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terça-feira, dezembro 03, 2019

VIRGINIA WOOLF, PAIGE BRADLEY, WALTER LIMA JÚNIOR, INCLUSÃO & CARTA DE DEZEMBRO


CARTA DE DEZEMBRO - A cabeça vira o mundo, os olhos atentos a todos os lugares: quanto mau humor ao redor. Enquanto isso, o Sol brilha e sorri, nem nos damos conta. Aqui, ali acolá, os dentes rangem e acumulam tensões, resmungos, preocupações, nem percebemos que uma criança brinca às gaitadas, perdemos a inocência. Ao contrário disso, carrancudos, aos pontapés e palavrões demonstramos nossa fúria pelo que deu errado ou nem isso. Maldizemos da vida, esmurramos os ventos, basta qualquer contrariedade do que requer o umbigo e o egoísmo, e nada vale mais a pena, estouvados entre pugnas e estorvos. Quando não é isso, são as cenas e gritarias do noticiário, ilhados de informações e problemas globais que sobrecarregam a bagagem mental: feições sombrias nas ruas, violência e autodestruição vinte e quatro horas por dias, cinco dias por semana, doze meses por ano. Será mesmo que o mundo está acabando e não dará mais tempo para sermos felizes nem que seja por um momento, aproveitando já das liquidações relâmpagos do mercado ou das escusas informações privilegiadas de que amanhã vai tudo rebentar nas bolsas financeiras e tudo irá pro espaço, remediando já o que não deu para prevenir e tudo vai desembestado, seja lá como Deus quiser. Tudo muito lamentável, nem dá tempo para perceber o quanto sofremos, quanto mais para arrependimento. Por isso mesmo, findamos empanturrados, entupidos, exaustos, desencorajados, uma vida esburacada e poeirenta que enguiça nossas ideias sem sabermos lidar com isso, quantas guerras, vexames e discussões, que Deus nos acuda, afinal. Como tudo acabará ninguém sabe, nada é de repente nem de um dia para o outro, vem de dias, meses, anos, décadas, séculos, milênios, quanto vício e simulacro. Em quantas situações nos pegamos irritados, nervosos, enraivecidos, devotados avarentos: isso lá é vida, ora! A sobrevivência, os compromissos assumidos, tudo se desajusta, são as decisões que valem a vaidade e a escravidão, o desequilíbrio, nem poderia ser de outro jeito, senão como é que seria acaso não tivesse feito na hora certa, era tudo ou nada. E passou, nem era para tanto. Como é que finda, o corpo aguenta ou estoura. E assim vai ou racha. Um sorriso apenas e tudo poderia ser bem diferente. De minha parte, não tenho nada a ver com isso. Como não sou o dono da verdade, sei dos devires, tudo muda, tudo passa. Tive que fundir os cinco elementos e liberei a energia para que o fogo queimasse brando dentro de mim. Assim faço para que meu sangue possa fluir: a água mantém acesa a chama, absorvendo os poderes que são da Terra que piso e me dá a força para caminhar, do brilho da emanação solar que me guia aonde vou, das forças aéreas que me enchem o pulmão e me fazem cada vez mais vivo, das águas que me inspiram e me encanto com a Natureza ao me dizer que viver vale a pena e sou grato, faço a minha parte, o que me cabe na vida. Diante de tudo isso e a qualquer momento respiro profundamente, controlo meu coração e fecho os sentidos: faço um em quatro e retorno ao etéreo para dominar minha vida e morte, gozo do céu e da serenidade necessária: apenas um sorriso, nada mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Shakespeare teve uma irmã; mas não procurem por ela na vida do poeta escrita por Sir Sidney Lee. Ela morreu jovem — ai de nós! Não escreveu uma só palavra. Está enterrada onde os ônibus param agora, em frente ao Elephant and Castle. Pois bem, minha crença é de que essa poetisa que nunca escreveu uma palavra e foi enterrada numa encruzilhada ainda vive. Ela vive em vocês e em mim, e em muitas outras mulheres que não estão aqui esta noite, porque estão lavando a louça e pondo os filhos para dormir. [...] Extraindo sua vida das vidas das desconhecidas que foram suas precursoras, como antes fez seu irmão, ela nascerá. Quanto a ela chegar sem essa preparação, sem esse esforço de nossa parte, sem essa certeza de que, quando nascer novamente, achará possível viver e escrever sua poesia, isso não podemos esperar, pois seria impossível. Mas afirmo que ela viria se trabalhássemos por ela, e que trabalhar assim, mesmo na pobreza e na obscuridade, vale a pena. Trechos extraídos da obra Um teto todo seu (A Room of One’s Own, 1929 - Nova Fronteira, 1985), da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui e aqui.

O CINEMA DE WALTER LIMA JÚNIOR
Só me interessa um cinema humanista, da linhagem de Murnau, Sjostrom e Rosselini, um cinema que revitalize o cinema, essa coisa longe que se perdeu... Esse cinema supertecnizado, com incríveis efeitos especiais, só serve para acabar com nossa imaginação. Tanta é a liberdade que não nos sobra nada para sonhar. No duro, eu acho que cinema é para filmar a natureza e o desejo humano. Só.
WALTER LIMA JÚNIOR – O cinema do diretor Walter Lima Júnior que é bacharel em Direito pela UFF e também atuou na direção de diversos dicumentários para a televisão brasileira. Da sua obra cinematográfica destaco o drama/fantasia A Ostra e o Vento (1997), que conta a história de uma jovem que foi criada sem contato com o mundo, pelo pai viúvo e repressor que é o faroleiro de uma ilha distante, enquanto ela sufocada pela solidão, desabrochando de menina em mulher, o Vento se transformará na sua única companhia. (O trecho acima destacado foi retirado de A Ostra e o Vento revitaliza o novo cinema, de Arnaldo Jabor na Folha de São Paulo, 23 de setembro de 1997). Outro a ser destacado aqui é o premiado filme Brasil Ano 2000 (1969), que conta a história ocorrida um ano após a Terceira Guerra Mundial, acompanhando-se a odisseia de uma menina e sua mãe por um Brasil devastado. Também o drama A lira do delírio (1978), em que os participantes de um bloco de carnaval se cruzam num cabaré da Lapa carioca, ocasião em que o filho de uma dançarina é sequestrado e, para descobrir o assassino e as razões do crime, ela conta com a ajuda de um repórter policial, que ao mesmo tempo também investiga um homicídio contra um homossexual. Por fim, merece destaque o romance fantasia Ele, o boto (1987), baseado numa lenda amazônica do boto, que supostamente seduz e engravida mulheres em noite de lua cheia, quando ele vem à terra e se transforma em humano, para seduzir e ser amado pelas mulheres e odiado pelos homens. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Muitas dessas pessoas acreditam que já não há mais nada a acrescentar a arte de fazer esculturas figurativas realistas, acham que tudo já foi feito. Segundo eles, a verdadeira arte agora é ser um "visionário" ao invés de apenas mostrar o talento e habilidade. Assim, as esculturas desapareceram de galerias, museus, coleções importantes, feiras de arte e outros espetáculos. Os poucos de nós que restaram, não temos mais lugar para expor e nossa voz deixou de ser ouvida. Muitos escultores passaram a lecionar por falta de oportunidades. Aí parei e pensei que se eu quisesse permanecer na área de belas artes, teria que me juntar aos contemporâneos e fazer arte contemporânea. Eu sabia que esta era hora de deixar para trás todas as habilidades refinadas que adquiri ao longo dos anos, e manter apenas a confiança no processo de fazer arte. O mundo da arte me dizia que eu tinha que quebrar os meus paradigmas, a minha base, deixar minhas paredes desmoronar, expor-me completamente, e somente assim eu encontraria a verdadeira essência do que eu precisava dizer.
PAIGE BRADLEY – A arte da escultora estadunidense Paige Bradley, conhecida por bronzes figurativos representativos. Ela se tornou popularmente conhecida por seu conceito de escultura, Expansion, uma obra de bronze e eletricidade. Veja mais aquiaqui.

INCLUSÃO & DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Imagem: Operários de Tarsila do Amaral.
Reunião de textos e avaliações sobre inclusão aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, março 07, 2013

AVE SÓLIDA DE VCA, NURIA AMAT, VITA SACKVILLE-WEST, SCHREINER, STEINEM & CAETÉS

 


AVE SÓLIDA DE VCA – Em minhas mãos um livro em cujas páginas deparei: O lance de búzio sempre abolirá o acaso o poeta traz céu fechado com tres dísticos versus oito monósticos, mais cinco poemas de abril, cinco poemas de 2010, quatro canções cadentes ou império de areia, dois poemas de março, poema novo (Num pátio alvacento em que brancos restos de luar derramam-se vento sul pousa...) leveza convulsa, alicerces da luz, visão alta, sacro esquecer, cálculo de borboleta, os olhos da luz, RM (Quando ícone morre \ ou se despedaça \ a iconoclastia avança \ um milimetro cresce a jaça), O poeta (O que move o poeta no intante da poesia ele não sabe...). No Visível invisível com citações de Cioran, Baudelaire, Blanchot e Astrogildo Pereira, O poeta combate o anjo (como Rilke) com versos de poemas Enquanto Edgard agonizava a indiferença da enfermaria me consolova o olhar etéreo Edgard via poesia, Noturno, Cova de Aurora, Decleração imperemptória (do poeta impefeito), A morte do trema, Alvo imperecível, A estirpe morrer (A morte também apodreve como a vida...), Vágaro, Ambígio passo histórico (Deteve a espada de Belisário vândalo passo de godos), Brinde ao amor, Canto do Desencanto, Devaneio do éter, Tarefa, Vazio azul (Dilema ao leitor: o azul é vazio ou o vazio é azul...), como rumos mortos, o todo da alma do mundo, viabilize o invisível, 20 de maio de 1915, Dedicanto, mais citações de Fernando Pessoa, Valéry, Blanchot, Sartre, Heráclito e a última estrofe do lírico-épico poema Sísifo, de Marcus Accioly, onde o poeta assume ser o mito. No Intermezzo Lírico, com citações de Lezama Lima, Cioran, epígrafes de Lezama Lima, Folhas caídas, Percurso do verão no rosto e a morte do coração, As veias noturnas do desejo, A alma na sala, Libro, Erótica e serpente, enterro do amor, Para ela curvam-se arco-íris, amor terrestre, afora reunir no volume epígrafes do Manifesto do Realismo Épico de Marcos Accioly, epígrafes de Octavio Paz, traz um texto e um adendo de Cláudio Veras. Assim traz de cara: Quando eu estiver à morte \ não deixem \ que estranhos se apossem \ do meu último sorpo... E o poeta lança sua ave para lá de sólida no reino da Poesia Absoluta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O segredo do sucesso é a concentração... Prove tudo um pouco, olhe para tudo um pouco, mas viva por uma coisa... Porque agora não temos Deus. Tivemos dois: o velho deus que nossos pais transmitiram para nós, que nós odiamos, e nunca gostei. O novo que fizemos por nós mesmos, que amamos. Mas agora ele se afastou de nós, e vemos o que ele era feito - a sombra do nosso mais alto ideal, coroado e ofendido. Agora não temos Deus. Pensamento da escritora e ativista sul-africana Olive Schreiner (1855-1920). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A verdade te libertará. Mas primeiro, ela vai te enfurecer. Sem saltos de imaginação, ou sonhos, nós perdemos a excitação das possibilidades. Sonhar, afinal de contas, é uma forma de planejar... Pensamento escritora, jornalista e ativista estadunidense Glória Steinem. Veja mais aqui e aqui.

 

RAINHA COCA – [...] A identidade só é produtiva quando não se pensa nela. Não há nada mais estéril para uma pessoa ou um país do que afirmar-se sem parar, porque sempre se afirma negando o outro. [...]. Trecho extraído da obra Queen Cocaine (City Lights, 2005), da escrutora espanhola Nuria Amat. Veja mais aqui.

 

A TERRA - Essa foi uma primavera de tempestades. Eles rondaram a noite; \ Relâmpago de baixo nível cintilou no leste\ Contínuo. A branca flor de pêra brilhava\ Imóvel nos flashes; os pássaros estavam parados;\ Escuridão e silêncio amarrados ao suspense,\ Dividido pelo brilho premonitório\ Da tempestade furtiva, um gigante que girou uma espada\ No horizonte baixo, e com piso\ O tremor da terra sempre \ ameaçou sua aproximação, \ Mas para atrasar seu terror manteve-se distante, \ E manteve a terra esperando como uma besta\ Curvou-se para receber um golpe. Mas quando ele caminhou\ Descendo de seu trono de colinas sobre a planície,\ E quebrou sua raiva em mil cacos\ Sobre os campos prostrados, então saltou a terra\ Orgulhoso em aceitar seu desafio; bebeu sua chuva;\ Sob seu vento repentino, as árvores dela se agitaram;\ Abriu seu seio secreto para suas flechas;\ As grandes gotas respingaram; então acima da casa\ Trovão estourou, e o pequeno lambril balançou\ E o jardim verde no raio estava. Poema da escritora britânica Vita Sackville-West (1892-1962), conhecida como The Honorable Lady Nicolson, figurando como o principal modelo do romance 'Orlando' de Virginia Woolf, de 1928.

 



CAETÉS
Cau-ete, mata primitiva. Tribo indígena oriunda do tronco tupi que vivia no território tribal compreendido entre a ilha de Itamaracá, Igarassu, Pernambuco, até a foz do rio São Francisco, na divisa dos estados Alagoas e Sergipe.
Na Carta de Pero Vaz de Caminha esta tribo é apresentada como de feição parda, algo avermelhadada, de bons rostos e bons narizes, em geral são bem feitos, andam nus, sem cobertura alguma, não fazendo menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso são tão inocentes como quando mostram o rosto. Estudos demonstram que eles eram exímios pescadores e caçadores, construtores de embarcações e que cultivavam milho, feijão, fumo e mandioca.
A tribo caeté entre em confronto com os portugueses tão logo foram sendo escravizados para desenvolvimento da cana-de-açúcar. Entrando em confronto com os propósitos lusitanos, tornaram-se inimigos destes. Mantinham comércio com holandeses e franceses.
Esta tribo indígena é acusada pela história oficial como aquela que. por ocorrência do naufrágio do navio Nossa Senhora da Ajuda, em 1556, nos nos baixios de d. Rodrigo,hoje Barra de São Miguel, em Alagoas, que levava o bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, quando este e seus 98 tripulantes caem nas mãos e se tornam vítimas dos índios antropófagos. Tal incidente provocou a fúria da Igreja e da Inquisição, a ponto de promover juntamente com forças lusas uma repressão para dizimá-la completamente da face da terra.
Hoje vários estudos colocam em dúvida o incidente antropofágico que resultou na alcunha de que todo alagoano é um papa-bispo, direcionando que a verdadeira morte do primeiro bispo do Brasil ocorreu por vingança do Governador Geral, Duarte da Costa e seu filho Alvaro da Costa que poderiam ter tramado tal crime e incriminando os caetés. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BIBLIORAFIA RECOMENDADA
ABREU, João Capistrano. Capítulos de história colonial: 1500 – 1900. Brasília: EUnB, 1982.
ALBUQUERQUE, Isabel Loureiro de. Notas sobre a História de Alagoas. Maceió, SERGASA, 1989.
ALBUQUERQUE, Manoel Mauricio. Pequena História da Formação Social Brasileira. Rio de Janeiro: Graal, 1986.
ALTAVILA, Jayme de. História da Civilização das Alagoas. Maceió, Biblioteca Pública Estadual, 1967.
______. Bibliografia de autores alagoanos. Maceió: Catavento/Fundação Municipal de Ação Cultural, 2001.
BARBALHO, Nelson. Cronologia Pernambucana- Subsídios para a História do Agreste e do Sertão. Recife: FIAM, 1982.
BRANDÃO, Moreno. Alagoas e seu desenvolvimento histórico. Ver. Do IHGAL. Maceió, v. VII, p. 48-60, jan-mar, 1916
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______. Brasil: terra à vista! Porto Alegre: LP&M, 2003.
______. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.
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SOUTHEY, Robert. História do Brasil. São Paulo: Obelisco, 1965.
STADEN, Hans. Duas Viagens ao Brasil. São Paulo: EDUSP, 1974.
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THOMÁS, Cláudio. História do Brasil. São Paulo: FTD, 1964.
VARNHAGEN, Francisco A. História Geral do Brasil. São Paulo, 1928.




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