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quarta-feira, março 11, 2020

DEBORAH COLKER, SACHA COUTINHO, MICHAELA DEPRINCE & EZILDA GOYANA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: COMO QUEM DANÇA A VIDA PASSA - Ao lado dela a vida sorri. Sou seu par: os passos dela, os meus descompassos. Ela sorri coreografando o momento; eu, equilibrista de sempre. Na ponta dos pés, a sua nudez desenhava os sonhos na realidade; eu, na corda bamba, nela a me agarrar. Se eu vacilasse na topada, ela era arrimo aos mimos e cuidados, hem hem. Se eu tropeçasse de novo, ela mais ria exagerada de compaixão. Ao me sentir desistente, era nua mais terna que solidária. Quem? Deborah Colker: Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante. Passim, a dança revelou o amor. DUAS: O QUE RESTA DE TÃO POUCA FELICIDADE - Poemas inconclusos e canções desfeitas sou pedra abstrata de monumento em ruínas, eternos sonhos jamais distinguidos entre sombras e pulsações. E ela seminua debruçada sobre a tela, esboços de uma gravura. Reinventava meu mundo, a poesia transcendia inalcançável, sou apenas sentimento humano, o silêncio me liberta: ela nua sobre seus versos manuscritos, poemas de amor e paixão. O cântico e ela, despida e singela no meu êxtase viril e brasa nas veias. Flor renascida e nos amontoamos a consumir o pouco de felicidade que nos resta. Quem? Wanda Gág: Não há nada melhor para fazer do que tomar a si próprio à medida que nos encontramos e fazermos o melhor de nós mesmos. Se me vejo como filha de um artista que me deixou de mente aberta e um caráter convenientemente forte para resistir à tentação, saio de lá e realizo o que posso... Sou o poema que escrevi na sua carne. TRÊS: QUEM ENTRA NA RODA SÓ TEM QUE DANÇAR - Era ela a vida e ardia um canto, o átimo enrubesceu a voz porque tudo era ela desnuda com o perfume de flores e às badaladas no meu coração. Livre e honesta expressão do movimento e mais que ela, braços de Allegheny, pernas da Pensilvânia e o que vivi de terrível e agradável, a desvendar a alma humana na sua nudez… Ela me deu a chave de Paris e a coroa japonesa, e até muito mais: o inevitável. Deu-me o que era de Deus e dos homens, e a sua prosa era mais que o verbo ou a palavra na sua pele: sem véus ou vestes, o embalo profundo de todas as formas, o ânimo da loucura com suas sílabas e vínculos, a música inaudível no enigma dos gestos despudorados. Quem? Martha Graham: O corpo diz o que as palavras não podem dizer. A dança é a linguagem escondida da alma. Semeou o amor para florir os campos da minha vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nem sempre me chamei Michaela DePrince. Quando nasci, em um povoado no sudeste de Serra Leoa, na África Central, meus pais me batizaram Mabinty Bangura. Minha mãe me deu à luz em 1995, em plena guerra civil que matou mais de 50 mil pessoas - número que inclui meus pais -, ele foi assassinado pelos rebeldes da Frente Revolucionária na mina de diamantes onde trabalhava; ela morreu de febre de Lassa, uma das muitas doenças disseminadas pela guerra e pela falta de saneamento básico por lá. Aos 3 anos, me tornei órfã. Tenho vitiligo, doença autoimune que produz manchas brancas pelo corpo. Por isso, a maior parte dos moradores de nossa aldeia, incluindo meu tio, que cuidou de mim logo que meus pais morreram, achava que eu era uma maldição e passou a me chamar de “filha do diabo”. Por causa da doença, o irmão do meu pai me abandonou em um orfanato, onde vivi por pouco mais de um ano. Lá, éramos 27 crianças. A primeira recebia o maior prato de comida e a melhor roupa. Acabei escalada para ser a de número 27. Passei muita fome naquele ano e fiz apenas uma amiga, Mabindy Suma. Ela era a 26ª da lista porque estava sempre doente e fazia xixi na cama. Em poucos dias, nos tornamos praticamente irmãs - Mabindy Suma costumava cantar e contar histórias para eu dormir. Num dia de tempestade, os ventos trouxeram a capa de uma revista, que ficou presa no portão do orfanato. Agarrei aquela folha com toda a minha força. Nela estava estampada a foto de uma mulher branca - como fiquei surpresa ao ver pela primeira vez uma pessoa com outro tom de pele! - usando uma saia rosa curta e brilhante: era uma bailarina. O que me chamou mais a atenção naquela imagem, no entanto, foi a expressão de felicidade em seu rosto. Apesar de eu não saber ao certo o que era ser uma bailarina, naquele momento pensei que, se ela estava sorrindo, talvez um dia eu pudesse sentir sua alegria se fizesse exatamente o mesmo. Lembro-me de compartilhar esse sonho com a nossa professora de inglês, Sarah - estudávamos a língua porque o dono do orfanato esperava que fôssemos adotadas por famílias americanas. Eu era muito esforçada e apegada a essa professora, para quem sempre dançava na ponta dos pés. Um dia, ao acompanhar Sarah até o portão, então grávida de sete meses, vi alguns rebeldes da Frente Revolucionária se aproximando. Eles riam e gritavam - hoje, quando relembro essa cena, acredito que estavam bêbados ou sob o efeito de alguma droga - e rapidamente nos cercaram. Em voz alta, fizeram uma aposta sobre o sexo da criança que ela esperava: seria menino ou menina? Na sequência, um dos guerrilheiros puxou-a para perto de si e cortou sua barriga, arrancando o bebê de dentro dela. Se fosse um menino, talvez os rebeldes tivessem tentado salvá-lo, mas a criança era uma menina. Então, eles cortaram seus braços e pernas na minha frente. Sarah, claro, morreu na hora. Apesar de ter apenas 4 anos, essa cena ficou para sempre na minha memória. [...]. Depoimento da bailarina serra-leonesa Michaela DePrince, que escreveu sua biografia O voo da bailarina: de órfã de guerra ao estrelato (Best Seller, 2016), com sua mãe adotiva Elaine DePrince, uma narrativa envolvente e essencial para a desconstrução dos rígidos estereótipos raciais e padrões de beleza presentes no competitivo mundo do balé. Ao narrar as condições de vida numa terra devastada pela guerra, os primeiros anos de vida, a perda dos pais de maneira brutal, que foi abandonada pelo tio em um orfanato, onde ficou conhecida como "a número 27" e foi cruelmente apelidada de "criança demônio", devido a uma condição de pele que faz com seu corpo pareça manchado. A estadia no orfanato, no entanto, lhe forneceu uma bênção: foi lá que ela encontrou a capa de revista que determinaria seu futuro, estampada com uma linda bailarina na ponta dos pés. Adotada por uma família estadunidense que encorajou seu amor pelo balé, matriculando-a em escolas de dança, ela daria início à emocionante trajetória rumo aos maiores patamares do balé mundial. Sobre sua vida, ela diz: Vocês acham que é um conto de fadas? Veja mais aqui.

SACHA COUTINHO & O AMOR IMPOSSÍVEL
A resistência do povo pernambucano ao domínio holandês no século XVII custou a vida de muitos homens e mulheres, deixou muitos ao desabrigo e também desfez sonhos. Alguns personagens desta guerra foram lembrados pelos historiadores que recuperaram a memória da resistência pernambucana. Já outras figuras, como Sacha Coutinho, permaneceram na memória popular. Sua história começa no engenho Andirobeira, nas proximidades do Recife, onde ela vivia com a mãe, o único irmão Nuno e o pai, João Paulo Vaz Coutinho. Pernambuco caíra em 1630 sob o domínio militar holandês. Pouco depois, Sacha, então com 15 anos, conheceu o jovem Antônio Homem Saldanha de Albuquerque. Este viu recusado, pelo pai da moça, seu pedido de casamento. Afirmaram os escritores românticos do século XIX que Antonio Homem engajou-se com fúria na luta de resistência contra os holandeses, nos combates na Paraiba, morrendo na batalha do Rio Formoso, em março de 1633. Ao perder também seus pais, Sacha passou a viver com o irmão na ilha de Itamaracá. Um dia, no ano de 1646, bateu-lhe à porta pedindo pouso o padre Aires Ivo Correia. Diz a tradição que o padre Aires tinha a mesma fisionomia do falecido Antonio Homem e, por conta disso, Sacha teve um mal súbito e morreu. Outra versão corrente afirma que o padre Aires era o noivo de Sacha, Antonio Homem, que teria sobrevivido à batalha. Ainda segundo a tradição oral, o padre teria plantado uma mangueira sobre a sepultura da jovem. Diz-se no Nordeste que a doçura das mangas de Itamaracá – conhecidas como as mangas do jasmim – deve-se a Sacha. A figura de Sacha encantou os escritores pernambucanos, especialmente a geração romântica, que a imortalizou como “a mártir do amor contrariado”. Em 1854, o escritor Luís Vicente Simoni escreveu um drama lírico em quatro atos intitulado Marilia de Itamaracá ou a donzela da mangueira. Na mesma época, o poeta pernambucano José Soares de Azevedo escreveu o poema “As mangas de Itamaracá”.
SACHA COUTINHO - Verbete sobre a figura mítica e símbolo do amor impossível Sacha Coutinho (1615-1646), extraído do Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade, biográfico e ilustrado (Jorge Zahar, 2000),organizado por Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Tem coisa mais cruel que o espelho? Uma criação deixa sempre perguntas sem respostas que ficam ecoando na minha cabeça. Quando um novo processo se apresenta elas estão lá, gritando, discutindo e me fazendo encontrar novos caminhos. Os meus trabalhos são muitas vezes criados a partir de causa e consequência. O primeiro mundo ainda nos vê como terceiro mundo, não profissionais, atrasados.
DEBORAH COLKER – A arte da bailarina e coreógrafa Deborah Colker, autora de projetos realizados como Mix (1995), Rota (1997), Casa (1999), 4 x 4 (2002), (2005), Dínamo (2006), Cruel (2008), Tatyana (2011) Belle (2014) e Cão sem plumas (2017). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui. E muito mais aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
Imagem: Bloco da saudade, da artista plástica Ezilda Goyana (1922-2019), que elegeu como tema central das suas criações a paisagem e as manifestações culturais da sua terra natal, mostrando em suas telas a profunda paixão pelo Sertão do Pajeú.
A história de amor de Fernando e Isaura, do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
O arranha-céu e outros poemas, do poeta, jornalista, professor e crítico literário Cesar Leal (1924-2013) aqui & aqui.
Rio Una no Meu Cantar, do cantor e compositor Jorge de Altinho aqui.
Das musas de ontem e hoje, do poeta, professor e pesquisador Amaro Matias Silva (1922-2002) aqui.
O município de Bonito aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quarta-feira, março 11, 2015

PIAZZOLLA, TASSO, BATAILLE, BERTOLUCCI, MOSÉ, GÁG & FECAMEPA!!!


FECAMEPA – Desde que me entendo por gente que ouço falar em crise! Crise disso, crise daquilo. Quando nasci logo veio o golpe militar de 64, fui crescendo com a luta pela redemocratização do país. Veio a Constituição Federal – e como tudo aqui é pra inglês ver, dessa vez foi pro francês, como diz o grande Roberto Da Matta. Aí veio o bigode de Sarney, a derrocada collorida, a solteirice de Itamar, a tentativa inseticida não vingada de Fegacê e o reino Lulista que a gente saboreia até hoje com a Dilma. Uma trajetória e tanto, hem? Pois bem. Mas foi com a lengalenga peessedebista do Fegacê que me deu base. Primeiro, inspirado no Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta: Festival de Besteiras Assolando o País. Depois o vaticínio do dramaturgo Plínio Marcos: a gente vai morrer atolado na merda. Ora, ora. Juntando isso consegui descobrir que na verdade a gente é um Fabo – leia-se: fabricante de bosta – desde que os portugueses chegaram aqui na cagada e atrasados no século XVI, inaugurando mesmo um festival: o Festival de Cagadas Melando o País – Fecamepa! Um festival que se a gente botar os olhos na história desde então, acontece até hoje. Confira aqui.

Imagem: fotos da atriz, modelo e dançarina estadunidense Mary Louise Brooks (1906-1985) interpretando a desenhista, escritora e artista estadunidense Wanda Gág (1893-1946). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Ouvindo Adios Nonino (1999) do bandoneonista e compositor argentino Ástor Piazzolla (1921-1992). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui

VIDA DA MINHA VIDA – O poeta latino Torquato Tasso (1544-1595) é autor de epopeias, a exemplo de Gerusaleme liberata (1581) que expressa o dualismo antiético do Barro que aí atinge formas quase paroxísticas, permitindo a coexistência dos sentimentos românticos do amor e da forma clássica de que se utilizou. É considerado um dos mais célebres poetas de toda a literatura universal, o ultimo grande clássico, comparado a Homero, Virgilio e Dante. O seu triste destino foi lamentado por Goethe na tragédia Torquato Tasso (1789) e por Lord Byron no poema The Lament of Tasso (1817). Dele destaco o poema Vida da minha vida: Vida da minha vida, / Tu me pareces azeitona pálida, / Ou bem uma rosa esquálida, / Mas de beleza és diva, / E em qualquer modo sempre me és querida, / Ou anelante, ou esquiva; / E quer fujas, quer sigas, / Suavemente me destróis e obrigas. Dele também esse magistral pensamento: O que o mundo chama de mérito e valor / são ídolos que têm apenas nome, mas nenhuma essência. / A fama que vos encanta, vós altivos mortais, / com um doce som, e que parece tão bela / é um eco, um sonho, melhor que um sonho, uma sombra, / que a cada sopro de vento se dispersa e desaparece. Veja mais aqui, aquiaqui.

A CONFISSÃO DE SIMONE E A MISSA DE SIR EDMOND – No livro Historia do Olho (Cosac Naify, 2003), do escritor francês Georges Bataille (1897-1962) estão temas como erotismo, transgressão e o sagrado, recorrente temas de suas obras que envolvem a Literatura, Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da Arte. Da obra destaco o seguinte fragmento: Não é difícil imaginar o meu espanto. Simone, atrás da cortina, ajoelhou-se. Enquanto ela cochichava, eu aguardava com impaciência os efeitos dessa travessura. O ser sórdido, cismava eu, pularia para fora de sua caixa, precipitando-se sobre a sacrílega. Nada de semelhante aconteceu. Simone falava baixinho, sem parar, diante da janelinha gradeada. Troquei com Sir Edmond alguns olhares carregados de interrogações quando, por fim, as coisas se esclareceram. Pouco a pouco, Simone foi acariciando a coxa, afastando as pernas. Agitava-se, mantendo apenas um joelho no estrado. Levantou completamente o vestido enquanto prosseguia com suas confissões. Parecia que ela se masturbava. Avancei nas pontas dos pés. Simone realmente se masturbava, colada contra as grades, o corpo tenso, as coxas afastadas, os dedos remexendo os pentelhos. Consegui tocá-la, minha mão alcançou o buraco entre as nádegas. Nesse momento, ouvi-a claramente pronunciar: - Padre, ainda não disse o pior. Seguiu-se um silencio. - O pior, padre, é que estou me masturbando enquanto falo com o senhor. Mais alguns segundos, agora de cochichos. Finalmente, quase em voz alta: - Se não acredita, possa lhe mostrar. E Simone se levantou, abrindo-se diante do olho da guarita, masturbando-se, em êxtase, com a mão segura e rápida. - E então, padreco - berrou Simone golpeando violentamente o armário – O que é que você está fazendo no seu barraco? Batendo punheta também? Mas o confessionário permanecia mudo. – Então, eu vou abrir! Lá dentro, o visionário sentado, de cabeça baixa, enxugava a testa encharcada de suar. A moça apalpou a batina: ele não reagiu. Ela arregaçou a imunda saia preta e tirou para fora um pau comprido, rosado e duro: ele se limitou a inclinar a cabeça para trás, com um trejeito e um zunido entre os dentes. Deixou Simone agir, e esta meteu a verga bestial na boca. Sir Edmond e eu tínhamos ficado imóveis de espanto. O assombro me paralisava. Eu não sabia o que fazer, quando o enigmático inglês se aproximou. Afastou Simone com delicadeza. Depois, segurou o verme pelo pulso, arrancou-o para fora do buraco e o estendeu nas lajes, a nossos pés: o desprezível sujeito jazia feito morto pelo chão e a baba lhe escorria pela boca. O inglês e eu o transportamos, nos braços, para a sacristia. De braguilha aberta, pau murcho, o rosto lívido, ele não ofereceu resistência, respirando com dificuldade; nós o jogamos numa poltrona de forma arquitetural. - Senhores - proferiu o miserável -, vocês acham que sou um hipócrita! – Não - disse Sir Edmond, num tom categórico. Simone perguntou-lhe: - Como é o seu nome? - Don Aminado - respondeu. Simone esbofeteou a carcaça sacerdotal. Com o golpe, a carcaça enrijeceu novamente. Ele foi despido; Simone, de cócoras sobre as roupas jogadas no chão, mijou feito uma cadela. Em seguida, Simone masturbou o padre e o chupou. Eu enrabei Simone. Sir Edmond contemplava a cena com uma expressão característica do hard labour. Inspecionou a sala onde tínhamos nos refugiado. Achou uma pequena chave pendurada num prego. - De onde é essa chave? - perguntou o inglês a Don Aminado. Vendo a angústia que contraiu o rosto do padre, ele concluiu ser a chave do santuário [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

REVELAÇÃO & TUDO QUE VEJO - A poeta, filósofa, psicóloga e psicanalista capixaba, Viviane Mosé, é autora de diversas obras, entre elas Stela do Patrocínio - Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, publicado pela Azougue Editorial e indicado ao prêmio Jabuti de 2002, na categoria psicologia e educação. Publicou em 2005, sua tese de doutorado, Nietzsche e a grande política da linguagem, pela editora Civilização Brasileira. Da sua lavra destaco primeiro Revelação: Eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí. É um segredo que eu guardo, é uma revelação Que eu não posso sair dizendo por aí. É que eu tenho medo de que as pessoas se desequilibrem delas mesmas. Que elas caiam quando eu disser. É que eu descobri que a palavra não sabe o que diz. A palavra delira. A palavra diz qualquer coisa. A verdade é que a palavra, ela mesma, em si própria, não diz nada. Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve. Quando existe acordo existe comunicação, Mas quando esse acordo se quebra ninguém diz mais nada, Mesmo usando as mesmas palavras. Também merece destaque Tudo que vejo: Era tarde nas janelas da sala, Um gosto de tarde que eu queria lamber. Tenho vontade de lamber as coisas que gosto, Mesmo as que não gosto costumo lamber sem querer. Às vezes com a língua mesmo. Molhada e escorrida. Outras vezes uso a língua da palavra, Quando tem cheiros ruins Ou asperezas estranhas ao paladar de minha pessoa, Ou por nada mesmo por gosto Passo a língua nas coisas que vejo E passo as coisas que vejo pra língua. Veja mais dela aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

LA LUNA – O filme La Luna (1979), do cineasta e roteirista italiano Bernardo Bertolucci, com música de Ennio Morricone e roteiro do próprio diretor com Clare Peplie e Giuseppe Bertolucci, conta a história da grande cantora de ópera Caterina, vivido pela atriz Jill Clayburhg, que enviuvara e resolvera viajar com seu filho adolescente em turnê pela Itália. Ela fica chocada ao descobrir o filho viciado em heroína, solitário e problemático, o que a faz lutar desesperadamente para salvá-lo das drogas, tornando-se uma relação incestuosa em uma triangulação entre pai-mãe-filho. É quando a lua passa a exercer um papel no cenário na situação de um filho infeliz e neurótico. Um filme denso e belo. Destaque também para a belíssima atriz Dominique Sanda. Veja mais aqui.

 


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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá (Art by Ísis Nefelibata)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

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