quarta-feira, novembro 26, 2008

DEBI GLIORI, MICHAEL ENDE, BARTHES, BRUNO TOLENTINO, NESGA, EDUCAÇÃO SEXUAL & GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA


NESGA – O mundo, coração, sentimentos esborram sonhos, canções não se calam, mesmo entre arranhões e brigas, é a vida. Ruazinha ali da beira, passeio na praça, mesmo do amor há esperança se viceja, mesmo quando tudo se estanca e consterna, entorna e muito se incompreensões acontecem. Quando há brio o fato é muito, alavancas revolvem túmulos, invólucros dessacralizados, dilemas, infrações, vilezas, quantas injustiças e covardia, talhos e feridas. É fácil ver-se sucumbindo às convenções: sombras, trevas, consternação, nunca é tarde para mudar. Pior é ver-se perdido. O coração e o mundo, o indizível e o indivisível, a vida nasce, a luz e o amor, é a vida. Quando vem o ermo, leva tempo angústias, quantas guerras e dessemelhanças, alfinetes que lambem os olhos, canhões imensos em tantas bocas, punhais nas almas, caminhos por arame farpado, uma guerra inteira em cada peito. O que será da nova era, cordeiro pastando oito horas e depois orar para sabe-se lá quem entre gemidos, desejos perdidos, nenhum lance de gol, zoada nas faixas de rádio, sirenes e buzinas, discursos como algaravias que saem do planalto central de forma alheia aos desacolhidos. Sonhar para reflorir é possível, tudo pode ser feito, alguma coisa para fazer e quando menos se espera, tudo pode acontecer. É a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS – A linguagem é como uma pele: com ela eu entro em contato com os outros. Toda a recusa duma linguagem é uma morte. O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer. Toda a lei que oprime um discurso esta insuficientemente fundamentada. Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo. A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa. A literatura não permite caminhar, mas permite respirar. Pensamento do escritor, sociólogo, filósofo, semiólogo e crítico literário francês, Roland Barthes (1915-1980). Veja mais aqui, aqui & aqui.

ALGUÉM FALOU: Existe um mistério muito grande que, no entanto, faz parte do dia-a-dia. Todos os seres humanos participam dele, embora muito poucos reflitam sobre ele. A maioria simplesmente o aceita, sem mais indagações. Esse mistério é o tempo. Existem calendários e relógios que o medem, mas significam pouco, ou mesmo nada, porque todos nós sabemos que uma hora às vezes parece uma eternidade e, outras vezes, passa como um relâmpago, dependendo do que acontece nessa hora. Tempo é vida. E a vida mora no coração. Pensamento do escritor e antropólogo alemão Michael Ende (1929-1995).

ACONTEÇA O QUE ACONTECER – [...] Pequeno perguntou: – Mas, quando tivermos morrido e partido, você continuará me amando, o amor continua? Grande abraçou Pequeno carinhosamente enquanto contemplavam a noite, a lua na escuridão e as estrelas brilhantes. – Pequeno, olhe as estrelas, como brilham: algumas já morreram faz tempo. Mas elas continuam brilhando no céu noturno, para você ver, Pequeno, que o amor, como a luz das estrelas, nunca morre... [...]. Trecho extraído da obra No matter what (Bloomsnury, 2005), da escritora e ilustradora escocesa Debi Gliori.

CELEBRAR ESTE MUNDO - Celebrar este mundo adivinhando / a incurável leveza, a inabalável / certeza do esplendor interminável / da luz de Deus, aurora ruminando / para sempre a quietude do imutável. / Somos reflexos dessa luz, um bando / de flamingos ardendo, misturando- / se ao sol nascente, ao inimaginável / incêndio indescritível, todo asas, / todo luz… Somos feitos como brasas / abrindo o voo, somos como o voo / dos flamingos em brasa ao oriente… / E nunca há de apagar-se aquele ardente / sol perfeito que neles se espelhou. Poema do poeta Bruno Tolentino (1940-2007). Veja mais aqui.



EDUCAÇÃO SEXUAL & GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA – Nos dias atuais, quando os jovens iniciam a sexualidade tão precocemente, desavisados dos altos riscos que poderão advir, nada mais sensato do que se lhes prestar toda a gama de informações a respeito. Isto porque o aumento progressivo de gravidez de adolescentes e o grande avanço das doenças sexualmente transmissíveis estão a exigir urgentes providências, para que os alunos estejam perfeitamente informados. Mediante tais fatos, é importante que a escola esteja pronta para ministrar, instruir e, consequentemente, formar jovens, principalmente aos alunos do Ensino Fundamental, cuja idade varia de sete aos quatorze anos, quando seus interesses começam a voltar-se para a sexualidade. Principalmente depois da edição da Lei 9.394/96, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, onde a educação passa a abranger os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. A partir da citada lei, vieram os parâmetros curriculares nacionais e, com ele, a adoção da orientação sexual como tema transversal, perpassando toda as disciplinas do ensino fundamental, visando uma globalização curricular. Com isso que se evidencia o presente estudo de pesquisa pautado na temática "Educação sexual & gravidez na adolescência no contexto do ensino fundamental", no sentido observar os princípios da LDB, a normatização estabelecida nos PCN´s, a transversalização da orientação sexual, a aprendizagem e a formação do aluno do ensino fundamental mediante tal temática.
A ADOLESCÊNCIA - A adolescência é um período de mudanças orgânicas e psicológicas e, ao mesmo tempo, um momento de descobertas, dentro e fora de si próprio. E pelo fato de que o  adolescente vive em busca de conhecimentos, principalmente em relação à sexualidade com questionamentos que com certeza geraria uma lista imensa. Tendo em vista as inquietações que assolam o adolescente, é necessário que se enfoque os mais diversos temas que envolvem a sexualidade, no sentido de proporcionar uma verdadeira e eficiente orientação sexual. Por outro lado, a gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias.  Por esta razão, que o presente se justifica, pelo o entendimento de que a sexualidade surge em todas as idades, pela necessidade de se responder às dúvidas diretamente sobre o assunto, incluindo temas sobre educação sexual e cabendo ao educador desenvolver uma ação crítica e reflexiva sobre o assunto. Justifica-se mais porque a orientação sexual no tocante à gravidez na adolescência deve contribuir para que os alunos exerçam sua sexualidade com prazer e responsabilidade, exercitando a cidadania, respeitando a si e aos outros, garantindo direitos básicos como a saúde, informação e conhecimento.
EDUCAÇÃO E GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - Tem sido tarefa difícil explicar a causa de existir tantas adolescentes grávidas, e seu crescente número a cada ano. De um lado, alguns profissionais apontam para a falta de informação, de outro, a questão centra-se numa busca pela identidade por parte dos adolescentes. Cabe o estudo e a reflexão acerca das várias possibilidades que levam à gravidez na adolescência. A partir disso, observa-se que Kalina (1999) define que na adolescência, ocorre uma profunda desestruturação da personalidade e que com o passar dos anos vai acontecendo um processo de reestruturação, onde a questão familiar e social funciona como co-determinante no que resulta enquanto crise, especialmente, à conquista de uma nova identidade. O amadurecimento sexual do adolescente, de acordo com Tiba (1996), acontece de forma rápida, simultaneamente ao amadurecimento emocional e intelectivo, iniciando então, o processar na formação dos valores de independência, que acaba por gerar pensamentos e atitudes contraditórios, especialmente quanto a parceiros e profissões. Já Aberastury (1983) diz se tratar de uma luta difícil para o adolescente encontrar uma identidade, que ocorre num processo de longa duração, além de lento, neste período, em que os jovens vão construindo a base final da personalidade, de seu perfil adulto. Este processo acontece por meio de tentativa e erro, em sua maior parte, buscando o verdadeiro eu, e acaba por sofrer agonias e dúvidas, querendo ser diferente do que fora em sua infância, num buscar uma identificação própria e diferente.  Vê-se, com isso, a enorme responsabilidade educacional durante o processo de adolescência, e Sayão (1995) confirma tal postura com relação aos filhos, que crescem e aos pais cabe a preparação sobre as mudanças no corpo e o aprendizado de como lidar com as questões sexuais, usando de honestidade e se preocupando em transmitir valores, além das regras. Ao se tratar sobre prevenção da gravidez, pode-se encontrar inúmeras pesquisas realizadas através de universidades ou do ministério da saúde brasileiro, onde revelam constantemente que grande parte da população tem tido a informação básica necessária sobre o uso de anticoncepcionais, e que apesar dos adolescentes possuírem este conhecimento, acabam mantendo um relacionamento sexual sem tomar os cuidados necessários e assim, engravidam inesperadamente. Conforme Duarte (1997), pode-se compreender que a gravidez na adolescência não é um episódio, mas um processo de busca, onde a adolescente pode encontrar dificuldade e acaba por assumir atitudes de rebeldia. Assim, aumentar a freqüência de informações dentro das escolas, através das aulas é uma boa forma colaboradora, até que este assunto se incorpore definitivamente na cultura do adolescente, isso porque a televisão em seus diversos horários, inclusive os de grande audiência, transmite cenas de erotismo e sensualidade, podendo, também, apresentar cenas de prevenção e cuidados a este respeito, em boa dose e intensidade, não apenas em alguns momentos especiais, aumentando conseqüentemente, o estímulo a esta prática fundamental de prevenção, que se dá muito por meio da vontade. Partindo então do princípio de que a Orientação Sexual se propõe a fornecer informações sobre sexualidade e a organizar um espaço de reflexões e questionamento sobre postura, tabus, crenças e valores a respeito de relacionamentos e comportamento sexuais, passa, então, a abranger o desenvolvimento sexual compreendido como: saúde reprodutiva, relações interpessoais, afetividade, imagem corporal, auto-estima e relações de gênero; e enfocando as dimensões fisiológicas, psicológicas e socioculturais da sexualidade através do desenvolvimento das áreas cognitiva, afetiva e comportamental, incluindo as habilidades para a comunicação eficaz e a tomada responsável de decisões. Desta forma, o trabalho de Orientação Sexual procura ajudar crianças e adolescentes a terem uma visão positiva da sexualidade, a desenvolverem uma comunicação clara nas relações interpessoais, a elaborarem seus próprios valores a partir de um pensamento crítico, a compreenderem o seu comportamento e o do outro e a tomarem decisões responsáveis a respeito da vida sexual, agora e no futuro. Por esta razão, a escola e o professor assumem papéis fundamentais na abordagem da sexualidade, notadamente a gravidez na adolescência, no sentido de, assim, prevenir através das observações a respeito das causas e seus danosos efeitos na vida do adolescente. E é neste sentido que se faz necessário articular a educação, buscando a partir da LDB, dos PCN´s , da transversalização do tema orientação sexual, das diversas teorias disponíveis a respeito dos estudos efetuados por autoridades no assunto, da própria observação do comportamento e entendimento do aluno na sala de aula a respeito do tema proposto, além da investigação de que forma pode se efetivar uma prática pedagógica eficiente para prevenir a gravidez na adolescência entre os alunos do ensino fundamental.
REFERÊNCIAS:
ABERASTURY, Arminda et al.  Adolescência. Porto Alegre: Artmed, 1983.
AQUINO, J. G. (org.). Sexualidade na escola. Alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
BARROSO, C.; BRUSCHINI, C. Sexo e juventude: como discutir a sexualidade em casa e na escola. São Paulo: Cortez, 1998.
BRASIL. Cadernos juventude, saúde e desenvolvimento. Brasília: MS/SP, 1999.
_______. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural, Orientação sexual. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.
COSTA, M. Sexualidade na adolescência. São Paulo: L&PM Editores, 1986.
DADOORIAN, Diana. Pronta para voar: um novo olhar sobre a gravidez na adolescência. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
DE LAMARE, Rinaldo. A vida de nossos filhos: 2 a 16 anos. Rio de Janeiro. Bloch., 1992.
DUARTE, Albertina. Gravidez na adolescência: ai como eu sofri por te amar. Rio de Janeiro: Arte e Contos, 1997.
GUIMARÃES, I. Educação Sexual na escola: mito e realidade. São Paulo: Mercado de Letras, 1995.
KALINA, Eduardo. Psicoterapia de adolescentes: teoria, prática e casos clínicos. Porto Alegre: Artmed, 1999.
MONESI, Angelo. Adolescência e vivência da sexualidade. In Educação sexual: Novas idéias, novas conquistas. São Paulo: Rosa dos Tempos, 1993
NUNES, C. & SILVA, E. A educação sexual da criança. Campinas: Autores Associados, 2000.
PAPALIA, Diane E. O mundo da criança: da infância à adolescência. São Paulo. Mc Graw-Hill do Brasil., 1981.
PINTO, H. D. de S. A individualidade impedida: adolescência e sexualidade no espaço escolar. In: Sexualidade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
RIBEIRO, M. Educação sexual: novas idéias, novas conquistas. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993.
RIBEIRO, P. R. M. Educação sexual além da informação. São Paulo: EPU, 1990.
SAYÃO, Y. Orientação Sexual na escola: os territórios possíveis e necessários. In: Sexualidade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
SAYÃO, R. Saber o sexo? Os problemas da informação sexual e o papel da escola. In: Sexualidade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
SOUZA, P. N. P, de.; SILVA, E. B. da. Como entender e explicar a nova LDB. São Paulo, Pioneira, 1997.
SUPLICY, M. et al. Sexo se aprende na escola. São Paulo: Olho d'Água, 1998.
__________. Educação e orientação sexual. In: RIBEIRO, Novas idéias: novas conquistas. Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos, 1993.
__________.Conversando sobre sexo. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
TIBA, Içami. Sexo na adolescência. São Paulo: Ática, 1996.
VITIELLO, N. Sexualidade: quem educa o educador. Um manual para jovens, pais e educadores. São Paulo: Iglu, 1997. Veja mais aqui, aqui e aqui.



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