quinta-feira, julho 31, 2008

BAKHTIN, MICHELLE PERROT, ANTONIO BRASILEIRO, JUAN DOMINGUES, O AMOR & AFRODITE, SYLA SYEG & LITERÓTICA


 
Art by Juan Domingues

LITERÓTICA: ERRÂNCIAS - Art by Juan Domingues – Seguia eu pelo mundo medonho com suas feras rangentes, gente da mais lapa traiçoeira, morrendo de sede, desenganado da vida, comendo fogo, brigando com bestas e enfermidades no alçapão. Não tinha nada mais que esperar da vida nem de nada. Seguia eu pelo mundo medonho matando todas as crenças para ter felicidade e matando todas as lembranças e efígies dos bandidos valentes que desencantavam a vida das ruindades, quando eu mesmo vivia de abismos em dédalos, dando o sangue pelas esquinas com toda a minha riqueza menor que um gesto perdido no olhar. Não tinha nada mais que esperar da vida nem de nada. Seguia eu pelo mundo medonho de suor, sangue, lágrimas, arrastando os ferros da decepção contra os moinhos de vento, açoitando o tempo, arreliando a vida, enfrentando lobos malsinados, leões irados, mordidas e males arribando nas doedeiras dos portões fechados, das portas cerradas, todas as léguas escondidas no sofrimento de quem perdido nas lapadas da vida, sem vintém no bolso e só peregrino com esperança no coração já hóspede do Hades. Não tinha nada mais que esperar da vida nem de nada. Seguia eu pelo mundo medonho como um estrangeiro na minha própria nação, amaldiçoado de todos e sem arrimo sequer, quando certa vez do inopinado topei com ela, ponto de parada das minhas errâncias. Topei com seus olhos vivos do reinado das limeiras de Tupar, sua boca linda das laranjas de Babel, toda flor da beleza do seu corpo delgado de princesa do Reino da Pedra Fina. Era a promessa da remissão e não poupei da lida e fui devassando seu roçado, vasculhando seus segredos de rainha que eram entregues mansa e dadivosamente a ponto de premiar com o brilhante do seu ventre a dar-me a luz do dia e a razão da vida. Eu não dizia o seu nome, ela não sabia de nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Art by Juan Domingues

PENSAMENTO DO DIA – [...] Entender as proibições é também compreender a força das resistências e a maneira de contorná-las ou de subvertê-las. As frentes de luta das mulheres, suas tentativas de atravessar os limiares muitas vezes provocam a violenta reação dos homens. [...] Assim, as fronteiras que limitam a vida das mulheres, atribuindo-lhes mais um destino do que uma sina, movem-se ao longo do tempo. [...]. Pensamento da historiadora e professora francesa Michelle Perrot. Veja mais aqui.

DIÁLOGO & RELAÇÕES – [...] a orientação dialógica é naturalmente um fenômeno próprio a todo o discurso. Trata-se da orientação natural de qualquer discurso vivo. Em todos os seus caminhos até o objeto, em todas as direções, o discurso se encontra com o discurso de outrem e não pode deixar de participar, com ele, de uma interação viva e tensa [...]. Trecho extraído da obra Questões de literatura e de estética: a teoria do romance (UNESP, 1998), do filósofo e pensador russo teórico da cultura e das artes Mikhail Bakhtin (1895-1975). Veja mais aqui e aqui.

O AMOR & AFRODITE – [...] O próprio amor era uma religião para os gregos, que adoravam Afrodite como o ideal feminino, rainha de sensualidade desinibida. Supunha-se que ela tivesse nascido nua e totalmente formada, a partir dos testítulos de Urano, que foram lançados ao mar. [...] Mas Afrodite nada ocultava dos gregos. Gozar a paixão do seu nome era um ato sagrado, nada neurótico e alegre, que celebrava simultaneamente a Criação e a procriação. [...] Os gregos viam a sexualidade do mundo, das plantas e animais e deuses, compreendiam=na como uma força vital que animava todas as coisas, e tornavam-se parte de seu império sagrado. A sexualidade era um fio único interligando céus e terra, sagrado e profano, poderosos e fracos. [...] Um elegante bordel francês do século XVIII, o Afrodite, fornecia seus serviços à aristocracia, ao clero, aos políticos de alto nível e a oficiais militares. Uma das senhoras que trabalhou na casa por vinte anos, fez uma lista de seus encontros sexuais que incluíam: 272 príncipes e bispos, 439 monges, 93 rabinos, 929 oficiais, 342 banqueiros, 119 músicos, 117 criados, 1.614 ingleses, 2 tios e 12 primos [....]. Trecho extraído da obra Uma história natural do amor (Bertrand Brasil, 1997), da escritora e naturalista estadunidense Diane Ackerman. Veja mais aqui.

NA NOITE - Na noite nos achamos. / Para que não nos digam só adeus. / Na noite, simbólica e dura, / nos achamos, lúcidos ou bêbados, / não importa: noite é o teu / e o meu perder-se / mas é na noite que nos achamos, / no fio da noite nítida e abissal. / (Tomemos um bonde para a amazônia / esqueçamos o que nos faz magoados: / não há sossego, irmão, não há sossego. / Um homem é para ser desperdiçado.) / Na noite nos perdemos. / A noite é para nos perdermos. / Noite simbólica, escuro, alma / dolorida — toda alma é / dolorida: os símbolos da noite / não nos berçam / pois é na noite que nos perdemos, / na noite nítida, abissal, sem data. Poema extraído de Da inutilidade da poesia (EDUFBA, 2002), do pintor e poeta Antonio Brasileiro.
Art by Juan Domingues


MUSA DA SEMANA: SYLA SYEG - Syla Syeg é um lírio selvagem.

FRUTOS

Letra & música de Luiz Alberto Machado

Somos frutos da mesma paixão
e o que importa é se entregar
e amar
depois no mormaço do amor
se dar enfim
no jeito doce
de escorrer pelos sonhos
até quando
se derramar pelas curvas do seu corpo
pelos rios
recifes
ondas
à deriva
até quando naufragar
por todos horizontes
que você navegar
no enleio
no anseio
do amor.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


Niteroiense criada no Rio de Janeiro, é cantora, dançarina e atriz há 25 anos. Estuda canto, técnica vocal, dança do ventre, ballet clássico e teatro.

Atua na música e no teatro com grupos teatrais amadores e profissionais do Rio de Janeiro.

Como atriz atuou em peças de grupos da UNIRIO, Teatro Vida, Teatro do Catete, Instituto Guanabara e Associação Scholem Aleichen – ASA.

Também trabalhou com locução de vários comerciais, além de ser modelo fotográfico.

Participou do Projeto Canja Carioca- Novos Talentos, no Severyna Restaurante, Vinícius Show Bar, Projeto Quarta Som do Sesc-Niterói, Plataformas (Petrobras), Haras Luarte, Bistrô Sesc-Flamengo,Maison Figner, CIB, Wizo-Niterói, Clube Português - Niterói, Bistrô Danave, TV-NET/36 – Niterói; TV-NET/30 - Niterói; Parthenon – Centro de Arte e Cultura – Niterói; Eclipse – Niterói; SINAFRESP - Hotel Hilton –SP; CIB – RJ; Escola Naval – RJ; Hotel Flórida – RJ; Toq Final – RJ; FAMURJ –RJ; Centro Cultural Latino Americano – RJ; Oficina de Arte Maria Teresa Vieira – RJ; Telhado Amarelo – Niterói; Projeto Quarta Musical – Niterói; Bis Espaço Musical – RJ; Programa Curto Circuito – Niterói, dentre outros.

E hoje, por coincidência, é o seu aniversário: parabéns, Sylamigalinda, feliz aniversário.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem: Nude in the Studio, arte de Nikolai Kornilievich Bodarevsky (1850-1921).
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