domingo, abril 03, 2016

A VIDA É UMA CANÇÃO DE AMOR

A VIDA É UMA CANÇÃO DE AMOR (Imagem: arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara) – A vida é uma canção de amor quando ela Iaravi impávida vem livre como o vento, ávida de vida no esplendor da manhã inesperada, com todos os seus venturosos apelos de alma aquinhoada dos dotes de Sol, gulosa de tudo, no meu mundo desamparado de diluídas coisas despossuídas na herança do tempo, e a encher meu coração de festa e minha alma de esperança com toda mais rara maravilha da graça do seu semblante na fonte de todos os amores. Ela é fêmea nua viva e linda na manhã nascida com todos os seus prados, regatos, cascatas e vales que emanam do seu corpo aceso e cheio de formosura florescente no espaço do dia pra que eu seja maior que todas as minhas forças reunidas e que restaram do nada mais que sou. E se faz inteira e nua e linda como o milagre apoteótico de todas as benesses, a me perseguir aonde vão meus pés perdidos de tudo e me rodear imanente pra ficar em mim e estar comigo e em toda parte dentro da vida, fazendo alarde no que sou, quando me debato com minha alma errante no maior contentamento em tê-la toda propícia a erguer o corpo e romper os ares ilimítrofes, a guardar o que não se sabe nem se conhece, e que desata o peito meu arrastado e cego de paixão. E tudo quanto é vivo eu recolho na sua boca adornada das vozes e canções que saltam com meus beijos para que eu seja o seu cantor no mais suntuoso palco dos seus quereres mais sedentos. E tudo quanto é dádiva eu tenho dos seus seios generosos e fartos, onde as minhas mãos ousadas semeiam e aram na pele viçosa a colheita de todos os frutos de todos os sabores e paladares. E tudo quanto é maravilha daquilo que inspira o amor eu encontro no seu ventre de todas as estações e quadrantes e sou mais que um deus galante que emerge nas suas funduras mais profundas para dominar o universo porque será pouco o dia. A vida é uma canção de amor quando ao entardecer com todos os seus poentes e entregas crespusculares, ela vem valquirya Freya com seu mistério de noites estelares e nua e linda, qual ave cheia de encanto e carregada de refulgentes cometas dos mais ternos amores anoitecida, nas viçosas formas de seu corpo garboso cheio de quantos verões mormaçados, tantas primaveras aconchegantes, de luas outonais e gozos múltiplos das invernadas. E tudo dela a me fazer encantado mortal com sua devorante gula no incendiário leito de suas expressões delicadas, que salta entorpecida, desgrenhada e cada vez mais linda a dar-me de sua beleza maior seu corpo esguio vergado de deleitosas montadas venturosas sobre a minha adaga luzidia a se afiar em sua carne com tudo quanto resta de paixão e arte, o que não basta do tudo quanto ganho do seu aureolado desejo, a dispor o mais delicioso manjar dos deuses E como um rio que perdeu o curso eu arrebento suas margens pra conquistar os penhascos da sua gostosa companhia e sua voz meiga suspirosa me traz a voz alta das coisas e o fulgir das estrelas que suspiram mil vezes preu escutar seu coração acelerado e a delirar impiedosa pra não mais suportar a sua fera escondida que me açoita tirana e me acode servindo seus lábios graciosos rentes e emparelhados ao que há de mim nos dignos cantares nas cordas da lira e pode muito e tudo porque me dá seus tesouros sem-par atrás da porta e nos quatro pontos cardeais dos seus gestos e modos e formas e com coisas que não se dizem nem se ouvem de ninguém. E flagro na sua pálida formosura o que parece o mais quente olhar ardente na noite lunar, quando seu aroma me atenta e vejo nas suas mãos ansiadas e postas o estelário mais exultante para que eu farto de mim e já carente dela possa entre os seus cabelos negros da noite e seus olhos vívidos do dia, ser-me atrevido a tocar a sua rosa delicada que desabrocha o tesouro da glória do amor e sou mais que a entrega da noite para a resplandecência do dia, pra que a vida seja pra sempre a nossa canção de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui

 Imagem: a arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara.

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Imagem: a arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara.

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Imagem: a arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara.
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