVISTA DE ZÉ RIPE
A entrevista do cantor & compositor Zé Ripe aqui e mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). Veja mais aqui,  aqui e aqui.



NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...