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quinta-feira, novembro 28, 2019

WILLIAM BLAKE, TEATRO ATIVIDÁRIO, ANÉE LINS, PIERRE MOLINIER & OUTRA CARTA DE NOVEMBRO


OUTRA CARTA DE NOVEMBRO – O mistério do secreto: é no esotérico que a vida se desvela - longe da ilusão dos sentidos algo acontece de verdade. Tenho a lição de Trismegistus, a vida e o mundo no que penso: o Universo sou eu e tudo o mais. Do Oriente, o Sol nasce todos os dias. Aqui, quereres entre o que faz falta. E um botão liga ou desliga – átomos, mônadas, oxímoros, metáforas e simulacros -, há muito mais. Desde o advento do Homo sapiens, parece, pouco ou quase nada evoluiu. De lá para cá, que o digam os filhos de Caim: guerras, fome, bombas e miséria. De fato: o Ocidente é só mal-estar, já foi dito: histerias, neuroses, convenções e infelicidade. Civilizados com senhas, vestes, códigos, excludências e outros senões. Afora o calendário e as horas passam depressa entre o passado e o esquecimento com tantos desacertos, recaídas, expectativas, idealizações, paredes, tetos, muros e cercas. Onde a felicidade, tudo tão efêmero e diferente do que realmente sou. O que temer se o tempo passa, sempre um pé atrás: desconfia-se até da sombra, teme-se dos mortos, quem sabe, o que podem pensar os outros e dizem, entrou na roda, satisfações disso e daquilo, o interdito, a lógica da honra e a moral do que deve ser feito, ou não, a necessidade de ser feliz. O que se poderia dizer da sorte, benditos que não sei, outras são maledicências. O que se dizer das intrigas, o calor da amizade, outras seriam blasfêmias ou infâmias. Defende-se um deus entre escolhidos no reino da prótese: a ciência pra razão, a arte pra emoção - cada coisa no seu lugar, um milagre às vezes cai do céu. Quando um é ganhador, alguém perdeu. Se um sorri, outro chora. O que vale, tudo sob controle: convicções, lições aprendidas com o que passou e a retaguarda. Até que um recado expresso com versos em revoada de pássaros, oriundo da volúpia emergente das vísceras da Terra, com seus pelotões de candura, batalhões de beijos e desejos, frotas navais e aéreas no estado de graça das taças tilintando ao brinde do que se aspira, como um vinho depois do prazer. O que fazer diante do amor: seguir o desconhecido, quantas perguntas. E o sentimento impera: será que dá certo – entrar em campo pra ver o resultado. Enquanto a prudência dita a passada, seguir adiante ou voltar para casa onde o deserto fez morada na solidão. O que fazer, a cautela e a dúvida, respostas requeridas, ou se danem todos os juízos e fruir, para quê sentido, ah, nenhum e haurir antes de se arrepender. E o que fazer diante dos empecilhos aos tantos, ninguém sabe, o acaso não existe e a semente brota em campo propício, seja charco, asfalto ou inferno. Quem mandou ou por que será, ah, outras escolhas, amar com posse e servidão, afinal, das avenças alguém sempre sai arranhado ou aos prantos, coisas de prever o paradoxal, qual contraditório. Ah, o amor de ontem não é mais, o de amanhã nunca se sabe. O que se aprendeu é pura farsa, aprende-se mesmo a cada dia. Quando se tem um, há sempre mais um e outro e lá se vão dois que são três ou quatro, tantos e muitos tão infinitos e eu aqui na minha finitude diante do inexplicável. Eu mesmo não sei se ontem sou hoje ou serei o mesmo amanhã. Da minha parte, o paladar só distingue quatro de zis sabores, a audição só algumas de tantas frequências acima ou abaixo, só tocamos o que está ao nosso alcance, só vemos a dimensão dos olhos, ignoramos as costas e tudo o mais. Desaprendemos do invisível, do inefável, do inodoro, insípido ou incolor. Ver o visinvisível, são outros quinhentos: sentir o inexprimível, a noção da ubiquidade inacessível, beijar o que não se sabe, gozar do insensato e indescritível, jogar-se ao abismo. Sou o destino nas mãos: recrio meu mundo, reinvento viver. O que dizer depois do amor, assim o caos e todos nós. Então, fecho os olhos e vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Quando o viu sentado na mesa de sempre, o coração bateu forte, estava muito feliz. Conversaram rapidamente algumas vezes durante a noite. Ele a esperaria, queria levá-la em casa e percebeu a face da jovem iluminada mesmo na penumbra da boate. No final da noite ele estava lá, esperando-a. Foram em silêncio, não sabiam o que falar. Queriam se tocar, o desejo ardia. [...] Ao chegar, ela foi se despedir com um beijo na face, porém os lábios se tocaram e o beijo foi inevitável. O calor subiu pelos corpos intensamente. As mãos dele começaram a deslizar vagarosamente, precisava ver até onde poderia ir. Não pode conter o desejo. [...] Ele continuou percorrendo todos os caminhos com voracidade. Ela estava paralisada, trêmula, arrepiada e incandescente. Queria-o. Todos os sentidos trabalhando de uma só vez, dirigindo-se para um mesmo local. Era a primeira vez que era tocada daquela maneira. Que se permitiu o prazer do toque. Que sentiu a necessidade desesperada de alguém dentro de si. Queria aproveitar cada instante. [...] O cheiro do sexo exalava como perfume de rosa. Ele conheceu o desejo dela como nunca havia visto em outra mulher. [...]. Trechos da obra O livro de Valentina: contos íntimos (Autor, 2019), de Anée Lins, com contos eróticos escritos por uma mulher e endereçados para mulheres adultas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

TEATRO ATIVIDÁRIO
A culpa é dos gregos. Não da crise do euro, não do suposto culto de um apurado sentido de irresponsabilidade, nem sequer por apresentarem a conta com caracteres alemães e um atraso de algumas décadas. A verdadeira culpa dos gregos é o terem criado “muitas das palavras e conceitos que ainda hoje usamos para chamar os bodes pelos nomes, a começar por Theatron, “lugar de onde se vê”, e drama, que significa “fazer acontecer”.” Ou seja, são culpados dos sete costados pela invenção do Teatro, considerada a quinta das artes maiores.
TEATRO ATIVIDÁRIO – Teatro Atividário (Pato Lógico, 2015) é uma obra temática abecedário com atividades, que reúne textos do escritor e editor português, Ricardo Henriques e ilustrações de André Letria, com referências artísticas, históricas, científicas ou filosóficas, acrescidas com comédias, dramas e tragédias e que propõe atividades práticas para fazer na escola ou em casa. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo, pintor e criador surrealista francês Pierre Molinier (1900-1976). A maior de suas fotografias e fotomontagens são autorretratos sendo, por isso, incluído por André Breton entre os surrealistas, por sua obra influenciar artistas do mundo inteiro. Veja mais aqui & aqui.

A OBRA DE WILLIAM BLAKE
Antes não se imaginava o que agora é provado.
A obra do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827) aqui.


sexta-feira, novembro 30, 2018

WILLIAM BLAKE, MIUCHA, RICARDO ORTEGA & ALAGOINHANDUBA


O VOO DA CIDADE – Imagem: arte do artista mexicano Ricardo Fernandez Ortega. - A cidade virou um caos. Há muito Alagoinhanduba não mergulhava numa situação tão desordenada. Nem por mais de mil anos se viu tantos Tântalos carregando nos bolsos os manjares divinos para exclusividade sua, quantas Quelones que zanzam sem ter pra onde, Sísifos que vão e voltam de seus afazeres rotineiros, Erisictãos insaciáveis a se arrastarem abocanhando o passeio público, Prometeus escravizados cumprindo sua sina, Íxions impunes que nem sabem da roda da justiça tardia, Danaides na passarela de todas as ruas, procissões de Atlas pigmeus e Aloidas com todas as loucuras do mundo nos ombros, Medusas saídas dos cabeleireiros para seduzir os desavisados, Heracles com seus labores sucumbentes na vingança dos seus algozes, e se quer ver o primeiro da fila, na certa, será o último visível, porque já vem o segundo com a alma dos poetas em vulcões e cemitérios eclodindo dos seus delírios, e já vem os terceiros com suas verdades cruéis na balada e a balança de Têmis e os tombos de todas as leis exigíveis de serem cumpridas ao pé da letra e morrem ao serem mencionadas, dando vez a tantas outras nos calhamaços das jurisprudências. A cidade submerge a tudo isso e lembro bem o que Deus disse à minha alma numa noite de Sol da eternidade. Não esqueci precavido e todos passam, até aquela doida que passava cantarolando, levantando a saia, mostrando os seios da blusa qual laço para cativar quem quiser e vida aos ventos, braços soltos, mãos que falam dos olhos de uma tal Maria que endoideceu de mal de amor e segue amorante quase despercebida no meio da enxurrada de gente perdida na chuva dos desejos díspares, para aguçar as ideias turvas da libido, como se todos fossem aeroplanos sem campo de pouso nas mil e uma noites de Alagoinhanduba. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
A Crueldade tem um coração humano,
E o Ciúme um rosto humano;
O Terror é a divina forma humana,
e o Mistério a humana roupagem.
O vestido humano é ferro forjado,
A forma humana é uma forja ardente,
O rosto humano uma forja selada,
O coração humano seu abismo voraz.
Ao Perdão, Piedade, Paz e Amor,
Todos clamam na aflição:
E para essas virtudes prazerosas
Afirmam sua gratidão.
Pois Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É Deus nosso Pai querido:
E Perdão, Piedade, Paz e Amor,
É o homem, seu filho, a quem cuida.
Que o Perdão tem um coração humano,
A Piedade, uma face humana,
E o Amor uma forma divina,
E a Paz, os trajes humanos.
Então todo homem em todo lugar,
Que ora em sua tristeza,
Está orando à forma humana divina.
Perdão, Piedade, Paz e Amor.
E todos devem amar a forma humana,
Seja em pagãos, turcos ou judeus.
Pois onde Perdão, Piedade, Paz e Amor habitam,
Deus reside ali, também.
Poema Uma Imagem Divina, extraído da obra Canções da inocência e da experiência (Disal, 2005), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista mexicano Ricardo Fernandez Ortega.
Veja mais aqui.

AGENDA:
Semana de Arte Contemporânea – de 7 a 13 de setembro de 2019, no Recife & muito mais na Agenda aqui.
&
Conversa mole de Fabos, Jacques Derrida, Yes, Os índios de Orlando Villas-Bôas, A desumanização de Valter Hugo Mãe, Marília Garcia, Ana Lira, Mónica Beatriz Cragnolini, David Rowe & Gameleira aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora e compositora Miucha em álbum solo & ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Toquinho & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja aqui e aqui.


quinta-feira, janeiro 18, 2018

WILLIAM BLAKE, CARLOS NEJAR, FLORESTAN, ORIDES FONTELA, LEON ELIACHAR, REGINA SILVEIRA, LOUIS MALLE, LUCIANO MAGNO & LIAH SOARES

AJUSTE DE CONTAS – Imagem: Abissal (2010), da artista plástica Regina Silveira. - Tirando por mim, a vida é curta e vale muito, a gente pouco e ela é demais pro que se quer. Pelejei muito, agora sozinho na noite só resta escrever cartas e mais cartas e colocá-las no fundo das garrafas para jogá-las às correntes dos rios, quem sabe, ou gravar versos confessionais às areias das praias entre sargaços ou nas encostas, nas rochas, estradas, para serem levados aos ventos à qualquer beira de fim, ou riscar meus sentimentos mais íntimos nas bordas do tempo, em voz alta no alto de um morro, ah, como agora escrevo nada que se aproveite porque nunca fiz nem fui nada, mesmo na tentativa de fazer nada melhores a todo instante e momento, mesmo que pra nada servissem nem sirvam meus préstimos, nunca serviram, valho-me da indolência de inventar histórias com os malassombros do mundo e fantasmas frequentes que rondam minha insônia a roubar meus pesares e anseios numa brincadeira sem fim. Só me resta de mesmo sentar num banco de praça a debulhar meus prantos e lavar-me a alma por ter sido vítima do injusto, a perdoar-me pela sordidez dos meus atos e vexames, como ajuste de contas pelo que fui e deixei de ser, ah, isso não, jamais. Certamente nunca fui lá achegado a lamúrias, pois ri demais e me esbaldei oportuno às condições favoráveis, quando permite uma folga por instantinho de nada que fiz valer séculos, confesso. Por isso, sempre me achei mal-agradecido, cada qual experimenta do doce e amargo, o castigo do remorso silencioso de quantos suicidas, solitários, eu mesmo nada disso, apesar das sobradas, eu morri muitas vezes e das cinzas renasci mais de mil vezes e cá estou prestando contas pra ver do que devo e do que sou credor, se é que crédito algum ainda me reste completamente ao rés do chão, reles espantalho, homiziado de pernoite, a me fazer débil entre moucos e cegos maçantes com seus parvos alcunhas e reuniões mundanas e secretas, grupelhos de interesses a ouvirem e espiarem para tudo e nada distinguirem, meros substantivos sem significado nem vergonha em seus rostos amargurados, arrogantes, cínicos, indóceis, portadores da palavra sem verdade e a rogarem favores em nome da graça de Deus e de clemência por seus degradantes dissabores, na voz gutural de duas dissimulações, sem pressa para fazer as malas enquanto se assustam com o fim do mundo daqui a pouco. Ignorado por todos sou na generosidade do sossego sem escapar de mim mesmo, no desabafo de sentimentos enterrados no mais profundo do íntimo, um acerto de contas feito e refeito comigo mesmo, já que dos outros paguei tudo até o pato alheio, foi tudo preto no branco, um ou outro, talvez, lembre tenha sido com folga, na maioria das vezes era ali mesmo justado e pesado com percentagem de usura por impagáveis falhas e deslizes, mal-entendidos, e levasse a sério era estouro das coronárias e eu já era esquecido e desmemoriado, sem buscar o muito e de tudo que persegui a vida toda, augurando êxito aqui e ali, lavando a alma e peito ao flagrar alguma cena na paisagem, sempre um vulto de mulher a chamar atenção na calçada, maravilha da vida a me empolgar e a confirmar que Deus existe naquela majestosa assimetria bem distribuída no balanço das ancas, no perfil gracioso dos seios, a cadência dos passos no mundo das pernas e coxas, o olhar fascinante que vê e não me reconhece atordoado, o prêmio do sorriso nos lábios de festa a confirmar que sou eu o premiado. Graças! Louros e salvas pra mim, pelo que escapei de traições e perigos, pelo que perdi e nem precisava, pelo que ganhei de afeto e me fez pronto pra seguir adiante, perseguir e perseverar, resiliente, pelo menos, até amanhã, se Deus quiser. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o guitarrista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical Luciano Magno: A máquina, Marco Zero/Carnaval do Recife & De Olinda a Los Angeles; da cantora e compositor Liah Soares: Quatro cantos & As melhores; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Baratas e formigas nos sobreviverão. Quando os átomos desintegrarem cidades e corpos, com capacetes de fereza, esses prestimosos insetos saberão o que fazer da terra, já que nós não sabemos. E talvez a concha perdida na praia restaure a última senha. [...] Toda barbárie principia na linguagem. E caminha para os gestos, fecundando a cotidiana convivência. Impõe-se uma tácita comunidade. A mais brutal selvageria é a da alma. [...] Toda ideologia é uma neblina. Envelhece à morte de um dia. [...]. Trechos extraídos da obra O túnel perfeito (Relume Dumará, 1994), do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos Nejar. Veja mais aqui.

REFLEXÃO PARA OS TEMPOS ATUAIS - [...] O recuo no tempo constitui uma função da cadeia de determinações causais e genéticas com que se opera. Raramente é aconselhável forçar a mão, na suposição de que “o passado explica o presente”. A sociedade se reconstitui e, se importa não perder os elos com o passado, nunca se deve perder de vista que é no presente que se encontram as determinações essenciais, que regulam a reprodução das estruturas e profundidade, a rapidez e a amplitude das transformações históricas em processo. No Brasil, porém, como em muitos outros “países capitalistas dependentes e atrasados” [...] O passado não se “repete” pura e simplesmente. Exigências e necessidades novas condicionam ou determinam a reprodução de comportamentos coercitivos e violentos, arcaicos ou semi-arcaidos, o que instaura um paradoxo histórico. [...] Assim, a violência institucional se cruza com a submissão reativa, a produção de apatia generalizada e a exclusão sistemática dos dominados, oprimidos e explorados. [...]. O que fica claro – e que as elites das classes possuidoras e dominantes procuram salvar do “caos” das mudanças – é que a monopolização do poder (de todas as formas de poder e, no caso, do poder especificamente político) se decide em um patamar pré-político. Os partidos apenas contam como agência de fruição, distribuição e centralização do poder entre facções dos estratos sociais privilegiados e “dirigentes”. [...] Os estudiosos do preconceito e da discrimanção raciais descobriram a essência de uma tradição mistificadora, arraigada no Brasil: o preconceito de não ter preconceito – uma fragilidade humana aparentemente universal, que deveria ser inerente a qualquer forma de ideologia e até mesmo ser assimilável aos mores inabaláveis de uma sociedade de origem escravista. É possível que a contradição entre o império da fé e as iniqüidades da escravidão tenha forjado uma espécie de entorpecimento infantil da consciência social e produzindo essa tendência complacente de dissimular as misérias humanas, transcendndo aos limites e às necessidades das ideologias. [...] De outro lado, embora não se possa separar o referido preconceito de não ter preconceito da violência sublimada e da violência elementar subjacente às relações estamentais-escravistas e às relações de classes de uma sociedade multiracial com fortíssima concentração racial da riqueza, do prestigio social e do poder, é evidente que o paradigma que vale para a representação do “não-preconceito” vale igualmente para outras representações essenciais à humanidade dos “mais humanos” (no calo, do que diz respeito à “não-violência”). A violência incorporada aos mores dos que se atribuem a responsabilidade da defesa da ordem, da moralidade ou da religião e de todo um padrão de civilização, objetiva-se como um direito natural – ou, na pior das hipóteses, como uma coação “legítima” e “necessária”, que se justifica por si mesma, por prevenir irrupções destrutivas da violência e por se institucionalizar como um “direito sacrossanto”. [...]. Trechos da obra A ditadura em questão (T.A. Queiroz, 1982) do

CASAMENTO DO CÉU E DO INFERNO – [...] As religiões dualistas sustentam que o homem possui dois princípios reais de existência, um corpo e uma alma; que a energia provem apenas do corpo, enquanto a razão, inteiramente da alma; e que Deus atormentará o homem por toda a eternidade por ele seguir suas energias. A verdade é que o homem não possui corpo distinto da alma – o chamado corpo é uma porção da alma discernida pelos cinco sentidos; que essa energia é a única vida que provém do corpo; que a razão é o limite externo ou circunferência da energia; e que a energia é o deleite eterno [...]. Extraído da obra O matrimônio do céu e do inferno (Iluminuras, 1995), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

TALENTO – Quando completou dezoito, Ingrid saiu de casa com a disposição de entrar para o teatro: - Hei de vencer, custe o que custar. Não foi mole. Durante dois meses freqüentou tudo quanto é restaurante onde vão jantar os artistas, depois do espetáculo. Só que ela não jantava: roubava uma batatinha aqui, outra ali, e ia fazendo os contatos, que hoje chamam de relações públicas. Até que um dia surgiu a primeira oportunidade e arranjou sem primeiro emprego: tinha de bater palmas, de vez em quando, pra incentivar a plateia. Mas não durou muito: uma vez bateu palma fora de hora e acabou indo pra rua. Pra arranjar colocação em outro teatro, foi duro, pois essa é uma das raras profissões que não possibilitam a tal carta apresentação. – Mesmo assim, hei de arranjar. E arranjou mesmo, porque sempre aparece um brincalhão para tirar partido da agonia alheia. O fato é que Ingrid conseguiu uma carta nos seguintes termos: “Prezado diretor, pela presente quero lhe recomendar o extraordinário talento da jovem portadora desta carta, excelente batedora de palmas de nossa ‘claque’, com uma folha de serviços digna dos maiores elogios. Graças às suas palmas, sempre estridentes e oportunas, nossas peças têm sido muito bem aceitas, tanto pelo público como pela crítica ainda não se acostumou a gostar das peças aplaudidas. De qualquer forma, como o nosso objetivo direto é o público, peço-lhe que ouça com atenção as palmas desta jovem, cujo futuro está em suas mãos (dela é claro)”. – O senhor acha mesmo que posso fazer carreira? Ingrid tremia, quando o direitor lhe pediu para bater palmas. – O senhor gostou mesmo? – Demas. Agora pode vestir a saia e passe para a outra sala pra assinar o contrato: a senhoria será a nossa principal vedete. O que é o destino. Ingrid ingressou no teatro através das mãos, mas o seu talento estava todo nas pernas. Extraído da obra A mulher em flagrante (Círculo do Livro, 1986), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui e aqui.

AXIOMAS – Sempre é melhor / saber / que não saber. / Sempre é melhor / sofrer / que não sofrer. / Sempre é melhor / desfazer / que tecer. / Sem mão / não acorda / a pedra / sem língua / não ascende / o canto / sem olho / não existe / o sol. Extraído da obra Teia: poemas (Geração, 1996), da poeta Orides Fontela (1940-1998).

ADEUS, MENINOS
Adeus, meninos foi inspirado na lembrança mais dramática da minha infância. Em 1944, eu tinha 11 anos e era interno num colégio católico, perto de Fontainebleu. Um de meus colegas, que havia chegado no começo do ano, me intrigava muito. Ele era diferente, discreto. Comecei a conhece-lo, a amá-lo, quando, certa manhã, nosso pequeno mundo desabou. Esta manhã de 1944 praticamente decidiu minha vocação de cineasta. É a minha fidelidade, minha referência. Deveria tê-la feito a matéria de meu primeiro filme, mas hesitava, esperava. O tempo passou, a lembrança se tornou mais aguda, mais presente. No ano passado, após dez anos nos Estados Unidos, senti que era chegado o momento e escrevi o roteiro de Adeus, meninos. A imaginação utilizou-se da memória como um trampolim, reinventei o passado, além da reconstituição histórica, em busca de uma verdade ao mesmo tempo lancinante e intemporal. Através do olhar desse garotinho que se parece comigo, tentei reencontrar esta primeira amizade, a mais forte, bruscamente destruída, e a descoberta do mundo absurdo dos adultos, com sua violência e preconceitos. 1944 está longe, mas eu sei que um adolescente de hoje pode partilhar a minha emoção. Louis Malle.
Extraído do livro Adeus, meninos (Bertrand Brasil, 1987), com o roteiro do premiado drama Au revoir les enfants (1987), dirigido, escrito e produzido pelo cineasta Louis Malle (1932-1995), baseado na própria infância ocorrida durante o inverno de 1943-44, quando na II Guerra Mundial a França é ocupada e dividida entre os invasores nazistas entre os “colaboracionistas” (cidadãos franceses que ajudam os alemães), os opositores resistentes e demais habitantes, meninos de diferentes idades assustem aulas dadas e organizadas por padres cristãos, descobrindo que um dos mais inteligentes e introspectivos alunos, veste solidéu e reza em língua hebraica. O filme revela a crueldade da guerra e a ocupação. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
O mundo parou pro coração pulsar, o pensamento de Sêneca, a música de Liah Soares & a pintura de Jean Fautrier aqui.
Por você na Crônica de amor por ela, Safo, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Autran Dourado, Regina Silveira, Khadja Nin, Alexandre Dáskalos, Sam Taylor-Wood, Erika Leonard James, Eduardo Schloesser, Dakota Johnson & Kel Monalisa aqui.
Darcy Ribeiro, Autran Dourado, Damaris Cudworth Masham, Loius Claude de Saint-Martin, Juan Orrego-Salas, Irina Vitalievna Karkabi, Doença & Saúde aqui.
Farra do Biritoaldo aqui.
Educação Ambiental aqui.
Albert Camus, Maceió, Robert Musil, Denys Arcand, Jools Holland, Eugene Kennedy, Pál Fried, Sandu Liberman, Lady Gaga, Anna Luisa Traiano, Gestão do Conhecimento & do Capital Humano aqui.
Judicialização do SUS aqui.
Educação por água abaixo pra farra dos mal-educados aqui.
Depois da tempestade nem sempre uma bonança aqui.
É preciso respeitar as diferenças aqui.
Pra fazer do Brasil um país melhor tem que começar tudo em casa aqui.
A teoria de Anthony Giddens & a Introdução à estética de Ariano Suassuna aqui.
Solidariedade aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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A ARTE DE REGINA SILVEIRA
A arte da artista plástica Regina Silveira. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.



segunda-feira, novembro 28, 2016

WILLIAM BLAKE, GONZAGUINHA , DUARTE VITÓRIA, GLEIDISTONE ANTUNES, DESENCONTROS DE ONTEM & REENCONTROS AMANHÃ

ALÔ, CONGRESSO NACIONAL, OUÇA QUEM O ELEGEU!


DESENCONTROS DE ONTEM, REENCONTROS AMANHÃ – Entre as coisas que aprecio fazer nas horas de ócio é olhar pra trás e mangar dos meus disparates. Desde os memoráveis tempos aborrecentes de interrogação ambulante que sou até hoje, graças a Deus, de rimar nada com coisa alguma, de não ambicionar ser artista de TV ou capa de revista - embora andasse todo cheio das pregas, venta empinada e sempre folgado, todo espalhado e violando os limites do maniqueísmo ou do que fosse -, diversão de gente imatura, reconheço, porque nunca fora domesticado para integrar panelinhas, nem catequizado para professar fé ou lógica de natureza alguma. Exatamente, por isso, quase uma fraude, tal erva daninha na condição de inimigo a ser combatido, sem causa nem animal de estimação, eu sempre me dera disposto ao altruísmo. Pelo menos fui honesto comigo e ao que me propunha fazer, não escondendo de ninguém a patética jactância dos meus critérios duvidosos, sempre apostando em trunfos que não passavam de travessuras e risadagens, quando não deselegante e indiscreto usurpador da paciência alheia, radical em minhas tolices. Mesmo assim, depois da profusão assombrosa dos meus trocentos fracassos, procurava todo mundo para comemorar – cadê? Tudo desabado. Tiveram todos muita paciência comigo, sou grato, acho que relevavam meus desatinos. Mais sei que aguentaram além da conta, algumas ou tantas e muitas sucumbiram às antipatias que se esgarçaram das amizades às mórbidas indiferenças – de boas intenções o inferno já estava pra lá de sobrecarregado. Evidente que eu deveria ter culpa no cartório. Quanto mais tentava acertar, mais emporcalhava: sempre metia as mãos pelas pernas - vai ser desorientado assim na casa da peste, doido! Pudera, no frigir dos ovos, nunca fizera nada digno de nota, tudo construído na minha incapacidade extravagante em manter vínculos e convívios. Uma ou outra que se diga lá de qualquer coisa. Optei por ser estrangeiro auto-exilado na solidão, convivendo na penumbra dos meus porões. Contudo, ao reencontro com qualquer dos sobreviventes, viro festa de dia da padroeira, dentes mordendo as orelhas. É muito bom rever as pessoas. Exemplo disso, foi ter reencontrado indagora o poetamigo e professor Gleidistone Antunes da Silva, quem eu conheci alguns trinta anos atrás, então radialista Tony Antunes, quando dividíamos atividades numa emissora da terrinha. Todo esse tempo depois, batemos papo, atualizamos as novidades e retomamos o contato, razão pela qual destaco seu trabalho na imagem desta. Até um tanto entusiasmado com isso, ouso dizer aos de ontem e de sempre, da minha alegria de revê-los e de sonharmos juntos na construção de um mundo melhor paratodos. © Luiz Alberto Machado.. Veja mais aqui.


Há muito tempo que saí de casa, há muito tempo que caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar a todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida, um abraço amigo
E um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre de tanta muita diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente
Onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho
Por mais que a gente pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme nessas linhas que estão
Nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida nos caminhos onde bate
Bem mais forte o coração
O coração, ah! O coração.
Caminhos do coração (EMI-Odeon, 1982), do saudoso cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha (1945-1991). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Por que Brasil, hem?, Raduan Nassar, Adrienne Rich, Robert Schumann, Filolau de Crotona, Antonio Januzelli - Janô, Brian DePalma, Miguel Paiva, Natalia Gutman, Melanie Griffith, Deborah Shelton, Jan Sluyters & Efigênia Coutinho Mallemont aqui.

E mais:
Preconceito, ó, xô prá lá!, William Blake, Claude Lévi-Strauss, Stefan Zweig, Jean-Baptiste Lully, Ângela Vieira, Salvatore Samperi, Laura Antonelli, Katia Pinno, Ballet Eliana Cavalcanti, Nelina Trubach-Moshnikova & José Geraldo Batista aqui.
Eu & ela no Jeju Loveland aqui.
Educação de Jovens e Adultos – EJA – aqui.
Toque retal, teste da goma e a homência onde é que fica aqui.
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Derinha Rocha - Vinte e oito de novembro aqui.
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Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: AUGÚRIOS DA INOCÊNCIA
Ver um mundo num grão de areia,
E um céu numa flor do campo,
Capturar o infinito na palma da mão
E a eternidade numa hora.
Um tordo rubro engaiolado
Deixa o céu inteiro irado…
m cão com dono e esfaimado
Prediz a ruína do estado…
Ao grito da lebre caçada
Da mente uma fibra é arrancada.
Ferida na asa a cotovia,
Um querubim, seu canto silencia…
A cada uivo de lobo e de leão
Uma alma humana encontra a redenção.
O gamo selvagem acalma,
A errar por aí, a nossa alma.
Se gera discórdia o judiado cordeiro,
Perdoa a faca do açougueiro…
A verdade com mau intuito
Supera a mentira de muito.
É justo que assim deva ser:
É do homem a dor e o prazer;
Depois que isso aprendemos a fundo,
Seguros podemos sair pelo mundo…
O inquiridor, que astuto se posta,
Jamais saberá a resposta…
O grito do grilo ou uma charada
À dúvida dão resposta adequada…
Quem duvida daquilo que vê
Jamais crerá, sem como e porquê.
Se duvidassem, sol e lua
Apagariam a luz sua.
Soltar tua ira pode ser um bem,
Mas bem nenhum quando a ira te retém…
Toda noite e toda manhã
Alguém para a miséria está a nascer.
Em toda tarde e toda manhã linda
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Uns nascem para o doce gozo ainda,
Outros nascem para uma noite infinda.
Passamos na mentira a acreditar
Quando não vemos através do olhar,
Que uma noite nos traz e outra deduz,
Quando a alma dorme mergulhada em luz.
Deus aparece e Deus é luz amada
Para almas que na noite têm morada,
Mas com a forma humana se anuncia,
Para aqueles que vivem nas regiões do dia.
Augúrios da inocência (poema, 1803) / The Greatness - Satan watching the Caresses of Adam and Eve (pintura, 1808), extraídos do livro Poemas do manuscrito Pickering / Os Portões do Paraíso (Antígona, 1996), do poeta, pintor e gravador inglês William Blake (1757-1827). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do artista plástico português Duarte Vitória.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

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