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domingo, outubro 24, 2021

LEYLA PERRONE-MOISÉS, ABDULRAZAK GURNAH, GAVIN BRYARS, HELENO ALFONSO & ROGEL SAMUEL

 

 

TRÍPTICO DQP – Entre as mutamorfoses e obsolescência... Ao som do album The Fifth Century (ECM, 2016), do compositor ingles Gavin Bryars, com o coral The Crossing & quarteto de saxofones PRISM, condução de Donald Nally. - Onde estou e pronde voo nenhuma liga, o tempo assina outra, como se minhas digitais dissolvessem a cada instante e desexistisse de vez no caos. Quase dou fé de que inexisto mesmo e tudo não passasse de um sonho por outro sonhado. Assim lá vou eu nas experiências alucinatórias do que se pode entender por mundo contemporâneo: o volátil, o volúvel, a interdição, os simulacros, o terror incógnito, consumo e descarte, os equívocos e segredos recônditos, as distorções e os mal-entendidos de mortos-vivos, os pós-o-quê com todos os pós-ismos tudo ou quase tudo só artifício. Meio atordoado no meio disso tudo, eis que o escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah alerta ao meu ouvido: Foi assim que pessoas como você e eu conhecemos tanto do mundo: lendo sobre isso de pessoas que nos desprezavam... Às vezes, acho que meu destino é viver nos escombros e na confusão de casas desmoronadas. Concordei com o dito e sua presença, ali mesmo era como se eu estivesse metido em carne viva na real Das Leben auf der Praça Roosevelt, da Dea Loher, e me sentisse em casa no reduto miserável das Marias e o mudo Mundo cantarolando Oh! Vos omnis quitransits per viauatendite; atenditeet videte teunsi est dolorsieut dolor meo, e isso depois de muito presenciar acasalamentos de extraterrestres com as insones transeuntes tontas e a loucura de gente que vive só com a roupa do corpo, no meio dos gestos de Aurora provocando desafios a Bingo, enquanto a mãe amargurada com seu choro insistente pelo policial em coma e a memória do filho morto batendo no submundo a denunciar ali não haver vida, nunca foi, qualquer outra coisa que fagulha no meu peito de indignação. E me veio o professor beninense Olabiyi Babalola Yai para cochichar no desalento da minha dor: Os homens são mais eles mesmos quando vivem plenamente suas culturas próprias e são consequentemente capazes de melhor conhecer e viver as dos outros. E naquele estado em que estava jamais poderia concordar com isso, mas o poeta Rogel Samuel me recitou: todo amor é assim, plágio / cópia de cópia de si, no mesmo / sim na sua visibilidade... Quanto mais eu relutava só ouvia a escritora argentina Beatriz Sarlo quase berrando ao meu ouvido: Tem um momento de coincidência entre o que você necessita e o que a vida lhe oferece. Você tem que estar acordado para agarrar essa chance. A coragem aparece quando não há mais solução. Acredito que o crime é igualmente horrível, sejam 10 ou 30 mil... Tento ficar a par de tudo que ocorre no presente - para alguns apenas o futuro do pretérito; outros, só o passado mesmo e de novo -, e posso dizer umas duas ou três coisas outras, não mais que isso, que no meio das mutamorfoses e a obsolescência já sei que não basta apenas dar enter, porque tantos delírios pseudo-intelectuais com suas masturbações e impulsos neognósticos sobrando entre anoréxicos e voyeuristas, craquers, hackers e biomakers na boa, extremófilos e intimistas surfando comigo de mãos dadas com todo mundo pela sci-art e o nano-mundo, atravessando o universo escuro e a extremofilia, teratologias biotecknicas, contatos em níveis nanométricos, territórios do perigo e conflitos, afora polimórficas possibilidades, eita! Ufa! Sei e todos estão carecas de saber que a Terra é redonda e insistem em cagar pelos quatro cantos do mundo. Não sei pra quê tanta lei, apensar da compulsoriedade jamais será cumprida. Por isso chamo de gato ao gato e ao governante de patife, porque estamos na primavera de Ginsberg pelo mote recolhido por Paulo Cavalcante no arremate: De circunlóquios eu nada sei. O caso conto, como o caso foi. Na minha frase de dura lei, o ladrão é ladrão, o boi é boi. E ponto final. Ou melhor, reticências...

 


Pássaro preto, traquinagens da infância... - Imagem: Kein Nachwuchs fir den Champion oder Der Junge der New Jersey erschoB VON Israel Horowitz, in Hörspielle im Westdeustschen Rundfunk 2, Halbjahr 1987. - Era eu apenas um menino da beira do rio, travesso solto na buraqueira, proutras paragens eu ia a me divertir levantando as saias das moças, ou me deitando no chão para ver-lhes as intimidades das calcinhas estufadas, quando não brechando sua nudez pelas fechaduras do quarto ou do banheiro, afora futucar com tudo que me aparecesse pela frente. E meu pai ocupado com as gaiolas da coleção e, entre elas, a da sua estimação: a graúna, o brilho sedoso de sua plumagem negra. Desde que a vi pela primeira vez, sonhei que era a morte, o corvo de Poe que, de repente, se tornara penas brilhantes e com o poder mágico, a me prometer antevisões do futuro, a me aconselhar com orientações para fazer isso ou aquilo e era só sonho. Não só, mesmo. Ao amanhecer, de soslaio, mantinha distância dela, queria aproximação nenhuma. E de tanto temê-la, um dia a soltei aproveitando o descuido paterno. Ela voou longe na fuga, mas retornou e me caçou, pegou-me pelo bico e voamos com a suíte L'Oiseau de feu (1919) de Stravinsky. Foi uma grande viagem e me largou longe, no pico de uma montanha que se transformou num palácio abandonado. Depois, deu-me uma chave para que abrisse a primeira porta: cavalos para minha diversão. Outra chave e no quarto, arreios e selins. Outras mais a cada dia, eram sete: e moças ousadas e sedutoras, mulatinhas safadas a me dengar e eu aos regalos no meio de espadas - Para quê tantas? -, um rio de prata e um rio de ouro. Só não sabia, depois de tudo, do castigo: a graúna vingativa tirou-me a roupa, largou-me no deserto e deu-me uma varinha de condão. Errei sozinho e uma princesa à beira do fogo parecia me esperar, não sabia, mas o pai dela adoeceu e para sua cura só três pássaros de plumas. Usei da varinha: os três pássaros foram encontrados e trazidos a ele que logo se restabeleceu, dando uma festa de três dias, nos quais findei nos braços dela que se deleitava como se fosse a demi-mondaine Méry Laurent – aquela mesma atriz nua Vênus Anadyomene do Théâtre des Variétés, e que fora antes Anne ou Rose ou Suzanne ou mesmo Louviot e que a mãe havia vendido sua virgindade debutante para Canorbert por 500 francos ao mês, afora amantes outros ricaços e da vanguarda francesa, até tornar-se musa da minha paixão Mallarmé no quadro de Manet e Nana de Zola. De repente adúlteros flagrados na noite por minha filha Genevieve, não sabíamos o que fazer, mãos e sexo na botija, completamente desnorteado porque ela se transformara noutra pessoa e o escritor estadunidense Roger Shattuck (1923-2005), me falou de seu Conhecimento proibido (Companhia das Letras, 1998) para me contar que ela era apenas uma senhora vitoriana – na verdade e para meu espanto era a mula sem cabeça -, e relutava agora contra a teoria de Darwin: Descender de macacos! Meu caro, esperamos que não seja verdade, mas se for, rezemos para que não se fique sabendo!... Não era mais aquela, nunca foi, só pode ser outra. E mais insistia na sua Planolândia, como uma senhora de bem, patriota roxa e acima de todos e quaisquer pecados ou suspeitas, e eu fisgado pela veemência de seus seios fartos no desatento desabotoado de sua blusa justa colada naquela excelsa arquitetura de fêmea e a libido acesa e incontrolável com o lascão da saia exaltando suas coxas volumosas e eu clamando pelo amor de Deus para ela se acalmar e poder reconduzi-la à alcova.

 


Apenas escrevo... Imagem: Comovida medida de distância (1988), da videoartista palestina, Mona Hatoum. - Onde estive já não faz o menor sentido, embora não haja como apagar porque o caos piorou o mundo e persistem as cavilações de nem sei quem, talvez de mim mesmo, outros são os motivos e ignoro por completa ausência de significado. Disparo intuições, uma das pernas dos óculos se quebrou e eu precisava ler e reler, agora apenas esperar com os trechos de um poema do livro Oropa França e Bahia (Edizioni della Meridiana, 2004), do poeta Heleno Alfonso Oliveira (1941-1995) na memória : É ser e remar / Na mesma zoada / Na onda arrastada / Do mar sem raiz. / E Deus não se rima / Bem perto ressoa / Ao centro da alma / Perdida e à toa / Enquanto me vejo / Cantando Marina / Cantando Pessoa / Bem fora do templo... E pelos lapsos do esquecimento, o poema suspenso, só conseguia me lembrar doutra parte: Sem um amparo / Sigo a Sophia. ; Luz de Apolo / Dança de Baco? E uma voz feminina com todo seu perfume aprazível invadiu o ambiente. Quem era? Só muito depois pude ver, era a escritora Leyla Perrone-Moisés: A literatura nasce da literatura. Cada obra nova é continuação, por consentimento ou contestação, das obras anteriores. Escrever é, pois, dialogar com a literatura anterior e com a contemporânea... A função revolucionária da literatura não consiste em emitir mensagens revolucionárias, mas em levantar uma dúvida radical sobre o determinismo da história. E mais me falou d’ As Sombras de Olinda (Caminho, 1997), do Clarindo, Clarindo (1990) e do póstumo Se era vera la notte (2003), daquele que um dia dissera: Florença é uma manhã de dezembro / onde cheguei gritando do meu Hades. E já outra, quase irreconhecível camaleoa que sequer adivinhava o nome e propósitos, mas que se fizera mais que felicíssima amante, a me premiar o que da vida mais apetece na festa do seu corpo. Até mais ver.

 

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segunda-feira, janeiro 22, 2018

RILKE, MARGARET LOCK, STRAVINSKY, HÉLIO PELLEGRINO, MARIA JOÃO PIRES, ANTÔNIO MARIA, LÉLIA FROTA, GODARD, ELENA ESINA & JAMES DRINKWATER

UM ESPIRRO, UMA CAGADA - Imagem: Long day in Gigaro Beach, do pintor e escultor inglês James Drinkwater. - Quem não conhece Zé Espirro? Esse não é seu nome de batismo nem de registro civil, passou a ser depois do primeiro atchim encarreado. Além de ser uma figurinha carimbada e popular que nem bolacha, ele é bem servido de nariz: lembra bem um bico de tucano. Tanto que também o chamam de Pinóquio: mente que o cu apita. Quando quer se esconder de cobrador ou desafeto, todo mundo sabe o seu paradeiro só pela esternutação. E por onde passa deixa rastros, outro incomodo: além da zoada com borrifo pra tudo quanto é lado, a golfada fede e como fede, meu. A inhaca é uma mistura de coisa choca com mundiça azeda, já viu, né? Por causa disso, diz ele, tudo dá errado na vida: pensa às avessas, de cabeça pra baixo. Como? Todo atrapalhado. Sai pra comprar pão, aí dá o repuxo, ao invés do que tinha por fazer, finda vendendo a casa do vizinho. E pode? Quando sai de casa pro trabalho, em vez de tirar o carro da garagem e dirigir até a repartição, solta o espirrado de vê-lo, lá vai, a nado, correnteza afora. Está vendo só? Tudo culpa dessa desgraçada de moléstia espirratória que eu tenho. Vou todo certinho e basta um fungado na venta, quando dou fé, estou ao contrário. Já virei pelo avesso não sei quantas vezes, dá um trabalho da porra pra desvirar. Basta uma coceirinha de nada nos fiapos do buraco do nariz, lá vem o desmantelo. Quantas e muitas vezes deixou uma potoca de catarro na sopa do delegado, no seio robusto da mulher do juiz, nas coxas de minissaia da filha do coronel, até na goela do padre – essa foi demas: o padre na maior empolgação no púlpito e um perfume forte duma distinta do lado deu-lhe uma coceira nas narinas, aí já viu, o esguicho entrou pela boca adentro de engasgar o pároco no meio da missa. Haja inconveniente. Desgraça de vida essa minha, já ando comendo todo tipo de pólvora de bomba pra ver se dou fim nisso ou me lasco de uma vez. Piorou. Já levei tanto furo de injeção nas veias e na bunda, de não se ter onde mais furar. Já disse: acerte os ovos que estoura tudo pra ver se resolve. É humilhação demais. Preso muitas vezes, não tem mais como se virar em dinheiro para pagar a fiança. E sai reclamando: faço o espetáculo e ainda tenho que pagar o couvert. Pode um negócio desse? Ainda ontem mesmo ele passou por mim na maior das carreiras. Pronde vai, meu? Soltei um que caguei-me todinho, porra! Ave! Vai findar feito a Tocha Humana, tá sabendo? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971): Firebird, Rite orf Spring & Symphonis of Winds (veja mais  aqui) ; e da pianista portuguesa naturalizada brasileira, Maria João Pires: Concerto para piano nº 17 de Mozart & Sonata nº 32, op. 111, de Beethoven; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAFiz algo contra o medo. Fiquei sentado e escrevi. Extraído da obra Os cadernos de Malte Laurinds Brigge (L&PM, 2009), do escritor alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui e aqui.

HOLÍSTICA MÉDICA – [...] significa considerar todos os aspectos do organimos humano como interligados e interdependentes. Num sentido mais amplo, significa reconhecer ainda que o organismo está em constante interação com seu ambiente natural e social. [...] O valor do conhecimento subjetivo é certamente algo que poderíamos aprender com o Oriente. Nós nos tornamos tão obcecados pelo conhecimento racional, a objetividade e a quantificação que sentimos extrema insegurança com a experiência e os valores humanos. [...]. No nível da assistência primária à saúde, isti é, no dos cuidados do dia-a-dia, os próprios pacientes, seus familiares e o governo deveriam assumir quase totalmente a responsabilidade pela saúde e pela cura. No nível secundário, isto é, no da assistência hospitalar, e dos casos de emergência, a maior parte da responsabilidade caberia ao médico – mas até mesmo aqui ele respeitaria a capacidade do próprio corpo para curar-se e não tentaria dominar o processo de cura. [...] O movimento holístico na saúde com certeza caminha nessa direção. Entretanto, uma medicina verdadeiramente holística exigirá mudanças bastante fundamentais em nossas atitudes, em nossas práticas de socialização, em nossa educação e em nossos valores básicos. Isso só acontecerá muito gradualmente - talvez nunca. [...]. Pensamento da médica antropóloga canadense, Margaret Lock, que tem desenvolvido estudos e trabalhos nas áreas de antropologia do corpo, epistemologia comparativa do conhecimento e prática médica, bem como o impacto global das tecnologias biomédicas emergentes. Extraído da obra Sabedoria incomum: conversa com pessoas notáveis (Cultrix, 1995) de Fritjof Capra. Veja mais aqui.

O HUMANO & O ANIMAL - [...] Acontece que nós, humanos, somos fratura, ruptura, salto qualitativo da natureza para a cultura. Somos exilados de nossa condição biológica e da Lei Cósmica que a preside. Perdemos os instintos, no bom e honrado sentido animal da palavra. Somos, sim, animais, mas animais políticos – zoon politikon -, tendo que criar as leis da polis por termos rompido – e este é o pecado original! – com a Lei que rege o sol, as estrelas, as plantas e os bichos. O animal, através do instinto, obedece integralmente à relojoaria cósmica. Ele não se extravia, não erra, não tem errância. O animal traz consigo, pronto, o mapa da mina. Sua certeza vem avalizada por milhões e milhões de anos. O instinto é memória imemorial, resposta eficaz, esplendor da espécie, indene à dúvida. Nós, humanos, nascemos prematurados, desequipados, sem fortes instintos que nos costurem ao mundo, fazendo dele, desde o começo, a nossa casa. Somos ruptura com a ordem cósmica e, por isto mesmo, criadores de civilização. Somos, em nossa origem, desgarramento, derrelição, extravio, liberdade. Somos, em nosso centro ontológico, falta, fenda, spaltung. [...]. Trecho de Instituição, linguagem, liberdade, extraído do livro A burrice do demônio (Rocco, 1989), do psicanalista e escritor Hélio Pellegrino (1924-1988). Veja mais aqui e aqui.

LOUVAÇÃO A OUTUBRO – [...] Enfim, Outubro, você chegou e de felizes se chamem todos os seus dias. Esta primeira meia hora – e que Deus a espiche – está excelente. Continue assim. Faça-me esquecer as agruras de agosto e setembro, essa duplinha ruim, que tanto judiou de nós. Não queremos nada, além de água na torneira, luz na lâmpada, cabelo na cabeça, dinheiro no bolso, comida na boca (qualquer outro, em vez de comida, escreveria beijo), beleza aos olhos e amor no coração. Extraído de Pernoite: crônicas (Martins Fontes/Funarte, 1989), do poeta, radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964). Veja mais aqui.

AQUERÔNTICOÉ de noite que os mortos voltam / em sua barca de papel / a roçar a porta do sono / em que inermes escurecemos / mais um dia – pulmão de chama / contraindo a luz da manhã! / É de noite pela amurada / que vêm se debruçar conosco / e indulgem – apenas sorriem / sem qualquer resguardo, sem ênfase - / em ir e vir, em ter partido. / Impressões de viagem? Alheias / como a do perfil de um dracma. / Remiram-nos maliciosos / pensos de ternura se quedam / em sua fosca primavera, / atrás de embaciados acenos, / pacientes, à nossa espera. Extraído do livro Poesia Reunida (1956-2006 / Bem-te-vi, 2012), da premiada escritora, antropóloga e crítica de arte Lélia Coelho Frota (1938-2010). Veja mais aqui.

FILM SOCIALISME
O Film socialisme (2010), do cineasta franco-suiço Jean-Luc Godard, feito em três movimentos que contam os dilemas da modernidade: o primeiro, Des choses comme ça (Tais coisas) é definido em um cruzeiro, com conversas multilíngues entre uma coleção heterogênea de passageiros, envolvendo personagens como um criminoso de guerra envelhecido, um ex-funcionário da ONU e um detetive russo, contando com a participação da cantora e poeta estadunidense Patti Smith; o segundo Notre Europe (Nossa Europa), está situado em um posto de gasolina e envolve um par de filhos, uma menina e seu irmão mais novo, convocando seus pais para comparecer perante o "tribunal da infância", exigindo respostas sérias sobre os temas de liberdade, igualdade e fraternidade; o terceiro, Nos humanités (Our humanities), visita seis locais lendários: Egito, Palestina, Odessa, Grécia, Nápoles e Barcelona. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Apesar de tudo que já foi feito, somos todos mínimos, a literatura de Aníbal Machado, a fotografia de Ryan McGinley, a música de Loalwa Braz & a arte de Gustavo Rosa aqui.
Poemas & canções da Crônica de amor por ela aqui.
Sulina, a opulência da beldade, Graciliano Ramos, A cultura midiática de Douglas Kellner, Horácio, a pintura de André Derain, a música de Ronaldo Bastos, A poesia de Wanda Cristina da Cunha, A promiscuidade de Pedro Vicente & Lavinia Pannunzio, Gattaca de Andrew Niccol & Uma Thurman, Cindy Sherman & Thaís Motta aqui.
Iangaí, ó linda, Olinda, Fecamepa & os primórdios da corrupção no Brasil, Ari Barroso & Plácido Domingo, G. Graça Campos & a Esteatopigia aqui.
Francis Bacon, Antonio Gramsci, August Strindberg, a pintura de Lidia Wylangowska, a música de Luciana Mello, Marília Pêra & o grafite Vagner Santana aqui.
Um troço bulindo no quengo com a poesia de Abel Fraga & Fernando Fiorese & o desenho de Fabiano Peixoto aqui.
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Doutor Zé Gulu: sujeito, indivíduo, quem aqui.
Poetas do Brasil: Afonso Paulo Lins, Carmen Silvia Presotto, Adriano Nunes, Eliane Auer & Natanael Lima Júnior aqui.
A arte do guerreiro no planejamento e atendimento, Pedagogia do Sucesso, A educação e a crise do capitalismo, Formação do pesquisador em educação, Educação a Distância, Cultura & Sociedade aqui.
Norbert Elias & Princípios fundamentais de filosofia aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora russa Elena Esina.
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terça-feira, julho 18, 2017

AFRODITE, STRAVINSKY, DRUCKER, RIPPER, MARIA JOÃO, MARTHA ANGERICH & APRENDER A APRENDER

A JACA & A BOTIJA - Aquela jaqueira florida infincada na calçada duma esquina, nunca chamara tanto atenção. Servira sempre apenas para roubos furtivos de necessitados, mesmo sob protesto dos moradores da vizinhança que se achavam donos dela, combatendo sob vigilância rigorosa e armada hostil contra quem se arvorasse atacá-la. Um dia lá não lembro quando, apareceu um fruto de grandes proporções, arregalando olhos e arrepiando noticiários locais e nacionais, até prospectar todo tipo de estudiosos, fanáticos e religiosos advenos, todos voltados para santificá-la e torná-la patrimônio da humanidade. Acontece que ao aboticar as vistas com aquela aberração, Tomé foi acometido duma paralisia de ficar de queijo caído e escorrendo baba pela boca de lavar o peito, guardados, pés, chão abaixo, formando poças imensas. Logo ele apreciador de prediletos bagos de jacas inchadas, fosse dura, mole, até da manteiga trazida doutras localidades. Por dias ele ali, até sair do embotamento depois duma paralisia demorada de passar dias sem comer nem beber, muito menos dormir, com aquela maravilha crescendo no juízo, dele ficar obcecado, sem conseguir desgrudar todos os sentidos daquilo que seria o maior de todos os prêmios de sua conquista. Antes dessa morbidez que o acometera, dizia ele nunca ter tido problemas intestinais, nem tosse alguma, afora ter sempre uma tesão infalível de garanhão priápico, justo por ser costumeiro comedor da Artocarpus integrifolia L, da família Moraceae, que, segundo ele, exímio atrepador de vencer mais de vinte e cinco metros na busca pelo alimento predileto, como inventor de lendas as mais cabeludas a respeito de suas propriedades medicinais. Ao tentar se aproximar para furtá-la, grande era a sua fome, logo se deparou com políticos, padres, pastores, gurus, fiéis, beatos e curiosos que santificavam aquela extravagância, privando sua captura e o seu pronto abastecimento. Dias indômitos armando estratagemas em complicados planos para tomá-la pra si, perseguindo inarredável por um momento propício, sempre nada exitosa por não saírem de perto um mínimo centímetro da maior vigiada, pra que o fruto agora sagrado não fosse surrupiado por mãos inescrupulosas. Passaram-se mais dias e lá inexoráveis permaneciam romeiros vindos de todas as partes do país para confirmar aquele inusitado acontecimento, chegando-se ao ponto de boatos sobre curas e milagres obrados só por estar na presença ou mesmo ao tocá-la, o que era absolutamente proibido, mas recalcitrantes conseguiam mediante descuido da tropa protetora. Bastava fazer menção de tocar aquele símbolo sacrossanto da natureza, novos anúncios de salvações curativas alardeavam por todo canto. Uma semana já se passara e nada dele conseguir seu intento, quinze dias, um mês e ele lá, sem comer, beber ou dormir, já enlouquecendo com a jaca crescendo ainda mais no seu quengo. Certa feita, ele se aproveitou de uma cerimônia em que a multidão ajoelhou-se de olhos fechados num louvor de gratidão aos céus por tão maravilhoso espetáculo, ele zarpou, pegou a dita pesadíssima de quase nem conseguir arrastá-la, saiu embolando ladeira abaixo, até sumir de ninguém saber como se dera o sumiço nem o paradeiro. Um escândalo de convocar todas as forças armadas e especiais numa comitiva perseguidora no encalço do desplante. Com o sumiço logo caiu uma chuva com raios e trovões nunca vistos, a terra começou a tremer, as águas invadiram as ruas, o tempo parou, as coisas perderam sentido e tudo poderia acontecer a qualquer momento, sinais estes identificados como efeitos da ignomínia praticada. Escapando da perseguição, Tomé se escondeu no sótão duma casa amaldiçoada que ninguém se atreveria a se aproximar, imobilizado para não denunciar que estava ali, nem ousou rasgar a jaca e comê-la, não, manteve-se quieto, torando aço para nenhuma alma de outro nem ser vivente de nariz intrometido aparecessem ali. De madrugada quando todos já roncavam o cansaço da marcha, morrendo de fome e com a baba escorrendo pelo peitoril, ele armou-se um facão e tascou na jaca. Desferido golpe restou inútil, o que o fez catar uma foice e com repetidos golpes de tantas foiçadas, e como estava no meio da maior escuridão, findou decepando o polegar e o indicador da mão esquerda, três dedos de cada pé que serviam de apara para maior forçada, afora talhos nos braços de quase perder uma orelha e o bico do nariz, enfim, depois de muitas tentativas na casca dura, conseguiu fissurá-la e abri-la, qual não foi seu espanto ao constatar que ao invés de bagos, dentro dela havia moedas e ouro. Oxe! Num acredito! Quanto mais esquartejava a jaca, mais ouro e moedas apareciam. Não era uma jaca, era uma botija. Danou-se! Ele não queria ouro nem riqueza, queria bagos pra comer. De que serviriam moedas e barras de ouro se estava faminto. Não podia sair pela cidade com moedas estranhas nem oferecendo barras de ouro, assim do nada, logo desconfiariam e ele findaria preso por escamotear um pretenso patrimônio histórico. Mesmo assim ele mordeu as moedas e as barras, chega doer os dentes pelo esforço de tentar comê-las, perdeu alguns deles com as mordidas, findando quase banguelo. De nada serviam, não havia como matar sua fome. Ele se agoniava, debatia-se, reclamava da vida até cair duro de sono e faminto. Uns seis meses depois de buscas por todos os cafundós da redondeza, lembraram que faltava o palacete assombrado. Foram lá e sentiram logo cheiro de jaca no ar. Reviraram tudo, até encontrar no sótão, tanto a jaca como Tomé, completamente desfigurados. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

SOCIEDADE PÓS-CAPITALISTA DE DRUCKER
[...] A “literacia” significava tradicionalmente o conhecimento do conteído de determinados temas, por exemplo, efetuar multiplicações ou possuir um pouco de conhecimento da história da América. Mas a sociedade do conhecimento (pós-capitalista) necessita de conhecimento processual – algo que as escolas raramente tentaram ensinar. Na sociedade do conhecimento, as pessoas têm de aprender a aprender. [...].
Trecho extraído da obra A sociedade pós-capítalista (Pioneira, 1999), do economista, professor, escritor e consultor austríaco Peter Drucker (1909-2005), abordando historicamente sobre a sociedade capitalista, política e conhecimento, sob a perspectiva do capital, da terra e do trabalho na sociedade atual que exige a mudança de paradigma e de mentalidade diante das novas realidades econômicas e sociais. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Não era pra ser, nem foi, Entre a vida e a morte de Nathalie Sarraute, a música de Galina Ustvolskaya, Aquarium World de Takashi Amano, o ativismo de Emmeline Parnkhurst, Zakarella de Carlos Alberto Santos, a pintura de Paul-Émile Chabas & as gravuras de ean-Frédéric Maximilien de Waldeck aqui.

E mais:
Trova & Trovadorismo aqui.
A literatura de João Ubaldo Ribeiro aqui & aqui.
Quase meio dia, A estrutura das revoluções científicas de Thomas Kuhn, Não morra antes de morrer de Yevgeny Yevtushenko, Os amores amarelos de Tristan Corbière, A consciência da mulher de Leilah Assumpção, a música de Debussy & Sandrine Piau, o cinema de Eric Rohmer & Françoise Fabian, a pintura de Hyacinthe Rigaud & Vittorio Polidori, a fotografia de Dian Hanson & Eric Kroll aqui.
A poesia de Yevgeny Yevtushenko, a Psicanálise de Freud, o teatro de Leilah Assumpção, a pintura de Hyacinthe Rigaud, a música de Rachmaninoff & Segueira Costa, Ailson Campos & muito mais aqui.
Zé Ripe entre amigos & pé de serra aqui.
Dia Branco & outras dicas Tataritaritatá aqui.
O trabalho do antropólogo de Roberto Cardoso de Oliveira, Monções de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de música de Carlos Gomes, O poeta dramático de Karl Georg Büchner, o cinema de Alfred E. Green & Carmen Miranda, a arte de William Orpen, a pintura de Ivan Gregorewitch Olinsky & Charles-Antoine Coypel aqui.
Sorria, Canto geral de Pablo Neruda, A desobediência civil de Henry Thoreau, O feijão & o sonho de Orígenes Lessa, A revolução na América do Sul de Marcelo Soares música de Sebastião Tapajós, a pintura de Amedeo Modigliani, Monteiro Lobato & Brincarte do Nitolino aqui.
A crise na América Latina de Emir Sader, No colo do pai de Hanif Kureishi, Viagem nas primeiras horas de Wole Soyinka, Técnica teatral de Erwin Piscator, a música de Stelvio Massi & Joan Collins, a gravura de Václav Hollar, a pintura de Carl Kricheldorf & Isaac Lazarus Israels aqui.
O direito à informação e qual informação, A formação social da mente de Lev Vygotsky, O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, a poesia de Manuel Bandeira, a pintura de Vincent van Gogh & a música de Gonzaguinha aqui.
As funduras profundas do coração de uma mulher, A arte de amar de Erich Fromm, A poesia de Paul Verlaine, Cem poemas de amor de Ledo Ivo, a música de Debussy & Isao Tomita, Lula Queiroga, a pintura de Cornelia Schleime & Fabius Lorenzi aqui.
Mãe é mãe & deus proteja a minha, a sua, a nossa & o da mãe-joana & e das mães (do guarda, do juiz de futebol e dos políticos) que são coitadas, Inteligência emocional de John Gottman, a literatura de Máximo Gorki, a poesia de Jorge Tufic, a música de Caetano Veloso, a pintura de Lena Gal & Gustav Klimt, Travesuras de mãe de Denise Fraga & a arte de Luciah Lopez aqui.
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APRENDER A APRENDER
[...] Enquanto a memorização permanece a forma dominante de aprendizagem em muitas salas de aula e instituições corporativas, há um reconhecimento crescente de que a finalidade central da educação deve ser valorizar as pessoas no sentido de se encarregarem elas próprias da construção do significado das experiências que vivem. [...] As ramificações que advêm do aprender a compreender a natureza do conhecimento e a natureza da aprendizagem significativa, não só valorizam o indivíduo tornando-o mais eficiente na aquisição e produção do conhecimento, mas também contribuem para a sua autoestima e sentido de controle sobre a própria vida. Os tempos atuais são tempos revolucionários, e ajudar as pessoas a aprender a aprender é uma ideia que se impõe.
Trecho introdutório da obra Aprender a aprender (Platano, 1997), dos professores do Departamento de Educação da Cornell University, Joseph D. Novak e D. Bob Gowin. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971): Rite orf Spring & Symphonis of Winds; da pianista portuguesa naturalizada brasileira, Maria João Pires: Concerto para piano nº 17 de Mozart & Sonata nº 32, op. 111, de Beethoven; do compositor, professor e regente João Guilherme Ripper: Canntiga e Desafio & Jogos Sinfônicos; e da pianista argentina Martha Angerich: Concerto nº 1 in E minor, op. 11, de Chopin & Concerto nº 3 de Rachmaninoff. Para conferir é só ligar o som e curtir.

COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY
O filme Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009), dirigido por Jan Kouten, conta a história do envolvimento entre a estilista francesa Gabrielle Coco Chanel (1883-1971) e o  compositor, pianista e maestro russo Igor Stravinsky (1882-1971), ela devotada a seu trabalho e apaixonada pelo charmoso e bem sucedido Arthur Boy Capel, comparece ao Théâtre des Champs-Élysées, onde Stravisnky mostra pela primeira vez o seu terceiro bailado "A Sagração da Primavera". Ela se encanta pela música, mas o público vaia a obra considerando-a revolucionária e moderna demais para seu tempo não deixando sequer a obra terminar e originando uma sessão de pancadaria geral. Sete anos mais tarde, Coco e Igor se reencontram em situações opostas. Ela agora é uma estilista famosa, rica e respeitada, e vive a dor da morte de Boy, enquanto ele vive em exílio na França após a Revolução Russa. A atração entre os dois é imediata e ela o convida para se hospedar em sua casa de campo para compor; ele aceita e muda-se com a mulher e filhos. Um intenso romance então se inicia entre os dois artistas na fase mais criativa de suas carreiras. O destaque fica por conta da atuação da atriz francesa Anna Mouglalis. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
CULTO À DEUSA AFRODITE
Esculturas representando a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na antiga religião grega, Afrodite, responsável pela perpetuação da vida, prazer e alegria. Influenciado pelos cultos da fenícia Astarte e da acádia Ishtar, ambas deusas do amor, o seu culto foi importado da Ásia para a Grécia Antiga. Na era romana ela passou a ser denominada de deusa Vênus. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...