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quinta-feira, fevereiro 01, 2018

GABRIELA MISTRAL, NOLL, LENINE, FRANCASTEL, CERTEAU, ROBERTO AGUILAR, LUANDA JONES, LEONA CAVALLI & ZÉ CORNINHO.

A SENSABORIA DE ZÉ-CORNINHO – Imagem: Arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar. - Zé-Coninho andava ultimamente meio que sorumbático, todo desencorajado, queixando-se de dores nos quartos, no bucho, nas gaias, no muque, nos pulsos, enfim, dizia não ser mais gente que prestasse pra nada, era só dor da alma pro retrato. Onde é que está aquele que levava tudo nos peitos, hem? Ah, mô fio, já trelei muito, toquei fogo nos quatro cantos do mundo, fui até onde o beiço virava, pro fim do mundo que não tem porque é redondo e dei volta como a peste! Mais longe fosse, mais ia de nem cansar tão cedo, emendava noite pelo dia e nem, nem, subia o tanto de riba como se fosse descida ajudada, os cambitos à toda, nada de fraquejar, sou lá bicho de me acovardar? Ora, ora. Levanta o moral, Zé! Dá mais não, a idade chegando, a coisa complica. Que é isso, rapaz? Tão jovem, ainda. Nada, os anos pesam, sem destreza, a gente vale mais o quê? Segura a onda, hômi! Ah, rapaz, estou mais pra lá do que pra cá, na noite sem glória ou honra, não sirvo nem mais prum caldo, muito menos prum pum, ora, ora. Parecia mais que ele se entregava, sem ter nada desabonador – excetuando-se a tuia de gaia que já havia levado pra desespero da filharada que crescia cada dia mais e ter atrapalhado a vida de muita gente com seu arranco desmedido -, a angústia, o tédio, tomava conta do sujeito. Pois é, uma gastura comendo tudo por dentro, da gente perder a vontade até de viver. Como é que pode? Tome tento! Já fui bom nisso. O que já dei de carreirão por esse mundo de meu Deus, nem dá pra contar. Desafiei de tudo, peito estufado, barriga pra dentro, coragem na munheca, força nos cardans, pinote pra todo lado, tino na hora, viesse o que fosse, vencia no ânimo. Nem temia nada, estava em alta na cotação da coragem, acostumado a subir em pé de coco, não tinha altura que não ganhasse! Uma vez mesmo, uma enxerida nua no alto do sótão dum casarão gritou perguntando se eu tinha coragem de encarar. Oxe, duvida? E ela viu: comi a subida como quem toma café pequeno e lá estava, ao vivo e em cores, enfiando a macaca no rabicho dela. Tome, danada! Comigo era assim. Provocou, estava vencido. Por isso sempre disse: onde tem um profissional, não há espaço pra amador. Assim era, assim foi. Hoje não, tudo ao contrário: não tem inflação e os preços das coisas subindo todo dia; não tem dinheiro no governo e todo dia um escândalo da roubalheira dos políticos. Como é que pode? Os caras lá de Brasília dizem que a coisa vai mudar, mas nem na marra! Pra minha sorte, tenho ainda onde encostar a cabeça, pegar meu espelhinho e conferir as coisas. Com ele já acendi fogueira, encandeei os peixes na hora da pescaria, vi muita calcinha de mulher metida a besta, só no retrovisor já escapuli de muita malquerença, e sempre conferi as pregas do cu pra ver se ninguém me enrabou ao dormir ou de bobeira. Hoje, não, só ajeito o tuim e fico formoso do jeito que a vida me fez, mais nada. A culpa é minha, não é traição da vida não. Do jeito que vai a vida me despeja e eu vou pra onde? Bater as botas e babau. Bote fé, homem, a vida é pra ser vivida! Eu sei, eu sei, todo homem tem que saber da subida dolorosa até chegar em cima, já cheguei, agora é segurar os freios e a carcaça porque a descida só finda no fundo do abismo. Veja só como é que é, subiu, desceu, não dá outra. Deus me tenha, só Jesus na causa. Nessa hora, fazendo uma careta danada pra se mexer, ele saca do bolso da bunda o espelhinho empunhado, confere o penteado, as remelas dos olhos, os fiapos da venta, algum detrito nos dentes futucando com a unha, dum lado pra outro, a barba feita, as entradas no cocuruto, hem, hem, o cabelo caiu e não tem mais volta. Num descuido, o espelhinho escapuliu e se espatifou no chão. Tá vendo, só? Coisa de véio, não seguro mais nada, tudo cai. Hem, hem, só restou a mulher nua do espelhinho, intacta, pelo menos, num tô dizendo! Véio num serve mais pra nada, vou ter que ir à feira comprar outro, inté mais ver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, arranjador, multi-instrumentista, ator, escritor, produtor musical, engenheiro e ecologista Lenine em dois shows ao vivo; a cantora,violonista e compositora Luanda Jones interpretando Aquarela, Desigual & Depois de você; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] O homem não possui somente o poder de reproduzir, de tirar as conseqüências de uma conduta adquirida, ele possui igualmente a capacidade de mudar a ordem relativa de seus atos e de suas representações [...]  Trecho extraído da obra A realidade figurativa (Perspectiva/Edde, 1973) do sociólogo e historiador de arte francês Pierre Francastel (1900-1970), defendendo o valor das culturas visuais a partir do conceito de estrutura, por meio de estudos resultantes de quinze anos de reflexão e pesquisas históricas na Sorbonne, pelos quais entende que só o contato real com a obra de arte permite compreender como esta se incorpora à sociedade, alimentando-a e enriquecendo-a com elementos originais. A obra de arte confere ao historiador e ao sociólogo elementos de informação que de outra forma não teriam. Dentro deste postulado o autor desenvolve pormenorizada análise em torno das artes figurativas, inserindo-as em uma nova problemática do imaginário. As relações teóricas da arte com a técnica, com outros meios de expressão e disciplinas, o confronto entre formas estéticas e sistemas lógicos, os problemas inerentes à iconografia religiosa, constituem alguns dos tópicos esclarecedores para o levantamento dos elementos estruturais próprios de uma Sociologia da Arte.

LEITORES & VIAJANTES - [...] Os leitores são viajantes; circulam em terras alheias; são nômades que caçam furtivamente em campos que não escreveram. [...] a atividade silenciosa, transgressora, irônica ou poética, de leitores (ou telespectadores) que consevam uma reserva de distância na intimidade, sem que os ‘amos’ o saibam [...] A escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar e multiplica sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo (nos esquecemos de nós mesmos e esquecemos dela), não conserva ou conserva mal sua conquista, e cada um dos lugares por onde passa é repetição do paraíso perdido. [....]. Trecho da obra A Invenção do Cotidiano (Vozes, 1998), do historiador francês Michel de Certeau (1925-1986), no qual examina as maneiras em que as pessoas individualizam a cultura de massa, alterando coisas desde objetos utilitários até planejamentos urbanos e rituais, leis e linguagem, de forma a apropriá-los.

MARILYN NO INFERNO - [...] Raia o arvoredo. No front os soldados se concentram e rezam com a mão sobre a Bíblia. É a agonia de John Ford, diz o mais valente. Quando começará a cena ninguém sabe. Sabem que será uma batalha da Guerra da Secessão e que eles estão preparados. O mais novo se ilude com umas bugigangas compradas na Feira Hippie de Ipanema. À noite terá a companhia de uma garota e dançará. O som frenético das Frenéticas. O mais velho, ancião de longas barbas brancas, ao contra´rio dos bons velhos hollywoodianos, tem uma cara de mau, de profunda insensibilidade. Mora sozinho numa casa de Vila em Botafogo e roi desesperadamente as unhas. Diz que sempre foi assim. A mulher que se maquia na frente do espelho tem origem em indígenas brasileiros, mas faz o papel de uma mexicana. Saboreia o gosto do batom. Sabe que alguém espia mas finge que não vê. É o primeiro western rodado no Brasil, a Baixada Fluminense imitando as pradarias do Arizona. Nenhuma grande estrela. Todos temem o freacasso do filme. Empatei milhões nisso aí, vamos tocar pra frente, grita o produtor acordando um figurante. É um rapazinho de Nova Iguaçu [...] Adora cinema, vê tantas fitas quanto possível pó dia. Às evezes entra às duas e sai à meia-noite. [...] O rapazinho olha-se no espelho da índia que faz a mexicana e ouve o “imbecil” que o diretor lhe jogou para que levantasse a espingarda com vontade contra o céu [...] aí vê um flash explodir sobre seu corpo e banhá-lo de uma luz efêmera como um soluço mas que o deixa iliminado para sempre [...] lá vai o rapazinho agarrado ao pescoço do cavalo, o céu e a terra são uma coisa só, Caxias está perto, muito perto, quase chegando, o rapazinho já vê os primeiros prédios e chaminés [...] é boa a vertigem e ele conseguirá o estrelato na Globo abraçado a Rosamaria Murtinho na capa da Amiga, ele preferia estar ao lado da Aracy Balabanian [...] ele não sabe por que mas gosta da Aracy Balabanian, aquela moça que não é bonita nem feia mas que tem uma simpatia que cativa o coração de todos – na rua principal de Caxias ele galopa veloz entre os canros e ônibus, não respeita os congestionamentos e passa fininho por uma bicicleta assustada [...] o grande cartaz do cinema mostra Kung Fu contra os espadachins de Damasco, Kung Fu! Repete o rapazinho que não agüenta tanta gloria e é cuspido do cavalo contra o cartaz que se rasga e recebe um biolento jato de sangue no olho do Kung Fu. Trechos extraídos da obra O cego e a dançarina (L&PM, 1980), do premiado escritor João Gilberto Noll (1946-2017).

DOIS POEMASO PENSADOR DE RODIN: – Apoiando na mão rugosa o queixo fino, / o pensador reflete que é carne sem defesa: / carne da cova, nua em face do destino, / carne queodeia a morte e tremeu de beleza. / E tremeu de amor, toda a primavera ardente, / e hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza / o “havemos de morrer” passa-lhe pela mente / quando no bronze cai a noturna escureza. / E na angustia, seus músculos se fendem sofredores. / Sua carne sulcada enche-de de terrore. / Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte / Que o reclama nos bronzes. Não há arvore torcida / pelo sal na planície, nem leão de anca ferida, / crispados como este homem que medita na morte. PRIMEIRO SONETO DA MORTE: Do nicho lôbrego onde os homens te pusarem / te levarei à terra humilde e ensolarada / nela hei de adormecer – se os homens não souberem - / e havemos de dormir sobre a mesma almofada. / Te deitarei na terra humilde, te envolvendo / no amor da mãe para o seu filho adormecido. / E a terra há de fazer-se um berço recebendo / teu corpo de menino exausto e dolorido. / Poderei descansar, sabendo que descansas / no pó que levantei azulado e linar / em que presos serão os teus leves destroços. / Partirei a cantar minhas belas vinganças, / pois nenhuma mulher me há de vir disputar / a este fundo descenso o teu punhado de ossos. Poemas da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), Prêmio Nobel de Literatura em 1945. Veja mais aqui.

ANNA K & JOSÉ ROBERTO AGUILAR
O drama fantasia Anna K (2015), de José Roberto Aguilar, conta a história de um professor de russo que fica intrigado ao dar aulas para Joana, uma mulher que acredita ser Anna Karenina, personagem que dá título ao romance de Liev Tolstói. O destaque do filme fica por conta da belíssima atriz Leona Cavalli.

Veja mais:
As muitas do Zé-Corninho aqui e aqui.
Sou da terra alma caeté, as histórias de Darcy Ribeiro, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Kent Williams & Renate Dartois aqui.
Cecília Meireles, Gregório de Matos Guerra, Camargo Guarnieri, Heitor Shalia, Albert Marquet, Violência Doméstica, Argemiro Corrêa, Sarah Siddons, Guta Stresser, Graciela Rodrigues, Priscila Almeida & Folia Caeté aqui.
Esclarmonde de Foix & Todo dia é dia da mulher aqui.
Denise Levertov, Johan Huizinga, Philippe Ariés, Camargo Guarnieri, Lauri Blank, Emil Nolde, Kim Thomson & o umbigo no cultuo da avareza aqui.
A pegação buliçosa do prazer aqui.
Direitos humanos aqui.
História do cinema aqui.
Os assassinos do frevo aqui.
Minha alma tupi-guarani, minha sina caeté aqui.
Folia Caeté, Ascenso Ferreira, Baco, Chiquinha Gonzaga, O Frevo & José Ramos Tinhorão, Nelson Ferreira, As Puaras, Dias de Momo, Adolphe William Bouguereau, Teatro & Carnaval, Circo & Peró Andrade aqui.
Alvoradinha, o curumim caeté, Manuel Bandeira, Fernando Botero, Qorpo Santo, Lygia Fagundes Teles, Psicologia Social, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe & Roberto Carlos aqui.
Fecamepa: os caetés, Sardinha & a cana aqui.
Os aborígenes: das sociedades primitivas de Pindorama aos caetés, Monserrat Figueiras, Plauto, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Jennifer Lopez, Débora Novaes de Castro, Paulo & Virgínia aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, escultor, performer e artista multimídia José Roberto Aguilar.
Veja mais aqui.

quinta-feira, outubro 12, 2017

FERNANDO SABINO, NISIA FLORESTA, LEON ELIACHAR, HELENA KOLODY & CRAIG RUDDY

O SONHO REVELADOR – Imagem: arte do artista australiano Craig Ruddy. - Delzuito não sabia mais o que fazer: o avençado se desmanchava; o caminho certo, topava errado; o que inventasse fazer, era desconstruído no mesmo instantinho, tudo lhe fugia entre os dedos. Nem adiantava agarrar a situação pelos cornos, soltava-se a perder de vista. Disparava em todas as direções, alvos indiferentes; nada dava liga, tudo esgarçado, aos trapos. Pergunta-se o que tinha feito para merecer tudo isso, essa vida tão miserável, não podia ser, Deus estava castigando demais e isso, para ele, era injusto, não aceitava, queria, pelo menos, saber o porquê de tanto sofrimento, tantas mazelas, tantos infortúnios encarreados pra seu suplício sem fim. Restava pegar no ronco e esperar que no dia seguinte alguma luz surgisse no fim do túnel. Depois de catar os fiapos das quedas, restava sonhar vitórias. No sonho era outra pessoa, não tinha a sua feição, mas era como se fosse ele noutro tempo, coisas de mais de século atrás. Era ele, tinha certeza, diferente do que era agora, como se outra pessoa, um notável senhor de muitas posses e serviçais. Sabia ele que já havia sido abolida a escravatura, todavia, ao seu dispor muitos escravos e aos berros: A pobreza é o mal da humanidade! Inexorável, pisava a todos, negociando vidas na defesa dos seus interesses. A qualquer obstáculo, removia desafetos do caminho como quem descarta o indesejável pra lata do lixo. Pronto, resolvido. Agora, maior do que eu só Deus! Abaixo Dele, quem manda sou eu, até aonde a vista alcançar, tudo meu. E tripudiava carrasco contra indefesos ou débeis, tirava proveito de tudo, até da inocência dos imaturos: Chapéu de otário é marreta! Quando queria, estava disposto a tudo: desmoralizar, subjugar, submeter ao mando e gosto. Quando não, atrapalhava a vida de quem ousasse medir forças. De repente acordou esbaforido: Que sonho é esse? Coisa estranha. Levantou-se aturdido e, ao fazer a micção, encarou o espelho: não era ele agora, era aquele do sonho. Como? Esfregou os olhos: isso mesmo, ele era aquele com quem sonhara. Não pode ser? Impossível isso. Virou-se do lado, passou as mãos à face, retornou ao espelho, não era mais, agora ele mesmo. Aliviou-se e voltou pra cama. Tentou dormir enquanto o que sonhara martelava na cabeça. Cochilou e já se encontrava noutro sonho. Era ele agora outra pessoa diferente da anterior, diferente dele mesmo, armado até os dentes, à caça de gente malévola, fugindo da lei, bufando com a mão no crucifixo da volta ao pescoço, mão no cabresto determinando o rumo pro cavalo e a outra na arma do coldre, vigilância de não pregar os olhos por nada, montaria extenuante de dias, cansaço no encontro do chão com o horizonte, terras sem fim. Não era ele como agora, era ele noutro tempo, uns duzentos anos atrás, seguindo estrada afora, a fuga indômita. Viu-se numa cilada, muitos cavalos, tiros, gritos, tudo vinha em sua direção, fugir. Acordou-se lavado em suor. Levantou-se até o espelho: era o mesmo do sonho. Como pode ser? Fechou os olhos, era o do sonho anterior; virou-se de lado e voltou a encarar o espelho: era ele mesmo. Olhou bem firme, ora era ele agora, ora sua face transmudava para as fisionomias dos sonhos, ele antes, ele antes do de antes, tudo era ele. Como podia ser? O que isso quer dizer, hem? Eu ser outros enquanto eu mesmo? Que coisa! Sabia, era ele nos sonhos, fisionomia diferente, porém era ele, sabia, que sonhos loucos! Será que estou endoidando? Não sei, melhor não pensar, sonho é coisa tola, invenção da cachola, só pode. Só em sonho coisas mais sem pé nem cabeça. Se pensar eu endoido, arre. Melhor cuidar da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Lenine: Acustico MTV, Live in Cité & O dia em que faremos contato; a cantora russa Sainkho Namtchylak: Stempmother city, Alpha Co & Ethno Orchestra & Delco Session & Ned Rothenberg; da cantora e pianista canadense Diana Krall: Live in Rio de Janeiro, Heineken Jazzaldia & Live@Home; do músico e compositor Edson Natale: Viajante, Toque de Fada, Pequena canção para uma mulher nua, Alfacinha, Guaimbé & Nina Maika. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O Brasil tinha já fornecido grande cópia de homens ilustrados pelos conhecimentos adquiridos em diferentes universidades da Europa, e a maior parte das brasileiras (mesmo as das primeiras cidades) não logravam a vantagem de aprender a ler. [...] Dizia-se geralmente que ensinar-lhes a ler e escrever era proporcionar-lhes os meios de entreterem correspondências amorosas, e repetia-se, sempre, que a costura e trabalhos domésticos eram as únicas ocupações próprias da mulher. Este preconceito estava de tal sorte arraigado no espírito de nossos antepassados, que qualquer pai que ousava vencê-lo e proporcionar às filhas lições que não as daqueles misteres, era para logo censurado de querer arrancar o sexo ao estado de ignorância que lhe convinha. [...]. Trechos da obra Opúsculo humanitário (M.A. da Silva Lima, 1853), da poeta, educadora e escritora Nisia Floresta (1810-1885). Veja mais aqui e aqui.

O MELHOR AMIGO – [...] Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável: – Vamos, chega! Leva esse cachorro embora. – Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida. – E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe? – Mãe e cachorro não é a mesma coisa. – Deixa de conversa: obedece sua mãe. Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa. – Pronto, mamãe! E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros. – Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo. Trecho da crônica extraído da obra A vitória da infância (Ática, 1995), do escritor e jornalista mineiro Fernando Sabino (1923-2004). Veja mais aqui e aqui.

AS DEZ MÃES DO ANO & COQUETEL FASCINATION - As dez mães do ano: Mãe moderna é a que faz da filha uma amiga, da amiga uma irmã,do marido um filho, do filho um pai e do pai, pai mesmo, porque pai é pai. Mãe frustrada é a que tenta dezoito vezes ter um filho e tem dezoito filhas. Mãe ingênua é a que sempre diz às suas amigas: "Felizmente, a minha filha foi criada de outra maneira". Mãe aflita é a que espera sua filha chegar do baile do sábado, mas que diabo, hoje já é segunda. Mãe caxias é a que faz tricô de ouvido: passa a noite inteira mexendo com as mãos, mas não tira o olho do noivo. Mãe zelosa é a que vai jogar cartas e se lembra que esqueceu de dar a mamadeira pro menino, pára de jogar, vai lá, depois volta. Mãe vaidosa é a que vive diminuindo a idade da filha, só para poder diminuir a sua, e só não diminui mais senão acaba perdendo a filha. Mãe indecisa é a que tem dois filhos gêmeos e não sabe qual vai se chamar Ricardo, se este ou aquele. Mãe orgulhosa é a que mostra a fotografia do filho no jornal e diz: "Este é meu filho", sem perceber que a seção é policial. Mãe realizada é a que põe seu filhinho no colo e diz: "Agora você já pode casar, meu filho, hoje você completa noventa aninhos". Coquetel fascination: Arranje uma loura de dezoito a 25 anos. Nem menos, nem mais. Que seja bonita e esteja de biquíni. Depois peça a ela pra segurar o copo e comece a despejar, na seguinte ordem: duas azeitonas, duas cerejas, um pouco de cinzano, um pouco de gim, um pouco de martini, um pouco de uísque, um pouco de vodca, um pouco de vinho branco, um pouco de Coca-Cola. Ao abrir a Coca-Cola, verifique se não ganhou um Volkswagen. Se ganhou, largue tudo no chão e vá buscar o prêmio. Mas o mais certo é que não ganhe, pois esses concursos quase levaram à falência a indústria automobilística, tanto que acabaram. Os concursos, digo. Então deixe de fazer divagações, largue a chapinha da Coca-Cola e veja se a loura ainda está segurando o copo. Se não está, bobeou — porque sujeito que tem uma loura de dezoito anos na sua frente, de biquíni, e insiste em preparar coquetel, vou te contar. Extraídos da obra O homem ao cubo (Francisco Alves, 1979), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui e aqui.

SONHAR
Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo
.
Poema extraído da obra Viagem no Espelho e vinte e um poemas inéditos (Criar, 2001), da poeta Helena Kolody (1912-2004). Veja mais aqui.

Veja mais:
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Agenda de Eventos aqui.

LÁGRIMA DE UM CAETÉ
Lá, quando no Ocidente o sol havia
Seus raios mergulhado, e a noite triste
Denso-ebânico véu já começava
Vagarosa a estender por sobre a terra;
Pelas margens do fresco Beberibe,
Em seus mais melancólicos lugares,
Azados para a dor de quem se apraz
Sobre a dor meditar que a Pátria enluta!
Vagava solitário um vulto de homem,
De quando em quando ao céu levando os olhos,
Sobre a terra depois triste os volvendo...
Poema da poeta, educadora e escritora Nísia Floresta (1810-1885). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista australiano Craig Ruddy.
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segunda-feira, fevereiro 02, 2015

JAMES JOYCE, IEMANJÁ, LENINE, AYN RAND, SIMONET ELISA LUCINDA & PAULA BURLAMAQUI


O SONHO DE ORUNGAN – Imagem: Iemanjá, de Alina Zenon - Foi naquela manhã de 2 de fevereiro que nasci pelo dever de Afrodite. E foi quando ela me deu o poder de todos os poderes e me fez o reinar entre o céu e a terra. Ela era a manhã mais brilhante de Yemoja, a mãe da vida e de todos os orixás. Do seu lado, seu irmão Aganju, certificando a minha filiação pra reinar ao meio dia. Ele se foi e ela me deu o cajado da gloria na sua libação sobre o meu sexo, a me fazer o amor proibido, o segredo de ser o primeiro orixá do panteão. E me fez seu espelho para se pentear nua e altaneira; deu-me a sua beleza pra que eu me tornasse irresistível e passasse a habitar na pele de todas as pessoas e todos os seres. E me acarinhou maternal para que eu tivesse o afago mais terno do universo e me banhou com todas as suas águas de suas entranhas e poros, e me cuidou de forma tão terna com todos os poderes de mãe e de deusa; e me fez crescer na vida e na sua predileção como um deus viril e priápico pro seu próprio prazer; e me elevou aos céus e eu inchei e cresci na sua mão suprema e fui invadido por seus mil encantos de adorada Janaína presenteada com a minha viga nua a lhe dar mais majestade para sua inconfundível beleza de Iansã, com toda a graça e formosura de cavalgar o meu mastro feito OIaká, reinando sobre todos os terreiros dos candomblés de caboclo. E na sua volúpia a me ninar feito Nossa Senhora do Rosário a proteger a minha alma negra e com seu potencial materno glorificou a minha masculinidade para se tornar Olovun e me criou e me fez criar e me deu vida para tirar de mim os raios de Zeus, as flechas de Eros e o cajado de Aarão; e sobre o meu falo túrgido e inchado esgueirou-se e se fez cheia dos prazeres de todas as querências como Dona Maria de todos os quitutes e guloseimas do meu paladar; e provocou a minha libido para energizar a sua matriz vital de Inaê; e se excedeu na minha seiva que lubrificou o seu ventre de Dandalunda a fazer emergir todos os orixás para governar o mundo; e dos seus lindos e longos seios maternos de Mukune emergiram os cursos que se fizeram caudalosos rios com o seu domínio sobre as águas reinado por toda costa atlântica e a se confirmar minha mãe Iemanjá, a grande senhora de muitos nomes, a rainha das águas e mãe de todos os deuses, a minha sina de vassalo e a quem rendo graças e dou-lhe a minha vida como oferenda eterna.© Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui e aqui

Imagem: El Juicio de Paris (1904) do pintor espanhol Enrique Simonet (18660-1927)

Curtindo o show Cité (2006) do cantor e compositor Lenine. Veja mais aqui e aqui.

EVELINE DOS DUBLINENSES – O escritor irlandês James Joyce (1882-1941), em um dos seus livros, Berlinenes, traz a narrativa denominada de Eveline: Sentada à janela, contemplava o crepúsculo invadir a avenida. Recostara a cabeça na cortina e sentia o odor poeirento de cretone. Estava cansada. [...] Havia concordado em partir, em deixar seu lar. [...] Mas em seu novo lar, num país desconhecido e longínquo, tudo seria diferente. Estaria casada, ela, Eveline. As pessoas iriam tratá-la com respeito, não sofreria como sua mãe. Mesmo agora, aos dezenove anos, era às vezes ameaçada pela violência do pai. Sabia que era essa a causa de suas palpitações. Por ser menina, ele nunca se importava com ela quando criança, como fizera com Harry e Ernest. Nos últimos tempos, porém, dera para ameaçá-la e dizer que só cuidava dela em respeito à memória de sua mãe. E já não havia ninguém para protegê-la. [...] Dizia que ela desperdiçava, que não tinha cabeça, que não daria seu dinheiro, duramente ganho, para ser jogado fora, e coisas ainda piores, pois geralmente estava embriagado no sábado à noite. Acabava por entregar-lhe o dinheiro, perguntando-lhe se ia ou não comprar mantimentos para o almoço de domingo. [...] Era trabalho duro, vida dura, mas agora que ia partir, não a julgava uma vida totalmente indesejável… estava prestes a tentar uma existência nova com Frank. [...] Enquanto divagava, a pesarosa visão da vida de sua mãe feria-a na própria carne:  uma existência de sacrifícios banais terminada em loucura. Estremeceu ao recordar-lhe a voz, gritando em desvairada insistência – Derevaum seraum! Derevaum Saraum! [...] Turbilhonando, os mares do mundo envolviam seu coração. Frank arrastava-a para eles: ia naufragá-la. Com ambas as mãos, agarrou-se às grades de ferro: -Vem! Não! Não! Não! Era impossível. Em desespero, suas mãos crispavam-se. Do vórtice que submergia, lançou um grito de angustia. – Eveline! Evvy! Frank precipitou-se para o outro lado da barreira e gritou-lhe que o seguisse. Ordenavam-lhe que se movesse, mas continuava a chamar por ela. O rosto pálido, inerte. Eveline fitava-o como um animal condenado. Não havia em seus olhos sinal de amor ou de saudade. Parecia nem mesmo reconhecê-lo. Veja mais aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

A FILOSOFIA OBJETIVISTA – A escritora, dramaturga, roteirista e filósofa norte-americana Alisa Zinov'yevna Rosenbaum, ou apenas Ayn Rand (1905-1982), desenvolveu o sistema filosófico chamado de Objetivismo; “Minha filosofia, em essência, é o conceito do homem como um ser heroico, cuja própria felicidade é o propósito de sua vida, com a produtividade como sua atividade mais nobre, e a razão como seu único absoluto”.  O seu pensamento é de que: [...] o homem deve definir seus valores e decidir suas ações à luz da razão; que o indivíduo tem o direito de viver por amor a si próprio, sem ser obrigado a se sacrificar pelos outros e sem esperar que os outros se sacrifiquem por ele; que ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre os outros. Veja detalhes aqui, aquiaqui.

SÓ DE SACANAGEM: CHUPETAS, PUNHETAS, GUITARRAS – A maravilhosa atriz, jornalista, poeta e cantora Elisa Lucinda dos Campos Gomes, ou simplesmente Elisa Lucinda, entre suas obras, escreveu o texto Só de sacanagem: Meu coração está aos pulos! / Quantas vezes minha esperança será posta à prova? / Por quantas provas terá ela que passar? / Tudo isso que está aí no ar, / alas, cuecas que voam / entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo / duramente para educar os meninos mais pobres que eu, / para cuidar gratuitamente / a saúde deles e dos seus / pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e /eu não posso mais. / Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança / vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança / vai esperar no cais? / É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o / aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus / brasileiros venha quebrar no nosso nariz. / Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao / conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e / dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva / o lápis do coleguinha", / "Esse apontador não é seu, minha filhinha"./ Ao invés disso, tanta coisa nojenta e / torpe tenho tido / que escutar./ Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca / tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica / ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao / culpado interessará. / Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do / meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: / mais honesta ainda vou ficar. / Só de sacanagem! / Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo / o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse / o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu / irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a / quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. / Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o / escambau. / Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde / o primeiro homem que veio de Portugal". / Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. / Eu repito, ouviram? IMORTAL! / Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente / quiser, vai dá para mudar o final! E de quebra, trago também Chupetas Punhetas Guitarras: Choram meus filhos pela casa / fraldas colos fanfarras / Meus filhos choram querendo talvez meu peito / ou talvez o mesmo único leito que / reservei pra mim / Assim aprendi a doar / com o pranto deles / Na marra aprendi a / dar mundo a quem do mundo é /A quem ao mundo pertence e de quem sou mera / babá / Um dia serei irremediavelmente defasada, démodé / Meus filhos berram meu / nome função / querendo pão, ternura, verdade e ainda possibilidade de ilusão / Meus filhos cometem travessuras sábias/ no tapa bumerangue da malcriação / Eu que por eles explodi buceta afora afeto adentro / ingiro sozinha o ouro excremento desta generosidade / Aprendo que não valho nada em mim / Que criar pessoa é criar futuro / não há portanto recompensa, indenização / mesquinhas voltas, efêmeros trocos. / Choram pela casa e eu ouço sem ouvidos / porque meus sentidos vivem / agora sob a égide da alma / Chupetas punhetas guitarras / meus filhos babam / conhecimentos da nova era/ no chão de minha casa. / Essa deve ser minha felicidade. /Aprendo a dar meu eu, aquilo que não tem cópia / tampouco similar /E o tempo, esse cuidadoso alfaiate, não me conta nada/ Assíduo guardador dos nossos melhores segredos / sabe o enredo da estória/ Vai soprando tudo aos poucos e muito aos pouquinhos / Faz eu lembrar que meu pai também já foi pequenininho/ Que só por ele ter podido ser meu ontem / Só por ele ter fodido com desesperado desejo minha mãe / um dia eu existi. / Choram meus filhos pela Nasa onde passeamos planetas e reveses / Eu escuto seus computadores, eu limpo suas fezes / faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles / assino um documento onde aceito de bom grado / lhes ter sido a mala o malote a estrela guia / Um dia eles amarão com a mesma grandeza que eu / uma pessoa que não pode ser eu / Serão seus filhos suas mulheres seus homens / Eu serei aquela que receberá sua escassa visita / Não serei a preferida. / Serei a quem se agradece displicente / pelo adianto, pela carona / de poderem ter sido humanidade. / Choram meus filhos pela casa / Eu sou a recessiva bússola / a cegonha a garça / com um único presente na mão: / Saber que o amor só é amor quando é troca / E a troca só tem graça quando é de graça. Veja mais aqui, aquiaqui.


DAS NOVELAS PRO CINEMA – A lindíssima atriz Paula Burlamaqui começou como vencedora do concurso Garota do Fantástico, de 1987, estreando dois anos depois numa das novelas da emissora global, se transferindo depois para outra rede de TV, até posar para Playboy que foi quando a vi pela primeira vez, em 1996, o que me fez prestigiá-la no cinema por suas participações em A História de O (1992), O Circo das Qualidades Humanas (2000), Procuradas (2004) e Reis e Ratos (2012), entre outros, razão pela qual ela integra entre as titulares do time da nossa campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais aqui.



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