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sexta-feira, julho 30, 2021

ATTILA JÓZSEF, DOSTOIEVSKI, LOUJAIN ALHATHLOUL, IZA COSTA & GENTIL PORTO FILHO

 

 

TRÍPTICO DQP – Más notícias do Fecamepa... - Ao som dos álbuns Mensageiro (2014) e O convertido (2013), do compositor, instrumentista, arranjador e violeiro Adelmo Arcoverde. – O Norte queima: aos cinquenta graus bafejam as águas quentes do império. O Sul congela e lá se vão estátuas que se dissolvem com o piscar de olhos ao primeiro raio solar. Estou de frente pro Leste e às minhas costoestes a mata é só carbono, não sei como será possível sobreviver, porque o meu país sucumbe à fraude Coisonária em plena festa do Fecamepa e a esperança é um pássaro extinto que, mesmo assim, teima em voar no meu coração entoando aquele verso escatológico do Jayme Griz. Quase me rendo ao desespero, não fosse a linda ativista saudita Loujain Alhathloul a me surpreender: Todos nós temos que perceber que criticar alguns fenômenos em nosso país não significa odiá-los, desejar o mal para eles, nem é uma tentativa de abalar seu equilíbrio, é o oposto total. Qualquer cidadão pode ficar chateado com alguns incidentes que ocorrem por aqui, mas isso é apenas um sinal direto do interesse na melhoria de seu próprio país e da esperança de vê-lo como um líder global. Continuo muito otimista quanto a um futuro brilhante para meu país e seus cidadãos. Eu vou vencer. Não imediatamente, mas definitivamente. Vê-la é o mesmo que ressuscitar num amanhecer ainda escuro. E não satisfeita, recitou-me Attila József: Quando nasci tinha uma faca na mão. / Dizem: é poesia. / Mas peguei na pena, melhor ainda que a faca. / Nasci para ser homem. / Alguém soluça uma felicidade apaixonada. / Dizem: é amor. / Chama-se ao teu seio, simplicidade das lágrimas! / Só contigo eu brinco. / Não recordo nada e também nada esqueço. / Dizem: como é possível? / O que deixo cair mantém-se sobre a terra. / Se o não encontro, tu o encontrarás. / A terra me aprisiona, o mar me dilacera. / Dizem: um dia morrerás. / Mas dizem-se tantas coisas a um homem / que nem sequer respondo. Assim, o seu beijo me tocou arrepiando a alma para, entre o verdadeiro e o escatológico, sonhar e fazer.

 


A solidão de Dostoievski – Imagem: arte da desenhista, pintora, professora e gravurista Iza Costa (1942-2021). – Não era eu, mas aquele a quem senti doer na pele o pai alcoólatra, a engenharia entediante, a enfermidade militar – precisava ser gente e deixara o exército para vê-lo assassinado. O único prêmio foi esbanjar a herança com a poesia de Puchkin, a prosa de Balzac, leituras de Fourier, e ouvir de Necrasov: Você sabe o que escreveu? Nem eu sabia, era só gente pobre, os mesmos dos contos d’O Dobro. Senti na pele a sua prisão por traição, condenado à morte. No local da execução, a sentença para ouvi-lo dizer: Não me restava mais que um minuto de vida! Ah, não! Mas, uma bandeira branca e a comutação da pena: trabalhos forçados na Sibéria - triturando pedras, carregando rochas, a epilepsia. As visões de quantos ali desencarnavam, outros enlouqueciam, as cicatrizes das lembranças. Havia Maria, sim, aquela que era Dimitrieva Isaieva, esperou por ela, a desilusão ao vê-la enviuvar: seria a chance de ser feliz, pensara, não era, um desgosto - era ela, o filho e o amante. Chegou a vez de Humilhados e ofendidos. Por remissão, o elogio de Tolstoi: Recordação da casa dos mortos. E o passeio do leão enjaulado pela tardia, com tantos episódios violentos e torturas íntimas no campo de batalha, os pesadelos patológicos e o intolerável sofrimento, o desespero pela salvação, a pobreza e o Livro de Jó, as almas aflitas, a revista censurada, o infortúnio e a perda de memória. Na solidão estava Polina abandonada e morta de fome. A salvação no jogo e lá se foi a esposa que não mais era, o irmão e a depressão: Vivo como um mendigo. Era a vez de O jogador e, depois, Crime e castigo. Não fosse a taquígrafa Ana, a que era Grigorieva Snitquin, jamais haveria a autobiografia lúgubre: Notas do inferno, cartas de além túmulo, o exílio dos credores. Precisava da terra, do seu chão para se salvar da doença sagrada e escrever a vida. O retorno e O idiota e, depois, Os possessos. Foi-se o primeiro filho, segurou como pode o segundo, o sentimento de culpa, os tormentos: base indispensável para O eterno marido e Os irmãos Karamazov. Parecia mais um fanático monge esfarrapado, e a hemorragia na vida lôbrega e desequilibrada: um extravagante contraditório, um intolerante com a indecência de dizer a verdade, as matérias da alma, as confissões, a incontinência verbal. Ouvi-lo dizer: Quanto mais gosto da humanidade em geral, menos aprecio as pessoas em particular, como indivíduos... Às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão... A maior felicidade é quando a pessoa sabe por que é que é infeliz. Bem, com ele as inquietações: se Deus existe, não sei; só do amor entre todos! Um raio de Sol, a doença e a morte.

 


Seiscentos&sessenta&seis... – Só sei da vida e quando fui em Floresta pela primeira vez, nem era ainda o Eixo Leste da transposição do Velho Chico, vi na cabeça o navio e o dedo do poeta na única nuvem dos meus avós maternos que já se foram para nunca mais. Dez ou cinco anos atrás, nem lembro direito quando fui de novo e passeei pela margem direita do Pajeú, comendo tomate e melancia, ouvindo os lamentos dos praieiros que fugiam do meu rio no meio do sul da mata. Daquela nuvem eles riam porque eu estava noutra tarde da Pracinha do Diário e ali, o então profeta, começou a me dizer de pedra e de trivialidades por cima e por baixo doutras arestas e era como se eu para lá retornasse seiscentas e sessenta e seis milhões de vezes e soubesse da vidarte na caleidoscopia aplicada e o barulho da queda que vinha de lá do farol de Olinda e ficou como se dois olhos não lembrassem. Seiscentas e outras tantas vezes, meus avós no coração. Com isso tudo, então, segui a teia do Eclesiástico (Autor, 2021), o poemevangelho de Gentil Porto Filho: ... velozes de dia, lentos à noite / recordes de velocidade / recordes de luxúria / recordes de cochilo e insônia / vivendo para bater recordes / conforme as oportunidades / desrespeitando ciclos e estações / sem coordenadas xyt / casas de praia no campo / jangadas e cavalos a postos / horas e dias que passam / uma hora de dois dias / um dia de duas horas / ontem mesmo durou duas horas / hoje, dois dias / se eu fosse sincero, diria uma vida inteira etc... na última linha só me restava saudar o poeta e celebrá-lo desde o Livro Fechado, desdantes! A vida, apesar de tudo, o que nos cabe. Até mais ver.

 

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quinta-feira, março 07, 2013

GARAUDY, TOLSTOI, DELEUZE & GUATTARI, CLIFFORD GEERTZ, JAMES HUNTER, NEUROPSICOLOGIA, RESSOCIALIZAÇÃO & EDUCAÇÃO


O MONGE E O EXECUTIVO, DE JAMES HUNTER – Traçando uma linha articulada com o paradigma contemporâneo da administração, James C. Hunter, em seu livro “O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança”, aborda de forma clara, abalizada e envolvente uma série de conceitos e princípios reveladores para uma melhor apreensão do tema liderança na atual expressão organizacional, através da autoridade com amor, dedicação e sacrifício.
O autor, por ser um experimentado consultor de relações de trabalho e treinamento, é sempre solicitado como instrutor e palestrante, para abordar áreas atinentes à liderança funcional e organizacional. E a prova disso está na divisão dos sete capítulos, onde ele a partir de um prólogo vai se assentando metodicamente por meio de definições, avaliação do velho paradigma, análise do modelo, expressão do verbo, identificação do ambiente, até chegar na escola e na recompensa, arrematando tudo num epílogo assaz revelador. Para que isso ocorra, o autor faz uso de um personagem que se encontra num patamar do sucesso profissional, no entanto, mergulhado em conflitos, tanto profissionais, quanto familiar e em sua própria vida.
O protagonista vendo-se numa situação de certa estabilidade na vida, se vê diante de insatisfações que colocam em risco suas relações profissionais, familiares e na sua própria existência. Por essa razão, decide participar de um seminário numa instituição religiosa, onde se vê reunido com outras pessoas participantes, coordenados por um então frade que ganhara notoriedade e renome no mundo dos negócios. E tudo se passa como num retiro espiritual, onde todos são levados à reflexão para avaliar a prática de cada um mediante o formato ideal de condução da liderança na contemporaneidade.
As idéias da obra se articulam com as mudanças ocorridas no processo administrativo e organizacional, ocorridas nos últimos anos, onde a mutabilidade, a globalização, a emergência tecnológica e as necessidades de novos posicionamentos competitivos e concorrenciais, levam o complexo organizacional a assumir posturas flexíveis, orgânicas e participativas, dentro de um processo de horizontalização das relações para melhor eficiência e eficácia no atingimento de metas e objetivos empresariais.
No prólogo da obra, o autor localiza o protagonista que, apesar de se encontrar numa situação de estabilidade financeira, revela-se insatisfeito e num clima de conflito profissional e familiar, o que leva a ceder à sugestão de fazer um seminário para reciclar sua conduta perante subordinados, superiores, familiares e na própria vida.
No capítulo primeiro, evidencia-se o encontro do protagonista com demais participantes do seminário, tendo, por base, a discussão acerca da liderança por meio de avaliações acerca do poder e da autoridade sob o velho e o novo paradigma. Nesta parte, encontra-se o conceito de liderança a partir de que esta, conforme Hunter (2004, p. 25), é “(...) a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”. Tal conceito é enfrentado ao de poder, como força coativa, ao de autoridade, como habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade, sob o uso da influência pessoal, esta última a partir do entendimento de que deve funcionar a partir da honestidade, confiabilidade, bom exemplo, cuidado, compromisso, saber ouvir, conquistar a confiança dos outros, tratar respeitosamente a todos, encorajar mantendo uma atitude positiva gostando das pessoas, traçando-se, assim, o perfil ideal do líder.
No segundo capítulo, sob o título de “O velho paradigma”, observa-se de que forma há o confronto do formato tradicional com o modelo paradigmático adotado atualmente, reposicionando a conduta de foco no cliente, tendo em vista que este assume a importância máxima de toda organização. E, a partir desse reposicionamento, trata da hierarquia das necessidades humanas, propostas por Maslow, no sentido de que a observância dessas necessidades, levam a um melhor posicionamento ao atender visando a satisfação da clientela. Nessa condução, o terceiro capítulo se direciona para “O modelo”, quando se aborda a liderança a partir do conceito de autoridade, levada pelo serviço e sacrifício, amor e vontade, tudo visando uma relação harmoniosa entre o líder, os colaboradores, a direção e a clientela.
No quarto capítulo, “O verbo”, direciona a narrativa para uma abordagem acerca da liderança e autoridade, discutindo o amor e os seus sentidos adotados pela cultura grega, chegando-se a um perfil que passa pela honestidade, confiança, cuidado, comprometimento, interação, tratamento, incentivo e dedicação.
Já no quinto capítulo, entra uma abordagem acerca do “Ambiente”, trazendo a heterogeneidade de conflitos entre as relações e realizações internas da organização, considerando as posturas e modelos já abordados anteriormente, para uma atuação cônscia que seja capaz de decodificar a realidade interna com uma participação capaz de remodelar e renovação o ambiente organizacional.
No sexto capítulo, este trata “A escolha”, onde cada participante do seminário é levado a refletir sobre a realidade do universo organizacional, debatendo-se os estágios que vão desde o inconsciente sem habilidade, passando pelo consciente ainda sem habilidade, chegando ao consciente e habilidoso, até o inconsciente e habilidoso, onde fica claro que nas mudanças de comportamento, a persistência e a dedicação formam uma inconsciência que prepondera sobre os hábitos e costumes, revelando a naturalidade que se alcança na determinação de mudanças.  Isto quer dizer, que na mudança de relação do formato tradicional para a adequação contemporânea, a persistência e dedicação tornam naturais o que antes seria impossível de adoção.
No sétimo capítulo, vem “A recompensa”, onde o autor discorre da satisfação pela adoção de novas condutas na relação organizacional, profissional e familiar, considerando que a necessidade da mudança de hábito e comportamentos individuais, contribuem para a harmonização das relações e satisfação pessoal dos que se propõem a tal.
Por fim, no epílogo da obra, o autor mostra a satisfação do protagonista, bem como da dos participantes do seminário procedendo uma proposta de mudança dos comportamentos.
O que deixa de revelador em toda obra é, inicialmente, a necessidade de treinamento e capacitação das pessoas de forma contínua, qualificando cada vez mais o participante e antenando este às mudanças e emergências do presente. Uma outra reveladora proposta da obra está em rediscutir, a partir do paradigma tradicional, todas as posturas e comportamentos, para, nessa revisão, haver a possibilidade de adoção de atitudes, hábitos e comportamentos que sejam articulados com a horizontalização, com o respeito, a solidariedade, a alteridade e a satisfação individual e coletiva. O perfil traçado pelo autor traz uma articulação do indivíduo com o seu meio, na necessidade de agir cônscio de sua participação na coletividade, onde, de forma cônscia, possa criativa e inovadoramente possibilitar harmonia e compreensão num ambiente de contínuo conflito. Revelador em sua integral expressão, a obra traz em si, a grande mensagem de que o homem, a partir de si, da análise de sua própria formação, da avaliação de si e do meio em que divide sua existência, pode possibilitar harmonia e compreensão onde tudo pode parecer discórdia e conflito. Como o ambiente organizacional é turbulento por fatores externos e internos, precisa-se evidenciar a necessidade da consciência harmônica e compreensiva, para que se possa, eficiente e eficazmente, alcançar metas e objetivos.
FONTE: 
HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.


DITOS & DESDITOSO amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só. O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar. Cada um viveu tanto, quanto amou. Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. Na vida só há um modo de ser feliz: viver para os outros. O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal. O mal não pode vencer o mal. Só o bem pode fazê-lo. A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira. O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo. A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois. Pensamento do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Veja mais aqui.

MIL PLATÔS – [,,,] Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo "ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e..." Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio. [...]. Trechos extraídos da obra Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1, 34, 1995), do filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995) e do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui.

INTERPERTRAÇÃO DAS CULTURAS – [...] Não estamos cercados (é verdade, não estamos cercados) nem por marcianos, nem por edições humanas menos favorecidas que as nossas; uma proposição que faz sentido seja qual for a“nossa” origem –a de etnógrafos, juízes marroquinos, metafísicos javaneses ou dançarinos balineses.Ver-nos como os outros nos vêem pode ser bastante esclarecedor. Acreditar que outros possuem a mesma natureza que nós possuímos é o mínimo que se espera de uma pessoa decente. A larguesa de espírito, no entanto, sem a qual a objetividade é nada mais que autocongratulação, e a tolerância apenas hipocrisia, surge através de uma conquista muito mais difícil: a de ver-nos, entre outros, como apenas mais um exemplo da forma que a vida humana adotou em um determinado lugar, um caso entre casos, um mundo entre mundos. [...]. Trecho extraído da obra A interpretação das culturas (Zahar, 1978), do antropólogo estadunidense Clifford Geertz (1926-2006).

O AMOR - O amor é a prova da existência de outos e da existência deste mundo soberanamente real: o futuro que, sozinho, dá sentido ao presente. Amar um homem ou uma mulher é descobrir uma dimensão nova da vida, um novo e imprevisível futuro. O amor, como a prece, é para ser despertado, preparado para a oferenda, como aberto ao acolhimento. Este amor total não separa o corpo e a alma, que são apenas duas abstrações, dois ângulos de tomada de vista sobre uma realidade única. O amor começa quando preferimos o outro a nós mesmo, quando aceitamos a diferença e a sua imprescritível liberdade. Ser capaz de acolher no outro aquilo mesmo que desperta o ciúme animal, que é sinal de amor próprio e não de amor. Nada é maior que essa partilha da verdadeira personalidade de cada um. Um amor que não seja essa criação continuada de um pelo outro, mesmo ao preço dos dilaceramentos trágicos, é o contrário do amor. Quem não estiver preparado para enfrentar tudo isso não é digno do amor. A poesia e o amor são, com efeito, as formas mais imediatamente apreensíveis da transcendência do ser [...]. Trecho extraído da obra Palavra de homem (Difel, 1975), do filósofo francês Roger Garaudy (1913-2012). Veja mais aqui, aqui & aqui.


NEUROPSICOLOGIA – O livro Neuropsicologia hoje (Artmed, 2004), organizado por Vivian Maria Andrade, Flávia Hekoísa dos Santos e Orlando Francisco Amodeo Bueno, trata de conceitos gerais de neuropsicologia, aspectos instrumentais e metodológicos da avaliação, bases estruturais do sistema nervoso, inteligência, atenção, neurobiologia da atenção visual, funções executivas, memória e amnésia, neuropsicologia da linguagem, neuropsicologia do desenvolvimento, memória operacional e estratégias de memória, avaliação neuropsicológica infantil, reabilitação cognitiva-pediátrica, epilepsia, avaliação neuropsicológica em traumatismo e em lesão, aspectos cognitivos da esclerose múltipla, modelo de atendimento interdisciplinar em esclore múltipla, doença de Parkinson, aspectos neuropsicológicos associados ao uso de cocaína, envelhecimento e memória, avaliação e reabilitação neuropsicológica no idoso, redução da assimetria hemisférica em adultos velhos, o modelo Harold, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.

RESSOCIALIZAÇÃO PENAL – Tratar da temática da ressocialização penal em um trabalho acadêmico, requer inicialmente uma abordagem história e fundamentação conceitual acerca das penas, suas finalidades e os sistemas prisionais. Em seguida, abordar a fundamentação conceitual acerfca da ressocialização, destacando-se o direito dos presos. Por fim, será de bom alvitre a realização de um estudo de caso que envolva instituição prisional ou núcleo ressoalizador para se buscar a realidade encontrada. Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL – O livro Psicologia escolar e educacional: saúde e qualidade de vida (Alínea, 2008), organizado por Zilda Aparecida Pereira Del Prette, aborda temas como a teoria, a pesquisa e a pratica na interface psicologia-educação, saúde psicológica, sucesso escolar e eficácia da escola, desafios do novo milênio para a psicologia escolar, o psicólogo escolar e os impasses da educação, implicações das teorias na atuação profissional, a prática em questão, para além dos objetvos e prática tradicionais da escola, o desafio dos excluídos, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.


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quinta-feira, janeiro 10, 2008

BOCAGE, ÊXTASE, HENRY MILLER, TOLSTOI, OCTAVIO PAZ, OTFRIED HÖFFE & SCHOTEL


 
A arte do pintor holandês Antonie Pieter Schotel (1890-1958).

ÊXTASE - Singrei a vida e o mar no verde do seu olhar: sua imagem a me seduzir, tentando lhe encontrar por aí, onde insisto em não sonhar. Trazendo à flor do meu amor pagão, meu coração absorto deu de lhe amar com possessão, obsessão de se entregar. Tudo é tão difícil sem você aqui, ainda resta indícios do amor em mim. Está tudo fora quero o seu calor, não vá embora ainda não chegou a hora exata de querer partir. Eu dou de mim ainda o que puder, fazer da tarde o amor de uma mulher que se depara à noite a me seguir. Enfim quero o fascínio que invadiu, quero o domínio que bramiu da sua paixão que chega em mim, caçoa do fim e já não faz questão que o vento anuncie presságios dos naufrágios da minha solidão. Me dê a sua mão, que o mar recolha os olhos e refaça a fantasia da minha ilusão, quero ver-lhe então na canção, na sombra azul de um eterno blues. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.(Êxtase, Primeira Reunião – Bagaço, 1992). Poema para a música feita em parceria com Santanna O Cantador. Veja mais aqui e aqui.


DITOS & DESDITOSA chama é a parte mais sutil do fogo, e se eleva em figura piramidal. O fogo original e primordial, a sexualidade, levanta a chama vermelha do erotismo e esta, por sua vez, sustenta outra chama, azul e trêmula: a do amor. Pensamento do escritor e diplomata mexicano Octavio Paz (1914-1998). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: [...] Para definir mais corretamente a arte, faz-se mister renunciar a nela reconhecer apenas uma forma de prazer e considera-la antes como uma das condições essenciais da vida humana. Sob tal aspecto a arte se apresentará a nós, de imediato, com um meio de comunicação entre os homens. [...]. Trecho extraído da obra O que é a arte (Experimento, 1994), do escritor russo Liev Tolstoi (1828-1910). Veja mais aqui e aqui.

CIDADANIA – [...] Se nós somos primeiramente alemães, franceses, ou italianos e somente depois cidadãos da Europa, caberá às democracias da Europa decidi-lo nos próximos anos. Primeiramente somos uma das duas coisas, cidadãos do Estado ou da Europa, e secundariamente a outra, portanto, de forma escalonada, as duas coisas juntas, e, em terceiro lugar, somos cidadãos do mundo: cidadãos da república mundial subsidiária e federativa. [...]. Trecho extraído do estudo Visão república mundial – Democracia na era da globalização (Veritas, 2002), do professor e filósofo alemão Otfried Höffe. Veja mais aqui.

PESADELO REFRIGRADO - [...] Vamos parar de nos matar. A terra não é um antro, nem uma prisão. A terra é um paraíso, o único que jamais conheceremos. Temos de entender isso no momento em que abrimos os olhos. Não precisamos fazer dela um paraíso — ela é um paraíso. Só temos de nos capacitar para habitar nele. O homem com uma arma, o homem com o assassinato no coração, não é capaz de reconhecer o paraíso mesmo quando lhe é mostrado. [...]. Trecho extraído da obra Pesadelo refrigerado (Francis, 2006), do escritor estadunidense Henry Miller (1891-1980). Veja mais aqui.


BOCAGE: AQUELE QUE VIVEU INTENSAMENTE


O poeta português Manuel Maria Barbosa l´Hedois du Bocage (1765-1805) foi o maior representante do arcadismo lusitano. Teve uma vida atribulada apesar do mistério que paira sobre a sua biografia. Dele ficaram sonetos, sátiras e outros estilos poéticos que até hoje são recitados. No entanto, o que lhe valeu mais fama foram os seus versos venenosos. Exemplo disso, eis alguns deles sobre os médicos:


Uma terra dizem que há
Onde a fome acerba e dura
Cabo dos médicos dá.
Por que é isto? É porque lá
Pagam somente a quem cura.

Certo enfermo, homem sisudo,
Deixou por condescendência
Chamar um doutor, que tinha
Entre os mais a preferência.
Manda-lhe o fofo Esculápio
Que bote a lingua de fora,
E envia dez garatujas
À botica sem demora.
“Com isto (diz ao doente)
a sepultura lhe tapo”.
Replica o pobre a tremer:
“Aposto que não escapo”.

Para curar febres podres
Um doutor foi se chamar,
Que feitas as cerimônicas,
Começou a receitar.
A cada penada sua
O enfermo arrancava um ai.
“Não se assuste (diz Galeno)
que inda desta se não vai”.
“Ah, senhor! (torna o coitado,
como quem seu fado espreita.)
da moléstia não me assusto,
assusto-me da receita”.

A Morte foi sensual
Quando ainda era menina:
C´o pecado original
Teve cópula carnal
E pariu a Medicina”.

“Aqui jaz quem não jazera,
se jazesse a Mdicina”.

Doutra feita, também deixou das suas sobre mulher feia:


Da feia mulher Andrônio
Com zelos arde e rebenta;
Nisto o não julgo bolônio:
A mulher é um demônio,
Porém o demônio tenta.

Uma das suas mais famosas é a que se fala dos privilegiados narigudos:


Nariz, nariz e nariz,
nariz, que nunca se acaba;
nariz, que se ele desaba,
fará o mundo infeliz;
nariz que Newton não quis
descrever-lhe a diagonal;
nariz de massa infernal,
que, se o calculo não erra,
posto entre o Sol e a Terra
faria eclipse total!

Também aos idiotas e tolos, deixou a uma máxima que vale ser registrada:


(..) Os tolos só dizem
o que ouvem dizer
.

E no final de um dos seus sonetos eróticos, “Soneto de todas as putas”, ele dá um conselho final à mulher:

Todas no mundo dão a sua greta:
não fique pois, oh Nise, duvidosa,
que isto de virgo e honra é tudo peta
”.

Por fim, trago aqui a sua própria auto-crítica e o seu epitáfio:


Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida fidalga, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte de Ísis Nefelibata.
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Paz na Terra
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...