domingo, outubro 21, 2012

JESSICA ANDERSON, FELICIA HEMANS, FRANÇOISE SAGAN, LU XUN & LITERÓTICA.


DOIS POEMAS PRA ELA NUA NA SEXTA-FEIRA, MEIO DIA EM PONTO - I - Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela aponta nos lábios um sorriso de sol acendendo a vida todinha só pra mim. E na boca carmim escancarada, folia de festa, obra rara na língua de fora quão louca desvela os teores mais fundos de todos os sabores do mundo e da vida. E só para mim. Meio dia em ponto, toda sexta-feira, a sua boca gulosa me engole e me guia pra toda alegria da satisfação. E se torna o hangar dos meus vôos, porto dos meus navios, pia batismal onde lavo todos os meus pecados e sortilégios, túnel onde a sorte irisa meus sonhos e indagora revolveu minhas crenças inundando de assombro toda alegoria e o dia anoitece, a tarde madruga e a noite amanhece felando em mim. Dentro da sua boca, toda sexta-feira, meio dia em ponto eu me enrijeço adulto e me extasio menino travesso que não cansa brinquedo um segundo sequer. Tudo só para mim. E meio dia em ponto, a língua estirada em agonia me faz mais real em todas fantasias, shakespeareanamente a saber que existem mais gozos nas estrelas do céu da sua boca do que possam prever as minhas mais obscenas ejaculações. II - Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela apronta de tudo comigo e pronto! Ela chega e me olha e toda se desfolha para o bem-me-quer. Ela se abre mulher e eu sorrio, ela se rela e vira cadela no cio e me abraça e me beija, e se faz de puta e princesa quando me quer e eu sou sua passarela onde o sangue dá na canela pro que der e vier. Ela ronda, me cheira e me fela, ela usa e lambuza, se descabela e me acusa de só abusar dela. Ela lambe e abocanha, ela vence e me ganha na melhor de três. Ela me agarra medonha, ela me bate uma bronha na maior maciez. Ela chupa e me suga, ela aponta pra fuga e me faz descortês. Ela agita e me alisa, ela grita e repisa que é a última vez. E nem bem recomeça, ela me prega uma peça e posa sisudez. Ela bole, suspira e rebola, ela delira e quase degola a minha rigidez. E se aninha e engalfinha, ela jura que é minha por mais de um mês. Ela assunta e se enrosca, ela se faz mesa posta e eu seu freguês. Ela ajeita e retruca, ela monta mutuca e diz que não fez. Ela esfrega e renega, ela rega e pula a janela da minha timidez. Ela atiça e se esfola, ela então faz escola pela insensatez. Ela aguça e me inflama, ela me queima na chama da sua nudez. Ela se arrisca de fato, ela fica de quatro na maior viuvez. Ela torce e retorce, ela morde, rejeita e se ajeita e nem se refez. Ela goza e remexe, ela arrocha e debocha na maior altivez. Ela treme e me grita e quer sair muito bem nessa fita com toda malvadez. E quando eu gozo espalhafato de folia de bombo. Ela sorri que de fato fui salvo pela zoada do gongo. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 Que seja como for a chama desse fogo ardendo o nosso amor... Ardência.

 


DITOS & DESDITOS - Eu costumava pensar que um homem era condenado à morte ou prisão porque era culpado; agora eu sei que ele é considerado culpado porque não gostam dele. Pensamento do escritor chinês Lu Xun (1881-1936). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Só fechando as portas atrás de nós se abrem janelas para o porvir... A felicidade para mim consiste em gozar de boa saúde, em dormir sem medo e acordar sem angústia. Pensamento da escritora francesa Françoise Sagan (1935-2004). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

TIRRA LIRRA – [...] Andei e andei, às vezes com um objetivo – a casa de um amigo, uma loja, a igreja ou a escola – mas principalmente ao acaso, para fugir da opressão. [...]. Trecho extraído da obra Tirra Lirra by the River (Pan Macmillan, 1997), da escritora australiana Jessica Anderson (1916-2010).

 

SONETO DE DOMINGO - Quantos bandos abençoados caminham a esta hora, / Através dos prados de flores ingleses, até / o pináculo e a torre, entre misteriosos olmos, / onde os doces sinos proclamam o dia santo! / Salões cinzentos de dias heróicos / Incentivam a ausência de seus filhos; aldeias vazias, / Onde o pomar floresce e o vento toca, / Manda seus ocupantes em afluência feliz, / Que corrente vernal. Não poderei acompanhá-lo em seu caminho, / — amarrado à cama febril e informe / Mas, meu Deus abençoado e misericordioso / Que enche o sábado de paz / Meu coração esgotado, suas batidas apaziguadas / Me leva a profundos gritos e modesta gratidão. Poema da escritora britânica Felicia Hemans (1793-1835). Veja mais aqui e aqui.

 


A FREIRA DE MONZA – Esta é a história de Marianna de Leyva (1575–1650), a irmã Virginia Maria e mais conhecida como Freira de Monza, aquela que protagonizou um famoso escândalo no início do séc. XVII. Era a filha mais velha do nobre espanhol, o conde de Monza e aos 13 anos foi forçada pelo pai a entrar como noviça na Ordem de San Benedetto. Aos 16 anos fez os votos e se tornou freira, agora Virginia Maria, homenageando sua mãe falecida. No convento ela envolveu-se numa relação com o conde Gian Paolo Osio, com quem teve dois filhos, um nascituro e uma menina que foi reconhecida pelo pai. Este conde já havia assassinado outras pessoas antes do envolvimento com ela, mas quando o escândalo estourou ele matou mais 3 envolvidos para encobrir o caso, sendo descoberto e condenado à morte por revelia. A igreja, por sua vez, iniciou um julgamento canônico contra a Freira de Monza, no qual ela foi condenada a ser emparedada viva no retiro de Santa Valéria, onde passou 14 anos fechada em uma pequena sala e desprovida de comunicação com o exterior – exceto por uma fenda que permitia a troca de ar e entrega de alimentos essenciais. Sobrevivendo à sentença, manteve-se em Santa Valéria até seu falecimento. A história dele inspirou o romance Os noivos (Nova Alexandria; 2012), do escritor e filósofo italiano, Alessandro Manzoni (1785-1873), que, por sua vez, foi levada ao cinema em diversas versões. A primeira versão foi de 1947; a segunda de 1962, La Monaca di Monza (The Nun of Monza), dirigido por Carmine Gallone, estrelado pela belíssima atriz italiana Giovanna Ralli. A terceira, de 1969, The Lady of Monza, dirigida por Eriprando Visconti e estrelado pela atiz inglesa Anne Heywood. Em seguida ganhou mais duas versões cinematográficas em 1980 e 1987. Ganhou também adaptações teatrais de Giovani Testori, Biribò Totoni, Mara Gyalandris e Loredana Riva. Varias exposições pictóricas foram realizadas em sua homenagem, tem uma rua e uma via em Monza que lhe é dedicada, a Vicolo dela Signora, além de retratada pelo pintor Giuseppe Molteni.

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 21/10 do programa Domingo Romântico, apresentação da radialista e poeta Meimei Correa, com produção de Luiz Alberto Machado, com as seguintes atrações: Chiquinha Gonzaga, Cecilia Meirelles, Rio São Francisco, Maiakovsky, Pelé, Florbela Espanca, Silviane Bellato, Chico Buarque, Elis Regina, Maria Bethânia, Geraldo Azevedo, Marlene Souza Lima, Lenine, Djavan, Marisa Orth, Bibi Ferreira, Joyce, Sueli Costa, Fatima Guedes, Ney Matogrosso, Clara Redig, Claudio Nucci, Rita Lee, Dia Nacional da Alimentação na Escola,  Julia Lemmertz, Sr. Banana, Radio Comida, Titãs, Simone, Maria Rita, Sonia Mello, Carmen Silvia Presotto, Leureny Barbosa, Célia Vaz, Chico Cesar & Ana Carolina, Fernanda Abreu, Rosane Duá, Vozes Femininas, Mazinho, Ozi dos Palmares, Dani Calabresa, Wilma Araujo, Inacio Loyola & Marcelo Nunes, Tatá Werneck, Ann Sally, Jane Mara, Rita Ribeiro, Santanna, o Cantador & muito mais. Confira, neste domingo, 21/10, a partir das 10hs. Veja mais aqui.

Confira mais detalhes e veja outras edições do programa aqui.




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando no Tataritaritatá 
(Imagem enviada pela leitora e publicada atendendo pedido dela!)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.





MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...