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sexta-feira, novembro 13, 2020

DAMON GALGUT, ANNICK DE SOUZENELLE, SUSAN BROWNELL ANTHONY, MELANIE DIENER, ARNULF RAINER, REYNALDO FONSECA & TRANSIÇÃO LISTRADA

 

TRÍPTICO DQC: A CIDADE É SUA CASA – Vier letzte Lieder: September (As Quatro Últimas Canções, 1948), do compositor e maestro alemão Richard Strauss, em parceria com Hermann Hesse: O jardim está de luto. / A chuva cai fria sobre as flores. / O verão estremece em silêncio, / aguardando o seu fim. / Douradas, folha após folha caem / do alto pé de acácia. / O verão sorri, surpreso e lânguido, / no sonho moribundo do jardim. / Muito tempo ainda junto às rosas / ele se detém, aspirando ao repouso. / Lentamente ele fecha / seus olhos cansados. Interpretação da soprano operística alemã Melanie Diener, Konzert zum Neuen Jahr 2006 aus dem Festspielhaus Baden-Baden. SWR- Sinfonieorchester Baden-Baden und Freiburg. Leitender Dirigent Sylvain Cambreling. -- De um lado, o ascendente dado íngreme de casos com mortos e infectados pela pandemia; e de outro, o alvoroço eleitoral e do consumo, indiferente ao risco de contaminação. Além do mais, A praga do voto vendido grassa, o Voto Moral já escasso sucumbe aos fanatismos religiosos e às supremacias caprichosas dos estibados prepotentes. Diante da minha perplexidade, surgiu ao meu lado Susan Brownell Anthony: Quando um homem me diz: “Vamos trabalhar juntos na grande causa que você empreendeu, e deixe-me ser seu companheiro e auxiliar, pois a admiro mais do que jamais admirei qualquer outra mulher”, então direi: “Eu sou sinceramente”; mas ele deve me pedir para ser seu igual, não seu escravo. Eu oro a cada momento da minha vida; não de joelhos, mas com meu trabalho. Minha oração é para elevar as mulheres à igualdade com os homens. Trabalho e adoração são um comigo. A verdadeira república: os homens, os seus direitos e nada mais: as mulheres, os seus direitos e nada menos. Independência é felicidade. Mais diria não fosse sua indignação com um enfrentamento machista e homofóbico na esquina. Inacreditável como o desrespeito gratuito é tão comum às relações humanas, não se emendam. Eis que Michael Ende me surpreende: Pessoas sem esperança são fáceis de controlar. Há muitas coisas que não se aprendem só pensando, é preciso vivê-las. Ao seu lado Robert Musil asseverou: Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. Fechando a roda, Robert Louis Stevenson pigarreou: Não peço riquezas nem esperanças, nem amor, nem um amigo que me compreenda. Tudo o que eu peço é um céu sobre mim e um caminho a meus pés. Diante do estranhamento dos demais com a sua fala, ele arrematou: A época mais obscura é hoje. A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação. Ah, tá. Realmente, entre o monstro e o médico, quem escapa se a multidão é sempre pelo cômodo atalho e, se possível, de mão beijada, iniciativa alguma que dê trabalho, ora. Ninguém leva em conta que a cidade é sua casa, a qualquer um a concessão de governá-la.

 


DA NOITE & O ESPETÁCULO DA VIDA - Imagem: Carimbagem – Base (2004), performance de Luana Veiga e Ticiano Monteiro no ateliê do grupo Transição Listrada. - Deixei os convidados soltarem suas tiradas e fui tomar ar no janelão. Percebi a chegada dela, ar enigmático e som do balanço do gelo no drinque à mão, olhar perdido no horizonte anoitecido. Reticente, ela citou Damon Galgut: No final você fica sempre mais atormentado pelo que não fez do que pelo que fez, ações já realizadas sempre podem ser racionalizadas com o tempo, o ato negligenciado pode ter mudado o mundo. Vi-a insegura, transpirando certo nervosismo contido. Tomou um gole e deu-me o copo, saiu sem se despedir. Tomei um gole e logo ela voltava e se despia, sentando-se no chão e começando a carimbá-lo. Era como se sentisse o corpo no ritmo da contagem aos lábios e bem baixinho... Cento e noventa e um, cento e noventa e dois, cento e noventa e três... Acompanhando o seu ritmo pelas paredes e teto, fui me despindo e me deitei na trilha que ela havia feito no assoalho, sem me mover. Ela e a contagem, uma a uma, até deixar o quarto repleto e carimbar-se por inteiro e depois por toda minha pele... Três mil setecentos e vinte e quatro... Percebi que estava exausta, mais de três horas na sua empreitada... Suava, cansada, recarimbando tudo, a ela e a mim, até deitar-se colada ao meu corpo, completamente extenuada.

 


TUDO É DELA - Imagem: arte do artista austríaco Arnulf Rainer. Ao som da Sonata Fantasy nº 2 Op 19, de Scriabin, com Valentina Lisitsa. – Abandonados ali por longo tempo, ela me disse que se sentia como o dia em que leu O simbolismo do corpo humano: da árvore da vida ao esquema corporal (Pensamento, 1984), da escritora francesa Annick de Souzenelle e mencionou um trecho: O verbo hebraico conhecer é aquele que Moisés empregava para se referir ao conhecimento que o homem faz da mulher. O conhecimento é um casamento, uma união entre o a ser conhecido e o conhecedor. O conhecimento é amor. Virou-se pro meu lado e me abraçou com um beijo profundamente ardente. Senti sua carne estremecer sobre a minha e comungamos o prazer de um ósculo transcendental que me completava, eletrizando todo o meu corpo. E depois ela rolou e já eu sobre ela acomodando-se para que eu a possuísse completamente a se ajeitar por inteiro em mim e eu nela, o prazer extremo. Alcançamos o ápice do orgasmo e a nos beijar insaciavelmente. Foi então que ela me disse: Sabia que eu amo essa nossa liberdade? Hum, hum! E recitou Manoel de Barros: Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras - liberdade caça jeito. Sou livre para o silêncio das formas e das cores. E nos beijamos para amar até que os dias e as noites se confundissem e nos dessem uma noção do que é a eternidade. Até mais ver.

 

REYNALDO FONSECA

Faço desenhos pequenos – mas na proporção – e, depois, levo para a tela.

A arte do muralista e ilustrador Reynaldo Fonseca (1925-2019), foi professor catedrático de desenho artístico na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e um dos fundadores da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR), associação que propunha a ruptura com o sistema acadêmico de ensino. Veja mais aqui e aqui.


 

 


quinta-feira, setembro 28, 2017

STEVENSON, GOELDI, CELSO FURTADO, TENSHIN TANOUYE ROSHI, EDUCAÇÃO AMBIENTAL, J. BORGES, BÓRIS TRINDADE & AMARO MATIAS

QUEM ANDA DE NOITE QUE VÊ MUITA COISA, TAMBÉM CALA A BOCA – Imagem: arte do desenhista, ilustrador, gravador, químico e professor Oswaldo Goeldi (1895-1961). - Um dia lá, não sei quando, apareceu em Alagoinhanduba o afoito sargento Satanás que, mal chegando à delegacia da cidade, mostrou logo ao que veio. No primeiro plantão não deu moleza: recolheu uma ruma de bêbados, desocupados, suspeitos e abestalhados que marcavam bobeira depois das dez badaladas noturnas. E agora tem toque de recolher é? Tem sim, senhor! Agora é a minha lei! Foi o maior escarcéu, a cidade em peso não pregou os olhos, amanhecendo todo mundo de ressaca. Expediente vinte e quatro horas no ar, o último interrogado findou quase meio dia, ao final ele encarou a multidão: - De agora em diante, aqui é direto que nem cantiga de grilo! Quero ver meliante, desocupado ou quem quer que seja que tenha o topete de não respeitar minhas ordens. Agora é pra valer! Podem dizer aos quatro cantos que agora a cidade está sob as ordens do sargento Satanás! E chispem todos daqui que quero descansar um pouco para manter a ronda! Não deu nem meia hora, ele já estava de casa em casa perguntando por crimes dos matagais, do canavial, de vinte anos passados. Oxe! Quem mais se lembra? Comigo não tem prescrição penal, matou, roubou ou cometeu qualquer delito, pode ser de duzentos anos atrás, eu pego e prendo! Esse homem é a gota! Vixe! Ele não dorme, é cada boticão de olho, parece mesmo o tinhoso de tão aceso que é! Mas num é que é mesmo! Será que ele tem partes mesmo com o desnaturado? Sei não, sei que ele está falando pelas casas que visita de crimes de não sei de onde, outros do tempo do ronca, vôte! Dizem que é porque está sabendo que a cidade é calma, mas nos canaviais, nos arredores, nos ermos distantes, todo dia aparece presunto. Tem mais: ele disse que vai descobrir o que é que está acontecendo por aqui. Ué, mas aqui não morre gente nem de morte matada, nem de morte morrida, faz tempos! O coveiro já desapareceu porque não se enterra gente de jeito nenhum há muitos anos. Pois é. Você aí, que é que você sabe sobre aquele corpo que apareceu ontem no canavial? Não sei, não vi, sei de nada não! E você? Oxe, sargento, nem sabia que tinha defunto no canavial, ora! Vocês estão de bico calado, estou só brechando a conduta de vocês, está todo mundo suspeito. Tenho certeza que tem um monte de gente envolvida! Minha cisma não me deixa enganar, vou investigar a fundo e ai de quem estiver implicado! E todo dia ele partia da entrada à saída da cidade, prendendo quem fosse encontrado no meio da rua depois das dez da noite. Gente que largava do turno da usina, enfermeira, vigia, prostituta, gigolô, cafetão, quem saía da sessão de cinema ou largava da escola, duzentas voltas do camburão e gente como a praga no interrogatório até depois do dia amanhecer. Uma semana se passaram e ele não conseguiu avançar um passo nas investigações. Até o dia em que um bêbado linguarudo delatou: sargento, o senhor tem que investigar é nas cidades vizinhas, na rodovia, por aí, não é aqui não. Bastou isso e o cabra teve que se explicar, como estava completamente embrigadíssimo, no primeiro aperto, arriou no ronco. A autoridade não deixou por menos e carregou o camburão, foi pra rodovia inquirir o primeiro que passasse: sei de nada não, estou indo pra casa. Uma hora dessas? Seu polícia, larguei agora. Está sabendo de defunto no canavial? Seu polícia, saber, não sei não, mas sei que quem dá com a língua nos dentes já tem missa de sétimo dia encomendada. Como é? Ah, aqui falou, no outro dia aparece com a boca cheia de formiga! E é? É, sim senhor. Pois você está detido para maiores esclarecimentos! Ei, ei! Sim? E você? Eu o quê? O que é que está fazendo por aqui uma hora dessa, hem? Ah, nem sei o que estou fazendo aqui! Preso! Mas, sargento! Preso sob suspeita! Leva! E saiu vasculhando tudo até topar um estranho que não abriu o bico nem com aperto, nem com cano de revólver no toitiço. Esse é teimoso, encarca mais! Aperta mesmo! Um que ia passando e foi interpelado, explicou: ele é surdo-mudo. Ah, tá. E você? Estou indo pegar ficha no posto de saúde. Oxe, a essa hora? As fichas são distribuídas a partir das três da manhã. Está sabendo dos crimes no canavial? Olhe, seu polícia, saber, eu até soube sim, mas tem um ditado que diz: quem anda de noite e vê muita coisa, também cala a boca. Preso para averiguação! Assim era todo dia, maior trupé! Prendia trocentos de noite, tudo solto lá pelo meio dia. E nada de apuração nenhuma, nenhum inquérito instaurado. E pra valer, os esquifes eram encontrados em terras de outros municípios, não de Alagoinhanduba. Mas ele não arredou pé, de mutuca dia e noite. Até ser surpreendido: quem é? Sargento! Quem é? Ele olhou do lado e não viu ninguém. Quem é? Apareça disgramado! Seja home, mostre a cara, cabra safado! Sargento, aprenda: quem anda de noite que vê muita coisa, também cala a boca. E ninguém nunca mais viu o sargento. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o cantor, compositor e miltiinstrumentista Beto Guedes ao vivo + o álbum Contos da lua vaga + Todo azul do mar com Roupa Nova; a pianista Miriam Ramos interpretando Retrata de Ricardo Tacuchian + Grande Valsa Brilhante & Fantasia de Chopin; o violonista Álvaro Henrique com a Suíte Candanga, Preludes de Villa-Lobos e a Grand Overture de Mauro Giuliani; e a cantora e compositora Cris Braun cantando músicas do seu álbum Cuidado com as pessoas como eu. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAA dor não está piorando; sua capacidade de suportá-la é que está diminuindo. Você precisa aprender a empurrar a rocha para onde ela quer ir. Pensamento do mestre zen Tenshin Tanouye Roshi (1938-2003).

PROJETO BRASIL - [...] a natureza, o alcance e os riscos da chamada política de integração latino-americana poderão ser colocado sob nova luz. O mesmo pode-se dizer com respeito à controvérsia em torno do papel do Estado no desenvolvimento. Como a eliminação do desenvolvimento à base de um projeto nacional não seria compatível com a preservação da identidade cultural, não é demais afirmar que política de desenvolvimento e luta pela preservação da personalidade nacional tenderão a confundir-se em nosso país. Trecho extraído da obra Um projeto para o Brasil (Saga, 1968), do economista brasileiro Celso Furtado (1920-2004). Veja mais aqui.

MEIO AMBIENTE & EDUCAÇÃO - [...] os trabalhos sobre poluição e preservação ambiental surgiram com freqüência cada vez mais crescente. A maioria diz respeito ao desaparecimento de espécies vegetais e animais, à devastação de florestas, à inadequação do uso do solo, ao uso de ecossistemas hídricos com depósitos de resíduos industriais e, sobretudo, à solicitação desregrada de recursos naturais pela indústria. Seus resultados preconizam dois pontos básicos: a preservação da natureza e o combate à poluição. O crescimento populacional e o tipo de desenvolvimento econômico têm sido apontados como causas básicas do desequilíbrio ecológico. [...] partindo do princípio de que a educação pode ser usada como instrumento para reforçar a integração do homem com o ambiente, discute-se e questiona-se seu papel naquela comunidade. [...] é possível cogitar-se de uma prática educativa integrada à realidade e, portanto, a serviço do bem-estar humano. [...] Na prática significa que a educação, vista como instrumento das relações sociais, inculca paradoxalmente um efeito conscientizador, libertador, propiciando condições para um papel reformista. E, pois, neste contexto de relacionamento dialético que se situa o espaço onde a consciência ecológica emerge, postulado a defesa ambiental para sobrevivência do homem e da sociedade. Trechos extraídos do livro Ecologia humana: realidade e pesquisa (Vozes, 1984), da professora, bióloga e pesquisadora Maria José Araújo Lima. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DIREITO SEM DIREITOO palácio do governo, seguramente, não era o meu lugar. Ali estava eu, indicado pelo advogado José David Gil Rodrigues, ao então governador Paulo Guerra. Quando cheguei em casa, vários recados me aguardavam, depois de exaustiva caminha por algumas cidades do interior. E o convite estava aceito. Abril de 1964. Abril de 1964: senti que ali não era o meu lugar. Um dia, o poeta Edson Régis, então secretario do governo, me pediu para defender dois presos políticos, um dos quais, Maria Celeste Vidal, militante das Ligas Camponesas, organização onde atuei como advogado, durante muito tempo, chamado que fui por Francisco Julião. Foi a minha primeira causa política. Com ela, o motivo decisivo para que deixasse o Palácio do Campo das Princesas. Também começava ali a ser gerada a ideia de como se desenvolviam os processos juridic0-militares. Conselho composto de oficiais do Exército. Iniciada a audiência, interrogados os réus do processo – como determinava o então Código de Justiça Militar – arguí a incompetência da Justiça Castrense sob alegação de que não se tratava de crime militar, coisas assim. – Portanto, esse Conselho é incompetente. Nem bem terminei, e o seu presente, aborrecido: - Incompetente é V. Excia. O pedido do poeta e o início de tudo, recolhido da obra Alvará de soltura, meu amor (Recife, 1983), do advogado e produtor teatral Bóris Trindade.

O MÉDICO E O MONSTRO – [...] O espelho não me deteve mais que um instante. [...] Faltava verificar se eu perdera minha identidade sem possibilidade de volta, tendo que deixar aquela casa, que já não me pertencia, antes de amanhecer. Voltei correndo para meu escritório e novamente preparei e bebi a poção; mais uma vez, sofri as dores da dissolução e, mais uma vez, voltei a mim com o caráter, a estrutura e o rosto de Henry Jekyll. [...]. Trecho extraído da obra O médico e o monstro (Saraiva, 1960), do escritor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894).

DICIONÁRIO DOS SONHOS
(fragmentos)
Comprava uma rapadura
E um pão no meio da feira
Era lanche no caminho
Para subir a ladeira
Da velha Serra do Sapato
Que dava muita canseira
[...]
No bolso eu já levava
Um folheito do Pavão
Comprado a João de Lima
Por pouco mais de um tostão
Que ao chegar em casa
Era a minha diversão
[...].
Trechos do poema O cordelista por ele mesmo, extraído da obra Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel (L&PM, 2003), do poeta e xilogravurista J. Borges. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Liberdade de expressão aqui.
A entrevista de Beto Guedes aqui e aqui.
A pianista Miriam Ramos aqui.
O violonista Álvaro Henrique aqui.
A arte de Cris Braun aqui e aqui.
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Livros Infantis do Nitolino aqui.
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TERRA DOS PALMARES
Pérola do Una
Menina faceira
Ambiente das letras
Tens sempre tu’alma em festas
Desenvolvida
És tão querida
Como terra dos poetas.
Teu Clube Literário
Abrigo de gente de cultura
Silva Jardim, Zé Mariano
E o nosso Joaquim Nabuco
Grandes líderes
Do ditoso torrão
De nosso Pernambuco.
Parte dos Quilombos
Começo de tua história
Que teus filhos te amem
Estudando, pesquisando
E trabalhando vençam,
Escrevendo, vivificando
No apanágio da glória.
Eia, Palmares, em frente!
Poema extraído da obra Das musas de ontem e hoje (Recife, 1985), do poeta, professor e pesquisador Amaro Matias Silva (1922-2002), autor da obra Dos Palmares – extensão, lutas e fatos (Bagaço/Fundação de Hermilo, 1988). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

segunda-feira, julho 21, 2008

STEVENSON, WOODY ALLEN, ROGERS, CLIFFORD GEERTZ, EDUCAÇÃO, VOYEURISMO & ZÉ BILOLA



DITOS & DESDITOSQue mundo! Poderia ser maravilhoso se não fossem as pessoas. Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher. O homem explora o homem e por vezes é o contrário. Os seres humanos são divididos em mente e corpo. A mente abraça todas as nossas aspirações nobres, como a poesia e a filosofia, mas o corpo é que tem todo o divertimento. Você pode viver até os cem anos se abandonar todas as coisas que fazem com que você queira viver até os cem anos. Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido. Talvez os poetas estejam certos. Talvez o amor seja a única resposta. Interessa-me o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto de minha vida. A liberdade é o oxigênio da alma. Não quero atingir a imortalidade com meu trabalho, mas sim não morrendo. Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer. O meu único arrependimento na vida é de não ser outra pessoa. Pensamento do cineasta estadunidense Woody Allen. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: A época mais obscura é hoje. A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação. Temos tanta pressa de fazer algo, escrever, amontoar bens e deixar ouvir a nossa voz no silêncio enganador da eternidade que esquecemos a única coisa em relação à qual as outras não são mais do que meras partes: viver. Devoção perpétua ao que o homem chama de seu negócio, somente é mantida pela perpétua negligência de muitas outras coisas. Todas as pessoas que chegaram onde estão tiveram que começar por onde estavam. Guarde seus medos para si mesmo; com os outros, compartilhe a coragem. Se os teus princípios morais te deixam triste, podes estar certo de que estão errados. Não julgue cada dia pela colheita que você obtém, mas pelas sementes que você planta. As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio. Um objetivo na vida é a única fortuna valiosa que se encontra; não se deve procurá-lo em terras estranhas, mas dentro do coração. Nenhuma oração é em vão; o pedido pode ser recusado, mas acredito que quem o fez sempre será recompensado com uma graça. O homem que venceu na vida é aquele que viveu bem, riu muitas vezes e amou muito. A marca de uma boa ação é que, retrospectivamente, parece inevitável. Nenhum homem é inútil enquanto ele tem um amigo. Os amigos são presentes que damos a nós mesmos. Ter muitas aspirações é ser espiritualmente rico. Não há dever que subestimemos mais do que o dever de ser feliz. Sermos o que somos e tornar-nos o que somos capazes de ser é a única finalidade da vida. Pensamento do escritor humanista escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894). Veja mais aqui.


INTERPRETAÇÃO DAS CULTURAS – [...] Não estamos cercados (é verdade, não estamos cercados) nem por marcianos, nem por edições humanas menos favorecidas que as nossas; uma proposição que faz sentido seja qual for a“nossa” origem –a de etnógrafos, juízes marroquinos, metafísicos javaneses ou dançarinos balineses.Ver-nos como os outros nos vêem pode ser bastante esclarecedor. Acreditar que outros possuem a mesma natureza que nós possuímos é o mínimo que se espera de uma pessoa decente. A larguesa de espírito, no entanto, sem a qual a objetividade é nada mais que autocongratulação, e a tolerância apenas hipocrisia, surge através de uma conquista muito mais difícil: a de ver-nos, entre outros, como apenas mais um exemplo da forma que a vida humana adotou em um determinado lugar, um caso entre casos, um mundo entre mundos. [...]. Trecho extraído da obra A interpretação das culturas (Zahar, 1978), do antropólogo e professor estadunidense Clifford Geertz. Veja mais aqui.


RACIONALIDADE HUMANA - [...] Sinto pouca simpatia pela ideia bastante generalizada de que o homem é fundamentalmente irracional e que os seus impulsos, quando não controlados, levam à destruição de si e dos outros. O comportamento humano é extremamente racional, evoluindo com uma complexidade sutil e ordenada para os objetivos que o seu organismo se esforça por atingir. A tragédia, para muitos de nós, deriva do fato de as nossas defesas nos impedirem de surpreender essa racionalidade, de modo que estamos conscientemente a caminhar numa direção, quando organicamente seguimos outra. [...]. Trecho extraído da obra Liberdade para aprender (Interlivros, 1973), do psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & POLÍTICA - A educação é política. [...] No espírito dos fundadores da escola laica, laicidade não significa, portanto, neutralidade política. A escola laica se quer fundamentalmente republicana, em oposição às opções monárquicas da escola católica. Ela associa o engajamento republicano à recusa de toda intervenção nas querelas partidárias e eleitorais. Reivindicar a laicidade para apresentar a neutralidade política como fundamento da escola é esquecer a origem dessa escola. Ela só é neutra no quadro de uma concordância prévia a respeito de sua vocação republicana. [...] Tudo é política, pois a política constitui uma certa forma de totalização do conjunto das experiências vividas numa sociedade determinada. Eleições, uma greve, a aposta em corrida de cavalos, a seca, um jogo de futebol, uma bofetada, etc., todos esses acontecimentos tem uma significação política. [...] A saturação em política e as modalidades de politização, apesar de todos, direta ou indiretamente, terem implicações políticas. Não basta portanto afirmar que a educação é política. O verdadeiro problema é saber em que ela é política. [...]. Trechos extraídos da obra A mistificação pedagógica: realidades sociais e processos ideológicos na teoria da educação (Guanabara, 1986), do professor e filósofo da educação francês Bernard Charlot.

VOYEURISMO – Voyeurismo é o gesto de alguém excitar-se e sentir prazer em observar a nudez ou vislumbrar partes íntimas de outras pessoas. Trata-se de uma excitação natural para o voyeur, pela compulsão de sempre estar buscando olhar ou descobrir formas de ver um pouco da intimidade do corpo do outro. É uma fixação nesta prática, na qual perde o controle, programa-se para observar cenas sexuais e estar sempre se esforçando nesse sentido. O olhar pode ser discreto, escondido ou aberto, sem preocupar-se com que seu alvo esteja percebendo. A atração excessiva em olhar pode ser por fotografias, filmes, utilizando lentes para observação a distância, ou diretamente a olho nu, concentrando o olhar para determinadas partes do corpo, para a própria nudez ou atos sexuais. A ansiedade para olhar pode vir associada à pratica de masturbação. O adolescente de modo natural passa pela fase de sentir prazer em olhar cenas sexuais ou de nudez, porém é uma fase passageira que não caracteriza voyeurismo.

ZÉ BILOLA ACENDE O FACHO & TOMA NA TARRAQUETA
Com a tuia de cassações – a Justiça tarda, se vende, rasteja, queima o filme, mas num falha – e a eleição duma vereadora de Anadia, em Alagoas, com apenas 1 voto, oxente, o Zé Bilola tomou ânimo na campanha e agora engole uma corda da porra! Abriu o zoadeiro da campanha política e ele agora faz comício relâmpago em tudo que é canto, encampando as idéias do candidato Doro e das orientações insofismáveis do Padre Bidião.
Desta feita, Zé Bilola achou de arrotar imbróglios despauterados sacudidos ao léu, quando arreou a lenha num tanto de coisas que ao mesmo tempo elogiava, dando curvas na idéia dos 3 gatos pingados que escutavam sua loucura ideológica, quando achou por bem de nem sei quem, meter o bedelho inflamado num agiotão poderoso que andava querendo ser candidato a prefeito. Não deu outra. Uns 3 mal-encarados suspenderam suas vociferações, carregado o maluvido pelos cós da calça, pelas orelhas e pentelhos, até dar numa viela escura e malsinada.
Foi lá que os 3 parrudos arrearam as calças e mandaram que ele ficasse de 4.
Õxe, Zé esperneou, jurou por todos os santos a sua homência e que não abria o catimbofá dele para seu ninguém. Vixe!
Como ele não ia por bem, foi por mal. Os caras pegaram-no, botaram ele de cabeça pra baixo e arrancaram as calças dele. Quando estavam removendo a cueca encardida, subiu um fedor de bosta inaguentável.
- Eita cu fedorento!
Os recalcitrantes taparam as ventas e perguntaram o que era aquilo:
- A-rá! Ninguém come meu quiba não, viu? Eu nem lavo direito já me prevenindo disso! Sou macho e num abro pra seu ninguém. Quero ver quem tem coragem de encarar meu cu catingoso. Duvido!
Aí, os caras resolveram encarar a fedorência do intrépido assim mesmo: na marra. E quando foi na hora de enfiar a arupema da rudia no oiti-goroba dele, o cabra afrouxou-se todo e soltou um peido antigo daqueles de décadas passadas, a ponto de incensar tudo uns 4 quarteirões de dimensão. Vôte! Resultado: caíram desmaiados. Zé Bilola então se aproveitou e partiu com mais de mil e as calças nas mãos.

CURRICULUM PODRE: MAIOR FICHA SUJA!!!!!
Gente, essa eu não entendo não. Estão falando aí que andam cassando um bocado de político. Verdade. Os puladores de cerca, os traidores, os caboetas e os trambiqueiros, esses tomaram no papeiro e estão a ver navios. Mas num tô sabendo de nenhuma cassação por ficha suja. Alguém já viu? Além do mais, tô vendo candidato aí que tem uns 10 mil quilômetros de curriculum podre devendo até a alma à justiça e anda na maior gritando suas sandices nos carros-de-som e comícios sacais por ai. Pode? Vixe! Onde é que anda a justiça, hem?



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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: a arte do pintor e artista gráfico britânico Allen Jones.
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Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...