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segunda-feira, abril 14, 2025

HWANG BO-REUM, CYNTHIA FRANCO, CLAUDIA WERNECK, JUAREIZ & AMAURI CAMINHA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Archetypes (Cedille Records, 2021) e Window To The World (Vectordisc Records, 2022), da premiada compositora, pianista, cantora e arranjadora Clarice Assad. Veja mais aqui.

 

Lá vai o poeta porque a vida é uma canção de amor... - Foi Marquinhos quem trouxe um doido e a maldição da lucidez. E me levou lá na Praça da Luz – local já conhecido do saudoso casal Mestre Biu & dona Carminha. Lá estava o poeta que gozava de prestígio pela edição inaugural da antologia Poetas dos Palmares, afora outros tantos idos e acontecidos. Tinha eu lá por volta dos meus 12 anos de idade e, dias depois, conversa vai, conversa vem, ousei passar pra ele os meus rabiscos adolescentes. Ele se riu e soltou: Vamos publicar. Ora, ora. Era eu um menino da beira do rio que se jactava por conta dumas quadrinhas pra professora do primário que foram publicadas no Júnior do Diário de Pernambuco, mais uns tresloucados versos no jornal estudantil do Grêmio Castro Alves e outros estampados nos murais na Biblioteca Pública, mais nada. Ele dava corda e eu sabia: tinha topete pra isso não. A peitica dele seguia e vieram as Noites da Cultura Palmarense com Durán & a turma toda, as figurinhas trocadas sobre o poeta Raymundo e Vinicius de Moraes pros cadernos da Nova Caiana e revista Poesia. E era Zé Terra inquieto lá em casa dias e noites segurando a saia de Solange grávida de João Guarani, ao meu violão com pot-pourri de Paulo Diniz e a festa bebemorada no Poema para Léa com Vanderléa e Egberto Gismonti, afora as noitadas com Lourdes contando das muitas de Ascenso, a comemoração pelo nascimento de Mariama, da organização de Jessiva pro Voltarei ao sol da primavera com Roberto Benjamim. Muitas páginas escritas e soltas, cadernos arrumados aos monturos, volumes selecionados, capas e canetas, resmas e recortes, festejávamos diariamente na legendária Livro 7, quando não às risadagens com o pau de índio de Olinda, o mingau de cachorro de Afogados, a sopa do peixe do Pra Vocês, os cabarés da Rio Branco, as reiteradas curtidas de Bridge Over Troubled Water da dupla Simon & Garfunkel pra canção que eu fiz pro seu Ponte sobre águas turvas, a cantoria desafinada de Palmares City às gargalhadas com o nosso jogral particular em uníssono: melhor do que Palmares só Paris e à noite, porque de dia a gente levava de lambuja! E nessas idas e vindas, 10 anos se passaram: estava ali prontinho da silva o meu primeiro livro – com a coordenação dele e as gentis participações de Ângelo Meyer e Paulo Profeta. E mais vieram: os lançamentos da Pirata, as primeiras edições de A Região, a sua presença marcante na estreia das minhas peças teatrais – O prêmio, em Palmares; e a Viagem noturna do Sol, em Recife -; as conversas sobre a encenação de João sem terra do Hermilo com Paulo Cavalcanti – O caso conto como o caso foi; os brindes dos copos ao som de Junco do Seridó e as viradas de noite com Marca Ferrada. Décadas se passaram até o reencontro para a bombástica entrevista concedida pro meu Guia de Poesia lá no Rio de Janeiro e, muito tempo depois, a acertada com a tradução do Vivar pro Americanto na noite de Maceió, os 70 setembros. Foram muitas e tantas de perder a conta nos meandros da memória. Hoje meu coração entoa aquela canção para Abya Yala do Mílton: Qualquer dia a gente vai se reencontrar... Até mais ver.

 

Karen Blixen: Quando você tem uma tarefa grande e difícil, algo talvez quase impossível, se você trabalhar apenas um pouco de cada vez, um pouco a cada dia, de repente o trabalho terminará sozinho... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Catherine Belkhodja: Todos conhecem e compartilham os sofrimentos do outro, do peso do abandono, da inevitabilidade de um acontecimento que já passou. Em seus torneios, acima de tudo uma esplêndida história de amor... Veja mais aqui.

Cressida Cowell: Estamos todos arrebatando momentos preciosos das mandíbulas pacíficas do tempo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A FRONTEIRA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Amor \ Você viu o rasgo da lama? \ Foi a imigração: espelho negro \ Quantos estão procurando seus filhos desaparecidos? \ Ali, entre as paredes \ na área norte \ deserdado: Você é a fronteira \ abrigado na rocha e nos ventos frios \ Onde estão os mortos nascidos amor onde? \ No deserto talvez? Você nasceu no crepúsculo de Frontera? \ Onde você costuma ficar? Da montanha, talvez? Você cheira a sálvia em sua nostalgia \ Quantos mares eu acalmo para unir uma só linguagem de amor? \ Quantas cruzes, quanto eu cruzo? \ Quanta fome, quanta sede de família? \ Para unir, unir, unir as fronteiras! \ O eterno retorno, sempre se retorna, mãe, mãe sempre se retorna! \ Se você migrar, eu também vou! \ Tentaram me parar na fronteira \ Tentaram me parar na fronteira \ Não há vistos para o seu tipo, não, não, não \ De onde você é, eles me perguntaram? \ De todo lugar, de lugar nenhum, da ferida eu venho \ A fronteira me deu a primeira canção, eu nasci com a cara do céu afundando \ Tão violento quanto seu amor \ Para unir o amor eu tive que odiar e não lembrar \ Dizem que os pássaros migram para o sul. \ Mas acredito que eles sempre retornam para o norte, para a raiz que cresce para baixo \ e sem terra não \ De onde o vento traz o chamado da morte eterna, a sombra eterna \ Nós somos os Ixcuinan, os do norte \ Estamos dando à luz uma poesia que nos protege, uma canção \ Virgem da aurora, dai-me clareza e tranquilidade \ Estrela da manhã, dá-me luz e dá-me paz \ ao longo das fronteiras, eu canto.

Poema da escritora mexicana Cynthia Franco.

 

BEM-VINDO À BIBLIOTECA - [...] Os livros não são feitos para permanecer na sua mente, mas no seu coração. Talvez eles existam na sua mente também, mas como algo mais do que memórias. Em uma encruzilhada na vida, uma frase esquecida ou uma história de anos atrás pode voltar para oferecer uma mão invisível e guiá-lo para uma decisão. Pessoalmente, sinto que os livros que li me levaram a fazer as escolhas que fiz na vida. Embora eu possa não me lembrar de todos os detalhes, as histórias continuam a exercer uma influência silenciosa sobre mim. [...] A vida é muito complicada e expansiva para ser julgada somente pela carreira que você tem. Você pode ser infeliz fazendo algo que gosta, assim como era possível fazer o que não gosta, mas obter felicidade de algo totalmente diferente. A vida é misteriosa e complexa. O trabalho desempenha um papel importante na vida, mas não é o único responsável por nossa felicidade ou miséria [...] Cada um de nós é como uma ilha; sozinho e solitário. Não é algo ruim. A solidão nos liberta, assim como a solidão traz profundidade às nossas vidas. Nos romances que eu gosto, os personagens são como ilhas isoladas. Nos romances que eu amo, os personagens costumavam ser como ilhas isoladas, até que seus destinos gradualmente se entrelaçaram; o tipo de história em que você sussurra, 'Você estava aqui?' e uma voz responde, 'Sim, sempre.' [...] Em vez de se agonizar sobre o que você deve fazer, pense em se esforçar em tudo o que você está fazendo. É mais importante tentar o seu melhor em tudo o que você faz, não importa o quão pequeno possa parecer. Todo o seu esforço vai somar em algo. [...] Um dia bem aproveitado é uma vida bem vivida. [...] Para encontrar a felicidade, faça o que você gosta. Todos vocês devem encontrar algo que gostem de fazer, algo que os deixe animados. Em vez de perseguir o que é reconhecido e valorizado pela sociedade, faça o que você gosta. Se você puder encontrar, não vacilará facilmente, não importa o que os outros pensem. Seja corajoso. [...]. Trechos extraídos da obra Welcome to the Hyunam-Dong Bookshop (Bloomsbury, 2023), da escritora sul-coreana Hwang Bo-reum.

 

INCLUSÃO DE VERDADE – [...] A inclusão é uma proposta de uma transformação política da sociedade, uma alteração estrutural, onde o mundo precisa ser preparado não para as pessoas que têm deficiência, mas para todos. [...] Estão enganados, portanto, os que acreditam que o conceito de inclusão está relacionado somente às pessoas que têm uma deficiência. Não é. Ele tem a ver com o ser humano. [...] Trata-se de uma longa trajetória de exclusão, de não-reconhecimento, de não-entendimento de que pessoas que nascem com uma síndrome genética são detentoras de direitos como o de estar na escola, no trabalho, em todos os espaços sociais. [...] Para os pais, o maior desafio é conseguir colocar o seu filho com a maior dignidade numa escola regular de qualidade, para que eles sejam reconhecidos como parte da geração a quem pertencem, que eles possam desde cedo se exercitar eticamente junto com pessoas da mesma idade e, juntos, participar deste grande exercício que é se tornar cidadão. Para a sociedade, o grande desafio é olhar para uma pessoa com síndrome de Down e não achar que ela é o exótico da natureza. Isto é um grande equívoco. Esta é uma ideia profundamente segregacionista, quase nazista. Este é, portanto, o grande desafio da sociedade, vencer seu próprio ranço na visão deturpada que ela tem de pessoas que representam a diferença. [...] A escola inclusiva nada mais é do que uma escola de qualidade para todos. [...] Hoje, dirijo o meu trabalho para a formação de guerrilheiros pró-inclusão. Adolescentes e universitários que vão saber exatamente como olhar uma pessoa com deficiência e não vê-la mais como diferente da sociedade, mas uma pessoa integrante e indispensável dela [...]. Trechos da entrevista Inclusão reflete riqueza humana (BBC Brasil, 2003), concedida pela jornalista e ativista Claudia Werneck, que é autora do livro Muito Prazer, Eu Existo: um livro sobre as pessoas com Síndrome de Down. (WWA, 1993), a fundadora idealizadora da Escola de Gente e pioneira na disseminação do conceito de sociedade inclusiva (ONU) na América Latina.

 

MOVIMENTOS DESPEDAÇADOS...

[...] Nunca poderemos perder as esperanças. Ou acreditamos ou nada acontecerá. Portanto, o nosso sonho não está acabado, vamos atrás desse sonho, possivelmente nossa geração não alcançará, mas, à geração do futuro certamente... [...]

Trecho extraído do livro Movimentos despedaçados e outras histórias (JC, 2024), do escritor e militante político Amauri Cavalcanti Caminha.

&

JUAREIZ CORREYA NO TTTTT

Reunião de textos do poeta e editor Juareiz Correya (1951-2025) aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.




 


quinta-feira, maio 26, 2016

OSCAR WILDE, PAULO FREIRE, YANTO LAITANO, KIRCHNER, ERICKA HERAZO, CORPO, LARRY CARLSON & POESIA DO RECIFE

OS FEITIÇOS DA PAIXÃO (Imagem: The True Lovers, by Ericka Herazo) - Quando é manhazinha, ela é Iaravi mortal raínha do fogo e tão fulgurante quanto a majestade do Sol iluminando os mais recônditos mistérios vitais de todas as coisas despertas. O dia nasce nos seus olhos de festa, as pálpebras erguidas com seu terno e radiante riso lindo de espanto a me olhar fixamente como quem descobre a maior grandeza daquilo que não sou. E me envolve com seu jeito maternal no êxtase do enternecimento e flagro a sua língua passeando nos contornos escarlates dos seus suaves e provocantes lábios rubros que se exaltam da boca voluptuosa de todos os beijos e cantos e poemas e paixões. E sou mais dela que de mim mesmo ao ser-me dado o prazer do seu sobejo mais que purificador a me lavar o corpo e a alma. E me fita lindamente enamorada a me estender suas mãos hábeis para que eu seja devidamente encantado com o que há de mais exuberante no universo, a me agraciar com todos os prêmios concedidos a qualquer mortal. E mais que revigorado com a ânsia aerdente de suplicar seus beijos mais que estimulantes na manhã ensolarada e sou mais que cobiça à sua entrega enrubescida. E me devolve o fôlego com a graça de sua cabeça ligeiramente inclinada pro lado, quando sou rendido por sua risonha face a me contemplar dos seus quereres e ao se aproximar com um beijo pronto e sinto sua ofegante respiração roçando meu rosto e o seu hálito doce e cálido e seus beijos que recendem ao mel e me dão a mais farta doçura de todos os prazeres. É quando vem o crepúsculo e o seu entardecer se insinua para a noite advena, ela se torna possuidora de um raro poder e com uma secreta fórmula de encanto se transforma Freya, a mais estonteante emanação do que possa haver de impossível em toda paragem. E é de tal maneira exuberante que sua excitação a transforma no que há de mais fascinante para imaginar sob a forma de mulher. E sou envolvido por seu intenso desejo inebriado por uma desvairada voluptuosidade arrebatadora e, com efeito, a sua aparição é muito mais que todos os meus sonhos noturnos e diários, quando de modo impulsivo ela age com sua proposital sedução a me enlevar num paraoxismo enlouquecedor a me fazer desbravar as ondulações lascivas do seu corpo sensual que se desvanecem entre os raios do luar e a faz dotada de todos os atributos de deusa a desfilar toda graça e desembaraço sobre o meu desmesurado apetite. É nela que a prodigalidade da criação se manifesta nas formas que se encontram na mais perfeita ordem para que eu me desfaça e vibre na mais tensa e deliciosa expectativa do caos na sua lapa de grandeza. Esse o meu premio, esse o seu feitiço e bruxaria a comungar do amor da mais bela entre as mulheres e que faz feliz meu coração. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui

 Imagem: a arte do pintor expressionista alemão Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938)


Curtindo o álbum Horizontes e Precipícios (2010), do compositor, pianista, cantor e produtor Yanto Laitano, mestre em composição pela UFRS.

PESQUISA
Ação cultural para a liberdade e outros escritos (Paz e Terra, 1981), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Poesia viva do Recife: 100 poetas vivem, amam e eternizam a cidade (Companhia Editora de Pernambuco, 1996), organização do escritor, editor, produtor e agitador cultural Juareiz Correya. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: Portrait of Oscar Wilde, by Steve Justice.
Hoje em dia tendemos a considerar a vida como uma investigação teórica, mas ela não é uma investigação: é um sacramento; o ideal dela é o amor, a sua purificação é o sacrifício.
Trecho extraído do livro Aforismos (Newton Compton Brasil, 1995), do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Imã (2009), coreografia do espetáculo comemorativos dos 40 anos da companhia de dança contemporânea mineira Corpo, fundada em 1975. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Emmanuel Lévinas, Mario Perniola, Sivuca, Maria Helena Kühner, Jaci Bezerra, Emanuel Leutze, Maria Clara Gueiros & Dorothea Lange aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Colage (2012), by Larry Carlson.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

domingo, março 29, 2015

LIPOVETSKY, ECO, ŽIŽEK, MOEMA, ARMORIAL, FRIEL, JUAREIZ E A HISTÓRIA DA FEIÚRA.


NA AVENIDA JATIÚCA, MACEIÓ – Imagem: Praia de Jatiúca, Maceió – AL. - Vestidas lindamente naquelas indumentárias próprias de quem vai ou saiu da ginástica, duas distintas jovens filhas da classe média alta da cidade, conversavam animadamente sobre as últimas baladas que postaram no Facebook das amigas, quando uma delas, chaveiro no mindinho, inadvertidamente retirando seu celular último modelo da bolsa, deixou justo pelos enganchos do chaveiro, cair sua carteira no chão. Elas estavam tão espalhafatosamente exibindo seus penteados e apetrechos no meio do converseiro exaltado, que nem se deram conta do imprevisto. Um garoto de rua, descalço e sem horizonte, viu o que aconteceu e foi até lá, apanhou a carteira e disse: - Moça! Uma delas irritadamente respondeu: - Sai pra lá, trombadinha, tenho moeda pra esmola não. O garoto insistiu: - Moça! A outra muito mais irada virou-se pro garoto e fez um sermão. No meio da reprimenda o menino mostrou pra ambas a carteira de uma delas que havia caído. Logo a dona gritou: - Ladrão, quer roubar minha carteira! Trombadinha! E entrou numa histérica gritaria tomando do menino a carteira: - Trombadinha! Socorram, trombadinha! Gritava e conferia um a um dos cartões de crédito, das cédulas do dinheiro, dos documentos, enquanto o menino, olhos grandes na circunstância, ficou sem saber o que estava acontecendo. Logo alguns salvadores de plantão acorreram e imediatamente seguraram o menino pelo braço já aos puxavanques, não ouvindo o que ele repetia: - A carteira dela caiu, fui entregar. Moucos e cegos por justiça, logo uma viatura da polícia militar ia passando ao que chamaram atônitos, desceram dois soldados que tomaram ciência do ocorrido, pegaram o menino pelas orelhas e fundilhos, sacudiram-no no porta-malas e zarparam. Nunca mais ninguém viu nem se ouviu falar daquele garoto. Veja mais aqui e aqui.

MOEMA – Imagem: Moema (Óleo sobre tela, 129 X 190 cm, 1866), do pintor e professor catarinense Victor Meirelles (1932-1903) - Uma das índias apaixonadas pelo conquistador Diogo Álvares (Caramuru, o Filho do Trovão) que morreu afogada nadando para acompanhar o navio que o levava de volta à Europa. A pintura de Victor Meirelles retrata a pose sensual do corpo morto da jovem índia, deitado à beira do mar, com a tanga presa apenas a um dos lados dos quadris, a perna esquerda apoiada numa rocha e os cabelos soltos espalhados na areia. Veja mais aqui.

Ouvindo: Do Romance ao Galope Nordestino (1974) do grupo de música instrumental pernambucano Quinteto Armorial que criou uma música de câmara erudita com raízes das tradições populares do Nordeste brasileiro. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O IMPÉRIO DO EFÊMERO – O livro O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas (Companhia das Letras, 2009), do filósofo, professor e teórico da Hipermodernidade Gilles Lipovetsky, trata de temas sobre o feérico das aparências, a moda consumada, a sedução das coisas, a cultura à moda mídia e os deslizamentos progressivos do social, entre outros assuntos. Do livro destaco: A moda não pertence a todas as épocas nem a todas as civilizações: essa concepção está na base das análises que se seguem. Contra uma pretensa universidade transhistórica da moda, ela é colocada aqui como tendo um começo localizável na história. Contra a ideia de que a moda é um fenômeno consubstancial à vida humano-social, afirmamo-la como um processo excepcional, inseparável do nascimento e do desenvolvimento do mundo moderno ocidental. Durante dezenas de milênios, a vida coletiva se desenvolveu sem culto das fantasias e das novidades, sem a instabilidade e a temporalidade efêmera da moda, o que certamente não quer dizer sem mudança nem curiosidade ou gosto pelas realidades do exterior. Só a partir do final da Idade Média é possível reconhecer a ordem própria da moda, a moda como sistema, com suas metamorfoses incessantes, seus movimentos bruscos, suas extravagâncias. A renovação das formas se torna um valor mundano, a fantasia exibe seus artifícios e seus exageros na alta sociedade, a inconstância em matéria de formas e ornamentações já não é exceção mas regra permanente: a moda nasceu. [...] Torrentes de “pequenos nadas” e pequenas diferenças que fazem toda a moda, que desclassificam ou classificam imediatamente a pessoa que os adota ou que deles se mantém afastada, que tornam imediatamente obsoleto aquilo que os precede. Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos, o espantoso dispositivo de distinção social conferido ao porte das novidades sutis. Impossível separar essa escalada das modificações superficiais da estabilidade global do vestir: a moda só pôde conhecer tal mutabilidade sobre fundo de ordem; foi porque as mudanças foram módicas e preservaram a arquitetura de conjunto do vestuário que as renovações puderam disparar e dar lugar a “furores”. Certamente, não que a moda não conheça igualmente verdadeiras inovações, mas elas são muito mais raras do que a sucessão das pequenas modificações de detalhe. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

HISTÓRIA DA FEIÚRA – Imagem: As tentações de Santo Antonio (1878), do pintor, desenhista, litógrafo e gravurista belga Felicien Rops (1833-1898). - O livro História da Feiúra (Record, 2007), organizado pelo escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco, sobre o feio no mundo clássico, um mundo dominado pelo belo, helenismo e horror, a paixão e o martírio, a visão pancalista do universo, a dor de Cristo, mártires, eremitas, penitentes, o triunfo da morte, o apocalipse: o inferno e o diabo, monstros e portentos, o feio: o cômico e obsceno, a feiúra da mulher entre a antiguidade e o Barroco, o diabo no mundo moderno, bruxaria, satanismo, sadismo, physica curiosa, o resgate romântico do feio, o inquietante, torres de ferro e de marfim, a vanguarda e o triunfo do feio, o feio dos outros, o Kitsch e o Camp, o feio hoje, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

UMA PIADA DO ŽIŽEK – No livro Bem-vindo ao deserto do real! - Estado de Sítio! (Boitempo, 2003), o filósofo, professor, teórico crítico e cientista social esloveno Slavoj Žižek conta a piada A tinta que falta, com o seguinte teor: Numa antiga anedota que circulava hoje na falecida República Democrática Alemã, um operário alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida pelos censores, ele combina com os amigos: “Vamos combinar um código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira”. Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul: “Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa – o único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha”. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.


AMERICANTO AMAR AMÉRICA – O excelente livro Americanto amar América e outros poemas do século XX – 40 anos de poesia (Panamérica Nordestal, 2010), reúne os poemas e livros publicados do poeta, editor e gestor cultural pernambucano Juareiz Correya. O livro traz desde as suas publicações no Jornal Olho (1970), as antologias Poetas dos Palmares, os seus livros Um doido e a maldição da lucidez (1975), Recity Recife Um (1976), O amor é uma canção proibida (1979), América Indignada (1986), entre outros poemas e livros. Para conferir melhor clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


THE LOOK OF LOVE – O filme The look of love (O olhar do amor, 2013), do cineasta britânico Michael Winterbottom, roteiro de Matt Greenhalgh e música de Antony Genn e Mark Slattery, conta a história do rei do sexo proprietário de boates e editor de revistas pornográficas, Paul Raymond, coroado pela imprensa em função do seu império de bilhões de libras na Inglaterra. O destaque mesmo do filme fica a atriz britânica descendente de irlandeses, Anna Louise Friel. Veja mais aqui



Veja mais sobre:
Um dia no meio das voltas que o mundo dá, o pensamento de Alan Watts, a música de Tatiana Catanzaro, a pintura de Joan Miró & Educação para paternidade/maternidade aqui.

E mais:
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, o cinema de Tim Fywell & Ashley Judd, Marilyn Monroe & Jayne Mansfield, a pintura de Fernando Botero, a música de Roberto Carlos, Psicologia Social: infância, imagem & literatura aqui.
Eu & ela na festa do céu, Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Umbigocentrismo, Doro & a embromação do banco aqui.
O lance da minissaia, Derinha Rocha & Zine Tataritaritatá aqui.
Itinerância, O segredo das mulheres de Albertus Magnus, a literatura de Bruce Chatwin & Eça de Queiroz, o teatro de Elias Canetti, a pintura de Henri Rousseau, a música de Samantha Fox, Políticas Públicas, a arte de Ana Claudia Talancón & Nobuo Mitsunashi aqui.
Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar, a literatura de Mario Vargas Llosa & Autran Dourado, o teatro de Máximo Gorki, a música de Sarah Vaughan, o cinema de Suzana Amaral, a pintura de Carl Barks, o folclore de Luís da Câmara Cascudo, a arte de Dianne Wiest, a fotografia de Jannyne Barbosa & A burrinha de padre aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer, A consciência fragmentada de Renato Ortiz, A teoria e a prática de Adalberto Marson, o teatro de Rubens Rewald, o cinema de Wayne Wang & Gong Li, a pintura de Geraldo de Barros & Katia Almeida, a música de Paula Morelembaum, a escultura de Émile Antoine Bourdelle, a coreografia de Eugenio Scigliano, a entrevista de Ulisses Tavares, a arte de Lisa Yuskavage & Wanda Pepi, Baghavad Gita, Neuroeducação & Até tu, Zé Corninho aqui.
Tudo tem seu lado bom & ruim & vice-versa, a obra secreta de Hermes Trismegistus, A linguagem de Ludwig Wittgenstein, O homem criador e sensato de Alan Watts, a música de Mozart & Alicia De Larroch, a poesia de Mariana Ianelli, a coreografia de Merce Cunningham, o teatro de Maria Adelaide Amaral & Marília Pêra, o cinema de Don Ross & Christina Ricci, a escultura de Aristide Maillol, a pintura de Johfra Bosschart & Sharon Sieben, a fotografia de Luiz Cunha, a ilustração de Ana Starling, Flor do Una de Juarez Carlos, a entrevista de Valquiria Lins, a arte de Rodrigo Branco, A criança: Vygotsky e o Teatro & O evangelho segundo Padre Bidião aqui.
Precisamos discutir sobre os próximos 20 anos, As vitórias e derrotas de Zygmunt Bauman, A vida íntima e privada de Fernanda Bruno, a coreografia de Janice Garrett, a poesia de Carolina de Jesus, o teatro de Tennessee William, o cinema de Jules Dassin & Melina Mercouri, a entrevista de Rejane Souza, a arte de Arlinda Fernandes & Alessandra Tomazi, a música de Irina Costa, Brincarte & Literatura Infantil, Luciah Lopez & Canção de quem ama além da conta aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro, o pensamento de Carl Gustav Jung, O homem e a sociedade de Wilfred Ruprecht Bion, A atualidade de Georg Simmel, a escultura de Wilhelm Lehmbruck, a literatura de Eduardo Caballero Calderón, o teatro de Oduvaldo Vianna Filho & Helena Varvaki, a arte de Tracey Emin & Samuel Szpigel, a entrevista de Katia Velo, a música de Tarita de Souza, a fotografia de Rebeka Barbosa, a arte de Karen Robinson & Luiz Paulo Baravelli, Cidadania nas Escolas, Por mais que a gente faça nunca será demais & Do que fui e o que não sou mais aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra, Platão, O afeto e o apego de Edward John Bowlby, Nascente & a entrevista de Geraldo Azevedo, Sociedade sem escolas de Ivan Illich, o teatro de Nelson Rodrigues, a pintura de Cândido Portinari, a música de Zap Mama & Marie Daulne, a coreografia de Katherine Lawrence, a fotografia de Ryan Galbrath & Mario Testino, a poesia de Bastinha Job, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, a arte de Rachel Howard, Depois das eleições & De cara pro futuro, levando tudo nos peitos, munheca em dia & pé na tábua aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...