quarta-feira, julho 23, 2008

KADARÉ, MÉRET OPPENHEIM, KARL MARX, TALBOT HAMLIN, CYANE PACHECO, JOZI LUCKA & LITERÓTICA


A liberdade não é algo que nos é dado, mas algo que temos de conquistar.
A arte da artista plástica e fotógrafa suiça Méret Oppenheim (1913-1985). Veja mais aqui.

QUARTO POEMA DE AMOR PARA ELA - O quarto poema de amor nasceu numa noite fria. Nasceu duma fantasia que eu sonhava então. Apesar de ser verão, chovia longamente. Foi então no de repente que sonhei, ave-Maria. Eu já sabia porque ela passeia nua de dia e na noite da minha vigília e nos capítulos dos meus sonhos mais medonhos. Sempre nua e minha e toda etérea, vem pousando toda aérea na atmosfera que anoitece. Aí o seu encanto me embevece e tudo em nós nos apetece, nada engilha, tudo enrijece, sorvo muito e bocadão. É de endoidar qualquer cristão porque o beijo da sua boca é o mais gostoso. O seu jeito a se entregar é tão demais delicioso, chega perco a vida e a noção. Isso é só provocação. Aí me torno cativo do carinho, ela faz com que amocegue o seu caminho e lhe sirva de escravo e servil. Estou a mais de mil e faço o que ela quiser. Dou-lhe tudo que tiver, dou-lhe posse e poder. Até não ter mais o que e me tenha despojado, réu confesso e condenado, dela todo poderio. Que desvario! Ela me soma em seus beijos quando em meus desejos ela se subtrai. É tudo demais! A gente se enrosca e se retalha em posta para servir de prazer. A gente abre as comportas, escancara todas as portas, todo limite a vencer. Aí me chama na grande e brame louca a valer, me explora pra sobreviver, a me fazer servo e senhor. E me faz seu pirão, me chama de bestão e me joga no seu balaio. Inda diz: ai, ai, meu papagaio! E a coisa dá na canela, de apertar todas as costelas, de desmaiar de paixão. E me faz seu refrão e quero que ela me ame como a musa de Modigliani, se entregue ronronando entrecortadas frases, feito Amy Winehouse com toda inquietude e deixe a minha morenice na sua branquitude sem que me visse pelas pernas entreabertas, eu que sentisse minha farra ereta no seu corpo lavado pelo estupor e o meu cio a chave certa, o seu grunhido e o seu sabor. Isso é que é show! Ela é linda e nua na minha loucura! É de fato. É como um retrato de valor que emoldura com torpor a candura do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOSA desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas. Pensamento do economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista alemão Karl Marx (1818-1773). Veja mais aqui.

A OBRA DE ARTE – [...] A percepção que deflagra a emoção pode nascer de um raio de sol, do voo de um pássaro que corta o céu da memória, dos aspectos mais desesperados e insignificantes do cotidiano. A obra de arte nasce como um mundo que se organiza: é sempre criadora de mundo. [...] Trecho da obra Arquitetura uma Arte para Todos (Fundo de Cultura, 1962), do escritor, educador, arquiteto e historiador estadunidense Talbot Hamlin.

O GENERAL DO EXÉRCITO MORTO – [...] No dia seguinte foram enterrados no local onde caíram e, nessa primavera, suas tumbas surgiram em todos os lugares, como se fossem incontáveis ovelhas espalhadas sobre as colinas que se elevam diante do mar. [...] E dessa vez, com toda certeza, os cantos devem ter evocado o mar, longínquo e pérfido. [...]. Trechos extraídos da obra O general do exército morto (Objetiva, 2004), do premiado escritor albanês Ismail Kadaré. Veja mais aqui e aqui.

DOIS POEMASI - Eu fio / Traço do caminho-sem-fim / No outro que meu corpo não repele / Nem cansa de olhar as rugas / Eu fio / Nos dias diante do corte / Definitivo, próximo, exangue / Navalha, lágrima, gume / Eu fio / Quando fujo do monstro / Saio do centro da dor / Percorro estreitas passagens / Eu fio / Não o solto entre os dedos / D'água / De claridade / De espanto que salta ao moribundo / Eu fio / Nas têmporas, dor, silêncio que acode / Costurando o abrigo / Cerzindo à pele, o rasgo aceso / Eu fio / No condutor da ruidosa manada / Que desce das altas janelas / Empreende fugas, se dispersa / Memória do porão / Árvore do Esquecimento / Eu fio / Remendando a mim mesma / Tantas que fui / Amarrando as botas do esmolo / Pregando botões de rosa no deserto / Girando o carretel, Nona, Décima e Morta / Trêmula diante da ceguidade e do buraco da agulha / Eu fio / Insólito diálogo sobre brasas / Nós cegos, emaranhados, suspensos e líquidos / Regato e sede / Eu fio / De voz / Berrando e esfolando as cordas da garganta / Cordão de isolamento e pêndulo / Eu fio / De esperança amortecida / De cabelo e mistério no tempo / Preso à cintura da vertigem. II - Se me curvo / Diante do obelisco em riste / Distante o céu é turvo / A garganta na tarde é triste / Logo a palavra vira urro / A língua que deseja insiste / Lavra desde o ventre o zurro / Animal que esquece o despiste / No quarto ouve-se um esturro / Deitada em ti consentiste / Apartada do mal do casmurro / Com teus líquidos me ungiste / Desejo que um dia foi chamurro / Quer que tu o conquiste / Sobre teu corpo é saburro / A lágrima de dor vira chiste / Se desfaleço após o grito / E guardo o obelisco que pulsa / Naquele quarto restrito / As pernas pareceram convulsas / Os olhares cumpriram um rito / As quimeras foram expulsas / Lançamos chamas de outro mito / Em nossas horas avulsas / O ritmo do nosso atrito / Os meus líquidos impulsas / Diante do lábio constrito / As gotas de sal e as insulsas / Meu manjar favorito / Quando prolongas e compulsas / Levas contigo meu espírito / Se acho que é meu foguete / E banho o obelisco fausto / Cansado daquele banquete / Daquela dança exausto / Viagem em um paquete / No íntimo vira um austo / Para defender um mosquete / Inverso do holocausto / Contrário ao torniquete / Beijando detrás do arbusto / Burlando qualquer piquete / Deitado continua augusto / No salão ou no bosquete / Sóbrio ou tonto de hausto / Invencível ginete / Afungenta o tempo infausto / Se para ele eu olho novamente / E fixo no obelisco deitado / Nem é preciso que tente / Ele não fica parado / Eu o mordo entre os dentes / Ele fica arrepiado / Se estiver doente / Fica rubro e sarado / Do meu desejo é depoente / Confidente do meu brado / Na paixão intermitente / Por morar do outro lado / No meu corpo é sol nascente / Em minha boca sagrado / São gozos irreverentes / Onde reina amarado / Se à noite me faz chover / Quando me roça o obelisco / Em minha boca ao se mover / No meu corpo desenha um risco / Lambuzo de enlouquecer / Do foguete eu arrisco / Dizer que vai amanhecer / Ao meu lado sempre um corisco / O que sou vem aquecer / No pula-pula arisco / Jamais vai os trovões vai esquecer / Nem todos aqueles chupiscos / Se vai subir ou descer / Tira do meu olho o cisco / No lençol umedecer / O meu precioso visco. Poemas da poeta e artista visual Cyane Pacheco. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 A arte da artista plástica e fotógrafa suiça Méret Oppenheim (1913-1985). Veja mais aqui.


MUSA DA SEMANA: JOZI LUCKA - A cantora e compositora Jozi Lucka é formada na faculdade de licenciatura em música. Ela estudou no Conservatório Brasileiro de Música, onde teve aulas de canto com Graziela de Salerno e com Paulo Louzada. Na mesma busca, depois passou a ter aulas de violão com Célia Vaz.


Primeiro, Winter Romance – um cd para o mercado japonês.

Depois o cd Intacta - lançado em 2002 - mostra a força da cantora e compositora.

Já trabalhou com Roberto Menescal, também nos vocais do disco de Emílio Santiago e participações em cds de artistas como Maria Creuza, Carlos Lyra, Rosa Maria Collen, Danilo Caymmi e no songbook de Dorival Caymmi. Também Lenine, Fátima Guedes, Moacyr Luz e Aldir Blanc emprestavam à Jozi suas canções inéditas para serem entoadas em palcos famosos da música carioca e tantos outros nesse nosso Brasil.

Ela participou do Projeto Aquarius, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do Maestro Isaac Karabtchevsky, para 60 mil pessoas nas areias do Leme. Depois foi selecionada para o prêmio Tim como revelação, ganhou espaço na grade da MTV com o clipe da música Empate, foi para as rádios e ganhou mundo nas asas da internet. Foi a única artista brasileira escolhida num concurso de música em Portugal na categoria de pop/rock. Está em estúdio gravando um novo cd com composições de sua autoria.


VEJA MAIS: MUSA DA SEMANA


Veja mais sobre:
Despertar, Friedrich Perls, Ezra Pound, Paul Valéry, Hilary Hahn, Consuelo de Castro Lopes, Carlos Reichenbach, Lev Chitovsky, Aldine Muller & Bruno Braquehais aqui.

E mais:
Só porque hoje é sábado, Carlos Drummond de Andrade, John Keats, Raphael Rabello, Claude Lelouch, Marguerite Arosa, Larissa Maciel, Anouk Aimée, Helmut Newton & Atenção sistemática à saúde aqui.
O romance do pavão misterioso, de João Melchíades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Biogênese, sadismo & outras loas tataritaritatá aqui.
Violência, Assírios & Sodoma, Antiguidades Judaicas, Alexandre, A guerra e a fé, O fantástico blitzkrieg, Colombo & as terras do Brasil aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem: Lachaise, by Ernst Barlach
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:

Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


ANNE-MARIE DE BACKER, EUGENIO MONTEJO, JASON STANLEY & ROALD DAHL

    TRÍPTICO DQP: A certidão da sobrevivência... Ao som do concerto Delicate Sound of Thunder - Live in New York (1988), da banda britâni...