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sábado, setembro 16, 2017

TERRA, BUBER, VERÍSSIMO, INCLUSÃO & ACESSIBILIDADE, COLÉGIO DIMENSÃO & MUITO MAIS COM MÚSICA NO AR

SOU DA TERRA E A ELA ME DOU - Sou desta Terra-mãe, em cada gota de orvalho na flor da manhã e em cada paisagem dos pontos cardeais, porque planto o futuro a cada momento em que vivo e sou feito pra cumprir a missão. Eu colho o presente ao nascer o dia, distribuo a colheita de mão em mão e em todas as mãos eu sou pra todos porque assim também eu serei, porque sou cada semente que brota na festa da vida. E se em mim amanheço pra tudo alcançar e se também anoiteço pra que possa me guiar na escuridão, é porque sou corrente na rota do rio pra que eu seja mar e tudo de mim e de todos, e sou o vento da tarde alisando o cabelo nas faces pro sorriso emanando de cada ser nas noites & dias de cada estação. Assim eu sou chão das raízes pra todas as folhas e flores, todos os pés que perseguem os rumos distantes, pros dedos que apontam todas as direções, pra que eu seja mais desenvolto de invernos a verões. Assim eu sou erupção vulcânica no fogo de amar pra que tudo seja amor em dar e receber, em olhar e perceber a maravilha que é dar conta de todo milagre que é nascer e viver. Assim sou dia de feita na vez do labor, sou todo domingo festejando a semana porque tudo que nasce provém do amor, sou todas as preces de gratidão, pra que eu seja cada pedra, pra que eu seja cada respirante, na mais completa comunhão do que sou. Por isso sou desta Terra e a ela me dou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

NÓS, EU & TU[...] O homem não é uma coisa entre coisas ou formado por coisas quando, estando EU presente diante dele, que já é meu TU, endereço-lhe a palavra-princípio. Ele não é um simples ELE ou ELA limitado por outros ELES ou ELAS, um ponto inscrito na rede do universo de espaço e tempo. Ele não é uma qualidade, um modo de ser, experienciável, descritível, um feixe flácido de qualidades definidas. Ele é TU, sem limites, sem costuras, preenchendo todo o horizonte. Isto não significa que nada mais existe a não ser ele, mas que tudo o mais vive em sua luz. Assim como a melodia não se compõe de sons, nem os versos de vocábulos ou a estátua de linhas - a sua unidade só poderia ser reduzida a uma multiplicidade por um retalhamento ou um dilaceramento - assim também o homem a quem EU digo TU. Posso extrair a cor de seus cabelos, o matiz de suas palavras ou de sua bondade; devo fazer isso sem cessar, porém ele já não é mais meu TU. Assim como a prece não se situa no tempo mas o tempo na prece, e assim como a oferta não se localiza no espaço mas o espaço na oferta - e quem alterar essa relação suprimirá a atualidade, do mesmo modo o homem a quem digo TU não encontro em algum tempo ou lugar. EU posso situá-lo, sou, aliás, sou obrigado a fazê-lo constantemente, mas então, ele não é mais um TU e sim um ELE ou ELA, um ISSO. Enquanto o universo do TU se desdobra sobre minha cabeça, os ventos da causalidade prostram-se a meus calcanhares e o turbilhão da fatalidade se coagula. Eu não experiencio o homem a quem digo TU. EU entro em relação com ele no santuário da palavra-princípio. Somente quando saio da! posso experienciá-lo novamente. A experiência é distanciamento do TU. A relação pode perdurar mesmo quando o homem a quem digo TU não o percebe em sua experiência, pois o TU é mais do que aquilo de que o ISSO possa estar ciente. O TU é mais operante e acontece-lhe mais do que aquilo que o ISSO possa saber. Aí não há lugar para fraudes: aqui se encontra o berço da verdadeira vida. Eis a eterna origem da arte: uma forma defronta-se com o homem e anseia tornar-se uma obra por meio dele. Ela não é um produto de seu espírito, mas uma aparição que se lhe apresenta exigindo dele um poder eficaz. Trata-se de um ato essencial do homem: se ele a realiza, proferindo de todo o seu ser a palavra-princípio EU-TU à forma que lhe aparece, aí então brota a força eficaz e a obra surge. Esta ação engloba uma oferta e um risco. Uma oferta: a infinita possibilidade que será imolada no altar da forma. Tudo aquilo que ainda há pouco se mantinha em perspectiva deverá ser eliminado, pois, nada disso poderá penetrar na obra; assim exige a exclusividade própria do “face-a-face”. Um risco: a palavra-princípio não pode ser proferida senão pelo ser em sua totalidade, isto é, aquele que a ISSO se entrega não deve ocultar nada de si, pois a obra não tolera como a árvore ou o homem, que EU descanse entrando no mundo do ISSO. É ela que domina; se EU não a servir corretamente ela se desestrutura ou ela me desestrutura. Eu não posso experienciar ou descrever a forma que vem ao meu encontro; só posso atualizá-la. E, no entanto, EU a contemplo no brilho fulgurante do face-a-face, mais resplandecente que toda clareza do mundo empírico, não como uma coisa no meio de coisas inferiores ou como um produto de minha imaginação mas como o presente. Se for submetida ao critério da objetividade, a forma não está realmente “ai”; entretanto, o que é mais presente do que ela? Eu estou numa autêntica relação com ela; pois ela atua sobre mim assim como EU atuo sobre ela. Fazer é criar, inventar é encontrar. Dar forma é descobrir. Ao realizar EU descubro. EU conduzo a forma para o mundo do ISSO. A obra criada é uma coisa entre coisas, experienciável e descritível como uma soma de qualidades. Porém àquele que contempla com receptividade ela pode amiúde tornar-se presente em pessoa. [...]. Trecho extraído da obra Eu e Tu (Moraes, 1974), do filosofo, escritor e pedagogo israelita Martin Buber (1878-1965). Veja mais aqui e aqui.

INCLUSÃO ESCOLAR – [...] Embora possa assustar pelo grande número de mudanças e pelo teor de cada uma delas, a inclusão é, como muitos a apregoam, “um caminho sem volta”. Nunca é demais, contudo, reafirmar as condições em que essa inovação acontece, marcando, grifando na consciência dos educadores o seu valor, para que nossas escolas atendam à expectativa de seus alunos, do ensino infantil à universidade. A escola prepara o futuro e, de certo que, se as crianças aprenderem a valorizar e a conviver com as diferenças nas salas de aula, serão adultos bem diferentes de nós, que temos de nos empenhar tanto para entender e viver a experiência da inclusão! O movimento inclusivo, nas escolas, por mais que ainda seja muito contestado, pelo caráter ameaçador de toda e qualquer mudança, especialmente no meio educacional, convence a todos pela sua lógica e pela ética de seu posicionamento social. Ao denunciar o abismo existente entre o velho e o novo na instituição escolar brasileira, a inclusão é reveladora dos males que o conservadorismo escolar tem espalhado pela nossa infância e juventude estudantil. Penso que o futuro da escola inclusiva depende de uma expansão rápida dos projetos verdadeiramente imbuídos do compromisso de transformar a escola, para se adequar aos novos tempos. Se ainda hoje esses projetos se resumem a experiências locais, estas estão demonstrando a viabilidade da inclusão, em escolas e redes de ensino brasileiras, porque têm a força do óbvio e a clareza da simplicidade. A aparente fragilidade das pequenas iniciativas tem sido suficiente para enfrentar, com segurança e otimismo, o poder da velha e enferrujada máquina escolar. A inclusão é um sonho possível! Trecho do livro Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? (Moderna, 2003), da Professora da Unicamp, Maria Teresa Eglér Mantoan. Veja mais sobre o tema aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PROJETO ACESSIBILIDADE DA BIBLIOTECA FENELON BARRETO - Participação na reunião do Projeto Acessibilidade/Inclusão da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, no último dia 14/09/2017, com o diretor da Biblioteca, João Paulo Araújo, e as professoras Rute Costa da SEMED-Palmares & Silvana Neves – Coordenadora do Programa de Educação Inclusiva da SEMED-Palmares. Esta reunião é o resultado de uma outra ocorrida no último dia 31/08, resultando na esquematização de ações que propiciem o envolvimento de alunos com deficiência visual, auditiva e cadeirantes para visita à Biblioteca no sentido de levantar as dificuldades encontradas por esse público-alvo, bem como a realização de Seminário sobre Acessibilidade envolvendo órgãos públicos, escolas, associações de classe, autoridades, estudantes, familiares de pessoas com deficiência e sociedade em geral, além da realização da parceria com o IFPE para apresentação de filmes sobre o tema e a apresentação das normas da ABNT 9050 & 15599, que tratam sobre a acessibilidade em edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos e a comunicação na prestação de serviços, respectivamente. Veja mais aqui.

COLÉGIO DIMENSÃO NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Participação do Professor Jadson Alexandre com alunos do Colégio Dimensão nos eventos promovidos pela Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto. Veja mais aqui.

Veja mais:
Terra-Mãe aqui e aqui.
A música de Baden Powell de Aquino aqui.
A música do violoncelista Antonio Meneses aqui.
A música da pianista Pi-Hsien Chen aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

TU & EU DE LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Em não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
– que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.
Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albiônico.
Tu,fão.
Eu, fônico.
És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.
Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.
És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu, clidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo
.
Poema extraído da obra Poesia numa hora dessas? (Objetiva, 2002),
n do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui e aqui.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.

domingo, agosto 23, 2015

NELSON, MENESES, MALAIKA, MARRA, KIDMAN, YAMATO, A INTROMISSÃO DO VERBO & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A INTROMISSÃO DO VERBO – O ano de 1983 corria com a minha empolgação de vento em popa. Não era pra menos. Depois da publicação do meu primeiro conto na revista Ponto de Encontro (Curitiba-PR), da leitura dramática da minha peça teatral A viagem noturna do sol pela TTTres Produções Artísticas e da realização do show musical CantarOlinda, chegou a hora do lançamento do meu livro de poesias A Intromissão do Verbo, pelas Edições Pirata, com apresentação do escritor Jaci Bezerra e de Selma Villar, com ilustrações de Gilson Braga. Espremendo o livro hoje, sobram apenas 4 ou 5 poemas,a apresentação do Jaci tributando Ascenso e Hermilo, os desenhos de Gilson Braga e as generosíssimas palavras de Sema Villar: Inegavelmente Luiz Alberto Machado tem talento. E mais do que isto, tem a coragem de fazer poesia com a seriedade de propósitos que se exige para se fazer versos. Num mundo tão cheio de poetas de má poesia, muitos dos quais escrevem apenas para ver sua face refletida no poço das palavras, este palmarense de 22 anos, dá mostras de que encara o fazer poético com a mais série das intenções. O jogo de palavras com que versa os variados assuntos de sua inspiração, mostra a força do poeta nato disposto a dizer o que pensa em linguagem variada da poesia moderna. Ele já tem um livro – Para viver o personagem do homem – publicado com o esforço próprio de quem anseia por atingir, com desvelo, uma maturidade poético-existencial. Agora, lança A intromissão do Verbo. E confessa ter um outro – Um canto, Palmares – ainda inédito. É nos poemas feitos com simplicidade, sem o palavrismo que pode torna-los ocos, que Luiz Alberto consegue seus melhores poemas. “Em mim” é bem um exemplo desta expressividade. Nele, o poeta transcende seu próprio ser, através de jogos imagéticos marcantes e sonoros, para se deixar invadir pelo “sentimento do mundo” drummondiano. E bote generosidade nessas palavras. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem: Favela, do artista plástico Lourival Viegas.


Curtindo o álbum encartado no livro Antonio Meneses - Arquitetura da Emoção (2011), do violoncelista brasileiro radicado na Suíça, Antonio Meneses.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog do Projeto MCLAM, com a maravilhosa apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação: Grandes Pequeninos, Marcela Taís, Jeito Diferente, Bangarang, Panda e Os caricas, Meimei Corrêa, Nita, Falamansa & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Psicologia, Educação, Direito das Crianças e dos Adolescentes, além de Literatura, Teatro e Música infantis, entre outras dicas e informações. Para conferir o programa ao vivo e online clique aqui ou aqui.

O PENSAMENTO PÓS-MODERNO E AS TENDÊNCIAS EPISTEMOLÓGICAS – O livro O agente social que transforma: o sociodrama na organização de grupos (Ágora, 2004), da psicóloga, psicodramatista e supervisora psicoterapêutica e socioeducacional Marlene Magnabosco Marra, trata de temas como a socionomia e teoria para a organização dos grupos, a trajetório e o universo da pesquisa, a teoria socionomica, sociodrama & perspectiva teórica e metodológica, pesquisa-ação, o sociodrama como práxis da formação de agentes sociais e multiplicadores, o trabalhador social, investigador-participante, de bombeiro a multiplicador, metodologia de abordagem às famílias, ações socionomicas no resgate de direitos humanos, inclusão social e cidadania, espaços públicos para a defesa e a proteção da criança e do adolescente, da cegueira à visão reconstruindo vínculos e construindo redes sociais, entre outros assuntos. Do livro destaco o trecho: A construção de novos significados, a emergencia da qualificação do conhecimento real, o compromisso ético de participação, a teoria e a pratica do socius na compreensão relacional do sujeito, bem como todas as demais teorias que falam da importância da construção de uma realidade de interação, são pressupostos da pós-modernidade. Transformam padrões e atitudes e promovem novas possibilidades de intervenções interativas e abordagens, gerando mudanças epistemológicas e paradigmáticas. Essas construções teóricas em Psicologia permite-nos integrar dimensões do humano como sujeito e distingui-lo da marcante influencia empirista, tranzendo uma nova construção do objeto de estudo em questão – a relação entre conhecimento e realidade. Vusto dessa forma, o pensamento pós-moderno qualifica o conhecimento segundo os processos de construção que estão incrustrados nas relações sociais. A imbricação sujeito-realidade é fruto do atual paradigma da complexidade [...]. Veja mais aqui.

NARRATIVAS DE YAMATO – Nas Narrativas de Yamato (Cultrix, 1962), do tradicional conto japonês, encontro O túmulo da jovem de Unaí, de autoria incerta, da qual destaco o trecho traduzido por Albertino Pinheiro Junior: Era uma vez, há muito tempo, uma hovem que morava no país de Tsu. Essa jovem era requestada por dois pretendentes. Um deles, que habitava no mesmo país, chama-se Mubara; o outro, habitante do país de Izumi, chamava-se Tchinu. Os dois homens eram parecidos na idade, nas feições, no exterior e nas maneiras. Ela decidira aceitar aquele que mostrasse ter mais amor, mas mesmo o amor de ambos era equivalente. Quando caía a noite, vinham ambos. Quando lhe davam presentes, os presentes eram da mesma espécie. Não se poderia dizer que um deles superasse o outro. E a jovem tinha o coração numa grande atribulação. [...] Então disse a jovem, desalentada: Fatigada da vida, vou lançar meu corpo! Do áis de Tsu o Rio Ikuta é um nome apenas! E, com tais palavras, da plataforma que se projetava sobre o rio, ela se precipitou, chibum! Dentro dele. Enquanto os pais da jovem, aterrorizados, soltavam gritos, os dois apaixonados mergulharam no mesmo lugar; um agarrou pelo pé e o outro pela mão. E os dois morreram com ela. Os pais se lamentaram ruidosamente. Recolheram o corpo da filha e o sepultaram com lágrimas. Os pais dos jovens vieram também. mas quando quiseram-nos enterrar ao lado da sepultura da jovem, os pais do jovem do país de Tsu disseram: - É natural que um homem deste pais seja aqui enterrado. Mas o filho de um país estrangeiro não deveria repousar nesta terra. Então os pais do jobem do país de Izumi trouxeram, num barco, terra de lá, e puderam, por fim, sepultar o corpo do filho. E assim é que existem ainda os túmulos desses dois jovens, à direita e à esquerda do túmulo da jovem. Veja mais aqui.

A BAILARINA APUNHALADA & CÂNTICOS À DOR – A poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007), foi a primeira a escrever versos livres em árabe e na sua reunião de poemas de 1947, destaco inicialmente A bailarina apunhalada: Danças, com o coração esfaqueado, canta / E ele ri porque a ferida é dançar e sorrir, / Os pedidos imolado vítimas para dormir / E você dançar e cantar tranquila. / É inútil lamentar. Conter as lágrimas quentes / E o grito da ferida desenha um sorriso. / É inútil para explodir. A ferida dormir tranquilamente. / Deixá-la e reverenciá suas correntes humilhantes. / É inútil se rebelar. Nada contra o chicote de cólera. / Que bom são as convulsões de as vítimas? / A dor e a tristeza esquecer / E uma ou duas mortes e lesões. / Ligue o fogo de sua melodia ferida / Desejando que ressoa com os lábios / Que é um remanescente da vida / Para uma canção que a miséria não silenciosa ou tristeza. / É inútil gritar. Repulsa e loucura. / Deixe o morto insepulto. / Quaisquer morre ... não há gritos de tristeza. / Que bom são as revoltas de prisioneiros? / É inútil se rebelar. Nos seres humanos, os restos mortais / Vens não deixar o sangue circular. / É inútil rebelde enquanto alguns inocente / Eles estão à espera de ser sacrificado. / Seu ferimento não é diferente dos outros. / Dança, embriagado com tristeza mortal. / Insones e perplexo estão condenados ao silêncio. / É inútil protestar. Descanse em paz. / Ele sorri punhal vermelho com amor / E ele cai no chão sem agitação. / É um presente que você gargantas cortadas como uma ovelha, / É um presente que você apunhalar o coração e a alma. / É uma loucura, vítima, você vai se rebelar. / A raiva é loucura escravo cativo. / Dance Dance forte, feliz / E sorrindo felicidade escravo do salário. / Conter a dor da ferida é pecado gemido, / E sorriso satisfeito o assassino culpado. / Dê-lhe o seu coração humilde / E deixá-lo cortar e apunhalar com prazer. / Dança com seu coração esfaqueado, canta / E ri ferida é dançar e sorrir. / Diga às vítimas abatidos para dormir /E você dançar e cantar tranquila. Destaco também o seu belíssimo Cântico à dor: Súplicas, salmos, ex-votos brindámos nessa hora / Pão, vinho e tâmaras da Babel embriagante / E de rosa o encanto / Logo aos teus olhos orando, oferenda imolámos / Da lágrima ardente em dilúvio as gotas juntámos – / Um rosário de pranto. Veja mais aqui.

VALSA Nº 6 – O monólogo Valsa nº 6 (1951), do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), é uma peça teatral que se desenrola com a personagem solitária Sonia, uma menina assassinada aos quinze anos de idade, luta para, entre um delírio e outro conseguir montar o quebra-cabeça de suas memórias. Da obra destaco o trecho inicial: Mocinha (Aumentando progressivamente a voz, até ao grito) Sônia! Sônia! Sônia... (para si mesma) quem é Sônia?... e onde está Sônia? (rápida e medrosa). Sonia está aqui, ali, em toda parte! (Recua). Sonia, sempre Sônia... (Baixo). Um rosto me acompanha... e um vestido... e a roupa de baixo... (olha para todos os lados; e para a plateia, em meio riso). Roupa de baixo, sim. (com sofrimento). Diáfana, inconsútil... (com medo, agachada numa das extremidades do palco). O vestido que me persegue... de quem será, meu deus? (corre, ágil, para a boca de cena. Atitude polêmica). Mas eu não estou louca! (já cordial). Evidente, natural... até, pelo contrário, sempre tive medo de gente doida! (amável e informativa, para a plateia). Na minha família – e graças a deus – nunca houve um caso de loucura. (grita, exaltante). Parente doido, não tenho! (sem exaltação, humilde, ingênua). Só não sei o que estou fazendo aqui... (olhando em torno). Nem sei que lugar é este... [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

STOKER – O filme de terror psicológico Stoker (Segredos de Sangue, 2013), do cineasta sul-coreano Chan-Wook Park, conta a história de uma jovem no dia do seu aniversário em que sua vida dá uma guinada depois que seu pai morre em um acidente de carro. No funeral, ela e a mãe conhecem um homem charmoso e carismático que se presta a apoiá-las o que causa alegria indefinida à mãe e coléra à filha, até que uma tia entra em cena e começa a temer pelo homem desconhecido que já se encontra íntimo da mãe e convidando-a para viajar pelo mundo. Acidentalmente a fiha descobre um corpo num congelador e presume ser crime do homem que ela rejeita e que se encontra cada vez mais próximo da sua mãe. A história vai se desenrolando com fatos violentos e com muito suspense, valorizando o destaque que na verdade fica por conta da sempre linda e extremamente talentosa atriz australiana Nicole Kidman, sempre bela, magistral e exuberante nas suas interpretações cinematográficas. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA



Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico com a reprise de toda programação da semana a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, agosto 23, 2014

JACK LONDON, BERLIE DOHERTY, NORMA ALEANDRO & CHARLAINE HARRIS

 


SOBREVIVENTE DOS NAUFRÁGIOS – Desde que me vi por gente nas ilhas desertas da solidão, quantos naufrágios na aventura que é viver o dia a dia como se houvesse ousado pelos mares da existência, pelas intermitências nas travessias tropicais, pelo cotidiano entre estações invariavelmente estivais e invernosas, pela vivência da destruição de sonhos e anseios. Quantas mãos surgiram do inopinado para o resgate, poucas, mas valiosas, inesquecíveis. Cada evento com suas feridas marcadas profundamente, as lições subjacentes que sangram ao respirar fundo e se tornam histórias pra contar da vida que, como o mar, está sujeita aos desafios das tempestades e vicissitudes - a rudeza das sombrias incompreensões humanas e suas tensões conflituosas, a implacabilidade da vingança, os perigos e o desafio das profundezas de selvagerias, ah, desvencilhar-se dos apuros, certezas a pique, as ideias em choque, a necessária adaptação. Aprendi a renascer com a sabedoria de ter vivido e tornei-me cada vez mais vivo e em cada momento, desde o despertar amanhecido ao crepúsculo da sonolência. Sabia que escapara porque não seria a vez do fim, mas de uma nova jornada, a coragem revestida, a resiliência em alta, o recomeço árduo e solitário, o caminho pra seguir e sobreviver salvando a própria embarcação corporal, com a serenidade, a paciência e a criteriosa consciência de que novos e sucessivos naufrágios estarão à vista, sábias lições pro aprendizado e a gratidão de experienciar. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A história é sempre meio mentirosa... Uma piada trágica... Não, não sou ativista, não sou política...  Há pessoas que optam por pegar o barco e se salvar, e outras que não resistem à tentação de salvar os outros. E pessoas que são capazes de matar outras pessoas para escapar. Estas são grandes decisões pessoais. Elas têm a ver com um lugar, chame-o de consciência. As pessoas podem nem todas entender de política, não é fácil entender o dilema humano e a tragédia humana. Pensamento da atriz e cineasta argentina Norma Aleandro.

 

ALGUÉM FALOU: Um brinde aos livros, as férias mais baratas que você pode comprar... A ficção apenas torna tudo mais interessante. A verdade é tão chata... Você acha que não é a magia que te mantém vivo? Só porque você entende a mecânica de como algo funciona não significa que seja um milagre menor. Que é apenas outra palavra para magia. Todos nós somos mantidos vivos pela magia. Minha magia é um pouco diferente da sua, só isso. Pensamento da escritora estadunidense Charlaine Harris. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

LOBO DO MAR - [...] Ora, se existe alguma oferta e procura, a vida é a coisa mais barata do mundo. Há um limite de água, de terra, de ar; mas a vida que exige nascer é ilimitada. A natureza é uma perdulária. Veja os peixes e seus milhões de ovos. Aliás, olhe para você e para mim. Em nossas entranhas estão as possibilidades de milhões de vidas. Se pudéssemos encontrar tempo e oportunidade e utilizar o último pedaço da vida ainda não nascida que existe em nós, poderíamos nos tornar os pais das nações e povoar os continentes. Vida? Bah! Não tem valor. Das coisas baratas é a mais barata. Em todo lugar ele vai mendigar. A natureza derrama isso com mão generosa. Onde há espaço para uma vida, ela semeia mil vidas, e a vida come a vida até que reste a vida mais forte e mais porca. [...] O homem é inconstante como os ventos e as correntes marítimas. Impossível adivinhar o que ele vai fazer em seguida. Quando você começa a achar que o conhece, quando começa a vê-lo com bons olhos e põe as velas pra vento a favor, ele dá uma volta na sua frente, entra rasgando e arrebenta tudo [...]. Trechos extraídos da obra Lobo do mar (Zahar, 2013), do escritor, jornalista e ativista estadunidense Jack London (1876-1916). A obra mergulha nas profundezas da alma humana ao retratar a vida árdua e solitária dos marinheiros que enfrentam os perigos e desafios do Mar de Bering. Publicado em 1904, o livro segue a jornada de Humphrey Van Weyden, um intelectual sofisticado que se vê em apuros quando seu navio é afundado por um choque com outro barco. Resgatado por uma embarcação liderada pelo brutal capitão Wolf Larsen, Van Weyden é forçado a se adaptar à vida rude e implacável a bordo do navio Fantasma. Larsen, um homem de grande inteligência e força física, é um personagem complexo que desafia as noções convencionais de moralidade e determinismo. Sua luta constante contra a natureza e a sociedade molda o tom sombrio e introspectivo da narrativa. O autor tece uma trama poderosa que explora temas como a natureza humana, a luta pela sobrevivência e a relação do homem com o ambiente natural. A tensão entre os personagens, especialmente entre Van Weyden e Larsen, cria um conflito fascinante que se desenrola ao longo da história. "O Lobo do Mar" é uma obra-prima da literatura americana, conhecida por sua escrita visceral e realista. London habilmente transporta o leitor para o mundo cru e implacável dos marinheiros, onde a linha entre a civilização e a selvageria se torna tênue. É uma leitura intensa e envolvente que cativa desde a primeira página até o final, deixando uma marca duradoura na mente do leitor. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

POEMA - Aqui reside \ o coração de uma cidade. \ Lá, em suas colinas, jazem \ seus ossos verdes, silenciosos sob \ a confusão de casas e ruas. \ E lá em seus rios correm veios \ que há muito tempo movimentavam seus moinhos. \ Seus longos membros alcançam as \ charnecas. Mas aqui, aqui \ está seu coração palpitante. Poema da escritora, dramaturga e roteirista inglesa Berlie Doherty.

 

OUTRAS DIC’ARTES

 


 Imagem Une Toile, do pintor, roteirista e produtor canadense Pierre Gauvreau (1922-2011)

 

Ouvindo o Concerto nº 1 para violoncelo em mi bemol maior, op. 107, de Dmitri Shostakovich, com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, regente Yan Pascal e violoncelo de Antonio Meneses.

 

NELSON RODRIGUES – Hoje comemoramos mais um aniversário de nascimento do polêmico escritor, dramaturgo, jornalista e comentarista de futebol, Nelson Rodrigues (1912-1980). Nossas homenagens aquiaqui.

 

LUIZ FERNANDO PRÔA – Conheci o excelente trabalho literário do poetamigo Luiz Fernando Prôa há muitos anos! Ele é o editor do maravilhoso Alma de Poeta. Dele destaco o seu poema Preferência: “gosto de dar cara a tapa / expor o peito / não ter medo de fogueira / o que me faz a cabeça / é isso que na veia pulsa / a surpresa de quem vai à luta / e degusta a vida / não tenho medo de ridículo / pagar mico é risco / de quem busca o prazer / gosto mesmo é do imprevisto / da alma do momento vivo / viver é o ápice do vício / única droga que insisto”.

 

 

LUIZA SILVA OLIVEIRA – A advogada, atriz e socióloga Luiza Silva Oliveira é autora do livro Afetos Transgressores. Dessa obra destacamos o seu poema Meu Retrato: “Sou / piegas, adocicada e melosa…. / Danem-se os frios de alma, os não escolhidos… / me resguardo / me depuro / me repito / Sou…. / chata, melódica-romântica / me alimento das reminiscências e dos pingos de chuva cristalinos / num céu de trovoadas e / de enchentes mil… / Sou filha das estrelas / e mãe da terra gentil / me comprazo na quietude do saber / e repouso na inquietude das aflições / corro atrás de devaneios e volto prás minhas indagações / pingo de chuva cristalino / filha da terra e das estrelas / caçadora de devaneios / comprazente do saber / retirante do véu do medo / amante por natureza / puta na afeição / dessas dou-me porque quero / não pelo que me dão / e se o afeto vier em trocados / devolvo em ouro de lei / pois sou mulher em caçada / de amor sem regra nem lei”.

 

BÁRBARA LIA – A premiada escritora paranaense Bárbara Lia é autora de livros como O sorriso de Leonardo (2004), Noir (2006), O sal das rosas (2007), A última chuva (2007), Solidão calcinada (2008), entre outras obras. Inclusive já foi destaca nos Poetas do Mês do meu Guia de Poesia. É meritória de aplausos e de pé. Confira mais aqui.

   

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