
Portrait of the Artist as a Young
Pig (1983), art by Susan Bee
Curtindo
o álbum Água da fonte (Clássicos, 2006), com a ex-regente e renomada soprano Claudia Riccitelli & o pianista Nahim
Marun interpretando canções de Heitor Villa-Lobos. Veja mais aqui.
PENSAMENTO DO DIA – Num país
de fugitivos aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo.
Pensamento do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de
1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965). Veja mais aqui e aqui.
OS ARQUÉTIPOS E O INCONSCIENTE COLETIVO – A
obra Os arquétipos e o inconsciente
coletivo, do psicólogo e psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), na tradução de Maria Luiza Appy e
Dora Mariana R. Ferreira da Silva, aborda temas acerca do conceito de
inconsciente coletivo, o método de comprovação, o arquétipo com referencia
especial ao conceito de anima, aspectos psicológicos do arquétipo materno, a
hipertrofia do aspecto material, exacerbação do Eros, sobre o renascimento,
metempsicose, reencarnação, ressurreição, participação do processo da
transformação, psicologia do renascimento, a experiência da transcendência da
vida, vivências medidas pelo rito sagrado, transformação subjetiva, diminuição
da personalidade, transformação no sentido da ampliação, modificação da
estrutura interior, grupo, identificação com o herói no culto, procedimentos
mágicos, transformações técnicas e naturais, a psicologia do arquétipo da
criança, a criança-deus e a criança-heroi, abandono da criança, o
hermafroditismo da criança, aspectos psicológicos da core, a fenomenologia do
espírito no conto de fadas, a autorepresentação do espírito nos sonhos, o
simbolismo teriomórfico do espírito no conto de fadas, a psicologia da figura
do trickster, consciência, inconsciente e individuação, o simbolismo da
mandala, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIAS: JUNG, Carl. Os
arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. Veja mais aqui.
ENSINAR O QUE NÃO SE SABE – ...E
chega o momento quando o Mestre toma o discípulo pela mão, e o leva até o alto
da montanha. Atrás, na direção do nascente, se vêem vales, caminhos, florestas,
riachos, planícies ermas, aldeias e cidades. Tudo brilha sob a luz clara do sol
que acaba de surgir no horizonte. E o Mestre fala: “Por todos estes caminhos já
andamos. Ensinei-lhe aquilo que sei. Já não há surpresas. Nestes cenários
conhecidos moram os homens. Também eles foram meus discípulos! Dei-lhes o meu
saber e eles aprenderam as minhas lições. Constroem casas, abrem estradas,
plantam campos, geram filhos... Vivem a boa vida cotidiana, com suas alegrias e
tristezas. Veja estes mapas!”. Com estas palavras ele toma rolos de papel que
trazia debaixo do braço e os abre diante do discípulo. “Aqui se encontra o
retrato deste mundo. Se você prestar bem atenção, verá que há mapas dos céus,
mapas das terras, mapas do corpo, mapas da alma. Andei por estes cenários. Naveguei,
pensei, aprendi. Aquilo que aprendi e que sei, está aqui. E estes mapas eu lhe
dou, como minha herança. Com eles você poderá andar por estes cenários sem medo
e sem sustos, pisando sempre a terra firme. Dou-lhe o meu saber”. Aí o Mestre
fica silencioso, olhando dentro dos olhos do discípulo. Ele quer adivinhar o
que se esconde naquele olhar. Examina seus pés. Nos pés sólidos se revela a
vocação para andar pelas trilhas conhecidas. Quem sabe isto tudo é tudo aquilo
de que aquele corpo jovem é capaz! Quem sabe isto é tudo o que aquele corpo
jovem deseja! Se assim for, talvez que o melhor seria encerrar aqui a lição e
nada mais a dizer. Mas o Mestre não se contém e procura, nas costas do seu
discípulo, prenúncios de asas – asas que ele imaginara haver visto como sonho,
dentro dos seus olhos. O Mestre sabe que todos os homens são seres alados por
nascimento, e que só se esquecem da vocação pelas alturas quando enfeitiçados
pelo conhecimento das coisas já sabidas. Ensinou o que sabia. Agora chegou a
hora de ensinar o que não sabe: o desconhecido. Volta-se então na direção
oposta, o mar imenso e escuro, onde a luz do sol ainda não chegou. [...]. Trechos
extraídos da obra A alegria de ensinar (Ars Poética,1994), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves
(1933-2014). Veja mais aqui.
HOMO AESTHETICUS – [...] o argumento cético só é refutado com base numa
visão da história da filosofia que simplesmente tem por inconveniente negar a
historicidade como tal: se refletirmos bem, veremos que é histórico em cada
sistema filosófico justamente o que, nele, é inessencial (o que está ligado à Bildung).
Se todos os sistemas exprimem no fundo a mesma idéia, quase não se vê o interesse
que proporciona o desenvolvimento de sua diversidade no tempo, e a crítica, que
neles separa o que pertence à ordem do conteúdo e o que é simples forma
contingente, quase só tem por finalidade uma autojustificação. [...] Assim, porém,
também vemos mal como ela poderia não ocupar um lugar inferior ao da ciência ou
da filosofia, que supostamente nos franqueiam um acesso mais direto à coisa
mesma. Nessa primazia concedida à natureza, sobre o artifício, é verdade que
uma parte da beleza é subtraída ao poder do espírito, mas também é com isso que
a estética pode esperar não ser reduzida a uma “teoria do conhecimento
inferior”, ou até uma simples receita que indica os meios capazes de comunicar
ao entendimento comum verdades abstratas demais para serem compreendidas por
ele no único plano que, no entanto, conviria: o da verdadeira especulação. [...] Está
na origem mesma da estética como disciplina filosófica e já pudemos discernis
seus primeiros frutos no conflito que contrapôs numa época clássica, a estética
racionalista e a estética do sentimento. [...]. Trechos extraídos da obra Homo Aestheticus:
a invenção do gosto na era democrática (Ensaio, 1994), do
filósofo francês Luc Ferry. Veja mais aqui.
TÁLIA - Tália preside a comédia, significando em grego
florescer. Muito jovial, coroada de hera, com uma máscara na mão. Muitas de
suas estatuas têm um clarim ou porta voz, instrumentos que serviam para
sustentar a voz dos autores na comedia antiga. Veja mais aqui.
SE ALGUÉM PERGUNTAR POR MIM - [...] Escapei
de 30 chupando o peito de uma negra do Castainho, testa grande, cangote
brilhante, cabelo encaracolado. Roliças coxas, escandalosas nádegas. Braços imensos
de braçadas quentes. Avental, seu busto inteiro, de negra seda com o debrum de
bicos vermelhos a enfeitar as tetas que, sem qualquer inocência, eu mamava,
mamava. Era ela, onde anda hoje?, uma dessas pretas tão retintas, de negror
sinceramente azulado. [...]. Para
inventar seus peitos, onde bebi certa coragem e essa denguice toda que em mim
plantaram o amor e a raiva. E maldosos vícios. E pecados perdoáveis. Me disseram
depois, a preta é de alma branca que nem a minha pele. Por isso, a minha pele neném
eu esfregava nela. E babava todo. Bebê baba a babá, meus babacas. Hortência era
seu nome. Que negra, camaradas. Por causa dessas têtas, escapei das balas
destinadas ao meu avô [...]. Trechos extraídos da obra Se alguém perguntar
por mim... – 80 crônicas escolhidas (Ed&Arte, 1997), do jornalista e
escritor Ronildo Maia Leite (1930-2009). Veja mais aqui.
TRÊS POEMAS – A
casa do coração: O coração tem
dois quartos: / Moram ali, sem se ver, / Num a Dor, noutro o Prazer. / Quando o
Prazer no seu quarto / Acorda cheio de ardor, / No seu, adormece a Dor... Cuidado,
Prazer! Cautela, / Canta e ri mais devagar... / Não vá a Dor acordar.... A
lágrima do Céu: O céu deixou cair mimosa lágrima, / Que logo se julgou no
mar perdida, / A concha a recolheu dizendo:"Agora / Serás a minha pérola
querida. / Contra as vagas terás seguro abrigo, / Serena viverás sempre comigo.
/ Ó lágrima celeste ora em meu seio, / Tu és a minha dor, minha ventura!... / Permite,
ó céu, que em doce e puro enleio / Eu guarde das tuas gotas a mais pura!" 3: Nossos dias são preciosos,/ mas com alegria os
vemos passando/ se no seu lugar encontramos/ uma coisa mais preciosa crescendo:/
uma planta rara e exótica,/ deleite de um coração jardineiro, / uma criança que
estamos ensinando,/ um livrinho que estamos escrevendo. Poemas do escritor
alemão Friedrich Rückert
(1788-1866).
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CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
CANTARAU
TATARITARITATÁ
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.