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terça-feira, março 24, 2020

REICH, ANAHÍ BERNERI, EDMONIA LEWIS, TABITHA KING & LADJANE BANDEIRA


ENTRE TOPADAS E DOIDICES A GENTE VAI MANDANDO VER – UMA: COMO É QUE SÃO AS COISAS NA VIDA - Estava pensando na vida, ao me dar conta que rolava a Bachianinha nº 5, do Villa-Lobos. Parei de divagar e me liguei na música. Ah, eu matava a saudade da inesquecível soprano Bidú Sayão, que, por sinal, teve uma história muito interessante. Certa vez li um relato dela dizendo: Eu não tinha voz alguma quando comecei. Os professores me disseram que eu era muito nova ainda, que minha família ia gastar dinheiro à toa. Mas eu insisti, chorei muito, garanti que não me importava com bailes, namorados, festas. E comecei a cantar. Pois é. E tornou-se a inesquecível e célebre cantora lírica, aplausos. Uma lição inestimável: talento só não basta, precisa de renúncias e muita coragem. Conheço muita gente talentosa que jamais acreditou em si própria, ou desistiu, ou ficou pelo caminho. DUAS: CORRE MUITO SANGUE EM MINHAS VEIAS – Nunca consegui a imparcialidade exigida pela academia e ciências, nunca soube alguém imparcial a tal ponto de frieza. Disciplina, tirocínio e senso de justiça, isso sim, a busca por certa isenção, sem interferir no resultado. Ah, isso sim. Logo eu que, lá pelos meus 10 ou 11 anos de idade, ganhei do meu pai uma coleção do Graciliano Ramos e, ao ler cada volume, copiei de um deles a seguinte frase: Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões. Afinal, nem só de carne e osso, muito sangue corre em minhas veias. É isso aí. TRÊS: MAIS OUTRA PARA FECHAR A CONTA – Mas esse mundão é muito cheio de nove horas. Quando passo a limpo as leituras da história da humanidade, muita doidice é registrada, afora um tanto de desatinos chega dá pra pensar o tamanho da estupidez. Nessa eu vou de Akira Kurosawa: Neste mundo louco, só os loucos são sãos. E num é que é mesmo, ora! Vamos aprumar a conversa gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Não ousou olhar para cima para ver se tinha rosto. Não tinha aprendido nas aulas da igreja que a visão do rosto de Deus era reservada para o Juízo Final? E nem mesmo a forte possibilidade de uma piada cuja vítima fosse a raça humana, em que Deus era tal qual a pintura de uma mulher, apagava a certeza de que, no Juízo Final, todos nós estaríamos mortos. [...]. Trecho extraído da obra Pequenas realidades (Darkside, 2019), da escritora estadunidense Tabitha King, carregada de sutilezas, bizarrices e ferocidade, com uma trama que envolve relações familiares problemáticas e o mundo estranho e obsessivo das miniaturas, uma história grotesca e disfuncional.

COMO É QUE É, HEM? – O homem moderno é estranho à sua própria natureza. A carga organótica dos tecidos celulares do sangue determina o grau de suscetibilidade para infecção ou disposição para doenças. Na verdade fiz uma única descoberta: a função das convulsões orgásticas do plasma... E foi muito mais difícil que a observação, comparativamente simples, dos bions ou o fato igualmente e simples e evidente de que a biopatia do câncer, baseia-se no encolhimento e na decomposição geral do organismo vivo. O homem não encouraçado mantem contato com a natureza dentro e fora de si. A verdade é perigosa quando diz respeito a você. Se lhe for dada a escolha entre uma biblioteca e uma luta, sem dúvida você irá à luta. Só se fantasia o que não se pode ter na realidade. Pensamento do médico, psicanalista e cientista natural Wilhelm Reich (1897-1957). Veja mais aqui.

ANAHÍ BERNERI
Sim, gosto de trabalhar no corpo, feminino e masculino, e se você vê uma presença maior do feminino, é porque sou mulher e me sinto mais à vontade trabalhando nas histórias femininas. Também porque acho que estão faltando! Faltam personagens femininas no cinema e em qualquer lugar.
ANAHÍ BERNERI – A arte da cineasta e roteirista argentina Anahí Berneri, que teve suas obras exibidas em vários festivais de cinema do planeta. Entre suas obras encontram-se A year without love (2005), Encarnación (2007), It’s yout fault (2010), Aire libre (2014) e Alanis (2017). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Até os doze anos de idade, eu levava essa vida errante, pescando e nadando... e fazendo mocassins. Fui então enviada para a escola por três anos, mas fui declarada selvagem - eles não podiam fazer nada comigo.
EDMONIA LEWIS – A arte da escultura estadunidense Edmonia Lewis (Fogo Selvagem - 1844-1907), a primeira afrodescendente a conquistar fama internacional e reconhecimento como escultora e artista. Quando estudava na universidade, ela foi agredida por desconhecidos, espancada e abandonada na estrada, sendo posteriormente acusada de envenenar duas colegas, além de ser acusada de roubar material da faculdade, sendo inocentada pelo tribunal, sendo, em seguida, proibida de se matricular, perseguida pelo isolamento e preconceito. Daí mudou-se para Roma, defendendo a causa da abolição da escravatura em um círculo de artistas expatriados. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
LADJANE BANDEIRA
A arte da escritora e artista plástica Ladjane Bandeira (1927-1999).
Estrela em trânsito, da poeta Bartyra Soares aqui.
A poesia de Generino Batista aqui.
O violeiro, cordel de Luiz Viola aqui.
As práticas pedagógicas de Arantes Gomes do Nascimento aqui.
A música de Fulô Rasteira aqui.
A arte de Rivail Azevedo aqui.
O município de Belém de Maria aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

segunda-feira, outubro 09, 2017

GABRIELA MISTRAL, MARK TWAIN, MATTÉI, DŌGEN ZENJI, ISMAEL NERY, LUIZ VIOLA & ZÉ RIPE

EMBALO DA VIDA - Imagem: O violeiro, de Luiz Viola - Anda mais duns quarenta anos, bem mais, acho, que botei as ventas no mundo e dei de cara com a trupe de fazedores de emboanças, sons amolestados e tons desafinados, telengotendo, xenhenhem! E a cavilação: ou você me paga o que deve ou um de nós perde a vida e a vida bate o aço a judiar! Simbora! O galope só é bom quando é à beira-mar! Lá ia eu metido a besta entre parceiros, doidos e sãos, repicando aboios e toadas, aliterações e gemidos, um poema atrás do outro feito bandeirinhas de São João que não acabam mais nas mais de mil e uma estripulias por dias como espelhos e noites de meter os pés pelas mãos, desapeando para abancar, todo ancho no meio de oitava antiga ou dez de queixo caído, nada que possa valer mais que de Serra da Prata para Serro Azul, de Pirangi pra Paul, Mata Sul pernambucana, terra dos Palmares, de João de Zé das quantas, Maria de partos, flores e rumores, dos erros do tino e acertos no milhar, do tudo e do muito, maleitas, aporrinhações, sacanagens e engodos. Acha pouco, é? Vá atentar o diabo que ele gosta! É não! É! Você diz que não cai, mas cai no quebradinho: cai quem não gosta da vida, cai quem da morte tem medo. E eu ia danado pra Catende com vontade de chegar. É de lá que vem cantando Zé Ripe e eu aplaudindo olhos acesos, de cócoras com a saparia, foi não foi, foi, amoitado na casa de taipa com o sereno que vinha do som no pé da orelha e via atalhos e tocaias que perturbam nossa poesia sem amanhã, agarrado ao desespero para vencer o medo de fugir da obscuridade pro futuro redentor. Era bom demais, Zé Ripe cantando coisas da gente dessas terras que são minhas até que a peitica cantou e lá vinha a chuva dos sapos pedirem aos céus clemência, foi, não foi, foi, enquanto eu a duras penas ouvia cantarem louvores aos céus para livrá-los dos horrores sem saber o domínio do destino. E eu que ouvia e se havia com o amiudar dos galos, saía no oitão de rede rasgada e terreiro afora na força da munheca, engolindo brasa de fogo, pegando corisco nos ares, já sabia: não presto nem pra mim mesmo! E ia contra o muro e voltava, pé na rua, no meio da vida, quantos baques, muitas quedas: quebra cabeça é assim! Segura o rojão: quando eu ia ela voltava, quando eu voltava ela ia. Ia e vinha e nada, só no mote ineivado: isso é que é mourão voltado, isso é que é voltar mourão. E lá ia eu solto na lapa do mundo dos oito pés em quadrão, acelerado feito xexéu: quando eu disser meia quadra, você diz que é quadra e meia, quando eu disser quadra e meia, você diz que é meio quadrão. Quem não canta gabinete, não sabe o que é cantar! E eu que não sou de aguentar desaforo, não sou de arrastar mala e abria os peitos: quem não canta gabinete, não é cantor pra ninguém. Aí convocava: vamos fazer um baião de viola ou bota a viola no saco! Aí eu que já me achava maior que o troço, feito quem tem mais opinião que informação, todo cheio de nove horas, já estava com um fastio grande porque abusei da comida com a inhaca da desgraça, aguentei tempo o de longe, injuriado até o gogó, pra amansar no balançado do xote do Zé Ripe com o trancelim e laço de fita, sujeito bom cantador que me ensinava que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, a me embalar entre as senhoras, viúvas e moças amojadas nesse Brasil de caboclo, Mãe Preta e Pai João, coisas da minha vicariante prosopopéia, porque sei que nada morre antes do tempo, nem corre sem vê de quê. E a minha infância, quer você queira ou não, parece mais que criou pena, bateu asas e voou pra nunca mais, o adulto que envelhece e arenga: aqui só canta um galo que sou eu nesse terreiro. Aprendi desde cedo que cantador que se dá a preço, não se areia nem faz troça e na boca traz tanto repente chega de sobrar e cair no chão pra quem quiser, isso é que é bom, porque para cantar nunca teve semana, nem dia, nem hora, nem mês. Vamos simbora, Zé Ripe, vamos desmanchar o enredo pra não ficar cego de raiva nem ter o diabo por guia, a gente vai que vai, não tem quem não cuspa pra cima que não lhe caia na cara! Vamos ver o desafio malcriado rompendo a cantoria! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música de Djavan ao vivo + Ária + Um amor puro; a célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999), interpretando a Bachiana nº 5 & Floresta amazônica de Villa-Lobos & La demoiselle élue de Debussy; da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann com Brazilian Breath, Saudades do Paulo com Cliff Korman & Chorinho pra você com Paulo Moura; e do cantor e compositor Zé Ripe com Amigos em pé de serra & Santanna O Cantador, Predestinação, Nordestinos do Forró, Bobeira & Perdi Você. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Conhecer a verdade do Buda é conhecer a si mesmo. Conhecer a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser confirmado por todos os Darmas. Ser confirmado por todos os Darmas é deixar seu corpo e sua mente e o corpo e a mente do mundo externo desaparecerem. Todo indício de iluminação desaparece, e essa iluminação sem indício prossegue indefinidamente. Pensamento do mestre zen-budista Dōgen Zenji (1200-1253), extraído do artigo Os ensinamentos rosacruzes e o zen (O Rosacruz, 2015), de Atsushi Honjo. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO DE HOJE DE MATTÉI - [...] Na educação moderna, o estudante é apenas objeto de um discurso administrativo [...] Como eu digo em A barbárie interior, os métodos educacionais consistem em substituir o aluno, o homem, por uma espécie de sujeito social que não tem mais relação o pensamento, com o conhecimento, com a erudição, com a formação do saber. A educação moderna – em Dewey, por exemplo- substituiu a finalidade da educação como hominização pela socialização: o aluno é somente um ser social administrativo, encerrado em uma rede administrativa. [...] Não há aí possibilidade de relação do aluno ou da criança com o mundo, com o saber ou com o pensamento. [...] o que conta são procedimentos, a educação moderna é procedimental, como falam os educadores norte-americanos. [...]. Trechos da entrevista Modernos e bárbaros (Cult, janeiro 2003), ao jornalista Manoel da Costa Pinto, pelo filósofo francês Jean-François Mattei (1941-2014), sobre a obra A barbárie interior: ensaio sobre o i-mundo moderno (UNESP, 2002). Veja mais aqui.

HONESTIDADE, VIRTUDE & EVOLUÇÃO HUMANA - [...] vi que nunca tivemos a intenção de libertar, mas a de subjugar aquele povo. Fomos até lá para conquistar, não para salvar. [...] Parece-me que nosso prazer e dever seria tornar livres aquelas pessoas e deixar que elas próprias resolvessem sozinhas as suas questões internas. E é por isso que sou antiimperialista. Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras. [...] A alma e a substância do que geralmente se chama patriotismo é covardia moral, e sempre foi. [...] anseia apenas por ficar do lado do vencedor. [...] O dogma do patriotismo monárquico é: “O Rei nunca erra”. Nós adotamos com todo o seu servilismo, com uma insignificante mudança de palavras: “Nossa pátria, certa ou errada”. [...] Jogamos fora, e com ele tudo o que havia de respeitável nessa palavra grotesca e ridícula, patriotismo. [...] Não é verdade que existem dezenas de tipos de honestidade que não podem ser medidas pelo padrão do dinheiro? Traição é traição – e há mais de uma forma de traição; a forma dinheiro é apenas uma delas. [...] não existe um único homem honesto em lugar nenhum. E neste caso nem a mim eu faço exceção. [...] Toda pessoa nela incluída é honesta de uma ou de várias formas, mas nenhum de seus membros é honesto de todas as formas exigidas – exigidas por quê? Por seu próprio padrão. Fora essa, da forma como eu entendo, não existe para ela outra obrigação. E eu sou honesto? Dou-lhe minha palavra de honra (particular) de que não sou. [...]. É verdade, arte eu sou desonesto. Não de muitas formas, mas de algumas. Acho que são 41. Somos todos honestos de uma ou de muitas formas – todos os homens no mundo -, embora eu às vezes tenha a impressão de ser o único que tem uma lista negra tão curta. Às vezes me sinto isolado nessa altaneira solidão. [...] o século XIX trouxe progresso – o primeiro progresso depois de “eras e eras” -, um progresso colossal. Em quê? Materialidades. Fizeram-se aquisições maravilhosas com coisas que aumentam o conforto de muitos e tornam mais difícil a vida de outros tantos. Mas e o aumento da virtude? É possível descobri-lo? Acho que não. As materialidades não foram inventadas em beneficio da virtude [...]. lutam febrilmente por dinheiro. O dinheiro é o ideal supremo – todos os outros ficam relegados ao décimo lugar para o grosso das nações conhecidas. A febre do dinheiro sempre existiu, mas na história do mundo ela não foi a loucura em que se transformou no seu tempo e no meu. Esta loucura corrompeu essas nações; tornou-as duras, sórdidas, cruéis, desonestas, opressivas. [...] Se houve algum progresso em direção à virtude desde o início da Criação – do que, na minha inabalável honestidade, sou forçado a duvidar – acredito que devamos limitá-lo a 10% das populações da Cristandade (mas deixando de fora a Rússia, a Espanha e a América do Sul). Isso nos dá 320 milhões dos quais tirar dez por cento. Ou seja, 32 milhões avançaram para a virtude e o o Reino de Deus desde que as “eras e eras” começaram a corre, e Deus lá sentado, admirando. Bem, isso deixaria 1 bilhão e 200 milhões fora da corrida. Continuam onde sempre estiveram; não houve mudança. [...]. Trechos extraídos da obra Patriotas e traidores: Antiimperialismo, política e crítica social (Fundação Perseu Abramo, 2003), do escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Veja mais aqui.

A QUEM SERVISTE HOJE? - Toda a Natureza é um desejo de serviço. / Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. / Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; / Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; / Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu. / Sê aquele que afasta a pedra do caminho, / O ódio dos corações e as dificuldades de um problema / Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo, / Mas existe sobretudo, a formosa a imensa alegria de servir. / Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito, / Se não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que iniciar! / Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis. / É tão belo fazer a tarefa a que outros se esquivam! / Mas não caias no erro de que só se conquistam méritos / Com os grandes trabalhos; / Há pequenos serviços que são imensos serviços: / Adornar a mesa, arrumar os bancos, espanar o pó. / Aquele é o que critica, este é o que destrói; / Sê tu o que serve. / O serviço não é tarefa só de seres inferiores./ Deus, que dá o fruto e a luz, serve. / Poder-se-ia chamá-lo assim: Aquele que serve. / E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia: / “Serviste hoje? A quem? À árvore, a teu amigo, à tua mãe?” Poema da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui e aqui.

GEMEDEIRA DE BENJAMIM MANGABEIRA
Geme o rico sem saúde
Geme o moço sem dinheiro
Velho vendo moça nova
Geme sem ter paradeiro
E o miserável do pobre
Ai! Ai! Ui! Ui!
Esse geme o tempo inteiro
Vamos gemer sem ter dor
Para o povo apreciar
Quem precisa de ganhar
Geme pra fazer favor
Para ser bom cantador
Eu faço tudo por mim
Antes de chegar ao fim
Mostre sua gemedeira
Me acompanhe na regra inteira
Ai! Ai! Ui! Ui!
Gemer de dois é assim.
Gemedeira criada por Benjamim Mangabeira (Benjamim José de Almeida: 1904-1975), extraída da obra Cartilha do cantador (Recife, 1985), de Aleixo Leite Filho. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A música de Djavan aqui e aqui.
A arte musical de Bidu Sayão aqui.
A arte musical de Daniella Spielmann aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ENTREVISTA DE ZÉ RIPE
A entrevista do cantor & compositor Zé Ripe aqui e mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor brasileiro Ismael Nery (1900-1934). Veja mais aqui,  aqui e aqui.



segunda-feira, maio 11, 2015

KRISHNAMURTI, WEIL, CELA, FONSECA, DALI, BIDU SAYÃO, COUTINHO, TEATRO, SEQUESTRO & DELAÇÃO


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – Para quem não sabe, a vida não é só nascer, comer, crescer, foder, cagar, mijar, ganhar, passar troco e morrer. Não, não só isso. A vida vai muito mais além. Para que saibamos realmente o significado da vida precisamos inicialmente entender duas coisas. A primeira: todos os problemas e soluções que julgamos do mundo e dos outros, na verdade estão em nós mesmos; a segunda: qual a missão de cada um de nós na vida? Cada qual que se descubra e desvende. Então, como ontem foi dia das mães e da cozinheira, festejei a mãe – que Deus a tenha -, e cozinhei o que tinha: sonhos, topadas, fracassos, lembranças, afazeres e o escambau. Misturei tudo em fogo alto, caldo grosso, temperado com resiliência: deu bom cozinhado. Experimentei e constatei: o sabor de haver superado até agora um monte de óbices, deu-me um prazer inenarrável. Quero mais. E enquanto degustava fui cerzindo as reminiscências: as que deram certo, poucas, mas aprazíveis, chega botei o riso no coarador; as que deram errado, muitas, contudo, deu-me a experiência de coser direito, refazendo o trajeto, consertando e recomeçando tudo para reaprumar a condução. Assim, fui cozendo e cosendo, recomeçando, reconstruindo, corrigindo, reaprumando, uma hora dá certo, oxalá! Enchi a pança e, à sesta, o discernimento deu eureca: sabugo de milho não é vibrador, porém tem um bocado de Fabo (principalmente no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores e nas instituições públicas) que deveriam usá-lo enfiado no fiofó pra não aumentar o meladeiro do Fecamepa. E vamos aprumar a conversa aquiaqui.

Imagem: O ovo cósmico, do pintor surrealista espanhol Salvador Dali (1904-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ouvindo Bachiana Brasileira nº 5 - Opera Arias & Brazilian Folksongs Label (Sony, 1996), do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), com a célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999). Veja mais Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE VIVER – Na obra Comentários sobre o viver (Nova Era, 2012), do filósofo, escritor, educador e místico indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986), encontro o texto A arte de viver, do qual destaco o seguinte trecho: [...] "A verdade, é uma terra sem caminhos". Os homens dela não se podem aproximar por intermédio de nenhuma organização, nenhum credo, dogma, sacerdote, ritual, ou conhecimento - seja ele filosófico, técnico ou psicológico. Têm de encontrar a verdade através do espelho das relações, por meio do percebimento do conteúdo da própria psique, pela observação e não por qualquer acto de dissecção intelectual ou analítica! O homem construiu para si próprio imagens como uma cerca de segurança - imagens religiosas, políticas e pessoais. Estas manifestam-se como símbolos, ideias e crenças. Mas a carga destas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Estas imagens são a causa real dos problemas pois dividem o homem do seu semelhante. A sua percepção da vida foi "moldada" por estes conceitos estabelecidos na sua mente. Este conteúdo é comum a toda a humanidade. A "individualidade", consiste no nome, na forma e na cultura superficial que adquire por intermédio da tradição e do ambiente. A unicidade do homem não se encontra na superfície, mas sim na completa liberdade do conteúdo da sua consciência, consciência essa que é comum a toda a humanidade. Ele não é portanto, um "indivíduo". [...] A liberdade não é uma reação; a liberdade não é uma escolha. É pretensão do homem achar que é livre por poder escolher. A liberdade reside na pura observação sem direção, sem medo de castigo nem recompensa. A liberdade é isenta de motivo; a liberdade não se encontra no fim da evolução do homem, mas está presente desde o primeiro passo da sua existência. Por meio da observação, podemos aperceber- nos da falta dessa liberdade. A liberdade reside na consciência sem escolha da nossa existência e atividade diárias. O pensamento é tempo. O pensamento nasce da experiência e do conhecimento, inseparáveis que são do tempo e do passado. O tempo, é o inimigo psicológico do homem. Sendo as nossas ações baseadas no conhecimento - no tempo, portanto - o homem é sempre um escravo do passado. O pensamento é sempre limitado; daí vivermos em constante conflito e luta. Não existe evolução psicológica. Quando o homem se tornar consciente do movimento dos seus próprios pensamentos aperceber-se- á da divisão existente entre o pensador e aquilo que é pensado, entre o observador e a coisa observada, entre o experimentador e o que ele experimenta. Ele descobrirá que tal divisão não passa de uma ilusão. Então, existirá apenas pura observação interior, isenta de qualquer sombra do passado e do tempo. Este vazio temporal interior, provoca uma mutação radical profunda na mente. A negação completa, é a essência do positivo. Quando se dá a negação de todas as coisas que sobrevêm à psique- pelo pensamento- só então pode o amor existir- o que equivale à compaixão e à inteligência. [...]. Veja mais aquiaqui.

A ARTE DE VIVER EM PAZ – O livro A arte de viver em paz: por uma nova consciência, por uma nova educação (Gente, 1993), de Pierre Weil, trata de uma nova concepção de vida, a visão fragmentária da paz, a paz como fenômeno externo ao homem, a paz no espírito do homem, a visão holística da paz, a educação fragmentária, a visão holística da educação, a educação holística para a paz, a transmissão da arte de viver em paz, o paraíso perdido, o desenvolvimento da paz interior, a paz do corpo e do coração, os métodos de transformação energética e de estimulo direto da paz, as três manifestações sociais da entrega, metodologia pedagógica, por uma pedagogia ecológica, entre outros importantes assuntos. Na obra destaco o trecho: Nunca estivemos tão perto da paz. Mas, ao mesmo tempo, jamais ela nos pareceu tão distante. Já podemos curar doenças que até bem pouco tempo atrás eram terrivelmente mortais. Das pranchetas dos cientistas brotam animais e plantas que a natureza não criou. Em laboratórios que fariam inveja a filmes de ficção científica, surgem robôs capazes de executar todo tipo de serviço, da faxina doméstica à pesquisa espacial. São olhos eletrônicos que espionam os confins do universo em busca de nossos eventuais parceiros distantes na aventura da vida. Médicos ousam substituir corações, rins e membros avariados por órgãos biônicos criados em oficinas. Maravilhas. Ao olharmos em volta, porém, damos de cara com os terríveis subprodutos desse desenvolvimento: miséria, violência, medo. A humanidade atingiu o limiar de uma nova era e vive, agora, uma espécie de dor do crescimento. Deixamos de ser crianças, mas ainda não sabemos nos portar como gente grande. Acumulamos conhecimentos em quantidade. Mas, sem sabedoria para usá-los, podemos destruir-nos e ao mundo que habitamos. Felizmente, uma nova consciência está se estabelecendo no espírito de grande parte das pessoas. Ela inspira outra maneira de ver as coisas em ciência, filosofia, arte e religião. Somos os espectadores privilegiados e os atores principais de mais este ato da “comédia humana”. Trata-se de um momento de síntese, integração e globalização. Nesta fase, a humanidade é chamada a colar as partes que ela mesma separou nos cinco séculos em que se submeteu à ditadura da razão. Esse esforço começa a se fazer necessário porque a crise de fragmentação chegou a limites extremos e ameaça a sobrevivência de todas as formas de vida sobre a Terra. Dividimos arbitrariamente o mundo em territórios, pelos quais matamos e morremos. Já se produziram armas nucleares que poderiam destruir várias vezes o nosso planeta. A loucura e a competição são tão ferozes que ignoram o óbvio: não haverá uma segunda Terra para ser destruída, nem ninguém ou coisa alguma para acionar o gatilho atômico depois da primeira vez. Quebramos a unidade do conhecimento e distribuímos os pedaços entre os especialistas. Aos cientistas, demos a natureza; aos filósofos, a mente; aos artistas, o belo; aos teólogos, a alma. Não satisfeitos, fragmentamos a própria ciência, espalhando- a pelos domínios da matemática, da física, da química, da biologia, da medicina e de tantas outras disciplinas. O mesmo ocorreu com a filosofia, a arte e a religião, cada um desses ramos se subdividindo ao infinito. Como conseqüência, o mundo do saber tornou-se uma verdadeira “torre de babel”, em que os especialistas falam cada qual a sua língua e ninguém se entende. A mais ameaçadora de todas as fragmentações, no entanto, foi a que dividiu os homens em corpo, emoção, razão e intuição, porque ela nos impede de raciocinar com o coração e de sentir com o cérebro. Autor da Teoria da Relatividade, o físico Albert Einstein demonstrou no início do século passado que tudo no universo é formado pela mesma energia1, do mesmo modo que, embora vistos como diferentes, o gelo e o vapor são em último caso apenas água... Desse modo, a fragmentação só existe no pensamento humano, cuja propriedade essencial é justamente classificar, dividir e fracionar para, em seguida, estabelecer relações entre esses fragmentos. Recuperar a unidade perdida significa reconquistar a paz. Mas, desta vez, o inimigo a derrotar não é estrangeiro. Ele mora dentro de nós. É a força que isola o homem racional de suas emoções e intuições. Foi a própria ciência moderna que começou a exigir o surgimento de uma nova consciência. Incapazes de responder às questões que eles mesmos formulavam, muitos físicos saíram em busca da psicologia, da religião e das mais importantes tradições2 da humanidade. Este encontro entre a ciência moderna, os estudos transpessoais e as tradições espirituais constitui o que chamamos de visão holística. É importante que tenhamos uma clara noção dessa mudança de visão e das consequências que ela traz para a educação. [...] Veja mais aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

AÇÃO CULTURAL PARA A LIBERDADE – O livro Ação cultural para a liberdade e outros escritos (Paz e Terra, 1981), do educador, pedagogo e filósofo Paulo Freire (1921-1997), aborda temas como considerações em torno do ato de estudar, a alfabetização de adultos – crítica de sua visão ingênua compreensão de sua visão crítica, os camponenes e seus textos de leitura, ação cultural e reforma agrária, o papel do trabalhador social no processo de mudança, ação cultural para a libertação, o processo de alfabetização de adultos como ação cultural para a libertação, ação cultural e conscientização, o processo de alfabetização política – uma introdução, algumas notas sobre humanização e suas implicações pedagógicas, o papel educativo das Igrejas na América Latina, conscientização e libertação e algumas notas sobre conscientização. Da obra destaco o techo: [...] Numa visão crítica, as coisas se passam diferentemente. O que estuda se sente desafiado pelo texto em sua totalidade e seu objetivo é apropriar-se de sua significação profunda. Esta postura critica, fundamental, indispensável ao ato de estudar, requer de quem a ele se dedica: a) Que assuma o papel de sujeito deste ato. Isto significa que é impossível um estudo sério se o que estuda se. põe em face do texto como se estivesse magnetizado pela palavra do autor, à qual emprestasse uma força mágica. Se se comporta passivamente, “domesticadamente”, procurandoapenas memorizar as afirmações do autor. Se se deixa “invadir” pelo que afirma o autor. Se se transforma numa “vasilha” que deve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo. Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. A atitude critica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo, da realidade, da existência. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente. Um texto estará tão melhor estudado quanto, na medida em que dele se tenha uma visão global, a ele se volte, delimitando suas dimensões parciais. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade. Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que, em interação, constituem sua unidade, o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático, nem sempre explicitado no índice da obra. A demarcação destes temas deve atender também ao quadro referencial de interesse do sujeito leitor. Assim é que, diante de um livro, este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação, é o caso, então, de fixar-se na análise do texto, buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. Impõe-se-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão, em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem, evitando, assim, trair o pensamento do autor em sua totalidade. Constatada a relação entre o trecho em estudo e sua preocupação, deve separá-lo de seu conjunto, transcrevendo-o em uma ficha com um título que o identifique com o objeto específico de seu estudo. Nestas circunstâncias, ora pode deter-se, imediatamente, em reflexões a propósito das possibilidades que o trecho lhe oferece, ora pode seguir a leitura geral do texto, fixando outros trechos que lhe possam aportar novas meditações. Em última análise, o estudo sério de um livro como de um artigo de revista implica não somente numa penetração crítica em seu conteúdo básico, mas também numa sensibilidade aguda, numa permanente inquietação intelectual, num estado de predisposição à busca. b) Que o ato de estudar, no fundo, é uma atitude em frente ao mundo. Esta é a razão pela qual o ato de estudar não se reduz à relação leitor-livro, ou leitortexto. Os livros em verdade refletem o enfrentamento de seus autores com o mundo. Expressam este enfrentamento. E ainda quando os autores fujam da realidade concreta estarão expressando a sua maneira deformada de enfrentá-la. Estudar étambém e sobretudo pensar a prática e pensar a prática é a melhor maneira de pensar certo. Desta forma, quem estuda não deve perder nenhuma oportunidade, em suas relações com os outros, com a realidade, para assumir uma postura curiosa. A de quem pergunta, a de quem indaga, a de quem busca. [...] Quase sempre, ao se transformarem na incidência da reflexão dos que as anotam, estas idéias os remetem a leituras de textos com que podem instrumentar-se para seguir em sua reflexão. c) Que o estudo de um tema específico exige do estudante que se ponha, tanto quanto possível, a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietude. d) Que o ato de estudar é assumir uma relação de diálogo com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata. Esta relação dialógica implica na percepção do condicionamento histórico-sociológico e ideológico do autor, nem sempre o mesmo do leitor. e) Que o ato de estudar demanda humildade. Se o que estuda assume realmente uma posição humilde, coerente com a atitude critica, não se sente diminuído se encontra dificuldades, às vezes grandes, para penetrar na significação mais profunda do texto. Humilde e critico, sabe que o texto, na razão mesma em que é um desafio, pode estar mais além de sua capacidade de resposta. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor. [...] Não se mede o estudo pelo numero de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre. Estudar não é um ato de consumir idéias, mas de criá-las e recriá-las [...]. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

A GRANDE ARTE – O romance A grande arte (1983), do escritor e roteirista de cinema Rubem Fonseca, conta a história de Mandrake, um advogado mulherengo aspirante a detetive sobre o assassinato de uma sua amiga prostituta e resolver esse mistério. Da obra destaco o trecho: [...] Miriam já havia ido embora quando chegou Raul. Ele exibia sua cara suspicaz de tira provocador. !Então vou falar pela última vez”, eu disse, “Lima Prado se matou. Enfiou a faca na axila, como no suicídio de Ajax, que ele descreve nos Cadernos. Partiu para juntar-se a Hermes, no campo de asfódelos”. “E já viu alguém suicidar-se assim?” “O Ajax”. “Isso é mitologia. Isso é absurdo, é ilógico”. Lima Prado era um absurdo ilógico”. (Não tive coragem de dizer que ele era mitológico). “Ouça, Mandrake, essa história nunca foi contada direito. Você afirma que Lima Prado matou as massagistas. Mas eu não tenho certeza disso”. “Está nos Cadernos”. “Você interpretou assim. Ninguém consegue lher aquela merda. Eu estive com eles nas mãos, já se esqueceu? Duvido que você tenha entendido direito aquela letrinha. Você também interpretou essa historia de Rosa ter assassinado Cula. A única coisa que eu sei, com certeza, é que Lima Prado era um dos grandes do trafico de entorpecentes, mas isso jamais poderá ser provado”. “Está bem. Ad argumentandum tantum: ele foi assassinado por quem?” “Zakkai. A serviço de Gonzaga Leitão”. “O marido de Rosa?”. “Leitão corria por fora, na luta pelo poder dentro da Aquiles. Quando, com a morte de Lima Prado, conseguiu o controle da Organização. Leitão deu, ou vendeu baratinho, para Zakkai a Pleasure e as outras empresas. A Aquiles agora só se envolve com atividades legítimas”. “Sei. Agiotagem, mutretas financeiras, etc”. “Como todos os bancos”. “Quer dizer que o crime compensa, seu cínico?” “Estes anos passados na policia fizeram de mim uma coisa pior que cínico” “O que?” “Lúcido” Levantei o cálice. Olhei o precioso líquido rutilante. “Você concorda que Rafael matu Mitry e as gêmeas?” “Concordo”. “E quem matou as massagistas?” “Pode ter sido qualquer pessoa. Por ter sido você, Mandrake.” Acedndi uma Panatela, escuro, curto. “Abre outra garrafa”, eu disse, “e explica melhor como fui eu”. “Uma delas foi ao teu escritório, a outra saiu com você, na véspera de aparecerem mortas” “Você é um idiota”. “Lúcido. Wexler diz que o amor extremado que você tem pelas mulheres está muito próximo do ódio”. “Só comprei a Randall depois que elas foram mortas. Eu não sabia usar uma faca antes. E ainda não sei”. “Desenhar um P qualquer um desenha. E estrangular, a gente nasce sabendo. Você inventou que decifrou os Cadernos e pode, assim, inventar a história que quiser” “Tenho testemunhas” “Quem?” “Hermes” “Outra invenção sua” “Você está maluco, Raul” “Estou mesmo. Sabe que vou volrtar a viver com Ligia?” “Ela é uma boa mulher”. “Boa demais”. Tocaram a campanhia. “Está esperando alguém?”, perguntou Raul. “Uma amiga” Abri a porta. A moça entrou. “Bem, já vou indo. Lúcido, ouviu? Lúcido”, disse Raul. “Boa noite, senhorita”. “Quem é esse sujeito?”, perguntou a moça, depois que Raul saiu. “Um amigo”. Esperei. “Quanto tempo... você ainda se lembra de mim? Eu estou mais magra, não estou?”. Eu ri. “Está”. “Você ainda me ama?”, perguntou Bebel. “Amo”. Em 1991, a obra foi adaptada para o cinema, no suspense Exposure (A grande arte), dirigido por Walter Salles, destacando-se a atuação da belíssima atriz Amanda Pays. Veja mais aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

TEATRO NA EDUCAÇÃO – O livro O teatro na educação (Forense, 1973), de Paulo Coelho, aborda temas a criatividade, o orientador, o método didático, aquecimento, materiais acessórios, o grupo, a idade, o loca, a integração coletiva, a redescoberta do corpo, a linguagem comum, no mundo dos sentidos, as relações com o ambiente, aplicação do processo de teatro criativo, a fase preparatória, a elaboração do jogo dramático, dez exemplos de jogos dramáticos, entre outros. Destaco o trecho: [...] Todo homem é potencialmente criador, mas a pressão do meio, os aspectos culturais, os valores morais, as condições socioeconômicas e as limitações psicológicas tendem a restringir consideravelmente a critividade do individuo, chegando mesmo ao ponto de destruí-la por completo. O próprio ensino escolar – antes do advento da atual reforma – encarregava-se disto. Mas uma série de fatores, que seria irrelevante citar, forçou uma modificação profunda nos métodos tradicionais de ensino e permitiu a entrada dos processos de criatividade nas escolas. O comportamento criativo pode manifestar-se em cino níveis distintos, conforme a classificação de Calvin Taylor [...] Estes cinco níveis foram integrados em vários processos criativos; procuramos, depois de uma série de pesquisas teóricas e experimentais, relacionar estes processos com Arte Dramática, não no que se refere ao Teatro em si, mas no setor de Educação Artística. O resultado foi o processo de TC. [...] Veja mais aquiaqui e aqui.

A DOAÇÃO DOS MEUS ÓRGÃOS - No livro Poesía completa (1996), do escritor e jornalista espanhol vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Camilo José Cela (1916-2002), encontro os poemas surrealistas do autor, destacando especialmente o seu A doação dos meus órgãos: Eu quero que o dia que eu morrer / para doar meu rim, / meus olhos e pulmões. / Esse é o dar a ninguém. / Se um paciente espera / então eu ofereço aqui / Espero que eles façam bem / para salvar uma vida. / Se eu não posso respirar, / outra respira para mim. / Eu doarei meu coração / para alguns peitos cansados / que querem ser restaurados / e voltar à ação. / Estou firmemente doação / é cumprida e confiança / antes de eu sentir frio, / quebrada, podre e ferido / você pode de outra mama / se não bater o meu. / Picar a doar / e que é o dar para uma caída / e elevador possuído / Eu gastei vigor. / Mas peço-vos mais tarde / é um piloto colocá-lo, / aqueles que gostam da calha. / Isso seria uma grande coisa / Eu descanso na sepultura / e meu pau dando forte. / Outras doações / Recuso-me a doar a boca. / Porque há algo que me impressiona / por razões imperiosas. / Eu sei que às vezes  / Ela está falando muito absurdo; / mama coisa errada  / e eu prefiro perder / antes que algum idiota / Mame com a minha boca./ O burro não doar / pois há sempre um confuso / eu posso dar mau uso / o burro que eu doado. / Muitos anos eu cuidei / lavando-me muitas vezes. / Para um cirurgião pimpão / em tais transplante / colocá-lo para um viado / e morreu para me dar a bunda. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.


AS CANÇÕES – O documentário As canções (2011), do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho (1933-2014), contando a história de pessoas comuns que relataram casos particulares relacionados a determinadas músicas, registrada na região do Largo da Carioca, no centro do Rio de Janeiro, em busca de personagens, envolvendo quarenta e dois depoimentos, todos sozinhos e sentados diante da câmera, com idades entre vinte e dois e oitenta e dois anos. Veja mais aqui e  aqui.






IMAGEM DO DIA














Imagem: escultura The Triumph of Flora, do pintor e escultor francês Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875).

CONVITE AO SEQUESTRO E A DELAÇÃO PREMIADA - Eis meu convite: quero sequestrar você. Quer queira ou não, vou sequestrar você. Está sem saída porque minha arma é o meu sexo rijo em riste capturando todas as suas ações e intenções de fuga. Meus braços invencíveis o seu esconderijo, inescapáveis. Meu corpo incendiado de tesão o seu cativeiro, a sua prisão perpétua de segurança máxima, inexorável. Ao seu dispor, o meu querer por cela, as minhas mãos ternas e pedintes plenas de afagos, delas jamais fugirá, rendida aos carinhos ao manusear seu corpo inteiro. Este o convite e o sequestro é certo, como o resgate. Na verdade muitos e todos os resgates serão do tamanho de sua inadimplência ao meu querer: pra sempre. Poderá ser amortizável diariamente com deliciosas picadas a todo momento, todo dia e o dia todo, até sempre: sua dívida é líquida e certa, a sua insolvência a faz escrava, sem nome nem iniciativa, acorrentada e submetida ao ritual da ginofagia. Aprisionada ao meu desejo e a me servir, o primeiro castigo será meus lábios nos seus lábios cálidos e ferventes do batom vermelho, enquanto minha mão apalpa o seio nu embaixo da blusinha de alça e seda, e a outra calma e furtivamente envolve a calcinha estufada para removê-la e à palma o seu sexo maduro e inchado que ao tato examino como quem está prestes a desvelar os segredos do mundo e da vida, e ao senti-la minando fonte viva e água jorrando entre os dedos brincantes que me leva a beijar carinhosamente seu pinguelo e lambê-lo como quem oscula a paixão desenfreada dos desejos, enquanto minhas buliçosas mãos se ocupam em acariciar sua pele aveludada sexo, rego, montes e precipícios das ancas macias pro aclive das corcovas glúteas que meu sexo escala escorregando em festa o seu tobogã até a mina anal que se ajeitará para abrigar minha invasão de intrépido bandeirante à caça insaciável do ouro mais valioso, fincando minha bandeira para prear toda sua riqueza e me apropriar para chupá-la a vulva escancarando a caverna como quem tal Julio Verne descobre o caminho pra viagem ao centro da Terra e invadi-la como quem descobre o sabor do manjar dos deuses de todas as delícias do universo, a sorver de sua água de rios e mares a matar minha sede de milênios, e mergulhar no seu gozo a se desmanchar como a comida mais saborosa ao paladar e sabê-la à loucura do gozo de todos os orgasmos de noites e dias em reclusão. E enlouquecida e escancarada, pernas do leste ao oeste, desorientada, enfiarei lenta e autoritariamente meu sexo no seu, conhecendo cada polegada, cada milímetro de sua gruta vaginal para alcançar seu mais profundo poço e de lá dar-me o direito de ir e vir, a todo momento e a qualquer hora, no entra e sai às pressas e aos bocados e mais indo e vindo até vê-la explodir arreganhada, completamente conquistada por minha mais bruta selvageria de gozo dentro dela. Fodida e seviciada, com seu riso grato me vejo sujeito à chuva dos seus beijos no meu sexo incisivo, abocanhado pelas travessuras de sua língua cigana a me levar pro céu da sua boca na constelação maravilhosa da felação mais que aprazível da sua delação premiada, como se fosse o confessionário dos pecados, o altar de suas preces devotadas, a hóstia de sua salvação e eu a castigá-la esfregando-o às suas faces, a lavá-la com a seiva viscosa em sua pele sedosa como um látego que inflige ao suplício da pena máxima de condenada serva da minha posse irrefreável e subjugá-la a garganta puxando pelos cabelos sedosos para vencê-la égua tesuda a me oferecer a garupa empinada e servil ao meu sexo que baba para lambuzá-la e abrir a porta acertada do ânus penetrando às suas reboladas loucas na dança do dorso no paroxismo das labaredas do meu gozo e a me rebentar pesado e vitorioso sobre o seu corpo espalmado, estendida, indefesa, e a rabiscar meus sentimentos e prazeres e cometer todos os meus poemas e canções na sua carne. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


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Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos Palmarenses aqui.

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