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segunda-feira, abril 01, 2019

COETZEE, GOGOL, BEATRIZ MILHAZES, SUZANA SALLES & DO IMPREVISTO AO IMPREVISÍVEL.


DO IMPREVISTO AO IMPREVISÍVEL – Vozes. Muitas vozes. Alguém falava na rua, atentei. Uns diziam disso e daquilo, não dava para entender direito. Distingui falarem do domingo e que tudo era fantástico, o país que ia, a vida passava, coisas de outro mundo e mais do que se desconhecia. Discerni do comentário sobre uma jovem deputada enquadrando eloquentemente um ministro estrangeiro que não sabia do Brasil muito menos de educação e queria mandar ensinar o que era dele e nada nosso, enquanto outra aflita pedia a Deus sua intervenção na causa e mais um terceiro ria dos descompassos, pilhérias soltas. Havia quem se benzesse, temiam o que estava por vir. Foi aí que despertei da hora, uma algaravia aos ouvidos, muita gente à rua. Agucei os sentidos e me dei conta algo ali por perto. Fiquei atento aos mínimos movimentos da turba. Sim estavam diante da minha casa, uma multidão. Como pode? O que havia? Para meu espanto, dei conta que alguém invadira o meu jardim e se aproximara à janela do meu quarto. Tem coisa. Um misto entre temor e curiosidade invadiu-me. O que terá sido? Levantei-me calmamente e fui abrir à janela. Muita gente mas muita gente mesmo em frente da minha casa. O que é isso? Um alvoroço, uns rezavam ajoelhados o rosário; outros só olhavam para a fumaça; tantos curiosos, bocas e ouvidos. O que estava próximo da varanda mostrou-me algo no meu telhado. Hem? Quase atônito, quis saber delas porque estavam ali, uma aglomeração e tanto. Insisti, indaguei, não dava para entender o que diziam. Estremeci, nunca se sabe. Apontavam, percebi uma fumaça por cima da minha residência, algo acontecia ali. Saí do quarto, ganhei a sala e ao me aproximar da porta que dava pro meu quintal, ouvi estalidos e movimento por lá. Tem gente aí, arrepiei. Não sabia o que fazer, titubiei. Tomei pé da situação. Antes, porém, respirei fundo e invoquei três vezes o Verbo Desconhecido. Criei coragem, destemido e arredio, abri a porta, um susto me fez fincar os pés no chão: luzes mínimas brilhavam a rodopiar em frente ao abacateiro, silhueta indistinguível. Sim, coisas aconteciam. Abri bem os olhos e a silhueta luminosa se esvaía contornando a árvore e se precipitando além do muro para sumir às vistas. Confiante, porém trêmulo, dei um passo. Nenhum sinal mais de nada por ali. Não sei qual a razão, de repente, fui até o basculante da cozinha, lá havia três frascos que nem sabia para que serviam e, intuitivamente, de um deles sacudi ao chão, era sal. No segundo vidro, enxofre. No terceiro, mercúrio. De repente cristais brotaram do chão e o Sol raiava no horizonte. Pude perceber, não havia nada. Uma quietude de paz invadiu-me e logo deu pra ver passou e já não eram tantos lá na frente. Voltei, atravessei minha casa, abri a porta da frente, cheguei à varanda e ainda pude ver que cada qual tomava a sua direção. Era segunda-feira, o dia amanhecera. Abri o portão, ao muro pude ainda enxergar muitas pessoas que seguiam ou dobravam as esquinas, logo minha rua voltou ao normal. Era manhã, a vida prosseguia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O problema essencial da vida do Estado é o da sucessão: como assegurar que o poder passe de umas mãos para outras sem disputa armada. Em tempos tranquilos esquecemos os horrores da guerra civil, a rapidez com que ela resvala para o morticínio indiscriminado. [...] e mais uma vez a sombra de uma dor perpassou por mim, a dor que antes referi, de uma espécie metafísica ou pelo menos pós-física. [...] A necessidade, Necessità, é o princípio orientador de Maquiavel. A posição pré-maquiavélica era a da supremacia da lei moral. Se acontecesse a lei moral ser por vezes infringida, era uma infelicidade, mas no fim de contas os governantes eram apenas humanos. A nova posição, a maquiavélica, é que a infração à lei se justifica quando é necessária. Assim se inaugura o dualismo da cultura política moderna, que defende simultaneamente padrões de valores absolutos e relativos. O Estado moderno apela à moralidade, à religião e à lei natural como fundamentos ideológicos da sua existência. Ao mesmo tempo está pronto a infringir qualquer delas ou todas no interesse da sua própria conservação. Maquiavel não nega que as exigências que a moralidade nos coloca sejam absolutas. Ao mesmo tempo afirma que no interesse do Estado o governante “não raro se vê constrangido [necessitato] a agir contra a sua palavra, contra a caridade, a humanidade e a religião”. [...] não só sanciona a tortura dos prisioneiros feitos na chamada guerra ao terrorismo, como se empenha de todas as maneiras em subverter as leis e convenções que interditam a tortura. [...] A sua falta de vergonha é absolutamente extraordinária. Os seus desmentidos são menos que tíbios. A distinção que os seus advogados contratados estabelecem entre a tortura e a coerção é patentemente insincera, uma simples formalidade. No novo ordenamento que criamos, dizem eles implicitamente, os velhos poderes da vergonha foram abolidos. A aversão que vocês possam sentir não conta para nada. Vocês não nos podem tocar; somos demasiado poderosos. Demóstenes: Enquanto o escravo apenas teme a dor, aquilo que o homem livre mais teme é a vergonha. [...] torna-se uma questão moral: como, perante esta vergonha a que estou sujeito, hei-de comportar-me? Como salvo eu a minha honra? [...] A desonra não respeita distinções precisas. A desonra abate-se sobre os ombros da pessoa e, uma vez que se abate, não há argumentação inteligente capaz de a dissipar. [...].
Trechos recolhidos da obra Diário de um mau ano (Dom Quixote, 2008), do escritor sul-africano e Prêmio Nobel de Literatura de 2003, John Maxwell Coetzee, narrando a história de um livro dentro do livro, sobre os dias atuais, envolvendo conflitos étnicos, terrorismo, economia globalizada, desastres ecológicos, experiências genéticas, entre outros assuntos. Veja mais aqui. 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada artista visual e jornalista Beatriz Milhazes, que atua com ilustrações, colagens, gravuras e cenografia, mesclando procedimentos da Art Pop e referencias do universo feminino e artesanato brasileiro. 
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

FORMAÇÃO DE PLATEIA EM MÚSICA
O livro Formação de plateia em música (Arx, 2004), de Clarice Miranda e Liana Justus, trata sobre o aprendizado comportamental diante de uma orquestra, os instrumentos e suas funções, entre outros assuntos ligados ao universo musical. Acompanha um Cr-ROM com aproximadamente 800 imagens co, apresentação de instrumentos e trechos de peças musicais que envolvem a história da música e a vida dos principais compositores e intérpretes, imagens, a apresentação de todos os instrumentos de uma orquestra e trechos de peças musicais, o material traz a história da música clássica e a vida e a obra dos principais compositores e intérpretes.
&
A MÚSICA DE SUZANA SALLES
A música da cantora e jornalista ligada ao movimento da Vanguarda Paulista, Suzana Salles, que atua como intérprete da obra Bertolt Brecht & Kurt Weill, que já participou do grupo Sabor de Veneno, ao lado de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, foi vocalista da banda Aquilo Del Nisso, e lançou os cds Suzana Salles (1994), Concerto Cabaré (Davliú, 1997) e As sílabas (Dabliú, 2001). Veja mais aqui e aqui.
&
A única coisa que vale a pena é fixar o olhar com mais atenção no presente; o futuro chegará sozinho, inesperadamente. É tolo quem pensa no futuro antes de pensar no presente.
A obra do escritor ucraniano Nikolai Gogol (1809-1852) aqui e aqui.


quarta-feira, dezembro 14, 2016

JOHN CAGE, MARTINE JOSTE, MARTA PÉREZ BRAVO, VALENTIM DA FONSECA & A CRIANÇA


A CRIANÇA EM MIM RESISTE - Ontem tudo parecia outro e não era. Eu que mitigava revezes que brandiam nas veias, cavilava o tempo, corria a vida, closes de mim. Fui muito mais que pude, pesada carga na moleira. Segui sozinho e quase escapei ileso. Fiz da vida o paraíso só com pesadelos, lavei a culpa e sorri quase regenerado. Não perdi de vista o menor aceno. Caminhos que segui por noites ininterruptas, vivi como sobre telhados, pisando em ovos pelas cumeeiras entre charcos e lodaçais. Perdi da cana a doçura no fel da grana e só ouvia o pingado da goteira nos porões e sótãos. Tantos eu vi contra mim, destruindo a si próprios. A quantos dei a mão, muitos rejeitavam. Quantas vezes no fundo do poço eu me alimentei das tripas coração os próprios cortes, as próprias dores ruminadas. Quantas vezes perdido não ia a lugar algum, só recolhendo sombras e solidão. Quantos sonhos estraçalhados no asfalto se foram nas lágrimas do orvalho pela flor alheia. Alguns rancores que restavam já nem atormentam mais, por mais carrancudo que eu seja, os anos passaram feito lições, talhos e escalavros. Tivesse eu saído de encomenda, seria outro, não me pouparia jamais de pagar dobrado meus pecados. Migrasse eu por outras órbitas, não haveria nada a lembrar de rugas nem de danos. Deixasse a vida outras marcas, talvez não serenasse minha face. Menino sempre fui e sou o que teima em resistir. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui. 

 Curtindo o álbum Piano works (MODE, 1998), com a premiada pianista e professora francesa Martine Joste & Sylvano Bussotti, interpretando a obra de John Cage.

Veja mais sobre:
Fonte – a história da canção, Alcântara Machado, John Milton, Artur Azevedo, Lucrecia Martel, Ná Ozzetti, Leonardo Boff, Adriana Alves, ,Jane Birkin, Mary Minifie & Luciah Lopez aqui.

E mais:
A composição & classificação dos alimentos aqui.
Big Shit Bôbras & num é que o Padre Cícero matou duas aqui.
A pirâmide alimentar aqui.
A educação superior aqui.
Educação profissional aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: MESTRE VALENTIM
A obra do escultor, entalhador e urbanista Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa e artista cubana Marta María Pérez Bravo.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


segunda-feira, outubro 10, 2016

FROMM, POE, GREENAWAY, FELLINI, EUCLIDES DA CUNHA & ZÉ CELSO, MAYA BEISER, MARTHA GRAHAM, GERALDO CARNEIRO, NIETZSCHE, RIOPELLE, MILHAZES, CLÉSINGER, GARRIDO, BESNARD & ASTECAS


INEDITORIAL: DE PERTO NINGUÉM É MESMO NORMAL! - Salve, salve, gentamiga! De perto ninguém é normal meeeeeesmo! De noite ainda dá pra tapiar: toda gata é parda e qualquer trubufu vira miss da hora – feito as fotos que o povo posta nos perfis das redes sociais, maior lindura! Quem, qual Ulisses, nunca já foi enfeitiçado pelo canto mavioso de sereias descoladas pelos descaminhos prazerosos tarde da noite, hem? Quando vai ver, tête-à-tête, vixe! Basta a primeira fresta da claridade pra se ver agarrado com Urutau que deixa ecoando no quengo o seu sinistro canto: foi, foi, foi, foi. A certidão da lasqueira: merda feita, culpa peita. Lascou, feito visita de mais de três dias: chatura braba. Por educação não dá nem pro pé na bunda e correr da raia; fica e vai descobrindo outras particularidades nada simpáticas. Aí finda genuflexo pelamordedeus abrir um buraco no chão e se socar dentro. Adianta nada! Primeiro, não existe mulher feia, no máximo descuidada ou mal ajambrada – qualquer banho de loja e fica nos trinques, evidentemente, porque se Deus criou algo para rivalizar consigo mesmo, com o Sol, as estrelas, o infinito e todas as maravilhas do mundo, esse ser é a mulher. Anote e aprenda. E, segundo, não adianta apelar pra pena de morte porque aí vira suicídio e não tem a menor graça. Está lembrado daquela cena do Foucault? O condenado, um cavalo amarrado em cada membro, assim: um em cada braço, outros em cada perna e um apertado no gogó, cada um para direções opostas, um pipoco e eles partem cada qual pro seu lado, deixando o desgraçado só os trapos arrastado pelo chão, devidamente esquartejado. Viu? Talqualmente. Mas como hoje é dia da Saúde Mental, preze pela sua e leve a sério. Afinal, endoidecer faz parte, desendoidecer vez em quando, melhor ainda! E vamos aprumar pras novidades do dia: na edição de hoje destaque pra arte do pintor e escultor Jean-Paul Riopelle, O coração do homem de Erich Fromm, a civilização dos Astecas, A carta roubada de Edgar Allan Poe, o cinema de Peter Greenaway homenageando Federico Fellini, a entrevista de Geraldo Carneiro, a Gaia Ciência de Nietzsche, a música de Maya Beiser, a coreógrafa Martha Grahan, a escultura de Auguste Clésinger, Os sertões de Euclides e de José Celso Martinez Corrêa, a fotografia de Luiz Garrido, Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, a pintura de Paul-Albert Besnard & a croniqueta As mil faces do disfarce. Vamos aprumar a conversa & veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
A poesia nossa de cada dia, Mario de Andrade, Gerardo Mello Mourão, Jacques Tati, Camille Saint-Saëns, Empédocles de Agrigento, Jeremy Lipking, Ismael Nery & Maria Claudia Maciel aqui.

E mais:
Tolinho & Bestinha, Giuseppe Verdi, Nora Roberts, Harold Pinter, Franco Zeffirelli, Maria Teresa Horta, Charles Knight, Ed Wood, Richard Senoner, Dolores Fuller, Neuropsicologia & aprendizagem aqui.
Big Shit BÔbras: quando deram um jorge e depois uma júlia num encontro de quarto grau com um ET - a reaparição do padre Bidão! (será?!) aqui.
O contrato social de Rousseau aqui.
Tolinha & Bestinha: Quando Bestinha se vê enrolado num namorico de virar idílio estopolongado aqui.
As trelas do Doro: escambau aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a adversidade aperta, o biltre bota o rabinho entre as pernas aqui.

DESTAQUE: 
Arte do pintor e escultor canadense Jean-Paul Riopelle (1923-2002). Veja mais aqui.

AS MIL FACES DO DISFARCE (Imagem: da artista plástica Beatriz Milhazes)– A face em prantos, mil disfarces ruindo nas lágrimas. Novas poses, máscaras de nunca antes. Tantas revelações emergem noutras muitas mentiras, um passo além do tempo: erros, avanços, recuos, giro de pião. Refaz-se, está na hora de encarar a vida, sai enchendo o mundo de pernas. Pros outros, ah, só simpatia de campeão, firmeza de tronco inarredável, retidão inexorável, amigo de todas as horas. Assim o dia: caras e bocas. Ao entardecer, o suplício. De noite, o retorno à míngua particular. Sozinho, no escuro se espreme. Resolve definitivamente encarar o espelho - fica de cabelo em pé e contata: pior que Dorian Gray. Não sustenta o olhar à sua própria efígie. Dá um passo atrás e ousa levantar os olhos, buscando forças pro inevitável: dar de cara consigo mesmo. Impossível esquivar-se. E repele, nega-se a si mesmo, jamais ver-se a si próprio. Cabisbaixo ouve Os homens ocos de Eliot e deplora. O Poema em linha reta de Pessoa, o seu libelo. Não, nega tudo, nega-se. E se debate, reprimindo-se, imolando-se até a autocomiseração. Reduzido a nada, cinzas de si, chega, junta os cacos dentro da alma e tenta se reerguer. É hora de reagir e vai pra rua espantar seus demônios, expulsá-los aos ventos. Sua dor ficou na porta aberta esquecida e a esmo descarrila até se assustar com um jovem que dá uma tapa carburando as ideias na beira da praia enluarada. Revolve seu ódio, reprime, prende e humilha, até deixá-lo recluso e incomunicável. Estufa o peito de moralista que demoniza a maconha, a putaria, a roubalheira, as folganças irresponsáveis, a incredulidade sarcástica e a propensão inata à maldade. Por desassombro põe a mão sobre a Bíblia, faz o sinal da cruz e segue pra primeira igreja, ajoelhado devoto por exaltadas orações, pedindo perdões pra livrar-se dos castigos e segue de alma lavada pra impor sua justiça a todo mundo, enretando tudo o que, a seu devido ver e achar, está desenretado. Aparentemente apaziguado segue adiante. Perambula na madrugada e o dia amanhece no trabalho. Quando se dá conta está às voltas com o que sempre foi: inventa pinóias, propaga boatos, arma cruzetas, aplica embuste, incrimina o alheio e surrupia o tomado fácil. Punhos fechados no tórax, a vida nos bolsos: um Alexander DeLarge reincidente que auto-absolvido de todas as culpas, circula impune ao som da nona de Beethoven a se glorificar lavando a alma. Ao espelho, nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.
 
UMA MÚSICA: 
Curtindo o álbum Almost Human (eOne Music, 2006), da violoncelista, cantora & produtora israelense Maya Beiser.

O CORAÇÃO DO HOMEM & SAÚDE MENTAL - [...] a ciência criou um novo objeto para o narcisismo - a técnica. O orgulho narcisista do homem em ser o criador de um mundo de coisas dantes não-sonhado, o descobridor do rádio, televisão, força atômica, viagem espacial, e até em ser o destruidor potencial do globo inteiro, deu-lhe um novo objeto para o auto engrandecimento narcisista. [...]  A saúde mental se caracteriza pela capacidade de amar e criar, pela libertação dos vínculos incestuosos com o clã e o solo, por uma sensação de identidade baseada no sentimento de si mesmo como o sujeito e o agente das capacidades próprias, pela captação da realidade interior e exterior, isto é, pelo desenvolvimento da objetividade e da razão.Trecho extraído da obra O coração do homem: seu gênio para o bem e para o mal (Guanabara, 1981), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte da dançarina e coreógrafa estadunidense Martha Graham (1894-1991). Veja mais aqui.

PERNSAMENTO DO DIA: Apesar das maravilhas que lhes ocasionava Topilzin, os Toltecas se recusavam a adora Quetzalcoatl, pelo menos como deus único. Temiam as terríveis represálias do sanguinário Tezcatlipoca, seu deus tradicional, sedento de sangue humano dos sacrifícios que Ce Acatl Topilzin Querzalcoatl lhe recusava havia tanto tempo. A preocupação se apoderou deles de tal maneira, que começaram a conspirar contra seu encantador príncipe-deus. Durante esse tempo, Tezcatlipoca se aliava a dois outros deuses do mal e multiplicava, os sortilégios para forçar Topilzin a deixar Tula. Chega mesmo a entrar na câmara obscura do templo onde o jovem príncipe-deus estava em oração. Ele estendeu um espelho mágico que inventara. Olhando-se nele, Topilzin Quetzalcoatl viu um abominável velho enrugado e teve medo: - Se os meus me vêem assim, fugirão. Para acalmá-lo apareceu a divindade maléfica Coyotlinahual (feiticeiro-coiote): - Vou te ajudar a parecer diferente – diz-lhe ele. E o disfarça com uma máscara, de tintura vermelha e penas. Durante esse tempo, o terceiro deus mau Ilhuimecal preparou, em sua caldeirinha infernal, um grande pirão de tomates, pimentão, cebolas, chile, milho e feijão. Misturou tudo num vaso de barro, acrescentando mel selvagem com pulque, álcool terrivelmente embriagador. Convidado a jantar pelos três deuses, Quetzalcoatl, por delicadeza, provou o pirão, decidido, no entanto, a não beber. Apenas o prato estava de tal maneira picante, que não pôde comer. Molhando o dedo na bebida, passou-o sobre os lábios irritados. Depois, com os quatro dedos, repetiu a operação. A seguir usando a mão em concha, bebeu avidamente... Levantou-se, dançou e eufórico pediu: - Vão procurar minha irmã, a adorável Quetzalpetlatl (Trança de Penas), para que bebamos juntos... quando despertou, muito mais tarde, sua irmã repousava despida a seu lado, cabelos despenteados... Quetzalcoatl, horrorizado, compreendeu que, durante a embriaguez, perdera sua castidade e com ela sua dignidade sacerdotal. Trecho extraído da obra A civilização dos astecas (Otto Pierres, 1975), do jornalista e escritor francês Jean Marcilly. Veja mais aqui.


Imagens: a arte do escultor e pintor francês Auguste Clésinger (1814-1883).

A CARTA ROUBADA - [...] O mundo material – prosseguiu Dupin – contem muitas analogias estritas com o imaterial e, desse modo, um certo matiz de verdade foi dado ao dogma retório, a fim de que a metáfora, ou símile, pudesse dar vigor a um argumento, bem como embelezar uma descrição. [...] Há um jogo de enigmas – replicou ele – que se faz sobre um mapa. [...] lançara mão do compreensível e sagaz expediente de não tentar escondê-la de modo algum. [...] uma carta solitária [...] numa letra diminuta, feminina, ao próprio ministro. [...] apanhei o documento, meti-o no bolso e o substituí por um fac-símile (quanto ao que se referia ao aspecto exterior) preparado cuidadosamente em minha casa, imitando facilmente a inicial “D” por meio de um selo feito de miolo de pão. [...] O pretenso lunático era um homem que estava a meu serviço. [...] rumo à sua própria ruína política. Sua queda será tão precipitada quanto desastrada. [...] Fácil é a descida para o inferno... um projeto tão funesto, se não é digno de Atrée, é digno de Thyest. [...]. Trechos do conto A carta roubada, extraído da obra Histórias extraordinárias (Abril, 1978), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1840). Veja mais aqui e aqui.

OS SERTÕES - Um dos mais controversos espetáculos teatrais das últimas décadas, foi o premiadíssimo Os Sertões, baseado na clássica obra do escritor Euclides da Cunha (1866-1909), do não menos ousado e aclamado ator, dramaturgo e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa. O espetáculo possui duração de 30 horas, dividido nas peças A Terra, O Homem 1, O Homem 2, A Luta 1 e A Luta 2, e foi realizado em comemoração aos 50 anos de criação do legendário Teatro Oficina. O projeto foi amadurecido pelo dramaturgo durante mais de duas décadas, sendo concluído em 2001, para realizar uma temporada nos mais diversos palcos brasileiros. As cinco peças teatrais de Os Sertões foram ganhadoras do Prêmio Shell (2002), Prêmio Bravo Prime de Cultura (2005) e Prêmio Shell (2005), nas mais diversas categorias. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

8½ WOMEN – O filme 8½ Women (1999), do cineasta do cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, é uma homenagem direta às mulheres dos filmes do cineasta e artista plástico italiano Federico Fellini (1920-1993), apresentando uma cena em que pai e filho discutem as fêmeas enquanto assistem ao filme. Esse ótimo filme conta a história de um pai e filho que são bilionários, donos de cassinos luxuosos no Japão, que contratam oito mulheres para servirem de acompanhantes ou supostas esposas. Durante o enredo, num mundo de requintada estranheza, eles passam a descobrir como melhor se relacionarem com elas em suas diferentes e bizarras características. Um ótimo filme como toda obra do cineasta que merece aplausos de pé. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte do premiado fotógrafo Luiz Garrido.

AGENDA: I CONGRESO DE PSICOLOGIA DO VALE DO SÃO FRANCISCO – Acontecerá no dia 31 de outubro e 2 de novembro, no Complexo Multieventos da Univasf, campus Juazeiro-BA, com apoio da Univasf e do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o I Congresso de Psicologia do Vale do São Francisco, sobre a temática A prática da psicologia no Vale do São Francisco: aspectos teóricos, éticos e políticos, com o objetivo de integrar os conhecimentos das abordagens teórico-metodologicas da Psicologia e das suas diversas áreas de atuação. No evento será discutido a respeito dos atuais desafios da formação, da pesquisa e da atuação do psicólogo na região, possibilitando a participação de estudantes, profissionais e de áreas afins, com relação aos saberes construídos e as possíveis transformações do cenário regional. Informações pelo fone (87)2101-6868 ou pelo mail congrepsidovale2016@gmail.com. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: GERALDO CARNEIRO – Alguns anos atrás, quando eu estava na condição de editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites – O diferencial humano (RJ), tive a oportunidade de entrevistar o poeta, letrista e roteirista mineiro radicado no Rio de Janeiro, Geraldo Carneiro, parceiro musical de grandes nomes da música, tais como Egberto Gismonti, Astor Piazzola, Wagner Tiso, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Francis Hime, entre outros. Confira a entrevista aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] Um novo ideal corre à nossa frente, um ideal estranho, tentador, rico de perigos, ao qual não gostaríamos de persuadir ninguém, porque a ninguém concederíamos tão facilmente o direito a ele: o ideal de um espírito que joga ingenuamente, isto é, sem querer e por transbordante plenitude e potencialidade, com tudo o que até agora se chamou sagrado, bom, intocável, divino; para o qual o mais alto, em que o povo encontra legitimamente sua medida de valor, já significaria perigo, declínio, rebaixamento ou, no mínimo, descaso, cegueira, esquecimento temporário de si; o ideal de um bem-estar e bem-querer humano-sobre-humano, que muitas vezes parecerá inumano, quando, por exemplo, se põe ao lado de toda seriedade terrestre até agora, ao lado de toda espécie de solenidade em gesto, palavra, tom, olhar, moral e tarefa, como sua mais corporal, sua involuntária paródia - e com o qual somente, a despeito de tudo isso, começa talvez a grande seriedade, com o qual é posto o verdadeiro ponto de interrogação, o destino da alma muda de rumo, a tragédia começa...
Trecho extraído do Livro V – “O andarilho” fala - , da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu, do pintor e gravurista francês Paul-Albert Besnard (1849-1934).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...