

MÁRTIRES DO AMOR
Uma cantora de alaúde começou a cantar: “Cada dia que passa, um
rompimento! O tempo se escoa e nossa cólera não se aplaca; quem me dirá se essa
desgraça só atinge a mim ou é comum a todos aqueles que amam?” [...] Conta-se que Yézid, filho de Abd el-Melik,
presidindo, um dia, a audiência da Justiça, encontrou entre os requerimentos
que lhe foram enviados, um assim concebido: “Queira o príncipe dos crentes (que
Deus o glorifique) fazer vir em minha presença sua escrava tal, para que ela me
cante três canções”. Yézid, enfurecido, ordenou que lhe trouxessem a cabeça do
audacioso culpado; porém, ele preferiu enviar um segundo mensageiro nos traços
do primeiro, com ordem de trazer o autor do pedido. Quando esse homem estava em
sua presença, o príncipe perguntou-lhe o que pôde inspirar-lhe uma ação tão
atrevida. “É – respondeu ele – minha crença em vossa bondade, minha confiança
em vosso perdão”. O califa fê-lo sentar-se, e quando todos os omeíades até o
último entre eles haviam-se afastado, ele fez vir a escrava com seu alaúde à
mão. O jovem pediu-lhe esta canção [...]. A escrava cantou; em seguida, o jovem, com autorização de Yézid,
reclamou esta outra canção [...] Ela
cantou também. Fala, disse o príncipe ao jovem. – “Ordeno que se me traga uma
ânfora de vinho”. Mal esvaziara a ânfora, ele ergueu-se bruscamente, subiu à
cúpula sobre a qual o príncipe estava sentado, precipitou-se e morreu. Yézid
gritou então: “Pertencemos a Deus e voltamos para ele. Eis o tolo, o insensato,
que acredita que após lhe haver mostrado uma de minhas escravas eu a guardaria
em minha posse! Pajens, faze sair esta menina e conduze-a à casa dos seus, se
ela os tiver; senão vende-a e distribui o dinheiro em esmola por intenção o
morto”. Logo ela foi trazida; atravessando a corte do palácio, ela viu um fosso
escavado no meio do palácio de Yézid para receber as águas da chuva; escapou
das mãos dos seus guardas, pronunciando estes versos: “Os que morrem de amor
devem morrer assim; o amor não vale nada sem a morte”. Precipitou-se no
pequenino abismo e morreu.
MÁRTIRES DO AMOR - Trecho da crônica do viajante, geógrafo,
historiador e cronista árabe Al Maçudi (871-956), extraída da obra Contos árabes
(Cultrix, 1967), organizada e traduzida por Jamil Almansur
Haddad e Jose Paulo Paes. Neste conto percebe-se a dedicação do poeta pela
amada, uma verdadeira cantiga em que o amor é sentido ardentemente como uma paixão
profunda e duradoura, própria de um poema de amor. Veja mais aqui.
A ARTE DE TAMARA KARVASINA
A arte da bailarina russa Tamara Karsavina (1885-1978) que integrou o Balé de
Sergei Diaghilev, tendo sido várias vezes par de Vaslav Nijinski. Veja mais
aqui.
PERNAMBUCULTURARTES
Eram mais mulheres, a falta de homem sempre foi complicado. Só tinha o
Fred (Salim) depois entrou o Carlos Santillan, que era um médio que veio fazer
um cruso de medicina aqui em recife e era bailarino, peruano. Ele e o irmão
dele dançavam num grupo profissional de danças no Peru. Aí tivemos que correr atrás de atletas formandos da escola de Educação Física, para fazer teste, para ver as possibilidades de cada um, então, com
esses rapazes completamos o grupo de rapazes que já tínhamos, mais os dois que
não eram da escola de Educação Física, e no fim, ficaram sete rapazes do grupo.
Acho que eram mais moças, sempre mais moças.
Depoimento
da bailarina, coreógrafa e professora Flávia Barros, que integrou o Corpo de Baile do
Theatro Municipal do RJ e fundou o Curso de Danças Clássicas Flávia Barros,
além de fundar o Grupo de Ballet do Recife e criou, juntamente com Ariano
Suassuna, o Balé Armorial do Nordeste. Depoimento ao Projeto RecorDança (2004), extraído da obra Acordes & traçados
historiográficos: a dança no Recife, organizado por Ana Valeria Ramos Vicente e
Roberta Ramos Marques. Noutra entrevista (RibaltaOUTSite - Satedpe, 2009), exla
expressou que: Parti do que já conhecia para um trabalho
difícil de técnica Fábio Coelho, Carlos Santillan, Eduardo José Freire, Edmond básica
para o conhecimento e evolução dos movimentos necessários ao Janiszowsky,
Evandro Paiva e Airton Tenório. Estilo de coreografia que seria mais adequado à
estética armorial reconhecida pelas referências ibéricas e mouras na sua
constituição. Um trabalho básico de balé, ritmo, composição coreográfica espontânea
com grupos de bumba-meu-boi, de personagens como Mateus e Catirina e outros dos
folguedos populares. A música do Quinteto Armorial, executada ao vivo pelo
próprio quinteto foi muito adequada. Assim, trabalhamos o texto que Ariano
Suassuna criou, nascendo o espetáculo Iniciação Armorial aos Mistérios do Boi de
Afogados, com figurinos e cenários de Bernardo Dimenstein. A temporada no
Teatro de Santa Isabel teve lotação esgotada todas as noites.
&
A obra
da escritora e advogada Djanira Silva aqui.
A música
da cantora, compositora,
percussionista, poeta e atriz Karina
Buhr aqui.
Memória
e ficcionalidade em Deus no pasto de Hermilo Borba Filho (UFPE, 2009), apresentada por Virginia Gisele Carvalho aqui.
Contraponto:
poder, política, economia e costumes
(CEPE, 2006), do economista, professor universitário, editor e analista
consultor Carlos Alberto Fernandes
aqui.
A
arte da a artista visual, produtora cultural e
pesquisadora Bruna Rafaella aqui.
&
As abelhas
de Cupira aqui.