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segunda-feira, agosto 16, 2021

ELENA PONIATOWSKA, MARIO ARREGUI, LOUISE FARRENC & HELENA LOPES

 

 

TRÍPTICO DQP – UM SÁBADO & OUTRO... Imagem: Artes de Priscila Artes – Priscila Silva, ao som das Symphonies 1 & 3, da compositora francesa Louise Farrenc, na interpretação da Insula Orchesta & Laurence Equilbey. – O primeiro, um sábado ensolarado. A praça estava invadida pela barulhada de um dia de feira. No centro, gente; na verdade, artistas ou quase, ao menos. Um grupo oriundo do Recife dava o tom do evento: eram os renomados. Da terra, outros tantos, cada qual, seus apetrechos e expressões. Estava bonito, como sempre: era dia de homenagear Murillo La Greca! Tudo muito bom. No segundo, outro dia azulado na Biblioteca de Fenelon, a gente conversava sobre Planejamento e elaboração de projetos. Era uma promoção da ABI e as ideias rolando sobre o que fazer desta uma outra cidade mais humana, mais artística, mais Palmares. Assim foram estes e que outros destes sábados possam acontecer.

 


DOIS OLHOS NOS MEUS - Imagem da pintora, gravadora e professora Helena Lopes, ao som da canção Seu olhar do álbum Dia Dorim Noite Neon (WEA, 1985), de Gilberto Gil: - A magia do olhar de quem chega... – Entre a praça e a biblioteca, o olhar dela pousou no meu: faíscas, relâmpagos, o coração era a Terra convulsa. Aproximou-se e o espanto como um raio de Sol, era a premiada escritora, ativista e jornalista mexicana Elena Poniatowska Amor: Hoje não quero ser meiga, calma, decente, submissa, compreensiva, resignada, qualidades que os amigos sempre valorizam. Nem quero ser maternal... As mulheres são desprezadas, consumidas, descartadas, estigmatizadas, enforcadas para sempre na árvore patriarcal e enforcadas lá... Sim, eu sei. Olhou pros lados e, de repente, um sorriso só dela, seus olhos de novo nos meus e...: Pela primeira vez em quatro longos anos, sinto que você não está longe, estou cheio de você, isto é, de tinta... Para esquecer, você deve primeiro lembrar... Você começa a saber o que é um governo, você percebe o que é, quando este governo joga os tanques na rua. Sim, sei, mesmo que seja só escárnio ou impotência, tudo está muito difícil. Deveras, tudo me parece um filme horroroso que na verdade vivi na infância, por toda minha adolescência e quase nem adulteci direito por isso: a revolta no peito pela injustiça de todos os mandos. Por um instante senti um gosto de sangue na boca, como se ouvisse Isaac Asimov: Examinem fragmentos de pseudociência e encontrarão um manto de proteção, um polegar para chupar, umas barras de saia para se agarrar. E o que oferecemos nós em troca? Incerteza! Insegurança! Ela percebeu o tanto de injuriado fiquei naquele momento e voltou a sorrir com um olhar meigo e parecia me dizer aquela frase extraída d’A vassoura da bruxa nos Cavalos do Amanhecer (L&PM, 2003), do escritor uruguaio Mario Arregui (1915-1985): Muitas coisas foram ditas, repito, mas não houve quem fosse capaz sequer uma aproximação daquela frase antiquíssima (nascida na costa oriental do Mar Egeu há quase vinte e cinco séculos) que asseverava que ninguém fica tão unido a ninguém como o homicida a sua vítima. Sim. E é como se o mato queimasse dentro mim, labaredas amazônicas e pantaneiras, e eu tostasse atávica herança como espólio de cinzas.

 


TRÊS VEZES ME FALOU ELA... - E era ela na tarde renascida da manhã sonhada na noite anterior, e eu pudesse vê-la sorrir desnudada entre meus braços e suas outras almas, a me dizer do que lera outro dia e que estava escrito Nas suas veias corria tinta de jornal (AIP, 1980), de Múcio Borges da Fonseca, sobre a trajetória do jornalista Josimar Moreira de Melo (1927-1865), ecoando como se lesse no meu íntimo: Nunca me senti tão cansado em minha vida... Há os que esperam o meu fracasso – um esforço de quatro anos, no decorrer dos quais quase fui largado no meio do caminho e pude contar com a ajuda, a amizade e o apoio de um amigo que agora espera de mim esse esforço... E me sorria como se soubesse o que eu pensava, a me dizer Millôr: Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem. Não devemos resistir às tentações: elas podem não voltar. E gargalhou no meio do tempo com meu tronco entre seu sexo, coxas e pernas. E me fitou enviesada como se quisesse dizer exatamente o que dissera outras vezes Bukowski, e me fazendo de gangorra rodopiante: Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto. Se você vai tentar, vá até o fim, caso contrário, nem comece. Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo. Adivinhei? E perguntou outras vezes e tantas como se quisesse saber para onde vou, e refaz a indagação com ar de enigmática, como se eu soubesse de algo além daquele momento que ela me premiava e eu só tinha a minha vida e ela para me amparar ali no seu abraço e corpo, nada mais. Até mais ver.

 

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terça-feira, setembro 01, 2020

TARSILA DO AMARAL, MILLÔR, PINKER, SERRES, CENDRARS, ROSEMBERG CARIRY, SONIA EBLING & LUZILÁ GONÇALVES FERREIRA



DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DECÁLOGO DO IMBROCHÁVEL COISONÁRIO – Nas últimas horas foram anunciadas as últimas medidas do governo em cadeia nacional e que ninguém viu! Lá vai para ciência de todos. Primeiro: Todo problema será resolvido por bem ou por mau! Não teve acordo, já era, pro saco! Essa a solução socioeconômica para tudo e todos, viva o consumo! Segundo: Todo concurso público só terá provas que avaliem a fé em Deus e o patriotismo. Entre os escolhidos, só os medíocres e chatos (do lado da gente, né?). Esta a nossa e verdadeira meritocracia. Às mulheres acrescente-se prova de remexido dos quadris e nenhum conhecimento, tenho dito! Afora isso, é fundamental que todos façam silêncio, vamos organizar esta porra de zona. Terceiro: Todos terão que trabalhar até os 100 anos ou mais! Aposentados e vagabundos serão metralhados em praça pública! Quarto: A moeda corrente nacional será o jeitinho: uma mão lava a outra e todo mundo resolve as coisas. Quem quiser estudar que pague! Será lançado um Guia Educacional só com uma regra: é pau pra lamber sabão e pau pra saber que sabão não se lambe, assim! Livro é um bocado de letras só pra fazer confusão e os dicionários não mais terão palavras difíceis que serão erradicadas para descomplicar as coisas. Quinto: A história terá apenas feitos militares e todo o resto queimado e esquecido para sempre. Todas as ruas, avenidas e logradouros voltarão a ter apenas nomes de heróis soldados e santos, chega de lugar disso ou daquilo, pronto, assim todo mundo saberá a quem obedecer e apelar. Sexto: Todos terão uma renda básica de 200 coisonários para morrer aos pouquinhos e ninguém ficará pra semente (e que morra logo, de preferência). Além do mais, viver é caro pra dedéu, só pros ricos. Sétimo: Não haverá mais fábricas brasileiras, todas serão americanas pra gente usufruir tudo do bom e do melhor dos United States. E só. Oitavo: Revoguem-se as disposições em contrário e fim de papo! (Ei, mas são dez, tem que ser dez! Por que? Porque é um decálogo. Por que? Como os 10 mandamentos, ora! Ah, é. Então bota aí...) Nono: A democracia será como as lições práticas do quartel, escreveu e não leu, o pau comeu. Pronto. (Falta uma! Taoquei, porra! Bota aí...) Décimo: Assino e determino, assim será a minha democracia de hoje em diante. (Ah, mas é a mesma coisa do nono! É isso mesmo, fechaí. Ponto final e vá pra porra!). Aí com essa, até Millôr ressuscitou: Conseguiram o que queriam: transformar o povo num cão que não morde. (Mas também não abana o rabo.) Ser brasileiro me deixa muito subdesenvolvido. Agora, pausa para o intervalo comercial! Click.

DUAS DEDADAS NO ESCURINHO DO CINEMA – Naquela noite eu caminhava à toa quando ela passou por mim. Ôpa, para quem já vinha ponteando a trilha dela, não poderia jamais deixar passar. Ela se virou e sorriu a mais linda noite enluarada. Era como se a Lua em forma de mulher me fizesse enamorado Selenito, enfeitiçado por seus encantos. Vai pra onde? Passeando. Papo vai, papo vem. Estávamos próximo do cinema. Que tal? Vamos! Nem sei que filme passava, comprei os ingressos. Já começou a sessão? Já. O porteiro cochilava, entrei no meio da escuridão medonha, um zoadeiro incrível na tela. Aboletados, logo me acheguei cochichando ao seu ouvido, até ousei o braço por cima dela para facilitar a conversa, ela aquiescente, atenta. Não prestávamos atenção no filme, só um ao outro. Ao gesticular na conversa íntima, inadvertidamente rocei a mão ao seio, a outra em sua nuca, ela envolvida, achegada, virou-me a face e não pestanejei: um beijo demorado, mãos buliçosas percorrendo toda sua geografia. Foi, fomos fundo, quase às vias de fato, não fosse acenderem as luzes e me flagrarem com a mão e tudo mais na botija dela, era o fim da sessão. Não havia outra, era a última. Buscamos outra guarida, lavamos a égua. O filme? Só anos depois soube: Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (1986), do Rosemberg Cariry, só revisto um dia quando resolvi ver Corisco & Dadá (1996), Pedro Oliveira, o cego que viu o mar (1999), Lua cambará, nas escadarias do palácio (2003), Patativa ave oupoesia (2007) e Os pobres diabos (2013), entre outros que vi dele e não lembro. Não sei qual a razão, mas toda vez que os filmes dele passavam, me vinha a imagem de Tarsila do Amaral me dizendo: Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam. Não sei, coisas muito próximas da minha existência, revejo em cada uma de suas cenas.

TRÊS ESTALOS & A EXTINÇÃO DE TUDO - (Imagem: arte da escultora Sonia Ebling Kermoal) - Apesar da pandemia e dos reiterados alertas dos cientistas sobre a proximidade da extinção humana, nem só indiferentes desfilam, como os que jogam contra contribuindo para o desaparecimento definitivo de mamíferos, inclusive humanos, pelo desmatamento, poluição e aquecimento global, conforme aquela Torre de Babel de Steven Pinker, desde os de antes dele e até agora. Como parece que o Brasil e o planeta entraram num apagão sem fim, na verdade esgotamos o planeta. E a nós apenas cabe assistirmos a tudo isso de forma passiva e conivente, enquanto poderosos estúpidos mandam e desmandam passando boiadas e tocando fogo para a ganância deles e desertificação de tudo. O que nos resta fazer senão a nossa própria parte. Resta-nos a utopia da transformação, ou como diz Michel Serres: Não há progresso sem utopia. A maioria das grandes descobertas ou a maioria dos progressos locais que fazemos vem, sem dúvida, do sonho de alguém que nos precedeu, como uma espécie de utopia. E a minha é escrever, quem sabe, alguém leia e comigo possamos fazer alguma coisa juntos. Afinal, como bem diz Blaise Cendrars: Escrever é uma percepção do espírito. É um trabalho ingrato que leva à solidão. Sim, à solidão criativa, capaz de mudar em mim e em todos nós. Até mais ver.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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A GARÇA MAL FERIDA
[...] - Anna, chamava Gisbert. Anna, bem te acostar. – Logo vou. Mas só dali a muito minutos chegava e se aprestava para o sono, para o amor. Naquela noite eles se haviam amado muito. Nos gestos, nas palavras, na entrega que se escapava e se dava; Gisbert reconhecia a sua Anna, acrescida de uma doçura nova, mesclada a uma tristeza que ele nunca vira nela. As mãos de Anna, o rosto de Anna, o corpo de Anna, falavam, falavam. – Te amo, diziam os lábios. – Te amo, diziam as mãos. Quando se esgotara o desejo, os dois estendidos lado a lado, os olhos no teto de treliças, Anna lhe havia tomado a mão. E após um longo silêncio falara: - Eu te amei muito, Gisbert. [...]
A obra A garça mal ferida: a história de Anna Paes D’Altro no Brasil Holandês (Lê, 1995), da escritora, professora, feminista e pesquisadora Luzilá Gonçalves Ferreira, trata de uma brasileira do século XVII, cuja vida era dividida entre o sentimento da terra e suas ligações de amor com os cavalheiros flamengos, trazendo o incêndio de Olinda e a criação de Recife, a administração de Nassau com sua grande tolerância religiosa frente a um catolicismo marcado pela inquisição que fazem o pano de fundo ao exercício de amor da heroína, o qual se dá em outro plano, diferente do mundo dissoluto da colônia, que libera todo pecado ao sul do equador. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quarta-feira, março 18, 2020

ERICH FROMM, NINA ARUEIRA, CULTURA POPULAR & ARTE PERNAMBUCANA


NUMA HORA DESTA CADA UM TEM QUE SE VIRAR COMO PODE - UMA: A QUANTAS ANDA A ESTUPIDEZ DOS CAFOS? - Bem, conforme os últimos dados fornecidos pelo Fecamepa, nos últimos anos foram descobertos os Cafos (cabeça-de-fósforos - ou seria acéfalos, o que dá no mesmo, ora!) que ganham dos Fabos e muito! Maior lavagem! Se estes são macunaímas que não se reconhecem como tal, os Cafos conseguem achar que são o que nunca foram nem serão. Valei-me! Isto é o Brasil mesmo? Ora, se. Espie direito e logo identificará um ou outro. Millôr já antevia: O coração tem imbecilidades que a estupidez desconhece. Afinal, os decapitados também amam e matam, né? Stephen Hawking fez a mensuração profetizando: A poluição, a ganância e a estupidez são as maiores ameaças ao planeta. E desde quando, hem? Então, eles têm herança! Marquês de Sade já anunciava desde antanho: Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes. E não há nenhuma legítima defesa nisso, viu? Botam mesmo para torar tudo! E Bertrand Russel deu o tom da punição geral: Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no fato de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões. A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver. E em tempos de Covid-19, não mudou nadica de nada, nessa hora que eles botam a cara, batem no peito e aparecem aos montes! Pé na tábua que o que vem é ladeira pro inferno abismo abaixo. DUAS: E PROS ESCANTEADOS FEITO EU, COMO É QUE É, HEM? - Ah, pros limados pela bola preta feito eu, que são apunhalados pelas costas, preteridos na horagá, cortados antes da indicação e que pagam todos os patos assim mesmo, só tem uma dica, a da Tamara de Lempicka: Para aqueles que, como eu, vivem à margem da sociedade, as regras habituais não têm qualquer valor. Tome! Durma com essa, vá? Aprendendo e vivendo. TRÊS: E AGORA? Agora? É arrumar os mijados e sair pra outra lavagem de pano, porque não é bem assim como diz a Ana Pavlova: Ninguém pode chegar ao topo armado apenas de talento. Deus dá o talento; o trabalho transforma o talento em gênio. Eita! Porque se for assim, Deus legou pra gente a sina dos destalentados. Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A maior parte das pessoas vê no problema do amor, em primeiro lugar, o problema de ser amado, e não o problema da própria capacidade de amar. O amor imaturo diz: eu te amo porque preciso de ti. O amor maduro diz: eu preciso de ti porque te amo. O amor é uma atividade, não um afeto passivo; é um ato de firmeza, não de fraqueza... é propriamente dar, e não receber. O amor é a última e real necessidade do ser humano. A felicidade é a aceitação corajosa da vida. Pensamento do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui.

UM POEMA DE NINA ARUEIRA – Meu barco andou buscando um navegante / Que se esquecera ao longe e, muito embora / Venha das sombras de um país distante, / Vai demandando a luz da eterna aurora! / Quantas vezes chorei no barco antigo! / Eram tempos de trevas e tempestades, / Vagas de dor, em noites de perigo, / Chuvas de pranto, névoas de saudade... / Mas, um dia, Jesus deu-me a ventura / De revelar o viajante amado / O grande sonho, o anseio de ternura, / A esperança no porto desejado. / Desde então, o outro barco, enchendo as velas, / Vem, quase rente ao meu, sem descansar! / Não mais só!... Adeus morte, adeus procelas! / Nós dois sigamos pelo mesmo mar. Poema da escritora, jornalista e líder sindical Nina Arueira (Maria da Conceição Arueira - 1916-1935), que escreveu aos 15 anos o manifesto À mocidade de minha terra e, por isso, foi criticada e perseguida por suas ideias. Depois disso ela desenvolveu militância em defesa dos operários e desassistidos, encaminhando-se, em seguida, para o desenvolvimento espiritual numa senda mística. Entre as suas obras está Novo céu e nova terra (Scortecci, 2005), organizada por Flávio Mussa Tavares, uma homenagem aos 70 anos do falecimento da ativista. Dela esta pérola: O sol, por amor, sustenta os mundos de nossa família planetária, sem esquecer-se de oscular a pétala da rosa perdida no vale anônimo e desamparado.

MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR
[...] precisamos acreditar no povo e dar a cada indivíduo as condições necessárias para que ele se transforme em sujeito crítico e participante nos vários níveis da sociedade igualitária. Dessa forma, as pessoas se transformarão em cidadãos plenos, exercitando uma vida democrática, de liberdade de escolha e de participação ativa.
MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR - A obra Movimento de Cultura Popular: impactos na sociedade pernambucana (Liceu, 2010), da professora e pedagoga Letícia Rameh Barbosa, deriva da sua tese de doutoramento defendida na UFPB, está estruturado em seis partes, entre as quais abordando sobre o contexto histórico-cultural, os conceitos essenciais para se conhecer o MCP e o seu conhecimento, a sua influência nos vários setores da sociedade recifense, a articulação da educação com Paulo Freire, os seus conflitos, declínios e contribuições, representando uma contribuição fundamental no resgate da história de um dos movimentos de cultura popular e educação popular mais importantes ocorrido no início dos anos de 1960. Veja mais aqui, aqui & aqui.

ACORDES & TRAÇADOS
[...] Estes acordes e traçados historiográficos compõem, portanto, uma proposição de cruzamentos que tratam tanto do conteúdo histórico, quanto o pensamento teorico historiográfico, numa perspectiva conceitual em que está pressuposta a compreensão de história como relacional e inacabada, e, consequentemente, sempre sujeita às interpretações e reformulações. Os traçados [...] são exercicios de leitura compostos de rastros, cores e processos diferentes entre si, mas que convergem no objetivo de abordar a historiografia da dança como um oficio que atua sobre diferentes práticas que compõem o que podemos chamar de dança. São exercícios que, dentro de uma escrita academica, buscam dialogar com a história, a partir de uma proeminência do corpo e da experiência, seja esta da dança, do acervo, da prática pedagógica, da curadoria, da pesquisa histórica ou das articulações entre essas áreas de conhecimento. [...].
ACORDES & TRAÇADOS – A obra Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife (Reviva/UFPE/FUNCULTURA, 2016), organizada pelas pesquisadoras e artistas Valéria Vicente e Roberta Ramos, articula relações entre escrita e história, dança e memória, leitura histórica e produção de conhecimento sobre memória da dança a partir dos seguintes eixos temáticos: práticas de criação em dança, a construção dramatúrgica de videodanças, processos de transformação das organizações de grupos e coletivos, o papel pedagógico e formador dos grupos de dança, as relações entre criação e ensino, ensino de história da dança e dimensões de gênero. Na publicação estão reunidos artigos realizados por Alice Moreira de Melo, Flávio Pinheiro Meirelles, Ana Valéria Ramos Vicente, Jefferson Elias de Figueiredo, Liana Gesteira Costa, Juliana Brainer Barroso Neves, Daniela Santos da Silva, Nirvana Neves Gotteberg, Djalma Rabelo do Amaral Filho, Roberta Ramos Marques, Elis Regina dos Santos Costa e Tainá Verissimo do Nascimento. Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MEMÓRIAS DIÁRIAS DA GUERRA DO BRASIL
A obra Memórias diárias da guerra do Brasil : 1630-1638 (FCCR, 1981), do quarto donatário da capitania pernambucana, Duarte de Albuquerque Coelho (1591-1658), que herdou em 1603 na condição de neto do primeiro donatário, tornando-se o primeiro e único visconde de Pernambuco e marquês de Basto. Nesta obra ele narra a luta contra os holandeses e publicada em Madri em 1654. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de João Câmara aqui & aqui.
A obra do historiador, advogado e jornalista Mário Melo (1884-1959) aqui.
O cordel da gemedeira de Benjamim Mangabeira (Benjamim José de Almeida: 1904-1975) aqui.
A poesia do dramaturgo, advogado, professor e poeta Fenelon Barreto (1898-1961) aqui.
A arte musical de Zé Linaldo aqui & aqui.
Os assassinos de frevo aqui.
O município de Camaragibe aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nua lânguida ao meu ombro ainda
suas mãos exíguas no âmago do meu sexo em riste
estrondo de relâmpago persiste, infinda
a romper seus lábios, o nexo da língua.
Veja mais aqui, aqui & aqui.
 

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

IBSEN, CAROLINA DE JESUS, EUGÈNE ATGET & TEREZA COSTA REGO


SIMBORA NO TEATRO DA VIDA – QUER UMA? LÁ VAI - Haja drama no enredo da vida, com suas curvas, percalços e catabis. A gente tenta acertar que só, só na volta do revertério. De chapa, eu tanto fiz de sofrer que nem sovaco de aleijado, só na minha, que nem Bukowski: Observava as pessoas à distância, como numa peça de teatro. Apenas eles estavam no palco e eu era plateia de um homem só. E TOME DUAS: CALIBÃ SABE QUEM É - Sempre gostei de fotografar, não de ser fotografado. Nada narcísico. Foi que entendi do riscado com Millôr: Basta um avião sacudir um pouquinho mais, e logo todos os passageiros ficam parecidos com a foto do passaporte. Ainda hoje tenho a foto da carteira de identidade que tirei em 1975, quando contava com apenas 15 anos de idade e emancipado por lei. Cada vez que exibo, me bate aquela do Andy Warhol: A melhor coisa sobre uma fotografia, é que ela não muda mesmo quando as pessoas mudam. Ah, mas se feiura matasse, eu era um natimorto, hehehehehe. UM, DOIS, TRÊS: A CULPA É DO CAPITALISMO, ORA! – É mesmo, ué. Quem mandou eu nascer baixim, buchudim, tronchim e bunitim! E ainda por cima nordestino, numa cidade onde o mundo todo está lá dentro para fazê-la o cu do planeta! Já dizia o meu filósofo favorito, Agostinho da Silva: A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Fui na casa de uma preta levar umas latas que ela havia pedido. Latas grandes para plantar flores. Fiquei conhecendo uma pretinha muito limpinha que falava muito bem. Disse ser costureira, mas que não gostava da profissão. E que admirava-me. Catar papel e cantar [...] Os lixeiros haviam jogado carne no lixo. E ele escolhia uns pedaços. Disse-me: Leva, Carolina. Dá para comer. Deu-me uns pedaços. Para não maguá-lo aceitei. Procurei convencê-lo a não comer aquela carne. Para comer os pães duros ruídos pelos ratos. Ele disse-me que não. Que há dois dias não comia. Acendeu o fogo e assou a carne. A fome era tanta que ele não poude deixar assar a carne. Esquentou-a e comeu. Para não presenciar aquele quadro, saí pensando: faz de conta que eu não presenciei esta cena. Isto não pode ser real num país fértil igual ao meu. Revoltei contra o tal Serviço Social que diz ter sido criado para reajustar os desajustados, mas não toma conhecimento da existência infausta dos marginais. Vendi os ferros no Zinho e voltei para o quintal de São Paulo, a favela. No outro dia encontraram o pretinho morto. [...] Não trazia documentos. Foi sepultado como um Zé qualquer. Ninguém procurou saber seu nome. Marginal não tem nome. … De quatro em quatro anos muda-se os políticos e não soluciona a fome, que tem sua matriz nas favelas […] Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa a pensar nas misérias que nos rodeia [...] Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. [...] É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela […] Uma senhora que fez compra gastou 43 cruzeiros. E o senhor Eduardo disse: - Nos gastos quase que vocês empataram. Eu disse: - Ela é branca. Tem direito de gastar mais. Ela disse-me: - A cor não influi. Então começamos a falar sobre o preconceito. Ela disse-me que nos Estados Unidos eles não querem negros na escola. Fico pensando: os norte-americanos são considerados os mais civilizados do mundo e ainda não convenceram que preterir o preto é o mesmo que preterir o sol. O homem não pode lutar com os produtos da Natureza. Deus criou todas as raças na mesma época. Se criasse os negros depois dos brancos, aí os brancos podia revoltar-se [...]. Trechos da obra Quarto de despejo: diário de uma favelada (Ática, 2015), da escritora brasileira Carolina de Jesus (1914-1977). Veja mais aqui.

UM INIMIGO DO POVO, HENRIK IBSEN
[...] HOVSTAD - Falo do pântano onde está apodrecendo toda a nossa cidade. [...] HOVSTAD - Todos os negócios da cidade passaram, pouco a pouco, para as mãos de um bando de políticos, altos funcionários do governo. [...] HOVSTAD - Mas dá no mesmo, pois quem não é funcionário público ou político é amigo ou partidário de funcionário. São esses ricos, que ostentam nomes tradicionais, os mesmos que nos governam. [...] ASLAKSEN - Não, não, não, Sr. Hovstad. Nada de ataques à autoridade. Nada de oposição àqueles de quem dependemos. Estou farto disso, e aliás, isso nunca deu resultado positivo. Mas não há nada de ofensivo no fato de um cidadão exprimir livremente algumas ideias sensatas. [...]
HENRIK IBSEN – Trechos extraídos da peça teatral Um inimigo do povo (En folkefiende - Globo, 1984), do dramaturgo do Realismo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que tornou-se uma declaração de guerra do individualista à sociedade e que, apesar do pessimismo social, deixa antever, porém, uma vaga esperança da horia dos indivíduos e das instituições. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo francês Eugène Atget (1857-1927) que revolucionou a fotografia com seu olhar desviado do ser humano, fotografando o vazio das ruas parisienes, objetos inusitados e mulheres nuas. Veja mais aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte de Tereza Costa Rego aqui, aqui & aqui.
A música do violonista, maestro e compositor Antonio José Madureira aqui & aqui
A literatura de Graça Graúna aqui, aqui e aqui.
A poesia de Conceição Ramos aqui.
Baixio das Bestas aqui.
José Durán y Durán & As Noites da Cultura Palmarense aqui
Educação, Cidadania e Meio Ambiente – Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Mata Sul aqui & aqui
&
Noite do Recife aqui.


quinta-feira, março 01, 2018

SIENKIEWICZ, BURFORD, CASTAÑEDA, MILLÔR, DELEUZE, BERGSON, TONINHO HORTA, RUTH KLIGMAN, HARBSMAIER, IKUKO KAWAI, MULHERES & INCLUSÃO

É DUM DIA PRO OUTRO QUE A GENTE VAI VIVENDO – Imagem: arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). - UMA: DO MUITO QUE APRENDI PRO NADA QUE SEI - Muito aprendi na vida! O resultado? Qual Sócrates, aprendi nada de nada, desaprendi para aprender. Sim, tive que desaprender de tudo, nada do que tinham garantido por líquido e certo, apenas parecia, jamais seria verdadeiro. O que me deram por definitivo, era só efêmero. O que me disseram por eterno, era para lá de falso ou, no máximo, instantâneo, triz, já era, areia ou nuvem levada ao vento. O que me ensinaram, quando fui ver, era o contrário, quando muito apenas o que queriam que eu soubesse do que sabiam. Ou pior: que acreditasse na mentira que inventaram. Tive por mim que brincar de certo e errado, até saber que cara ou coroa é só jogo. Daí, tive que aprender a conviver com o paradoxal e a contradição: o que é, não é; o que não é, é; ou não, talvez. Desdenhei do ortodoxo, fui até onde deu a heterodoxia e nada me satisfez porque o defendido era só ilusão ideológica, prisão do maniqueísmo na fúria sectária. Até então o que havia decorado e aprendido, na prova dos nove, valia nada, zero na estaca. Tive que me refazer dentro do desconforme, e me reinventar fora dos moldes, ousar e renascer fora do convencionado. Por consequência, o que eu tinha por direito, foi tomado; o que tinha por meu, não era, sabia que nem nada nem ninguém poderiam ser de quem quer que fosse. Aí duvidei de tudo, graças a Deus! E não queria apenas mais o que ouvia meus ouvidos, ou o que tocava às minhas mãos, ou saboreava minha boca, ou cheirava meu olfato, sabia já a lição que os olhos me negavam, pois para que eu veja não preciso de olhos abertos e para que eu ouça não preciso ouvir o que dizem e para que eu diga não preciso falar e para que eu saiba dos cheiros não preciso senti-lo pelo nariz, foi o que me ensinou William Blake: Ver um mundo em um grão de areia e um céu numa flor selvagem, é ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora. Não preciso de nada, nem preciso ser nada, nem saber nada, sou o que me basta e voo além. OUTRA: ZÉ-CORNINHO & A COMADRE MORTE – Zé-Corninho parece que não tinha mais um pingo de juízo pra remédio. Achando pouca a bruguelada, inventou de emprenhar a mulher e aumentar a filharada. O problema era arrumar padrinho, ninguém queria ser mais seu compadre. Os nascidos eram todos devidamente batizados e apadrinhados, uns trinta e três, acho, coisa que ele não acertava contar, depois dos quinze parecia que tinha mais e se perdia recontando. Danou-se! Era uma tuia de menino, dizem que nenhum dele de mesmo, tudo resultado da infedilidade das ditas esposas dele que fugiam no cangote de outros amantes. E como ele já tinha pra mais de dez casamentos, nem ele sabe, todas embuchavam e sacudiam os recém-nascidos nas costas dele pra criar. É tudo filho meu legítimo!, bate até hoje ele o pé, ninguém acredita e deixam pra lá. Acontece que o caçula estava para rebentar e sem padrinho arranjado pro batismo. Ele saiu angariando a um e a outro, todos se recusaram. Será possível? Ele não desistiu e saiu de porta em porta até estrada afora quando bateu de frente com a Morte. Olá, comadre, como é que vai? Vou bem, e você? A senhora, por um acaso, não aceitaria ser minha comadre batizando meu filhinho caçula? Claro que aceito, vamos fazer uma grande festa e garantir o melhor futuro pra ele! Oba! E assim foi, no dia certo, a parteira anunciou mais um pra coleção do Zé. A festa corria solta quando a Morte chamou o compadre do lado e cochichou: Agora vamos garantir o futuro da criança, você ficará rico, vai curar gente, só você me verá e, então, diante de um doente, se eu estiver na cabeceira é que vai ser curado; se eu estiver no pé da cama, é caso perdido. Certo e ajustado, lá foi Zé-Corninho curando o povo e ficando rico. Um dia lá um ricaço estava pagando uma fortuna para salvar o filhinho dele e quando Zé chegou lá, a comadre estava no pé da cama. Eita! Zé resolveu passar a perna na comadre, mandando virar a cama de ponta cabeça e a comadre ficou na cabeceira, obrigada a salvar. A Morte ficou possessa de raiva e jurou se vingar. Um dia lá a comadre resolveu pegá-lo na virada e foi convidá-lo para ir na casa dela: Eu vou, mas só se você garantir que eu volto. Garanto. E foram. Lá chegando Zé se deparou com um bocado de vela pelo chão, uma atrás da outra, encarreada. O que é isso, comadre? É a vida das pessoas na terra. Eita! Essa é do seu amigo fulano, aquela da sua amiga sicrana, essa outra do seu vizinho beltrano, e no meio da coisa Zé ficou curioso pra saber da sua: Qual? Aquela. Vixe! Um toquinho já se apagando. Ah, comadre, mas a senhora prometeu que eu voltaria. E vai voltar. Lá estava Zé em casa, morre mas num morre, até que fez um último pedido: Permita, comadre, que eu reze um Pai-nosso antes de morrer. Concedido. E ele começou a rezar e parou. Vamos, conclua a reza! Agora não, a senhora prometeu que eu só morreria quando terminasse a reza, só vou findar daqui uns cem anos. A Morte saiu injuriada, Zé estava sabido que só e passou-lhe a perna pela terceira vez. Aí um dia lá, anos e mais anos, Zé teve um desgosto danado e disse: Ah, só queria morrer agora pra não ver uma desgraça dessa! Mal terminou de dizer e a comadre já estava toda feliz do lado dele: Agora você me paga, compadre! Calma, comadre, eu não disse quando, só falei que queria e não quero, ora, ora. Rasgou a boca de novo. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Foot on the road, Durandi Kid 1 & 2; da violinista japonesa Ikuko Kawai: Jupiter form de Symphony The Planett, Exodus & Sun Flower; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Tu não podes ver o que não podes explicar. Trata de esquecer de tuas explicações e começarás a ver. [...]. Trecho extraído da obra A erva do diabo: as experiências indigenas com plantas alucinógenas reveladas por Dom Juan (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998). Veja mais aqui e aqui.

OUTRA PRO DIA – Devemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles, estaríamos hoje falando tupi-guarani, língua que não entendemos. Uma das muitas do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui.

SACADA: O QUE NÃO DIZ NADA, DORME! - Um behuana (nativo da atual Botsuana, na África meridional) perguntou um dia que eram aqueles objetos sobre a mesa. Quando lhe foi dito que eram livros, e que esses livros contavam novidades, levou um deles ao ouvido e, como não ouviu nenhum som, disse: “Este livro não está me dizendo nada”. Pondo-o de novo sobre a mesa, comentou: “Será que está dormindo?”. Extraído da obra Invention of writing (Unwin Hyman, 1988), de Michael Harbsmaier.

COISAS DO SER HUMANO - [...] Nenhuma divindade, ninguem mesmo, a não ser um invejoso, se compraz com a minha impotência e com o meu desgosto, e toma por virtude as lágrimas, os soluços, o temor e outras coisas do mesmo gênero que são o sinal de uma alma impotente; mas, pelo contrário, quanto maior é a alegria que nos afeta, maior é a perfeição a que passamos, isto é, tanto mais participamos , necessariamente, da natureza divina. Por conseguinte, usar as coisas e delas extrair o maior prazer possível (não, é claro, até a saciedade, pois isso já não daria prazer) -, eis o que é próprio do homem sábio...Os supersticiosos, que gostam mais de censurar os vícios do que ensinar as virtudes, e que não se aplicam a conduzir os homens pela Razão mas a contê-los pelo temor, de tal modo que evitem mais o mal do que amem as virtudes, não pretendem outra coisa senão tornar os outros tão infelizes como eles próprios são; deste modo, não é de admirar que eles sejam, o mais das vezes, insuportáveis e odiosos aos outros homens. Trecho extraído da obra Espinoza e os signos (Rés, 1989) do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui.

DEPOIMENTO INCLUSÃO – A inclusão é possível, sim, mas desde que todos se adaptem, pessoas com deficiência e sem deficiência. Não há dicotomia: nem só a sociedade se adapta ou só os portadores de deficiência. [...] É, principalmente, uma questão de educação, de formação. [...] Porque é difícil: o ser gumano não sabe lidar e não sabe tratar com o que não conehce; sua tendência é agredir. É também necessário estar sempre trabalhando poara o preparo emocional de todos, pois há uma tendência ao boicote, da pessoa portadora consigo mesma e dos outros em relação a ela. [...] Porque é conversando, abordando, falando que essas questões serão desmistificadas, e a sociedade poderá se tornar inclusiva. Trecho de Um depoismento sobre Inclusão, de Gabriela de Chevalier, portadora de hemiparisia, formada em História e Design & Estilo, extraído da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 2009), organizado por Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Monica Armon Serrão et al. Veja mais aqui e aqui.

A EVOLUÇÃO CRIADORA - [...] Todos os seres vivos estão ligados, e todos cedem ao mesmo formidável impulso. O animal tem a planta como ponto de apoio, o homem cavalga na animalidade, e a humanidade inteira, no espaço e no tempo, é um imenso exercito que galopa ao lado de cada um de nós, à frente e atrás de nós, numa arremetida capaz de vencer todas as resistências e de atravessar todos os obstáculos, talvez até a morte. [...]. Trecho extraído da obra A evolução criadora (Delta, 1964), do filosofo francês Henri Bergson (1859-1941), Prêmio Nobel de 1927. Veja mais aqui.

DEVEMOS SEGUI-LO - [...] Cina ainda era demasiado moço para que a vida para ele perdesse toda atração. E a filha de Timão, Antéia, acabou por deixá-lo totalmente escravizado. Anteia não era menos formosa que seu pai, em toda Alexandria. [...] Timão não permitia que ela vivesse encerrada em um gineceu, como as demais mulheres. Dera-lhe uma instrução tão alta quanto podia. [...] Era companheira de Timão em todas as elucubrações. [...] O velho sábio amava-a enternecidademente. [...] Quando Cina a viu, pela primeira vez, teve impetos de erigir para ela um altar no atrio de sua casa e sacrificar pombos em sua honra. Havia conhecido inúmeras mulheres em toda sua vida. Desde as jovens do norte, cujos cílios tinham a cor do trigo maduro, até as da Numídia, negras como as lavas. Mas, até ali, jamais havia encontrado tal beleza nem tão pura alma. Quanto mais a via, mais a admirava. Quanto mais a ouvia falar, mais supreendido ficava. De tal forma se sentia enfeitiçado pelo seu encanto que, às vezes, embora nãoa acreditasse em deuses, surpreendia-sae pensandop que talvez Anteia não fosse filha de Timão e sim de algum deus. [...] Anteia era diferente de outras mulheres. Desejou que fosse sua, para poder adorá-la. Para obter tal favor estava pronto a dar a própria vida. Para ele, valia mais ser pobre, junto dela, do que ser poderoso como César, sem ela. O amor apossou-se dele com a mesma força com que um remoinho se apoderava de quem se aproxima de seu circulo. De tal forma o dominava, que absorvera seus pensamentos, sua alma, seus dias e suas noites. Nada mais existia para Cina senão o amor por Anteia. Por fim, Anteia também se sentiu atingida pelo mesmo sentimento. [...]. Trecho do conto Devemos segui-lo, extraído da obra O faroleiro & outros contos (Delta, 1962), do escritor polaco & Prêmio Nobel de Literatura de 1905, Henryk Sienkiewicz (1846-1916).

DOIS POEMAS – ESTRELA: Estrela / companheira / se és compassiva / conosco irás junto / este ano e vamos vê-la / na glacial distância inteira / brilhante viva / a teus pés muitos. O FOGO: Nestes dias de inverno / a lareira acendemos: / sçao dois seres somente / a fazer sacrifício. / O nosso combustível: / os jornais deste dia ; frio devem servir / colaunas de palabras / e homens no local / escuro onde arde o fogo. / E colhemos então / e gentilmente pomos / as estilhas de pau / que nos restam, até / havermos erigido / uma espécie de pira / e tumba para a coisa / pesada a levantamos / nos braços, oferenda / ou criança, e a pomos / sobre as barras de ferro / junto agora acendemos ; e a besta salta viva / e ficamos de pé / sangrando com a luz. Poemas do poeta modernista estadunidense William Burford.

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL
Acontecerá nesta quarta, às 10hs, na Biblioteca Fenelon Barreto, o lançamento do livro Ciranda feminista na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação desenvolvida sob a coordenação do SOS Corpo e promovida pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego. Veja mais aqui.

Veja mais:
Crônica de amor para ela, Senhora Magdala de José Condé, Magdalena de Pablo Milanés & Joaquín Sabina, Fonte, a arte de Ruth Kligman & Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Kid Malvadeza aqui.
Tzvetan Todorov, Oduvaldo Vianna Filho, Os epigramas de Marcial, Jacques Rivette, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Sandro Botticelli, Carmen Silvia Presotto & Egumbigos no país dos invisíveis aqui.
Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O Monge & o executivo, Neuropsicologia, Ressocialização Penal &Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade e Educação Sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Aids & Educação aqui.
Sincretismo Religioso aqui.
Racismo aqui.
Levando os direitos a sério de Ronald Dworkin aqui.
Ética & moral aqui.
A luta pelo direito de Rudolf Von Ihering aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia & Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Cantarau Tataritaritatá: vamos aprumar a conversa aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ARTE DE RUTH KLIGMAN
A arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...