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domingo, março 27, 2022

AGNÈS VARDA, SHUSAKU ENDŌ, SILVIA OCOUGNE, FRANCIS PONGE & VILLAURRUTIA

 

 

TRÍPTICO DQP: Leio a vida, sou da rua... - Ao som de Looking for Smetak (2021 UA), da violonista, compositora e performer musical Silvia Ocougne. - Meio dia ou meia noite, tanto faz, tudescurecido & nada vale. Meus passos pelas calçadas e paredes, aparências de lugarermos pralgures. Quandedia a indiferença – aqui, ali, acolá só consumo e ganhos, hipnose geral com o glamour das ofertas e os simulacros das caveiras engravatadas, empaletozadas. Sai da frente: pisadas no asfalto, óbices, calçamento, gente e o que vier a mais. Quanoite, zanzam pervígeis fantasmas pelas avenidas e travessas despovoadas. Dentro das casas as pálpebras voyeurs dão sinal de vida - imóveis e entretidas com telelágrimas, vigílias das catástrofes do outro lado do mundo, mediocridades. É como se ao meu lado Susan Neiman insistisse aos meus ouvidos: O banal não despedaça o mundo, o compõe. Qualquer ética que precise de religião é má ética, e qualquer religião que tente fazer isso é má religião. Claro, há muitos de ambos ao redor. Pras coisas daqui só o asco da indiferença: meninos sonambulam entre perdidos pela miséria e abatidos à bala ou afugentados da fortuna. Nenhuma solidariedade, muito menos mão estendida. Não olvido os versos da saudação natalina de Marie Under: Sempre penso naqueles que foram arrancados daqui... / Os céus ressoam com os gritos de sua angústia. / Eu acho que todos nós somos culpados / do que lhes falta, porque temos comida e cama! E algo rasga o silêncio, não sei nem adianta chamar, há sempre quem condene o que se passa por aqui - se um grito murmura tácito, velado e ecoa, nadianta: todos estão cegos&surdos com a vida nos visores ligados. Sigo só.

 


Néstogas: atos & desatos... - Aindontem resquícios breves de quase nada: o que era rio restou insepulto, irrespirável. Era nada mais que o Caudal do Una de Pelópidas uma pingueira insistente e inconciliável, feito palavras incompreensíveis jogadas na lata de lixo, transbordando pelas imundícies dos esgotos a ganhar o vento com estranhos vocativos. Parecia mais com o que me disse o poeta francês Francis Ponge (1899-1988): Um passo a mais para nos perdermos e reencontramo-nos. Às vezes, é pela forma como morre que um homem mostra que era digno de viver. Não era isso que eu queria ouvir, os caminhos são muitos na encruzilhada das incertezas: sereias vistosas demais, alvos ocultos e de menos – mais desterros na hora aguda que abrigo escondido e os olhos a céu aberto. No meio do nada o escritor japonês Shusaku Endō (1923-1996) alertava: Toda fraqueza contém em si uma força. Pecado é um homem andar brutalmente sobre a vida de outro e ser completamente alheio às feridas que deixou para trás. E o que fez valer a pena nada mais inútil: a servidão e o embotamento, enquanto a loucura necessária. Não restam alternativas, para onde e quando jamais se saberá ao certo. Quem não sentiu a afiada faca das horas na carne, não tem a mínima noção de viver. Só quem amou desarmará.

 


Ela beija o meu dia com o sorriso de Sol... - O poema dissolvido era poeira reconstituinte em uma das minhas mãos: era a caligrafia de sangue na pele - a tatuagem de Sei Shonagon nas cenas Greenaway. E tomou toda palma ampliada na mente, para que ela logo emergisse inteira, olhos radiantes, braçabertos, como o dia de verdade e carregada de versos do dramaturgo mexicano Xavier Villaurrutia (1903-1950) por baixo das vestes: Tudo na noite vive uma dúvida secreta: silêncio e barulho, tempo e lugar. Amar é prolongar o breve momento de angústia, ansiedade e tormento em que, enquanto espero, sinto você na sombra de suspense e delírio. A morte sempre toma a forma do quarto que nos contém. Era o efêmero e o corpo um palimpsesto. E ela se espalmou na ventania para que eu pudesse ler nas suas entranhas as mais insólitas revelações da luz e da sombra. E me ensinou o que devera sobre o que é da vida e o que é da morte. Ao longo do tempo mais se fez e a mim se deu, até voltar-se Adrienne Rich: E eu pergunto a mim e a você, qual de nossas visões nos reivindicará, qual reivindicaremos, como continuaremos vivendo, como tocaremos, o que saberemos, o que diremos um ao outro. O que dizer melhor silêncio, a barulhada é grande: entopem pulmões e arruínam o que podiam ser ideias antes já malditas. Vale só o desconforme e todas as tolices no geral. E era Agnès Varda: Sempre luto contra a estupidez, inclusive a minha. Se abríssemos as pessoas, encontraríamos paisagens. Diga apenas o que tiver pra falar, faça alguma coisa, nunca será tarde demais. E ela sabia que eu estava mais que perdido no meio daquilo tudo e sorriu para que fosse feliz, pelo menos, um instante. Ela era o poema inteiro na minha mão. Até mais ver.

 

Se a educação lhe parece cara, não queira saber o preço da ignorância.

Pensamento do advogado e educador estadunidense Derek Bok. Veja mais aqui e aqui.

 



domingo, julho 11, 2021

SEI SHÔNAGON, TAMARA KAMENSZAIN, NINA MORAES & ARMANDO LÔBO

 

 

TRÍPTICO DQP –- Mais um dia... – Ao som da música Atrás das máscaras, do álbum Técnicas modernas do êxtase (Delira, 2011), no filme-ópera Último dia (2021), de Armando Lôbo, com Natália Duarte, Virginia Cavalcanti, Surama Ramos, Walmir Chagas e Marcelo Sena (Veja mais abaixo) – Acordei com o movimento do travesseiro e os sons da manhã. Procurei tomar pé da situação e qual não foi a minha surpresa: era O livro do travesseiro (34, 2013). Como assim? Isso mesmo. Estava inscrito na capa: Sei Shônagon - aquela mesma do The Pillow Book de Greenaway. Investiguei, desconfiado, como podia tal transformação. Ultimamente tem me ocorrido cada uma. Pois é, ajeitei-me na cama e comecei a ler. A cada página uma surpresa: ali estava tudo o que vivi e sou - devaneios, quedas, sucessões de idas e vindas. Atento a cada parágrafo, frase por períodos e, pelo volume, vi que era um tanto a vencer. Persegui e era como se estivesse procurando o começo ou o fim de O Livro de Areia de Borges e relesse mais curioso que antes: ... porque nem o livro nem a areia têm princípio ou fim... Se o espaço for infinito, estamos em qualquer ponto do espaço. Se o tempo for infinito, estamos em qualquer ponto do tempo... Pensei no fogo, mas temi que a combustão de um livro infinito fosse igualmente infinita e sufocasse com fumaça o planeta... Refleti. E depois surgiu um trecho de outro conto dele, O espelho e a máscara: ... A guerra é o belo tecido dos homens e a água da espada é o sangue. O mar tem seu deus e as nuvens predizem o futuro... E se misturava com trechos do Evangelho apócrifo da infâmia. O que é isso? Outros labirintos ou será que estou enlouquecendo, o que está acontecendo? Mais desconfiado que antes, esfreguei os olhos e lá estava inscrito o que me tocou profundamente: Quanto a pássaros, embora pertença a terras estrangeiras, é muito enternecedora a cacatua. Dizem que ela imita tudo o que falam as pessoas. O cuco-pequeno. A galinha d’água. A narceja. A gaivota, pássaro-da-capital. O pintassilgo-verde. A papa-moscas... Ah, sim, agora era ela como se me descobrisse um xexéu incorrigível. Cabreiro, além da conta, compreendi o que ela quis dizer: uma sensação inenarrável de quem não estava só ali. E não estava mesmo, logo a sua presença preencheu meu quarto e era ela mesma a me dizer: Um homem que não tem nada em particular para recomendá-lo discute todos os tipos de assuntos ao acaso, como se soubesse de tudo. Na vida, existem duas coisas confiáveis. Os prazeres da carne e os prazeres da literatura... Sim isso eu já tinha lido no outro livro dela. E o que está havendo? Ela sorriu, beijou-me as faces e saiu como nunca mais. E me fez pensar na vida. Era só mais um dia. Sim, mais um dia, agora é só viver.

 


A vida imita a arte... - Imagem da artista visual & grafiteira Nina Moraes – A leitura do livro me trouxe outras cenas fora das suas páginas e ao meu redor aconteceram coisas estranhas. Tudo parecia muito real naquela hora e dali eu presenciava um fato ocorrido e tão lamentável como aquela triste situação em que foi detratado o tenente Gustl do Arthur Schnitzler: Deus do céu, tanto faz se outro sabe ou não!... eu sei, e isto é o que importa! Sinto que sou outro, já não sou o que fui há uma hora. – Sei que estou desqualificado e por isso devo estourar os miolos... Que vexame! E me sentia como se eu fosse ele diante daquilo tudo e não conseguia concatenar direito. Não sabia onde por os pés, as mãos, nem para onde ir. Da mesma forma aquela outra deplorável circunstância em que me vi na pele do Marlow da Juventude de Conrad a perorar: Lembro da minha juventude e de um sentimento que nunca mais haverá de voltar – o sentimento que eu poderia durar para sempre, mais do que o mar, do que a terra, do que todos os homens; o ilusório sentimento que nos atrai para alegrias, para perigos, para o amor, para o vão esforço – para a morte... O sentimento da desolação me trazia aqueles versos da Tamara Kamenszain: Quem por palavra fala de seus sonhos / quando a vigília os está vigiando ou / quando na tela do lençol se grafa / o que com esses sonhos vai envolto? Tudo me ocorria ao mesmo tempo, como se em mim outras pessoas trafegassem e ora eu me via na misériade Abel ou nos relampejos da borboleta Dinalva. Tudo me dava conta de que viver é muito difícil. Ou melhor, como repetia Guimarães Rosa: Viver é muito perigoso. Para mim nunca foi possível viver alheio ao horror, como se arrancasse os olhos, perdesse a audição, nenhum tato, paladar ou olfato, vivesse ao vento como se caísse no poço para nadar pelas águas, entre ondas e abismos oceânicos, alcançando grandes alturas atmosféricas, percorrendo distâncias de tudo isso. Não, não é possível, a tentação das contradições do mundo e as minhas instâncias se engalfinhavam, eu sabia, a vida é luta...

 


O último dia... – Não sei onde fui parar, sei que ouvi uma estrofe de Antero de Quental que eu esquecera com o tempo e tudo mudava claroscuramente para que eu visse uma porta e, atrás dela, um palco. Ao atravessá-la, cochichos nas coxias, agucei as ouças: Que nada, meu! Do pescoço pra baixo tudo é canela, deu-se as costas às punhaladas. Quem o otário para levar vantagem, o sabido pronto para a rasteira e a cama-de-gato! Não entendia direito a que se referiam e muito menos me dei conta da morte a rondar dançante com seus tamancos enormes. Êpa! Mais adiante mulheres solfejavam e eu não conseguia atinar. Uma voz irrompeu, era de um morto. O que ele disse era de si e de seus infortúnios. Ao silenciar, percebi os resmungos de uma mulher: o brasileiro só é solidário... Quem? Logo deu pra perceber que não era apenas uma mulher, mais. Sim, mais de uma, porque a morte passou por perto, acompanhei seus passos até um trio cantatriz que carpia - terços, novenas, lamúrias, o que Freud viu na festa dos sacrifícios. O defunto então se mexeu, eu vi, ninguém mais, acho. Depois se levantou e depôs: Todo mundo é bom, apesar do lulixo! Todos ouviram e se entreolharam questionadores. Nem eu, nem ninguém, quem explicasse. Logo a saudação dos que ali estavam era um misto de espanto e asco, razão pela qual comemoraram hesitantes: Ele está vivo, viva! Vivôoooo! Afetos e antipatias se deram, era o último dia e a paráfrase nelsonrodrigueana: o brasileiro só é solidário na desgraça! Tanto já era carnaval desde não sei quando. Assim, todo dia passa, evoé. Até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 


quinta-feira, outubro 15, 2020

OLALLA COCIÑA, GREENAWAY, HANNAH ARENDT, CACILDA BECKER, BESSA-LUÍS, NÍNIVE CALDAS & RODOLFO LOEPERT


  

TRÍPTICO DQC: PRIMEIRO ATO: O ÁTIMO DO ENCONTRO - Meu quarto e o mundo: a parede acendeu para meu espanto! Não me acostumara ainda com isso, a solidão persistente. A imagem refletida desta vez era do Coliseu e lá longe uma mulher vestida tal qual a coreógrafa belga, Anne Teresa de Keersmaeker na Rosa de Greenaway, gesticulava sozinha, dançava, fazia acrobacias e gesticulava. Pude ver-lhe o talhe, estonteantemente sensual. Aproximou-se e recitou Hannah Arendt: O novo sempre aparece contra esmagadoras chances estatísticas e suas probabilidades, que, para todos os efeitos práticos, todos os dias equivale a certeza; o novo, portanto, sempre aparece sob o disfarce de um milagre. Novos passos e a bailarina radiante às piruetas, rolando no chão e com expressões performáticas a explorar todo espaço do monumento. Bailarina? Demorou a responder e, depois de se contorcer aos rebolados remexendo-se descalça, chegou bem perto dos meus lábios e disse-me ser o seu sonho: o de bailar ao ar livre. De repente, virou-se e tornou a virar como se fosse Augustina Bessa-Luís: Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição? A frivolidade é também uma forma de hipocrisia porque as pessoas não são aquilo. A pessoa, quanto mais frívola nos parece, mais esconde a sua natureza profunda. Aproximou-se mais ofegante e inesperadamente beijou-me com sofreguidão. Quase sem fôlego me rendi ao seu ataque sedutor, vasculhando sua escultural compleição. Abraçou-me com fervor incendiando todo meu ser eletrizado pela cobiça de tê-la mais que inteira e nua. Soltou-me bruscamente, saiu até um recanto extremo e distante, apanhou um par de sapatos e voltou apressada: Vamos! Quem era ela, qual o seu nome, não sei. Queria saber. Olhou-me compenetrada, deu-me a mão e saímos enamorados sem rumo tarde afora.

 


SEGUNDO ATO: O FOGO DO FECAMEPA - Imagem: O Coliseu, Roma - Itália, do fotógrafo Rodolfo Loepert – Personagens da cena: Máscara que chora (MQC), Máscara que ri (MQR) e Coisomínion (C) – MQC: Eita, os cometas estão tirando cada fino na terra, hem? MQR: Vixe! Aquela num é a atriz Cacilda Becker? Pelo vestido colado no corpo, ela está sem calcinha! Nossa que pernas! C: Quero que todos se fodam! MQC: Se um meteoro desse cai aqui, babau! MQR: Hahahahahaha! C: Tou com Jesus, os outros que se fodam! (Ouve-se manchetes do noticiário. Som de BG) Locutor em off: No Fecamepa as últimas notícias: Fogo dizima a Amazônia, o Pantanal e várias áreas do território brasileiro! (Aumenta o BG - Labaredas tomam conta do coliseu, ao fundo matas queimadas se sobressaem. Som de música tétrica). MQC: O noticiário aqui é muito deprimente, além de falso e trágico, também é tendencioso. MQR: Ora, ora, vamos todos consumir, maior queima nas vitrines! Tudo vira cinzas no carnaval do capitalismo! C: Queria mesmo que desse uma enchente dessas bem avassaladoras com fogo, trovões, relâmpagos, explosões e tudo pra dizimar de vez com a raça dos comunistas, dos pretos, gays, pobres e principalmente da desgraça nordestina, ô pragas! MQC: Essas notícias são de matar um do coração! MQR: Vamos comprar mais, vamos queimar as promoções! Tem cada coisa barata, liquidação dessa nunca se viu, essa é a hora de comprar mesmo, ou agora ou nunca! C: Se eu fosse o presidente eu botava esse povo todo numa câmara de gás, tudo amarrado em nome de Jesus, aleluia! Aleluia! (Baixa o pano).

 


TERCEIRO ATO: QUEM DELA ERA - Anoiteceu um céu de nenhuma estrela. Não sabia onde estávamos, havíamos envolvidos por uma multidão atenta a uma encenação histriônica. Ela ria e mais apertava minha mão contra o seio. Sussurrou ao meu ouvido da saudade de tudo e queria saber como andava o país depois da ditadura militar, não havia tido notícia e entristecida ao tomar conhecimento das últimas que lhe contara do retrocesso todo e desgoverno geral. Fez-me sentar ali mesmo na calçada ao seu lado, uma lágrima escorreu na sua face e consternada incorporou a si mesma: Viver é ir ao encontro. Não se pode viver em estado de contemplação. Tudo está a nossa espera É uma questão de coragem e amor. Cacilda? Sim, sou eu: Eu não sou mais só eu, eu sou um pouco mistura com o teatro. Sou um instrumento da minha arte, sou meu próprio violino. De cada personagem que representei guardei uma "descoberta" para mim, de mim mesma. Quando quero, quero. Quero de fato. E vou buscar. Não espero nada de ninguém com relação às coisas materiais, é claro. Tenho confiança cega em mim, apesar das insuficiências toco tudo para a frente. Sempre foi assim. Ouvi atentamente suas palavras e sua voz embargada encostando seu semblante ao meu ombro, chorosa, falou-me da sua molecagem em Pega Fogo (1950), da estreia da menina n’A morte da borboleta (1930), do Ritual do Fogo do ginasial, dos palcos e cenas peças e filmes, das Paredes de Sartre (1950), da Dama das dos Seis de Pirandello (1951), das Camélias, Antígona, da Stuart de Schiller (1955), da Jornada de O’Neill (1958), da Moeda de Abílio (1960), da Velha Senhora de Dürrenmatt (1962), da Noite de Tennessee (1964), do Medo de Virginia Woolf (1965), da fúria santa, do diário e da ditadura militar e do aneurisma naquela fatídica tarde junina como Estragon do Godot de Beckett. Contou-me mais como se vingasse a vida aos prantos, levantei-lhe a face e não era ela, era a linda Olalla Cociña, a Tigresa: o teu amor vivendo nas jaulas dos circos / ou no teatro / (chamaram-te dramática seguido, acabaste sendo). / os ossos que adoras amarrando o cabo da vida / ao da morte / (a morte prematura / a morte desejada e que não chega / não querer viver assim mas também esse medo a morrer). / ir virando-a: ser / inconsistente. Um beijo e naqueles lábios eu flutuava o poema por infinitas galáxias do não sabido. Até mais ver.

 

A ARTE DE NÍNIVE CALDAS

A arte da atriz Nínive Caldas que iniciou a sua carreira no teatro em 2009 e desde então vem atuando com destaque em vários espetáculos e com vasta experiência em cinema, teatro e publicidade. Atualmente é apresentadora do programa Na direção delas, da TV Brasil. Veja mais aqui e aqui.


 



terça-feira, agosto 18, 2020

MARYSE CONDÉ, GREENAWAY, MIRANDA JULY, RUY GAMEIRO, BIGAS LUNA, NÊNIA DE ABRIL & CINEMA PERNAMBUCANO


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DE DORES & ADEUSES - A cada dia entoar a Nênia de Abril e conto meus mortos ao amanhecer, são tantos, aos milhares, sem que possa velá-los ou sepultá-los, nem aceno de adeus. O meu e o choro dos meus jorram por todos os lugares dos tantos Brasis. Só a frase de Peter Greenaway e o meu desconsolo: As despedidas podem ser belas e desprezíveis. Dizer adeus a quem é amado é muito complicado. Uma mão não pode escrever sobre si mesma. O que dói é não ter esperanças, nenhuma medida preventiva, nem providências: e daí? O noticiário com todas as manchetes escusas, disfarces e orquestrações, é tudo muito pior. Maryse Condé me dá o tom da desgraça: A verdade sempre chega tarde demais porque anda mais devagar que as mentiras. A verdade rasteja no ritmo de um caracol. Enquanto isso tribunais omissos quando não coniventes, parlamento festejando suas manobras, governante piadista às gargalhadas e a pátria em ruínas serve apenas para o descanso de sepulturas. De novo, o mesmo filme.

DUAS CENAS QUANTAS MESMAS EM OUTROS FILMES – Adoro cinema e voo: o escurinho privado, a intimidade tenta imitar a cena: sonho alisando a perna lisa da mulher amada que abriga a minha aflição solitária no deserto do real: são outras cenas que me invadem além da minha imaginação por todo planeta, ou pelos muitos e tantos Brasis. Diante do meu desassossego, a ausência dela me fala Miranda July: Olhe para o céu: isso é para você. Olhe para o rosto de cada pessoa ao passar por elas na rua: esses rostos são para você. E a própria rua, e o solo sob a rua, e a bola de fogo sob o solo: todas essas coisas são para você. Recolho lembranças e projeções, dos muitos filmes as mesmas cenas devoradas.

TRÊS ACENOS TRIBUTANDO MEUS MORTOS – O primeiro, um aceno solidário: sei que muitos se foram quando eu poderia ter ido junto e arrastado todas as recordações dos sonhos de luta por um país melhor para todos nós. O segundo, um aceno de teimosia: mesmo derrotados, persisto em nome do que há de mais sagrado em viver e deixar viver, guardando comigo o que disse Bigas Luna: O êxito é um dos melhores caminhos para a infelicidade. O terceiro, um aceno de paz com a homenagem para os meus que se foram, como o Monumento aos Mortos, do escultor português Ruy Roque Gameiro (1906-1935). Saúdo os que escaparam e os que resistem, precisamos manter a chama acesa e agora mais do que nunca. Até mais ver.

ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA
O drama Era uma vez eu, Verônica (2012), dirigido por Marcelo Gomes, conta a história de uma jovem em fase de transição, que mora com o pai e acabou de se formar em medicina, quando se dedica à vida profissional num hospital público, suas condições precárias e o cotidiano agitado e cansativo.
&
CINEMA PERNAMBUCANO
Um sítio interativo e colaborativo que serve de base de dados online e gratuita do Cinema Pernambucano, concebido, dirigido e organizado por Germana Pereira e Isabela Cribari, disponibiliza a cronologia da história, passando pela filmografia da década de 1920 até a produção contemporânea, com um acervo de mais 400 filmes cadastrados entre curtas, médias e longas metragens nos mais diversos gêneros cinematográficos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

 ELA RENDIDA ARTE...

Ela nua e linda, Cleópatra de Mulier; manhosa supina da Nu couché de Modigliani; dengosa, indecentemente provocante In the garden of Eden de Rembovsky; tão fabulosa, nela a glória: The Origin of the World, de Courbet.

 Veja mais aqui & aqui.



segunda-feira, outubro 10, 2016

FROMM, POE, GREENAWAY, FELLINI, EUCLIDES DA CUNHA & ZÉ CELSO, MAYA BEISER, MARTHA GRAHAM, GERALDO CARNEIRO, NIETZSCHE, RIOPELLE, MILHAZES, CLÉSINGER, GARRIDO, BESNARD & ASTECAS


INEDITORIAL: DE PERTO NINGUÉM É MESMO NORMAL! - Salve, salve, gentamiga! De perto ninguém é normal meeeeeesmo! De noite ainda dá pra tapiar: toda gata é parda e qualquer trubufu vira miss da hora – feito as fotos que o povo posta nos perfis das redes sociais, maior lindura! Quem, qual Ulisses, nunca já foi enfeitiçado pelo canto mavioso de sereias descoladas pelos descaminhos prazerosos tarde da noite, hem? Quando vai ver, tête-à-tête, vixe! Basta a primeira fresta da claridade pra se ver agarrado com Urutau que deixa ecoando no quengo o seu sinistro canto: foi, foi, foi, foi. A certidão da lasqueira: merda feita, culpa peita. Lascou, feito visita de mais de três dias: chatura braba. Por educação não dá nem pro pé na bunda e correr da raia; fica e vai descobrindo outras particularidades nada simpáticas. Aí finda genuflexo pelamordedeus abrir um buraco no chão e se socar dentro. Adianta nada! Primeiro, não existe mulher feia, no máximo descuidada ou mal ajambrada – qualquer banho de loja e fica nos trinques, evidentemente, porque se Deus criou algo para rivalizar consigo mesmo, com o Sol, as estrelas, o infinito e todas as maravilhas do mundo, esse ser é a mulher. Anote e aprenda. E, segundo, não adianta apelar pra pena de morte porque aí vira suicídio e não tem a menor graça. Está lembrado daquela cena do Foucault? O condenado, um cavalo amarrado em cada membro, assim: um em cada braço, outros em cada perna e um apertado no gogó, cada um para direções opostas, um pipoco e eles partem cada qual pro seu lado, deixando o desgraçado só os trapos arrastado pelo chão, devidamente esquartejado. Viu? Talqualmente. Mas como hoje é dia da Saúde Mental, preze pela sua e leve a sério. Afinal, endoidecer faz parte, desendoidecer vez em quando, melhor ainda! E vamos aprumar pras novidades do dia: na edição de hoje destaque pra arte do pintor e escultor Jean-Paul Riopelle, O coração do homem de Erich Fromm, a civilização dos Astecas, A carta roubada de Edgar Allan Poe, o cinema de Peter Greenaway homenageando Federico Fellini, a entrevista de Geraldo Carneiro, a Gaia Ciência de Nietzsche, a música de Maya Beiser, a coreógrafa Martha Grahan, a escultura de Auguste Clésinger, Os sertões de Euclides e de José Celso Martinez Corrêa, a fotografia de Luiz Garrido, Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, a pintura de Paul-Albert Besnard & a croniqueta As mil faces do disfarce. Vamos aprumar a conversa & veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
A poesia nossa de cada dia, Mario de Andrade, Gerardo Mello Mourão, Jacques Tati, Camille Saint-Saëns, Empédocles de Agrigento, Jeremy Lipking, Ismael Nery & Maria Claudia Maciel aqui.

E mais:
Tolinho & Bestinha, Giuseppe Verdi, Nora Roberts, Harold Pinter, Franco Zeffirelli, Maria Teresa Horta, Charles Knight, Ed Wood, Richard Senoner, Dolores Fuller, Neuropsicologia & aprendizagem aqui.
Big Shit BÔbras: quando deram um jorge e depois uma júlia num encontro de quarto grau com um ET - a reaparição do padre Bidão! (será?!) aqui.
O contrato social de Rousseau aqui.
Tolinha & Bestinha: Quando Bestinha se vê enrolado num namorico de virar idílio estopolongado aqui.
As trelas do Doro: escambau aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.

DESTAQUE: 
Arte do pintor e escultor canadense Jean-Paul Riopelle (1923-2002). Veja mais aqui.

AS MIL FACES DO DISFARCE (Imagem: da artista plástica Beatriz Milhazes)– A face em prantos, mil disfarces ruindo nas lágrimas. Novas poses, máscaras de nunca antes. Tantas revelações emergem noutras muitas mentiras, um passo além do tempo: erros, avanços, recuos, giro de pião. Refaz-se, está na hora de encarar a vida, sai enchendo o mundo de pernas. Pros outros, ah, só simpatia de campeão, firmeza de tronco inarredável, retidão inexorável, amigo de todas as horas. Assim o dia: caras e bocas. Ao entardecer, o suplício. De noite, o retorno à míngua particular. Sozinho, no escuro se espreme. Resolve definitivamente encarar o espelho - fica de cabelo em pé e contata: pior que Dorian Gray. Não sustenta o olhar à sua própria efígie. Dá um passo atrás e ousa levantar os olhos, buscando forças pro inevitável: dar de cara consigo mesmo. Impossível esquivar-se. E repele, nega-se a si mesmo, jamais ver-se a si próprio. Cabisbaixo ouve Os homens ocos de Eliot e deplora. O Poema em linha reta de Pessoa, o seu libelo. Não, nega tudo, nega-se. E se debate, reprimindo-se, imolando-se até a autocomiseração. Reduzido a nada, cinzas de si, chega, junta os cacos dentro da alma e tenta se reerguer. É hora de reagir e vai pra rua espantar seus demônios, expulsá-los aos ventos. Sua dor ficou na porta aberta esquecida e a esmo descarrila até se assustar com um jovem que dá uma tapa carburando as ideias na beira da praia enluarada. Revolve seu ódio, reprime, prende e humilha, até deixá-lo recluso e incomunicável. Estufa o peito de moralista que demoniza a maconha, a putaria, a roubalheira, as folganças irresponsáveis, a incredulidade sarcástica e a propensão inata à maldade. Por desassombro põe a mão sobre a Bíblia, faz o sinal da cruz e segue pra primeira igreja, ajoelhado devoto por exaltadas orações, pedindo perdões pra livrar-se dos castigos e segue de alma lavada pra impor sua justiça a todo mundo, enretando tudo o que, a seu devido ver e achar, está desenretado. Aparentemente apaziguado segue adiante. Perambula na madrugada e o dia amanhece no trabalho. Quando se dá conta está às voltas com o que sempre foi: inventa pinóias, propaga boatos, arma cruzetas, aplica embuste, incrimina o alheio e surrupia o tomado fácil. Punhos fechados no tórax, a vida nos bolsos: um Alexander DeLarge reincidente que auto-absolvido de todas as culpas, circula impune ao som da nona de Beethoven a se glorificar lavando a alma. Ao espelho, nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.
 
UMA MÚSICA: 
Curtindo o álbum Almost Human (eOne Music, 2006), da violoncelista, cantora & produtora israelense Maya Beiser.

O CORAÇÃO DO HOMEM & SAÚDE MENTAL - [...] a ciência criou um novo objeto para o narcisismo - a técnica. O orgulho narcisista do homem em ser o criador de um mundo de coisas dantes não-sonhado, o descobridor do rádio, televisão, força atômica, viagem espacial, e até em ser o destruidor potencial do globo inteiro, deu-lhe um novo objeto para o auto engrandecimento narcisista. [...]  A saúde mental se caracteriza pela capacidade de amar e criar, pela libertação dos vínculos incestuosos com o clã e o solo, por uma sensação de identidade baseada no sentimento de si mesmo como o sujeito e o agente das capacidades próprias, pela captação da realidade interior e exterior, isto é, pelo desenvolvimento da objetividade e da razão.Trecho extraído da obra O coração do homem: seu gênio para o bem e para o mal (Guanabara, 1981), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte da dançarina e coreógrafa estadunidense Martha Graham (1894-1991). Veja mais aqui.

PERNSAMENTO DO DIA: Apesar das maravilhas que lhes ocasionava Topilzin, os Toltecas se recusavam a adora Quetzalcoatl, pelo menos como deus único. Temiam as terríveis represálias do sanguinário Tezcatlipoca, seu deus tradicional, sedento de sangue humano dos sacrifícios que Ce Acatl Topilzin Querzalcoatl lhe recusava havia tanto tempo. A preocupação se apoderou deles de tal maneira, que começaram a conspirar contra seu encantador príncipe-deus. Durante esse tempo, Tezcatlipoca se aliava a dois outros deuses do mal e multiplicava, os sortilégios para forçar Topilzin a deixar Tula. Chega mesmo a entrar na câmara obscura do templo onde o jovem príncipe-deus estava em oração. Ele estendeu um espelho mágico que inventara. Olhando-se nele, Topilzin Quetzalcoatl viu um abominável velho enrugado e teve medo: - Se os meus me vêem assim, fugirão. Para acalmá-lo apareceu a divindade maléfica Coyotlinahual (feiticeiro-coiote): - Vou te ajudar a parecer diferente – diz-lhe ele. E o disfarça com uma máscara, de tintura vermelha e penas. Durante esse tempo, o terceiro deus mau Ilhuimecal preparou, em sua caldeirinha infernal, um grande pirão de tomates, pimentão, cebolas, chile, milho e feijão. Misturou tudo num vaso de barro, acrescentando mel selvagem com pulque, álcool terrivelmente embriagador. Convidado a jantar pelos três deuses, Quetzalcoatl, por delicadeza, provou o pirão, decidido, no entanto, a não beber. Apenas o prato estava de tal maneira picante, que não pôde comer. Molhando o dedo na bebida, passou-o sobre os lábios irritados. Depois, com os quatro dedos, repetiu a operação. A seguir usando a mão em concha, bebeu avidamente... Levantou-se, dançou e eufórico pediu: - Vão procurar minha irmã, a adorável Quetzalpetlatl (Trança de Penas), para que bebamos juntos... quando despertou, muito mais tarde, sua irmã repousava despida a seu lado, cabelos despenteados... Quetzalcoatl, horrorizado, compreendeu que, durante a embriaguez, perdera sua castidade e com ela sua dignidade sacerdotal. Trecho extraído da obra A civilização dos astecas (Otto Pierres, 1975), do jornalista e escritor francês Jean Marcilly. Veja mais aqui.


Imagens: a arte do escultor e pintor francês Auguste Clésinger (1814-1883).

A CARTA ROUBADA - [...] O mundo material – prosseguiu Dupin – contem muitas analogias estritas com o imaterial e, desse modo, um certo matiz de verdade foi dado ao dogma retório, a fim de que a metáfora, ou símile, pudesse dar vigor a um argumento, bem como embelezar uma descrição. [...] Há um jogo de enigmas – replicou ele – que se faz sobre um mapa. [...] lançara mão do compreensível e sagaz expediente de não tentar escondê-la de modo algum. [...] uma carta solitária [...] numa letra diminuta, feminina, ao próprio ministro. [...] apanhei o documento, meti-o no bolso e o substituí por um fac-símile (quanto ao que se referia ao aspecto exterior) preparado cuidadosamente em minha casa, imitando facilmente a inicial “D” por meio de um selo feito de miolo de pão. [...] O pretenso lunático era um homem que estava a meu serviço. [...] rumo à sua própria ruína política. Sua queda será tão precipitada quanto desastrada. [...] Fácil é a descida para o inferno... um projeto tão funesto, se não é digno de Atrée, é digno de Thyest. [...]. Trechos do conto A carta roubada, extraído da obra Histórias extraordinárias (Abril, 1978), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1840). Veja mais aqui e aqui.

OS SERTÕES - Um dos mais controversos espetáculos teatrais das últimas décadas, foi o premiadíssimo Os Sertões, baseado na clássica obra do escritor Euclides da Cunha (1866-1909), do não menos ousado e aclamado ator, dramaturgo e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa. O espetáculo possui duração de 30 horas, dividido nas peças A Terra, O Homem 1, O Homem 2, A Luta 1 e A Luta 2, e foi realizado em comemoração aos 50 anos de criação do legendário Teatro Oficina. O projeto foi amadurecido pelo dramaturgo durante mais de duas décadas, sendo concluído em 2001, para realizar uma temporada nos mais diversos palcos brasileiros. As cinco peças teatrais de Os Sertões foram ganhadoras do Prêmio Shell (2002), Prêmio Bravo Prime de Cultura (2005) e Prêmio Shell (2005), nas mais diversas categorias. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

8½ WOMEN – O filme 8½ Women (1999), do cineasta do cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, é uma homenagem direta às mulheres dos filmes do cineasta e artista plástico italiano Federico Fellini (1920-1993), apresentando uma cena em que pai e filho discutem as fêmeas enquanto assistem ao filme. Esse ótimo filme conta a história de um pai e filho que são bilionários, donos de cassinos luxuosos no Japão, que contratam oito mulheres para servirem de acompanhantes ou supostas esposas. Durante o enredo, num mundo de requintada estranheza, eles passam a descobrir como melhor se relacionarem com elas em suas diferentes e bizarras características. Um ótimo filme como toda obra do cineasta que merece aplausos de pé. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte do premiado fotógrafo Luiz Garrido.

AGENDA: I CONGRESO DE PSICOLOGIA DO VALE DO SÃO FRANCISCO – Acontecerá no dia 31 de outubro e 2 de novembro, no Complexo Multieventos da Univasf, campus Juazeiro-BA, com apoio da Univasf e do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o I Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, sobre a temática A prática da psicologia no Vale do São Francisco: aspectos teóricos, éticos e políticos, com o objetivo de integrar os conhecimentos das abordagens teórico-metodologicas da Psicologia e das suas diversas áreas de atuação. No evento será discutido a respeito dos atuais desafios da formação, da pesquisa e da atuação do psicólogo na região, possibilitando a participação de estudantes, profissionais e de áreas afins, com relação aos saberes construídos e as possíveis transformações do cenário regional. Informações pelo fone (87)2101-6868 ou pelo mail congrepsidovale2016@gmail.com. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: GERALDO CARNEIRO – Alguns anos atrás, quando eu estava na condição de editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites – O diferencial humano (RJ), tive a oportunidade de entrevistar o poeta, letrista e roteirista mineiro radicado no Rio de Janeiro, Geraldo Carneiro, parceiro musical de grandes nomes da música, tais como Egberto Gismonti, Astor Piazzola, Wagner Tiso, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Francis Hime, entre outros. Confira a entrevista aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] Um novo ideal corre à nossa frente, um ideal estranho, tentador, rico de perigos, ao qual não gostaríamos de persuadir ninguém, porque a ninguém concederíamos tão facilmente o direito a ele: o ideal de um espírito que joga ingenuamente, isto é, sem querer e por transbordante plenitude e potencialidade, com tudo o que até agora se chamou sagrado, bom, intocável, divino; para o qual o mais alto, em que o povo encontra legitimamente sua medida de valor, já significaria perigo, declínio, rebaixamento ou, no mínimo, descaso, cegueira, esquecimento temporário de si; o ideal de um bem-estar e bem-querer humano-sobre-humano, que muitas vezes parecerá inumano, quando, por exemplo, se põe ao lado de toda seriedade terrestre até agora, ao lado de toda espécie de solenidade em gesto, palavra, tom, olhar, moral e tarefa, como sua mais corporal, sua involuntária paródia - e com o qual somente, a despeito de tudo isso, começa talvez a grande seriedade, com o qual é posto o verdadeiro ponto de interrogação, o destino da alma muda de rumo, a tragédia começa...
Trecho extraído do Livro V – “O andarilho” fala - , da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu, do pintor e gravurista francês Paul-Albert Besnard (1849-1934).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...