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quinta-feira, outubro 15, 2020

OLALLA COCIÑA, GREENAWAY, HANNAH ARENDT, CACILDA BECKER, BESSA-LUÍS, NÍNIVE CALDAS & RODOLFO LOEPERT


  

TRÍPTICO DQC: PRIMEIRO ATO: O ÁTIMO DO ENCONTRO - Meu quarto e o mundo: a parede acendeu para meu espanto! Não me acostumara ainda com isso, a solidão persistente. A imagem refletida desta vez era do Coliseu e lá longe uma mulher vestida tal qual a coreógrafa belga, Anne Teresa de Keersmaeker na Rosa de Greenaway, gesticulava sozinha, dançava, fazia acrobacias e gesticulava. Pude ver-lhe o talhe, estonteantemente sensual. Aproximou-se e recitou Hannah Arendt: O novo sempre aparece contra esmagadoras chances estatísticas e suas probabilidades, que, para todos os efeitos práticos, todos os dias equivale a certeza; o novo, portanto, sempre aparece sob o disfarce de um milagre. Novos passos e a bailarina radiante às piruetas, rolando no chão e com expressões performáticas a explorar todo espaço do monumento. Bailarina? Demorou a responder e, depois de se contorcer aos rebolados remexendo-se descalça, chegou bem perto dos meus lábios e disse-me ser o seu sonho: o de bailar ao ar livre. De repente, virou-se e tornou a virar como se fosse Augustina Bessa-Luís: Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição? A frivolidade é também uma forma de hipocrisia porque as pessoas não são aquilo. A pessoa, quanto mais frívola nos parece, mais esconde a sua natureza profunda. Aproximou-se mais ofegante e inesperadamente beijou-me com sofreguidão. Quase sem fôlego me rendi ao seu ataque sedutor, vasculhando sua escultural compleição. Abraçou-me com fervor incendiando todo meu ser eletrizado pela cobiça de tê-la mais que inteira e nua. Soltou-me bruscamente, saiu até um recanto extremo e distante, apanhou um par de sapatos e voltou apressada: Vamos! Quem era ela, qual o seu nome, não sei. Queria saber. Olhou-me compenetrada, deu-me a mão e saímos enamorados sem rumo tarde afora.

 


SEGUNDO ATO: O FOGO DO FECAMEPA - Imagem: O Coliseu, Roma - Itália, do fotógrafo Rodolfo Loepert – Personagens da cena: Máscara que chora (MQC), Máscara que ri (MQR) e Coisomínion (C) – MQC: Eita, os cometas estão tirando cada fino na terra, hem? MQR: Vixe! Aquela num é a atriz Cacilda Becker? Pelo vestido colado no corpo, ela está sem calcinha! Nossa que pernas! C: Quero que todos se fodam! MQC: Se um meteoro desse cai aqui, babau! MQR: Hahahahahaha! C: Tou com Jesus, os outros que se fodam! (Ouve-se manchetes do noticiário. Som de BG) Locutor em off: No Fecamepa as últimas notícias: Fogo dizima a Amazônia, o Pantanal e várias áreas do território brasileiro! (Aumenta o BG - Labaredas tomam conta do coliseu, ao fundo matas queimadas se sobressaem. Som de música tétrica). MQC: O noticiário aqui é muito deprimente, além de falso e trágico, também é tendencioso. MQR: Ora, ora, vamos todos consumir, maior queima nas vitrines! Tudo vira cinzas no carnaval do capitalismo! C: Queria mesmo que desse uma enchente dessas bem avassaladoras com fogo, trovões, relâmpagos, explosões e tudo pra dizimar de vez com a raça dos comunistas, dos pretos, gays, pobres e principalmente da desgraça nordestina, ô pragas! MQC: Essas notícias são de matar um do coração! MQR: Vamos comprar mais, vamos queimar as promoções! Tem cada coisa barata, liquidação dessa nunca se viu, essa é a hora de comprar mesmo, ou agora ou nunca! C: Se eu fosse o presidente eu botava esse povo todo numa câmara de gás, tudo amarrado em nome de Jesus, aleluia! Aleluia! (Baixa o pano).

 


TERCEIRO ATO: QUEM DELA ERA - Anoiteceu um céu de nenhuma estrela. Não sabia onde estávamos, havíamos envolvidos por uma multidão atenta a uma encenação histriônica. Ela ria e mais apertava minha mão contra o seio. Sussurrou ao meu ouvido da saudade de tudo e queria saber como andava o país depois da ditadura militar, não havia tido notícia e entristecida ao tomar conhecimento das últimas que lhe contara do retrocesso todo e desgoverno geral. Fez-me sentar ali mesmo na calçada ao seu lado, uma lágrima escorreu na sua face e consternada incorporou a si mesma: Viver é ir ao encontro. Não se pode viver em estado de contemplação. Tudo está a nossa espera É uma questão de coragem e amor. Cacilda? Sim, sou eu: Eu não sou mais só eu, eu sou um pouco mistura com o teatro. Sou um instrumento da minha arte, sou meu próprio violino. De cada personagem que representei guardei uma "descoberta" para mim, de mim mesma. Quando quero, quero. Quero de fato. E vou buscar. Não espero nada de ninguém com relação às coisas materiais, é claro. Tenho confiança cega em mim, apesar das insuficiências toco tudo para a frente. Sempre foi assim. Ouvi atentamente suas palavras e sua voz embargada encostando seu semblante ao meu ombro, chorosa, falou-me da sua molecagem em Pega Fogo (1950), da estreia da menina n’A morte da borboleta (1930), do Ritual do Fogo do ginasial, dos palcos e cenas peças e filmes, das Paredes de Sartre (1950), da Dama das dos Seis de Pirandello (1951), das Camélias, Antígona, da Stuart de Schiller (1955), da Jornada de O’Neill (1958), da Moeda de Abílio (1960), da Velha Senhora de Dürrenmatt (1962), da Noite de Tennessee (1964), do Medo de Virginia Woolf (1965), da fúria santa, do diário e da ditadura militar e do aneurisma naquela fatídica tarde junina como Estragon do Godot de Beckett. Contou-me mais como se vingasse a vida aos prantos, levantei-lhe a face e não era ela, era a linda Olalla Cociña, a Tigresa: o teu amor vivendo nas jaulas dos circos / ou no teatro / (chamaram-te dramática seguido, acabaste sendo). / os ossos que adoras amarrando o cabo da vida / ao da morte / (a morte prematura / a morte desejada e que não chega / não querer viver assim mas também esse medo a morrer). / ir virando-a: ser / inconsistente. Um beijo e naqueles lábios eu flutuava o poema por infinitas galáxias do não sabido. Até mais ver.

 

A ARTE DE NÍNIVE CALDAS

A arte da atriz Nínive Caldas que iniciou a sua carreira no teatro em 2009 e desde então vem atuando com destaque em vários espetáculos e com vasta experiência em cinema, teatro e publicidade. Atualmente é apresentadora do programa Na direção delas, da TV Brasil. Veja mais aqui e aqui.


 



quinta-feira, dezembro 05, 2019

EGBERTO GISMONTI, HANNAH ARENDT, SARAH BERNHARDT & ANJA MATKO


A ALMA DE GISMONTI - Os acordes do Palhaço de Circense trouxeram lembranças do primeiro contato na Dança das Cabeças: acordes de cordas e teclas, batidas de corpo e de alma. Outras memorações, como a do Nó Caipira ou Zig-Zag, tão similares às coisas de minha gente com suas quermesses cumprindo penitentes a sua obrigação para livrar das mandingas, enganando as dores do mundo às mungangas e saudando a vida nos parques de diversão, ou na saída da sessão do cinema, as rodas de conversa com adágios e licenciosidades nas lapadas da tirana com estalado dos dedos e caretas de mamulengo pras quatro festas do ano, no meio de loas com livusias e pinoias de Malasartes e Camonge. Ah, minha gente, como coisas de Carmo, a Cidade Coração e a herança ítalo-libanesa: a mãe que canta acalanto para ninar o futuro do seu filho ou como quem junta mão-de-milho a tomar da garapa ou do ponche, soltando lorotas e potocas para quem puxa moda de viola, parlendas e mnemonias das coisas do Monge de Ipanema ou de Conselheiro, a glosa do mote de quem ouviu Pai João e bate o pandeiro embolado no coco que é assim: quando não se sabe o começo, não sabe onde é que é o fim. Como alma ameríndia e de malungo, como mel de uruçu: Altura do Sol do Meio-Dia, Xingu dos Iaualapitis, Kuarup, Amazônia, a Árvore, A Viagem do Vaporzinho & o Dirigível Tereré e O Pai das Águas Luminosas e todas as trilhas, estradas de ferro desaparecidas e dos que mijavam na cova ou cortavam orelhas para o sangue dar no mocotó e na volta da canela mandarem ver no parraxaxá! A alma dos Corações Futuristas e a Janela de Ouro do Sonho 70: seguro os Sete Anéis que lá vem Lôro, Frevo, Maracatu e caboclinhos! E mais: a Sanfona, a Fantasia, o Mágico e o Orfeu Novo que saiu do Computador para Academia de Danças e eu coroado com meu poeminha no Jornal Caipira do Em Família. E lá vem mais Folk Songs, Meeting Point, El Viaje, Guitar From Live Works In Montreal, e isso com João Cabral, Ferreira, Amado, os Sonhos de Castro Alves, Villa-Lobos & Trem Caipira Num Feixe de Luz da Alma de Pessoa e Música de Sobrevivência. É vida de alma e corpo, Água & Vinho, Duas vozes e a Dança dos Escravos, O Pagador de Promessas desde a Infância na Casa das Andorinhas, com Saudações e tudo mais. Enfim, a alma é uma Carta de Amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A nossa crença na realidade da vida e na realidade do mundo não são, com efeito, a mesma coisa. A segunda provém basicamente da permanência e da durabilidade do mundo, bem superiores às da vida mortal. Se o homem soubesse que o mundo acabaria quando ele morresse, ou logo depois, esse mundo perderia toda a sua realidade, como a perdeu para os antigos cristãos, na medida em que estes estavam convencidos de que as suas expectativas escatológicas seriam imediatamente realizadas. A confiança na realidade da vida, pelo contrário, depende quase exclusivamente da intensidade com que a vida é experimentada, do impacto com que ela se faz sentir. [...]. Pensamento da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975), que, entre outras coisas atinentes à educação, expressou que: A escola não é de modo algum o mundo, nem deve ser tomada como tal; é antes a instituição que se interpõe entre o mundo e o domínio privado do lar. A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele, se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE SARAH BERNHARDT
Quando a cortina é levantada, o ator deixa de pertencer a si próprio. Ele pertence ao seu caráter, ao seu autor, ao seu público.
A vida é curta, mesmo para quem vive muito tempo, e devemos viver para os poucos que nos conhecem e nos apreciam, que nos julgam e nos absolvem e por quem temos o mesmo carinho e indulgência.
SARAH BERNHARDT - A arte da atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923), a Divina Sarah, considerada a mais famosa atriz da história, por ter sido A dama das camélias de Dumas, a Iphigénie e Phèdre de Racine, a Valérie de Eugène Scribe, a Armande da Les Femmes Savantes de Molière, a Jeanne-Marie de Theuriet, a Dona Maira da Ruy Blas de Hugo, a Le Mariage de Figaro de Beaumarchais, a Cordélia do King Lear de Shakespeare, a Pelléas de Maeterlinck, Salomé de Oscar Wilde, entre outras, afora atuar em diversos filmes, tornando-se a pioneira do cinema entre os anos de 1908 a 1923. Também foi escultora e se envolveu com pintura e artes visuais, expondo suas obras em Paris entre os anos de 1874 e 1896. Posou para Antonio de La Gandara e Alphonse Mucha, escreveu três livros autobiográficos e foi condecorada com a Légion d’honneur pelo governo francês. Diversas publicações fazem o acervo de obras sobre sua vida, dando conta que em vida ela teve mais de 1.000 homens diferentes. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada fotógrafa, artista e designer eslovena Anja Matko, que é forma em Tecnologia gráfica e de mídia em Ljubljana. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE EGBERTO GISMONTI
Quero dizer que ninguém grava 60 discos porque sabe exatamente o que está fazendo. Quem grava 60 discos está procurando mais do que os outros. As pessoas confundem, pensam que é pelo motivo oposto. O João Gilberto sabe o que faz, por isso gravou meia dúzia de discos. Eu ainda não sei direito o que eu faço: toco violão e piano, escrevo para quarteto, sinfônica... A minha relação com música é geral. Tenho ligações com a música indígena, com o pop brasileiro e com o universo inteiro do jazz. Toco com qualquer pessoa. Eu só quero me divertir. Eu só faço música para fazer o outro feliz. Música não serve para outra coisa.
A obra do compositor, arranjador, cantor & multinstrumentista Egberto Gismonti aqui e aqui.


terça-feira, dezembro 05, 2017

EMILY DICKINSON, HANNAH ARENDT, BIOY CASARES, GISMONTI, JURANDIR FREIRE, DAMRAU , MARGARET CHO, JIN SHANGYI, ESCOLA ELISEU & TACAIMBÓ

MARAVILHA DE VIVER - Imagem: arte do educador e pintor chinês Jin Shangyi. - No meio da noite os pensamentos passam e rolam por aí, a esmo e sem paradeiro certo, pra cima e pra baixo, alguns me assaltam e me escondo no paradoxo: sou o que sou e o contrário, sou livre à vida convcrsável. Tenho pra mim o plural e o amplo para ser melhor que sou no exercício da mútuua piedade. Não julgo, sou pra conversa e conversão: compreender o princípio de vida. Sou-me inteiro na solidariedade humana e a todo ser vivente: diálogo fácil com bichos, plantas, invenções. Tenho comigo que posso mais do que sou, isso eu sei, ação pra quem anda solitário com tudo e todas as coisas. Em silêncio, sozinho vou além das aparências, sei que tudo se manifesta em mais de zis maneiras no grande esquema das coisas e seres. Cogitações, encaro incompreensões – nenhum gênero me é estranho; as ilusões passeiam, não presumo nada. Sigo pela filosofia da vadiagem, poeta à solta: criança maravilhada a dar conta dos fieis do amor no privilégio da felicidade com a doação do amor. E se é noite, tanto faz se dia, o que importa é a maravilha de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o compositor, arranjador, cantor & multinstrumentista Egberto Gismonti, ao vivo no Montreal Jazz Festival & a soprano dramática alemã Diana Damrau interpretando Mozart: Die Zauberflöte. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui,  aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os direitos do homem, afinal, haviam sido definidos como inalienáveis porque se supunha serem independntes de todos os governos: mas sucedia que, no momento em que seres humanos deixavam de ter um governo próprio, não restava nenhuma autoridade para protegê-los e nenhuma instituição disposta a garanti-los. [...]. Trecho extraído da obra As Origens do Totalitarismo (Companhia das Letras, 1989), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975), no qual analisa e descreve os principais movimentos totalitários do século XXm o nazismo e o stalinismo, tratando sobre o anti-semitismo e a sociedade, o caso Dreyfus, o imperialismo, a emancipação política da burguesia, raça e burocracia, os direitos humanos, a sociedade sem classes, o totalitarismo no poder, ideologia e terror, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

TACAIMBÓ – O município de Tacaimbó é composto administrativamente dos distritos sede e Riacho Fechado. A sua povoação teve início com o surgimento do lugarejo denominado de Curralinho, onde identificada como sendo a Rua Velha. Alguns anos depois, foi construída a estrada de ferro da antiga Great-Western, cuja inauguração se verificou em, 25 de dezembro de 1896, tendo o povoado recebido o nome de Antônio Olinto, em homenagem ao engenheiro mineiro, que construi a estação. A população passou então, a se concentrar mais à margem esquerda do Rio Ipojuca, onde se localiza a estrada de ferro. Assim, o primeiro nome deste município foi Antônio Olinto, passando depois, para Tacaimbó. Esta mudança se deve ao fato já existir no Estado de Minas Gerais, outro município com este mesmo nome. O seu nome é de origem indígena, tendo existido uma tribo com este nome, na Fazenda Itacaité, passando este nome, a vigorar no ano de 1945. A criação desta denominação deve-se ao historiador Mário Melo. Veja mais aqui.

NOVAMENTE O AMOR HOJE - [...] apesar do enorme prestígio cultural, o amor deixou de ser um puro momento de encanto para se tornar uma corvéia. Quando é bom não dua e quando dura não entusiasma. [...]. Na prática, muitos começam a se convencer que “amar é sofrer” e quem não quiser sofrer deve desistir de amar. Realizar o amor sonhado tornou-se um desafio ou uma massacrante o obsessão. Cada dia mais, os deserdados da paixão buscam a cura para seus males. Uma descomunal máquina de reparar amores infelizes foi posta em marcha e, pouco a pouco, cresce o número dos que gravitam em torno dela: clientes, funcionários, proprietários, gestores, ideólogos, “garotos/garotas-propaganda” e assim por diante. Desde as lições de vida oferecidas pelas personagens de telenovelas, passando por conselhos paternos/maternos e opiniões savantes de psicanalistas, psicólogos cognitivistas, behavioristas, psicofarmacologistas, neurocientistas, religiosos, cartomantes, astrólogos e centenas de outros peritos, tudo e todos parecem querer resolver um “problema” cada vez mais rebelde ao adestramento. [...]. Para isso, entretanto, é preciso mostrar que nossas convicções amorosas podem ser aperfeiçoadas, qualquer que seja o sentido que venhamos dar ao termo perfectibilidade. [...]. Trechos extraídos da obra Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico (Rocco, 1998), Veja mais aqui e aqui.

DIÁRIO DA GUERRA DO PORCO – [...] Pela primeira vez entrava no quarto de Nestor. Olhou vagamente os retratos de pessoas desconhecidas e pensou: “A intimidade que deixamos de lado não impediu que fôssemos amigos. [...] Hoje todo mundo é intimo, amigo, ninguém. [...], Trechos extraídos da obra Diário da guerra do porco (Expressão e Cultura, 1972), do escritor argentino Adolfo Bioy Casares (1914-1999). Veja mais aqui.

ONE SISTER HAVE I IN OUR HOUSE - Tenho uma irmã em casa, / e outra, além da cerca, / Só uma term certidão, / mas as duas são minhas./ Uma é da mesma estrada / - e usa os meus roupões - / a outra fez um ninho / pros nossos corações. / É ave de outro canto - / é outro o seu refrão - / toca para si mesma, / abelha de verão. / Brincamos na montanha - / como se fosse a infância - / pego na mão dela - / isso encurta a distância. / E ainda o seu zumbido, / nesses anos todos, / engana a Borboleta; / ainda no seu Olho / vive a violeta - / molda maios e maios - / Derramei o orvalo - / mas salvei a manhã - / escolhi a estrela cadente / no infinito da noite - / Susan – eternamente! Poema da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE MARGARET CHO
A arte da premiada comediante, atriz, escritora, produtora e designer de moda estadunidense Margaret Cho, famosa por sua rotina de stand-up, através da qual ela critica política e problemas sociais, especialmente os referentes a raça, sexualidade e sexo, e por seus esforços humanitários em nome das mulheres, transexuais da comunidade, os asiáticos e a comunidade LGBT.

Veja mais:

PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS & CULTURAIS DE PALMARES
Documentário desenvolvidos pelo Ensino Médio Inovador da Escola Eliseu Pereira de Melo, envolvendo professores e alunos no projeto. Veja aqui. E mais 
aqui, aqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do educador e pintor chinês Jin Shangyi.
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, abril 21, 2017

HANNAH ARENDT, EGOROV, HANLEY & AGANOCÊ

AGANOCÊ: O POEMA FEITO PROSA DE AMOR – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Sou coração na mão, carne esquartejada, andarilho errante na noite pavorosa dos dias imensos, a mendigar pousada para minhas andanças no seu coração nu deitado ao Sol. Ouço em voz alta a respiração dos segredos que delineiam seu corpo e me provocam arguto sedutor, a perseguir cada mínimo fluir de sua fruição provocante, a me fazer descarga além da vontade de viver desembaraçado por seus entornos, que me fazem viandante ao eterno retorno do que sou em você. Uma vez e mais vezes tantas fui o primeiro a tocar a pele do seu poema vivificante e nele revivi a embriaguês do vinho nobre na satisfação de entontecer e celebrar a mais lúcida das alucinadas sensações de viver e amar, para rastejar novamente do fim ao ponto inicial de cada ato indispensável. Instantes eternizados na minha fome e sede, fizeram de você a estrela que se deseja por guia e a perseguir noitedia as tantas veredas que me levam ao futuro prometido de aportar no cais de sua morada eterna. Nela é tudo começo e recomeço com idas e voltas à porteira do mundo e refaço contumaz a vez primeira pela milésima vez, como se não bastasse apenas ter de ir ou ficar, mas ir e vir para reviver o novo de sempre e a novidade da revisita. Tudo é extremamente inigualável, por ter sido o que foi e é no que será cada vez provado, cada vez sentido, cada vez saboreado como um novo gosto na mesma tigela sedutora e inesgotável. Emerso, restauro o fôlego para tibungar afoito recorrente no paroxismo dos seus versos transbordantes que saltam da sua boca, seios, ventre, e me enredam nas suas aconchegantes súplicas e inescapáveis seduções. Inteiro e firme sou aquele que chegou para ficar e fazer morada pra sair e voltar pela calada da noite dos seus murmúrios e me aninhar pelas manhãs saltitantes de sua euforia receptiva e surpreendente. Renovando a vida a cada dia no que sou em você, perfilados, meu sexo no seu, somos agá, a ponte entre o presente e a entrega, onde aprendo a pôr pedras para edificar o abrigo onde achei o que perdi, juntando meus pedaços a se completar no seu ser de mar aberto. O que ganho não se perde, a fonte perene de sua carne recrudesce a minha língua entre seus lábios e meu falo revivendo no seu fogo e flama, inexplicáveis e vivificantes e arrebatadoras sensações de infinitude e amplidão. Meu coração das minhas mãos pro seu, vai longe suas entranhas para ser reinação e festa no que de seu me pertence para devolver mutuamente até não saber mais o que é de meu e seu por ser minha. Vai mais e longe além porque meus braços envolvem sua esplendorosa feitura torsal, deslizando sua magnânima sinuosidade dorsal, a desconhecerem o que perto ou longe se faz entre o querer e o prazer. Ouço sua voz e a poesia é viva em meu ser, porque cada palavra brota de novos versos e reversos de sua manifestação mais íntima para se realizar no que de mim é mais que sentimento. Cada verso renovado e o cheiro de sua flor, cada sílaba e o perfume do seu roseiral, cada palavra que me chega e o suor de sua magnífica exalação, recompõe meu ser e me faz seu poema transformado em beijos que lhe distribuo aos montes. E teimoso requerente eu refaço trajeto no que é de seu pra mim, com zilhões de novos beijos, ternura antiga e zis afetos para sermos festa a toda hora e o dia todo, vivendo a nossa orgia viva e transbordante. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui.

Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história.
Pensamento da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
A terra & o porvir da humanidade, Fecamepa, a pintura de Paul Gauguin, a música de Nivaldo Ornelas & a literatura de Adelino Magalhães aqui.

E mais:
A literatura de Hilda Hilst, o teatro de Antonin Artaud, a História da Literatura de Silvio Romero, a Esfera Estética de Max Weber, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, o cinema de Russ Meyer & Lorna Maitland, a pintura de Ludovico Carracci, a poesia de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
A literatura de Clarice Lispector, o pensamento de Emil Cioran & Hilton Japiassu, Darcy Ribeiro & Fecamepa aqui.
As fases da persecução penal brasileira e o prazo razoável aqui.
Cantarau, a poesia de Thiago de Mello & Paul Verlaine, Hannah Arendt, Melanie Klein, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, a pintura de Francisco de Goya & Vincent Van Gogh, a música de Tracy Chapman, o cinema de Warren Beatty, a arte de Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.
Nênia de Abril, Os filhos do barro de Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, o Cogito de René Descartes, a música de Joseph Haydn, o cinema de Nagisa Oshima, a pintura de William Morris Hunt & Programa Tataritaritatá aqui.
Do amor e da vida, a História da Sexualidade de Michel Foucault, a educação sexual de Isaura Guimarães, a pintura de Di Cavalcanti & Daphne Todd, a música de Giacomo Meyerbeer, a poesia de Antônio Cícero, Nascente & a entrevista de Marina Lima aqui.
Cantos do meu país, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Mário Schenberg, a música de Ivan Lins & Vitor Martins, o teatro de Plínio Marcos, a fotografia de Marcia Foletto, Claudia Alende & o cinema de José Mojica Marins aqui.
Pelo jeito, o doro agora vai, a literatura de Antônio Alcântara Machado, a poesia de Eugénio de Andrade, a biopsicologia de John P. J. Pinel, a música de Mary Jane Lamond, a fotografia de Harry Fayt & a pintura de Ana Maia Nobre aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e fotógrafo cazaquistanês Dmitri Egorov (1869-1931).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: art by Jack Hanley.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

terça-feira, novembro 29, 2016

HANNAH ARENDT, ALEX GREY, CAROL SABOYA, BRASILEIRO & FECAMEPA


O QUE É SER BRASILEIRO? - Não é decorar a História do Brasil da sala de aula, quando a tragicômica evolução dos séculos esconde uma inglória, nefasta e horrorosa coleção de fatos que mais envergonham até quem nem nasceu aqui. Não é cantar o Hino Nacional vestindo a amarelinha em dia de jogo de uma seleção organizada por uma entidade privada como a CBF, igualzinha a qualquer outra corporação voltada pros lucros, jogatinas e com escândalos até o pescoço, muito menos quando políticos golpistas encenam na defesa de suas aprovações, quando estão simplesmente fazendo valer o interesse da mão invisível em detrimento da população brasileira, nem nas inaugurações públicas realizadas com licitações duvidosas que mais encheram os bolsos dos interessados em nome da utilidade pública. Não é soltar uma ôia pro patrulheiro prele liberar sua viagem numa rodovia, ou pro fiscal de renda esconder sua sonegação, sequer quando azeita a engrenagem de qualquer servidor para agilizar seu processo em órgãos públicos. Não é se valer da carteirada para furar fila, avançar o sinal ou se achar o maior dos privilegiados em prejuízo dos demais. Não é ficar ancho por ser duma religião em que só os seus membros são irmãos e os demais de outras são os pecadores sem solução. Não é se aproveitar da promoção dos produtos da merenda escolar ou dos medicamentos dos postos de saúde, nem achar que pedestre devia ficar em casa, nem PNE ser um condenado divino, nem idoso um atrapalho de vida e criança uma dor de cabeça. Não é ser dendroclasta para arrancar qualquer pé de planta das calçadas e sair desmatando tudo em nome do progresso que só serve ao seu bolso. Não é achar que pobre não é gente, nem que toda biba é um desvio dos céus. Não é se informar apenas com as notícias da ideologia dos mandonistas e se achar que só sua TV a cabo informa tudo pra deixá-lo talqualmente qualquer bom de bolso em qualquer parte do planeta. Não é gritar que o Brasil é uma droga que não tem mais jeito e se balançar cantando uma felicidade de mentira ou uma dor de corno de amor ao país. Pra falar a verdade, nada disso acontece mesmo aqui, não é? Pode ser que isso seja lá do outro lado do mundo ou noutro país que ninguém vê, menos aqui. Isso porque, na verdade, falta é brasileiro no Brasil. © Luiz Alberto Machado.. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Belezas (AAM Music, 2012), da cantora Carol Saboya.

Veja mais sobre:
A poética aristotélica, Erich Fromm, Georges Bataille, Eliete Negreiros, Rufino, Walter Hugo Khouri, Arthur Braginsky, Helena Ramos, El Tomi Müller, Fernando Fiorese & A primeira estética da arte dramática aqui.

E mais:
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Cordel na Escola aqui.
Teoria Geral do Crime & Direito Penal aqui.
Responsabilidade civil, dano estético & erro médico aqui.
As trelas do Doro aqui.
Marcela, a musa primeira dama aqui.
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DESTAQUE: A VIOLÊNCIA
[...] A forma extrema de poder é o de todos contra um, a forma extrema da violência e um contra todos [...] Ao que parece, a resposta dependerá do que compreendemos como poder. E o poder, ao que tudo indica, é um instrumento de dominação, enquanto a dominação, assim nos é dito, deve a existência a um ‘instinto de dominação’. Lembramo-nos imediatamente do que Sartre disse a respeito da violência quando em Jouvenel que ‘um homem sente-se mais homem quando se impõe e faz dos outros um instrumento de sua vontade, o que
lhe dá um ‘prazer incomparável’ [...] o poder é de fato a essência de todo governo, mais não a violência.  A violência é por natureza instrumental; como todos os meios ela sempre depende da orientação e da justificação pelo fim que almeja. [...].
Trechos extraídos da obra Sobre a violência (Relume Dumará, 1994), da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do artista estadunidense Alex Grey.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...