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quarta-feira, março 11, 2020

DEBORAH COLKER, SACHA COUTINHO, MICHAELA DEPRINCE & EZILDA GOYANA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: COMO QUEM DANÇA A VIDA PASSA - Ao lado dela a vida sorri. Sou seu par: os passos dela, os meus descompassos. Ela sorri coreografando o momento; eu, equilibrista de sempre. Na ponta dos pés, a sua nudez desenhava os sonhos na realidade; eu, na corda bamba, nela a me agarrar. Se eu vacilasse na topada, ela era arrimo aos mimos e cuidados, hem hem. Se eu tropeçasse de novo, ela mais ria exagerada de compaixão. Ao me sentir desistente, era nua mais terna que solidária. Quem? Deborah Colker: Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante. Passim, a dança revelou o amor. DUAS: O QUE RESTA DE TÃO POUCA FELICIDADE - Poemas inconclusos e canções desfeitas sou pedra abstrata de monumento em ruínas, eternos sonhos jamais distinguidos entre sombras e pulsações. E ela seminua debruçada sobre a tela, esboços de uma gravura. Reinventava meu mundo, a poesia transcendia inalcançável, sou apenas sentimento humano, o silêncio me liberta: ela nua sobre seus versos manuscritos, poemas de amor e paixão. O cântico e ela, despida e singela no meu êxtase viril e brasa nas veias. Flor renascida e nos amontoamos a consumir o pouco de felicidade que nos resta. Quem? Wanda Gág: Não há nada melhor para fazer do que tomar a si próprio à medida que nos encontramos e fazermos o melhor de nós mesmos. Se me vejo como filha de um artista que me deixou de mente aberta e um caráter convenientemente forte para resistir à tentação, saio de lá e realizo o que posso... Sou o poema que escrevi na sua carne. TRÊS: QUEM ENTRA NA RODA SÓ TEM QUE DANÇAR - Era ela a vida e ardia um canto, o átimo enrubesceu a voz porque tudo era ela desnuda com o perfume de flores e às badaladas no meu coração. Livre e honesta expressão do movimento e mais que ela, braços de Allegheny, pernas da Pensilvânia e o que vivi de terrível e agradável, a desvendar a alma humana na sua nudez… Ela me deu a chave de Paris e a coroa japonesa, e até muito mais: o inevitável. Deu-me o que era de Deus e dos homens, e a sua prosa era mais que o verbo ou a palavra na sua pele: sem véus ou vestes, o embalo profundo de todas as formas, o ânimo da loucura com suas sílabas e vínculos, a música inaudível no enigma dos gestos despudorados. Quem? Martha Graham: O corpo diz o que as palavras não podem dizer. A dança é a linguagem escondida da alma. Semeou o amor para florir os campos da minha vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nem sempre me chamei Michaela DePrince. Quando nasci, em um povoado no sudeste de Serra Leoa, na África Central, meus pais me batizaram Mabinty Bangura. Minha mãe me deu à luz em 1995, em plena guerra civil que matou mais de 50 mil pessoas - número que inclui meus pais -, ele foi assassinado pelos rebeldes da Frente Revolucionária na mina de diamantes onde trabalhava; ela morreu de febre de Lassa, uma das muitas doenças disseminadas pela guerra e pela falta de saneamento básico por lá. Aos 3 anos, me tornei órfã. Tenho vitiligo, doença autoimune que produz manchas brancas pelo corpo. Por isso, a maior parte dos moradores de nossa aldeia, incluindo meu tio, que cuidou de mim logo que meus pais morreram, achava que eu era uma maldição e passou a me chamar de “filha do diabo”. Por causa da doença, o irmão do meu pai me abandonou em um orfanato, onde vivi por pouco mais de um ano. Lá, éramos 27 crianças. A primeira recebia o maior prato de comida e a melhor roupa. Acabei escalada para ser a de número 27. Passei muita fome naquele ano e fiz apenas uma amiga, Mabindy Suma. Ela era a 26ª da lista porque estava sempre doente e fazia xixi na cama. Em poucos dias, nos tornamos praticamente irmãs - Mabindy Suma costumava cantar e contar histórias para eu dormir. Num dia de tempestade, os ventos trouxeram a capa de uma revista, que ficou presa no portão do orfanato. Agarrei aquela folha com toda a minha força. Nela estava estampada a foto de uma mulher branca - como fiquei surpresa ao ver pela primeira vez uma pessoa com outro tom de pele! - usando uma saia rosa curta e brilhante: era uma bailarina. O que me chamou mais a atenção naquela imagem, no entanto, foi a expressão de felicidade em seu rosto. Apesar de eu não saber ao certo o que era ser uma bailarina, naquele momento pensei que, se ela estava sorrindo, talvez um dia eu pudesse sentir sua alegria se fizesse exatamente o mesmo. Lembro-me de compartilhar esse sonho com a nossa professora de inglês, Sarah - estudávamos a língua porque o dono do orfanato esperava que fôssemos adotadas por famílias americanas. Eu era muito esforçada e apegada a essa professora, para quem sempre dançava na ponta dos pés. Um dia, ao acompanhar Sarah até o portão, então grávida de sete meses, vi alguns rebeldes da Frente Revolucionária se aproximando. Eles riam e gritavam - hoje, quando relembro essa cena, acredito que estavam bêbados ou sob o efeito de alguma droga - e rapidamente nos cercaram. Em voz alta, fizeram uma aposta sobre o sexo da criança que ela esperava: seria menino ou menina? Na sequência, um dos guerrilheiros puxou-a para perto de si e cortou sua barriga, arrancando o bebê de dentro dela. Se fosse um menino, talvez os rebeldes tivessem tentado salvá-lo, mas a criança era uma menina. Então, eles cortaram seus braços e pernas na minha frente. Sarah, claro, morreu na hora. Apesar de ter apenas 4 anos, essa cena ficou para sempre na minha memória. [...]. Depoimento da bailarina serra-leonesa Michaela DePrince, que escreveu sua biografia O voo da bailarina: de órfã de guerra ao estrelato (Best Seller, 2016), com sua mãe adotiva Elaine DePrince, uma narrativa envolvente e essencial para a desconstrução dos rígidos estereótipos raciais e padrões de beleza presentes no competitivo mundo do balé. Ao narrar as condições de vida numa terra devastada pela guerra, os primeiros anos de vida, a perda dos pais de maneira brutal, que foi abandonada pelo tio em um orfanato, onde ficou conhecida como "a número 27" e foi cruelmente apelidada de "criança demônio", devido a uma condição de pele que faz com seu corpo pareça manchado. A estadia no orfanato, no entanto, lhe forneceu uma bênção: foi lá que ela encontrou a capa de revista que determinaria seu futuro, estampada com uma linda bailarina na ponta dos pés. Adotada por uma família estadunidense que encorajou seu amor pelo balé, matriculando-a em escolas de dança, ela daria início à emocionante trajetória rumo aos maiores patamares do balé mundial. Sobre sua vida, ela diz: Vocês acham que é um conto de fadas? Veja mais aqui.

SACHA COUTINHO & O AMOR IMPOSSÍVEL
A resistência do povo pernambucano ao domínio holandês no século XVII custou a vida de muitos homens e mulheres, deixou muitos ao desabrigo e também desfez sonhos. Alguns personagens desta guerra foram lembrados pelos historiadores que recuperaram a memória da resistência pernambucana. Já outras figuras, como Sacha Coutinho, permaneceram na memória popular. Sua história começa no engenho Andirobeira, nas proximidades do Recife, onde ela vivia com a mãe, o único irmão Nuno e o pai, João Paulo Vaz Coutinho. Pernambuco caíra em 1630 sob o domínio militar holandês. Pouco depois, Sacha, então com 15 anos, conheceu o jovem Antônio Homem Saldanha de Albuquerque. Este viu recusado, pelo pai da moça, seu pedido de casamento. Afirmaram os escritores românticos do século XIX que Antonio Homem engajou-se com fúria na luta de resistência contra os holandeses, nos combates na Paraiba, morrendo na batalha do Rio Formoso, em março de 1633. Ao perder também seus pais, Sacha passou a viver com o irmão na ilha de Itamaracá. Um dia, no ano de 1646, bateu-lhe à porta pedindo pouso o padre Aires Ivo Correia. Diz a tradição que o padre Aires tinha a mesma fisionomia do falecido Antonio Homem e, por conta disso, Sacha teve um mal súbito e morreu. Outra versão corrente afirma que o padre Aires era o noivo de Sacha, Antonio Homem, que teria sobrevivido à batalha. Ainda segundo a tradição oral, o padre teria plantado uma mangueira sobre a sepultura da jovem. Diz-se no Nordeste que a doçura das mangas de Itamaracá – conhecidas como as mangas do jasmim – deve-se a Sacha. A figura de Sacha encantou os escritores pernambucanos, especialmente a geração romântica, que a imortalizou como “a mártir do amor contrariado”. Em 1854, o escritor Luís Vicente Simoni escreveu um drama lírico em quatro atos intitulado Marilia de Itamaracá ou a donzela da mangueira. Na mesma época, o poeta pernambucano José Soares de Azevedo escreveu o poema “As mangas de Itamaracá”.
SACHA COUTINHO - Verbete sobre a figura mítica e símbolo do amor impossível Sacha Coutinho (1615-1646), extraído do Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade, biográfico e ilustrado (Jorge Zahar, 2000),organizado por Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Tem coisa mais cruel que o espelho? Uma criação deixa sempre perguntas sem respostas que ficam ecoando na minha cabeça. Quando um novo processo se apresenta elas estão lá, gritando, discutindo e me fazendo encontrar novos caminhos. Os meus trabalhos são muitas vezes criados a partir de causa e consequência. O primeiro mundo ainda nos vê como terceiro mundo, não profissionais, atrasados.
DEBORAH COLKER – A arte da bailarina e coreógrafa Deborah Colker, autora de projetos realizados como Mix (1995), Rota (1997), Casa (1999), 4 x 4 (2002), Nó (2005), Dínamo (2006), Cruel (2008), Tatyana (2011) Belle (2014) e Cão sem plumas (2017). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui. E muito mais aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
Imagem: Bloco da saudade, da artista plástica Ezilda Goyana (1922-2019), que elegeu como tema central das suas criações a paisagem e as manifestações culturais da sua terra natal, mostrando em suas telas a profunda paixão pelo Sertão do Pajeú.
A história de amor de Fernando e Isaura, do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
O arranha-céu e outros poemas, do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013) aqui & aqui.
Rio Una no Meu Cantar, do cantor e compositor Jorge de Altinho aqui.
Das musas de ontem e hoje, do poeta, professor e pesquisador Amaro Matias Silva (1922-2002) aqui.
O município de Bonito aqui & aqui.
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OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quarta-feira, março 04, 2020

DING LING, FÁTIMA FREITAS, BRAZIL & ARTE PERNAMBUCANA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: DANÇAR CONFORME A MÚSICA - Ora, ora. Nestes tempos de turbulência estuporada, quem não sabe dançar, ou melhor, quem não tem a presteza de adaptação às situações difíceis, não consegue sobrevivência ideal: é preciso se comportar da maneira que a situação exige. Melhor expressa Pina Bausch (1940-2009): Dance, Dance… Senão estamos perdidos. Dançar é uma forma de amar. Você tem que deixar que cada um se expresse por suas motivações internas. Esta a razão da gente encontrar o sábio Zaratustra de Nietzsche dizendo: Eu só poderia crer em um Deus que soubesse dançar. E o próprio Nietzsche arrematar: Considero desperdiçado qualquer dia em que não dancei. Vambora dançar, gente! Eu mesmo balanço o esqueleto como posso, aprendendo sempre. DUAS: OU A MÚSICA ESTÁ RUIM DEMAIS, OU TEM GENTE ATRAPALHANDO O FREVO DA GENTE! É certo que os dias de hoje se parecem mesmo uma barbárie com aquela história antiga da dança macabra, vixe! Dança pela qual a Morte aparecia sedutora bailarina para conduzir os homens de todas as idades e condições para a sepultura. Ou, a dos Macabeus – os cadáveres que apareciam boiando nas águas francesas -, em que cada um desaparecia, cada qual por sua vez, porque dela ninguém escapa até hoje. E isso era lá pela Alemanha, França e Inglaterra, idos do século XIV, e que foi retratada por Hans Holbein (1497-1543). Quem diria, hem? Parece mais que hoje: ou a música está ruim para dedéu – o que é muito provável por conta da líquida felicidade urgente -, ou tem gente metendo as mãos pelas pernas e atrapalhando a dança de todo mundo. Oxe! Em pleno século XXI, a gente ainda vive sem saber do que dizia Martha Graham (1894-1991): A dança é a linguagem escondida da alma. Eita! Eu mesmo que não sou besta nem nada, morrer agora não, estou é me ajeitando aqui num Pas de Deux. TRÊS: A DANÇA DOS TANGARÁS – Essa eu vou contar: ia lá pelas bandas do sul do país, quando me deparei com um passarinho azulado, de asas pretas e crista vermelha que de repente apareceu modulando um suave chilreio. Após o solo no galho de uma árvore, logo romperam outros da mesma espécie em coro, pondo-se o primeiro solista a bailar, enquanto os demais estridulavam aos movimentos de um bailado esplendoroso. Que espetáculo, gente! Que passarinhos são estes? São conhecidos como Tangarás. Nossa, que belo! Na hora me veio à memória uma frase de Helena Katz: E nada disso altera o fato de que cada ser humano se constitui como um ser particular, privado, único e insubstituível – um fim em si mesmo. Pelo contrario, valoriza a singularidade que nos torna humanos. Vamos nessa! Inté não sei, visse? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Eu nem sempre com o mesmo contingente. As pessoas pensam que eu vivi no luxo e que gostei de honrarias por ser a esposa de um oficial japonês. Na verdade, eles me mandaram para lá duas vezes; Este foi o terceiro. Eles me confiaram uma última missão, não havia escolha. Ele conhecia bem essa área, o trabalho era importante e em pouco tempo eles não teriam encontrado outra pessoa. Eles não me mandaram mais, curaram minha doença. Está tudo bem para mim, senti falta dos meus pais e estou feliz por poder vê-los novamente. No entanto, minha mãe está desesperada. Não importa o que sou ou não, apenas chorar. [...] Sofrendo? Perguntou Zhen Zhen como se eu estivesse pensando em um distante ontem. Agora não tenho certeza, algumas dificuldades sofreram naquela época, lembrando-as hoje não parece tão inclemente; outros não eram dolorosos, mas quando pensei neles fiquei triste. Já faz mais de um ano, tudo pertence ao passado. Desta vez, ao voltar, muitos me olharam estranhamente, as pessoas desta cidade me veem como estrangeiro. [...] Meus parentes são os mesmos de sempre, me olham com desconfiança. [...] Desde então, eles concordaram em me enviar para Yan'an. Para me curar, pretendo ficar lá para estudar. Ouvi dizer que é um lugar enorme, com muitas escolas e qualquer um pode estudar. [...]. Trechos extraídos da obra Wen Cui (Beijing, 2002), da escritora chinesa Ding Ling (1904-1986), autora de obras como O Diário da senhorita Sofia e O sol brilha sobre o rio Sangkan.

BRAZIL
Ilha na mesma latitude do sul da Irlanda. O nome talvez seja gaélico, uma vez que Bresail é o nome de um antigo semideus pagão e ambas as sílabas Bres e ail denotam admiração. Consiste em um grande anel de terra em torno de um mar interior pontilhado de ilhotas. O mortal comem não pode vê-la e somente uns poucos escolhidos foram, abençoados com a visão de Brazil.
BRAZIL - Trecho extraído da obra L’Isola Brazil (Gênova, 1325), do cartógrafo genovês Angelinus Dalorto ou Dulcert, que operava em Palma de Maiorca no século XIV.  Nessa obra, as notas e lendas são escritas em latim, e o mapa se caracteriza por representar aspectos desconhecidos das obras contemporâneas produzidas em Gênova e na República de Veneza. A esse respeito, David Hughes baseado em obras de Ignatius Donnelly (1882), de Christopher Gill (1980), Charles Berlitz (1984), entre outros, assinala que a ilha misteriosa chamada Hy-Brazil, mencionada na mitologia britânica, foi sem dúvida a Atlântida; pois seu rei era chamado de "rei do mundo". Hy-Brazil aparece sob muitos nomes diferentes nos mapas medievais. Muitos mapas após o tempo de Colombo ainda mostrassem uma ilha com esse nome no Atlântico Norte, por ser a ponta mais ao norte da Atlântida e que estava na mesma latitude da Irlanda, mas fora do mar. A capital da Atlântida, chamada "Brasileia" por Piteas, onde se dizia que o "rei do mundo" residia, foi dito por Platão, atestando o alto nível de civilização que os atlantes alcançaram na antiguidade. Durante séculos, acreditava-se que sua existência era tão certa que os geógrafos a desenharam em seus mapas até 1853. Acreditava-se geralmente que Hy-Brasil estava no meio do oceano, centenas de quilômetros a oeste da Irlanda. Posteriormente, apareceu no Atlas Catalão de 1375, que o identificou como duas ilhas distintas e separadas, mas com o mesmo nome, "Ilha de Brasil". Em 1572, a ilha também apareceu no mapa de Abraham Ortelius, considerado por muitos como o criador do atlas moderno. No artigo dos irmãos Pizigani de 1367, o nome Brasil é dado, além de Hy-Brasil, a duas outras ilhas: Mam, localizada a oeste do Canal da Mancha e a uma das ilhas dos Açores, Terceira. Depois de 1865, a ilha continuou a aparecer em alguns mapas, mas sua posição não pôde ser verificada com certeza. No entanto, ao longo dos séculos, as histórias que circularam nessa ilha fantasma falaram dela como o lar de uma civilização rica e avançada, embora as histórias apresentassem inúmeras diferenças entre elas. Há também um verbete encontrado no Dicionário de lugares imaginários (Companhia das Letras, 2003), de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O que me marcou realmente foram a garra, a disciplina e a perseverança, ser constante nos projetos e acreditar neles, além de estar cercada de bons profissionais e de ter tido muita sorte. O amor à arte é o que me mantém viva, além, é claro, dos filhos e netas apaixonantes.
FÁTIMA FREITAS - A arte da bailarina, coreógrafa e produtora Fátima Freitas que iniciou sua carreira aos 16 anos, mantendo-se como um dos principais nomes da dança brasileira. Veja mais aqui & aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
A arte da coreógrafa, dançarina, pesquisadora, professora e produtora cultural Maria Paula Costa Rego aqui.
O folclore do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mario Souto Maior (1920-2001) aqui, aqui & aqui.
A literatura de Luiz Berto aqui e aqui.
A poesia de Margarida de Mesquita aqui.
A música de Silvério Pessoa aqui.
A arte de Luiz Barreto aqui & aqui.
Literatura e Teatro Infantis na escola aqui.
O município de Altinho aqui & aqui.
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terça-feira, junho 04, 2019

LORCA, ZAIDAN FILHO, MARTHA GRAHAM, PAUL LANDOWSKI, MATA ATLÂNTICA, MAIDENTRIP & HORROR VACUI


HORROR VACUI – A vida é uma viagem para longe ou perto, quantos passageiros e eu lá perante o brasileto arrancado da mata, exterminado. Já não sei nada, tudo virou de ponta cabeça, porque o Sol sorriu na floração do lótus que brotou das águas turvas e paradas, enquanto fazem da manhã seguinte uma eterna noite de ontem. A casa cheia, o auditório lotado, espaços preenchidos, lacunas, hiatos, nenhum silêncio, ninguém morreu, ora, nenhum obirapiranga para remédio, porquanto achacados com a dor de muitos e nem sabem ou sentem. O caos salta aos olhos com os remorsos do vazio: a solidão. Todos me parecem como se usassem um ornamento facial da mulher Maori, do ramo sinuoso às espirais, e me avisavam: não se deve calar, é preciso dizer. A mim, a inquietação me faz falar sozinho com as paredes, coisas e invisíveis. Acho que enlouqueci no meu horror vacui, como se tivesse apenas uma Caesalpinia echinata para fazer um país. Estou só e me tomam por um louco: esquecer quem sou a deslizar na pele do outro, mas não há ninguém. Sonho sonhos que o criador esqueceu de sonhar e os mistérios nunca revelados, só tinha o pé de ibirapitanga, uma efígie de barba numa jarra belarmina, uma cerâmina shibui e bricabraques aos montes. Cá entre nós: as coisas já passaram do ponto e ninguém se deu conta, muito menos fazem o que precisa ser feito: só o olhar da morte, mãos e pés da morte, tudo para matar, a extinção do orabutã. Nesse pesadelo escatológico, ouço O Corvo de Poe, a loucura de Lovercraft, os delírios de Stephen King, as fantasias de Clive Baker, tudo é o Inferno de Dante. Não são demônios nem bruxas, vampiros ou lobisomens, nenhum desses seres horripilantes: são gentes como eu, de carne e osso, fanatismo e desencantos. Nada tão amedrontador: o pânico do terror diante da destruição. Ah, o meu horror não, não apenas, de todos: fabricar mortes, vender mortes, excretar mortes. Nenhum ibirapita para sombra no ermo e eu vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O desafio que o terceiro milênio reserva para o nordeste é convencer as elites econômicas e dirigentes do país de que é possível se integrar na economia mundial sem abandonar seus pobres e miseráveis. E que o principal ativo de uma nação é seu povo e suas tradições culturais. Países sem política de desenvolvimento regional e social e sem identidade estão destinados a ser meras plataformas de exportação para o mundo, sem cidadãos, direitos e identidade cultural [...] Vislumbram-se o nascimento de uma civilização planetária, bem como o de um novo setor público supranacional. Com o revivescimento da “comunidade”, em um registro planetário, animado por outros atores, outras solidariedades e outras políticas. É a reconstrução da ética em outros termos: não mais fabril, nem estatal; nem pública, nem privada. Local e global ao mesmo tempo. Ligada à comunidade, ao mundo da vida ou à cotidianidade. Um mundo de interação simbolicamente mediada, em que a linguagem e a significação passam a ter importância fundamental.
Trechos extraídos da obra O fim do nordeste e outros mitos (Cortez, 2001), do professor e filósofo Michel Zaidan Filho. Veja mais aqui e aqui

COMO É QUE ALGUÉM VAI DEFENDER O QUE NÃO CONHECE?
[...] Pela sua riqueza e por toda a diversidade que contém, a Mata Atlântica foi também considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
[...] Condomínios de luxo se instalam nas matas de restinga (que é como é chamada a Mata Atlântica na região das planícies, perto do mar); famílias de migrantes pobres erguem barracos e cortam árvores em áreas de preservação permanente e/ou de risco. E, assim, a nossa Mata Atlântica vai desaparecendo. Devemos desanimar? Nunca! Conhecer o problema é meio caminho andado. Repetimos: a gente só ama e preserva aquilo que conhece. Só se exerce a cidadania quando se tem conhecimento dos temas que devem ser objeto de luta. [...].
Trechos extraídos da obra Mata Atlântica: vinte razões para amá-la (Musa, 2005), da jornalista e fotógrafa Regina Helena de Paiva Ramos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

MAIDENTRIP
O meu sonho é ser a pessoa mais jovem do mundo a navegar sozinha.
O documentário Maidentrip (2013), dirigido por Jillian Schlesinger, conta a história da adolescente holandesa nascida na Nova Zelândia, Laura Decker que, com apenas 14 anos de idade, se tornou a mais jovem a velejar ao redor do mundo sozinha por 518 dias, depois de um ruidoso processo que tramitou no tribunal holandês. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor francês Paul Landowski (1875-1961). Veja mais aqui & aqui.

A DANÇA DE MARTHA GRAHAM
A dança é a linguagem escondida da alma. Ninguém se importa se você não sabe dançar bem. Apenas se levante e dance. Bons dançarinos são bons por causa de sua paixão.
A arte da dançarina e coreógrafa estadunidense Martha Graham (1894-1991). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A OBRA DE FEDERICO GARCIA LORCA
A Terra é o provável paraíso perdido.
A obra do poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936) aqui, aqui e aqui.


segunda-feira, outubro 10, 2016

FROMM, POE, GREENAWAY, FELLINI, EUCLIDES DA CUNHA & ZÉ CELSO, MAYA BEISER, MARTHA GRAHAM, GERALDO CARNEIRO, NIETZSCHE, RIOPELLE, MILHAZES, CLÉSINGER, GARRIDO, BESNARD & ASTECAS


INEDITORIAL: DE PERTO NINGUÉM É MESMO NORMAL! - Salve, salve, gentamiga! De perto ninguém é normal meeeeeesmo! De noite ainda dá pra tapiar: toda gata é parda e qualquer trubufu vira miss da hora – feito as fotos que o povo posta nos perfis das redes sociais, maior lindura! Quem, qual Ulisses, nunca já foi enfeitiçado pelo canto mavioso de sereias descoladas pelos descaminhos prazerosos tarde da noite, hem? Quando vai ver, tête-à-tête, vixe! Basta a primeira fresta da claridade pra se ver agarrado com Urutau que deixa ecoando no quengo o seu sinistro canto: foi, foi, foi, foi. A certidão da lasqueira: merda feita, culpa peita. Lascou, feito visita de mais de três dias: chatura braba. Por educação não dá nem pro pé na bunda e correr da raia; fica e vai descobrindo outras particularidades nada simpáticas. Aí finda genuflexo pelamordedeus abrir um buraco no chão e se socar dentro. Adianta nada! Primeiro, não existe mulher feia, no máximo descuidada ou mal ajambrada – qualquer banho de loja e fica nos trinques, evidentemente, porque se Deus criou algo para rivalizar consigo mesmo, com o Sol, as estrelas, o infinito e todas as maravilhas do mundo, esse ser é a mulher. Anote e aprenda. E, segundo, não adianta apelar pra pena de morte porque aí vira suicídio e não tem a menor graça. Está lembrado daquela cena do Foucault? O condenado, um cavalo amarrado em cada membro, assim: um em cada braço, outros em cada perna e um apertado no gogó, cada um para direções opostas, um pipoco e eles partem cada qual pro seu lado, deixando o desgraçado só os trapos arrastado pelo chão, devidamente esquartejado. Viu? Talqualmente. Mas como hoje é dia da Saúde Mental, preze pela sua e leve a sério. Afinal, endoidecer faz parte, desendoidecer vez em quando, melhor ainda! E vamos aprumar pras novidades do dia: na edição de hoje destaque pra arte do pintor e escultor Jean-Paul Riopelle, O coração do homem de Erich Fromm, a civilização dos Astecas, A carta roubada de Edgar Allan Poe, o cinema de Peter Greenaway homenageando Federico Fellini, a entrevista de Geraldo Carneiro, a Gaia Ciência de Nietzsche, a música de Maya Beiser, a coreógrafa Martha Grahan, a escultura de Auguste Clésinger, Os sertões de Euclides e de José Celso Martinez Corrêa, a fotografia de Luiz Garrido, Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, a pintura de Paul-Albert Besnard & a croniqueta As mil faces do disfarce. Vamos aprumar a conversa & veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
A poesia nossa de cada dia, Mario de Andrade, Gerardo Mello Mourão, Jacques Tati, Camille Saint-Saëns, Empédocles de Agrigento, Jeremy Lipking, Ismael Nery & Maria Claudia Maciel aqui.

E mais:
Tolinho & Bestinha, Giuseppe Verdi, Nora Roberts, Harold Pinter, Franco Zeffirelli, Maria Teresa Horta, Charles Knight, Ed Wood, Richard Senoner, Dolores Fuller, Neuropsicologia & aprendizagem aqui.
Big Shit BÔbras: quando deram um jorge e depois uma júlia num encontro de quarto grau com um ET - a reaparição do padre Bidão! (será?!) aqui.
O contrato social de Rousseau aqui.
Tolinha & Bestinha: Quando Bestinha se vê enrolado num namorico de virar idílio estopolongado aqui.
As trelas do Doro: escambau aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.

DESTAQUE: 
Arte do pintor e escultor canadense Jean-Paul Riopelle (1923-2002). Veja mais aqui.

AS MIL FACES DO DISFARCE (Imagem: da artista plástica Beatriz Milhazes)– A face em prantos, mil disfarces ruindo nas lágrimas. Novas poses, máscaras de nunca antes. Tantas revelações emergem noutras muitas mentiras, um passo além do tempo: erros, avanços, recuos, giro de pião. Refaz-se, está na hora de encarar a vida, sai enchendo o mundo de pernas. Pros outros, ah, só simpatia de campeão, firmeza de tronco inarredável, retidão inexorável, amigo de todas as horas. Assim o dia: caras e bocas. Ao entardecer, o suplício. De noite, o retorno à míngua particular. Sozinho, no escuro se espreme. Resolve definitivamente encarar o espelho - fica de cabelo em pé e contata: pior que Dorian Gray. Não sustenta o olhar à sua própria efígie. Dá um passo atrás e ousa levantar os olhos, buscando forças pro inevitável: dar de cara consigo mesmo. Impossível esquivar-se. E repele, nega-se a si mesmo, jamais ver-se a si próprio. Cabisbaixo ouve Os homens ocos de Eliot e deplora. O Poema em linha reta de Pessoa, o seu libelo. Não, nega tudo, nega-se. E se debate, reprimindo-se, imolando-se até a autocomiseração. Reduzido a nada, cinzas de si, chega, junta os cacos dentro da alma e tenta se reerguer. É hora de reagir e vai pra rua espantar seus demônios, expulsá-los aos ventos. Sua dor ficou na porta aberta esquecida e a esmo descarrila até se assustar com um jovem que dá uma tapa carburando as ideias na beira da praia enluarada. Revolve seu ódio, reprime, prende e humilha, até deixá-lo recluso e incomunicável. Estufa o peito de moralista que demoniza a maconha, a putaria, a roubalheira, as folganças irresponsáveis, a incredulidade sarcástica e a propensão inata à maldade. Por desassombro põe a mão sobre a Bíblia, faz o sinal da cruz e segue pra primeira igreja, ajoelhado devoto por exaltadas orações, pedindo perdões pra livrar-se dos castigos e segue de alma lavada pra impor sua justiça a todo mundo, enretando tudo o que, a seu devido ver e achar, está desenretado. Aparentemente apaziguado segue adiante. Perambula na madrugada e o dia amanhece no trabalho. Quando se dá conta está às voltas com o que sempre foi: inventa pinóias, propaga boatos, arma cruzetas, aplica embuste, incrimina o alheio e surrupia o tomado fácil. Punhos fechados no tórax, a vida nos bolsos: um Alexander DeLarge reincidente que auto-absolvido de todas as culpas, circula impune ao som da nona de Beethoven a se glorificar lavando a alma. Ao espelho, nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.
 
UMA MÚSICA: 
Curtindo o álbum Almost Human (eOne Music, 2006), da violoncelista, cantora & produtora israelense Maya Beiser.

O CORAÇÃO DO HOMEM & SAÚDE MENTAL - [...] a ciência criou um novo objeto para o narcisismo - a técnica. O orgulho narcisista do homem em ser o criador de um mundo de coisas dantes não-sonhado, o descobridor do rádio, televisão, força atômica, viagem espacial, e até em ser o destruidor potencial do globo inteiro, deu-lhe um novo objeto para o auto engrandecimento narcisista. [...]  A saúde mental se caracteriza pela capacidade de amar e criar, pela libertação dos vínculos incestuosos com o clã e o solo, por uma sensação de identidade baseada no sentimento de si mesmo como o sujeito e o agente das capacidades próprias, pela captação da realidade interior e exterior, isto é, pelo desenvolvimento da objetividade e da razão.Trecho extraído da obra O coração do homem: seu gênio para o bem e para o mal (Guanabara, 1981), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte da dançarina e coreógrafa estadunidense Martha Graham (1894-1991). Veja mais aqui.

PERNSAMENTO DO DIA: Apesar das maravilhas que lhes ocasionava Topilzin, os Toltecas se recusavam a adora Quetzalcoatl, pelo menos como deus único. Temiam as terríveis represálias do sanguinário Tezcatlipoca, seu deus tradicional, sedento de sangue humano dos sacrifícios que Ce Acatl Topilzin Querzalcoatl lhe recusava havia tanto tempo. A preocupação se apoderou deles de tal maneira, que começaram a conspirar contra seu encantador príncipe-deus. Durante esse tempo, Tezcatlipoca se aliava a dois outros deuses do mal e multiplicava, os sortilégios para forçar Topilzin a deixar Tula. Chega mesmo a entrar na câmara obscura do templo onde o jovem príncipe-deus estava em oração. Ele estendeu um espelho mágico que inventara. Olhando-se nele, Topilzin Quetzalcoatl viu um abominável velho enrugado e teve medo: - Se os meus me vêem assim, fugirão. Para acalmá-lo apareceu a divindade maléfica Coyotlinahual (feiticeiro-coiote): - Vou te ajudar a parecer diferente – diz-lhe ele. E o disfarça com uma máscara, de tintura vermelha e penas. Durante esse tempo, o terceiro deus mau Ilhuimecal preparou, em sua caldeirinha infernal, um grande pirão de tomates, pimentão, cebolas, chile, milho e feijão. Misturou tudo num vaso de barro, acrescentando mel selvagem com pulque, álcool terrivelmente embriagador. Convidado a jantar pelos três deuses, Quetzalcoatl, por delicadeza, provou o pirão, decidido, no entanto, a não beber. Apenas o prato estava de tal maneira picante, que não pôde comer. Molhando o dedo na bebida, passou-o sobre os lábios irritados. Depois, com os quatro dedos, repetiu a operação. A seguir usando a mão em concha, bebeu avidamente... Levantou-se, dançou e eufórico pediu: - Vão procurar minha irmã, a adorável Quetzalpetlatl (Trança de Penas), para que bebamos juntos... quando despertou, muito mais tarde, sua irmã repousava despida a seu lado, cabelos despenteados... Quetzalcoatl, horrorizado, compreendeu que, durante a embriaguez, perdera sua castidade e com ela sua dignidade sacerdotal. Trecho extraído da obra A civilização dos astecas (Otto Pierres, 1975), do jornalista e escritor francês Jean Marcilly. Veja mais aqui.


Imagens: a arte do escultor e pintor francês Auguste Clésinger (1814-1883).

A CARTA ROUBADA - [...] O mundo material – prosseguiu Dupin – contem muitas analogias estritas com o imaterial e, desse modo, um certo matiz de verdade foi dado ao dogma retório, a fim de que a metáfora, ou símile, pudesse dar vigor a um argumento, bem como embelezar uma descrição. [...] Há um jogo de enigmas – replicou ele – que se faz sobre um mapa. [...] lançara mão do compreensível e sagaz expediente de não tentar escondê-la de modo algum. [...] uma carta solitária [...] numa letra diminuta, feminina, ao próprio ministro. [...] apanhei o documento, meti-o no bolso e o substituí por um fac-símile (quanto ao que se referia ao aspecto exterior) preparado cuidadosamente em minha casa, imitando facilmente a inicial “D” por meio de um selo feito de miolo de pão. [...] O pretenso lunático era um homem que estava a meu serviço. [...] rumo à sua própria ruína política. Sua queda será tão precipitada quanto desastrada. [...] Fácil é a descida para o inferno... um projeto tão funesto, se não é digno de Atrée, é digno de Thyest. [...]. Trechos do conto A carta roubada, extraído da obra Histórias extraordinárias (Abril, 1978), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1840). Veja mais aqui e aqui.

OS SERTÕES - Um dos mais controversos espetáculos teatrais das últimas décadas, foi o premiadíssimo Os Sertões, baseado na clássica obra do escritor Euclides da Cunha (1866-1909), do não menos ousado e aclamado ator, dramaturgo e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa. O espetáculo possui duração de 30 horas, dividido nas peças A Terra, O Homem 1, O Homem 2, A Luta 1 e A Luta 2, e foi realizado em comemoração aos 50 anos de criação do legendário Teatro Oficina. O projeto foi amadurecido pelo dramaturgo durante mais de duas décadas, sendo concluído em 2001, para realizar uma temporada nos mais diversos palcos brasileiros. As cinco peças teatrais de Os Sertões foram ganhadoras do Prêmio Shell (2002), Prêmio Bravo Prime de Cultura (2005) e Prêmio Shell (2005), nas mais diversas categorias. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

8½ WOMEN – O filme 8½ Women (1999), do cineasta do cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, é uma homenagem direta às mulheres dos filmes do cineasta e artista plástico italiano Federico Fellini (1920-1993), apresentando uma cena em que pai e filho discutem as fêmeas enquanto assistem ao filme. Esse ótimo filme conta a história de um pai e filho que são bilionários, donos de cassinos luxuosos no Japão, que contratam oito mulheres para servirem de acompanhantes ou supostas esposas. Durante o enredo, num mundo de requintada estranheza, eles passam a descobrir como melhor se relacionarem com elas em suas diferentes e bizarras características. Um ótimo filme como toda obra do cineasta que merece aplausos de pé. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte do premiado fotógrafo Luiz Garrido.

AGENDA: I CONGRESO DE PSICOLOGIA DO VALE DO SÃO FRANCISCO – Acontecerá no dia 31 de outubro e 2 de novembro, no Complexo Multieventos da Univasf, campus Juazeiro-BA, com apoio da Univasf e do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o I Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, sobre a temática A prática da psicologia no Vale do São Francisco: aspectos teóricos, éticos e políticos, com o objetivo de integrar os conhecimentos das abordagens teórico-metodologicas da Psicologia e das suas diversas áreas de atuação. No evento será discutido a respeito dos atuais desafios da formação, da pesquisa e da atuação do psicólogo na região, possibilitando a participação de estudantes, profissionais e de áreas afins, com relação aos saberes construídos e as possíveis transformações do cenário regional. Informações pelo fone (87)2101-6868 ou pelo mail congrepsidovale2016@gmail.com. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: GERALDO CARNEIRO – Alguns anos atrás, quando eu estava na condição de editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites – O diferencial humano (RJ), tive a oportunidade de entrevistar o poeta, letrista e roteirista mineiro radicado no Rio de Janeiro, Geraldo Carneiro, parceiro musical de grandes nomes da música, tais como Egberto Gismonti, Astor Piazzola, Wagner Tiso, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Francis Hime, entre outros. Confira a entrevista aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] Um novo ideal corre à nossa frente, um ideal estranho, tentador, rico de perigos, ao qual não gostaríamos de persuadir ninguém, porque a ninguém concederíamos tão facilmente o direito a ele: o ideal de um espírito que joga ingenuamente, isto é, sem querer e por transbordante plenitude e potencialidade, com tudo o que até agora se chamou sagrado, bom, intocável, divino; para o qual o mais alto, em que o povo encontra legitimamente sua medida de valor, já significaria perigo, declínio, rebaixamento ou, no mínimo, descaso, cegueira, esquecimento temporário de si; o ideal de um bem-estar e bem-querer humano-sobre-humano, que muitas vezes parecerá inumano, quando, por exemplo, se põe ao lado de toda seriedade terrestre até agora, ao lado de toda espécie de solenidade em gesto, palavra, tom, olhar, moral e tarefa, como sua mais corporal, sua involuntária paródia - e com o qual somente, a despeito de tudo isso, começa talvez a grande seriedade, com o qual é posto o verdadeiro ponto de interrogação, o destino da alma muda de rumo, a tragédia começa...
Trecho extraído do Livro V – “O andarilho” fala - , da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu, do pintor e gravurista francês Paul-Albert Besnard (1849-1934).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...