segunda-feira, outubro 29, 2012

BOCAGE, DAGOGNET, BERLEANT, LOYOLA BRANDÃO, WEININGER, MARCELINO, SAMARONE, MULHER & LITERÓTICA


 

A arte da pintora russa Marianne von Werefkin (1860-1938).


 

LITERÓTICA: DOS VERSOS & POSES DELA - Lá estava ela latejante e terna acomodada confortavelmente ao chão com seus olhos de manhãs enclausuradas nos interstícios da viuvez, tão famélicos quanto pedintes às vorazes súplicas e ternos convites ao conluio dos corpos, como se ensinassem os tantos e muitos passos do amor. Lá estava com o sorriso enluarado de estrelas faiscantes como se ousasse abocanhar escondendo a língua ondulatória e insana das mais expressivas promessas de céu e paraísos faustos de lambeduras e chuchares a sorver o as gotas salpicadas da glande inchada de ereção, ávida da seminal explosão do prazer. Lá estava com seus seios abastados de todos os amparos mais aconchegantes nos abraços de cativantes paradeiros e a levarem às curvas de contornáveis mares dantes navegados por noitedias insones de extremados prazeres de idas e voltas reiteradas, a permitir serpentear as sinuosidades de sua carne excelsa, a me provocar zis astúcias tentadoras de quem se joga à espera do prazer nos seus pés descalços de tantos passos que ensaiam as pernas que se perderam enroscadas às minhas errantes horas de chegar e partir para nunca mais. Lá estava ela com suas coxas vertiginosamente chamativas de escâncaras e gulodices para o treino peripecial das escaladas mais íngremes e exitosas, com todas as boas vindas ao teimoso explorador de todos os territórios mais longínquos. Enfim, lá estava ela como se me desse por regaço a mina de todas as câmaras paradisíacas, por guarida da minha venturosa posse aos segredos e tesouros iniciáticos para estupenda revivescência da plenitude de sucessivos orgasmos. Lá estava ela com mil poses de dares e tomares para minha cobiça gulosa seja incendiada com o que sussurra a se dizer bruxa - a mais linda entre deusas e profanas, a sonhar acordada soltando loas e versos picantes no meio de uma saudade que jura se perder desolada e seminua pelo chão, enquanto se ajeita manhosa só para me enlouquecer. Disso não olvidei nem me fiz de rogado, nela mergulhei para me empanturrar na sua entrega inebriante. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOSSempre que tento pensar sobre lógica, minhas ideias ficam tão vagas que nada chega a se cristalizar. O que sinto é a maldição de todos aqueles que têm só meio-talento; é como um homem que nos leva por corredor escuro com uma vela e justamente quando estamos no meio do corredor e a vela se apaga e ficamos sozinhos. Pensamento do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O espectador oscila entre dois polos opostos, oque não deixa de nos lembrar dos princípios gerais da pintura religiosa: de um lado terrestre, as alusões, de outro lado, o vazio, o aéreo. E quem não ficaria incomodado por essa alternância. Pensamento do filósofo francês François Dagognet (1924-2015).

 

A ARTE & A NATUREZA - [...] a natureza, no sentido da terra separada da intervenção humana, desapareceu na sua grande parte. Vivemos num mundo profundamente afetado pela ação humana, não só na destruição quase completa da primitiva natureza selvagem do planeta e na distribuição da flora e da fauna longe dos seus habitats originais, mas também, na alteração das formas e das características da superfície terrestre, do seu clima e da própria atmosfera. [...] Não só a natureza é visivelmente afetada pela ação humana, como a nossa própria concepção de natureza emergiu historicamente e diverge amplamente de umas tradições culturais para outras. O que queremos dizer com natureza, as nossas crenças sobre a vida selvagem, o reconhecimento de uma paisagem, o nosso próprio sentido de ambiente, todos eles fizeram aparições históricas e foram entendidos de maneiras diferentes em diferentes tempos e locais. Não é surpreendente que uma estética que aspira a universalizar como as ciências tenha dificuldade em encaixar a natureza. [...]. Trecho extraído de A estética da arte e a natureza (2004 – CFUL, 2011), do filósofo estadunidense Arnold Berleant.

 

MANUAL DE FALHAS – [...] Penso nas regras a serem cumpridas. Rituais sagrados da vida moderna. Tenho instantes de lucidez: homens como eu devem se desviar das normas, instituindo, com seu comportamento, novas regras, que acabam se tornando tendências (faróis) do seu tempo. Assim se recebe da mídia uma repercussão eficiente. Está claro que sem mídia nada sou. Nada somos. Nada serei. Não permanecerei, e nenhum de vocês, meus telespectadores, ou cinespectadores (ainda que tenha feito tão pouco cinema, o ter de ficar esperando entere cenas me irrita, ainda não inventaram uma técnica veloz de filmagens), saberá como vivi. O público vive de acordo com normas impostas pelos célebres. O que fazem, como agem, o que pensam é lei, documento de nosso tempo. Não exagero. Na mídia está o Manual de Sobrevivência: o que vestir. O que comer. Onde comer. O que beber (drinque do momento, palavra horrenda essa, drinque). Os vinhos recomendados. O must da estação. A entrada apropriada para um jantar. O queijo, o pão (bagel anda emmoda). Existem padarias que são points, locais procurados pelos colunistas, fotógrafos. A tradição foi iniciada no Sumaré, com padaria ao lado da antiga TV Tupi, a emissora do indiozinho, a pioneira. Eu daria tudo para estar naquela foto histórica da primeira transmissão de televisão no Brasil. Ali se vê Chatô (preciso reler o Fernando de Morais), o apresentador Homero Silva e uma jovem desconhecida. Essa jovem é uma desconhecida de rosto célebre; eu seria um, em início de carreira. As verduras e legumes naturais, sem agrotóxicos ou não-transgênicos. Ainda não sei o que a palavra transgênico significa exatamente, sei que minha atitude deve ser de desconfiança ou repulsa mesmo diante dela; pega bem. A roupa do momento. A gola. O punho. O comprimento das mangas. O caimento das alças. Felizmente há livros para orientar. Agradeço a Glória Kalil, Constanza Pascolato, Fernando de Barros. Decorei seus manuais, observei, pelas fotos e acontecimentos sociais, como se vestem. As cores da estação. O tipo de sapato. De salto. O cinto. A carteira de dinheiro. O melhor cartão de crédito a ser exibido. A praia a se frequentar. O maiô – não se diz maiô, é sunga ou o quê? Spinwear. Pesquisar. Os óculos. Cada um para uma ocasião. O chapéu para momentos certos. A música. O CD mais ouvido. O CD pouco ouvido, desconhecido, iraniano, ou de um cantor regional da Nova Inglaterra. Um irlandês ou norueguês. Na Noruega não existe somente bacalhau, estão fazendo também excelente cinema. Comprar – por sinal – o livro Os cem melhores filmes de todos os tempos. A palavra descolar é gíria atualizada. Usar também o termo acústico. Ter DVD na Home Theater. [...] Extraído da obra O anônimo célebre (Global, 2002), do escritor Ignácio de Loyola Brandão. Veja mais aqui e aqui.

 

SEXO & CARÁTER – [...] O gênio é umas vezes reflexivo e científico, outras predisposto às manifestações artísticas [...] enfim, seu interesse pode concentrar-se em determinado momento sobre a cultura e a história da humanidade e em outras ocasiões dirigir-se em direção à natureza. [...] O homem que está em relação íntima com o maior número de coisas, que as capta melhor, que não deixa escapar o mínimo detalhe; que compreende mais facilmente e mais profundamente que os demais porque possui ao máximo o dom de medida e de limite. O indivíduo genial é o que tem clara consciência do maior número de coisas. Por isso sua sensibilidade é, sem dúvida, a melhor. [...] a verdade, a pureza, a fidelidade, a felicidade, a sinceridade frente a si mesmo é a única ética possível [...] Pode-se afirmar que para a maior parte dos homens, Jeová é necessário de um modo ou de outro. A minoria (os homens geniais) não possuem uma vida heterônoma. Os demais justificam sempre suas ações e omissões, seus pensamentos e seu ser, ao menos na teoria, a outra pessoa, trata-se de um deus pessoal como o dos judeus, ou de um indivíduo amado, respeitado ou temido. Só assim atuam em conformidade externa e formal com a lei moral. [...] O homem superior não pode ser um simples psicólogo empírico para o qual somente existem singularidades que tenta reunir mediante associações, etc., nem é um simples físico que vê o mundo composto de átomos e moléculas [...]. Trechos extraídos da obra Sexe et caractere (L’Age d’Homme, 1985), do filósofo austríaco Otto Weininger (1880-1903). Veja mais aqui.

 

LIXO - [...] Minha filha já vestiu roupa nova, até aliança a gente encontrou aqui, num corpo. É. Vem parar muito homem morto, muito criminoso. A gente já tá acostumado. Quase toda semana o camburão da polícia deixa seu lixo aqui, depositado. Balas, revólver 38. [...] Você precisa ver. Isso tudo aqui é uma festa. Os meninos, as meninas naquele alvoroço, pulando em cima de arroz, feijão. Ajudando a escolher. A gente já conhece o que é bom de longe, só pela cara do caminhão. Tem uns que vêm direto de supermercado, açougue. Que dia na vida a gente vai conseguir carne tão barato? Bisteca, filé, chã-de-dentro – o moço tá servido? A moça? [...] Não, ele nunca vai tirar a gente deste lixão. Tenho fé em Deus, com a ajuda de Deus, eles nunca vão tirar a gente deste lixo. Eles dizem que sim, que vão. Mas não acredito. Eles nunca vão conseguir tirar a gente deste paraiso. [...]. Trechos extraídos da obra Angu de sangue (Ateliê; 2005), do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui e aqui.

 

RETRATO PRÓPRIO - Magro, de olhos azuis, carão moreno, / Bem servido de pés, meão na altura, / Triste da facha, o mesmo de figura, / Nariz alto no meio, e não pequeno. / Incapaz de assistir num só terreno, / Mais propenso ao furor do que à ternura; / Bebendo em níveas mãos por taça escura / De zelos infernais letal veneno: / Devoto incensador de mil deidades / (Digo, de moças mil) num só momento, / E somente no altar amando os frades: / Eis Bocage, em quem luz algum talento; / Saíram dele mesmo estas verdades / Num dia em que se achou mais pachorrento. Poema do poeta português Bocage (1765-1805) Veja mais aqui e aqui.

 

TEMPO DE VIDRO (FRAGMENTO)As deliberações paternas nunca tinham sentido / Chorei por razões óbvias / Enquanto as palavras ardiam / no fogo do silêncio / Minha mãe cuidava do pranto alheio / e engolia o seu / minha avó acreditava na família unida / completa e feliz / como frases de uma bandeira, uma lápide / e louvava a Deus sobre todas as coisas / e pessoas / meus irmãos cresceram junto aos meus ossos /dormimos juntos e sonhamos desacordados / como se cada infância tivesse sua própria poeira / minha mãe cuidava do nosso pão / mastigava um pedaço de pedra / cozida em alguma primavera / que não tinha nascido / minha avó somou os terços, rosários, súplicas / e Deus foi apenas um visitante rápido / numa tarde de domingo. Poema do jornalista e poeta Samarone Lima, que é autor dos livros de reportagens (1998), Clamor (2003) e Viagem ao Crepúsculo (2010), de crônicas Estuário (1995) e de poesias A Praça Azul & Tempo de Vidro (2012).



A MULHER NO TEMPO
– Há anos pesquiso acerca da trajetória da mulher no tempo e no espaço. Tudo começou em 2000 quando ao iniciar a campanha Todo dia é dia da mulher, tive acesso ao livro O sexo na história, de Reay Tannahill. A partir daí venho dedicando a publicação de textos a respeito da história e das conquistas da mulher no meu blog Crônica de amor por ela. Confira alguns estudos, textos e crônicas abaixo que compreendem a afirmativa veemente de que Todo dia é dia da mulher.


EFEITO MATILDA























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O partoril de ponta de rua, Rainer Maria Rilke, Giacomo Puccini, Leucipo de Mileto, Jean-Luc Godard, Maria Callas, Katiuscia Canoro, Anna Karina, Louis Jean Baptiste Igout, Paolo Eleuteri Serpieri & Julia Crystal aqui.

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Papai noel amolestado, Maceió, José Paulo Paes, Egberto Gismonti, Paulo Leminski, Gerd Bornheim, Ralph Burke Tyree, Marco Vicário, Laura Antonelli, Daryl Hannah, Neurociência & Educação aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
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CHARLAINE HARRIS, SEBASTIAN SEUNG, CONNIE PALMEN, MIHÁLY BABITS & JORGE WERTHEIN

  Ao som do Concerto Instrumental (2015), gravado ao vivo pela violonista alémã Jule Malischke , nas oficinas em DD-Hellerau.   TRÍPTICO DQP...