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domingo, abril 12, 2026

CRISTINA GARZA, STELLA NYANZI, CAROL GREIDER & ARAMIS TRINDADE

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Debussy: La fille aux cheveux de lin (2025), My European Journey (2021) e Letters from Paris (2016), da violonista britânica Alexandra Whittingham. Veja mais aqui.

 

Memória visceral, segredo intersticial... - Era maio, foi. E em plena primavera, il Prete Rosso imprimia os acordes do Allegro em fá maior, terceiro concerto Le quattro stagioni, um anúncio outonal do vindouro solstício de inverno. Fora do tempo, a vida era brisa mansa fagueira nos olhos orvalhados, criança risonha, arteira: o quintal era o paraíso e se estendia às fugidas pela beira do rio, o reino encantado de todas as coisas. Mais dias, temores e pirraças: vingava na fruteira, legumes ou verduras; aos puxões de orelha e bra bre bri bro bru, crás! Tome! Pronde ia, a pele na parede rebocada, com as travessuras: menino traquino subia muro pra saber do depois. E só quando a noite, piongo se escondia arregalado pelo papa-figo e outras abusões sinistras. Assim crescia na correnteza de Valuna e mais. Até que adolesceu ousadia estival no meio do proceloso quarto concerto em fá menor e era pra si próprio: Il cimento dell'armonia e dell'inventione. Quase rapaz na invernada, um bigodinho ralo encorajador na cabeça de vento, imberbe idiossincrasia nos incipientes pelos das axilas e púbis, o punho solitário desbossulado pelas efígies coloridas, erotomania medonha estava escrita na testa. Tudo voava sem antes, o dia no idílio e as ideias tempestuosas pelas cachoeiras de sonhos. Se houvesse lonjura passava perto do fim do mundo, nada era demais no fastio das léguas engolidas, de audaz singrador pelos avessos e às voltas com a feiúra ocrídia, daquelas de quebrar espelhos. E vieram reveses, pisado curto: dava-se prazo. De resto, tinha coragem: vozes escuras insólitas e as funduras da vida. Podia fazer melhor: se acomodar ao vulgo ou alheio, acovardar-se; mas, não, ia. A mãe vestia branco e olvidava sua angústia impulsiva: medos e culpas, pseudologia fantástica e irrecuperável mitomania narcisista. O pai distante, idolatrava. Era mais um pendurado na ponta da corda. Mesmo assim, quando adulteza outonal chegou, não era mais que uma peraltice guilhotinando a hora no primaveril equinócio do barroco primeiro concerto, em mi maior. Houvesse quentura mormaçada, lavado de suor e lágrimas, segurava o teitei na pisada larga. Mais trovejasse e o raio era o salto com afinco sobrepujando percalços, recorrentes revertérios e o podium desmoronava pelo cimento mole, adivinhando o buraco escondido sob o aguaceiro. Precauções inúteis e escorregões nas escadarias, no asfalto, pedras falsas, a queda e a cara no tolote, sossega-leão, nada poupava risadas vindouras. Havia sempre fritura em ponto de exaustão, coisa de quase fora-da-lei. Nada não. Houvesse premência, nada mais que dedos estalando para acender provisão: segundos por semanas vencidas, meses por anos devorados. Piorava com a própria disgrafia disléxica e a doença de escrever na disortografia: tudo misturado, desconexo, mal inventado, a graforréia crônica, caráter anancástico e a aritmomania, o desarrazoado e a calamidade hipotética. Teibei! Endoidou? Intuía reconciliação: escrevia como se salvasse do autoexílio, ah, as ruminações mentais, as alucinações, coisa de louco. E o cúmulo: bandeira branca a meio pau, topava, aguçava as vistas e as ouças, rasteiro, apurava: agora vale imediato, nem seguintes nem antes, da vez, onde ou longe. Avaliava sobras e privações, não batia o desconforme e destilava seus próprios venenos. O que não dava jeito, inéditas coisas, feições demudadas. Então, peraí! Era a vez do melodioso segundo concerto em Sol menor, como se revivesse os versos da primavera de Neruda, o verão no aquário de Lygia, o outono de Knausgård e o inverno de Torga. Aprendia: do abismo, os ósculos da sorte; dos dias, o ritual dos renascimentos; e das noites: o segredo das constelações invisíveis. Assim, na sua vetustez, atinou das rugas e pelancas: a vida era plena no solstício de verão. Ué! O traquejo do sonâmbulo cavanhaque grisalho, quase abstêmio, tão e quão, nada tão sério quanto um chiste pra gaitada débil: história de muito assunto, sobre o mofo das coisas emborcadas, puídas, arriadas. Passou, passaram. Amplexos ocasionais, desapegos - túmulos, desesperos, niilismo, tudo muito póstumo e embalado pela primeira sinfonia em sol menor, de Tchaikovski, aos ecos do salmo: Todos os homens são mentirosos... E uma legião de impostores rondando pesadelos: um bando de sátiros, pinóquios, titeriteiros, espantalhos, duendes, mascarados, desfilavam espectrais, talvez avistasse assombrações desarrumadas de olho aberto. Mantinha a munheca trêmula em riste - previa o rasgado, proveito dos remendos: coincidência é retrato falso, sabia, o urdido se consumia, cogitava desengancho, havia de desfiar tudo no oco da mão surrada, premido pelo que se foi e escapuliu pela culatra aos demasiados. Se desde muito estafermo, não dava noutra: se a Terra dançava, a vida seguia. E tudo ia, foi atrás. Até quando? Ora. Até mais ver.

 

Lygia Fagundes Telles: Quando na realidade o amor é uma coisa tão simples... Veja-o como uma flor que nasce e morre em seguida por que tem que morrer. Nada de querer guardar a flor dentro de um livro, não existe nada mais triste no mundo do que fingir que há vida onde a vida acabou... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Cressida Cowell: Lembre-se: não há nada de errado em ter um senso saudável de autoestima... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Claire Wineland: A morte é inevitável. Viver uma vida da qual possamos nos orgulhar é algo que podemos controlar... Veja mais aqui & aqui.

 

É PRECISO ENLOUQUECER PRIMEIRO?

Imagem: Acervo ArtLAM.

Neste país abandonado por Deus \ as bocas dos homens estão caladas. \ O medo paralisa-os. \ A coragem das mulheres, esmorecida. \ Os seus filhos, mortos ou presos. \ Dizem que sou louca \ por dizer publicamente verdades \ que os anjos não ousam sussurrar. \ Dizem que sou perturbada \ por combater assassinos armados \ com posts no Facebook e poemas. \ Eles olham-me e abanam as cabeças. \ Perguntam-se quem me terá enfeitiçado. \ Olho-os de volta e suspiro. \ Fomos todos reduzidos a isto? \ Será preciso enlouquecer primeiro \ para dizer a verdade ao poder \ neste país abandonado por Deus?

Poema da poeta, antropóloga, médica e feminista ugandense, Stella Nyanzi. Ela é ativista, defensora dos direitos humanos, dos direitos queer e da sexualidade, do planejamento familiar e saúde pública. Veja mais aqui.

 

O INVENCÍVEL VERÃO DE LILIANA – [...] Viver em duelo é isso: nunca estar sozinho. Invisível, mas patente de muitas formas, a presença dos mortos nos acompanha nos minúsculos interstícios dos dias. Por sobre o homem, a um lado da voz, no eco de cada passo. Arriba das janelas, no fio do horizonte, entre as sombras das árvores. Sempre está lá. e sempre estás aqui, con y adentro de nós, e afuera, envolvendo-nos com sua calidez, protegendo-nos da intempérie. Este é o trabalho do duelo: reconheça sua presença, decirle que sim a sua presença Sempre há outros olhos vendo o que vejo e imagina esse outro ângulo, imagina o que uns. sentidos que não meus filhos poderiam apreciar através dos meus sentidos, bem mirado, uma definição pontual de amor. O duelo é o fim da solidão. [...]. A liberdade não é o problema. Os homens são o problema — homens violentos, arrogantes e assassinos. [...]. Trechos extraídos da obra Liliana's Invincible Summer (Hogarth, 2023),da premiada escritora, ensaísta e poeta mexicana, Cristina Rivera Garza. Veja mais aqui & aqui.

 

DISLEXIA - Quando criança, eu me achava burra porque precisava de reforço escolar. Só muito mais tarde descobri que era disléxica e que minha dificuldade com ortografia e pronúncia não significava que eu era burra, mas essas primeiras impressões ficaram comigo e influenciaram meu mundo por um tempo... No ensino fundamental, descobri que podia me sair bem na escola. Lembro-me de gostar da liberdade de escolher as disciplinas e do prazer de aprender e ter um bom desempenho. Minha perseverança e meu amor pela leitura, de alguma forma, me permitiram superar muitas das desvantagens da dislexia, e eu lia muitos livros por prazer... São necessários anos para perceber os múltiplos benefícios da ciência; sem financiamento adequado e contínuo para a pesquisa, a carreira de muitos jovens cientistas brilhantes pode ser interrompida abruptamente... A ciência pode promover a compreensão entre as pessoas em um nível realmente fundamental... Pensamento da bióloga molecular estadunidense Carol Greider, que descobriu a telomerase em 1984. Suas pesquisas relacionadas à proteção dos cromossomos através do telómero, juntamente com Elizabeth Blackburn Jack Szostak renderam-lhe o Nobel de Medicina/Fisiologia de 2009.

 

A ARTE DE ARAMIS TRINDADE

Nós temos uma ferramenta muito importante na educação – é o teatro. Ministra o conteúdo e facilita o aprendizado. É muito didático, através da encenação passamos muita informação...

Trecho da entrevista (Ciranda de Palavras, 2018), concedida pelo ator, produtor, diretor e humorista, Aramis Trindade (Aramis Marques de Trindade Sobrinho), conhecido por suas atuações em filmes como O baile perfumado (1997) e O auto da compadecida (2000). Ele começou sua trajetória artística aos 13 anos de idade, num circo em Fazenda Nova (PE). Daí foi pro teatro e, a partir de 1982, atuou em espetáculos como Lisbela e o prisioneiro (2000-2002) e Não vamos pagar (2016), entre outras peças teatrais. No cinema, além dos mencionados, participou de Bandeira, Bandeiras (1986), Tainá 2 - A Aventura Continua (2005), Árido Movie (2006), Zuzu Angel (2006), Gonzaga - de Pai pra Filho (2012), totalizando mais de 60 filmes. Na TV participou de séries, novelas, programas, entre outras apresentações, afora produzir curtas metragens. Veja mais aqui.

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ABRIL ÍNDIGENA

Acontecerá no dia 15 de abril, o Abril Indígena da UFPE, ocasião em que o Mata Sul Indígena tratará sobre a experiência do Museu do Povo Marikito Tapuyá, do artesanato Anuará e exibição do doc. Matapiruma, retratando o trabalho dos cortadores de cana no Engenho Matapiruma, em Escada (PE). O evento contará ainda com atividades culturais, valorização de direitos e saberes dos povos originários e o Acampamento Terra Livre (ATL), integrando-se ao cenário nacional a ações da FUNAI, com a temática "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós".

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ESCRITORES DA MINHA TERRA

Dia 14 de abril, 14h, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto (Palmares-PE).

 

Nelson Rodrigues aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Lívia Falcão aqui & aqui.

Naná Vasconcelos aqui, aqui, aqui & aqui.

Paula Berinson aqui.

Alberto da Cunha Melo aqui, aqui & aqui.

Janete Maria Lins de Azevedo aqui & aqui.

José Barbosa aqui & aqui.

Gio Simões aqui.

Marcelino Freire aqui, aqui & aqui.

Joana Liberal aqui.

 


segunda-feira, abril 22, 2019

LYGIA FAGUNDES TELLES, HILDA HILST, LEO BROUWER, MAURIZIO BARRACO & EPÍSTOLA SOLITÁRIA


EPÍSTOLA SOLITÁRIA – Olha a dida, 1 real! Não era isso, só personagem. Vestiu-se da bermuda vermelha, suspensórios, blusa branca de algodão, meião e sapatilha, boné, foi pro mundo, carregado. A máscara, a própria face nua: fisionomia do desassossego, premência da vida. Um curioso: Tem de quê? Morango, cajá, coco, sabores... O sonho de escritor distante, talento algum entre frases desconexas. Cometia versos esdrúxulos, enchia o peito entoando dores: voz estival no negrume invernoso: erros de alvo, talhos da alma. Suportava o escárnio, miséria calamitosa e suicida. Olha a dida, 1 real! Hem? Graviola, araçá, mangaba... O calor capaz de degelar tudo, até seu coração de rio. Também sangrava no mormaço, arrastando os ferros da chacota entre centavos e engulhos, cuspe escasso na consideração. Tem esfirra? Cavaco? Lágrimas no picolé. Gente, muita gente, 2 para 500, ofertas, liquidações, jogo, chamamentos, toldas, parques de diversão, praça entulhada de rostos vazios, duas de quinhentos no pátio da igreja, músicas de radiola de fichas, o cabaré do meio dia. Arrodeava, as ruas cheias de pernas. Fim da tarde, a mão alisa o queixo, vergonha é coisa sem vigência. Não havia lenda na situação tão sisuda. Ao banheiro, porta aberta, entrou, a micção. Pronto, novo fôlego, higiene pessoal, o trinco, cadê? Mãos molhadas, nenhum ferrolho, maçaneta, trancado. E agora? Sábado, todo mundo já largou, 36 horas de espera, a fome, a sede, pensando, o passado envelhecido, ressentimentos redivivos, frustrações, mágoas, fazer o quê? Só faltava essa! As didas que sobraram dava para molhar o bico pela noite, outro dia inteiro, domingo mais sem jeito, mais uma noite longa, madrugada infinda, amanhecer vazio. E se a segunda fosse feriado? Faça isso não! A sorte por um triz. Nenhuma dida, a pia, o espaço da cela, o estuque de mármore, a água do vaso sanitário, o buraco do chuveiro tapado com um toco de madeira, o chão frio, o calor de lascar: Vou morrer, ninguém dará conta. Pagar todos os meus pecados: Quem mandou errar tanto na vida? Bem empregado. Esperar, esperança longínqua. Vozes. Tem alguém aí? Tem. Vai demorar? Estou preso! E beibeibei, pesadas, pé de cabra, arrombamento. Finalmente, o alivio, o frio do mundo se libertara. E ele, com tanta gente, sitiado exangue na sua solidão. Era só voltar para casa, dar conta do sumiço, aguentar o resto de vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Então ressoaram os passos dele num andar atribulado. A chave deu uma volta quase completa na fechadura. A maçaneta preta girou. Ficamos um defronte do outro. Ele estava mais magro, a barba crescida. Os olhos tinham um brilho de febre. [...] Debruçou-se na mesa, apanhei um lápis e comecei a desenhar distraidamente numa folha que tinha um borrão de tinta. Como dizer-lhe que ele também representava? E tão mal. Decorara o papel e agarrava-se a ele sem talento, sem vocação. O que aconteceria quando descobrisse que a solução era rasga-lo? [...] Limpei na saia as palmas úmidas das mãos. Só porque não era proibido? Quis perguntar-lhe. Tirei os sapatos. [...] Sorri para mim mesmo. Não? Se o amava, estava condenada. Se não o amava, estava condenado ao castigo maior de viver sem amor. Não havia mesmo por onde escapar. Ajoelhei-me diante dele. [...] Tomei-lhe as mãos. E vi no seu pulso uma cicatriz de bordas franzidas como uma boca que se nega a falar. [...].
Trechos extraídos do romance Verão no aquário (Presença, 2006), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.  

A MÚSICA DE LEO BOUWER
A música do violonista, compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo Brouwer. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista visual italiano Maurizio Barraco
Veja mais aqui, aquiaqui.
&
A OBRA DE HILDA HILST
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas
escomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te
sôfrega
Como se fosses morrer colado à
minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do
amanhecer.
A obra da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, novembro 08, 2018

LYGIA FAGUNDES TELLES, ALISA WEILERSTEIN, TRESERRAS, NARCISAURA & SARAU AMIGOS DA ARTE


VIÚVA NEGRA - Imagem do artista francês Louis Treserras. - Narcisaura era bela e triste, pelos cantos, nem falar falava. Belíssima como a paisagem da tarde de verão em que o Coronel Barradão botou os olhos nela e logo se interessou: Quem é aquela putinha linda? Logo soube, capatazes pra isso. Foi ter com o pai dela: Ô Narcisildo, vou pegar tua filha pra casar! Pode levar, Coroné. E pegou-la, pôs nos braços e saiu ladeira abaixo, casa grande adentro: Cambada! Chegou a rainha da casa! As serviçais todas apareceram às carreiras: Quero banho, limpeza e formosura do melhor de tudo pressa aqui e agora! A rainha do meu império! Levaram-na aos gritinhos, risadagens e cochichos. Ele, então, apoderou-se de um copo e ficou bebericando da aguardente forte como o seu bafo, cuspindo no chão, enquanto pensava em casar, coisa que nunca quisera na vida, jamais, como podia acontecer justo agora, estava amarrado de paixão e aguardava o banho de loja. Imaginava uma grande festa, não, melhor não, uma cerimônia só para íntimos, com padre e juiz, não, isso não, nunca! Uma, duas, três doses, meiota, litro esvaziado, outro às doses, lá pras tantas ela aparece encantadora. Ele arregala os olhos espatando com tanta boniteza: Ô mulé bunita da gota! Então, abre a cortina e um lindo altar com um trono no cume aparece, ele toma-lhe uma das mãos e sobe degrau a degrau até sentá-la no trono: Daí você, minha rainha, só sai pras três refeições e pra cama comigo, nada mais; esse o seu trono de deusa. Ele desce, retoma o copo e fica admirando a lindeza. Toma todas as providências para que ela assuma o seu poder: fazenda, negócios, tudo dela. Nessa hora entra um jagunço: Que é cabra? O caboeta cochicha em seu ouvido: Mande ele vir aqui, agora! E volta pro seu entretenimento de não piscar o olho de tão arrebatado por tamanha beleza. E jurava amor e tudo dele pra ela, tudo. Alguns instantes depois, um sujeito espadaúdo, musculoso, rústico, deferente, entra e a ele se dirige: Sim, senhor, Coronel! Ela viu aquele moço corpulento, não conseguiu evitar-lhe o olhar. Eu soube dumas ações de vossência, é verdade? Sim, senhor. É isso mesmo que me contaram? Sim, senhor, sou seu escravo, estou às suas ordens. Está despedido! Não quero aqui ninguém mais macho que eu, caia fora e já. Sim, senhor. Ao sair, ela acompanha seus passos sem conseguir deixar de vê-lo, o porte atlético, a macheza, a robustez. Agora, minha deusa, desça e vamos já pro serviço no meu quarto. Ela desceu, ele a levou gentilmente nos braços e quando cerrou as portas, só se ouvia os gemidos e os gritos dela aos caprichos dele. Três dias ali enfurnados, ele nas intimidades dela. Logo ela se viu na monotonia de viver pendurada no trono dias, tardes e noites. Aos cochichos com as mucamas, soube a real razão da demissão daquele rapaz: pegava cobra de mão, matava bicho de murro, cabra mais macho do mundo, era Hércules o nome dele. E ela suspirava. Cadê ele? Ninguém sabia mais seu paradeiro. Já sei o que fazer. Dez dias se passaram e apartir daí o Coronel Barradão começou a definhar, raquítico, tísico, secou, bateu as botas, enterrado no oitão da fazenda, no jazigo da famíla. Tudo era dela, a viuva. Cadê Hércules? Ninguém sabia. Uns dez meses depois, cansada da procura, encontrou um bonitão de voz maviosa e cheio dos galanteios: o Ronitércio que chegava com uma mão na frente e outra atrás, lábia de derrubar o céu e o inferno, virilidade para dar e vender na maior safadeza. Ela agarrou-se nele de perder as saias, as anáguas, as calcinhas e quase a própria vida: o amor acontecia pela primeira vez na vida pra ela. Nem dois anos se passaram, a infidelidade dele de passar o rodo em quantas cruzassem seu caminho, chegou aos seus ouvidos. Como? Ah, é. Jurou vingança e dez dias depois ele começou a encruar, esmoreceu, até se esgotar de ficar só os ossos. Outro pro mausoléu da fazenda. Ela não derramou uma mínima lágrima, fechada, silenciosa, tristonha: Homem nunca mais! Isso, um ano e meio depois, aparecer o ricaço Ivonetildo com um baú repleto de posses: escrituras, dólares, ações do mercado, ouro e petróleo, tudo pra ela, ele e suas posses aos seus pés. E ela: Beije meus pés. E ele lá, por horas, ajoelhado aos ósculos e mimos. Lamba o solado dos meus pés! Não só lambidas, carinho extremo nos membros inferiores dela. Não passe do calcanhar, seu merda! Dias e mais dias e ele ali se arrastando aos seus caprichos. Vá embora, chato! Ele não ia, chorava, esperneava para ficar ao lado dela, queria era casar. Ela então passou a fazer exigências, tudo ele trazia e dava, de papel passado e tudo. Já tomei tudo, mas por via das dúvidas, vou casar com ele. E casou sob a condição dele nunca tocá-la sem autorização, só os pés, as pernas ou onde só quando ela mandasse. Ele aceitou, jurou pro padre e pro juiz. E se passaram alguns meses, quando quase um ano, o homem começou a murchar de sobrar só a caveira. Enviuvava pela terceira vez, poderosa e abastada. Nem havia passado o luto, ela viu alguém que já conhecera passando na rodagem em frente da fazenda. Quem é aquele que vai ali? É Hércules. Vá lá e mande ele vir aqui, é uma ordem! Ele veio, ela quase desmaia diante daquele que mexera com seu íntimo desde o primeiro dia. O que está você fazendo da vida, homem? No momento estou desempregado, senhora. Está empregado, você vai tomar conta de toda fazenda. Sim, senhora. E só se ouvia o dia pela noite: Hércules! Hércules! Ele pra lá e pra cá, dentro do quarto, virando a noite, mandando e desfazendo as coisas, saciando a patroa em tudo, aos beijos e solavancos pela sala, na escada, nos batentes, na cozinha, no passeio do jardim, até o dia que ela abriu a cortina e ofereceu o trono da casa a ele. Hércules olhou pra ela e disse: Já tenho tudo aqui, minha senhora. Eu quero você lá! Não nasci para ser rei, nasci para ser escravo e cumpro a minha missão. Eu ordeno! E ela agarrou-se nele sedenta para ser possuída por ele subindo os degraus até o trono. Assim foi o resto da noite até o dia amanhecer. Ao despertar, procurou por ele e só restava o lugar mais limpo. Hércules! Hércules! Nem sinal dele. Cadê Hércules? Ao dar por si, todas as faces da casa respondiam cabisbaixas que ele havia ido embora. Ela chorou por meses. Ele nada dissera, mas a população já dizia que ela havia matado os outros três maridos com um chá de sapo, por isso, ele foi embora desconfiado, para não morrer. Agora todos a condenavam, ninguém sequer sabia do que ela havia passado na infância e na adolescência, ninguém sequer desconfiava, somente ela, sozinha, tristonha. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS:
Anoiteceu e faz frio, quarenta e quatro anos e cinco meses, como passa rápido “Meu Deus”, eu sinto o frio circular que sai do assoalho e se infiltra no tapete, meu tapete é Persa, aliás, todos meus tapetes são Persas. Mas eu não sei o que esses bastardos fazem que não impedem que o frio se instale. Onde agora, onde?  Eu poderia pedir que acendessem a lareira, mais eu mandei o copeiro ir embora, o copeiro, a arrumadeira, a cozinheira; todos rua, um a um, uma corja que ri de mim pelas costas. Mas onde agora, onde?  A lenha, em algum lugar da casa, mais acender a lareira, não é tão fácil como parece no cinema, o xinês ficava horas e horas assoprando e mexendo até acender e eu mal tenho forças para acender meu cigarro. Onde agora, onde?  Eu desliguei o telefone da parede, peguei a garrafa de whisky, estou sentada aqui a não sei quanto tempo, bebendo, mais bebendo devagar, por que hoje, hoje eu não quero ficar bêbada, hoje não. Engraçado sabe, eu to sentada aqui a não sei quanto tempo, foi escurecendo e eu não acendi as luzes da casa e agora que está escuro eu vejo, vejo essa sala exorbitando de riqueza, uma riqueza inútil, fútil, coisas que eu comprei nas minhas viagens pelo mundo a fora e eu nem lembrava mais que tinha. Mas onde agora, onde?  Eu tenho um velho que me dá dinheiro, um jovem que me dá gozo e um sábio que me dá aulas de doutrinas filosóficas, uma filosofia tão platônica que na segunda aula ele se deito comigo, mais você acha que eu me importo com que ele ou qualquer pessoa pensa de mim? Claro que não, mais eu já me importei. E por causa da opinião alheia, é que hoje, ah hoje eu tenho um casaco de Vizon, um gato Siamês, eu tenho um sapato com fivela de diamante, eu tenho um piano com calda, uma chácara com piscina, um diamante que é quase do tamanho do ovo de uma pomba e um aquário com floresta de coral no fundo. Mas eu trocaria tudo, tudo, anéis e dedos, mais uma vez, só mais uma vez, ouvir o som do saxofone e saber que ele está bem em algum lugar, nem pediria para vê-lo, não eu não pediria tanto. Mas onde agora, onde? A primeira vez que nós nos amamos foi numa praia e era uma noite muito quente, então nós entramos na água do mar nús e a água parecia a água de uma banheira, uma água morna e ele ficou assustado quando eu disse que nunca tinha sido batizada, então com as mãos em concha, ele pegou a água depositou na minha cabeça e disse: Eu te batizo Luiziana, em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, Amém! Eu pensei que ele tava brincando, mais ele nunca falou tão sério em toda sua vida. Luiziana, Luiziana, nunca mais ninguém me chamou assim. Onde agora, onde?  Nessa noite na praia eu disse a ele: Se você me ama, me ama mesmo, suba naquela duna, nú como está e toque seu saxofone o mais alto que você puder até a polícia chegar! Eu corri, vesti minha roupa, por que ele tocava tão alto que eu sabia que a polícia não ia demorar. Ah, ele tinha o cabelo todo bagunçado, a camiseta despencada, o sapato um lixo, mais o sorriso, ah, o sorriso era tão branco, tão lindo, que quando ele sorria eu parava de sorrir só para ficar olhando o sorriso dele.  Ele me levou pra morar com ele, era um apartamento no 10º andar, era um apartamento pequeno, pobre, feio, sujo, mas nós nos amamos tanto e fomos tão imensamente felizes naquele 10º andar. Em uma noite, uma noite ele me levou para jantar e afinal eu disse á ele: Se você me ama, me ama mesmo, dei me cá seu saxofone e suba naquela mesa, grite o mais alto que você puder cornudos, todos cornudos! Ele me entregou o saxofone, enquanto eu saia envergonhada eu escutei ele gritando: cornudos, todos cornudos! Me alcançou na rua e me implorou: Luiziana não me negue, não me negue. Era um amor grande demais, entende? Eu não sabia o que fazer com um amor tão grande assim, na hora a gente nunca sabe. Por acaso alguém dá valor na respiração? Haha, da né, quando ela se esculhamba toda, ai todo mundo da valor. “Poxa eu respirava tão bem.” Mais na hora que ta tudo dando certo, a gente não dá valor, eu não dei. Comecei a ficar exigente sabe; Se você me ama, me ama mesmo, me dê um par de brincos! Se você me ama, me ama mesmo me dê um vestido novo! Se você me ama, me ama mesmo me leve pra jantar em lugares chiques! Se vc me ama, me ama mesmo…, ele começou a trabalhar tanto que ele saia pra tocar nos bares durante a noite e só voltava no outro dia, já amanhecendo, cansado ele deitava na cama enrodilhado tocava o saxofone e ainda me dizia: Luiziana, Luiziana você é minha música e eu não vivo sem música. E abocanhava o bucal do saxofone como fazia com meu seio. Eu quis terminar sabe, mais eu não tive coragem, então eu decidi que eu faria tudo pra que aquele amor apodrecesse de tal forma que um dia ele fosse embora e nem olhasse para trás de tanto nojo. Então uma noite, uma noite eu tinha um compromisso, nessa época eu vivia cheia de compromissos, pintava meus olhos diante do espelho e ele tocava saxofone, eu ia me encontrar com um banqueiro sabe, ele sabia disso, então eu parei, parei de pintar os olhos, olhei pra ele e disse: Se você me ama, me ama mesmo, sai daqui agora e se mate, imediatamente!
Conto Apenas um saxofone, extraído da obra Antes do baile verde (Bloch, 1970), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Obra transformada no curta metragem homônimo, dirigido por Heber Trigueiro, em 2008, e estrelado pela atriz Solange DeBarros. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista francês Louis Treserras.
Veja mais aqui.

AGENDA:
Sarau Amigos da Arte & muito mais na Agenda aqui.
&
O que foi do passado, Cecília Meireles, Marie Curie, Albert Camus, Irene Duarte, Ribeirão, John McLaughlin, Felicja Blumental, Wagnert Tiso & Ida Presti aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da violoncelista estadunidense Alisa Weilerstein: Cello Concert Edward Elgar, Cello Suite Bach, Sonata Brahms & Cello Concert Dvorak & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.


segunda-feira, março 12, 2018

LYGIA FAGUNDES TELLES, SCHLEGEL, AUGUSTO DE CAMPOS, PIAZZOLLA, TETÊ ESPÍNDOLA, SYD FIELD & JENNIFER HANNAFORD

RUMO AO DESCONHECIDO – Imagem: arte da artista visual estadunidense Jennifer Hannaford. - Para onde eu vou, qualquer caminho, nada a perder ou achar. A insatisfação não leva a lugar algum nem pra quê. Onde estou, qualquer lugar, todo caminho dá na venda, água pro rio, rio pro mar. Longe é um lugar que não existe, quantas léguas, nenhum relógio, do tempo só sei de ontem, agora, qualquer coisa, só saberei ao chegar. Levo comigo nenhuma certeza, nem preciso, tudo que não sei, resta aprende o que for. Dali pra diante, nunca se sabe. Não há como errar, quantas encruzilhadas, achar o que for, nem precisa saber das horas, nuvem que passa, nunca é tarde, nada por acaso. Tanto pra andar, da curva pra porta fechada, muito que aprender, só se sabe mesmo depois, haja chuva ou sol de verão, haja estrela no céu ou maior temporal, seja de leste a oeste, ou norte pro sul, eu sei que vou ou terei de voltar. E se o dia escurece, levo a noite comigo até amanhecer. O que será doce ou azedo, a despeito que esteja passado ou no ponto. Quem dera não mais escolher, azul ou encarnado, ou por analogia e dessemelhança, erro e acerto, nada, seja arco-íris, aurora boreal, madrugada austral, correnteza de oceano, ventos e vendaval. Amanhã saberei o que nem possa supor, desde o elo entre o coração e a língua, o verbo, o que se dissipe ou não, desde a pedra menfita da criação, sempre quis ser maior que as minhas ideias. Até lá vivo cada instante sem perder a oportunidade de ser feliz, haja o que houver, tudo é possível, até o inacreditável, o inesperado. Assim é a vida e seus insondáveis mistérios, e nela vou e estou pro que der e vier, vou e voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Todo dia é Dia da Mulher especial com o bandoneonista e compositor argentino Astor Piazzolla (1921-1992): Montreal Jazz Festivcal, Argentine Tango Music & Los cuatro estaciones porteñas; a cantora compositora e instrumentista Tetê Espíndola: Piraretã, Lírio Selvagem & ao vivo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Talento é um dom divino: ou você tem ou não tem. Mas isso não interfere com a experiência de escrever. Escrever traz gratificações exclusivas. Aproveite-as. E as transmita. Pensamento extraído da obra Manual do roteiro (Objetiva, 1995), do roteirista, produtor, professor e conferencista estadunidense Syd Field (1935-2013).

A IRONIA & O PARADOXO - [...] Para poder escrever bem sobre um objeto, é preciso já não se interessar por ele; o pensamento que se deve exprimir com lucidez já tem de estar totalmente afastado, já não ocupar propriamente alguém. Enquanto o artista inventa e está entusiasmado, se acha, ao menos para a comunicação, num estado iliberal. Pretenderá dizer tudo, o que é uma falsa tendência dos gênios jovens ou um justo preconceito de escrevinhadores velhos. [...] A ironia socrática é a única dissimulação inteiramente involuntária e, no entanto, inteiramente lúcida. Fingi-la é tão impossível quanto revelá-la. Para aquele que não a possui, permanece um enigma, mesmo depois da mais franca confissão. Não se deve enganar ninguém, a não ser aqueles que a tomam por engodo e que, ou se alegram com a grande pândega de se divertir com todo mundo, ou ficam fulos, quando pressentem que também estão sendo visados. Nela tudo deve ser gracejo e tudo deve ser sério: tudo sinceramente aberto e tudo profundamente dissimulado. Nasce da unificação do sentido artístico da vida e do espírito científico, do encontro de perfeita e acabada filosofia-de-natureza e de perfeita e acabada filosofia-de-arte. Contem e excita um sentimento do conflito insolúvel entre incondicionado e condicionado, da impossibilidade e necessidade de uma comunicação total. É a mais livre de todas as licenças, pois por meio dela se vai além de si mesmo; e, no entanto, é também a mais sujeita à lei, pois é incondicionadamente necessária. É muito bom sinal se os harmoniosamente triviais não sabem de modo algum como lidar com essa constante autoparódia, na qual sempre acreditam e da qual novamente sempre desconfiam, até sentir vertigens, tomando justamente o gracejo como seriedade, e a seriedade como gracejo. [...] Trechos extraídos da obra O dialeto dos fragmentos (Iluminuras, 1991), do filósofo, poeta e filólogo alemão Friedrich Schlegel (1772-1829).

EU SOU UM GATO –  Ele fixaria em Deus aquele olhar verde-esmeralda com uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a humildade do cachorro, o gato não é humilde, ele traz viva a memória da liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo. [...] O gato apenas sorri no ligeiro movimento de baixar as orelhas e apertar um pouco os olhos como se os ferisse a luz, esse o sorriso do gato. Secreto. E distante. Nem melhor nem pior do que o cachorro mas diferente. Fingido? Não, porque ele nem se dá ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria voltar porque não existe definição melhor para um felino. E para certas pessoas que falam pouco e olham muito. Cavilosidade sugere cuidado, afinal, cave é aquele recôncavo onde o vinho fica envelhecendo em silêncio, no escuro. Na cave o gato se esconde solitário, porque sabe do perigo das aproximações. Mas o cachorro, esse se revela e se expõe com inocência, Aqui estou! Trechos extraído da obra A disciplina do amor (Nova Fronteira, 1980), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SONETERAPIADrummond perdeu a pedra: é drummundano. / João Cabral entrou pra academia, / Custou mas descobriram que caetano / Era o poeta (como eu já dizia) / O concretismo é frio e desumano, / Dizem todos (tirando uma fatia). / E enquanto nós entramos pelo cano, / Os humanos entregam a poesia. / Na geléia geral da nossa história, / Sousândrade Kilkerry Oswald vaiados, / Estão comendo as pedras da vitória. / Quem não se comunica dá a dica: / Tó pra vocês chupins desmemoriados, / Só o incomunicável comunica. Poema do poeta, tradutor e ensaísta brasileiro Augusto de Campos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual estadunidense Jennifer Hannaford
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II Colóquio Internacional de Pedagogia do Teatro – COLIPETE
II Encontro Vozes: As mulheres na Filosofia
Oceanos Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa
I Fórum de Ecologia e Educação Ambiental (FEEA)
Bando de Mônadas, de Vital Corrêa de Araújo
& muito mais na Agenda aqui.
&
Os seus versos, danças & cantos do Cacrequin, a música de Jasmine Guy, a pintura Renata Domagalska, o cinema de Lívia Perez, a arte de Luciah Lopez, Vera Lúcia Regina & Crônica de amor por ela aqui.

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...