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domingo, julho 03, 2022

ANNE-MARIE DE BACKER, EUGENIO MONTEJO, JASON STANLEY & ROALD DAHL

 

 

TRÍPTICO DQP: A certidão da sobrevivência... Ao som do concerto Delicate Sound of Thunder - Live in New York (1988), da banda britânica Pink Floyd. - Sobrevivo ao negrume da chuvarada torrencial, impossível quase é se poupar do afogamento. Alguma esperança insiste amanhecer lá longe, quase nada. E isso para quem não sabe da Política do amigo e do inimigo do filósofo estadunidense Jason Stanley: A peculiar antipatia do fascismo pela verdade não é um recurso adicional da ideologia... a centralidade da distinção amigo/inimigo implica que a única forma possível de disputa política é a guerra. Numa disputa amigo/ inimigo não há concessão, nem acordo, nem valores comuns. A verdade é a primeira vítima de uma ideologia que coloca em seu centro a guerra entre amigo e inimigo. Este o cenário hostil à recepção, imprópria desavença para quem não leu Número zero de Umberto Eco: Não há sucesso maior que o encontro agradável entre dois fracassos. A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias. Vivemos na mentira e, se você sabe que lhes estão mentindo, precisa viver desconfiado... A vida é suportável, basta contentar-se. Ah, como sou descontente, cada vez mais ouço bem mais altos os acordes com os sussurros da bela no The Great Gig In The Sky - epílogo da parte 1 do The Dark Side of the Moon de Pink Floyd. Queria ruas hospitaleiras como o riso da criança que brinca no meu peito. Contudo, o solfejo dela é maior no diário de sobrevivente, só sendo, arrepio da pele.

 


Pelos vales... - A arte do artista visual japonês Katsumi Komagata: tudo na vida é frágil – inclusive as relações humanas. - Sou um edifício quão estranha tarde mormaçada de arco-íris do outro lado na margem amena, longe dos rebocos da clausura e pronta gaiola escancarada. Desse no meio da solidão seria outro dia e estou naquela do poeta Alberto da Cunha Melo: O mundo anda tão falto de assuntos, todo dia é a mesma coisa: violência urbana, milhares de mortos, milhões de assaltos e as guerras de sempre, essa rotina que dá tédio. E muita indignação. Porque sou de nada e tenho em mim aquilo que disse o escritor britânico Roald Dahl (1916-1990): Escrever é percorrer vales e montanhas... E o meu país tornou-se um interdito nas encruzilhadas, a ponto de quase nem se saber o que há depois, o que sobrará e o que travou na garganta. Há quem espere Um teto todo seu de Virgínia Woolf: Pois as mulheres permaneceram dentro de casa por milhões de anos, então a essa altura até as paredes estão impregnadas com sua força criativa. Está nelas a última esperança, já que nublaram os semblantes, as pálpebras cobriram os olhos equivocados, não me veem e talvez não vejam nada além do umbigo.

 


Nela o trâmite... - A arte da fotógrafa, socióloga e artista visual russa Valeri Haravets. - Desse no meio da solidão seria outro dia. O que houve e não sei quão tardia a minha impressão na assimetria das horas. Quem disse que era ou deixou de ser. A sorte é ter ela surgido com a Melodia da poeta francesa Anne-Marie de Backer (1908-1987): Toda a felicidade que seu rosto havia dado para mim / Eu a cantei, eu a chorei, como um mártir. / Nosso futuro não passa de um parque deserto, / Mas a sombra é azul e, dentro da noite, flores respiram. / Há dias e estações em que é preciso sonhar. / Tu, que vais embora deslizando nas torrenciais cabeleiras das águas, sobreviverás? / Pássaros negros giram ao redor de teu castelo / E a Sereia fechou os olhos sobre tuas margens arenosas. / Há dias e estações em que é preciso viver. / Alguém me atou e eu segui as fendas desenhadas no mar. / Tu, que vais embora, pálido e cativo, sobreviverás / Quando o vento te agarrar em seus turbilhões?/ Toda a felicidade que teu rosto havia dado para mim / Eu a expiei como uma culpa sem perdão / Há dias e estações que nos conduzem / Em direção a nossos remorsos, a nossos jardins abandonados... A salvação é que ela chega do inopinado, sempre cheia de luz, fogos de artifícios nas minhas veias, trovões no meu coração. E se ela vai e volta é porque nossos caminhos se confundem paralelas e convergem aleatórias perpendiculares. Parece oblíqua às vezes, mesmo com sua contumaz transparência, seu olhar indômito, sua boca de véspera, e eu mais que assíduo no seu jeito entreaberto. Há quem foi e quase não voltou e nem é tão triste a solidão, solitude. Dela fica o melhor. Restam aqueles versos dum poema do Adeus, do poeta venezuelano Eugenio Montejo (1938-2008): Prossigo entre as pedras dos velhos subúrbios / por um trago, por um pouco de jazz, / contemplando os deuses que dormem dissolvidos / na serradura dos bares, / enquanto decifro seus nomes a cada passo / e sigo meu caminho. Mais que um dia, outra não seria a data diferente talvez com os ademanes de asnos que insistem emporcalhar tudo com seu reino de morte. O meu lucro é não ter nada para gastar no mundo. Até mais ver.

 


O ser humano é aquilo que a educação faz dele. É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.

Pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804). Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 



quarta-feira, fevereiro 13, 2019

UMBERTO ECO & O ÍNDIO, JULIE GAUTIER & MANIFESTO NEOCORDELISMO, O PAPA-FIGO & A VIÚVA ALMA PENADA


O PAPA-FIGO & A VIÚVA ALMA PENADA - Antes de sumir do mapa, contam desde os mais velhos aos meninos mais tagarelas que nem tiraram a catinga do mijo ainda, afora os fantasmas que ainda zanzam por aí jogando conversa fora nas horas mais escuras de lua cheia, que Alagoinhanduba fora, ao longo dos tempos, sujeita a todo tipo de provação – isso ninguém sabe se lorota ou de vera, mas contadas amiúde. Foram acontecências recorrentes, por exemplo, como a de fogo – deu-se tantas vezes de um raio ineivado rachar árvore dela incendiar causando labaredas devastadoras, torrando tudo de não sobrar vivalma. Um ou outro sobrevivente desses acontecimentos funestos, quando não os próprios defuntos que ressuscitavam com a missão de repovoar o lugar, contam e descontam. Assim se deu com água, enchentes diluvianas arrasaram de levar tudo na gritaria das correntezas, batizando todo terreno e a mundiça toda cachoeira abaixo. De vento, ventanias de soterrar todo mundo chão abaixo, de ressurgirem tudinho dos galhos, pedras, coisas. E a cada uma dessas desditas, sempre ocorria o repovoamento, até desaparecer de vez de uma convulsão da terra para nunca mais. Mas antes desta última, reiteram nas conversas de sala, de bares, salões, esquinas e recantos, tantas outras calamidades, de gente que se envultou e se tornou malassombro, de botijas encantadas, de bichos correndo solto, de lápides com vultos esvoaçantes, coisas que desapareciam e tornavam a reaparecer assim do nada, pesadelos que viravam coisas reais, imagens que se transformavam nos espelhos e sombras, luzes que passeavam entre os viventes, gemidos e risadas ocultas que vinham ninguém sabia de onde, episódios recontados dos truques e delírios do sobrenatural que ninguém sabia explicar. Um dos mais repetidos à língua solta é o de uma moça bela e cobiçada, filha de um rico boticário que fabricava remédios que curavam todo tipo de doença e que, nas horas vagas e em dias de feira, se apresentava como poeta cordelista no meio da rua para vender suas invenções. A moça, dizem, era realmente vistosa, alta, corpuda e sedutora, porém não falava nem dava um riso pra ninguém. Vivia trancada com seus livros e, vez ou outra, aparecia na janela ou na porta da botica, sem dar conta das coisas e seres. Eis que um dia surge um galegão desses de dois metros de altura, todo arrumado e com pinta de galã de cinema, cheio das conversas de gringo, enfeitiçou o coração dela e roubou-la dali numa madrugada invernosa. O assunto foi manchete para todo tipo de conversas e fofocas. Tempos depois a moça reaparece branquelona e vestida de preto de fazer arrepiar por onde passasse até quem já tivesse morrido. Quase todo dia, na boquinha da noite, ela saía de casa de ninguém vê-la retornar, e se ouvia só uns uivos atribuídos a um Papa-figo que aparecera depois do seu regresso. Sabiam todos que ela saía todo dia no mesmo horário, antes da hora do ângelus, e vigiavam a volta dela todo o tempo, só se via mesmo a saída dela, coisa curiosa que levantou os pelos, cabelos e curiosidades de todos. Armou-se vigilância e perseguição, até se deparar com aquela alma penada, lá nos cafundós da lonjura, à beira da pedraria do rio, acariciando um ser estranho, o Papa-figo, ajeitado ao seu seio, por horas. O bicho ao dar conta da presença de estranhos na redondeza, botava todos pra correr pé-na-buda pernas-pra-que-te-quero, de ninguém nunca mais querer voltar lá por nada nesse mundo, nem passar por perto. Assim o local ficou conhecido como o canto do Papa-figo e da Viúva alma penada. Lugar desse não pode passar em branco, né? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
Uma vez que o futuro das nações indígenas parece estar selado, a única possibilidade de carreira para o índio jovem desejoso de ascender socialmente é aparecer num western. Para tanto, fornecemos aqui algumas instruções essenciais essenciais cobrindo toda gama de atividades, tanto pacíficas como belicosas, necessárias ao jovem índio para qualificar-se [...] Nunca atacar de surpresa: fazer-se notar ao longe, com alguns dias de antecedência [...] fazer-se notar em pequenos grupos na crista dos morros circundantes. [...] Deixar sempre vestígios evidentes de sua passagem [...] Respeitar sempre o princípio segundo o qual os índios só atacam de dia. [...] Usar rifles cujo funcionamento se desconhece comprados em mãos de mascates desonestos. Empregar sempre um tempo excessivo para carregá-los [...] Emergir no momento exato em que a mulher branca já tiver assinalado sua posição a um atirador de elite. Depois de alvejado, jamais cair para dentro da área do forte, mas de costas, para o lado de fora. Disparando de muito longe, pôr-se em evidência no ponto culminante de um morro, de modo a cair para a frente quando for atingido, espatifando-se nas rochas subjacentes. Em caso de confronto direto, demorar-se bastante na mira. [...] Em caso de ataque à aldeia dos índios, sair das tendas da maneira mais confusa possivcl, e correr em direções opostas procurando pegar as armas que terão sido previamente guardadas em lugares de difícil acesso. [...] Ao pular do alto sobre as costas de um branco, brandir a faca de maneira a não feri-lo imediatamente, permitindo o corpo-a-corpo. Esperar que o branco se vire de frente.
Trechos de Como ser um índio, extraído da obra O segundo diário mínimo (Record, 1994), do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
No curta-metragem Ama (2018) da artista, cineasta, bailarina e coreógrafa francesa Julie Gautier, que é mergulhadora e campeã de apneia na especialidade de peso constante, ela dança por seis minutos a 40 metros de profundidade, inspirada nas japonesas que coletam pérolas no mar, numa prática milenar e quase extinta. As amas, palavra que significa mulher do mar em japonês, mergulham sem equipamentos e compartilham valores como apoio mútuo e o amor pelo oceano. Veja mais aqui & aqui.

MANIFESTO NEOCORDELISMO
O Manifesto Neoccordelismo concebido pelos poetas cordelistas Cárlisson Galdino e Zé de Quinô, considera que a literatura de cordel é toda obra de poesia popular nordestina, que tenha forte vínculo com os estilos da cantoria popular ou deles derivados, ou adaptados. É direito do artista criar. Tanto no conteúdo, quanto na forma. Assim, a própria estrutura pode ser repensada. Convidamos todos a experimentar novas formas de escrever cordel e novos cordéis. Podemos usar elementos de outros gêneros literários e criar novas derivações e novos conceitos. Este Manifesto que se encontra disponível em sua inteireza aqui, conta com o paoio e contribuições de participantes do Laboratório da Rima, e trata sobre um novo cordel, que respeita o antigo mas olha para o futuro, entendendo a Literatura de Cordel como cultura e, por isso, viva! O que significa que se mexe, se molda e se expande.
Veja mais:
Literatura de Cordel na Escola aqui, aqui e aqui.
&
Outras acontecências de Alagoinhanduba aqui.
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muito mais na Agenda aqui.


domingo, março 29, 2015

LIPOVETSKY, ECO, ŽIŽEK, MOEMA, ARMORIAL, FRIEL, JUAREIZ E A HISTÓRIA DA FEIÚRA.


NA AVENIDA JATIÚCA, MACEIÓ – Imagem: Praia de Jatiúca, Maceió – AL. - Vestidas lindamente naquelas indumentárias próprias de quem vai ou saiu da ginástica, duas distintas jovens filhas da classe média alta da cidade, conversavam animadamente sobre as últimas baladas que postaram no Facebook das amigas, quando uma delas, chaveiro no mindinho, inadvertidamente retirando seu celular último modelo da bolsa, deixou justo pelos enganchos do chaveiro, cair sua carteira no chão. Elas estavam tão espalhafatosamente exibindo seus penteados e apetrechos no meio do converseiro exaltado, que nem se deram conta do imprevisto. Um garoto de rua, descalço e sem horizonte, viu o que aconteceu e foi até lá, apanhou a carteira e disse: - Moça! Uma delas irritadamente respondeu: - Sai pra lá, trombadinha, tenho moeda pra esmola não. O garoto insistiu: - Moça! A outra muito mais irada virou-se pro garoto e fez um sermão. No meio da reprimenda o menino mostrou pra ambas a carteira de uma delas que havia caído. Logo a dona gritou: - Ladrão, quer roubar minha carteira! Trombadinha! E entrou numa histérica gritaria tomando do menino a carteira: - Trombadinha! Socorram, trombadinha! Gritava e conferia um a um dos cartões de crédito, das cédulas do dinheiro, dos documentos, enquanto o menino, olhos grandes na circunstância, ficou sem saber o que estava acontecendo. Logo alguns salvadores de plantão acorreram e imediatamente seguraram o menino pelo braço já aos puxavanques, não ouvindo o que ele repetia: - A carteira dela caiu, fui entregar. Moucos e cegos por justiça, logo uma viatura da polícia militar ia passando ao que chamaram atônitos, desceram dois soldados que tomaram ciência do ocorrido, pegaram o menino pelas orelhas e fundilhos, sacudiram-no no porta-malas e zarparam. Nunca mais ninguém viu nem se ouviu falar daquele garoto. Veja mais aqui e aqui.

MOEMA – Imagem: Moema (Óleo sobre tela, 129 X 190 cm, 1866), do pintor e professor catarinense Victor Meirelles (1932-1903) - Uma das índias apaixonadas pelo conquistador Diogo Álvares (Caramuru, o Filho do Trovão) que morreu afogada nadando para acompanhar o navio que o levava de volta à Europa. A pintura de Victor Meirelles retrata a pose sensual do corpo morto da jovem índia, deitado à beira do mar, com a tanga presa apenas a um dos lados dos quadris, a perna esquerda apoiada numa rocha e os cabelos soltos espalhados na areia. Veja mais aqui.

Ouvindo: Do Romance ao Galope Nordestino (1974) do grupo de música instrumental pernambucano Quinteto Armorial que criou uma música de câmara erudita com raízes das tradições populares do Nordeste brasileiro. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O IMPÉRIO DO EFÊMERO – O livro O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas (Companhia das Letras, 2009), do filósofo, professor e teórico da Hipermodernidade Gilles Lipovetsky, trata de temas sobre o feérico das aparências, a moda consumada, a sedução das coisas, a cultura à moda mídia e os deslizamentos progressivos do social, entre outros assuntos. Do livro destaco: A moda não pertence a todas as épocas nem a todas as civilizações: essa concepção está na base das análises que se seguem. Contra uma pretensa universidade transhistórica da moda, ela é colocada aqui como tendo um começo localizável na história. Contra a ideia de que a moda é um fenômeno consubstancial à vida humano-social, afirmamo-la como um processo excepcional, inseparável do nascimento e do desenvolvimento do mundo moderno ocidental. Durante dezenas de milênios, a vida coletiva se desenvolveu sem culto das fantasias e das novidades, sem a instabilidade e a temporalidade efêmera da moda, o que certamente não quer dizer sem mudança nem curiosidade ou gosto pelas realidades do exterior. Só a partir do final da Idade Média é possível reconhecer a ordem própria da moda, a moda como sistema, com suas metamorfoses incessantes, seus movimentos bruscos, suas extravagâncias. A renovação das formas se torna um valor mundano, a fantasia exibe seus artifícios e seus exageros na alta sociedade, a inconstância em matéria de formas e ornamentações já não é exceção mas regra permanente: a moda nasceu. [...] Torrentes de “pequenos nadas” e pequenas diferenças que fazem toda a moda, que desclassificam ou classificam imediatamente a pessoa que os adota ou que deles se mantém afastada, que tornam imediatamente obsoleto aquilo que os precede. Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos, o espantoso dispositivo de distinção social conferido ao porte das novidades sutis. Impossível separar essa escalada das modificações superficiais da estabilidade global do vestir: a moda só pôde conhecer tal mutabilidade sobre fundo de ordem; foi porque as mudanças foram módicas e preservaram a arquitetura de conjunto do vestuário que as renovações puderam disparar e dar lugar a “furores”. Certamente, não que a moda não conheça igualmente verdadeiras inovações, mas elas são muito mais raras do que a sucessão das pequenas modificações de detalhe. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

HISTÓRIA DA FEIÚRA – Imagem: As tentações de Santo Antonio (1878), do pintor, desenhista, litógrafo e gravurista belga Felicien Rops (1833-1898). - O livro História da Feiúra (Record, 2007), organizado pelo escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco, sobre o feio no mundo clássico, um mundo dominado pelo belo, helenismo e horror, a paixão e o martírio, a visão pancalista do universo, a dor de Cristo, mártires, eremitas, penitentes, o triunfo da morte, o apocalipse: o inferno e o diabo, monstros e portentos, o feio: o cômico e obsceno, a feiúra da mulher entre a antiguidade e o Barroco, o diabo no mundo moderno, bruxaria, satanismo, sadismo, physica curiosa, o resgate romântico do feio, o inquietante, torres de ferro e de marfim, a vanguarda e o triunfo do feio, o feio dos outros, o Kitsch e o Camp, o feio hoje, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

UMA PIADA DO ŽIŽEK – No livro Bem-vindo ao deserto do real! - Estado de Sítio! (Boitempo, 2003), o filósofo, professor, teórico crítico e cientista social esloveno Slavoj Žižek conta a piada A tinta que falta, com o seguinte teor: Numa antiga anedota que circulava hoje na falecida República Democrática Alemã, um operário alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida pelos censores, ele combina com os amigos: “Vamos combinar um código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira”. Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul: “Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa – o único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha”. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


AMERICANTO AMAR AMÉRICA – O excelente livro Americanto amar América e outros poemas do século XX – 40 anos de poesia (Panamérica Nordestal, 2010), reúne os poemas e livros publicados do poeta, editor e gestor cultural pernambucano Juareiz Correya. O livro traz desde as suas publicações no Jornal Olho (1970), as antologias Poetas dos Palmares, os seus livros Um doido e a maldição da lucidez (1975), Recity Recife Um (1976), O amor é uma canção proibida (1979), América Indignada (1986), entre outros poemas e livros. Para conferir melhor clique aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


THE LOOK OF LOVE – O filme The look of love (O olhar do amor, 2013), do cineasta britânico Michael Winterbottom, roteiro de Matt Greenhalgh e música de Antony Genn e Mark Slattery, conta a história do rei do sexo proprietário de boates e editor de revistas pornográficas, Paul Raymond, coroado pela imprensa em função do seu império de bilhões de libras na Inglaterra. O destaque mesmo do filme fica a atriz britânica descendente de irlandeses, Anna Louise Friel. Veja mais aqui. 



Veja mais sobre:
Um dia no meio das voltas que o mundo dá, o pensamento de Alan Watts, a música de Tatiana Catanzaro, a pintura de Joan Miró & Educação para paternidade/maternidade aqui.

E mais:
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, o cinema de Tim Fywell & Ashley Judd, Marilyn Monroe & Jayne Mansfield, a pintura de Fernando Botero, a música de Roberto Carlos, Psicologia Social: infância, imagem & literatura aqui.
Eu & ela na festa do céu, Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Umbigocentrismo, Doro & a embromação do banco aqui.
O lance da minissaia, Derinha Rocha & Zine Tataritaritatá aqui.
Itinerância, O segredo das mulheres de Albertus Magnus, a literatura de Bruce Chatwin & Eça de Queiroz, o teatro de Elias Canetti, a pintura de Henri Rousseau, a música de Samantha Fox, Políticas Públicas, a arte de Ana Claudia Talancón & Nobuo Mitsunashi aqui.
Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar, a literatura de Mario Vargas Llosa & Autran Dourado, o teatro de Máximo Gorki, a música de Sarah Vaughan, o cinema de Suzana Amaral, a pintura de Carl Barks, o folclore de Luís da Câmara Cascudo, a arte de Dianne Wiest, a fotografia de Jannyne Barbosa & A burrinha de padre aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer, A consciência fragmentada de Renato Ortiz, A teoria e a prática de Adalberto Marson, o teatro de Rubens Rewald, o cinema de Wayne Wang & Gong Li, a pintura de Geraldo de Barros & Katia Almeida, a música de Paula Morelembaum, a escultura de Émile Antoine Bourdelle, a coreografia de Eugenio Scigliano, a entrevista de Ulisses Tavares, a arte de Lisa Yuskavage & Wanda Pepi, Baghavad Gita, Neuroeducação & Até tu, Zé Corninho aqui.
Tudo tem seu lado bom & ruim & vice-versa, a obra secreta de Hermes Trismegistus, A linguagem de Ludwig Wittgenstein, O homem criador e sensato de Alan Watts, a música de Mozart & Alicia De Larroch, a poesia de Mariana Ianelli, a coreografia de Merce Cunningham, o teatro de Maria Adelaide Amaral & Marília Pêra, o cinema de Don Ross & Christina Ricci, a escultura de Aristide Maillol, a pintura de Johfra Bosschart & Sharon Sieben, a fotografia de Luiz Cunha, a ilustração de Ana Starling, Flor do Una de Juarez Carlos, a entrevista de Valquiria Lins, a arte de Rodrigo Branco, A criança: Vygotsky e o Teatro & O evangelho segundo Padre Bidião aqui.
Precisamos discutir sobre os próximos 20 anos, As vitórias e derrotas de Zygmunt Bauman, A vida íntima e privada de Fernanda Bruno, a coreografia de Janice Garrett, a poesia de Carolina de Jesus, o teatro de Tennessee William, o cinema de Jules Dassin & Melina Mercouri, a entrevista de Rejane Souza, a arte de Arlinda Fernandes & Alessandra Tomazi, a música de Irina Costa, Brincarte & Literatura Infantil, Luciah Lopez & Canção de quem ama além da conta aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro, o pensamento de Carl Gustav Jung, O homem e a sociedade de Wilfred Ruprecht Bion, A atualidade de Georg Simmel, a escultura de Wilhelm Lehmbruck, a literatura de Eduardo Caballero Calderón, o teatro de Oduvaldo Vianna Filho & Helena Varvaki, a arte de Tracey Emin & Samuel Szpigel, a entrevista de Katia Velo, a música de Tarita de Souza, a fotografia de Rebeka Barbosa, a arte de Karen Robinson & Luiz Paulo Baravelli, Cidadania nas Escolas, Por mais que a gente faça nunca será demais & Do que fui e o que não sou mais aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra, Platão, O afeto e o apego de Edward John Bowlby, Nascente & a entrevista de Geraldo Azevedo, Sociedade sem escolas de Ivan Illich, o teatro de Nelson Rodrigues, a pintura de Cândido Portinari, a música de Zap Mama & Marie Daulne, a coreografia de Katherine Lawrence, a fotografia de Ryan Galbrath & Mario Testino, a poesia de Bastinha Job, o cinema de Shohei Imamura & Misa Shimizu, A Notícia & Jamilton Barbosa Correia, a arte de Rachel Howard, Depois das eleições & De cara pro futuro, levando tudo nos peitos, munheca em dia & pé na tábua aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, outubro 17, 2008

WILLIAM BLAKE, UMBERTO ECO, LEJEUNE, MULHER GREGA & NICOLE LORAUX,BURNE-JONES, ROSANA SIMPSON & LITERÓTICA


Arte do artista e designer inglês Edward Burne-Jones (1833-1898).

LITERÓTICA: A VARANDA – A lua reinava com a chegada da noite naquelas paragens. Era cheia na penumbra e transversal dos beijos estalados com sabor de cerveja e mar. No escurinho, frente a frente, mergulhamos no confronto dos corpos e ela beijoqueira começou a uivar com seus olhos de faroleiro errante. Primeiro naufraguei no seu decote e embarquei lépido rumo à plataforma do amor e nele fiz morada para sempre sem abrir mão de cavoucar todos os acidentes geográficos de sua assimetria provocadora. E fui, com uma mão entre a pele da cintura e o elástico do biquíni rompendo os vales do ventre umedecido. A outra alisando impune o dorso da coxa divisando a mina púbica de todos os desejos florescidos. Essa a nossa balada, o momento perfeito. Foi quando ela transida pela loucura da sedução infringiu todos os limites. Investigou, virando a cabeça, inspecionando lado a lado, conferindo os mínimos detalhes do ambiente para ver a existência de alguma presença afora a nossa, algum testemunho ou atrapalho flagrante. Enquanto fazia sua minuciosa conferência por toda dimensão territorial, eu me rendia ao toque de suas mãos inquietas e usurpadoras. Era porque enquanto ela inspecionava tudo, as suas mãos percorriam minha carne agitando minhas veias., vasculhando meu ventre e, depois da conferência geral, foi se ajeitando comodamente até que ajoelhou-se no piso forrado da paixão como uma Juliete Binoche arrepiada com a intimidade desnuda embaixo da saia levantada que dava comodamente com a vagina nua assentada e esfregada no meu pé como se fosse a sela do corcel onde ela rebolava e se arrastava à medida que se preparava para uma prece em frente da minha vela viva e empunhada pelo seu bulício. Parecia que estava insatisfeita de tudo e como quem quer mais do que possui, aos murmúrios lancinantes do cio, ela arremessou a vida no alvo do meu sexo premiado e dele fez o pavio de sua busca para alimentar o hábito de querer no hálito de sua alma requerente com o trabalho de quem faz por amor na labuta dos amantes, fazendo-o da pira iluminada com a sua língua acendedora de lampião no breu. Acolhedora atirou-se incansável e frenética e foi recolhendo todo meu edifício vistoso, andar por andar, lentamente, centímetro por milímetro, delicada e vorazmente implorando por misericórdia porque queria mais e muito mais do que havia até então se apropriado. Ela rangia os dentes, boca cheia dágua da baba escorrer pelo canto. E mais agitada ia acomodando o meu rijo tridente pelos vãos dos seus lábios que apontam os jardins do Éden. E ruminava contornando toda cúpula, torre e superfície acesa descortinando a lâmina afiada da minha espada porque sua boca movediça tratava de dar cabo de toda dimensão da minha estatura agora untada por sua saliva e batom vermelho que é a rosa em flor de lótus com mil pétalas estelares para toda a cobiça e se apossava com todo gosto e me destrinchava reavendo o que perdi na existência e não me restava mais nada do que aquilo tudo da dádiva dela. Foi aí que seguiu desmedida e sussurrava amolegando o meu guidon energizado, completamente abocanhado por sua faminta determinação. E gemia com a lareira do seu ventre grudado na minha pele. E prostrada sobre o meu ventre ela encarava a minha serpente de gumes afiados e que descobre todos os seus mistérios e que a faz mais que o esplendor do veludo sobre o meu mel. E lambia os lábios abastados como quem se prepara para o banquete de gratidão, como quem se arma para o bote benfazejo ao paladar e se arregalava quando suas mãos arregaçavam com mil beijos de sua gula profana que invadia e lambuzava, segurava e sobejava o meu sobejo e vicejava afogada na mira, retendo para si entre os dedos esgoelada e sugava e eu crescia. E afagava com o rosto, e tomava insaciável o falo como quem mede o palmo na palma da mão, ah, fodoral. Aí ela fechava o cerco e nada perco porque o meu cajado luzidio é o pico salivado pela sua sede e fome como quem escava o poço da garganta quando emerso da sua arma mais estreito transponho a abertura do seu empenho que se sujeitava a caprichar no vai-e-vem e a confiscar minha vigília como quem persegue a sua vingança, como quem rompe o senso de quem quer consolo a qualquer preço, como quem quer colo a qualquer custo e comendo bolo no maior rolo e eu aceso nos seus beiços que são novelos que me envolve na alquimia que me faz fruta madura quando a noite não cabe mais e retomo sem me deter e puxo, repuxo com força e quero atravessar sua laringe até onde mais der porque as suas margens esborraram com a lambida caleidoscópica onde toda cornucópia é mais que abundante e faustosa e tudo é imenso e absorve a minha manivela por inteiro porque ela engole o cabo e eu no seu reduto de cadela rosnando no osso de carne como quem saboreia um picolé delicioso e eu no auge vou como quem perde o leme, esquece a rota e ela me leva ao tálamo da sua presença ampla, vasta e totalmente viva entre as sombras que tenho porque fecho os olhos e ela sorve meu sêmen completamente embriagada e deliciando o néctar do meu gozo vivo nas galáxias de sua divina abóbada palatina que é a taça do desejo de sua mais que viçosa alma de nenhum fastio e transcendente precipício das chamas no maremoto da saliva que é o véu e que inventa o abismo delicioso que colhi e decifrei com toda e nenhuma direção e consinto que se sirva enquanto eu vulnerável vou sucumbindo à paixão do amor mais que desejado. Estava eu entregue e sob o seu jugo enquanto ela, olhar de sonsa, jeito de manhosa que não tem nada a ver com isso, risinho safado oculto no olhar, satisfação de tímida e nua reluzente, danada de gostosura e me tratando por herói, me fazendo amo e querendo ainda ser estraçalhada pela minha voraz vontade de esganá-la por inteiro com meus beijos, carícias e esfregões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS – [...] O papel é espelho. Uma vez projetados no papel, podemos nos olhar com distanciamento [...]. Trecho extraído da obra O pacto autobiográfico: de Rousseau à Internet (EdUFMG, 2008), do professor e ensaísta francês Philippe Lejeune.

AS MULHERES GREGAS – [...] há seguramente razões históricas, razões de civilização: uma mulher grega vivia sua existência de moça, de esposa e de mãe no lugar mais recôndito da casa; ela também devia partir desta vida de sua casa bem fechada, ao abrigo dos olhos, longe de todo o público. [...] Sem dúvida nem todos os homens de Atenas morrem em combate, mas não existe um cujo epitáfio não confie de alguma maneira à cidade a lembrança eterna das qualidades do morto; nem todas as mulheres de Atenas extinguem-se em seu leito, mas é sempre ao marido (ou na pior das hipóteses à família) que compete preservar a lembrança da morta. Do ponto de vista paradigmático dos modelos sociais, é verdade que a cidade nada tem a dizer a respeito da morte de uma mulher, fosse ela tão perfeita quanto lhe é permitido ser; com efeito, a única realização para uma mulher e levar sem alarde uma existência exemplar de esposa e de mãe ao lado de um homem que vive sua vida de cidadão. Sem ruído. [...] seja qual for a liberdade oferecida pelo discurso trágico dos gregos às mulheres, ele lhes recusa a de transgredir até o fim a fronteira que divide e opõe os sexos. Sem dúvida a tragédia transgride, confunde, esta é sua lei, esta é sua ordem. Mas nunca a ponto de subverter irreversivelmente a ordem cívica dos valores [...]. Trechos extraídos da obra Maneiras trágicas de matar uma mulher: imaginário da Grécia Antiga (Jorge Zahar, 1988), da historiadora francesa Nicole Loraux (1943-2003). Veja mais aqui.

FICÇÃO – [...] Na ficção, as referências precisas ao mundo real são tão intimamente ligadas que, depois de passar algum tempo no mundo do romance e de misturar elementos ficcionais com referências à realidade, como se deve, o leitor já não sabe muito onde está [...]. Trecho extraído da obra Seis passeios pelo bosque da ficção (Companhia das Letras, 1994), do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016). Veja mais aqui.

O JARDIM DO AMOR - Tendo ingressado no Jardim do Amor, / Deparei-me com algo inusitado: / haviam construído uma Capela / No meio, onde eu brincava no gramado. / E ela estava fechada; "Tu não podes" / Era a legenda sobre a porta escrita. / Voltei-me então para o Jardim do Amor, / Onde crescia tanta flor bonita, / E recoberto o vi de sepulturas / E lousas sepulcrais, em vez de flores; / E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas, / E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo. Poema do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui.

 Arte do artista e designer inglês Edward Burne-Jones (1833-1898).


MUSA DA SEMANA: ROSANA SIMPSOM – A cantora, compositora, produtora musical e publicitária pernambucana Rosana Simpsom, é uma artista atuante e oriunda de uma familia de músicos. Traz na sua trajetória a bagagem de quem foi considerada a melhor cantora da noite recifense no final dos anos 80, sendo a “Grande Vencedora” do Concurso de Música Carnavalesca Pernambucana 2007/2008 obtendo o 1º lugar na categoria Frevo Canção com a música “Frevendo” e 2º lugar na categoria Frevo de Bloco com a música “Antigos Carnavais”.


Além do seu trabalho artístico, a Rosana Simpsom também se dedica a trabalhos de solidariedade na categoria, sendo idealizadora dos projetos “Encontro dos Músicos de Pernambuco”, “Noite dos Músicos”, Movimento dos Músicos de Pernambuco & OMB” e “Quarteto Novo ao Vivo”.


Na sua discografia estão os cds “Tela de Cinema”, “Sucesso de barzinho - vol 2” e “Coletânea”. Atualmente prepara o seu próximo cd autoral “Só”.


Como hoje é o aniversário dela, daqui a nossa homenagem: Feliz aniversário, linda mulher Rosana Simpsom.



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MUSA DA SEMANA 




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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