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sexta-feira, maio 19, 2017

A PAIXÃO DE MADALENA FREIRE, A ARTE DE BILL EVERETT & ENCONTRO AMANTE


ENCONTRO AMANTE - Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez - Minhas mãos atormentadas buscam a sua presença enquanto recito a Elegia: indo ao leito, de Donne, e ei-la nua e linda diante dos meus olhos arregalados qual Safo a transpirar sedução. Não há como evitar e beijo-lhe os lábios ardentes e minhas mãos à face exposta ao anelo, adivinhando o semblante afogueado de quem faz como quem gosta e me aperta contra o peito a me corresponder aos beijos tantos, como se não mais houvesse tempo a perder ao abraço eterno. Alcanço-lhe o aroma na curva do pescoço, minha língua ao ombro acetinado, roçando-lhe a nuca ao arrepio e sinto-lhe as têmporas me envolvendo com seus ardores. O seio à mão acariciante, comprimido à palma a me dar o percurso dos braços requerentes e o frescor de sua nívea carne no esplendor da nudez, carnadura pros meus dentes na sua alvura aveludada, tudo tão louvável quanto oferecido, a se fazer alta pra minha adoração. Beijo-lhe os pés e a minha errante mão toma-lhe o calcanhar imobilizada, percorro entre as pernas adentrando seu joelho que arqueia e apalpo suas coxas, seguindo como lhe apraz na penetração do seu mistério, e alcanço o seu monte em brasa quebrantada de assaz prazer e a seu contento, a me dar quartel requestada, sirvo-me ao paladar de todo seu poderio ventral, acometido de prazer no seu rancho, suas orlas e margens, todas as suas paragens, seus flancos macios a remir repleta de amavios por seus quadris, tomo da cintura e sinto ao toque o calor de suas entranhas ígneas, em luta redobrada e qual navegante astuto, frente a frente, terra à vista, minha América, o reino de paz, a sua mina preciosa e o meu império, meu selo gravo a conquista e toda minha sem penitência nem decência, chegou ao céu cintilante que desvela o branco véu da sua nudez a me apossar da sua entrega derramada em torpor. Empunho a minha vela acesa, persigo suas veredas servindo-me parelha pra ser bem servida, apetecida, pra saborear suas vinhas ao se inclinar sobre o leito e a desfrutar da ondulação de suas ancas primorosas de bailarina lasciva, nas quais agarro e seguro firme cravando meus dedos nas suas costelas e recuo sem evasiva e retorno cavaleiro valoroso, indo e vindo no prazer que provém do corpo nu para minha honra abonada a gosto de quem se faz amante, a minha liberdade escravizada em sua esbelta compleição, arrancando-lhe as restrições, interditos, a ser-me ousado por seus vãos, desvãos, senões, para ser-me inteira sideral, entregue constelada com a vulva cremosa purgando-se da clausura e o meu membro alçado para arregaçá-la sobre o seu ventre, a chave certa pro segredo do seu cofre, pernas entre pernas atrevidas e a fenda portentosa que quer ir além, nada detém, sua mão provocadora conduz meu emblema viril e pulsante, a sua voz como quem goza pra me incendiar com a sua erupção e dentro dela esguicho a delícia de gozar no seu paraíso e a me fazer imortal vertendo a seiva do prazer no templo do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui.

PAIXÃO DE APRENDER & CONHECER O MUNDO
Todo fazer pedagógico nasce de um sonho. Sonho que emerge de uma necessidade, de uma falta que nos impulsiona na busca de um fazer. Sonhamos porque vivemos alimentados por nossas faltas... Num primeiro movimento desse sonhar pedagógico o ingrediente básico – porque ainda não iniciamos o fazer – é a idealização: capacidade de imaginar, idear, projetar fantasias, planejar idéias a serem executadas. Ou seja, faz parte do planejar a ação de sonhar que, neste primeiro movimento, ainda não está no plano das idéias, das hipóteses que estruturarão a ação pedagógica. No contato com a realidade pedagógica o mundo do sonho planejado, idealizado, pode sofrer choques (grandes ou pequenos, fracos ou fortes, em sintonia ou dessintonias) onde emerge um segundo movimento que é o do desilusionamento. Podemos ter duas possíveis reações no contato com esse movimento: ou caímos numa atitude pessimista, desesperançosa, fatalista ou incorporamos esse movimento como elemento constituidor do sonhar. Pois, é do sonho que construímos um fazer, “chegamos” a realidade e, é na realidade, tendo nosso sonho como parâmetro, que poderemos trabalhar o enfrentamento do idealizado, do fantasiado, do imaginado com o real. Para, assim, começarmos a nos instrumentalizar para a construção de um sonho mais real – adequado à realidade; agora não a realidade imaginada, fantasiada, mas a real. Será no fazer desse processo de sonhar – planejar – idealizar – desilusionar–se e reconstruir o sonho mais perto do possível, do realizável, nos limites que a realidade nos impõe, que poderemos agilizar em nós: Você não deve pensar: Eu não consigo, pois sonhar é fácil, mas, exige o exercício constante da persistência, da perseverança para a construção do rigor na ação do refletir – estudar – planejar – avaliar, na recriação permanente do sonho desejado; para que seu planejamento seja produto final conquistado. [...].
Trecho do artigo Planejamento: sonhar na ação de planejar, da professora, arte-educadora e pedagoga, Madalena Freire, autora das obras A paixão de aprender (Paz e Terra,. 1984) e Paixão de conhecer o mundo (Paz e Terra, 1983). Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
As flores maio, Os cantos de Ezra Pound, O poço dos milagres de Carlos Nejar, Neurociências, a música de Marku Ribas, a pintura de Fernand Léger, a fotografia de Waclaw Wantuch & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Albert Einstein, Quatro paredes de Jean- Paul Sartre, Indícios de oiro de Mário Sá-Carneiro, Liberdade de pensamento de Fichte, By by Brasil de Cacá Diegues, a música de B. B. King, a pintura de Jacob Jordaens & Programa Tataritaritatá aqui.
Carlo, uma elegia, a pintura de Edvard Munch & Zine Tataritaritatá aqui.
Direitos fundamentais e a Constituição Federal aqui.
A educação nos anos 70 e as desigualdades sociais aqui.
Renuído & IV Feira de Música, Viventes das Alagoas de Graciliano Ramos, Os cantos de Gonçalves Dias, Cibertextualidade de Lucia Santaella, O segredo de Rhonda Byrne, o teatro de Martins Pena, a música de Marianne Rosenberg, a pintura de Domingos Sequeira, a arte de Randy Bordner, o cinema de Im Kwon-taek & Lee Hyo-Jeong aqui.
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Ana Lins, a Revolução de 1817 & Todo dia é dia da mulher aqui.
Fonte & Crônica de amor por ela, Amor nos tempos de cólera de Gabriel García Márquez, O poema e arte de Paul Éluard, Amor & Sexo de Alan Watts, Carmina Burana de Carl Orff, A poesia erótica de José Paulo Paes, Apocalipse de Fernando Bonassi, o pensamento de Michel de Montaigne, o cinema de Ingmar Bergman & Birgitta Valberg, Kabuki de Maurice Béjart & o trabalho educativo de Rachel Lucena aqui.
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A ARTE DE BILL EVERETT
A arte do cartunista estadunidense Bill Everett (1917-1973), criador de historias em quadrinhos de sucesso. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
  
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
hoje eu acordei
[ ! ]assim, meio pássaro
sentindo a linha do horizonte
(...) bem aqui,
a um voo das minhas asas.
sem que eu pudesse alçar a liberdade
daqueles dias onde era impossível não ser feliz!
hoje eu acordei assim________________pássaro de mim!!
Imagens & poema: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

terça-feira, junho 07, 2016

GINA BIVER, EIKO OJALA, SOFAN CHAN, ARACAJU, RUDSON COSTA, POESIA ERÓTICA, CORRUPÇÃO & HISTÓRIA DO DIREITO


LUGOME, SUA FAMILIA, SEU INFORTÚNIO - (Imagem: Happy Family, da pintora australiana nascida em Hong Kong, Sofan Chan) – Alguns anos atrás apareceu pelas bandas de Alagoinhanduba, um certo cidadão que atendia pela graça de Lugome. Este senhor pretendia alugar imóveis para residência e negócio, com o fito de ali se estabelecer. Poucos dias depois adquiriu uma casa pro seu lar e alugou uma loja, na qual passou a atuar no ramo de farmácia. Poucos dias mais, o empreendimento fora igaugurado e logo se conheceu sua esposa e filhos, que eram seus funcionários. Por sinal, uma bela esposa e uma formosíssima filha adolescente. Por se tratar de gente boa praça, logo apareceram os fregueses e, com eles, convites para Maçonaria, Lions, Rotary, Legião da Boa Vontade, tornando-se ao cabo de poucos meses depois, paraninfo de turmas escolares e figura carimbada nos mais diversos eventos e efemérides dali. Durante a semana ele se dividia no atendimento da clientela no expediente laboral e, à noite, ao convívio caseiro quando não havia reuniões regulares da loja maçônica, sempre as segundas, e dos clubes de serviço, entidades religiosas e outras instituições das quais fazia parte, nos demais dias. No sábado o expediente se estendia até alta noite, quando fechava o estabelecimento e rumava para o restaurante com familiares. Como não tinham ali parentes, amigos ou aderentes, no domingo saíam para passear pela redondeza, conhecendo as paragens da região: praias, balneários, locais pitorescos. Lugome sempre fora um sujeito de casa para o trabalho. Aliás, ele e sua esposa Editilda, eram tidos como o casal padrão, sempre junto dos filhos Júnior e a mais que graciosa Dilinha. Diga-se de passagem, eram pessoas simpáticas, bem vistosas, destacando-se a beleza de mãe e filha, juntas pareciam mais irmãs. Não havia quem não passasse um rabo de olho de admiração para elas quando iam ou vinham nas calçadas. A mãe, diplomada em Pedagogia, tornara-se, também professora em escolas particulares e, depois de prestar concurso, ministrava aulas em escolas públicas. Os filhos estavam no curso secundário da melhor escola particular dali, andavam sempre juntos, poucas amizades e conversas com a população. O pai por ser comerciante era o porta-voz e o mais enturmado, enquanto a mãe se reduzia às relações com outras professoras, pais e alunos. Viviam na deles e só entre eles, nunca se sabendo de compadrios e amizades íntimas. Mais de dez anos, quase quinze por certo, já tidos como da sociedade local, de repente, fizeram as malas e arribaram da noite pro dia de domingo pra segunda, sem despedidas nem acenos. O que houvera? Ano passado topei com ele em um aeroporto do sul do país. Esperávamos a aeronave juntos, embora com destinos diversos: ele ficaria na primeira escala do voo dali pro sudeste e eu seguiria adiante até o nordeste. Enquanto aguardávamos o embarque, trocamos conversa, até que ele me confessou com face lívida e triste, o motivo de sua saída intempestiva de Alagoinhanduba. Você não sabe, rapaz – disse-me com tom lacrimoso bastante consternado -, fui vítima de uma situação para lá de constrangedora. Seguia num passeio domingueiro, numa manhanzinha em família, quando fulano (disse-me o nome, não me recordo, filho de um certo barão fazendeiro Rudenilio Brasilão que eu já ouvira falar), pediu-me para parar meu carro e quando o fiz, ele e os capangas da fazenda, uns doze ao todo, nos renderam, eu e minha família, escoltando-nos para um matagal perto de uma mata da bica de Xareta, em Japarandubas. Lá amarraram a mim e a meu filho, aprisionaram minha esposa e, se dizendo vingador da negativa da minha filha em aceitar-lhe o namoro, esbravejou já que ela não seria dele, não seria de mais ninguém. Furiosamente a estuprou violentamente na minha frente e aos gritos: - Vou desmoralizar você e todos da sua família, peste desgraçada. E abusou com torturas e penetrações anal, vaginal, oral, afora utilização de instrumentos pontiagudos e cilíndricos, canos de revolveres e espingardas enfiadas nas intimidades dela. Depois de satisfeito, exigiu que cada um dos capazes fizesse o mesmo com ela, enquanto ele e outros dois estupravam minha esposa, aos meus olhos e aos de meu filho, com a mesma sandice torturante. Presenciamos tudo, uma orgia de horas, sem poder gritar, armas engatilhadas na minha cabeça e na de meu filho, minha filha e esposa sofrendo com a selvageria sexual dos brutamontes. Quando as duas desmaiaram completamente ensanguentadas e nuas, eles se voltaram para mim e meu filho e nos espancaram até cairmos desacordados. Quando voltei à consciência, estava completamente cheio de dores por todas as partes do corpo, minha mulher e filha desfalecidas e meu filho desmaiado. Esforcei-me em carregá-los todos para o meu automóvel completamente danificado pela destruidora ação deles, e não sei como consegui chegar ao hospital, sermos medicados e receber alta quase de madrugada. Ao sair da emergência hospitalar não poderia fazer nada, a não ser juntar tudo que podíamos num caminhão que aluguei, carregando ali todos os móveis e estoque da farmácia para nunca mais voltar àquele lugar, nem vê a cara de mais ninguém dali. Minha mulher e filhas ainda hoje, tantos anos passados, ainda não se recuperaram por completo daquela trágica situação. Eu mesmo já não sei de mim nem de nada, aquela cena me persegue todos os dias e noites sem me deixar dormir. Vivo insone e conchilo a base de tranquilizantes. Só lhe contei tudo porque a gente não vai se vê nunca mais. Passe bem e até. Nem consegui dizer nada depois do relato, vez que ele se levantou bruscamente e rumou pro embarque. Tentei me restabelecer e seguir, já que íamos no mesmo voo. E como a aeronave estava cheia, não consegui localizá-lo nas poltronas para oferecer-lhe minha solidariedade. Resolvi deixá-lo em paz e fiquei com aquele relato repassando na minha cabeça. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 Imagem: a arte Digital papercuts do premiado designer gráfico e ilustrador estoniano Eiko Ojala.

Curtindo o álbum From Where I Sit (Independent, 2006), da compositora, professora, instrumentista multimídia & performática estadunidense Gina Biver.

PESQUISA
Fundamentos de história do direito (Del Rey, 2008), organizada pelo professor e doutor em Direito, Antonio Carlos Wolkmer, tratando sobre o direito nas sociedades primitivas, na antiguidade, na Idade Média, na modernidade e na atualidade. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Poesia erótica em tradução (Companhia das Letras, 2006), organizada pelo poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988), reunindo dos poetas gregos aos surrealistas, como Catulo, Ovídio, Aretino, Goethe, Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Apollinaire, Neruda & Joyce Mansour, entre outros. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] Em ambiente em que a corrupção predomina dificilmente se prospera um projeto para beneficiar os cidadãos, pois suas ações se perdem e se diluem na desesperança. De nada adiante uma sociedade organizada ajudar na canalização de esforços e recursos para projetos sociais, culturais ou de desenvolvimento de uma cidade, se as autoridades municipais, responsáveis por esses projetos, se dedicam ao desvio do dinheiro público.
Trecho recolhido da obra O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil (Ateliê, 2003), organizado por Antoninho Marmo Trevisan, Antonio Chizzotti, João Alberto Ianhez, José Chizzotti e Josmar Verillo.Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Sou da laia do mar de Aracaju,
Eu sou azul nas raias de lá, sou Atalaia Velha. (LAM)
Aracaju, da fotógrafa Luiza Machado.

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Norbert Elias, Alexander Pushkin, Jean-Luc Lagarce, Luis Fernando Veríssimo, Paul Gauguin, Eduardo Camenietzki, Luiza Curvo & Flávia Alessandra aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Arte de Rudson Costa.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quinta-feira, maio 26, 2016

OSCAR WILDE, PAULO FREIRE, YANTO LAITANO, KIRCHNER, ERICKA HERAZO, CORPO, LARRY CARLSON & POESIA DO RECIFE

OS FEITIÇOS DA PAIXÃO (Imagem: The True Lovers, by Ericka Herazo) - Quando é manhazinha, ela é Iaravi mortal raínha do fogo e tão fulgurante quanto a majestade do Sol iluminando os mais recônditos mistérios vitais de todas as coisas despertas. O dia nasce nos seus olhos de festa, as pálpebras erguidas com seu terno e radiante riso lindo de espanto a me olhar fixamente como quem descobre a maior grandeza daquilo que não sou. E me envolve com seu jeito maternal no êxtase do enternecimento e flagro a sua língua passeando nos contornos escarlates dos seus suaves e provocantes lábios rubros que se exaltam da boca voluptuosa de todos os beijos e cantos e poemas e paixões. E sou mais dela que de mim mesmo ao ser-me dado o prazer do seu sobejo mais que purificador a me lavar o corpo e a alma. E me fita lindamente enamorada a me estender suas mãos hábeis para que eu seja devidamente encantado com o que há de mais exuberante no universo, a me agraciar com todos os prêmios concedidos a qualquer mortal. E mais que revigorado com a ânsia aerdente de suplicar seus beijos mais que estimulantes na manhã ensolarada e sou mais que cobiça à sua entrega enrubescida. E me devolve o fôlego com a graça de sua cabeça ligeiramente inclinada pro lado, quando sou rendido por sua risonha face a me contemplar dos seus quereres e ao se aproximar com um beijo pronto e sinto sua ofegante respiração roçando meu rosto e o seu hálito doce e cálido e seus beijos que recendem ao mel e me dão a mais farta doçura de todos os prazeres. É quando vem o crepúsculo e o seu entardecer se insinua para a noite advena, ela se torna possuidora de um raro poder e com uma secreta fórmula de encanto se transforma Freya, a mais estonteante emanação do que possa haver de impossível em toda paragem. E é de tal maneira exuberante que sua excitação a transforma no que há de mais fascinante para imaginar sob a forma de mulher. E sou envolvido por seu intenso desejo inebriado por uma desvairada voluptuosidade arrebatadora e, com efeito, a sua aparição é muito mais que todos os meus sonhos noturnos e diários, quando de modo impulsivo ela age com sua proposital sedução a me enlevar num paraoxismo enlouquecedor a me fazer desbravar as ondulações lascivas do seu corpo sensual que se desvanecem entre os raios do luar e a faz dotada de todos os atributos de deusa a desfilar toda graça e desembaraço sobre o meu desmesurado apetite. É nela que a prodigalidade da criação se manifesta nas formas que se encontram na mais perfeita ordem para que eu me desfaça e vibre na mais tensa e deliciosa expectativa do caos na sua lapa de grandeza. Esse o meu premio, esse o seu feitiço e bruxaria a comungar do amor da mais bela entre as mulheres e que faz feliz meu coração. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui

 Imagem: a arte do pintor expressionista alemão Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938)


Curtindo o álbum Horizontes e Precipícios (2010), do compositor, pianista, cantor e produtor Yanto Laitano, mestre em composição pela UFRS.

PESQUISA
Ação cultural para a liberdade e outros escritos (Paz e Terra, 1981), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Poesia viva do Recife: 100 poetas vivem, amam e eternizam a cidade (Companhia Editora de Pernambuco, 1996), organização do escritor, editor, produtor e agitador cultural Juareiz Correya. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Imagem: Portrait of Oscar Wilde, by Steve Justice.
Hoje em dia tendemos a considerar a vida como uma investigação teórica, mas ela não é uma investigação: é um sacramento; o ideal dela é o amor, a sua purificação é o sacrifício.
Trecho extraído do livro Aforismos (Newton Compton Brasil, 1995), do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Imã (2009), coreografia do espetáculo comemorativos dos 40 anos da companhia de dança contemporânea mineira Corpo, fundada em 1975. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Emmanuel Lévinas, Mario Perniola, Sivuca, Maria Helena Kühner, Jaci Bezerra, Emanuel Leutze, Maria Clara Gueiros & Dorothea Lange aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Colage (2012), by Larry Carlson.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quarta-feira, maio 25, 2016

LORCA, ARENDT, GABRIEL PAREYON, TAMAYO, AFREMOV, VERA ROCKLINE, LIONEL WENDT, SERGIO RAMIREZ & NIEUHOF

JURAMENTO (Imagem: Lovers, do pintor israelense de origem bielorrussa Leonid Afremov). – Quando a tarde faz vida no mormaço do seu corpo, eu juro por todas as delícias de céu e da terra mergulhar nos ventos agitados de sua prodigiosa nudez sacudindo minha lucidez às raias da loucura e é quando sou de mim mais que real. Eu juro por sermos feitos pelo amor e para o amor, onde tomo por testemunho o meu corpo e o meu sangue no seu corpo e sangue, e não haverá perjúrio porque juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade porque a verdade é a sua alma nua exposta para a minha iniciação. E prometo pelo fogo do prazer no calor do seu sexo que se empanzina com o meu, linda, nua, caprichada de beleza acendendo a luz de todas as noites na beira do amor, pelando de febre, que cantarei aos berros a canção viva com versos queimando a pele, a cumprir que nos seja dado gozar feliz da vida para ir até longe de onde não se volta mais. E juro com os olhos vendados de paixão por seu corpo que carrega o tempo de muitas sedes no seu minadouro, como a maior e mais completa maravilha do mundo, enquanto a terra gira entre suas pernas e sexo febris com a gula das minhas mãos côncavas agarrando enlaçado na idade dos sonhos e que giram sem parar na corda bamba que me devolve multiplicadas vezes a vida que me faz mais vivo que nunca! E juro pela doçura dos seus lábios de orquídeas molhadas e com o cheiro do riso destamanho e o amor queimando a face, relâmpago nos seios na promessa de que em mim tudo de seu sobreviva, a tesão apaixonada se fortaleça e o que for do amor se concretize em nós. E juro por seu olhar de titânio com toda atração do meio dia e místicos fulgores dos que dão tudo à vida debaixo da chuva do edredom e onde a tempestade demorada inflama o paiol de todos os gozos desgovernados até o derradeiro pousar da voz de zis luxúrias do seu doce-de-leite coração. Por isso e só por isso eu canto inteiro com toda paixão a nossa eucaristia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

Imagem: arte da pintora rusa Vera Rockline (1896-1934).
Curtindo o álbum Gethoo xa’ñekua ra getho (Cantares de autorreferencia, 2012) & Ro Mähki 'Ñu Ro Yohnite (Essemble Aleph – Carnet de Bord / O diário de bordo) & Nangu na Ngoni XTA xi thutsi mä Tuhu (Em cada sopro são escritos todos os nomes, 2003), do polímata, compositor e musicólogo Ph.D. mexicano Gabriel Pareyon.

PESQUISA
Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil (Martins, 1948), do viajante holandês Johan Nieuhof (1618-1672). Veja mais aqui.

LEITURA 
Obra poética completa (Martins Fontes/EdUnB, 1989), do escritor e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruina que seria inevitável. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disto, com antecedência para tarefa de renovar o mundo comum.
Extraído do livro Entre o passado e o futuro (Perspectiva, 2002), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
América, do pintor mexicano Rufino Tamayo (1899-1991).

Veja mais sobre Dante Alighieri, Ralf Waldo Emerson, Luigi Pirandello, Mário de Andrade, Guido Crepax, Mark Gertler & Mikko Härkin aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Opiate dreams (1950), do pianista, fotógrafo, crítico e cineasta Lionel Wendt (1900- 1944).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: Engravings exhibition, do pintor e artista gráfico Sergio Ramirez.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...