Mostrando postagens com marcador Amaro Matias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amaro Matias. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, março 26, 2025

ERICA JONG, JUNG CHANG, GABOR MATÉ & CANTINHO DO BAR BRASIL

 

 Imagem: O céu azul de Madalena – Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Hiromi Live in Concert (2005), Hiromi’s Sonicbloom Live in Concert (2007), Another (2003), Brain (2004), Spiral (2006), Place too Be (2009) e Spark (2016), da pianista e compositora japonesa Hiromi Uehara. Veja mais aqui & aqui.

 

O primeiro de muitos dias no céu de Madalena... - Ontem ouvi estrelas e o mundo era ela crepuscular, insuspeitavelmente caleidoscópica, na varanda de todos os momentos. Sorriu intensidade pacífica e seus olhos teciam sonhos habitáveis na mansidão das nuvens acolhedoras e apontavam o túmulo do jardim, como se revelasse a promessa de que ali também estaria comigo para presenciar a minha ressurreição e o meu semblante duplo: de um lado, aquele que se valia da magnificência imprescindível - a minha face serena com as quedas das águas, as brisas da tarde, o desabrochar das flores e folhas, a frieza da noite estrelada, o silêncio das pedras... Do outro, o que sou de deteriorado com todas as muitas máscaras superpostas pelo intransponível à fronteira do escancaro, o intransferível e as intercessões, o flagelo e as distorções do tempo, a vertigem dos espaços, a compulsão das esquinas e encruzilhadas, os gatilhos dos instantes encurralados, o estresse estampado nas vitrines, a degeneração das fisionomias e das coisas, pensamentos intrusos, situações aversivas, ruminações nos sentimentos dos defeitos e o caos na paleta de cores: eram as mordidas de ferro e aço, fedor de gasolina – os motores trituravam minha carne e fizeram desaparecer o meu agora. Caindo em qual lugar, ali era tudo que conhecia porque comigo memórias redivivas, o que fui e serei enquanto sendo, como se ressignificasse o privativo nas minhas transcendências e invisibilidade - um diário de temores e inquietações. Nela me via e exorcizava a vida como arte – era o que dela sou muitos em mim –, a vida e o que há de impaciente, como se eclodisse minha autorrepresentação, meu autorretrato, alter ego ambulante, apenas voo. Até mais ver.

 

Shirin Neshat: A arte é nossa arma. A cultura é uma forma de resistência... Arte não é crime. É responsabilidade de todo artista fazer arte que seja significativa... Veja mais aqui & aqui.

Marge Piercy: Nunca duvide que você pode mudar a história. Você já mudou... Veja mais aqui & aqui.

Lauren Weisberger: Não há pânico que você não possa acalmar, nenhum problema que você não possa resolver... Concentre-se em si mesmo: faça o que quiser, quando quiser, sem ter que considerar a agenda de ninguém... Veja mais aqui & aqui.

 

NÓS APRENDEMOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Nós aprendemos o decoro do fogo, \ Simetria curiosa da chama, \ o calor azul no centro das coxas, \ o vermelho cintilante dos quadris, \ & o ouro do sebo dos seios \ iluminado de dentro \ pela lanterna nas costelas. \ Você se afasta de mim \ Como um ramo que anseia por ser enxertado \ em uma árvore frutífera, \ pêssego e pera \ cruzados uns com os outros, \ figo & banana servido em um prato, \ a folha e o caracol luminoso \ Isso se apega a isso. \ Nós aprendemos que o rasgo \ Pode ser uma adesão, \ Que o fogo está cintilando \ Pode ser um acendimento, \ que o velho decoro do amor... \ para morrer no poema, \ Deixando o amante solitário com a caneta... \ Era tudo uma mentira antiga. \ Então nós banimos o mau-olhado: \ você tem que ser infeliz para criar; \você tem que deixar o amor morrer antes que ele escreva; \ você tem que perder a alegria de ter o poema... \ E reexaminamos as nossas vidas com fogo. \ Veja este manuscrito coberto \ com palavras cor de carne? \ Ele foi escrito em tinta invisível \ E apertou a nossa chama. \ As palavras escureceram na página \ Enquanto afundamos um no outro. \ Nós somos tinta e sangue \ e todas as coisas que fazem manchas. \ Nós nos tornamos dourados enquanto nos repassamos, \ Dourar as peles um do outro como sóis. \ Segure-me até a luz; \ Você vai ver poemas. \ Segure-me no escuro; \ Você verá a luz.

Poema da escritora e educadora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

IRMÃS: A MAIS VELHA, A MAIS NOVA... [...] Aprendemos com a observação que nenhuma nação pode se destacar a menos que suas mulheres sejam educadas e consideradas iguais aos homens moralmente, socialmente e intelectualmente... [...]. Trecho extraído da obra Big Sister, Little Sister, Red Sister: Three Women at the Heart of Twentieth-Century China (Jonathan Cap, 2019), da escritora chinesa Jung Chang, que na sua obra Empress Dowager Cixi: The Concubine Who Launched Modern China (Knopf; Primeira, 2013), expressou que: […] Talvez não se possa confiar na magia deles; mas não podemos confiar nos corações e mentes das pessoas? […] Temos apenas os corações e mentes das pessoas para depender. Se os deixarmos de lado e perdermos os corações das pessoas, o que podemos usar para sustentar o país? […] Se apenas cruzarmos os braços e nos rendermos a eles, eu não teria rosto para ver nossos ancestrais após a morte. Se devemos perecer, por que não lutar até a morte? […]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

O MITO DO NORMAL & CULTURA TÓXICA – [...] O trauma não é o que acontece com você, mas o que acontece dentro de você [...] Quer percebamos ou não, é a nossa ferida, ou a forma como lidamos com ela, que dita muito do nosso comportamento, molda os nossos hábitos sociais e informa as nossas formas de pensar sobre o mundo […] Se pudéssemos começar a ver muitas doenças em si não como uma reviravolta cruel do destino ou algum mistério nefasto, mas sim como uma consequência esperada e, portanto, normal de circunstâncias anormais e não naturais, isso teria implicações revolucionárias para a forma como abordamos tudo relacionado à saúde […] Uma das coisas que muitas doenças têm em comum é a inflamação, agindo como uma espécie de fertilizante para o desenvolvimento de doenças. Descobrimos que quando as pessoas se sentem ameaçadas, inseguras — especialmente por um longo período de tempo — nossos corpos são programados para ativar genes inflamatórios. […] Pressões de trabalho, multitarefas, mídias sociais, atualizações de notícias, multiplicidade de fontes de entretenimento — tudo isso nos induz a nos perder em pensamentos, atividades frenéticas, gadgets, conversas sem sentido. Somos pegos em buscas de todos os tipos que nos atraem não porque são necessárias, inspiradoras ou edificantes, ou porque enriquecem ou acrescentam significado às nossas vidas, mas simplesmente porque obliteram o presente. […] Na ausência de alívio, a resposta natural de um jovem — sua única resposta, na verdade — é reprimir e se desconectar dos estados de sentimento associados ao sofrimento. A pessoa não conhece mais seu corpo. Estranhamente, esse autoestranhamento pode aparecer mais tarde na vida na forma de uma força aparente, como minha capacidade de ter um desempenho de alto nível quando estou com fome, estressado ou fatigado, avançando sem consciência da minha necessidade de pausa, nutrição ou descanso. […] As crianças, especialmente as altamente sensíveis, podem ser feridas de várias maneiras: por coisas ruins que acontecem, sim, mas também por coisas boas que não acontecem, como suas necessidades emocionais de sintonia não serem atendidas [...] Não importa se podemos apontar para outras pessoas que parecem mais traumatizadas do que nós, pois não há comparação de sofrimento. Nem é apropriado usar nosso próprio trauma como uma forma de nos colocar acima dos outros — “Você não sofreu como eu” — ou como um porrete para rebater as queixas legítimas dos outros quando nos comportamos de forma destrutiva. Cada um de nós carrega suas feridas à sua maneira; não há sentido nem valor em compará-las com as dos outros. […] Nossa outra necessidade essencial é a autenticidade. As definições variam, mas aqui está uma que eu acho que se aplica melhor a esta discussão: a qualidade de ser verdadeiro consigo mesmo e a capacidade de moldar a própria vida a partir de um profundo conhecimento desse eu. […]. Trechos extraídos da obra The Myth of Normal: Trauma, Illness and Healing in a Toxic Culture (Avery Publishing, 2022), do medico húngaro-canadense Gabor Maté, autor de obras como In the Realm of Hungry Ghosts: Close Encounters with Addiction (2008), When the Body Says No: The Cost of Hidden Stress (2003) e Scattered: How Attention Deficit Disorder Originates and What You Can Do About It (1999).

 

CANTINHO DO BAR BRASIL

O Cantinho do BarBrasil é uma realização do Projeto Chá da Vida Brasil, comandado pelo escritor, músico, compositor e ativista cultural Jones Pinheiro - Hupomone Vilanova, que em parceria com a Biblioteca Pública Municipal Prof. Felenon Barreto, realizou o Sarau Castro Alves, com a participação de Zé Ripe, do historiador Alcides Alves e os alunos do 8º ano B, do Ginásio Municipal dos Palmares, entre outros participantes.

&

COLETÂNEA DE SENTIMENTOS POÉTICOS

[...] Foi por todos estimado \ com carinho e muito amor \ sempre será aqui lembrado \ como o grande e querido PROFESSOR.

Poema Ao mestre, com carinho, extraído da obra Coletânea de sentimentos poéticos (Alumiá, 2023) do poeta Manoel Vitor, em que homenageia o saudoso poeta e professor Amaro Matias. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, junho 17, 2024

TAJA KRAMBERGER, LÍDIA JORGE, HILARY PUTNAM & NORDESTE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Source (2014) e Upstream (2019), do grupo Dreisam – “Triângulo perfeito, nada geométrico, tudo ritmado” -, formado pelo pianista francês Camille Thouvenot, pelo baterista/percussionista brasileiro Zaza Desiderio e pela saxofonista alemã Nora Kamm.

 

ANOTAÇÕES NADA ESDRÚXULAS DO INÚTIL, UMA RAPSÓDIA TROPICAL...- Nunca fiz o que não podia contar depois. Aqui é sempre quase e orbito escolhas com suas angústias muitas e compensações nenhumas, um rito de passagem interrompido. Fui tocado pelo sinal WOW! E se o calor bate recorde na Índia, aqui não está tão diferente: persigo entre o que é ato vigoroso e o que é ludíbrio, o que é do espanto e encanto, como aquele de quem se foge numa esquina. A poesia atravessa todas as crises e o horror de todas as guerras devassando todas as alegorias para desarmar o que se deu por certo e deve ser posto em questão. Afinal o mundo soçobra sob um céu falso para expulsos jogados à rua, antes confiscados e coisa alguma penhorável restou do que se exilou de mim. Apesar dos pesares, não é tristeza que sinto, a doçura sem repouso de quem perdeu o riso das Rosas, os olhos das Marias e de todas que se foram e nunca mais voltaram. Até Zelda Mishkovsky: Cada um de nós tem um nome... E dado a ele pela sua morte... Livro-me da bombatômica iminente e de quem mata a sede no suor de outro, ou de quem vive entre o obséquio e o suicídio. Outras explodiram em minhas mãos para anunciar que não haverá manhã possível paratodos. Só falta pedir à máquina que ore por nós. É que sei quem roubou o chá da China e não somos a causa: somos a consequência e a lógica se houver é a de que não é só uma ou duas opções, mas todas as alternativas para escolhas: cada qual descasque os abacaxis dos seus múltiplos dilemas. Ouço Marceline Desbordes-Valmore: Devemos fazer a nossa vida como costuramos, ponto por ponto... E as minhas feridas como troços despejados à curiosidade pública: dores enferrujadas, entranhas podres, ossos sujos, vísceras coaguladas, coração às moscas e os restos mortais insepultos, para o opróbrio geral. Que o diga Mary McCarthy: Todos vivemos em suspense, dia após dia, hora após hora; em outras palavras, somos os heróis da nossa própria história... Não há do que se vangloriar, sou aquele que fez do dia o canto e fiquei sozinho de prontidão na chuva, com todos os desígnios despencando com o que sequer entendo ao inventar manhãs. E se não tenho saudades é porque tolo migrante sou pelas minhas mil e uma noites a girar errático no eixo da Terra para a felicidade dos nadas. Até mais ver.

 

MOBILIZAÇÃO PELA VIDA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Um excêntrico, desertor e ateu, \ buscando refúgio na agronomia, \ em Goethe e na disciplina das crianças. Cuja vida \ o joga de um lado para outro em um campo minado \ como um cavaleiro de xadrez sem sela. Quem retrata \ a letra L: Lehrling , mas não faz uso \ das marchas básicas e nunca freia. \ Quem lê Pigs Fodder , com os pés num banho frio – para \ melhorar a concentração – \ e que espera descobrir abrigo nos livros de botânica, \ o chão sob os pés, \ mas não consegue encontrar uma folha de coltsfoot \ grande o suficiente para cobrir a sua própria sombra. \ Que trouxe para minha mãe no primeiro encontro um buquê \ de duas conchas e depois se afastou \ 800 km. Uma vez em campo, ele \ mudou novamente o rumo do bispo, \ direcionando-o de volta para a peça de xadrez real; \ aquela que pode mover-se sem dor \ em todas as direções, às vezes simplesmente com um olhar \ sem se mover, em direção a ela \ escondendo dentro de si \ os movimentos de todos os movimentos, vigiando-os. \ E eu: o resultado de uma votação familiar \ em fevereiro de 1970; ninguém impôs veto e o embrião \ cresceu livremente em mim, \ para que hoje eu possa olhar com calma para o meu caminho, \ uma trilha, já mais longa que a vida, para poder \ ver a sua vida \ pela frente, muito mais longa que o caminho. \ E assim meu pai investiu \ em mim seu herbário inacabado, \ e meus pensamentos amontoados entre \ as pilhas de livros como flores achatadas \ até que, em minha primeira coleção, \ toda essa erudição vegetativa explodiu \ e todas as lâminas, ordenadas com precisão, \ puderam voltar a ocupar \ seu antigo volume. \ E agora estou diante de um \ deserto sem fim de flores, palavras, dispostas e frescas, \ contraindo-se e expandindo-se à minha ordem \ como o universo. O que devo \ fazer com isso, aqui, \ neste lugar distorcido, \ a sangue frio? \ E agora diante dos meus olhos: um \ pampa interminável e incaracterístico \ dedanglers comuns, Vulpia myuros, \ cobertos com uma semente invejosa de \ anfíbios. \ Sua corrente difásica, alternada \ e as 1.200 páginas de notas frenéticas, \ jorrando com a magnitude \ de um furacão. Um fardo sifônico \ que você colocou sobre \ os ombros de seus filhos, a forma como \ uma guerra egoisticamente coloca seus corpos \ e sua memória ensangüentada em \ um anel mítico impenetrável e \o enterra para as gerações futuras \ entre as páginas de um livro terreno, um grande \ livro de capa dura inédito \ e sem correções e \ sem editor. \ Estaria Deus escondido entre grãos de bico, \ sementes de girassol e cenouras, \ na boca de prisioneiros distróficos \ a caminho de casa? \ Estaria Deus escondido nos tímpanos surdos dos rifles \ que a Gestapo lhes cutucou em Viena, \ quando vocês, rapazes, estavam jogando \ areia dentro dos eixos da composição ferroviária? \ Estaria Deus escondido em Jaroslav, um campo de internamento \ da Primeira Guerra Mundial, entre os dentes de ratos \ que, saltando sobre os prisioneiros, surpreendentemente não morderam? \ Deus da mãe ou seu não-Deus? \ Ambos anunciados \ em letras maiúsculas, \ ambos, numa hora de necessidade, soprados na escuridão \ sem resposta, \ ambos entorpecidos e frágeis \ como se estivessem agachados num barril fechado \ de bolota Mohojeva. \ Não foi a frente russa, nem a fome, nem o vinho, \ nem foram os teus estudos, não – \ nada importa senão a qualidade \ do carinho – \ no final – que gravou o traço na mente \ pomba sta memoria –\ foi a minha mãe quem mobilizou \ meu pai para o resto da vida, \ o amor gentil e inabalável \ chamado Zorka.

Poema da antropóloga, poeta, ensaísta, editora, tradutora e professora eslovena Taja Kramberger.

 

MISERICÓRDIA - [...] Eu sei que a felicidade é um bem raro. Devemos mantê-lo em nossos corações quando nos toca de perto, encher com ele todos os bolsos de nossa alma, para servir de escudo quando ocorrer o seu oposto... [...] A hora é o melhor estratagema inventado para desafiar a ausência de fim. Invenção humana para encurtar o tempo e dar-lhe o sentido que sem dúvida não tem. [...] Todas as espécies humanas estão acomodadas aqui e, como na vida lá fora, as más superam as outras. [...] Não quero pensar na tristeza e na dor, apenas na alegria que, por ser a mais frágil das três, é a que me mantém vivo. Assim, deixo de lado o que pesa e perturba, e penso na primavera que trouxe alegria e cobriu de paz as paredes do Hotel Paradis. [...] Às vezes penso que o mundo se organiza através de coincidências extravagantes, como se as palavras e as coisas se atraíssem pela simpatia e pela mímica, como se os animais e as vozes que os nomeiam se agrupassem em grupos inexplicáveis, uma espécie de igualdade invisível que aos nossos olhos é nada além de um mistério [...] É impossível ter um objeto secreto onde tudo é visto e revisto, examinado e inventariado pelos olhos dos outros, porque aqui onde estou não tenho nenhum canto próprio, nenhum objeto me pertence, até o meu corpo já não é mais um objeto. canto íntimo da minha alma como era antes. Só os meus pensamentos me pertencem, só eles não são monitorados, e ainda assim há quem tente adivinhar porque falo ou fico calado. [...]. Trechos extraídos da obra Misericórdia (D. Quixote, 2022), da premiada escritora portuguesa Lídia Jorge, que ainda expressa: Escrever é praticar a grande medicina da alma. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

RAZÃO, VERDADE & HISTÓRIA – A filosofia precisa de visão e de argumento… há algo de decepcionante num trabalho filosófico que contém argumentos, por melhores que sejam, que não são inspirados por alguma visão genuína, e algo de decepcionante num trabalho filosófico que contém uma visão, por mais inspiradora que seja, que não é apoiada por argumentos …A especulação sobre como as coisas se articulam requer… a capacidade de estabelecer distinções e conexões conceituais, e a capacidade de argumentar… Mas visões especulativas, por mais interessantes ou bem apoiadas por argumentos ou perspicazes, não são tudo o que precisamos. Também precisamos daquilo que Burnyeat chamou de “visão” – e considero que isso significa visão sobre como viver as nossas vidas e como ordenar as nossas sociedades. Pensamento do filósofo estadunidense Hilary Putnam, que na sua obra Reason, Truth and History (Cambridge University Press, 1981), expressa que: […] Nenhuma pessoa sã deveria acreditar que algo é subjetivo simplesmente porque não pode ser resolvido sem controvérsia. [...] A ciência é maravilhosa em destruir respostas metafísicas, mas é incapaz de fornecer respostas substitutas. A ciência elimina os alicerces sem fornecer um substituto. Quer queiramos estar lá ou não, a ciência colocou-nos na posição de ter que viver sem fundamentos. Foi chocante quando Nietzsche disse isto, mas hoje é um lugar comum; nossa posição histórica - e não há fim à vista - é a de ter que filosofar sem 'fundamentos' [...] Tudo isso é realmente impossível, da mesma forma que é realmente impossível que macacos digitem por acaso uma cópia de Hamlet. [...]. Também autor do livro Jewish Philosophy as a Guide to Life: Rosenzweig, Buber, Levinas, Wittgenstein - The Helen and Martin Schwartz Lectures in Jewish Studies (Indiana University Press, 2008), expressa o pensamento de que: […] Eu posso somente satisfazer uma pessoa por dia. Hoje não é o seu dia, amanhã também não parece bom. [...] Corte a torta do jeito que quiser, os "significados" simplesmente não estão na cabeça! [...] as causas (dores) não são construções lógicas a partir dos seus efeitos (comportamento). [...].

 

NORDESTE DESCOBERTO OU INVADIDO...

[...] A partir de 1505 muitas expedições exploradoras foram enviadas à nossa Terra – percorrendo a costa, medindo-a e denominando os acidentes geográficos encontrados [...]. Por isso, é o Nordeste um todo a estudar, e um todo a deslumbrar o resto do Brasil. [...].

Trechos extraídos da obra Nordeste, berço do Brasil, descoberto ou invadido em 1500? Dos estudos nordestinos Raízes brasileiras (Autor, 1999), do poeta, professor e pesquisador Amaro Matias Silva (1922-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

UM OFERECIMENTO:

NNILUP CROCHETERIA

Veja mais aqui.

&

SANTOS MELO LICITAÇÕES

Veja detalhes aqui.

&

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.


 


quinta-feira, setembro 28, 2017

STEVENSON, GOELDI, CELSO FURTADO, TENSHIN TANOUYE ROSHI, EDUCAÇÃO AMBIENTAL, J. BORGES, BÓRIS TRINDADE & AMARO MATIAS

QUEM ANDA DE NOITE QUE VÊ MUITA COISA, TAMBÉM CALA A BOCA – Imagem: arte do desenhista, ilustrador, gravador, químico e professor Oswaldo Goeldi (1895-1961). - Um dia lá, não sei quando, apareceu em Alagoinhanduba o afoito sargento Satanás que, mal chegando à delegacia da cidade, mostrou logo ao que veio. No primeiro plantão não deu moleza: recolheu uma ruma de bêbados, desocupados, suspeitos e abestalhados que marcavam bobeira depois das dez badaladas noturnas. E agora tem toque de recolher é? Tem sim, senhor! Agora é a minha lei! Foi o maior escarcéu, a cidade em peso não pregou os olhos, amanhecendo todo mundo de ressaca. Expediente vinte e quatro horas no ar, o último interrogado findou quase meio dia, ao final ele encarou a multidão: - De agora em diante, aqui é direto que nem cantiga de grilo! Quero ver meliante, desocupado ou quem quer que seja que tenha o topete de não respeitar minhas ordens. Agora é pra valer! Podem dizer aos quatro cantos que agora a cidade está sob as ordens do sargento Satanás! E chispem todos daqui que quero descansar um pouco para manter a ronda! Não deu nem meia hora, ele já estava de casa em casa perguntando por crimes dos matagais, do canavial, de vinte anos passados. Oxe! Quem mais se lembra? Comigo não tem prescrição penal, matou, roubou ou cometeu qualquer delito, pode ser de duzentos anos atrás, eu pego e prendo! Esse homem é a gota! Vixe! Ele não dorme, é cada boticão de olho, parece mesmo o tinhoso de tão aceso que é! Mas num é que é mesmo! Será que ele tem partes mesmo com o desnaturado? Sei não, sei que ele está falando pelas casas que visita de crimes de não sei de onde, outros do tempo do ronca, vôte! Dizem que é porque está sabendo que a cidade é calma, mas nos canaviais, nos arredores, nos ermos distantes, todo dia aparece presunto. Tem mais: ele disse que vai descobrir o que é que está acontecendo por aqui. Ué, mas aqui não morre gente nem de morte matada, nem de morte morrida, faz tempos! O coveiro já desapareceu porque não se enterra gente de jeito nenhum há muitos anos. Pois é. Você aí, que é que você sabe sobre aquele corpo que apareceu ontem no canavial? Não sei, não vi, sei de nada não! E você? Oxe, sargento, nem sabia que tinha defunto no canavial, ora! Vocês estão de bico calado, estou só brechando a conduta de vocês, está todo mundo suspeito. Tenho certeza que tem um monte de gente envolvida! Minha cisma não me deixa enganar, vou investigar a fundo e ai de quem estiver implicado! E todo dia ele partia da entrada à saída da cidade, prendendo quem fosse encontrado no meio da rua depois das dez da noite. Gente que largava do turno da usina, enfermeira, vigia, prostituta, gigolô, cafetão, quem saía da sessão de cinema ou largava da escola, duzentas voltas do camburão e gente como a praga no interrogatório até depois do dia amanhecer. Uma semana se passaram e ele não conseguiu avançar um passo nas investigações. Até o dia em que um bêbado linguarudo delatou: sargento, o senhor tem que investigar é nas cidades vizinhas, na rodovia, por aí, não é aqui não. Bastou isso e o cabra teve que se explicar, como estava completamente embrigadíssimo, no primeiro aperto, arriou no ronco. A autoridade não deixou por menos e carregou o camburão, foi pra rodovia inquirir o primeiro que passasse: sei de nada não, estou indo pra casa. Uma hora dessas? Seu polícia, larguei agora. Está sabendo de defunto no canavial? Seu polícia, saber, não sei não, mas sei que quem dá com a língua nos dentes já tem missa de sétimo dia encomendada. Como é? Ah, aqui falou, no outro dia aparece com a boca cheia de formiga! E é? É, sim senhor. Pois você está detido para maiores esclarecimentos! Ei, ei! Sim? E você? Eu o quê? O que é que está fazendo por aqui uma hora dessa, hem? Ah, nem sei o que estou fazendo aqui! Preso! Mas, sargento! Preso sob suspeita! Leva! E saiu vasculhando tudo até topar um estranho que não abriu o bico nem com aperto, nem com cano de revólver no toitiço. Esse é teimoso, encarca mais! Aperta mesmo! Um que ia passando e foi interpelado, explicou: ele é surdo-mudo. Ah, tá. E você? Estou indo pegar ficha no posto de saúde. Oxe, a essa hora? As fichas são distribuídas a partir das três da manhã. Está sabendo dos crimes no canavial? Olhe, seu polícia, saber, eu até soube sim, mas tem um ditado que diz: quem anda de noite e vê muita coisa, também cala a boca. Preso para averiguação! Assim era todo dia, maior trupé! Prendia trocentos de noite, tudo solto lá pelo meio dia. E nada de apuração nenhuma, nenhum inquérito instaurado. E pra valer, os esquifes eram encontrados em terras de outros municípios, não de Alagoinhanduba. Mas ele não arredou pé, de mutuca dia e noite. Até ser surpreendido: quem é? Sargento! Quem é? Ele olhou do lado e não viu ninguém. Quem é? Apareça disgramado! Seja home, mostre a cara, cabra safado! Sargento, aprenda: quem anda de noite que vê muita coisa, também cala a boca. E ninguém nunca mais viu o sargento. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o cantor, compositor e miltiinstrumentista Beto Guedes ao vivo + o álbum Contos da lua vaga + Todo azul do mar com Roupa Nova; a pianista Miriam Ramos interpretando Retrata de Ricardo Tacuchian + Grande Valsa Brilhante & Fantasia de Chopin; o violonista Álvaro Henrique com a Suíte Candanga, Preludes de Villa-Lobos e a Grand Overture de Mauro Giuliani; e a cantora e compositora Cris Braun cantando músicas do seu álbum Cuidado com as pessoas como eu. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – A dor não está piorando; sua capacidade de suportá-la é que está diminuindo. Você precisa aprender a empurrar a rocha para onde ela quer ir. Pensamento do mestre zen Tenshin Tanouye Roshi (1938-2003).

PROJETO BRASIL - [...] a natureza, o alcance e os riscos da chamada política de integração latino-americana poderão ser colocado sob nova luz. O mesmo pode-se dizer com respeito à controvérsia em torno do papel do Estado no desenvolvimento. Como a eliminação do desenvolvimento à base de um projeto nacional não seria compatível com a preservação da identidade cultural, não é demais afirmar que política de desenvolvimento e luta pela preservação da personalidade nacional tenderão a confundir-se em nosso país. Trecho extraído da obra Um projeto para o Brasil (Saga, 1968), do economista brasileiro Celso Furtado (1920-2004). Veja mais aqui.

MEIO AMBIENTE & EDUCAÇÃO - [...] os trabalhos sobre poluição e preservação ambiental surgiram com freqüência cada vez mais crescente. A maioria diz respeito ao desaparecimento de espécies vegetais e animais, à devastação de florestas, à inadequação do uso do solo, ao uso de ecossistemas hídricos com depósitos de resíduos industriais e, sobretudo, à solicitação desregrada de recursos naturais pela indústria. Seus resultados preconizam dois pontos básicos: a preservação da natureza e o combate à poluição. O crescimento populacional e o tipo de desenvolvimento econômico têm sido apontados como causas básicas do desequilíbrio ecológico. [...] partindo do princípio de que a educação pode ser usada como instrumento para reforçar a integração do homem com o ambiente, discute-se e questiona-se seu papel naquela comunidade. [...] é possível cogitar-se de uma prática educativa integrada à realidade e, portanto, a serviço do bem-estar humano. [...] Na prática significa que a educação, vista como instrumento das relações sociais, inculca paradoxalmente um efeito conscientizador, libertador, propiciando condições para um papel reformista. E, pois, neste contexto de relacionamento dialético que se situa o espaço onde a consciência ecológica emerge, postulado a defesa ambiental para sobrevivência do homem e da sociedade. Trechos extraídos do livro Ecologia humana: realidade e pesquisa (Vozes, 1984), da professora, bióloga e pesquisadora Maria José Araújo Lima. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DIREITO SEM DIREITO – O palácio do governo, seguramente, não era o meu lugar. Ali estava eu, indicado pelo advogado José David Gil Rodrigues, ao então governador Paulo Guerra. Quando cheguei em casa, vários recados me aguardavam, depois de exaustiva caminha por algumas cidades do interior. E o convite estava aceito. Abril de 1964. Abril de 1964: senti que ali não era o meu lugar. Um dia, o poeta Edson Régis, então secretario do governo, me pediu para defender dois presos políticos, um dos quais, Maria Celeste Vidal, militante das Ligas Camponesas, organização onde atuei como advogado, durante muito tempo, chamado que fui por Francisco Julião. Foi a minha primeira causa política. Com ela, o motivo decisivo para que deixasse o Palácio do Campo das Princesas. Também começava ali a ser gerada a ideia de como se desenvolviam os processos juridic0-militares. Conselho composto de oficiais do Exército. Iniciada a audiência, interrogados os réus do processo – como determinava o então Código de Justiça Militar – arguí a incompetência da Justiça Castrense sob alegação de que não se tratava de crime militar, coisas assim. – Portanto, esse Conselho é incompetente. Nem bem terminei, e o seu presente, aborrecido: - Incompetente é V. Excia. O pedido do poeta e o início de tudo, recolhido da obra Alvará de soltura, meu amor (Recife, 1983), do advogado e produtor teatral Bóris Trindade.

O MÉDICO E O MONSTRO – [...] O espelho não me deteve mais que um instante. [...] Faltava verificar se eu perdera minha identidade sem possibilidade de volta, tendo que deixar aquela casa, que já não me pertencia, antes de amanhecer. Voltei correndo para meu escritório e novamente preparei e bebi a poção; mais uma vez, sofri as dores da dissolução e, mais uma vez, voltei a mim com o caráter, a estrutura e o rosto de Henry Jekyll. [...]. Trecho extraído da obra O médico e o monstro (Saraiva, 1960), do escritor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894).

DICIONÁRIO DOS SONHOS
(fragmentos)
Comprava uma rapadura
E um pão no meio da feira
Era lanche no caminho
Para subir a ladeira
Da velha Serra do Sapato
Que dava muita canseira
[...]
No bolso eu já levava
Um folheito do Pavão
Comprado a João de Lima
Por pouco mais de um tostão
Que ao chegar em casa
Era a minha diversão
[...].
Trechos do poema O cordelista por ele mesmo, extraído da obra Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel (L&PM, 2003), do poeta e xilogravurista J. Borges. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Liberdade de expressão aqui.
A entrevista de Beto Guedes aqui e aqui.
A pianista Miriam Ramos aqui.
O violonista Álvaro Henrique aqui.
A arte de Cris Braun aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

TERRA DOS PALMARES
Pérola do Una
Menina faceira
Ambiente das letras
Tens sempre tu’alma em festas
Desenvolvida
És tão querida
Como terra dos poetas.
Teu Clube Literário
Abrigo de gente de cultura
Silva Jardim, Zé Mariano
E o nosso Joaquim Nabuco
Grandes líderes
Do ditoso torrão
De nosso Pernambuco.
Parte dos Quilombos
Começo de tua história
Que teus filhos te amem
Estudando, pesquisando
E trabalhando vençam,
Escrevendo, vivificando
No apanágio da glória.
Eia, Palmares, em frente!
Poema extraído da obra Das musas de ontem e hoje (Recife, 1985), do poeta, professor e pesquisador Amaro Matias Silva (1922-2002), autor da obra Dos Palmares – extensão, lutas e fatos (Bagaço/Fundação de Hermilo, 1988). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...