
RÁDIO
TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá
especiais com Sonatas de Debussy e Beethoven & Brandeburg Concert Bach, da
violonista e pedagoga Elisa Fukuda; a arte musical do Duo
Fênix
– dos pianistas Cláudio Dauelsberg &
Délia Fischer; Cuban Guitar 1 e 3 e de Bach aos Beatles, do violonista,
compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo
Brouwer;
e o JazzWoche Burghausen com as canções Dindi de Jobim e Rio de Maio de Ivan
Lins, da cantora estadunidense Jane Monheit, com participação de Johnny
Mathis & Ivan Lins. Para conferir é só ligar o
som e curtir.
PENSAMENTO DO DIA - [...]
Mas você, meu
amigo, se deseja viver entre os homens, aprenda em primeiro lugar respeitar a
sombra – somente então o dinheiro. Mas se quiser viver apenas para si e para o
que há de melhor no seu interior, então não precisa de nenhum conselho [...]. Trecho extraído da obra A história maravilhosa de Peter Schlemihl (Estação Liberdade,
2003), do botânico e poeta do romantismo alemão, Adelbert Von Chamisso (1781-1838).
EXÍLIO & EXILADOS – [...]
O exílio nos compele estranhamente a
pensar sobre ele, mas é terrível de experienciar. Ele é uma fratura incurável
entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua
tristeza essencial jamais pode ser superada. E, embora seja verdade que a
literatura e a história contêm episódios heróicos, românticos, gloriosos e até
triunfais da vida de um exilado, eles não são mais do que esforços para superar
a dor mutiladora da separação. As realizações do exílio são permanentemente
minadas pela perda de algo deixado para trás para sempre. [...] O exílio, ao contrário do nacionalismo, é
fundamentalmente um estado de ser descontínuo. Os exilados estão separados das
raízes, da terra natal, do passado. Em geral, não têm exércitos ou Estados, embora
estejam com frequência em busca deles. Portanto, os exilados sentem uma
necessidade urgente de reconstituir suas vidas rompidas e preferem ver a si
mesmos como parte de uma ideologia triunfante ou de um povo restaurado. O ponto
crucial é que uma situação de exílio sem essa ideologia triunfante—criada para reagrupar
uma história rompida em um novo todo — é praticamente insuportável e impossível
no mundo de hoje. Basta ver o destino de judeus, palestinos e armênios. [...]
Os exilados olham para os não-exilados
com ressentimento. Sentem que eles pertencem a seu meio, ao passo que um
exilado está sempre deslocado. Como é nascer num lugar, ficar e viver ali,
saber que se pertence a ele, mais ou menos para sempre? [...] Grande parte da vida de um exilado é ocupada
em compensar a perda desorientadora, criando um novo mundo para governar. Não
surpreende que tantos exilados sejam romancistas, jogadores de xadrez, ativistas
políticos e intelectuais. Essas ocupações exigem um investimento mínimo em
objetos e dão um grande valor à mobilidade e à perícia. O novo mundo do exilado
é logicamente artificial e sua irrealidade se parece com a ficção. [...] O exilado sabe que, num mundo secular e
contingente, as pátrias são sempre provisórias. Fronteiras e barreiras, que nos
fecham na segurança de um território familiar, também podem se tornar prisões e
são, com freqüência, defendidas para além da razão ou da necessidade. O exilado
atravessa fronteiras, rompe barreiras do pensamento e da experiência. [...]
Para o exilado, os hábitos de vida,
expressão ou atividade no novo ambiente ocorrem inevitavelmente contra o pano
de fundo da memória dessas coisas em outro ambiente. Assim, ambos os ambientes
são vívidos, reais, ocorrem juntos como no contraponto. Há um prazer específico
nesse tipo de apreensão, em especial se o exilado está consciente de outras
justaposições contrapontísticas que reduzem o julgamento ortodoxo e elevam a
simpatia compreensiva. Temos também um sentimento particular de realização ao
agir como se estivéssemos em casa em qualquer lugar. Contudo, isso apresenta
seus riscos: o hábito da dissimulação é cansativo e desgastante. O exílio jamais
se configura como o estado de estar satisfeito, plácido ou seguro. Nas palavras
de Wallace Stevens, o exílio é "uma mente de inverno" em que o páthos
do verão e do outono, assim como o potencial da primavera, estão por perto, mas
são inatingíveis. Talvez essa seja uma outra maneira de dizer que a vida do exilado
anda segundo um calendário diferente e é menos sazonal e estabelecida do que a
vida em casa. O exílio é a vida levada fora da ordem habitual. É nômade,
descentrada, contrapontística, mas, assim que nos acostumamos a ela, sua força
desestabilizadora entra em erupção novamente. Trechos extraídos da obra Reflexões sobre o exílio e outros ensaios
(Companhia das Letras, 2003), do intelectual, crítico literário e ativista
palestino Edward Said.
A PROFISSÃO DO ESCRITOR – [...]
Escrever, para mim, é um meio, o único de que disponho, de abrir uma
clareira nas trevas que me cercam. Neste sentido é que eu disse, ainda há
pouco, escrevo antes de tudo para mim. Sem experiência, decerto, não há
conhecimento. Contudo, pelo menos no meu caso, mesmo o conhecimento obtido pela
experiência é desordenado e informe. Só o ato de escrever me permite sua
ordenação; portanto, escrever se me apresenta como a experiência máxima, a
experiência das experiências. Minha salvação, meu esquadro, meu equilíbrio [...]. Trecho
extraído da obra Evangelho na taba &
outros problemas inculturais brasileiros (Summus, 1977), do
escritor e dramaturgo Osman Lins
(1924-1978). Veja mais aqui e aqui.
O POEMA CONCISO DE HÖLDERLIN - Porque és tão curto? Já não amas, como
noutros / Tempos, o cântico ? Nesse tempo, ainda jovem, / Quando em dias de
esperança cantavas, / Nunca encontravas o fim. / Como a minha sorte, assim é
minha canção. Queres-te / banhar, feliz, no pôr do Sol? Já passou! E a / Terra
é fria e o pássaro da noite sibila, / Incômodo, perante os teus olhos.
Poema do poeta lírico e romancista alemão Joham
Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.
PROEZAS DO BIRITOALDO
Veja
mais:
&
A ARTE DE RAYMOND ELSTAD