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segunda-feira, abril 14, 2025

HWANG BO-REUM, CYNTHIA FRANCO, CLAUDIA WERNECK, JUAREIZ & AMAURI CAMINHA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Archetypes (Cedille Records, 2021) e Window To The World (Vectordisc Records, 2022), da premiada compositora, pianista, cantora e arranjadora Clarice Assad. Veja mais aqui.

 

Lá vai o poeta porque a vida é uma canção de amor... - Foi Marquinhos quem trouxe um doido e a maldição da lucidez. E me levou lá na Praça da Luz – local já conhecido do saudoso casal Mestre Biu & dona Carminha. Lá estava o poeta que gozava de prestígio pela edição inaugural da antologia Poetas dos Palmares, afora outros tantos idos e acontecidos. Tinha eu lá por volta dos meus 12 anos de idade e, dias depois, conversa vai, conversa vem, ousei passar pra ele os meus rabiscos adolescentes. Ele se riu e soltou: Vamos publicar. Ora, ora. Era eu um menino da beira do rio que se jactava por conta dumas quadrinhas pra professora do primário que foram publicadas no Júnior do Diário de Pernambuco, mais uns tresloucados versos no jornal estudantil do Grêmio Castro Alves e outros estampados nos murais na Biblioteca Pública, mais nada. Ele dava corda e eu sabia: tinha topete pra isso não. A peitica dele seguia e vieram as Noites da Cultura Palmarense com Durán & a turma toda, as figurinhas trocadas sobre o poeta Raymundo e Vinicius de Moraes pros cadernos da Nova Caiana e revista Poesia. E era Zé Terra inquieto lá em casa dias e noites segurando a saia de Solange grávida de João Guarani, ao meu violão com pot-pourri de Paulo Diniz e a festa bebemorada no Poema para Léa com Vanderléa e Egberto Gismonti, afora as noitadas com Lourdes contando das muitas de Ascenso, a comemoração pelo nascimento de Mariama, da organização de Jessiva pro Voltarei ao sol da primavera com Roberto Benjamim. Muitas páginas escritas e soltas, cadernos arrumados aos monturos, volumes selecionados, capas e canetas, resmas e recortes, festejávamos diariamente na legendária Livro 7, quando não às risadagens com o pau de índio de Olinda, o mingau de cachorro de Afogados, a sopa do peixe do Pra Vocês, os cabarés da Rio Branco, as reiteradas curtidas de Bridge Over Troubled Water da dupla Simon & Garfunkel pra canção que eu fiz pro seu Ponte sobre águas turvas, a cantoria desafinada de Palmares City às gargalhadas com o nosso jogral particular em uníssono: melhor do que Palmares só Paris e à noite, porque de dia a gente levava de lambuja! E nessas idas e vindas, 10 anos se passaram: estava ali prontinho da silva o meu primeiro livro – com a coordenação dele e as gentis participações de Ângelo Meyer e Paulo Profeta. E mais vieram: os lançamentos da Pirata, as primeiras edições de A Região, a sua presença marcante na estreia das minhas peças teatrais – O prêmio, em Palmares; e a Viagem noturna do Sol, em Recife -; as conversas sobre a encenação de João sem terra do Hermilo com Paulo Cavalcanti – O caso conto como o caso foi; os brindes dos copos ao som de Junco do Seridó e as viradas de noite com Marca Ferrada. Décadas se passaram até o reencontro para a bombástica entrevista concedida pro meu Guia de Poesia lá no Rio de Janeiro e, muito tempo depois, a acertada com a tradução do Vivar pro Americanto na noite de Maceió, os 70 setembros. Foram muitas e tantas de perder a conta nos meandros da memória. Hoje meu coração entoa aquela canção para Abya Yala do Mílton: Qualquer dia a gente vai se reencontrar... Até mais ver.

 

Karen Blixen: Quando você tem uma tarefa grande e difícil, algo talvez quase impossível, se você trabalhar apenas um pouco de cada vez, um pouco a cada dia, de repente o trabalho terminará sozinho... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Catherine Belkhodja: Todos conhecem e compartilham os sofrimentos do outro, do peso do abandono, da inevitabilidade de um acontecimento que já passou. Em seus torneios, acima de tudo uma esplêndida história de amor... Veja mais aqui.

Cressida Cowell: Estamos todos arrebatando momentos preciosos das mandíbulas pacíficas do tempo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FRONTEIRA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Amor \ Você viu o rasgo da lama? \ Foi a imigração: espelho negro \ Quantos estão procurando seus filhos desaparecidos? \ Ali, entre as paredes \ na área norte \ deserdado: Você é a fronteira \ abrigado na rocha e nos ventos frios \ Onde estão os mortos nascidos amor onde? \ No deserto talvez? Você nasceu no crepúsculo de Frontera? \ Onde você costuma ficar? Da montanha, talvez? Você cheira a sálvia em sua nostalgia \ Quantos mares eu acalmo para unir uma só linguagem de amor? \ Quantas cruzes, quanto eu cruzo? \ Quanta fome, quanta sede de família? \ Para unir, unir, unir as fronteiras! \ O eterno retorno, sempre se retorna, mãe, mãe sempre se retorna! \ Se você migrar, eu também vou! \ Tentaram me parar na fronteira \ Tentaram me parar na fronteira \ Não há vistos para o seu tipo, não, não, não \ De onde você é, eles me perguntaram? \ De todo lugar, de lugar nenhum, da ferida eu venho \ A fronteira me deu a primeira canção, eu nasci com a cara do céu afundando \ Tão violento quanto seu amor \ Para unir o amor eu tive que odiar e não lembrar \ Dizem que os pássaros migram para o sul. \ Mas acredito que eles sempre retornam para o norte, para a raiz que cresce para baixo \ e sem terra não \ De onde o vento traz o chamado da morte eterna, a sombra eterna \ Nós somos os Ixcuinan, os do norte \ Estamos dando à luz uma poesia que nos protege, uma canção \ Virgem da aurora, dai-me clareza e tranquilidade \ Estrela da manhã, dá-me luz e dá-me paz \ ao longo das fronteiras, eu canto.

Poema da escritora mexicana Cynthia Franco.

 

BEM-VINDO À BIBLIOTECA - [...] Os livros não são feitos para permanecer na sua mente, mas no seu coração. Talvez eles existam na sua mente também, mas como algo mais do que memórias. Em uma encruzilhada na vida, uma frase esquecida ou uma história de anos atrás pode voltar para oferecer uma mão invisível e guiá-lo para uma decisão. Pessoalmente, sinto que os livros que li me levaram a fazer as escolhas que fiz na vida. Embora eu possa não me lembrar de todos os detalhes, as histórias continuam a exercer uma influência silenciosa sobre mim. [...] A vida é muito complicada e expansiva para ser julgada somente pela carreira que você tem. Você pode ser infeliz fazendo algo que gosta, assim como era possível fazer o que não gosta, mas obter felicidade de algo totalmente diferente. A vida é misteriosa e complexa. O trabalho desempenha um papel importante na vida, mas não é o único responsável por nossa felicidade ou miséria [...] Cada um de nós é como uma ilha; sozinho e solitário. Não é algo ruim. A solidão nos liberta, assim como a solidão traz profundidade às nossas vidas. Nos romances que eu gosto, os personagens são como ilhas isoladas. Nos romances que eu amo, os personagens costumavam ser como ilhas isoladas, até que seus destinos gradualmente se entrelaçaram; o tipo de história em que você sussurra, 'Você estava aqui?' e uma voz responde, 'Sim, sempre.' [...] Em vez de se agonizar sobre o que você deve fazer, pense em se esforçar em tudo o que você está fazendo. É mais importante tentar o seu melhor em tudo o que você faz, não importa o quão pequeno possa parecer. Todo o seu esforço vai somar em algo. [...] Um dia bem aproveitado é uma vida bem vivida. [...] Para encontrar a felicidade, faça o que você gosta. Todos vocês devem encontrar algo que gostem de fazer, algo que os deixe animados. Em vez de perseguir o que é reconhecido e valorizado pela sociedade, faça o que você gosta. Se você puder encontrar, não vacilará facilmente, não importa o que os outros pensem. Seja corajoso. [...]. Trechos extraídos da obra Welcome to the Hyunam-Dong Bookshop (Bloomsbury, 2023), da escritora sul-coreana Hwang Bo-reum.

 

INCLUSÃO DE VERDADE – [...] A inclusão é uma proposta de uma transformação política da sociedade, uma alteração estrutural, onde o mundo precisa ser preparado não para as pessoas que têm deficiência, mas para todos. [...] Estão enganados, portanto, os que acreditam que o conceito de inclusão está relacionado somente às pessoas que têm uma deficiência. Não é. Ele tem a ver com o ser humano. [...] Trata-se de uma longa trajetória de exclusão, de não-reconhecimento, de não-entendimento de que pessoas que nascem com uma síndrome genética são detentoras de direitos como o de estar na escola, no trabalho, em todos os espaços sociais. [...] Para os pais, o maior desafio é conseguir colocar o seu filho com a maior dignidade numa escola regular de qualidade, para que eles sejam reconhecidos como parte da geração a quem pertencem, que eles possam desde cedo se exercitar eticamente junto com pessoas da mesma idade e, juntos, participar deste grande exercício que é se tornar cidadão. Para a sociedade, o grande desafio é olhar para uma pessoa com síndrome de Down e não achar que ela é o exótico da natureza. Isto é um grande equívoco. Esta é uma ideia profundamente segregacionista, quase nazista. Este é, portanto, o grande desafio da sociedade, vencer seu próprio ranço na visão deturpada que ela tem de pessoas que representam a diferença. [...] A escola inclusiva nada mais é do que uma escola de qualidade para todos. [...] Hoje, dirijo o meu trabalho para a formação de guerrilheiros pró-inclusão. Adolescentes e universitários que vão saber exatamente como olhar uma pessoa com deficiência e não vê-la mais como diferente da sociedade, mas uma pessoa integrante e indispensável dela [...]. Trechos da entrevista Inclusão reflete riqueza humana (BBC Brasil, 2003), concedida pela jornalista e ativista Claudia Werneck, que é autora do livro Muito Prazer, Eu Existo: um livro sobre as pessoas com Síndrome de Down. (WWA, 1993), a fundadora idealizadora da Escola de Gente e pioneira na disseminação do conceito de sociedade inclusiva (ONU) na América Latina.

 

MOVIMENTOS DESPEDAÇADOS...

[...] Nunca poderemos perder as esperanças. Ou acreditamos ou nada acontecerá. Portanto, o nosso sonho não está acabado, vamos atrás desse sonho, possivelmente nossa geração não alcançará, mas, à geração do futuro certamente... [...]

Trecho extraído do livro Movimentos despedaçados e outras histórias (JC, 2024), do escritor e militante político Amauri Cavalcanti Caminha.

&

JUAREIZ CORREYA NO TTTTT

Reunião de textos do poeta e editor Juareiz Correya (1951-2025) aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

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VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.




 


domingo, outubro 03, 2021

PAUL TILICH, DAVID MAMET, STEVE REICH & INCLUSÃO NA BIBLIOTECA.

 

 

TRÍPTICO DQP – Aporias entre o céu e a terra... - Ao som de Music for 18 Musicians (2011), do compositor estadunidense Steve Reich - Com o tempo dei de adormecer e, ao despertar, não saber em que espaço ou tempo esteja. Ou estou elouquecendo, tomara. Quem sabe, começando a caducar, pudera. Desta feita, não adiantou solfejar canção que fosse, estava como se tivesse envolvido na pele da trama de Oleanna (1992), do dramaturgo estadunidense David Mamet, e a sua filha Clara – face inspiradora nos lábios obscenos e voluptuosos - era a Carol a me seduzir na cena, como se fosse possível a duas pessoas estranhas conviverem juntas, avalie. E ela estivava nua numa cena escura do palco e se parecesse inteiramente com a atriz francesa Sophie Marceau, aquela mesma que povoava meus sonhos recorrentes e a nos engalfinhar nas onze histórias d’O vampiro e a polanquinha (1992) de Dalton Trevisan. Eu me levantei da poltrona, pisei o assoalho solitário por fragmentos de devaneios que surgiam do nada para orbitar minha existência insistentemente e me levasse a sucumbir no delírio onírico que se transformara em um filme, era só na minha cabeça e eu, um professor, ela minha aluna insinuante e linda, bálsamo para minha alma. Era teatro em toda parte com câmaras ligadas para qualquer projeção em que ela me acusava de assédio sexual, com suas frustrações por não entender o assunto dado em sala de aula e todos os dias ela lá. A desgraça é finalmente a dizer da tentativa de estupro e perco a cabeça. Depositei o que restava de mim sobre os braços à mesa, ela silenciosa, tocou-me e abri os olhos de repente e vi-a cantatriz encantadora, a me dizer Kierkegaard: Aquele que não se torna só consigo mesmo, ainda que mantenha silêncio, não o terá. O silêncio só é possível para aquele que, em verdade, torna-se só consigo mesmo. Olhei-a profunda e demoradamente, aquela tentação poderosa e eu me continha com todas as forças. Levantei-me, dei-lhe as costas e me distanciei o máximo que pude. Entre as coxias o filósofo alemão Paul Tilich (1886-1965), a me dizer que a solitude: é a glória de estar sozinho. Parei diante dele para ouvi-lo: O primeiro dever do amor é ouvir. A vida é dura... e nem sempre é justa. Mas isso não quer dizer que ela não possa ser boa, gratificante e prazerosa. Ainda há muitas razões para dizer sim à vida. Refleti um pouco e me conduzi para a saída do prédio, parturejar ideias no meio de demofóbicos, misóginos, quando não antrófobos com seus estressados bichinhos de estimação. Dei vazão às minhas bricolagens aporéticas. Ela seguia-me e era como se fosse a primeira promessa e o que não deu certo, o alivio da incolumidade. Não olhei para trás e segui: para quem vem ou vai: aporias entre o céu e a terra. Semáforos de sempre, vida adiante.

 


Mil dias depois da esculhambação... - Os tempos mudaram e tudo ficou muito assustador. Passou uma severa turbulência, a ponto de desnortear de sequer perceber janeiro com a posse “decente” e proclamadora do Coisonário, que se dizia Caminho da Prosperidade. Sabia que não era nada disso, nem foi, nem será; tudo fora muito bem manipulado nos últimos cinco anos, para consolidar o que já desconfiava. Do primeiro dia, entre o risível e o trágico, passou-se a vigir que se podia peidar à vontade, cagar só dia sim dia não, porque o ambiente ficou inflamável e encolheu a escola para pouquíssimos e começou o pipocado da festa dos ruralistas e assemelhados do Agro pop de agrotóxicos e pesticidas sem ambiente dos grandes da fraude piramidal e bleque-fridei, talkei? Com elas, outras determinações: não atrapalhe nem amole o professor ou o motorista que investiram no dólar e preferiram vender vacina com os pastores e a mãe num negócio da China, apadrinhado pelo Centrão nas relações exteriores e que não se teria mais shiTrump para pedir penico pro golpe no sonho do capitólio daqui. Também não se procurasse saber onde estivesse porque era frio de lascar de repente e um calor da peste, desabando com a prevaricação na fivela da Lava Jato e o juiz nem era herói e vazou e o racismo virou praga com sufocamento em Manaus e se o rio secou pro apagão da QAnon, era a vez da pandemia e uma quarentena interminável tomou conta de vez. Aí a coisa empenou: deu de tudo com homenagens sinistras de torturadores e milicianos, ofertas com embalagens de luxo e que não era uma novela, e que se saiba de antemão: os deuses surdos também se tornaram cegos e premiaram o primeiro baba-ovo. Aí avacalhou tudo pra passar a boiada geral, no atacado e no varejo: rachadinha, Bebiano, deseducação, Queiroz, brasileiros canibais viajando, Kassio Nunes, goldemshauer, nazismo comunista e KGB, Tonho da Lua, foro mais privilegiado de sempre, Goebbels, drones, inflação pro império milionário, inauguração de trecho de rodovia, troca-troca nos ministérios, recondução do Aras feito guenzo da cristomania e todas as sequelas no asfalto com a tempestade de poeira e a gasolina nas alturas da Prevent e se tudo ficou caro de uma hora para outra, era que uma savana emergia n o voto impresso e no pega pra capar findou na fronteira dos USA, como se Maia segurasse tudo, de chorar com o rabo de arraia do Lira que levou o hospital numa banda metaleira feito plano hap de saúde hip de vida hop e quem hup não se fez por amigo da primeira-dama, juntou caixa de papelão no quintal quando deveria ter uma goiabeira pra Jesuisis & Doidamares – e o Doro que coisou e tem andado um bocado arrependido quer encará-la: Ela dá cloro e pano! E partiu arretado para arregaçar nos guardados dela. E daí? Do zero-um pro dois, três, até o quatro lavando a jega e mais se enfeiou no torrão com o lixo nas calçadas, folhas, flores, frutos, o tráfico nos condomínios e favelas, carros e casas sujas, a fumaça do bueiro da usina, a catinga pútrida e a brutalidade de gente com suas pseudofamílias nas arengas e estupros coletivos, crucifixo no pescoço, rezas altas e aos gritos pelos sete pecados capitais, pelos dez mandamentos, quando tudo era inferno, nenhuma humanidade, a sociedade doente, uma escória feita de vermes - quem não em estado de choque nos sete de setembro e o desfavorável porque ficou inviável com o Agro que é pop ou pqp e teve Dia D para tocar fogo, aproveitando para o perdão das dívidas evangélicas, regulamentação da agiotagem, leilão com liquidação de tudo na maior promoção, as comunidades terapêuticas no comando do golpe para namorar a Cloroquina toda tarada e, na cara dela, se agarrar com Ivermectina safada para duas de quinhentos com nota de duzentos falsa – quem viu, não sei porque se passou por mito e quem não pagou mico de guardar a mamadeira de piroca, as controvérsias das fardas do que fizeram das forças armadas tão desarmadas e das milícias neonazifascistas que sobraram dos trezentos e não sei quantos milhões de cem reais que são na gripezinha e no mimimi da entubação dos influenciadores que não querem ninguém em casa para sair furtivo como cosplei de rato com pizza no bico. Eita! E daí, meu? Presse desgoverno, qual legado? O bizarro delírio das conspirações e feiquenios, tragicômico Brasil que não foi nem nunca será para coisonários que batem cabeça demais: são feito couro de pica e mentem que o cu apita. No fim da festa, mil dias de uma voz que se apagou de nenhuma saudade na barbárie da tevê desumana com o horror extra dos rugidos da covardia e sacanagem, com o que engana de zap-zap e o que resta das promessas e do tédio: a falsificação como originalidade. Outras aporias, tudo muito imperdoável. E persigo sobrecarregado de ocorrências e interrogações no meio da nossa segregação, driblando o certo e o errado e vice-versa, as pessoas obtusas viraram pragas e quase ninguém consegue ver a realidade encoberta por um punhado substancial de velhas mitologias de agora, um inferno para lá de dantesco.

 


Inclusão, enfim, ah!... - Minha vida braços abertos: nenhuma fórmula, nem tendência ou convenção. Experimentos e incertezas, a impermanência. E sou a minha língua e voz, modulações obscuras e à deriva, nenhuma mensagem nem sentido, despsicologizado entre o insulto e o inusitado, como se o prazer no fundo do oceano para que ninguém veja ou ouça ou sinta. Se não tenho para onde ir no meio dessa sensaboria, vou pra biblioteca. E lá, cedinho, de um dos livros que saquei numa das estantes, escapou a cena e eu espanquei o pobre de Baudelaire: Só é igual a outro aquele que disso dá prova, e só é digno da liberdade aquele que sabe conquistá-la. Na surpresa do fato, o agradável ficou por conta de chegada da professora Roselene Santos com o projeto Inclusão e Espaços Publicos, e alunos das escolas CAIC-José do Rego Maciel, Aloisio Sebastião e Lar Heleninha. Ela e a professora Rosielma Santos trouxeram duas deficientes visuais que leram meu cordel em braile e eu fiquei maravilhado com uma menina solta a tagarelar altiva na dinâmica com Thayná Mikaele, Thays Leandro, Tamires Milena e Rayane da Silva, todas acompanhadas dos pais Adilson Leandro e Josenilda Maria. E rolou poesia, cantoria e dinâmicas; cá comigo era Paulo Freire: A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades. E Boaventura de Souza Santos: Temos direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. O universalismo que queremos hoje é aquele que tenha como ponto em comum a dignidade humana. A partir daí, surgem muitas diferenças que devem ser respeitadas. E era Carlos Drummond de Andrade: Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar. E era Emma Thompson: Ser deficiente não deve significar ser desqualificado de ter acesso a todos os aspectos da vida. E era Salvador Allende: Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos. E era José Saramago: Há que deixar as pessoas serem como são. Vivendo em suas diferenças e a partir de seus próprios pressupostos culturais. E nisso, a até então tímida assistente social Chiara Santos se mostrou esfuziante aos meus olhos fascinados com a conversa encetada, enquanto a encantadora Sil Neves conversava com Zé Ripe sobre a Academia. Ah, que bom! Assim o mimético ali e a minha diegese. E é só o começo, quem frágil e excluído, afinal. Do lado de fora outros adultos embotados seguiam catatônicos na sua normose, além da memória porque duas mulheres falavam de suas dores, talvez Medeia, uma delas – tudo é possível e a se repetir ao infinito no meio de um cruel vodu eternamente implacável e a iminência da queda: uma vaca mugiu pelas ruas, um pai foi nocauteado pelas dívidas, um vira-lata latiu com criaturas invisíveis e era outra temporada, o isolamento e o solipsismo pelas frestas das coisas decadentes, os oitenta tiros em Evaldo Pereira e a comemoração tímida de Marta artilheira de todas as copas. Eu preciso sonhar para não sucumbir ao descartável, quantos embates e discordâncias, desenquadrado e contra a corrente. Como assim? Não é nenhuma fábula pinçada do cotidiano às portas fechadas. Sou corpo estranho, talvez, ainda tenho o futuro nas mangas, posso sacá-lo e ainda rir do mundo: apenas celebrar a vida. Até mais ver.

 

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terça-feira, dezembro 03, 2019

VIRGINIA WOOLF, PAIGE BRADLEY, WALTER LIMA JÚNIOR, INCLUSÃO & CARTA DE DEZEMBRO


CARTA DE DEZEMBRO - A cabeça vira o mundo, os olhos atentos a todos os lugares: quanto mau humor ao redor. Enquanto isso, o Sol brilha e sorri, nem nos damos conta. Aqui, ali acolá, os dentes rangem e acumulam tensões, resmungos, preocupações, nem percebemos que uma criança brinca às gaitadas, perdemos a inocência. Ao contrário disso, carrancudos, aos pontapés e palavrões demonstramos nossa fúria pelo que deu errado ou nem isso. Maldizemos da vida, esmurramos os ventos, basta qualquer contrariedade do que requer o umbigo e o egoísmo, e nada vale mais a pena, estouvados entre pugnas e estorvos. Quando não é isso, são as cenas e gritarias do noticiário, ilhados de informações e problemas globais que sobrecarregam a bagagem mental: feições sombrias nas ruas, violência e autodestruição vinte e quatro horas por dias, cinco dias por semana, doze meses por ano. Será mesmo que o mundo está acabando e não dará mais tempo para sermos felizes nem que seja por um momento, aproveitando já das liquidações relâmpagos do mercado ou das escusas informações privilegiadas de que amanhã vai tudo rebentar nas bolsas financeiras e tudo irá pro espaço, remediando já o que não deu para prevenir e tudo vai desembestado, seja lá como Deus quiser. Tudo muito lamentável, nem dá tempo para perceber o quanto sofremos, quanto mais para arrependimento. Por isso mesmo, findamos empanturrados, entupidos, exaustos, desencorajados, uma vida esburacada e poeirenta que enguiça nossas ideias sem sabermos lidar com isso, quantas guerras, vexames e discussões, que Deus nos acuda, afinal. Como tudo acabará ninguém sabe, nada é de repente nem de um dia para o outro, vem de dias, meses, anos, décadas, séculos, milênios, quanto vício e simulacro. Em quantas situações nos pegamos irritados, nervosos, enraivecidos, devotados avarentos: isso lá é vida, ora! A sobrevivência, os compromissos assumidos, tudo se desajusta, são as decisões que valem a vaidade e a escravidão, o desequilíbrio, nem poderia ser de outro jeito, senão como é que seria acaso não tivesse feito na hora certa, era tudo ou nada. E passou, nem era para tanto. Como é que finda, o corpo aguenta ou estoura. E assim vai ou racha. Um sorriso apenas e tudo poderia ser bem diferente. De minha parte, não tenho nada a ver com isso. Como não sou o dono da verdade, sei dos devires, tudo muda, tudo passa. Tive que fundir os cinco elementos e liberei a energia para que o fogo queimasse brando dentro de mim. Assim faço para que meu sangue possa fluir: a água mantém acesa a chama, absorvendo os poderes que são da Terra que piso e me dá a força para caminhar, do brilho da emanação solar que me guia aonde vou, das forças aéreas que me enchem o pulmão e me fazem cada vez mais vivo, das águas que me inspiram e me encanto com a Natureza ao me dizer que viver vale a pena e sou grato, faço a minha parte, o que me cabe na vida. Diante de tudo isso e a qualquer momento respiro profundamente, controlo meu coração e fecho os sentidos: faço um em quatro e retorno ao etéreo para dominar minha vida e morte, gozo do céu e da serenidade necessária: apenas um sorriso, nada mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Shakespeare teve uma irmã; mas não procurem por ela na vida do poeta escrita por Sir Sidney Lee. Ela morreu jovem — ai de nós! Não escreveu uma só palavra. Está enterrada onde os ônibus param agora, em frente ao Elephant and Castle. Pois bem, minha crença é de que essa poetisa que nunca escreveu uma palavra e foi enterrada numa encruzilhada ainda vive. Ela vive em vocês e em mim, e em muitas outras mulheres que não estão aqui esta noite, porque estão lavando a louça e pondo os filhos para dormir. [...] Extraindo sua vida das vidas das desconhecidas que foram suas precursoras, como antes fez seu irmão, ela nascerá. Quanto a ela chegar sem essa preparação, sem esse esforço de nossa parte, sem essa certeza de que, quando nascer novamente, achará possível viver e escrever sua poesia, isso não podemos esperar, pois seria impossível. Mas afirmo que ela viria se trabalhássemos por ela, e que trabalhar assim, mesmo na pobreza e na obscuridade, vale a pena. Trechos extraídos da obra Um teto todo seu (A Room of One’s Own, 1929 - Nova Fronteira, 1985), da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui e aqui.

O CINEMA DE WALTER LIMA JÚNIOR
Só me interessa um cinema humanista, da linhagem de Murnau, Sjostrom e Rosselini, um cinema que revitalize o cinema, essa coisa longe que se perdeu... Esse cinema supertecnizado, com incríveis efeitos especiais, só serve para acabar com nossa imaginação. Tanta é a liberdade que não nos sobra nada para sonhar. No duro, eu acho que cinema é para filmar a natureza e o desejo humano. Só.
WALTER LIMA JÚNIOR – O cinema do diretor Walter Lima Júnior que é bacharel em Direito pela UFF e também atuou na direção de diversos dicumentários para a televisão brasileira. Da sua obra cinematográfica destaco o drama/fantasia A Ostra e o Vento (1997), que conta a história de uma jovem que foi criada sem contato com o mundo, pelo pai viúvo e repressor que é o faroleiro de uma ilha distante, enquanto ela sufocada pela solidão, desabrochando de menina em mulher, o Vento se transformará na sua única companhia. (O trecho acima destacado foi retirado de A Ostra e o Vento revitaliza o novo cinema, de Arnaldo Jabor na Folha de São Paulo, 23 de setembro de 1997). Outro a ser destacado aqui é o premiado filme Brasil Ano 2000 (1969), que conta a história ocorrida um ano após a Terceira Guerra Mundial, acompanhando-se a odisseia de uma menina e sua mãe por um Brasil devastado. Também o drama A lira do delírio (1978), em que os participantes de um bloco de carnaval se cruzam num cabaré da Lapa carioca, ocasião em que o filho de uma dançarina é sequestrado e, para descobrir o assassino e as razões do crime, ela conta com a ajuda de um repórter policial, que ao mesmo tempo também investiga um homicídio contra um homossexual. Por fim, merece destaque o romance fantasia Ele, o boto (1987), baseado numa lenda amazônica do boto, que supostamente seduz e engravida mulheres em noite de lua cheia, quando ele vem à terra e se transforma em humano, para seduzir e ser amado pelas mulheres e odiado pelos homens. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Muitas dessas pessoas acreditam que já não há mais nada a acrescentar a arte de fazer esculturas figurativas realistas, acham que tudo já foi feito. Segundo eles, a verdadeira arte agora é ser um "visionário" ao invés de apenas mostrar o talento e habilidade. Assim, as esculturas desapareceram de galerias, museus, coleções importantes, feiras de arte e outros espetáculos. Os poucos de nós que restaram, não temos mais lugar para expor e nossa voz deixou de ser ouvida. Muitos escultores passaram a lecionar por falta de oportunidades. Aí parei e pensei que se eu quisesse permanecer na área de belas artes, teria que me juntar aos contemporâneos e fazer arte contemporânea. Eu sabia que esta era hora de deixar para trás todas as habilidades refinadas que adquiri ao longo dos anos, e manter apenas a confiança no processo de fazer arte. O mundo da arte me dizia que eu tinha que quebrar os meus paradigmas, a minha base, deixar minhas paredes desmoronar, expor-me completamente, e somente assim eu encontraria a verdadeira essência do que eu precisava dizer.
PAIGE BRADLEY – A arte da escultora estadunidense Paige Bradley, conhecida por bronzes figurativos representativos. Ela se tornou popularmente conhecida por seu conceito de escultura, Expansion, uma obra de bronze e eletricidade. Veja mais aquiaqui.

INCLUSÃO & DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Imagem: Operários de Tarsila do Amaral.
Reunião de textos e avaliações sobre inclusão aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, março 01, 2018

SIENKIEWICZ, BURFORD, CASTAÑEDA, MILLÔR, DELEUZE, BERGSON, TONINHO HORTA, RUTH KLIGMAN, HARBSMAIER, IKUKO KAWAI, MULHERES & INCLUSÃO

É DUM DIA PRO OUTRO QUE A GENTE VAI VIVENDO – Imagem: arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). - UMA: DO MUITO QUE APRENDI PRO NADA QUE SEI - Muito aprendi na vida! O resultado? Qual Sócrates, aprendi nada de nada, desaprendi para aprender. Sim, tive que desaprender de tudo, nada do que tinham garantido por líquido e certo, apenas parecia, jamais seria verdadeiro. O que me deram por definitivo, era só efêmero. O que me disseram por eterno, era para lá de falso ou, no máximo, instantâneo, triz, já era, areia ou nuvem levada ao vento. O que me ensinaram, quando fui ver, era o contrário, quando muito apenas o que queriam que eu soubesse do que sabiam. Ou pior: que acreditasse na mentira que inventaram. Tive por mim que brincar de certo e errado, até saber que cara ou coroa é só jogo. Daí, tive que aprender a conviver com o paradoxal e a contradição: o que é, não é; o que não é, é; ou não, talvez. Desdenhei do ortodoxo, fui até onde deu a heterodoxia e nada me satisfez porque o defendido era só ilusão ideológica, prisão do maniqueísmo na fúria sectária. Até então o que havia decorado e aprendido, na prova dos nove, valia nada, zero na estaca. Tive que me refazer dentro do desconforme, e me reinventar fora dos moldes, ousar e renascer fora do convencionado. Por consequência, o que eu tinha por direito, foi tomado; o que tinha por meu, não era, sabia que nem nada nem ninguém poderiam ser de quem quer que fosse. Aí duvidei de tudo, graças a Deus! E não queria apenas mais o que ouvia meus ouvidos, ou o que tocava às minhas mãos, ou saboreava minha boca, ou cheirava meu olfato, sabia já a lição que os olhos me negavam, pois para que eu veja não preciso de olhos abertos e para que eu ouça não preciso ouvir o que dizem e para que eu diga não preciso falar e para que eu saiba dos cheiros não preciso senti-lo pelo nariz, foi o que me ensinou William Blake: Ver um mundo em um grão de areia e um céu numa flor selvagem, é ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora. Não preciso de nada, nem preciso ser nada, nem saber nada, sou o que me basta e voo além. OUTRA: ZÉ-CORNINHO & A COMADRE MORTE – Zé-Corninho parece que não tinha mais um pingo de juízo pra remédio. Achando pouca a bruguelada, inventou de emprenhar a mulher e aumentar a filharada. O problema era arrumar padrinho, ninguém queria ser mais seu compadre. Os nascidos eram todos devidamente batizados e apadrinhados, uns trinta e três, acho, coisa que ele não acertava contar, depois dos quinze parecia que tinha mais e se perdia recontando. Danou-se! Era uma tuia de menino, dizem que nenhum dele de mesmo, tudo resultado da infedilidade das ditas esposas dele que fugiam no cangote de outros amantes. E como ele já tinha pra mais de dez casamentos, nem ele sabe, todas embuchavam e sacudiam os recém-nascidos nas costas dele pra criar. É tudo filho meu legítimo!, bate até hoje ele o pé, ninguém acredita e deixam pra lá. Acontece que o caçula estava para rebentar e sem padrinho arranjado pro batismo. Ele saiu angariando a um e a outro, todos se recusaram. Será possível? Ele não desistiu e saiu de porta em porta até estrada afora quando bateu de frente com a Morte. Olá, comadre, como é que vai? Vou bem, e você? A senhora, por um acaso, não aceitaria ser minha comadre batizando meu filhinho caçula? Claro que aceito, vamos fazer uma grande festa e garantir o melhor futuro pra ele! Oba! E assim foi, no dia certo, a parteira anunciou mais um pra coleção do Zé. A festa corria solta quando a Morte chamou o compadre do lado e cochichou: Agora vamos garantir o futuro da criança, você ficará rico, vai curar gente, só você me verá e, então, diante de um doente, se eu estiver na cabeceira é que vai ser curado; se eu estiver no pé da cama, é caso perdido. Certo e ajustado, lá foi Zé-Corninho curando o povo e ficando rico. Um dia lá um ricaço estava pagando uma fortuna para salvar o filhinho dele e quando Zé chegou lá, a comadre estava no pé da cama. Eita! Zé resolveu passar a perna na comadre, mandando virar a cama de ponta cabeça e a comadre ficou na cabeceira, obrigada a salvar. A Morte ficou possessa de raiva e jurou se vingar. Um dia lá a comadre resolveu pegá-lo na virada e foi convidá-lo para ir na casa dela: Eu vou, mas só se você garantir que eu volto. Garanto. E foram. Lá chegando Zé se deparou com um bocado de vela pelo chão, uma atrás da outra, encarreada. O que é isso, comadre? É a vida das pessoas na terra. Eita! Essa é do seu amigo fulano, aquela da sua amiga sicrana, essa outra do seu vizinho beltrano, e no meio da coisa Zé ficou curioso pra saber da sua: Qual? Aquela. Vixe! Um toquinho já se apagando. Ah, comadre, mas a senhora prometeu que eu voltaria. E vai voltar. Lá estava Zé em casa, morre mas num morre, até que fez um último pedido: Permita, comadre, que eu reze um Pai-nosso antes de morrer. Concedido. E ele começou a rezar e parou. Vamos, conclua a reza! Agora não, a senhora prometeu que eu só morreria quando terminasse a reza, só vou findar daqui uns cem anos. A Morte saiu injuriada, Zé estava sabido que só e passou-lhe a perna pela terceira vez. Aí um dia lá, anos e mais anos, Zé teve um desgosto danado e disse: Ah, só queria morrer agora pra não ver uma desgraça dessa! Mal terminou de dizer e a comadre já estava toda feliz do lado dele: Agora você me paga, compadre! Calma, comadre, eu não disse quando, só falei que queria e não quero, ora, ora. Rasgou a boca de novo. (Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore, baseada em material recolhido por folcloristas brasileiros). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Foot on the road, Durandi Kid 1 & 2; da violinista japonesa Ikuko Kawai: Jupiter form de Symphony The Planett, Exodus & Sun Flower; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Tu não podes ver o que não podes explicar. Trata de esquecer de tuas explicações e começarás a ver. [...]. Trecho extraído da obra A erva do diabo: as experiências indigenas com plantas alucinógenas reveladas por Dom Juan (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998). Veja mais aqui e aqui.

OUTRA PRO DIADevemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles, estaríamos hoje falando tupi-guarani, língua que não entendemos. Uma das muitas do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui.

SACADA: O QUE NÃO DIZ NADA, DORME! - Um behuana (nativo da atual Botsuana, na África meridional) perguntou um dia que eram aqueles objetos sobre a mesa. Quando lhe foi dito que eram livros, e que esses livros contavam novidades, levou um deles ao ouvido e, como não ouviu nenhum som, disse: “Este livro não está me dizendo nada”. Pondo-o de novo sobre a mesa, comentou: “Será que está dormindo?”. Extraído da obra Invention of writing (Unwin Hyman, 1988), de Michael Harbsmaier.

COISAS DO SER HUMANO - [...] Nenhuma divindade, ninguem mesmo, a não ser um invejoso, se compraz com a minha impotência e com o meu desgosto, e toma por virtude as lágrimas, os soluços, o temor e outras coisas do mesmo gênero que são o sinal de uma alma impotente; mas, pelo contrário, quanto maior é a alegria que nos afeta, maior é a perfeição a que passamos, isto é, tanto mais participamos , necessariamente, da natureza divina. Por conseguinte, usar as coisas e delas extrair o maior prazer possível (não, é claro, até a saciedade, pois isso já não daria prazer) -, eis o que é próprio do homem sábio...Os supersticiosos, que gostam mais de censurar os vícios do que ensinar as virtudes, e que não se aplicam a conduzir os homens pela Razão mas a contê-los pelo temor, de tal modo que evitem mais o mal do que amem as virtudes, não pretendem outra coisa senão tornar os outros tão infelizes como eles próprios são; deste modo, não é de admirar que eles sejam, o mais das vezes, insuportáveis e odiosos aos outros homens. Trecho extraído da obra Espinoza e os signos (Rés, 1989) do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995). Veja mais aqui.

DEPOIMENTO INCLUSÃOA inclusão é possível, sim, mas desde que todos se adaptem, pessoas com deficiência e sem deficiência. Não há dicotomia: nem só a sociedade se adapta ou só os portadores de deficiência. [...] É, principalmente, uma questão de educação, de formação. [...] Porque é difícil: o ser gumano não sabe lidar e não sabe tratar com o que não conehce; sua tendência é agredir. É também necessário estar sempre trabalhando poara o preparo emocional de todos, pois há uma tendência ao boicote, da pessoa portadora consigo mesma e dos outros em relação a ela. [...] Porque é conversando, abordando, falando que essas questões serão desmistificadas, e a sociedade poderá se tornar inclusiva. Trecho de Um depoismento sobre Inclusão, de Gabriela de Chevalier, portadora de hemiparisia, formada em História e Design & Estilo, extraído da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 2009), organizado por Rosane Carneiro, Nely Wyse Abaurre, Monica Armon Serrão et al. Veja mais aqui e aqui.

A EVOLUÇÃO CRIADORA - [...] Todos os seres vivos estão ligados, e todos cedem ao mesmo formidável impulso. O animal tem a planta como ponto de apoio, o homem cavalga na animalidade, e a humanidade inteira, no espaço e no tempo, é um imenso exercito que galopa ao lado de cada um de nós, à frente e atrás de nós, numa arremetida capaz de vencer todas as resistências e de atravessar todos os obstáculos, talvez até a morte. [...]. Trecho extraído da obra A evolução criadora (Delta, 1964), do filosofo francês Henri Bergson (1859-1941), Prêmio Nobel de 1927. Veja mais aqui.

DEVEMOS SEGUI-LO - [...] Cina ainda era demasiado moço para que a vida para ele perdesse toda atração. E a filha de Timão, Antéia, acabou por deixá-lo totalmente escravizado. Anteia não era menos formosa que seu pai, em toda Alexandria. [...] Timão não permitia que ela vivesse encerrada em um gineceu, como as demais mulheres. Dera-lhe uma instrução tão alta quanto podia. [...] Era companheira de Timão em todas as elucubrações. [...] O velho sábio amava-a enternecidademente. [...] Quando Cina a viu, pela primeira vez, teve impetos de erigir para ela um altar no atrio de sua casa e sacrificar pombos em sua honra. Havia conhecido inúmeras mulheres em toda sua vida. Desde as jovens do norte, cujos cílios tinham a cor do trigo maduro, até as da Numídia, negras como as lavas. Mas, até ali, jamais havia encontrado tal beleza nem tão pura alma. Quanto mais a via, mais a admirava. Quanto mais a ouvia falar, mais supreendido ficava. De tal forma se sentia enfeitiçado pelo seu encanto que, às vezes, embora nãoa acreditasse em deuses, surpreendia-sae pensandop que talvez Anteia não fosse filha de Timão e sim de algum deus. [...] Anteia era diferente de outras mulheres. Desejou que fosse sua, para poder adorá-la. Para obter tal favor estava pronto a dar a própria vida. Para ele, valia mais ser pobre, junto dela, do que ser poderoso como César, sem ela. O amor apossou-se dele com a mesma força com que um remoinho se apoderava de quem se aproxima de seu circulo. De tal forma o dominava, que absorvera seus pensamentos, sua alma, seus dias e suas noites. Nada mais existia para Cina senão o amor por Anteia. Por fim, Anteia também se sentiu atingida pelo mesmo sentimento. [...]. Trecho do conto Devemos segui-lo, extraído da obra O faroleiro & outros contos (Delta, 1962), do escritor polaco & Prêmio Nobel de Literatura de 1905, Henryk Sienkiewicz (1846-1916).

DOIS POEMASESTRELA: Estrela / companheira / se és compassiva / conosco irás junto / este ano e vamos vê-la / na glacial distância inteira / brilhante viva / a teus pés muitos. O FOGO: Nestes dias de inverno / a lareira acendemos: / sçao dois seres somente / a fazer sacrifício. / O nosso combustível: / os jornais deste dia ; frio devem servir / colaunas de palabras / e homens no local / escuro onde arde o fogo. / E colhemos então / e gentilmente pomos / as estilhas de pau / que nos restam, até / havermos erigido / uma espécie de pira / e tumba para a coisa / pesada a levantamos / nos braços, oferenda / ou criança, e a pomos / sobre as barras de ferro / junto agora acendemos ; e a besta salta viva / e ficamos de pé / sangrando com a luz. Poemas do poeta modernista estadunidense William Burford.

CIRANDA FEMININA NA MATA SUL
Acontecerá nesta quarta, às 10hs, na Biblioteca Fenelon Barreto, o lançamento do livro Ciranda feminista na Mata Sul: uma luta em movimento, publicação desenvolvida sob a coordenação do SOS Corpo e promovida pela Articulação de Mulheres da Mata Sul, sob a condução de Eliane Nascimento, Alexsandra Bezerra e Maria Solange do Rego. Veja mais aqui.

Veja mais:
Crônica de amor para ela, Senhora Magdala de José Condé, Magdalena de Pablo Milanés & Joaquín Sabina, Fonte, a arte de Ruth Kligman & Todo dia é dia da mulher aqui.
O Trabalho da Mulher aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Kid Malvadeza aqui.
Tzvetan Todorov, Oduvaldo Vianna Filho, Os epigramas de Marcial, Jacques Rivette, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Sandro Botticelli, Carmen Silvia Presotto & Egumbigos no país dos invisíveis aqui.
Antonio Gramsci aqui.
Fecamepa, Psicologia Escolar, Sonhoterapia, Direito & Família Mutante aqui.
O Monge & o executivo, Neuropsicologia, Ressocialização Penal &Educação aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade e Educação Sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação, Direito Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Aids & Educação aqui.
Sincretismo Religioso aqui.
Racismo aqui.
Levando os direitos a sério de Ronald Dworkin aqui.
Ética & moral aqui.
A luta pelo direito de Rudolf Von Ihering aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia & Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Cantarau Tataritaritatá: vamos aprumar a conversa aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

A ARTE DE RUTH KLIGMAN
A arte da pintora abstrata estadunidense Ruth Kligman (1930-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...